Jesus entre os excluídos da religião e da sociedade (Lc 2,15-20) - Tomaz Hughes

Resultado de imagem para jesus mafaApesar da sua mensagem ser quase abafada pela euforia do consumismo e materialismo que transforma a grande festa cristã do Natal do Senhor numa verdadeira orgia pagã de esbanjamento e exclusão, a história do nascimento do Senhor, contada nas palavras singelas de Lucas, perdura ainda com a sua mensagem profunda de paz, união, solidariedade e amor, que o néo-paganismo pós-moderno da nossa sociedade é incapaz de ofuscar.

As celebrações da vigília e da aurora usam dois textos contínuos da Lucas, que realmente formam um mosaico teológico de grande beleza, através da sua habilidade literária. Lucas pega as tradições que põe a origem de Maria e José em Nazaré e junto-as às que colocam o nascimento de Jesus em Belém, e as insere na história humana e universal, através das suas referências a grandes figuras históricas da época, César Augusto, Herodes o Grande e o governador da Síria, Quirino. Nesse contexto ele tece uma rede que contem oito dos seus temas preferidos – alimento, graça, alegria, pequenez, paz, salvação, “hoje”, e universalismo, para trazer à humanidade de todos os tempos “uma boa notícia, uma alegria para todo o povo”(2, 10).

Embora haja uma confusão sobre as referências cronológicos na Lucas, pois Quirino não foi governador no tempo de Herodes e não se tem informações extra-bíblicas sobre um recenseamento feito por Augusto, a finalidade de Lucas é situar o nascimento do Salvador bem dentro da história humana – e especialmente a história humana dos pobres e excluídos. Jesus nasce filho de viajantes, forcados a sair da sua casa pela força opressora do império, pois a finalidade dum recenseamento era alistar todos para cobrança de impostos. Assim o Messias nasce em condições subumanas e indignas – como nascem e se criam milhões de crianças todos os anos na nossa sociedade atual. Como não teve lugar para eles na “hospedaria” (um tipo de albergue para viajantes, onde os animais ficavam no pátio, no primeiro andar tinha cozinha comunitária e no segundo andar dormitórios, algo ainda comum em certas regiões do Oriente hoje), Maria dá à luz numa gruta ou estrebaria e deita Jesus numa manjedoura. 

A visita do anjo aos pastores - Paz aos Excluídos! (Lc 2,1-20) - Mesters e Lopes

Resultado de imagem para jesus mafaTexto extraído do Livro "O avesso é o lado certo" - Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas - p. 44-46). Publicação de Paulinas e CEBI Publicações. Autores: Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

1. SITUANDO
O motivo que levou José e Maria a viajar para Belém foi o recenseamento decretado pelo imperador de Roma (Lc 2,1-7). Periodicamente, as autoridades romanas decretavam tais recenseamentos nas várias regiões do seu imenso império. Era para recadastrar a população e saber quanto cada pessoa tinha que pagar de imposto. Os ricos pagavam imposto sobre a terra e sobre os bens que possuíam. Os pobres pagavam pelo número de filhos. Às vezes, o imposto total chegava a mais de 50% dos rendimentos da pessoa.

Há uma diferença significativa entre o nascimento de Jesus e o nascimento de João. João nasce em casa, na sua terra, no meio dos parentes e vizinhos e é acolhido por todos (Lc 1,57-58). Jesus nasce desconhecido, fora de sua terra, no meio dos pobres, fora do ambiente da família e da vizinhança. "Não havia lugar para ele na hospedaria". Teve que ser deitado numa manjedoura. 

2. COMENTANDO
2.1 Lucas 2,8-9: Os primeiros convidados
Os pastores eram pessoas marginalizadas, pouco apreciadas. Viviam junto com os animais, separados do convívio humano. Por causa do contato permanente com os animais eram considerados impuros. Ninguém jamais os convidava para vir visitar um recém-nascido. É a estes pastores que aparece o anjo do Senhor para transmitir a grande notícia do nascimento de Jesus. Diante da aparição dos anjos, eles ficam com medo.

Jesus criança, o rosto humano da ternura de Deus (Lucas 2,1-20) - Ildo Bohn Gass

Resultado de imagem para jesus mafaNo segundo capítulo de Lucas, ainda estamos no Evangelho da Infância de Jesus (Lucas 1-2). Mais do que dizer como os fatos aconteceram, essas narrativas querem conduzir-nos para além dos fatos, querem ir mais fundo. São literalmente parábolas, isto é, querem jogar para além. Por isso, fazem uma leitura teológica da infância de Jesus para servir de luz na caminhada das pessoas e das comunidades a quem elas se destinam, ontem e hoje.

Um dos textos propostos para refletir na noite de natal é a narrativa a respeito do nascimento de Jesus segundo Lucas 2,1-7. Podemos dividir este relato em três partes.

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto...

A primeira parte situa o nascimento de Jesus na difícil realidade de seu tempo (Lucas 2,1-2). O povo judeu, como tantas outras nações, está sob a dominação do império colonialista de Roma. O nome do imperador da ocasião era César Augusto, que governou em Roma do ano 31 a.C. até o ano 14 d.C. Seu governo, portanto, durou nada menos que 45 anos. Foi Augusto quem deu início ao império romano, concentrando, dessa forma, ainda mais do que na época da república, o poder político, militar e econômico na capital imperial. A comunidade de Lucas conhecia muita bem como os imperadores oprimiam as nações subjugadas. Anotou, inclusive, a análise crítica que Jesus fazia de sua tirania: “Os reis das nações dominam sobre elas, e os que exercem o poder se fazem chamar benfeitores” (Lucas 22,25). 

A boa nova do Natal - Marcelo Barros

Resultado de imagem para natal jesusNa cultura da maioria das pessoas, Natal evoca presentes que recebemos e damos a parentes e amigos. Para outros, as festas do Natal significam aconchego familiar e dias de férias. Para as mães de família, Natal requer uma ceia especial com muitas comidas e bebidas. Fazer festa e reunir as pessoas queridas é sempre bom. Se o Natal serve para isso, tem uma boa função. No entanto, no mundo atual, se queremos ser mais justos com a Terra e a natureza, temos de rever o consumismo e organizar um modo de viver mais sóbrio e centrado em coisas mais essenciais. Se você quiser ir além da agitação que envolve esses dias, lembre-se que, no plano mais profundo, Natal significa renascimento.

Embora ninguém saiba a data exata do nascimento de Jesus, desde o século IV, os cristãos tomaram o 25 de dezembro, solstício do inverno no hemisfério norte, para celebrar a vinda de Jesus Cristo ao mundo, como o sol que ilumina e dá sentido novo a nossas vidas. Por celebrar o ciclo solar, o Natal é mais a celebração de um renascimento do que simples memória de um aniversário. Aliás, o que significaria nascer, se não fosse para estar abertos a um constante renascer? O poeta Pablo Neruda afirmava: “Nascemos como esboço. É preciso sempre renascer. Nascemos para renascer”.

De um modo ou de outro, todos os caminhos espirituais se propõem a ajudar as pessoas a viverem esse processo de transformação pessoal e comunitário. O Evangelho chama de metanoia, mudança de mente. O Budismo denomina de iluminação. Espiritualidades indígenas falam em despertar. Podemos dizer que renascemos cada vez que realizamos os passos que a vida exige e nos abrimos para uma nova etapa. Em cada idade física, o ser humano larga uma idade e renasce para outra. Em uma conversa com Nicodemos, Jesus explica: “O que nasce conforme o mundo (ou no modo de falar hebraico: o que nasce da carne) é carne, ou seja, pertence a esse modo de ser do mundo. O que nasce do Espírito, é espírito. Por isso, insisto, é preciso nascer de novo, nascer do Espírito” (Jo 3, 7).

Babel contra multidão [Fábio Py]

Resultado de imagem para torre de babel“A unidade da fé em Deus, que constantemente queremos criar (ou temos de criar porque, em certo sentido, dela necessitamos), não se encontra nos textos, nem na coletânea de escritos, tampouco no cânon; ela se encontra unicamente em nossa perspectiva. Nós transformamos as afirmações bíblicas em afirmações que possam nos orientar e que se ajustem ao nosso crer e fazer” (Erhard Gerestemberger, Teologias no Antigo Testamento, 2007, p.9).

“Multidão é o nome de uma imanência. A multidão é o conjunto de singularidades” (Antonio Negri, “Para uma definição ontológica da multidão”, Lugar Comum, n.19-20, p.19.

Queria estar na companhia dos irmãos e irmãs escutar/refletir sobre “Teologias da Multidão”, mas de fato, a UENF em Campos dos Goytacazes, torna sério o desafio da distância. Imagino que meus amigxs da mesa irão se preocupar em ler textos ligados à memória do Novo/Segundo Testamento, de Jesus e Paulo. Nenhum problema. Na verdade, ao contrário. É imenso o desafio. Pois, temos de lembrar que o cristianismo é memória dos apóstolos e apóstolas, discípulos e discípulas, que fizeram “multidão” para resistir. Sim, porque o cristianismo dentro do império romano era uma religião minoritária no século I. Ganhou proporção somente no século III, quando o imperador, para não rachar seu império, assumiu como religião oficial.[1]

Logo, a sobrevivência do cristianismo nos dois primeiros séculos mostra as esforço de articulação e resistência dos seguidores de cristo mediante os cercos do império. Ao mesmo tempo, não se pode negligenciar o ‘truque’ do imperador Constantino, que ao se ‘converter’ ao cristianismo (Paul Veyne [2]), fez-se marco da derrocada do cristianismo “dos subalternos, dos vencidos” (Benjamin [3]) “das multidões” (Negri [4]). Por conta dessa derrocada, queria me deter rapidamente em um instigante texto da tradição cristã encontrado no livro de Gênesis. Até para não perder de vista a esperança do diálogo com tradições monoteístas (judaica e árabe) tão significativas no contexto ocidental. [5]

A Babel bíblica

Vamos fazer um Natal das Dádivas?

Resultado de imagem para natalDádiva, do latim dativa, significa doação ou presente, aquilo que se dá ou se recebe gratuitamente. O termo também é usado com o sentido de presente divino ou graça. Em 2013, durante um dos encontros da Rede Brasileira Infância e Consumo nasceu a campanha Natal das Dádivas. O objetivo é buscar um outro sentido para a data, com menos consumismo e mais presença e doação.

Este é o nosso convite: vamos repensar nossos hábitos e incentivar ações que respeitem a infância, as relações entre as pessoas, a cultura de paz e a natureza? Vamos reunir ideias que possam mudar a forma como comemoramos o Natal? Para além do sentido religioso, o período do Natal é um tempo de reflexão e encontro. E se você não comemora o Natal, as ideias a seguir podem servir para outras ocasiões. O principal objetivo é questionar o consumismo e os apelos para a compra de presentes que costumam dominar as datas comemorativas.

Nós selecionamos dez ações para um Natal das Dádivas – Menos consumo e mais presença e doação.

Reflita sobre o sentido do Natal

O Natal é uma festa religiosa cristã que comemora o nascimento do menino Jesus. Hoje, cristãos e também muitos não cristãos costumam reunir a família e os amigos em uma confraternização no dia 25 de dezembro. Troca de presentes e ceia são tradições da data. Mas se o Natal está se transformando em uma festa do consumo, é preciso resgatar seu sentido original. Reflita sobre o real significado da data com a sua família, sobretudo com as crianças. Converse e explique que a festa não se resume a dar e ganhar presentes. Fale sobre o consumismo e as estratégias do mercado e da publicidade. Explique sobre os prejuízos do consumismo infantil para as famílias, sobre endividamento e impactos ambientais e da importância de um outro tipo de economia que respeite os limites do planeta. Presentes, comida e comemoração podem existir para celebrar a data mas não devem sobrepor à confraternização.

O sinal do Emanuel - Marcel Domergue

Resultado de imagem para deus conoscoNeste tempo, a Igreja está voltada para Aquele que vem: a Liturgia da Palavra mostra a sua adesão ao "Sinal do Emanuel". Ela acolhe este "Deus conosco" como o Sinal da Liturgia. Que ela, assim como José, saiba recolher-se "em segredo", quando necessário. E ser jovem, portadora da paz e simples como Maria, levando dentro de si o Filho de Deus!

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 4º Domingo do Advento, do Ciclo A (18 de Dezembro de 2016). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas

1ª leitura: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho” (Isaías 7,10-14)
Salmo: Sl 23(24) - R/ O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!
2ª leitura: “Descendente de David segundo a carne, autenticado como Filho de Deus” (Romanos 1,1-7)
Evangelho: Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi. (Mateus 1,18-24)

O anúncio feito a José

Até aqui, temos falado, sobretudo, da vinda permanente de Cristo em nossas vidas: uma vinda secreta, perceptível somente pela fé. Falamos também da «volta» do Cristo, da sua vinda última, no final dos tempos. Mas é oportuno falar do seu nascimento em Belém, pois já iremos celebrar o Natal. Podemos dizer que, apesar das diferenças e com as devidas precauções, este nascimento é como a sua «vinda à visibilidade».

ADVENTO: Tempo de preparar? - Cristian Rosmund Donat

Resultado de imagem para adventoJá está aqui o Advento! Esse é um tempo especial na vida da Igreja. Celebramos a vinda de Cristo. A contagem regressiva começa quatro domingos antes do Natal. É tempo de esperar, de meditar, tempo de pensar naquele que vem. Ainda que nós saibamos quem vai vir, não é tempo de simples repetições. Todos sabem que o nascimento de Jesus é celebrado no Natal.

Todos também sabem que tudo fica pronto para essa data. A cada ano, as pessoas se preparam para o próximo Natal. Por isso, Advento é tempo de graça, onde nós lembramos que vem o Messias, nosso Salvador. Também, é tempo de injetar alegria e otimismo cristão diante dos problemas diários. É trazer aqueles sentimentos do mais profundo do nosso ser que lembram o amor de Deus. É arrumar o lar com enfeites, procurar presentes para partilhar nossa alegria, acender uma vela cada domingo até que a coroa fique toda iluminada marcando a chegada de Jesus.

Mas, cuidado! O tempo de Advento não acontece porque tenhamos enfeites de Natal pendurados na casa ou porque importamos tradições que não tem nada a ver com o verão brasileiro. Pois, a espera do Natal não é uma falsa alegria comprada em lojas muito bem arrumadas, que tem até neve artificial. Para os cristãos e as cristãs, Advento é a certeza de que vem o Senhor. Enfeites, comidas, músicas, ritos e celebrações foram feitas porque existe essa certeza e não o contrário. O Espírito do Natal não é uma coisa que se compra ou se vende, é um presente dado pela fé.

Advento é tempo de confiar nas promessas de Deus. E isso, exige também deixar-se guiar por ele, reconhecer que muitas vezes nossos caminhos, pessoais ou comunitários, não são ou não tem sido os caminhos de Deus. Assim, também é tempo de reconhecer os erros, não para cair no pessimismo, e sim para aprender a reconhecer a trilha que o Senhor ensina.

O sonho de José e a chegada do Messias (Mt 1,18-25) - Marcelo Barros

Resultado de imagem para josé pai jesusO evangelho a ser refletido o próximo final de semana fala de um sonho: o sonho no qual José é avisado que sua companheira seria a mãe do Messias esperado. Se antes, lá no Egito, José, o filho de Jacó, interpretava os sonhos do Faraó, agora um novo José é convidado a interpretar os novos desígnios divinos. O texto é extraído do livro Conversando com Mateus.

Enquanto Lucas conta que o anjo anunciou a Maria, a comunidade de Mateus conta que o anjo apareceu em sonhos a José. O fato de ser “em sonhos” se liga à tradição dos patriarcas: o próprio José, filho de Jacó. Quem aparece não é um anjo como em Lucas. É o próprio “Anjo do Senhor”, expressão para dizer “a Palavra do Senhor”, “a Glória do Senhor”, uma visibilidade do próprio Deus. José é apresentado como um justo que percebe na mulher a obra de Deus e quer se retirar para não atrapalhar uma obra de Deus que ele não pode compreender.

O sonho não é apenas o momento no qual as frustrações do inconsciente se soltam. Através do sono, a pessoa convive com uma dimensão interior mais profunda de si mesma e pode ouvir de modo mais puro a sua vocação.

Na sociedade do tempo de Jesus, havia uma prática cultural chamada do desposório. Através dela, se dava inicio ao contrato de casamento no qual as famílias ingressavam. O casal era considerado marido e mulher. Mas, durante um tempo, ela permanecia na casa de sua família e eles não tinham ainda relações sexuais. Quando o texto diz: “antes de coabitarem, ela engravidou”, está dizendo que eles ainda não moravam juntos e nem tinham tido relações sexuais. Seria, então, compreensível que José concluísse que ela teve relações com outro homem. Na época, isso seria um adultério, porque eles dois (Maria e José) já estavam comprometidos em casamento. Assim, segundo padrões culturais convencionais, Maria está exposta à marginalização social, econômica e religiosa (Existe na Bíblia maldições para mulheres em situações como esta e para seus filhos. Ver Eclo 23,22-26 e Sb 3,16-19 e 4,3-6).

Reconhecer o Messias - Ana Maria Casarotti

João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras do Messias, enviou a ele alguns discípulos, para lhe perguntarem: «És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu: «Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Notícia. E feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!»

Resultado de imagem para perceberOs discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «O que é que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas aqueles que vestem roupas finas moram em palácios de reis. Então, o que é que vocês foram ver? Um profeta? Eu lhes afirmo que sim: alguém que é mais do que um profeta. É de João que a Escritura diz: "Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. Eu garanto a vocês: de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele.

Leitura do Evangelho de Mateus 11, 2-12. (Correspondente ao 3º Domingo de Advento, ciclo A do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti.
Reconhecer o Messias

Herodes tinha encerrado João Batista numa masmorra. A mensagem que ele proclamava e o convite à conversão eram uma exortação que incomodava bastante aqueles que atuavam hipocritamente, compondo uma sociedade que explorava os mais pobres, carentes e todos e todas os que eram rejeitados.

Uma pandemia de violência contra as mulheres

A cada 10 minutos um homem mata uma mulher que é ou foi sua companheira em algum ponto do planeta, de acordo com dados da ONU. É a intolerável ponta do iceberg da violência de gênero, uma realidade cotidiana em todo o mundo. A violência contra as mulheres, a metade da população, adquiriu dimensões de uma pandemia de efeitos devastadores, em um mundo no qual uma em cada três sofreu violência física e sexual e onde 200 milhões de garotas sofreram mutilação genital.

Lucía, de 16 anos, foi drogada e estuprada até a morte por dois homens na Argentina. A paquistanesa Qandeel, de 25 anos, foi estrangulada por seu irmão, que acreditava que a mulher, uma celebridade em seu país por publicar imagens e mensagens sugestivas nas redes sociais, era uma desonra à família. A espanhola Juani foi assassinada por seu marido a machadadas apesar de ter uma ação de afastamento contra ele. São somente três dos rostos da violência contra a mulher em 2016. Um problema global e multiforme que não é só uma grave violação dos direitos humanos, mas também um importante problema de saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Apesar da sequência de casos e dos números – 50.000 assassinatos de mulheres por seus companheiros e ex-companheiros, de acordo com o último relatório do escritório das Nações Unidas contra a droga e o crime –, ainda existem países, como a Rússia, o Irã e o Egito, que não têm leis específicas para combater o problema. E na maior parte do mundo, a violência de gênero, em todas as suas variáveis, é considerado algo que elas não devem mencionar e resolver dentro de casa. Em 32 países, os estupradores não são julgados se, por exemplo, são casados com a agredida ou se depois se casam com ela.

Pequenos grandes profetas (Mt. 11,2-11) - Rev. Luiz Carlos Ramos

Resultado de imagem para profetasMesmo confinado na cadeia, João Batista ouviu as notícias a respeito do que Cristo andava fazendo. Um tanto perplexo e escandalizado, enviou alguns dos seus discípulos que fossem até ele, incumbidos de tirar de uma vez por todas as dúvidas que o atormentavam: — O senhor é o esperado, aquele que estava para chegar, ou devemos aguardar ainda o advento de outro?

Jesus respondeu: — Voltem lá e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo. Contem a ele como os cegos agora vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e os pobres abraçam o evangelho. E, lembrem-lhe, que felizes são aqueles que não se escandalizam, nem abandonam a sua fé em mim!

Assim que os discípulos de João foram embora, Jesus começou a dar testemunho ao povo a respeito de João: — Ah! O que vocês esperavam ver lá fora no deserto? Um caniço de junco sacudido pelo vento? O que esperavam ver lá fora? Um homem bem-vestido? Ora, os que se vestem bem moram dentro de palácios! Então me digam: o que esperavam ver? Um profeta? Sim. E eu afirmo que vocês viram muito mais do que um profeta. Porque João é aquele a respeito de quem as Escrituras Sagradas dizem: “Aí você têm, face-a-face, o meu mensageiro, disse Deus. Eu o envio para preparar o seu caminho.” Eu garanto a vocês, e esta é a mais pura verdade: de todos os homens que já nascidos no mundo, João Batista é o maior. Saibam, porém, que o menor no Reino do Céu é maior do que ele.

* * *
João, o batista, fora preso e confinado na fortaleza de Machaerus, 24 Km a sudoeste da foz do Rio Jordão, a mando do Rei Herodes Antipas I. Isso se deu, segundo alguns, na metade do ano 26 ou 27, e ali ele permaneceu por 10 meses, até o dia de sua morte.

Curar feridas (Mt. 11,2-11) - José A. Pagola

Resultado de imagem para florA atuação de Jesus deixou João Batista desconcertado. Ele esperava um Messias que eliminaria o pecado do mundo impondo o juízo rigoroso de Deus, ao invés de um Messias dedicado a curar feridas e aliviar sofrimentos. Da prisão de Maqueronte, envia uma mensagem a Jesus: “És tu o que viria ou devemos esperar por outro?”.

Jesus responde com sua vida de profeta curador: “Digam a João o que estão vendo e ouvindo: os cegos veem e os paralíticos andam; os leprosos estão curados e os surdos ouvem; os mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Notícia”.

Jesus se sente enviado por um Pai misericordioso que deseja para todos um mundo mais digno e feliz. Por isso, se entrega a curar feridas, sanar doenças e liberar a vida. E, por isso, pede a todos: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso”.

Jesus não se sente enviado por um juiz rigoroso para julgar aos pecadores e condenar o mundo. Por isso, não amedronta a ninguém com ações justiceiras: oferece a pecadoras e pecadores sua amizade e seu perdão. E, por isso, pede a todas e todos: “Não julgue para não ser julgada/o”.

Jesus nunca cura de forma arbitraria ou por sensacionalismo. Cura movido pela compaixão, buscando restaurar a vida das pessoas abatidas, doentes e desanimadas. São estas as primeiras que tem a experiência de Deus amigo da vida digna e saudável.

Ajustemos o olhar e reconheçamos os sinais do Reino! (Mt. 11,2-11) - Pe. Itacir Brassiani

Resultado de imagem para olhar reinoA pergunta que João Batista se faz na prisão expressa dúvidas, crises e angústias que nós também conhecemos muito bem: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” Recolhido involuntariamente na solidão da sua cela e recebendo notícias sobre a ação que Jesus começara a desenvolver, o profeta é rondado pela dúvida e pela perplexidade. No ponto de vista do profeta encarcerado, faltavam os sinais do fogo que queimaria os ímpios o do machado que golpearia as árvores estéreis. Um Deus todo-poderoso não poderia demonstrar compaixão e paciência...

Mas há uma diferença entre nós e ele: o filho de Zacarias e Isabel ainda esperava a vinda do Messias e a irrupção do Reino de Deus, enquanto que nós situamos este evento no passado. A dúvida de João Batista nasce da grande diversidade de expectativas messiânicas que existia no seu tempo, enquanto que a nossa crise vem frequentemente da falta de sinais de mudança no curso da história, o que suscita a pergunta: a vida, morte e ressurreição de Jesus provocou mesmo alguma mudança? Imagino as perguntas e crises do grande e já saudoso Mandela, durante os 27 anos de prisão...

Mesmo sem negarmos a doutrina do retorno glorioso de Jesus no futuro, a verdade é que não jogamos nisso todas as nossas fichas. Às vezes soa como uma piedosa metáfora o apelo a preparar o coração para que nele Jesus possa nascer de novo. Estou entre os/a que acreditam que o núcleo da nossa fé, o ponto em torno do qual giram os demais elementos, é o reinado de Deus, a transformação radical do mundo em que vivemos: é isso que esperamos e é em vista de sua realização que empenhamos nossa inteligência, nossa esperança, nosso amor e nossas estratégias.

Reflexão de Advento - Marcelo Barros

Resultado de imagem para adventoA esperança, enraizada na fé, não pode se basear em uma mera análise da realidade, por mais importante e útil que essa sempre seja.

Nos dias atuais, a análise da realidade social e política do Brasil e do mundo não favorece o cultivo da esperança. Cada dia mais, fica difícil pensar que "tempos melhores virão", como se o próprio ritmo do dia a dia garantisse que amanhã será melhor do que hoje. O evangelho diz que quem planta espinhos não pode colher uvas. Do mesmo modo, o jeito como a sociedade organiza o mundo revela um futuro nada bom. E o sistema dominante, tanto no plano da economia, como na política, sempre repete: "Não há alternativa! O jeito é esse".

coroadeadvento1No Brasil, assim, se justificam planos de austeridade que penalizam sempre os mais pobres e PECs, planejadas para transformar direitos sociais dos trabalhadores em despesas a serem evitadas. Os gerentes de governo e os meios de comunicação que os controlam falam em crise (sempre para os mais pobres) e nos preparam para o pior.

Nesse contexto, a nossa esperança pode ser alienada. Quem passa a vida jogando na loteria esperando um dia ganhar uma fortuna nunca analisou as raízes de sua esperança. É bonito ver pessoas que, contra tudo e contra todos os sinais, teimam em esperar o impossível. Elas mesmas não sabem porque esperam e de onde vem esse milagre de sempre esperar. No entanto, a parte mais consciente da humanidade, assim como, nas diversas tradições espirituais, os homens e mulheres que optam por viver a fé são chamados, como diz a carta de Pedro: "a estar sempre prontos a prestar contas das razões de sua esperança" (1 Pd 3, 15).

Percorrer caminhos novos - José Antonio Pagola

Resultado de imagem para novos caminhosA leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 3,1-12 que corresponde ao Segundo Primeiro Domingo de Advento, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Pelos anos 27 ou 28 apareceu no deserto próximo do Jordão um profeta original e independente que provocou um forte impacto no povo judeu: as primeiras gerações cristãs viram-no sempre como o homem que preparou o caminho a Jesus.

Toda a sua mensagem se pode concentrar num grito: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!”. Depois de vinte séculos, o Papa Francisco grita-nos a mesma mensagem aos cristãos: abri caminhos a Deus, voltai a Jesus, acolhei o Evangelho.

Seu propósito é claro: «Procuremos ser uma Igreja que encontra caminhos novos». Não será fácil. Nos últimos anos vivemos paralisados pelo medo. O Papa não se surpreende: “A novidade dá-nos sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós os que construímos, programamos e planejamos a nossa vida». E faz-nos uma pergunta a que temos de responder: «Estamos decididos a percorrer os caminhos novos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de resposta?».

Vozes que gritam

Resultado de imagem para gritoNaqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo”. João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!”. João usava roupa feita de pelos de camelo, e cinto de couro na cintura; comia gafanhotos e mel silvestre.

Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia, e de todos os lugares em volta do rio Jordão, iam ao encontro de João. Confessavam os próprios pecados, e João os batizava no rio Jordão. 

Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem lhes ensinou a fugir da ira que vai chegar? Façam coisas que provem que vocês se converteram. Não pensem que basta dizer: 'Abraão é nosso pai’. Porque eu lhes digo: até destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. O machado já está posto na raiz das árvores. E toda árvore que não der bom fruto, será cortada e jogada no fogo. Eu batizo vocês com água para a conversão. Mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. E eu não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias. Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo. Ele terá na mão uma pá: vai limpar sua eira, e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele vai queimar no fogo que não se apaga”.

Evangelho de Mateus 3, 1-12 (Correspondente ao Segundo Domingo de Advento, ciclo A do ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti.

Vozes que gritam 

No domingo anterior iniciamos o Advento, um tempo que nos convida a preparar-nos para a Vinda de Jesus no meio de nós. Neste domingo aprofundamos na vigilância e também na esperança.

Baseado na pregação de João Batista, hoje o Evangelho convida-nos à conversão: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo”.

40% das mulheres que sofrem violência doméstica são evangélicas

Resultado de imagem para violência domésticaA violência doméstica é uma triste realidade no Brasil e uma pesquisa descobriu uma informação ainda mais alarmante: 40% das mulheres que se declaram vítimas de agressões físicas e verbais de seus maridos são evangélicas.

A descoberta é resultado de uma pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie a partir de relatos colhidos por organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham no apoio às vítimas desse tipo de violência.

“Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas”, diz um trecho do relatório divulgado, de acordo com informações da Rede Super.

A surpresa não é maior do que a preocupação que existe sobre o contexto das agressões: muitas das vítimas dizem sentirem-se coagidas por seus líderes religiosos a não denunciarem seus maridos.

“A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’, então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”, denuncia o documento.

Após encontro, Reju emite "Carta de Contagem"

Resultado de imagem para rede ecumênica da juventude (reju)Nós, juventudes ecumênicas reunidas no Encontro Nacional “Desafios e possibilidades no cuidado da casa comum” realizado pela Rede Ecumênica da Juventude/REJU e pela Pastoral Popular Luterana/PPL vinculada a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil/IECLB, entre os dias 12 a 16 de novembro de 2016, em Contagem/MG, acreditamos que a oikumene deve expressar os encontros e a convivência entre as diferenças sociais, culturais e religiosas a fim de superar todas as formas de intolerância. Partilhamos, assim, nosso desejo e nossa luta por justiça, igualdade e dignidade a todas as pessoas que habitam essa casa comum tendo em vista a atual conjuntura em nosso país marcada pelo recrudescimento das violações aos mais diversos direitos. Por conta disso, denunciamos:

▪ Os casos de desrespeito às pessoas pertencentes às diversas manifestações religiosas e ataques aos seus lugares de culto que acometem principalmente as religiões de matrizes africanas e indígenas;

▪ Grupos e setores cristãos que utilizam, de forma descontextualizada e sem diálogo com as diversidades humanas, valores religiosos e narrativas bíblicas para promover um fundamentalismo de cunho político que os permitem disputar e garantir seus lugares em espaços de poder em suas igrejas, na sociedade e nos legislativos e executivos; 

▪ Às violências contra a pluralidade de identidades de gêneros e sexuais validadas por uma sociedade patriarcal, machista e misógina;

Arrependimento e conversão (Mateus 3.1-12) - Roberto N. Baptista

Resultado de imagem para missão jesusA doutrina do profeta precursor como um novo Elias estava baseada na expectativa da vinda do Messias. Os doutores da lei ensinavam que antes da chegada do Messias deveria haver um grande arrependimento do povo (Mt 11.10). Em diferentes comentários os rabinos mencionavam as profecias de Ml 3.1; 4.5-6 e Is 40.3 e as utilizavam para enfatizar a necessidade de arrependimento e conversão.

Apesar disso, como já vimos, fariseus e doutores acreditavam que chegariam ao Messias através da observância da tradição. Desde o exílio, as autoridades religiosas preocupavam-se com a restauração da nação. A expectativa sempre foi grande. Manter o moral alto, porém, sempre foi uma grande dificuldade. Sucessivas derrotas políticas e militares criaram uma enorme insatisfação. Diríamos hoje que o povo estava frustrado. É a crise de identidade. Naquela época, essa crise se manifestava com maior intensidade, já que para se chegar ao Messias era necessária a tradição.

Por isso, João afirmava que na radicalização da chegada do Senhor não mais era fator de segurança ser da descendência de Abraão (v. 9). Exigia-se, antes de tudo, metanoia. Podemos imaginar o impacto dessa afirmação! De repente, a segurança de fariseus e doutores ia por água abaixo.

Batismo com água — batismo com o Espírito Santo e com fogo

Já no pós-exílio, o judaísmo adotara o batismo como admissão de prosélitos a uma nova experiência religiosa. Com certeza, essa experiência não era exclusiva da religiosidade judaica. Banhos de purificação eram comuns a diversas culturas, religiosas ou não.

Os frutos do arrependimento - Paulo R. Petrizi

Resultado de imagem para arrependimentoO que é arrependimento? De acordo com Mateus 3.1-12, era sobre o arrependimento que o profeta João Batista costumeiramente pregava. E seu ministério, à margem do rio Jordão, atraía muitas pessoas que em sinal do arrependimento de seus pecados, deixavam-se batizar nas águas do rio. Porém, não eram somente as pessoas que buscavam a Deus que compareciam até onde João ministrava, mas também diversos fariseus e saduceus, a quem o profeta chamou de “raça de víboras”.

Observe as palavras de João no verso 7: Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Ao referir-se àquelas pessoas como serpentes venenosas, o profeta referiu-se ao caráter deles ser semelhante ao do Diabo. Infelizmente, há pessoas que têm características em sua personalidade e conduta que lhes assemelha ao Diabo: desobediência, malignidade, astúcia maligna, infidelidade, falsidade, traição, perversidade, etc. A principal característica destas pessoas é a incapacidade de se arrependerem de seus pecados.

Quem tem caráter de víbora não se arrepende. Quem tem caráter de cordeiro, tem frutos de arrependimento. O Messias, a quem João Batista anunciava, veio para ser Pastor de cordeiros. Tais cordeiros têm como principal característica o arrependimento de seus pecados e os frutos decorrentes (cf. Mt 3.8). Exemplos destes frutos são dados pelo próprio João Batista noutro texto, em Lucas 3.10-14.