Proclamar Libertação (Lucas 21.5-19) - Teobaldo Witter

Resultado de imagem para libertação1. Introdução

Olhamos para a época em que vivemos. Estamos vivendo o penúltimo domingo do ano eclesiástico. Estamos próximo do fim do ano eclesiástico e também próximo do fim do ano civil. Especialmente nesta época somos confrontados com a pergunta pelo fim. Pelo nosso fim e pelo fim de tudo o que existe ao redor de nós e dentro de nós. O Advento não é nosso.

O Ano Novo também não é nosso. Para nós eles não existem. Eles são de Deus. E se Deus quiser, Ele nos dará outro Advento e outro Ano Novo. Somos, portanto, lembrados de que o nosso tempo aqui vai ter fim. Pensar no fim nos leva a pensar sobre a vida que levamos agora. A nossa vida não é um inocente e descompromissado passeio à Disneylândia. Ela é um jogo de implicações decisivas. Neste jogo a gente pode perder. No combate a esta peste infernal Jesus orienta: sejam perseverantes no testemunho (Lc 21.13,19).

2. Lucas 21.5-19

Vv 5-6: O templo é bonito e bem construído, admirado pelo povo por sua beleza. É uma verdadeira fortaleza. O templo faz de Jerusalém uma cidade ornamentada. A respeito dela se comenta no mundo inteiro. Deus morava ali dentro. O ofertório do pessoal era abundante. Tudo em paz. Tudo tranquilo. Tudo seguro. Assim pensavam as pessoas. E aí Jesus anuncia o fim: Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja demolida.

V. 7: Também os discípulos achavam que a tragédia do templo estaria ligada ao fim do mundo. E querem saber qual será o sinal deste fim.

Vv. 8-9: Jesus não responde à pergunta pela época e pelos sinais do fim. Mas chama à sobriedade. Mesmo nas catástrofes devem permanecer sóbrios, autocríticos e corajosos. Afinal, para Deus nada se perde. Devem combater o fanatismo que vê em tudo o sinal do fim.

Jesus orienta os seus discípulos quanto ao possível engano. Épocas de crise são propícias para a atuação de fanáticos que querem enganar, autoproclamando-se messias. Por isso é necessária a análise corajosa e crítica.

Na década de 40 d.C. Calígula tentou romanizar o templo com a introdução da estátua do imperador. Isso provocou uma revolta em Jerusalém. Aí apareceram dois (Teudas e depois Judas, o Galileu) e se autoproclamaram messias (At 5.36-37). Foram mortos pelos romanos e seus seguidores se dispersaram. Ninguém mais os seguia.

Os discípulos devem permanecer fiéis. O seu Senhor partiu para uma terra distante (Lc 19.12). Ele pode demorar para voltar. Não podem seguir estes fanáticos. Esperam pelo Senhor que pode demorar, mas que vem com certeza.

Vv. 10-11: Jesus recomeça seu pronunciamento. Fala em sinais. Tudo o que dá segurança será afetado. Até os corpos celestes serão abalados. Tudo aquilo em que as pessoas colocam a sua esperança terá fim. Um verdadeiro caos. A situação caótica nos lembra do abismo (Gn 1.1-2).

V. 12: Antes do caos, isto é, antes dos sinais do fim, a Igreja de Jesus Cristo dará testemunho de sua fé, esperança e amor. Por causa do nome do seu Senhor os seus serão levados à prisão, à sinagoga, à presença de reis e governadores. Especialmente os piedosos estão empenhados na perseguição aos cristãos.

Vv. 13-15:0 que para o mundo ao redor é um fracasso se torna uma grande bênção para a Igreja de Jesus Cristo. Deus abre as portas para o testemunho. No processo, a Igreja dá testemunho da razão do seu ser e viver. Não é a Igreja perseguida que silencia, mas são os seus opositores que silenciam. Eles ouvem o que nunca ouviram (Is 52.15). Mas não é a Igreja que fala por conta própria. É Jesus quem diz: eu lhes darei boca e sabedoria.

Vv. 16-17: Em oposição ao modo de produção escravagista que destruiu a família, a tribo, Jesus cria a nova família. E a nova família são os/as que seguem a vontade de Deus Pai-Mãe. Jesus diz que a sua família são as pessoas que ouvem a palavra de Deus e a praticam (Lc 8.21).

Parentes e amigos/as podem arrastar os de Jesus aos tribunais. Algumas pessoas fanáticas poderão persegui-los até a morte. Pessoas cristãs poderão ser objeto de ódio. Assim escreve o historiador romano Tácito: cristãos tornaram-se objeto do ódio do género humano (Stöger, p. 192). As pessoas cristãs são rejeitadas, porque o pessoal rejeita o evangelho de Jesus Cristo.

Vv. 18-19: O povo cristão vive da certeza de que para Deus nada se perde. Mesmo nas situações de grandes dificuldades, Deus tem o controle da situação. As coisas não escapam das mãos de Deus, porque Ele tem o poder criador. A ressurreição é o sinal claro e evidente do poder criador de Deus. O que Ele criou permanece guardado em sua memória. Nem mesmo a morte poderá tirá-lo de lá.
É necessário que a Igreja (o povo cristão) seja perseverante. Perseverante no testemunho de Jesus Cristo, o Senhor. Assim, aquele dia (v. 10) não virá como um laço sobre o povo cristão (Lc 21.34). Neste contexto, a pergunta pelos sinais do fim perde o seu sentido.

3. Bibliografia
LOHSE, Eduard. Introdução ao Novo Testamento. São Leopoldo, Sinodal, s. d. p. 154-163.
STÖGER, Alois. O Evangelho segundo Lucas; Segunda Parte; Vol. 3/2. Petrópolis, Vozes, 1974. p. 184-193.

Fonte: CEBI Nacional