“Porque para ele todos vivem” (Lucas 20.27-38) - Claiton André Kunz

Resultado de imagem para ressurreição1. Introdução

Parece que a incredulidade é um pecado muito antigo; e não é “ um privilégio” dos nossos dias. Mesmo entre os descendentes de Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Samuel, Davi e os profetas existiam judeus incrédulos ousados. O texto de hoje diz que se dirigiram a nosso Senhor “alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição”.

Não é raro encontrar na atualidade pessoas que desacreditam totalmente das verdades bíblicas reveladas por Deus sobre diversos assuntos, inclusive pessoas dos círculos eclesiásticos. Alguns talvez até não manifestem verbalmente sua incredulidade, mas vivem como quem não acredita na revelação de Deus através da sua Palavra.

Nosso consolo é que, mesmo com o passar dos anos, a verdade revelada de Deus sempre prevalecerá. Mesmo que surjam incrédulos ousados que procuram desacreditar a revelação divina, há na palavra de Deus um poder inerente que a mantém viva. Os incrédulos desaparecem assim como os saduceus, mas as grandes evidências do cristianismo permanecem, e nem mesmo as portas do inferno podem prevalecer contra a verdade de Cristo (Mt 16.18).

No relato de Lucas (20.27-40), os saduceus tentam por meio de uma pergunta ridicularizar a fé na ressurreição e a pessoa de Jesus (v. 27-33). Entretanto, Jesus soluciona essa dificuldade levando a questão para uma esfera superior (v. 34-36). O Senhor fundamenta a ressurreição dos mortos a partir das Escrituras (v. 37-38), e os escribas terminam por elogiar a sabedoria de Jesus ao responder essa questão difícil (v. 39s).

2. Meditação

Podemos pensar nesse texto a partir do tema da realidade da ressurreição dos mortos, tendo em vista ser esse o assunto proposto pelos saduceus e esclarecido pelo Senhor Jesus. Portanto poderíamos esboçar a meditação da seguinte forma:

2.1 – A ressurreição é real apesar da incredulidade de muitos
A ressurreição dos mortos faz parte do corpo de doutrinas do cristianismo. Assim como os saduceus duvidaram dessa verdade e procuraram ridicularizar Jesus e os que criam nessa doutrina, muitas pessoas em nossos dias não creem na ressurreição dos mortos e vivem como se não existisse nada após esta vida terrena.

O apóstolo Paulo também enfrentou a questão da incredulidade na ressurreição quando escreve uma de suas cartas à igreja em Corinto. O problema era tão grande, que ele dedica um capítulo completo a essa questão (1Co 15). Chega a afirmar que, se não cremos que há ressurreição de mortos, então também Cristo não teria ressuscitado, e dessa forma toda a nossa pregação e nossa fé são vãs (1Co 15.13-14). Entretanto, Cristo ressuscitou, e sua ressurreição é a primícias dos que dormem e a garantia de que um dia nós também ressuscitaremos (1Co 15.22-23).

Paulo afirma ainda que, se nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens (1Co 15.19).

2.2 – A ressurreição é real porque faz parte da era vindoura
Na resposta de Jesus aos saduceus, ele faz um contraste entre essa era e a era vindoura. Afirma claramente que algumas circunstâncias terrenas não persistem no além, como casar e dar-se em casamento. Isso mostra que há uma grande diferença naquilo que nos aguarda no futuro. A principal diferença, de acordo com o texto, é que na era vindoura “as pessoas não podem mais morrer”, porque são filhos da ressurreição (Lc 20.36).

Na ressurreição de Lázaro, relatada por João, Jesus afirma claramente: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente” (Jo 11.25-26).

Também o apóstolo Paulo declara que, quando Cristo “descerá dos céus, os mortos em Cristo ressuscitarão” e estarão para sempre com o Senhor (2Ts 4.13-18).

2.3 – A ressurreição é real porque Deus é um Deus de vivos
Jesus poderia ter utilizado diferentes textos para deixar claro aos saduceus a realidade da ressurreição. Mas como eles aceitavam somente o Pentateuco, escolheu um texto-chave para isso. Buscou a passagem na qual Deus se revela diretamente a Moisés, revelando inclusive seu nome, com tudo quanto ele significa (Êx 3.1-6). Essa passagem é de importância central para os judeus e para o cristianismo. Nela, Deus revela-se como sendo o Deus dos patriarcas, que já havia muito estavam mortos quando essas palavras foram pronunciadas. Seria absurdo afirmar que Deus é um Deus de pessoas mortas, que já não existem mais. Pois toda a vida, seja aqui, ou seja no além, consiste em relacionar-se com Deus. A morte pode até colocar fim à existência física, mas não a um relacionamento que é eterno por natureza. Nós podemos até perder amigos por causa da morte. Mas Deus não!

Lucas acrescenta algumas palavras que não estão no relato dos outros evangelistas. Ele afirma: “porque para ele todos vivem” (v. 38). Para nós podem até estar mortos, mas não para Deus. A morte não pode romper o relacionamento com Deus.

Fonte: CEBI Nacional