Oração: suspiro da criatura oprimida - Rev. Luiz Carlos Ramos

Resultado de imagem para oraçãoLucas 18.1-8

Jesus contou uma parábola para convencer os discípulos de que eles não deviam desanimar facilmente em suas orações, e que esta prática requer perseverança:

— Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os direitos humanos. Nessa mesma cidade vivia uma viúva que suplicava insistentemente por uma audiência, para pedir justiça: “Ajude-me, aplicando a lei que garante o meu direito, nesta disputa judicial contra o meu oponente!”

— Durante muito tempo o juiz não fez caso da viúva. Mas afinal pensou melhor: “É verdade que eu não temo a Deus e também não respeito os direitos humanos. Porém, como esta viúva não para de me importunar, vou cuidar logo para que a justiça seja feita no seu caso. Porque se eu não fizer isso, ela não vai parar de me amolar e vai acabar me prejudicando.”

E Jesus continuou:

— Perceberam o que foi que o juiz injusto fez? Vocês não acham então que Deus, que não se compara a esse juiz, deixaria de fazer justiça a favor do seu próprio povo, que suplica por socorro dia e noite? Vocês acham que Deus se demoraria em vir ajudá-lo? Eu afirmo a vocês que, muito diferente do juiz injusto, ele julgará a favor do seu povo e fará isso sem morosidade alguma.

Mas…, pensando bem, quando o Filho do Homem vier, será que ainda encontrará fé na terra?

* * *

A viúva da parábola precisava do socorro da justiça, neste caso, não tanto da divina, mas daquela dos fóruns humanos. Como se vê, nem nos tempos de Jesus o sistema judiciário era muito confiável. Neste caso, Jesus diz explicitamente que se tratava de um juiz iníquo. Esperar justiça de alguém assim é desalentador.

Aqui, mais do que ensinar a orar, Jesus ensina o povo a reivindicar os seus direitos. Numa sociedade perversa, dominada por pessoas inescrupulosas, não se pode esperar que os direitos sejam respeitados e defendidos por pura boa vontade das autoridades. Na maioria dos casos, direitos só se conquistam com teimosia e muita reivindicação.

Não foi diferente com o caso da viúva da estória de Jesus. A indiferença (injustiça) do juiz foi vencida pela teimosia da viúva. Assim tem sido ao longo da história, mesmo aquela que nos é mais próxima. Lembram-se das Madres de Plaza de Mayo, na Argentina? Ou das Mães de Maio, em São Paulo? Mulheres que, ademais de prantear sua dor, reivindicam incansavelmente justiça para os seus mortos.

Direitos Humanos requerem iniciativa humana e persistência feminina, ou feminista, se preferirem.

A viúva, mulher sozinha, longe de estar desamparada, tem a seu favor a sua teimosia. E é dessa forma que a história se transforma: pela militância incansável dessas pessoas que estão na base da pirâmide social, mas no topo das conquistas sociais.

Mas… e a oração? Não queiramos comparar Deus com aquele juiz de quinta categoria. A Deus não precisamos amolar para que nos atenda. Isso ele faz com presteza e imparcialidade. Com ele não precisamos temer pela mesma morosidade que se vê nos sistemas judiciários humanos.

Devemos orar e lutar, sim, para que a vontade de Deus (a sua a justiça), seja feita na terra como ela é feita no céu. E para que os juízes humanos ajam cada vez mais como o Supremo Juiz.

Por isso, sejamos perseverantes nas nossas reivindicações e fervorosos em nossas orações para que os Direitos Humanos sejam respeitados e a vontade divina seja cumprida.

Confiemos: Deus estará sempre atento ao suspiro da criatura oprimida.

*por Rev. Luiz Carlos Ramos†
Para o Vigésimo Segundo Domingo da Peregrinação após Pentecostes | Ano C, 2016

Fonte: CEBI Nacional