Seguidora fiel de Jesus - José Antonio Pagola

Os evangelistas apresentam a Virgem com traços que podem reavivar a nossa devoção a Maria, a Mãe de Jesus. A sua visão ajuda-nos a amá-la, meditá-la, imitá-la, rezá-la e confiar nela com espírito novo e mais evangélico.

Maria é a grande crente. A primeira seguidora de Jesus. A mulher que sabe meditar no seu coração os atos e as palavras do seu Filho. A profetisa que canta a Deus, salvador dos pobres, anunciado por Ele. A mãe fiel que permanece junto ao seu Filho perseguido, condenado e executado na cruz. Testemunha de Cristo ressuscitado, que acolhe junto aos discípulos o Espírito que acompanhará sempre a Igreja de Jesus.

Lucas, por seu lado, convida-nos a fazer nosso o canto de Maria, para nos deixarmos guiar pelo seu espírito até Jesus, pois no «Magnificat» brilha em todo o seu esplendor a fé de Maria e a sua identificação maternal com o seu Filho Jesus.

Maria começa por proclamar a grandeza de Deus: «o meu espírito alegra-se em Deus, meu salvador, porque olhou a humilhação da sua escrava». Maria é feliz porque Deus pôs o seu olhar na sua pequenez. Assim é Deus com os simples. Maria canta-o com o mesmo gozo com que bendiz Jesus ao Pai, porque se oculta a «sábios e a entendidos» e se revela «aos simples». A fé de Maria no Deus dos pequenos faz-nos sintonizar com Jesus.

Maria proclama Deus «Poderoso» porque «a Sua misericórdia chega aos Seus fiéis de geração em geração». Deus coloca o Seu poder ao serviço da compaixão. A Sua misericórdia acompanha todas as gerações. O mesmo prega Jesus: Deus é misericordioso com todos. Por isso diz aos seus discípulos de todos os tempos: «sede misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso». Desde o seu coração de mãe, Maria capta como ninguém a ternura de Deus Pai e Mãe, e nos introduz no núcleo da mensagem de Jesus: Deus é amor compassivo.

Maria proclama também ao Deus dos pobres porque «derruba do trono os poderosos» e os deixa sem poder para oprimir; pelo contrário, «enaltece os humildes» para que recobrem a sua dignidade. Aos ricos reclama-lhes o que foi roubado aos pobres e «despede-os vazios»; pelo contrário, aos famintos «enche-os de coisas boas» para que desfrutem de uma vida mais humana. O mesmo gritava Jesus: «os últimos serão os primeiros». Maria leva-nos a acolher a Boa Nova de Jesus: Deus é dos pobres.

Maria ensina-nos como ninguém a seguir Jesus, anunciando o Deus da compaixão, trabalhando por um mundo mais fraterno e confiando no Pai dos pequenos.

*José Antonio Pagola, Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

Fonte: CEBI Nacional