O serviço de Cristo exige abnegação (Lucas 14.25-33) - P. Deolindo Feltz

Resultado de imagem para serviço aos pobresQuais são as condições para ser um seguidor de Jesus?
Uma resposta muito significativa para esta pergunta, nós encontramos no Evangelho de João 14.25-33, texto bíblico previsto para reflexão de hoje. O texto relata um momento onde Jesus diz para uma multidão que o seguia quais eram as condições para ser seu verdadeiro seguidor.

Observando em partes o texto, ele fala logo no início que uma multidão estava seguindo Jesus. Não é possível precisar o tamanho desta multidão, se era uma pequena ou grande, mas pode-se imaginar que se tratava de muitas pessoas.

O que estava motivando esta multidão seguir Jesus? Uma vez olhando para alguns textos bíblicos de Lucas anteriores a este que nós lemos e ouvimos, vamos encontrar alguns relatos de curas realizadas por Jesus e alguns interessantes ensinamentos sobre confiança em Deus, falsidade, humildade, hospitalidade, paz com o inimigo, riquezas no céu, e assim por diante. É natural que essas coisas devem ter mexido com as emoções e empolgado muitas pessoas e, consequentemente, as arrastado para junto de Jesus.

Não nos restam dúvidas de que a autoridade de Jesus nos momentos de cura, sua amabilidade para acolher todas as pessoas, e a sua habilidade em ensinar, fizeram com que muitas pessoas, em todos os lugares por onde ele passava, ficassem tocadas, emocionadas, empolgadas, curiosas, eufóricas...

Lançado Mapa da Violência 2016: negros são as principais vítimas de armas de fogo no Espírito Santo

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Foi lançado nesta quinta-feira (25) o Mapa da Violência 2016 – Homicídios por armas de fogo no Brasil, de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz. Este é o quinto estudo elaborado pelo sociólogo focando o tema da letalidade das armas de fogo. O levantamento toma como base o ano de 2014 como referência, sendo que o Mapa da Violência 2015 – Mortes matadas por arma de Fogo, lançado em maio de 2015, usa o ano de 2012 como base.

Segundo o Mapa, enquanto a taxa de homicídios por arma de fogo entre a população geral caia anualmente – mesmo que em índices irrisórios – entre jovens e negros as taxas só aumentam, o que demonstra que faltam políticas públicas para esta parcela da população. Para cada seis negros mortos por arma de fogo, um branco é assassinado.

Em 2014, foram mortas por arma de fogo 1.290 pessoas, o que representa taxa de 35,1 mortes por grupo de 100 mil habitantes, deixando o Estado na 5ª posição nacional entre os mais violentos e em 1º entre os estados do Sudeste. Entre 2013 e 2014 houve aumento de 4,8% nesta taxa, saindo de 33,5 em 2013 para 35,1 em 2015.

O Espírito Santo está atrás apenas de Alagoas, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte nas taxas de homicídios por arma de fogo.

Bíblia e Relações de Gênero

Nos dias 26 a 28 de agosto de 2016 compartilhamos um pouco mais sobre o tema Bíblia e Relações de Gênero com a ajuda da Pastora Odja Barros, Pastora da Comunidade Batista de Alagoas.

A reflexão foi conduzida a partir das relações de poder, dominação, exclusão, no Segundo Testamento, principalmente àquelas que determinaram a supressão do protagonismo e da vida das mulheres.

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Sem esperar nada em troca - Pe. José Antonio Pagola

Resultado de imagem para Sem esperar nada em trocaJesus está a comer convidado por um dos principais fariseus da região. Lucas indica-nos que os fariseus não deixam de espiá-Lo. Jesus, no entanto, sente-se livre para criticar os convidados que procuram os primeiros lugares e, inclusive, para sugerir ao que o convidou a quem há de colocar à frente.

É esta a interpelação ao anfitrião que nos deixa desconcertados. Com palavras claras e simples, Jesus indica-lhes como hão de atuar: «Não convides os teus amigos nem os teus irmãos nem os teus parentes nem aos vizinhos ricos». Mas, há algo mais legítimo e natural que estreitar laços com as pessoas que nos querem bem? Não fez Jesus o mesmo com Lázaro, Marta y Maria, seus amigos de Betânia?

Ao mesmo tempo, Jesus assinala em quem se há de pensar: «Convida os pobres, aleijados, coxos e cegos». Os pobres não têm meios para corresponder ao convite. Dos aleijados, coxos e cegos, nada se pode esperar. Por isso, ninguém os convida. Não é isto algo normal e inevitável?

Jesus não rejeita o amor familiar nem as relações amistosas. O que não aceita é que elas sejam sempre as relações prioritárias, privilegiadas e exclusivas. Aos que entram na dinâmica do reino de Deus procurando um mundo mais humano e fraterno, Jesus recorda-lhes que o acolhimento aos pobres e desamparados há de ser anterior às relações de interesse e aos convencionalismos sociais.

A quem reservamos os primeiros lugares em nossa Igreja? - Itacir Brassiani

Resultado de imagem para excluídosJesus não desperdiça nenhuma ocasião para ensinar aqueles que o seguem. Ele propõe uma inversão radical na escala dos valores da sociedade e da religião, e não se cala nem mesmo na casa de uma autoridade moral, em pleno jantar festivo para o qual havia sido convidado com especial deferência. Jesus apresenta a lição do evangelho de hoje num solene dia de sábado, na casa de um dos chefes dos fariseus, logo depois de afirmar que as necessidades de uma pessoa estão acima das leis. Vendo que os convidados disputam os primeiros lugares, propõe uma reflexão sobre o orgulho e a humildade.

Como modelo de evangelizador, Jesus não se permite ficar na periferia das coisas. Seu ensino hoje não é sobre as regras de boas maneiras numa refeição solene, mas sobre um princípio fundamental da vida cristã: quem é o maior ou o primeiro, o mais importante ou notável na vida cristã. Jesus começa pela crítica ao orgulho e aos privilégios e passa à questão dos beneficiários da nossa atenção. Ele conhece o costume quase universal de privilegiar, tanto nas festas quanto nas decisões e projetos mais essenciais, os familiares, parentes, amigos e vizinhos. Para Jesus, este é um círculo muito estreito.

Inicialmente, Jesus fala aos hóspedes que estão com ele à mesa, afirmando que “todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”. Depois, dirige-se ao próprio anfitrião que o acolhe festivamente, questionando sua expectativa de retribuição. E deixa muito claro que orgulho e a busca de retribuição não são posturas enraizadas no Evangelho. O cristão deve rejeitar a busca de honras e vaidades e buscar decididamente o lugar reservado aos servidores. Da mesma forma a Igreja: ela precisa superar a velha pratica de servir, apoiar e defender as pessoas e instituições que podem retribui-la.

Os Primeiros lugares - Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

Resultado de imagem para primeiro lugarNa sociedade de hoje, é muito comum 
a corrida em busca dos PRIMEIROS LUGARES.
Isso cria muitas vezes um clima de concorrência e competição, 
de ódio e conflitos. O que vocês pensam a respeito disso? 

As leituras bíblicas nos propõem um caminho diferente:
o caminho da HUMILDADE e da GRATUIDADE...

A 1ª Leitura fala da virtude da HUMILDADE, 
uma virtude muito admirada por Deus e pelos homens. (Eclo 3,19-21.30-31)

* São reflexões de um sábio do Antigo Testamento (Bem Sirac).
Propõe a humildade como forma de "encontrar graça diante do Senhor. 
Humildade é fazer-se pequeno, é reconhecer a grandeza de Deus e confiar nele. 
E acrescenta: "Não existe remédio para o mal do orgulhoso, 
pois uma planta ruim está enraizada nele..."

A 2ª Leitura afirma que a vida cristã exige de nós 
determinados valores e atitudes, entre os quais 
a humildade, a simplicidade, o amor... (Hb 12,18-19.22-24a)

o Evangelho mostra que Jesus veio criar uma nova humanidade, 
fundamentada no espírito da humildade. (Lc 14, 1.7-14)

Em 2050, serão necessários quase 3 planetas para manter atual estilo de vida da humanidade

Resultado de imagem para planeta poluiçãoSe a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários a fim de manter o atual estilo de vida da humanidade, lembrou o Banco Mundial. A voracidade com que se consomem tais recursos fez as Nações Unidas incluírem o consumo em sua discussão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.

A reportagem foi publicada por ONU Brasil, 23-08-2016.

A meta número 12 dos ODS não poupa os países desenvolvidos nem as nações em desenvolvimento. Insta todos a diminuir o desperdício de alimentos — um terço deles é jogado fora anualmente —, repensar os subsídios aos combustíveis fósseis e reduzir a quantidade de resíduos lançados sem tratamento no meio ambiente, entre outras tarefas urgentes.

A América Latina e o Caribe têm desafios importantes a cumprir em relação a esses e outros quesitos. Atualmente, a região joga fora 15% da comida que produz. Conseguiu diminuir de 1% para 0,68% o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) gasto em subsídios para os combustíveis fósseis entre 2013 e 2015, mas alguns países ainda dedicam cerca de 10% do PIB a eles. Finalmente, cada latino-americano produz até 14kg de lixo por dia, dos quais 90% poderiam ser reciclados ou transformados em combustível caso fossem separados por origem.

Grito dos Excluídos: 7 de setembro

O Grito dos Excluídos 2016 tem como lema "Este sistema é insuportável: exclui, degrada e mata!". Portanto, nos convida a refletir sobre as desigualdades, injustiças sociais e outras mazelas que o atual sistema econômico nos impõe. 
Diante disso, a Arquidiocese de Vitória viu a necessidade de levar às ruas, por meio do ato deste ano, a denúncia contra o crime ambiental cometido pela Vale, Samarco e BHP Billiton com o rompimento da barragem de fundão, em Mariana, Minas Gerais, no dia 5 de novembro de 2015. Então, neste ano de 2016, o Grito dos Excluídos será organizado pelo Fórum Capixaba das Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce, que está construindo a manifestação junto a pastorais, movimentos sociais, sindicatos, associações, além dos atingidos e atingidas de diversos municípios do Espírito Santo.
A escolha da Praia de Camburi se deu pelo fato de uma das empresas criminosas, a Vale, estar situada no local e também por ser essa localidade e adjacências constantemente atingida pelo pó preto da mineradora. 
Todos que se sentem indignados com as vidas ceifadas por causa desse crime ambiental, das destruições ambiental e cultural, confirmem presença, convidem os amigos e amigas e, principalmente, estejam presentes na Praia de Camburi no dia 07 de setembro, às a partir das 8h30, em frente ao Clube dos Oficiais. Vamos gritar: Não foi Acidente! Basta de Impunidade! Queremos justiça!

Confirme presença, compartilhe e convide seus/suas amigos/as no facebook: https://www.facebook.com/ events/518913714986546/

E esse muro de inimizade e separação?! - Nancy Cardoso

Amig@s do Kairós Palestina Brasil mais uma vez convidamos vocês para um momento de reflexão e oração pela paz justa na Palestina e Israel. Vamos nos juntar a grupos e comunidades de 40 países na semana de 18 a 24 de setembro de 2016. Estamos convencid@s de que a paz com justiça para Israel e Palestina é o caminho que passa pelo fim da ocupação militar da Palestina e o fim de todas as barreiras. Organize um momento com seu grupo e comunidade! 

Tema 2016 - Deus derruba o muro de inimizade e separação (Efésios 2, 14b) 

Israel tem erguido barreiras que separam os palestinos de suas terras, famílias, comunidades, meios de subsistência, fazendas, escolas, mesquitas, igrejas, hospitais, parques e outros espaços de vida. Exemplos de barreiras em áreas palestinas incluem: o muro de separação, pontos de verificação militar, cercas, barricadas do exército, patrulhas do exército, grandes obstáculos interrompendo os caminhos e estradas que cortam em aldeias inteiras só para garantir um espaço "seguro" para os colonos israelenses que querem fácil acesso ao seus assentamentos ilegais – porque construídos em território palestino.

Talvez uma das barreiras mais repugnantes é o bloqueio de Gaza. Agora em seu 10 ano, o bloqueio envolve um complexo de terra, ar e mar por Israel e Egito. As restrições sobre bens atingindo Gaza através das passagens terrestres são uma causa significativa da situação humanitária insustentável e inaceitável de Gaza, para além dos três invasões militares de larga escala. O bloqueio constitui uma punição coletiva da população de Gaza e é, portanto, uma violação direta do direito internacional.

Seguidora fiel de Jesus - José Antonio Pagola

Os evangelistas apresentam a Virgem com traços que podem reavivar a nossa devoção a Maria, a Mãe de Jesus. A sua visão ajuda-nos a amá-la, meditá-la, imitá-la, rezá-la e confiar nela com espírito novo e mais evangélico.

Maria é a grande crente. A primeira seguidora de Jesus. A mulher que sabe meditar no seu coração os atos e as palavras do seu Filho. A profetisa que canta a Deus, salvador dos pobres, anunciado por Ele. A mãe fiel que permanece junto ao seu Filho perseguido, condenado e executado na cruz. Testemunha de Cristo ressuscitado, que acolhe junto aos discípulos o Espírito que acompanhará sempre a Igreja de Jesus.

Lucas, por seu lado, convida-nos a fazer nosso o canto de Maria, para nos deixarmos guiar pelo seu espírito até Jesus, pois no «Magnificat» brilha em todo o seu esplendor a fé de Maria e a sua identificação maternal com o seu Filho Jesus.

Maria começa por proclamar a grandeza de Deus: «o meu espírito alegra-se em Deus, meu salvador, porque olhou a humilhação da sua escrava». Maria é feliz porque Deus pôs o seu olhar na sua pequenez. Assim é Deus com os simples. Maria canta-o com o mesmo gozo com que bendiz Jesus ao Pai, porque se oculta a «sábios e a entendidos» e se revela «aos simples». A fé de Maria no Deus dos pequenos faz-nos sintonizar com Jesus.

Quem é o meu próximo? Uma pergunta que não se faz… - Frei Carlos Mesters

O porque da pergunta do doutor

Quem é o meu próximo? Foi o doutor da Lei que fez a pergunta. Ele a fez, foi mais para justificar-se (Lc 10,29). Diante da reação de Jesus à sua pergunta anterior, ele ficou com vergonha. Perguntara: Mestre, o que devo fazer para obter a vida eterna? (Lc 10, 25). E Jesus, em vez de responder diretamente, disse: O que está escrito na lei? O que você lê ali? (Lc 10,26). Foi como se dissesse: Você, então, não sabe uma coisa tão evidente, você que se diz conhecedor da lei! E, querendo ou não, ele mesmo teve que dar a resposta: amar a Deus e amar ao próximo (Lc 10,27). Perguntara uma coisa já sabida de todos. Parecia uma desonestidade da sua parte. Por isso, para justificar-se, tornou a perguntar: E quem é o meu próximo?.

Mas não foi só para justificar-se e para salvar a sua reputação de doutor da Lei. Para ele, doutor da Lei, aquela pergunta era importante mesmo. Já imaginou: se o pagão não fosse próximo, se o romano, o pobre, o operário, a empregada em casa, não caíssem na categoria de próximo, isso faria uma diferença muito grande e tiraria da vida uma grande preocupação. Estaria livre de prestar-Ihes um serviço por amor. A miséria do mundo e a injustiça generalizada já não seriam uma acusação contra ele. Passaria tranquilo ao lado dos pobres e das favelas, sem que a consciência lhe mordesse e lhe fizesse aqueles apelos incômodos. Pois a Lei, isto é, Deus, mandava amar somente os próximos, e aquela gente não era próximo. Já não haveria motivo para preocupar-se tanto. Saber direitinho quem era o próximo daria mais tranquilidade. Realmente, para ele, o doutor, aquilo era uma pergunta muito importante, mas muito importante mesmo.

A resposta de Jesus

Deus uma palavra escorregadia... Por Ivone Gebara

"Há algo muito forte que tem a ver com a política de nossas emoções, com nossos afetos cotidianos que se misturam às muitas decisões também políticas que tomamos. Não se pode obrigar alguém a amar o que rejeitou e, não se pode fazer de conta que se ama quando de fato não se ama", escreve Ivone Gebara, filósofa, religiosa e teóloga.

Eis o artigo.

O cristianismo nos educou que há que “amar a Deus sobre todas as coisas”. Este é o primeiro mandamento da “lei de Deus”, mandamento que entrou de cheio em nossa cultura e se mostra nas muitas afirmações populares como: ‘primeiro Deus’, ‘abaixo de Deus’, ‘se Deus quiser’, ‘com a permissão de Deus’, ‘que Deus te abençoe’, ‘graças a Deus’ e muitas outras no gênero. Não podemos apreender exatamente todas as nuances dessa palavra no uso ordinário e coloquial que fazemos dela. O mais comum é que ela indique que estamos vivendo sob o impulso ou o poder de “algo maior” do qual nossa vida depende. Entretanto, essa palavra embora seja aparentemente ‘maior’ do que nossa vida e as nossas circunstâncias históricas parece condicionada a decisões individuais e a políticas das mais diferentes procedências. Por isso, no atribulado contexto político e social em que vivemos hoje a palavra DEUS está em quase todas as bocas e em cada boca com um significado e um interesse diferente.

Afirmo algo bastante conhecido e que pode ser observado no cotidiano das pessoas assim como nos meios de comunicação os mais variados. Estes manifestam o quanto, muitos políticos usam a ‘palavra mágica Deus’ para legitimarem sua voz, seu voto e suas iniciativas. Nesse mesmo contexto, entretanto, muitos têm também tomado a defesa de Deus afirmando que sua Majestade foi desrespeitada por políticos exploradores do povo e manipuladores da religião. Defendem a Deus como a si mesmos... Dizem que os manipuladores usam DEUS a seu favor e não temem tomar seu nome em vão para justificar suas decisões despejando sobre o povo uma verborréia pretensamente moral e legitimada por seu DEUS. Este então lhes daria a autoridade e legitimidade que não têm.

A desigualdade no Brasil

“As 26,7 mil pessoas que estão no topo da pirâmide detêm 6% de toda a renda e riqueza daqueles que declararam o imposto de renda. Este grupo ganha 6.100% a mais do que a renda média dos que declararam imposto de renda e têm um volume de riqueza (bens e direitos) 6.450% superior à média dos declarantes. Os dados para os 1% ou 5% mais ricos também são revoltantes”, constata Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização.

Eis o artigo.

Tempos difíceis no mundo e no Brasil. Crise econômica profunda, desemprego, arrocho salarial, precarização dos direitos, violência crescente, migrantes em fuga, xenofobia, descontentamento com as instituições e insatisfação com a política compõem uma lista e tanto, mas são apenas parte dos problemas. Em busca de solução, há o desafio de entender o que está acontecendo, identificar causas e consequências. E há um desafio maior ainda que é transformar, pelo conhecimento, os problemas em questões que mobilizem a sociedade para atuar e intervir.

A desigualdade é uma das questões mais complicadas e a causa estrutural da maioria dos problemas que vivemos. Nasce na sociedade com e devido ao modo pelo qual se produz e distribui riqueza e renda. É isso que diz Thomas Piketty no livro O capital no século XXI. Como afirma o autor, não há determinismo econômico na distribuição da renda e da riqueza, pois esta é uma construção histórica, feita em sociedade e, por isso, política. O debate sobre o que é justo e sobre as escolhas coletivas fazem parte do jogo social.

Religiões e democracia - Nancy Cardoso

Vou evitar falar de modo muito geral sobre religião e sobre democracia. Um pouco de história é necessário. Somos herdeiras e herdeiros de um projeto de expansão imperial e colonial do século XVI que reforçou estruturas geradoras de desigualdade que ainda hoje – no século XXI - se mostram ativas: capitalismo, racismo e sexismo. São estruturas persistentes que garantem privilégios e estratificação que os ordenamentos políticos posteriores tocaram de modo insuficiente, parcial e contraditório. Na América Latina em geral e no Brasil em particular a ordenação democrática é um verniz superficial que muitas vezes mais esconde do que revela, mais ornamenta do que viabiliza a circulação de poder.

A “democracia” muitas vezes significa um padrão de equivalência com sistemas ideais norte-atlânticos, mantendo o sujeito ocidental/europeu como o critério para a avaliação de processos políticos em cenários de pós-colonialidade e/ou neo-coloniais. Isto é verdade para todos os processos políticos fora do eixo norte-atlântico. Verdade é também que em nome da “democracia” as potências ocidentais norte-atlânticas interferem e interrompem processos que não se espelham no modelo “original”.

Prefiro falar de radicalização da democracia. Aprofundar a democracia que temos pode significar reforçar os impasses da democracia liberal representativa. Reconhecer que nosso projeto de sociedade sempre foi de subalternidade e, as tentativas e alternativas pós-colonial e de-colonial, sempre encontraram feroz resistência da política real – a da propriedade, patrimônio e exclusão – através de golpes e violência contra os modos de organização e participação popular.

Você é bendita entre as mulheres (Lc 1,39-56) - Tomaz Hughes

Neste final de semana, a Igreja romana celebra a festa da Assunção e propõe o evangelho que trata de duas partes bem distintas: o encontro entre Maria (grávida de Jesus) e Isabel (grávida de João), bem como o Canto do Magnificat.

Para entender o objetivo de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo da sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste e, ao mesmo tempo, a continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos ligados ao nascimento de João e tem os seus representantes em Isabel, Zacarias e João. A segunda está nos relatos do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus. Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada, deu tudo que podia dar - os seus símbolos são Isabel, estéril e idosa, Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo, e o nenê que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus.

Mais adiante, Lucas enfatiza este contraste nas figuras de Ana e Simeão no Templo (Lc 2,25-38), especialmente quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. Porque meus olhos viram a tua salvação” (v. 29).

A vida nasce aonde menos se espera... (Lucas 1,39-56) - Ildo Bohn Gass

Para muitas igrejas, a Palavra evangélica proposta para a liturgia do próximo final de semana é a visita de Maria a Isabel (Lucas 1,39-56), que faz parte dos relatos da Infância de Jesus segundo Lucas (Lucas 1-2). Essas narrativas, mais do que dizerem como os fatos aconteceram, indicam para realidades mais profundas que iluminem a caminhada das comunidades a quem se destinam. Em resumo, o primeiro capítulo do Evangelho da Infância mostra como é reconhecida a ação de Deus em meio ao povo excluído, mas cheio de esperança, representado por Zacarias, Isabel e Maria. Dois eram idosos, uma era estéril e a outra ainda não havia tido relações sexuais com homem. Portanto, eram pessoas de quem não se esperava que pudesse nascer vida nova, que pudessem dar à luz uma criança. 

Maria pôs-se a caminho... (Lucas 1,39)

A narrativa proposta pode ser dividida em três momentos. O primeiro descreve a ida de Maria à casa de Isabel e de Zacarias, próxima de Jerusalém (Lucas 1,39-41), uma caminhada de mais de 100 km. De um lado, essa saída de casa faz-nos lembrar de tantas jovens que, como Maria, também deixam seus povoados quando engravidam, a fim de encontrar apoio em familiares que moram distante. De outro lado, quando foi chamada para ser a mãe do Messias, Maria havia se disponibilizado para estar a serviço da Palavra de Deus (Lucas 1,38). Agora, ela já está a caminho para servir, para ser solidária com outra mulher, também grávida. É a solidariedade entre as mães que reconhecem em seus corpos o agir do Espírito divino, pois ambas receberam a graça da fecundidade de forma misteriosa. Mas não é somente o encontro de duas mulheres. É também o encontro de duas crianças ainda no útero de suas mães. É o encontro do Precursor com o Salvador. João alegra-se com a visita de Jesus (Lucas 1,41). Ainda no ventre materno, já aponta para seu primo como aquele que vem socorrer o seu povo num momento de forte repressão do império romano.

Em chamas - José Antonio Pagola

São muitos os cristãos que, profundamente arraigados numa situação de bem-estar, tendem a considerar o cristianismo como uma religião que, invariavelmente, deve preocupar-se em manter a lei e a ordem estabelecida.

Por isso, parece tão estranho escutar da boca de Jesus expressões que convidam, não ao imobilismo e ao conservadorismo, mas à transformação profunda e radical da sociedade: «Vim deitar fogo ao mundo e oxalá estivesse já a arder… Pensais que vim trazer ao mundo paz? Não, mas sim divisão».

Não nos parece normal ver Jesus como alguém que traz um fogo destinado a destruir tanta mentira, violência e injustiça. Um Espírito capaz de transformar o mundo, de forma radical, mesmo à custa de enfrentar e dividir as pessoas.

O crente em Jesus não é uma pessoa fatalista que se resigna ante a situação, procurando, por cima de tudo, tranquilidade e falsa paz. Não é um imobilista que justifica a atual ordem das coisas, sem trabalhar com ânimo criador e solidário por um mundo melhor. Tampouco é um rebelde que, movido pelo ressentimento, deita abaixo tudo para assumir ele mesmo o lugar daqueles que derrubou.

Francisco, Jesus e as Mulheres - Frei Betto

O papa Francisco nomeou uma comissão para analisar se as mulheres devem ter acesso ao diaconato, como já ocorre com homens solteiros ou casados. Diácono ocupa, na hierarquia, um grau abaixo do sacerdócio. Pode presidir matrimônios e batizar, mas não celebrar missa. Havia diaconisas na Igreja primitiva.

Em muitos países, inclusive no Brasil, já há religiosas que, autorizadas pelo bispo local, presidem matrimônios e celebram batismos, embora não sejam diaconisas.

Francisco é muito hábil. Em vez de implodir o prédio com dinamite, prefere demoli-lo tijolo a tijolo. É o que faz ao mexer em temas que, há séculos, estavam congelados pelos tabus que envolvem a doutrina católica tradicional: recasamentos, acesso de divorciados aos sacramentos, homossexualidade, celibato obrigatório, corrupção na Cúria Romana, punição rigorosa a pedófilos etc.

Não há fundamento bíblico para excluir mulheres do sacerdócio, e até do direito de serem bispas e papisas. O grande obstáculo é a cultura patriarcal predominante nos primeiros séculos do cristianismo e ainda em voga na Igreja Católica.

Mateus aponta, na árvore genealógica de Jesus, cinco mulheres: Tamar, Raab, Rute e Maria; e, de modo implícito, a mãe de Salomão, aquela "que foi mulher de Urias". Não é bem uma ascendência da qual um de nós haveria de se orgulhar.

Os 10 anos da Lei Maria da Penha e a violência contra a mulher

Maria da Penha Maia Fernandes, cearense, farmacêutica e bioquímica foi vítima da violência doméstica por 23 anos durante seu casamento. Em 1983, o marido tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira vez, com arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda, por eletrocussão e afogamento.

Após essa tentativa de homicídio, ela tomou coragem e o denunciou. O processo contra o marido de Maria da Penha demorou 19 anos, ele foi condenado a oito anos de prisão. Ficou preso só por dois anos, sendo solto em 2004.

Revoltada com o poder público, Maria da Penha denunciou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA – Organização dos Estados Americanos, em 1988. Na OEA, o Brasil foi condenado por não dispor de mecanismos suficientes e eficientes para coibir a prática de violência doméstica contra a mulher.

O país teve que mudar a legislação para proteger as mulheres. Em 07 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei nº 11.340 que introduziu o parágrafo 9, no artigo 129 do Código Penal. A norma possibilita que agressores de mulheres em âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada.

Eu vim para lançar fogo sobre a terra (Lc 12,49-53) - Tomaz Hughes

A Bíblia diz que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26). Porém, na verdade, somos nós que muitas vezes criamos um Deus à nossa imagem e semelhança. Projetamos sobre Deus os nossos desejos, projetos e características, para que Ele não nos incomode. Algo semelhante se dá com Jesus. Muitas vezes, projetamos uma imagem dum Jesus inócuo, que não incomoda, para que ele não nos amole, não nos desinstale.

Estes versículos desafiam a ideia comum de um Jesus calmo, passivo e sem projeto transformador. Ele mesmo diz: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra” (v. 49). “Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão” (v. 51). O que ele queria dizer com estas palavras?

O fogo que ele trouxe sobre a terra era o fogo do Reino. O Reino é algo tão novo, tão inovador, que só pode queimar os preconceitos e projetos contrários a ele. Também ele faz arder o coração de quem o assume, queima por dentro, como Jeremias dizia a respeito da Palavra de Deus. Quem encontra este Reino não pode fugir das suas consequências, tal como reza o canto “O Profeta”: “Como escapar de ti, como não falar, se a tua voz arde em meu peito? Como escapar de ti, como não falar se a tua voz me queima dentro?”.

Estudo do Cântico dos Cânticos

O nosso Estudo do livro Cântico dos Cânticos do mês de julho/2016 na AMUS iniciou fazendo memória e confeccionando com massinha de modelar a parte do corpo que lhe é mais importante. 

O poema estudado descreve a mulher como um todo, a casa é o corpo da mulher, toda a natureza descrita é comparada com o corpo da mulher; beleza na forma feminina. Seis vezes se repete: “Minha irmã, noiva minha”. O outro poema exalta o corpo do homem. A casa como corpo do homem. 

Na mística foi retomado e compartilhado o sabor do mel com os desejos para o/a outra/o. 
Falar do corpo é difícil, mas é também libertador. A mulher de cantares ajuda a sermos sujeitas e mais livres em nossas relações.

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Formação Ecumênica


Onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração (Lc 12,32-48) - Tomaz Hughes

Esse trecho do capítulo 12 de Lucas retoma, em grande parte, o tema do domingo anterior - a questão do relacionamento do cristão e da comunidade com os bens materiais. A comunidade cristã é caracterizada como “pequeno rebanho” - certamente pequena diante da força e enormidade do sistema do Império Romano. Aqui, não é tão importante a sua pequenez em termos numéricos, mas em termos da sua importância e força dentro da sociedade. A fraqueza dela é gritante e devia ter provocado insegurança e medo em muitos dos seus membros. Por isso, as palavras de encorajamento: “Não tenha medo, pequeno rebanho, porque o Pai de vocês tem prazer em dar-lhes o Reino” (v. 32).

O rebanho não tem muitos bens materiais, mas terá os bens mais importantes - os do Reino. Esta ideia nasce do versículo anterior a este trecho: “Busquem o Reino d’Ele e Deus dará a vocês essas coisas em acréscimo” (v. 31). Estes bens virão na medida em que a comunidade vive a partilha, ou seja, se coloca na contramão de uma sociedade de ganância e exploração, repartindo o que tem. Retomando o tema do último domingo, Jesus adverte: “De fato, onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (v. 34).

Esse último versículo nos desafia a fazermos uma meditação mais profunda sobre os valores da nossa vida. Onde - realmente, e não teoricamente - está o meu tesouro? Em que eu de fato ponho a minha confiança? Sobre o que estou baseando a minha vida? Qual é a minha experiência prática de partilha? Quais são os verdadeiros tesouros da minha vida?

Que as malas estejam prontas, e as lâmpadas acesas... (Lucas 12, 35-40) - Itacir Brassiani

Podemos dizer que o cristianismo é hoje um pequeno rebanho? Os fiéis espalhados pelo mundo e vinculados às diferentes confissões cristãs são mais de um bilhão, e isso faz do cristianismo o maior movimento religioso da atualidade. Do ponto de vista estatístico, não somos um pequeno rebanho, mas uma grande multidão! Mesmo sendo verdade que estamos diminuindo na Europa, o crescimento nos continentes africano e asiático continua alimentando nosso sentimento de superioridade. Contudo, esta hegemonia numérica pode não significar muito do ponto de vista da fidelidade ao Evangelho de Jesus...

Segundo o evangelho deste domingo, o próprio Jesus não se deixa impressionar com as pequenas multidões que o seguem, despertadas pelos sinais que realiza. Os discípulos e discípulas que entendem o que significa crer em Jesus e seguir seus passos são poucos, e mesmo esta minoria acaba abandonando-o quando é acusado, preso, torturado e crucificado. Tudo recomeça a partir de um pequeno rebanho fiel e corajoso e nele encontra sua força. Quem crê em Jesus Cristo e segue seus passos tem um tesouro pelo qual está disposto a relativizar tudo o mais: o Reino de Deus.

Jesus continua pedindo que busquemos ‘bolsas antifurto’, pois onde está nosso tesouro também está nosso coração. Para seus discípulos, não há riqueza mais preciosa que o Reino de Deus. Mesmo que o Reino de Deus seja um sonho que só será pleno no futuro, a atitude cristã fundamental é a espera ativa. É isso que Jesus nos ensina hoje, lançando mão de três pequenas parábolas: os empregados que esperam a volta do patrão; o dono da casa que toma precauções contra os ladrões; os administradores que um proprietário encarrega de tomar conta da casa durante sua ausência.

Necessitamos-los mais do que nunca (Lc 12, 35-40) -Pe. José Antonio Pagola

As primeiras gerações cristãs viram-se muito rapidamente obrigadas a colocar-se uma questão decisiva. A vinda de Cristo ressuscitado demorava mais do que se tinha pensado de início. A espera tornava-se longa. Como manter viva a esperança? Como não cair na frustração, no cansaço ou no desalento?

Nos evangelhos encontramos diversas exortações, parábolas e chamadas que só têm um objetivo: manter viva a responsabilidade das comunidades cristãs. Uma das chamadas mais conhecidas diz assim: "Tende cingida a cintura e acesas as lâmpadas".

Que sentido pode ter estas palavras para nós, depois de vinte séculos de cristianismo?

As duas imagens são muito expressivas. Indicam a atitude que hão de ter os criados que estão à espera de noite que regresse o seu senhor, para abrir-lhe o portão da casa quanto chame. Hão de estar com "a cintura cingida", quer dizer, com a túnica arregaçada para poderem mover-se e atuar com agilidade. Hão de estar com "as lâmpadas acesas" para ter a casa iluminada e manterem-se despertos.

Estas palavras de Jesus são também hoje uma chamada a viver com lucidez e responsabilidade, sem cair na passividade ou na letargia. Na história da Igreja há momentos em que se cai a noite. No entanto, não é a hora de apagar as luzes e nos pormos a dormir. É a hora de reagirmos, despertar a nossa fé e seguir caminhando para o futuro, inclusive numa Igreja velha e cansada.

Sobre a Vigilância (Lucas 12,35-40) - Paulo Ueti

Vigiar é uma atividade de cuidado e atenção. Infelizmente vigiar, em nosso vocabulário comum, tornou-se uma palavra com conotação negativa muito forte. Pensando na religião, essa palavra se conectou de tal forma a uma imagem de um Deus que pune, ao ponto de se transformar, para muita gente, num lugar de medo, opressão, culpa e castigo. Nada mais contrário ao seu significado etimológico e à experiência cristã e de outros grupos de Deus.

Religião é para juntar as pessoas e a natureza. É conexão, relação amorosa e de equidade. É espaço de cura, sanação e transformação constante. A "verdadeira" religião, segundo o movimento profético, é "buscar a paz e a justiça", "defender o órfão e a viúva" (cf. Tiago 1,27). Não deve ser lugar onde o medo e o castigo, a guerra, violência e intolerância sejam o prato do dia. Essa prática, resultante de um tipo de teologia, foi amplamente desautorizada por Jesus. Mesmo seus discípulos estavam envoltos nesse universo teológico e de espiritualidade violento e intolerante. Precisavam experimentar outra leiturapossível da religião na qual estavam inseridos. E não só os discípulos no tempo de Jesus, mas também a Igreja de Lucas na segunda metade do século.

Religião como espaço de liberdade e libertação

Em seu evangelho, entre os capítulos 9 a 19, Lucas apresenta um Jesus que provoca caminhos novos nos quais se possa entender a experiência de Deus e viver a religião como espaço de liberdade e libertação. As conversas e reflexões deste bloco do evangelho estão direcionadas principalmente para as pessoas que seguiam a Jesus mais de perto (chamados de discípulos ou de os Doze em outro evangelho).

Calculadora da desigualdade

Oxfam chama atenção para a desigualdade crescente entre multimilionários e cidadãos comuns na América Latina.

Quantos anos um trabalhador comum levaria para alcançar os rendimentos mensais de um multimilionário em seu país? No Brasil, por exemplo, um cidadão que vive sozinho e tem renda mensal de um salário mínimo (R$ 880) precisaria trabalhar 43 anos para obter o mesmo rendimento recebido por mês pela classe mais afortunada da população. A conta também pode ser feita ao contrário, quando se descobre que um multimilionário gastaria menos de 1h30 para receber os R$ 880 que aquele assalariado recebe em um mês inteiro.

A reportagem foi publicada por Envolverde, 29-07-2016.

Esses cálculos foram produzidos a partir da Calculadora da Desigualdade, um aplicativo digital desenvolvido pela Oxfam em parceria com a agência digital de jornalismo investigativo Ojo Público. A ferramenta compara os rendimentos mensais de cidadãs e cidadãos em 16 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil. Quem quiser conhecê-la e entender mais sobre sua metodologia poderá acessar o site da Oxfam.