Estudo do 2º Testamento em Guarapari

Foi o 3º encontro desse ano. Como sempre, foram dois momentos: em Amarelos, no dia 23/07 e em Muquiçaba, 24/07/16. O estudo foi sobre a Segunda Geração dos seguidores e seguidoras de Jesus. Conhecemos um pouco mais sobre o contexto dessa época, a partir das Cartas da segunda geração: Tg,1Pd, Ef e Cl.

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A riqueza não dividida divide (Lc 12,13-21) - Maria Soave

Oração

Vem, Divina Ruah, doa-nos de compreender esta Palavra que acabamos de ouvir, fala diretamente para as nossas vidas, sê palavra que nos revele o amor que Deus tem conosco, para cada um e cada uma de nós. Jesus, companheiro libertador de todo tipo de morte, ajuda-nos a sermos tuas seguidoras e seguidores e a escolher, sem medo, o teu Evangelho.

A riqueza não é dividida, a riqueza divide

Um homem pede a Jesus para intervir a respeito de uma briga entre ele e seu irmão sobre a herança. De novo no evangelho tem alguém que chama Jesus para resolver um conflito. Este alguém não tem nome próprio no texto. Provavelmente porque cada um, cada uma de nós é chamado a identificar-se com esta personagem. Na pergunta sobre a divisão da herança aparece uma grande ilusão. A pergunta ilusória é sobre a divisão da riqueza. Este texto nos diz que a riqueza não dividida divide.

Jesus recusa, neste texto, o papel de mediador do conflito. Na perspectiva da grande ilusão da qual estes dois irmãos são vítimas, a de pensar que a riqueza que divide e violenta possa ser dividida, Jesus não quer ser considerado o juiz conciliador, mas o companheiro de caminhada que quer ajudar a entender e indicar os motivos que determinam o empobrecimento e os conflitos entre as pessoas. Estes motivos se juntam concretamente ao redor do egoísmo e da ganância.

Não acumular: O Reino de Deus em primeiro lugar (Lc 12,13-21) - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

O texto de hoje traz a seguinte afirmação de Jesus: "Olhem os passarinhos! Olhem as flores! Não se preocupam com comida e roupa! Busquem o Reino de Deus, e estas outras coisas lhes serão dadas em acréscimo". Será que conseguimos colocar essa frase em prática?

CHAVE DE LEITURA

O texto de hoje é provocado pela pergunta de um rapaz que queria que Jesus o ajudasse para conseguir a herança. Na resposta, Jesus usa três parábolas ou comparações: uma do homem rico, outra de passarinhos e outra de flores. Durante a leitura, sugerimos prestar atenção no seguinte: "Qual é a característica de cada uma destas três parábolas?" (Lc 12,13-32).

SITUANDO

No início do capítulo 12, Lucas diz que milhares de pessoas se reuniam ao redor de Jesus. Era tanta gente que uns pisavam nos outros (Lc 12,1). Que tipo de povo procurava Jesus? Muitos deles eram vítimas do "fermento dos fariseus" (Lc 12,1). Era gente censurada e controlada pelas autoridades, pois eles eram obrigados a falar às escondidas (Lc 12,3). Era gente explorada pelos impostos dos romanos e pelas taxas do Templo e, por isso mesmo, muitas vezes, amedrontada e ameaçada de morte (Lc 12,4). Jesus anima o povo a não ter medo (Lc 12,4-12).

No meio desta multidão, havia uma pessoa que não estava ali por causa dos ensinamentos de Jesus sobre o Reino de Deus. Ela queria que Jesus a ajudasse a receber a herança. Sua preocupação central eram os bens materiais. É neste contexto que Jesus passa a ensinar sobre o perigo das riquezas, contando três parábolas.

COMENTANDO

Espiritualidade muçulmana - Frei Betto

Os excessos de segmentos do islamismo não devem ser confundidos com a religião que professam, assim como as Cruzadas e a Inquisição não expressam a essência do Cristianismo, muito pelo contrário.

Islã significa "submissão” a Deus (Alá). Abraão foi o primeiro submisso (muslim = muçulmano) e depois teve como seguidores de sua espiritualidade (islam) José, os profetas do Antigo Testamento e Jesus.

Esse monoteísmo abraâmico teria sido deturpado por hebreus e cristãos. Porém, no século VII, o profeta Maomé o restituiu à sua pureza original após ter recebido de Alá, por via do anjo Gabriel, o Alcorão (que significa "livro por excelência”).

Trata-se de um belo poema, todo em dialeto árabe, harmônico em suas rimas e assonâncias, cujas traduções não expressam sua musicalidade. Ao contrário da Bíblia, que judeus e cristãos consideram inspirada por Deus, o Alcorão teria sido ditado. Equivale, para os muçulmanos, o mesmo que o Evangelho para os cristãos.

Convite


Papa eleva celebração de Santa Maria Madalena a festa litúrgica - Ildo Bohn Gass

No dia 3 de julho de 2016, o papa Francisco elevou a celebração de Santa Maria Madalena, comemorada todo 22 de julho, à categoria de festa litúrgica no calendário romano.

Com esta iniciativa, Francisco pretende destacar a importância de Maria Madalena, como exemplo de verdadeira e autêntica evangelizadora, uma mulher que mostrou um grande amor por Jesus e por ele foi amada.

Santo Tomás de Aquino chamou Madalena de Apóstola dos Apóstolos por ser ela a primeira pessoa que fez a experiência com Jesus ressuscitado e logo partilhou a novidade com os demais apóstolos.

A decisão de Francisco é um passo importante no caminho para a igualdade entre mulheres e homens também na igreja romana.

De um lado, é importante perceber o protagonismo desta Apóstola dos Apóstolos nas comunidades cristãs das origens.

De outro, é igualmente importante desconstruir a injustiça histórica que se fez com Madalena. Tudo começou com o papa Gregório Magno (540-604) que propagou a ideia de que Madalena era prostituta. A partir de uma leitura equivocada de Lc 7,36-50, Gregório identificou a pecadora, que unge os pés de Jesus, com Madalena. No ido ano de 596 ensinou aos seus fiéis na catedral de Milão, que o exemplo dessa mulher impura e prostituta, porém santa convertida, deveria ser seguido por todas as pessoas.

Para compreender o protagonismo de Madalena na continuidade do movimento de Jesus, você poder ler o artigo de Mercedes Lopes

"...A imagem de Maria Madalena está ligada a cabelos compridos, perfume e lágrimas. Sabemos que a tradição das lágrimas está relacionada à sua angustiosa busca do corpo de Jesus, naquela madrugada do primeiro dia da semana (Jo 20,1.11-18). Mas perfume e cabelos longos expressam a identificação de Maria Madalena com..." (leia o artigo completo aqui)

Fonte: CEBI Nacional

"Não há fogo no inferno, Adão e Eva não são reais”, diz Papa Francisco

Um homem que está lá para abrir muitos “segredos ” antigos na Igreja Católica é o Papa Francisco. Algumas das crenças que são realizadas na igreja, mas que são contra a natureza amorosa de deus, estão sendo revistas pelo papa, que foi recentemente nomeado o "homem do ano ‘ pela revista TIME.

Em suas últimas revelações, o Papa Francisco disse:

”Por meio da humildade , da introspecção e contemplação orante ganharam uma nova compreensão de certos dogmas. A igreja já não acredita em um inferno literal, onde as pessoas sofrem. Esta doutrina é incompatível com o amor infinito de deus. Deus não é um juiz, mas um amigo e um amante da humanidade. Deus nos procura não para condenar, mas para abraçar. Como a história de Adão e Eva, nós vemos o inferno como um artifício literário. O inferno é só uma metáfora da alma exilada (ou isolada), que, como todas as almas em última análise, estão unidos no amor com DEUS.“

Em um discurso poderoso que está repercutindo em todo o mundo, o Papa Francisco declarou:

”Todas as religiões são verdadeiras, porque elas são verdadeiras nos corações de todos aqueles que acreditam neles. Que outro tipo existe realmente? No passado, A igreja considerava muitas coisas como pecado que hoje já não são julgadas dessa maneira. Como um pai amoroso, nunca condena seus filhos. Nossa igreja é grande o suficiente para heterossexuais e homossexuais, por pró-vida e pró-escolha! Para os conservadores e liberais, até mesmo os comunistas são bem-vindos e se juntaram a nós. Todos nós amando e adorando o mesmo deus. “Nos últimos seis meses , os cardeais, bispos e teólogos católicos têm debatido na Cidade do Vaticano sobre o futuro da Igreja e da redefinição das doutrinas católicas e seus dogmas.” 

Quantas autoras brasileiras e negras você já leu?

No dia 25 de julho é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. A data é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.

Quantas autoras brasileiras e negras você já leu? 

Aposto que não muitas, mas elas existem! E são feministas, mães, da periferia, trabalhadoras e pesquisadoras que sabem colocar em palavras o ponto de vista da mulher negra que sente tudo na pele. Tratam de diversos temas de uma maneira emocionante, mas, infelizmente, são pouco divulgadas e publicadas – é quase impossível encontrar obras em livrarias.

Conversamos com Bianca Gonçalves, pesquisadora da USP e idealizadora do projeto Leia Mulheres Negras, e juntas, selecionarmos 15 escritoras negras brasileiras que você precisa conhecer. Afinal, como diria Alzira Rufino: o possível, estamos fazendo agora; o impossível demora um pouco mais!

Maria Firmina dos Reis

Ninguém mais, ninguém menos que a primeira romancista brasileira. Maria Firmina nasceu no Maranhão em 1825. Ao longo dos seus 92 anos de vida, teve diversas publicações, a primeira foi o romance Úrsula, considerado um dos primeiros escritos produzidos por uma mulher no Brasil. Durante a campanha abolicionista, o livro A Escrava reforçou a postura antiescravista de Maria, que é compositora do hino da abolição da Escravatura. Fundadora da primeira escola mista e gratuita do estado, a escritora sempre lutou pela educação, igualdade racial e de gênero.

Carolina Maria de Jesus

Marta e Maria: dualismo ou complemento? (Lc 10,38-42) - Mercedes Lopes

Somente três personagens aparecem neste curto texto de Lc 10,38-42: Jesus, Marta e Maria. Jesus visita as duas irmãs, escuta, questiona Marta, acolhe a postura de Maria. Marta é a anfitriã, a dona de casa, preocupada em oferecer um delicioso almoço a Jesus. Com esta preocupação, ela recebe Jesus e vai continuar seu trabalho, sem curtir a visita amiga. Maria não fica preocupada com a casa. Não é solidária com a irmã no serviço. Quer somente estar com Jesus. Sentada aos seus pés, escuta-o atentamente. Ela escolhe algo inédito para as mulheres de sua época. Torna-se discípula! (8,38; 10,39; At 22,3). Com qual desses três personagens nos identificamos mais?

SITUANDO

Esta narrativa sobre a visita de Jesus à Marta e Maria é própria de Lucas. O evangelista situa este texto em seguida à parábola do samaritano (Lc 10,29-37). Lucas deve ter um bom motivo para isso. Um dos motivos de ligação entre esta narrativa e a parábola do samaritano é que Jesus se faz próximo. Entra na casa de Marta, conversa, come junto com as duas Irmãs. Ele se aproxima de duas mulheres, que, como as outras judias da sua época, eram consideradas impuras. Mas, também podemos supor que Lucas tenha feito outra relação entre a parábola do samaritano e a narrativa de Marta e Maria. O texto informa que "Jesus entrou num povoado e certa mulher, chamada Marta o recebeu em sua casa" (10,38). Diante das críticas e da crescente oposição a Jesus, narrada no capítulo seguinte (11,14-54), a acolhida prestativa de Marta e a escuta amorosa de Maria podem ser também uma resposta bem concreta à pergunta do legista: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" (10,25).

Situar o texto de Marta e Maria no contexto das comunidades helenistas também ajuda na sua interpretação. Nessas comunidades havia um conflito entre cristãos vindos do judaísmo e os gentios, considerados de origem pagã. Estes últimos eram tidos como impuros, porque não receberam a circuncisão e não praticavam os costumes judeus sobre a pureza. Por isso, nas comunidades cristãs, comer junto com eles foi motivo de muito conflito (At 11,2). A Boa Nova deste texto é que Jesus entra na casa de Marta e Maria e come com elas. Elas eram judias, mas eram consideradas impuras por serem mulheres. Transparece no texto muita amizade e confiança entre eles, pois Marta chega a fazer reclamações triviais em relação à falta de solidariedade de sua irmã Maria (10,40).

COMENTANDO

“Uma só coisa é necessária” (Lucas 10, 38-42) - Tomaz Hughes SVD

Novamente o Evangelho de Lucas destaca o fato que Jesus e os seus discípulos “caminhavam”. É caminhando que se faz caminho, e é no caminho que se aprende o que é ser discípulo de Jesus. Todos nós estamos “no caminho”, como Jesus e os outros, só que a nossa caminhada não se mede em quilômetros, mas em anos!

O Evangelho de hoje frisa muito o lado afetivo de Jesus e dos seus discípulos e discípulas. Jesus se dirige à casa de uma família em Betânia, perto de Jerusalém. Era o lugar predileto onde Jesus procurava - e recebia - aconchego humano, carinho, afeto, amizade, acolhimento; onde podia refazer as suas forças durante as suas caminhadas evangelizadoras. Do Evangelho do Discípulo Amado aprendemos que: “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro” (Jo 11,5). Este tipo de relacionamento humano é necessário para que formemos verdadeiras comunidades cristãs - e quantas vezes dispensamos este elemento fundamental.

É gritante a diferença de gênio das duas irmãs! Marta, provavelmente a mais velha, preocupada com os seus afazeres - afinal tinham chegado hóspedes para uma refeição e tinham que ser bem tratados; Maria, calma, senta-se aos pés do Senhor, para escutar a Palavra. De repente, ressoa o desabafo de Marta: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!” (v. 40). Instintivamente, a nossa simpatia fica com a Marta. Qual é a mãe da família, a dona de casa ou o anfitrião de visita que não sentiria o que Marta sentia? Por isso mesmo, chama a atenção a resposta do Senhor: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.”( V. 41s).

Análise de Conjuntura Nacional

No dia 12 de julho de 2016 fizemos uma análise de conjuntura com a ajuda do Professor Maurício Abdala. 
Esse encontro foi importante para entendermos o que acontece na política brasileira para, à luz da Palavra de Deus, combatermos todas as formas de injustiça.

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6ª Etapa do Curso Bíblia:caminho de libertação

Nos dias 08 e 09 de julho nos reunimos para mais uma etapa do Curso Bíblia Caminho de Libertação. Agora estudamos a vida do povo da Bíblia durante a dominação do Império Persa. Foi a partir desse momento histórico que os textos Bíblicos foram escritos com maior intensidade, e também foi surgindo o Judaísmo.

Em novembro nos encontraremos novamante!

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Encerramento do Estudo dos Atos dos Apóstolos

No primeiro semestre deste ano de 2016 foi realizado na Sala do CEBI/ES o estudo sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos. 

As descobertas, segundo os participantes, foram muitas e interessantes, o que possibilitou um melhor conhecimento das atuações dos apóstolos, a partir da morte e ressurreição de Jesus, bem como da vivência das primeiras comunidades cristãs espalhadas em grande parte do território dominado pelo império romano.

A dinâmica e metodologia empregada pela equipe de assessoria, composta por Bimbo, Eliete e Irmã Luiza, consistiu em explanação dos temas abordados, trabalhos em grupos e vídeos (filmes), o que contribuiu muito para a compreensão e atualização do assunto.

Segue abaixo, dois textos elaborados pelos participantes do estudo. 

Breve relato sobre o estudo do livro dos Atos dos Apóstolos

Assim foi a vida de Paulo relatada no livro dos Atos dos Apóstolos. Até pensávamos que o livro por se chamar "Atos dos Apóstolos" iria falar da vida de todos os apóstolos (as), mas engraçado, no decorrer do estudo percebemos que o livro praticamente se resume nos Atos da vida do Apóstolo Paulo. 

Marta e Maria (Lc 10,38-42) - Ildo Bohn Gass

O relato da visita de Jesus à casa de suas amigas somente se encontra no Evangelho segundo Lucas. Situa-se no longo caminho do discipulado, do seguimento de Jesus, que vai desde a Galiléia até Jerusalém (Lc 9,51-19,27), lugar do enfrentamento definitivo com o sistema de morte ali instalado. E Jesus vai instruindo a quem o segue pelo caminho.

Chegando à aldeia de Betânia, Jesus é recebido por Marta na casa dela. Maria, sua irmã, também estava. Isso revela que Marta era muito acolhedora, hospitaleira. É interessante termos presente que não havia homens na casa. Não há referência à presença de Lázaro (Cf. Jo 11,1). Lembremos que, no relato segundo João, Marta exerce uma liderança muito grande. Possivelmente, ela era a principal coordenadora das comunidades que nos legaram este evangelho, pois a profissão de fé no messianismo de Jesus sai de sua boca. Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo (Jo 11,27). Nos sinóticos, essa confissão de fé central das comunidades está nos lábios de Pedro, representante dos doze (Mt 16,16; Mc 8,29; Lc 9,20).

Quando Marta reclama pelo fato de Maria não lhe ajudar nos serviços domésticos, Jesus a ajuda a compreender que, além dos afazeres da casa, é fundamental entrar na dinâmica do Reino. É o que Jesus quer dizer quando afirma que, acima das preocupações com comida, bebida e roupa, é preciso buscar o Reino. Se as novas relações do Reino forem colocadas em prática, fatalmente essas coisas serão partilhadas entre todos (Lc 12,22-32). Mais uma exigência de Jesus às pessoas que o seguem confirma essa perspectiva: todo aquele que tiver deixado casa por causa do Reino de Deus, receberá muito mais no presente e, no mundo futuro, a vida eterna (Cf. Lc 18,29-30).

Entrevista: Estado precisa garantir tratamento igual para todas as religiões

A Plataforma dos Movimentos sociais pela Reforma Política entrevistou Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, graduada em Teologia pelas Faculdades EST, pastora luterana e mestre em Ciência das Religiões pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Em pauta, o sistema político e o Estado Laico.

Nesse momento de crise política, visualizamos o aumento do discurso religioso em espaços políticos, contra avanços no âmbito dos direitos individuais e sociais. A defesa do Estado laico deve estar atrelada à busca por uma reforma politica ampla?

Certamente sim. Isso porque o debate sobre a relação entre religião e estado no Brasil nunca foi feito de maneira ampla e aprofundada. Ela foi mais resultado de pressão de grupos religiosos, nesse caso, protestantes, que se sentiam violados por não terem seus ritos e cultos reconhecidos. Entretanto, se a separação entre religião e Estado, em um primeiro momento, possibilitou que protestantes tivessem seu direito a culto e seus rituais reconhecidos, isso não ocorreu, por exemplo, para as religiões de matriz africana, espírita e indígenas. Estas continuaram sendo perseguidas e suas práticas identificadas como charlatanismo e feitiçaria. Nossa laicidade não é um resultado de um amadurecimento da sociedade. Tanto é que existe uma grande confusão em torno do conceito laicidade. Há pessoas que pensam que um estado laico irá perseguir as religiões. Isso é completamente equivocado. O Estado laico não persegue religiões. A concepção sobre laicidade do estado brasileiro, tem como função garantir às pessoas a liberdade de seguir ou não uma religião. Também é função do estado garantir tratamento igual para todas as religiões, crenças ou convicções. Para ser coerente com a constituição, não deve existir tratamento privilegiado com essa ou aquela religião. Da mesma forma, o Estado não pode interferir na formação espiritual e na crença das pessoas. Uma vez que a fé pertence ao âmbito privado do indivíduo.

A lei garante que o Estado não intervenha nos sistemas de fé. A natureza laica do estado brasileiro torna-o neutro em termos religiosos. Com isso, ele tem a função de mediar a relação entre as tradições religiosas e não de apoiar confessionalidades religiosas específicas.

O bom samaritano (Lc 10,29-37) [Ildo Bohn Gass]

Ao acrescentar a parábola do Bom Samaritano ao anúncio do mandamento maior (Lc 10,29-37), Lucas deixa claro que a vivência do amor não é algo abstrato, teórico, mas se traduz em práticas bem concretas. Antes de procurar um próximo para amar, importa tornar-nos próximos através da misericórdia, do amor solidário (Lc 10,29.36-37).

Depois de lembrar que a segunda parte do grande mandamento é amarás o teu próximo como a ti mesmo (Cf. Lc 10,27), o escriba volta com outra pergunta: E quem é meu próximo? (Lc 10,29). Ele pretende colocar limites, fronteiras para o amor, isto é, escolher alguém para amar. Então, em vez de teorizar sobre quem é o próximo, Jesus conta a parábola do Bom Samaritano e, no final, novamente devolve a pergunta ao doutor da lei.

O sacerdote e o levita (auxiliar dos sacerdotes nas celebrações do templo), ao se depararem com uma pessoa assaltada e ferida gravemente, observam-na e seguem adiante, passando pelo outro lado do caminho (Lc 10,31-32).

Chega, então, um samaritano que estava de viagem. Samaritano é quem vivia na Samaria, que ficava entre a Galiléia e a Judéia. O desprezo pelos samaritanos por parte dos judeus é antigo e se deve a razões políticas, étnicas e religiosas. Os judeus consideravam-se mais fiéis a Deus do que os samaritanos, a quem acusavam de idólatras e impuros. O fato é que a religião oficial dos judeus foi se estruturando em torno do templo, da lei, dos sacrifícios, tornando-se um ritualismo formal, sem uma prática conseqüente. Enquanto isso, os samaritanos tinham o êxodo como um dos centros de sua teologia. Era muito forte a experiência com o Deus libertador, cuja espiritualidade dava mais importância à justiça e à misericórdia. Esperavam, inclusive, um messias como o profeta Moisés e não um descendente do rei Davi, como era esperança dos judeus. A vida das pessoas é o que mais importa. Por isso, a atitude do samaritano é tão diferente da dos outros dois.

O bom samaritano: Solidariedade e ecumenismo (Lc 10,25-37) - Mesters e Lopes

O texto que Lucas nos convida a refletir nesse próximo domingo, fala do Bom Samaritano. Naquele tempo, havia muito preconceito contra os samaritanos. Eles eram mal vistos. Dizia-se deles que tinham uma doutrina errada e que não faziam parte do povo de Deus. Alguns diziam que ser samaritano era coisa do diabo. Mesmo assim, Jesus coloca os samaritanos como exemplo e modelo para os outros.

1. Situando

Ao descrever a longa viagem de Jesus a Jerusalém, Lucas ajuda as comunidades a entender melhor em que consiste a Boa Nova do Reino. Ele faz isto apresentando pessoas que vêm falar com Jesus e lhe fazem perguntas. São perguntas reais do povo do tempo de Jesus e são também perguntas reais das comunidades do tempo de Lucas. Por exemplo, no texto de hoje, um doutor da Lei pergunta: "O que devo fazer para obter a vida eterna?" A resposta, tanto do doutor como de Jesus, ajuda a entender melhor o objetivo da Lei de Deus. Lendo o Evangelho de Lucas, as comunidades devem ter dito muitas vezes o mesmo que nós dizemos quando lemos o evangelho: "É que nem hoje!"

O texto traz a tão conhecida parábola do Bom Samaritano. Toda vez que Jesus tem uma coisa importante para comunicar, ele conta uma história, faz uma parábola, uma comparação, para ajudar as pessoas a pensar e a descobrir a mensagem. Meditar uma parábola é o mesmo que aprofundar a vida, a fim de descobrir dentro dela os apelos de Deus. 

2. Comentando

A parábola do “Bom Samaritano” (Lucas 10,25-37) - Tomaz Hughes SVD

A parábola do “Bom Samaritano” talvez seja, junto com a do “Filho Pródigo”, a mais conhecida de todas as parábolas de Jesus. Por isso mesmo corre o risco de ser banalizada, de não ser levada muito a sério, de ser relegada quase ao nível de folclore religioso. Merece uma atenção mais minuciosa.

A parábola situa-se logo após Jesus ter louvado o Pai por ter “escondido essas coisas (as coisas do Reino) aos sábios e inteligentes e revelado aos pequeninos” (cf. Lc 10,21). Realmente, o primeiro a tentar atrapalhar Jesus é um “sábio e inteligente” - um especialista em leis. Lucas salienta que ele fez a pergunta “O que devo fazer para receber em herança a vida eterna” (v. 25), não porque ele se interessasse pela verdade, mas “para tentar Jesus”. Devolvendo-lhe a pergunta, Jesus deixa claro que o legista já sabia a resposta: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, como toda a sua força e com toda a sua mente; e ao seu próximo como a si mesmo.” Jesus simplesmente diz: “Você respondeu certo. Faça isso e viverá” (v.28).

Mas com a petulância típica do pseudo-intelectual, ele insiste, “para se justificar”, com uma segunda pergunta: “E quem é o meu próximo?” (v.29). Jesus, porém não cai na cilada de fazer uma discussão teórica e estéril sobre quem seja o próximo - ele logo traz o debate para o nível prático da vivência. Ele conta a parábola do “Bom Samaritano”. Vejamos.

O Brasil que mata seu futuro a bala

A cada 24 horas, 29 crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos de idade são assassinados no Brasil, uma sala de aula inteira morta por dia. A grande maioria das vítimas é negra. Ao final de um ano, a contagem chega a 10.520 vítimas fatais. E o mais assustador é que no período de 1980 a 2013 este número cresceu 475%, e segue em tendência de alta. Se analisada a taxa de homicídios por 100.000 habitantes, o aumento foi de 426%, de 3,1 para 16,3. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera como epidêmicas taxas acima de 10. Comparado com outros 85 países, o Brasil fica em 3º lugar no ranking de homicídios de crianças e adolescentes, atrás apenas de México e El Salvador, nações que enfrentam sérios problemas de disputa de gangues e cartéis de drogas.

A reportagem é de Gil Alessi,publicada por El País, 30-06-2016.

Os dados estão no relatório Violência Letal contra as Crianças e Adolescentes do Brasil, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e divulgado nesta quinta-feira. O documento, que utiliza dados do Ministério da Saúde, mostra o retrato de um país que conseguiu avançar em algumas áreas, mas não soube progredir em outras.

As mortes por causa natural de crianças e adolescentes, por exemplo, são um exemplo do Brasil que andou para frente: em 1980 a taxa de mortes por causas naturais desta parcela da população era vergonhosa, 387 por 100.000 habitantes. Já em 2013, caiu drasticamente para 83,4, redução de 78,5%, reflexo da ampliação do sistema de saúde pública, saneamento básico, educação e melhoria nas condições de vida da população.

Encontro de Amigos


Roda de Conversa


Estudo do Cântico dos Cânticos na AMUS

No sábado dia 25/06/2016 aconteceu o segundo encontro de 2016, na AMUS. Estamos estudando o livro Cântico dos Cânticos. Apesar do grupo pequeno de mulheres, o estudo foi bastante proveitoso. Foi trabalhado a música “Caminheiro” de Viviane Cavalaro com dança e reflexão da letra da música. 

Como de praxe foi feito uma memória do encontro anterior. Estudo e descobertas através de imagens dos passos do Método Leitura Feminista da Bíblia, e uma retomada do contexto da época que o Cântico dos Cânticos foi escrito. O 3º Poema: Ct 3,6-5,1 foi trabalhado em dois grupos. Para o plenário os grupos trouxeram as perguntas e suspeitas levantadas no texto. 

Um momento forte foi a retomada dos símbolos especialmente da questão da violência contra a mulher, que foi trabalhada em um grupo. Finalizamos com um círculo ao redor da taça de vinho onde rezamos e partilhamos.

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