A Questão indígena em 4 minutos

De um lado, os interesses dos povos indígenas. De outro, os interesses do agronegócio e do modelo de desenvolvimento vigente no país. Nesse contexto, a atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai) é fundamental para dirimir inúmeros conflitos e exercer seu papel constitucional de identificar, demarcar e monitorar terras indígenas, mas também é responsabilidade do órgão indigenista prestar apoio e proteção social. Fontes de dados para o vídeo: Instituto Socioambiental (ISA); Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); lei de acesso a informação;

200 milhões de cristãos são perseguidos no mundo

Os cristãos são o maior grupo religioso perseguido no mundo e suas condições continuam piorando em muitos dos países que enfrentam graves limites à liberdade religiosa. É o que afirma o mais recente Relatório sobre a liberdade religiosa, publicado pela fundação “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS).

Para sensibilizar mais a opinião pública ao tema da perseguição, a AIS iluminará a Fontana di Trevi de vermelho, simbolizando o sangue dos mártires cristãos mortos hoje por ódio à fé cristã (a Fontana de Trevi é a maior fonte luminosa de Roma).

Estima-se que os cristãos perseguidos no mundo inteiro são cerca de 200 milhões. E em muitas áreas as condições deles continuam piorando.

Na África, grupos jihadistas muçulmanos como Boko Haram e al Shabab ganham sempre mais terreno. Na Ásia, os fundamentalismos islâmico, hindu e budista se soma à perseguição perpetrada por regimes totalitários, como o norte-coreano.

Entre os cenários mais difíceis, obviamente, está o do Oriente Médio. No Iraque, de 2002 até hoje, a população cristã passou de um milhão para menos de 300 mil, com uma impressionante média de 60/100 mil que deixaram o país a cada ano. Se a tendência continuar, em apenas cinco anos a comunidade cristã deixará de existir no País do Golfo.

Para que saibamos dialogar: os enviou dois a dois... (Lucas 10,1-12.17-24) - Carlos Mesters

O texto de Lucas nos convida a sair em missão. A colheita é grande e há pouca gente disposta! Assumamos a tarefa! Para a autopromoção, para que sejamos individualmente valorizados? Com certeza não. O convite é para que sigamos dois a dois, duas a duas. Duas pessoas juntas já são a célula de uma comunidade, o princípio do diálogo.

As comunidades paulinas aprenderam bem a lição: Barnabé e Paulo saem juntos em missão (At 13,1-3), mais gente se junta a eles, fazem trabalho de equipe (Rm 16,21-23). Quando o missionário ou o líder não escuta sua comunidade, não entendeu ainda o que é "seguir dois a dois". Não foi capaz de compreender o modelo eclesiológico concebido por Jesus. Quem trabalha sozinho, não tem sequer com quem planejar, avaliar e celebrar.

Setenta ou setenta e dois? Discípulos samaritanos!

Algumas edições da Bíblia falam do envio de 70 discípulos. Outras falam de 72. Depende do manuscrito que é seguido. Muito possivelmente, o número evoca todas as nações, citadas no capítulo 10 do livro do Gênesis. A Bíblia Hebraica menciona 70 povos. Ao ser traduzido para o grego, o texto foi modificado para 72. A missão é estendida a todos os povos.

Dado interessante, entretanto, é de onde o grupo parte. Em Lucas 9,51-52, Jesus tinha começado sua longa viagem rumo a Jerusalém. Sai da Galileia e entra na Samaria. É em território samaritano que Jesus associa mais 72 discípulos e discípulas para irem à sua frente, onde ele mesmo deveria ir depois (Lc 10,1). Lucas sugere, assim, que estes novos 72 discípulos e discípulas já não são judeus da Galileia, mas samaritanos. Sugere ainda que o lugar onde Jesus anuncia a Boa Nova já não é a Galileia, mas a Samaria, território dos excluídos.

Formação Bíblica


Dossiê Mulher 2016: Porque precisamos de cidades seguras para mulheres

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou na sexta-feira, dia 17 de junho, o Dossiê Mulher 2016, com dados sobre a violência contra a mulher no Estado do Rio no último ano. Os números, mais uma vez, são alarmantes e evidenciam a necessidade de debatermos a cultura do estupro, a violência de gênero e o assédio em espaços públicos. 

Os dados de violência sexual, que incluem estupro e tentativa de estupro, caíram em 2015 na comparação com 2014, mas não há motivos para comemorar: uma mulher foi vítima de violência sexual a cada duas horas no estado. Este é o tipo de violência a que a mulher está mais exposta no estado do Rio de Janeiro. Meninas de zero a 13 anos são 45% das vítimas de violência sexual, o que nos impõe o debate sobre o quanto a violência impacta e marca a vida de meninas e mulheres desde cedo. 

32% dos casos de violência sexual ocorreram no âmbito doméstico e/ou familiar. A violência doméstica é inegavelmente um problema grave em nossa sociedade, mas devemos levar em consideração que 68% dessas vítimas estavam em outros espaços, como escola, trabalho, locais de lazer, rua, transporte público, entre outros. Se é certo que a violência de gênero começa em casa, também é certo que ela acompanha as mulheres por onde elas passam! 

Como uma organização de combate à pobreza, a ActionAid se preocupa especialmente com a vulnerabilidade das mulheres. A exposição a todos os tipos de violência inibe suas possibilidades de desenvolvimento social. Quando se trata do espaço público, ela pode ser um impeditivo de acesso a oportunidades de educação e trabalho, caminhos que podem conduzir essas mulheres para fora da pobreza. 

“Quem põe a mão no arado e olha para trás não serve para o Reino de Deus” (Lc 9, 51 –62) - Tomaz Hughes SVD

No esquema do Evangelho de Lucas, o segundo grande bloco vai de 9, 51 até 19, 28, e consiste em seguir o caminho de Jesus e os seus discípulos, rumo a Jerusalém. Nestes capítulos Jesus educa os seus discípulos sobre o que significa segui-lo, acreditar nele. Logo antes da viagem tem a frase “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga” (9, 23). No trecho de hoje, Jesus vai explicitar de novo as exigências para quem quer assumir os desafios do Reino no seu seguimento.

No início, Lucas enfatiza que Jesus “tomou a firme decisão de partir para Jerusalém”. Aqui não se trata somente de decidir de fazer uma viagem, de participar de uma peregrinação. Muito mais é a decisão de seguir a sua missão até as últimas consequências, pois Jerusalém será o local do conflito final entre as forças do Reino e do anti-Reino, o local da sua morte e ressurreição. Daqui para frente Jesus assume mais ainda o papel de pedagogo divino, mostrando pela sua palavra e ações, pela sua paixão, morte, ressurreição e ascensão, o caminho que leva ao Pai.

Esta tarefa de educação dos discípulos implica todo um trabalho de mudar a mentalidade deles, formada pela religião e ideologia reinantes. Inicia-se com o incidente da aldeia samaritana que não quis recebê-los. Havia séculos existia uma rixa entre judeus e samaritanos. Por causa da mistura de raças desde a ocupação assíria da Samaria depois de 721 a.C., (cf. II Rs 17, 24-41), os samaritanos eram desprezados pelos judeus. Da sua parte, os samaritanos tinham uma grande raiva dos judeus desde que o rei asmoneu João Hircano destruiu duas vezes o seu Templo no Monte Garazim, no fim do segundo século a.C. Os discípulos, representados por João e Tiago, querem demonstrar o seu poder, pedindo que Deus destruísse a aldeia – mostrando que a sua concepção do messianismo de Jesus era de poder política e de dominação. Jesus os repreendeu, pois o Reino de Deus não se constrói como os reinos terrestres, com força de armas e dominação, mas com doação e solidariedade.

Os refugiados e a responsabilidade cidadã - Marcelo Barros

Atualmente, no mundo inteiro, a onda de refugiados triplicou. Somente na África oito conflitos internacionais ou internos geram dez milhões de refugiados. Na Ásia, a guerra civil na Síria faz com que multidões imensas procurem sair do país para escapar com vida aos mísseis norte-americanos e à mortandade que vem de um lado e do outro. Nas portas da Europa, a cada dia, milhares de pessoas veem as fronteiras fechadas e são obrigadas a sobreviver prisioneiras em campos de concentração para não voltarem aos seus países. E a maioria dos refugiados nem procuram os países ricos. Já sabem que serão mal recebidos. Tentam países pobres do mesmo continente. Somente no Quênia, 300 mil somalis foram repatriados de um campo de fronteira. Na América Latina, a guerra civil na Colômbia provocou a fuga de milhares de pessoas para países vizinhos e para a Europa. Mais do que o terremoto, a opressão do império norte-americano sobre o Haiti provoca a fuga de milhares de haitianos que saem do seu país para sobreviver. Nesses últimos três anos, o Brasil recebeu dez milhões de refugiados/as, vindos de 79 países diferentes.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), refugiada é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição, é obrigada a sair do seu país de origem e nacionalidade. Devido à sua raça, religião, nacionalidade, pertença a determinado grupo social ou opinião política, essas pessoas buscam refúgio fora do seu país de origem. E, por se sentirem ameaçadas, não podem regressar ao mesmo. Em muitos casos, as pessoas são obrigadas a deixar seu país devido a grave e generalizada violação de direitos humanos. Nos últimos anos, além de refugiados por motivos políticos, temos também muitos refugiados/as ambientais. Saem de suas terras por causa de catástrofes ambientais e desastres naturais. Atualmente, calculam-se em mais de 65 milhões de pessoas no mundo em condições de refugiados/as.

Seguir Jesus é seguir também a sua opção (Lucas 9.57-62) - P. Jorge Dummer

Oração

Que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos. Amém!

Leitura do texto

Conforme informam os versículos 57 e 58, Jesus está com seus discípulos a caminho de Jerusalém, para a festa da páscoa dos judeus que se aproximava. Nesta caminhada, alguém se dispõe a seguí-lo. Jesus logo adverte que quem lhe segue assume um compromisso no caminho da cruz. Quem caminha com Jesus corre riscos, não é bem aceito, é perseguido, é ameaçado. Quem caminha com Jesus, não só anda com ele, mas assume a missão que ele recebeu do próprio Deus, conforme os textos que foram lidos há pouco. As palavras no evangelho de Lucas são as palavras de Isaías que Jesus retoma e assume para si como sua missão: 

• Anunciar a boa notícia aos pobres
• Dar liberdade aos presos
• Dar vista aos cegos
• Libertar os oprimidos.

Na segunda parte do texto Jesus chama pessoas ao discipulado. Chama pessoas para assumir com ele a missão que realiza. Jesus é um tanto exigente. Ele quer pessoas que realmente tenham vontade de se unir a ele na tarefa que realiza. Chega a dizer que quem quer seguí-lo deve deixar tudo para trás (vers. 62). Estaria alguém disposto a aceitar esse chamado hoje? Para ser discípulo de Jesus há que se desprender de tudo que amarra, prende, escraviza. Essas amarras, como no tempo de Jesus, também hoje são os laços familiares e normas que criamos até dentro das próprias comunidades.

Jesus aponta alguns aspectos importantes e necessários que deve refletir quem quer seguí-lo:

Cinco comportamentos que pais devem adotar para acabar com o machismo

O grotesco caso da moça carioca estuprada por 33 homens popularizou uma expressão até então restrita a círculos feministas: cultura do estupro. Grosso modo, o termo se refere à naturalização da violência contra a mulher no dia-a-dia – naturalização essa que pode ocorrer de forma sutil ou escancarada e que começa ainda na infância.

Se isso parece exagero, vou dar um exemplo. Quando eu estava grávida do meu primeiro filho, conversava com um amigo sobre a filhinha dele, ele preocupado com o “trabalho” que ela daria no futuro. Eu tentava argumentar que entendia os medos de pai, mas que pensar assim era um tanto machista, afinal, dava a entender que ele precisaria manter afastados os potenciais parceiros sexuais da filha. A conversa terminou quando ele soltou esta:

“Para você é fácil falar. Você vai ter um menino. Eu que sou o fornecedor”.

Isso aconteceu há três anos – acho até que esse meu amigo não acredita mais nessa bobagem –, mas ilustra bem como a maioria da sociedade ainda enxerga meninas e mulheres. Em pleno século XXI, continuamos a ensinar às meninas que elas não são donas do próprio corpo. Que elas devem ser delicadas e se comportar como “mocinhas”. Enquanto isso, dos meninos, é cobrado o oposto: virilidade, “macheza”, promiscuidade.

Hoje na História, há 40 anos, no dia 16 de junho de 1976 acontecia o “Levante de Soweto”

Há 40 anos, no dia 16 de junho de 1976, a África do Sul assistiu perplexa a um massacre: centenas de jovens – a maioria negra – foram mortos no episódio conhecido como “Levante de Soweto”, hoje símbolo da luta contra o racismo no mundo.

Na época, vigorava no país o regime de apartheid: uma minora branca governava, segregando a população negra. Essa política racial durou mais de quatro décadas, de 1948 até 1994, quando Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul.

Mas voltemos a 1976. As escolas para os negros estavam superlotadas e os professores eram desqualificados. Além disso, era necessário pagar pelos estudos, o que contrastava com a educação destinada à população branca, gratuita e de qualidade.

Para piorar, o governo sul-africano proibiu os alunos do bairro de Soweto, localizado no subúrbio de Joanesburgo, de estudarem em sua língua “bantu”. Obrigatoriamente, deveria ser ensinado nas escolas o africâner – língua-símbolo do apartheid – e o inglês. Línguas nativas, portanto, estavam vetadas. Isso foi a gota d’água.

Cerca de 20 mil estudantes sul-africanos se reuniram para protestar contra a medida. A manifestação começou calma, porém as tropas de segurança entraram em choque com os manifestantes e um estudante de 13 anos, Hector Petersen, foi assassinado pela polícia.

Os estudantes responderam atirando pedras. A polícia abriu fogo e matou mais 22 estudantes. Nos dias seguintes, muitos sul-africanos ficaram indignados com a truculência do regime e saíram às ruas, protestando contra as mortes. Até o final de 1976, o saldo era catastrófico: 600 manifestantes mortos e milhares de feridos. Em 1991, o 16 de junho passou a ser celebrado como o Dia da Criança Africana.

Orlando é aqui: A sua ‘opinião’ e a sua ‘piada’ matam LGBTs todos os dias

O mundo ainda está em choque com o atentado que matou 50 pessoas, e feriu outras 53, em Orlando, na Flórida. E quando digo “o mundo” me refiro, claro, àquelas pessoas que são verdadeiramente humanas, e não a tantas outras que se aproveitaram de um episódio cruel para destilar seu ódio e indiferença.

O fato já é conhecido: Omar Siddique Mateen, cidadão norte-americano de pais afegãos, entrou na boate Pulse, no centro de Orlando, e abriu fogo contra as pessoas que lá estavam. A boate é conhecida e frequentada pelo público LGBT da cidade. Omar, que tinha 29 anos, foi morto pela polícia. Ele era, segundo o seu próprio pai, um homofóbico.

A análise desse episódio precisa de vários recortes, como o discurso xenófobo que tem sido usado contra os muçulmanos, partindo inclusive do asqueroso presidenciável Donald Trump, e também a questão do controle de armas, que podem ser compradas com muita facilidade nos Estados Unidos. E por mais que Omar Siddique odiasse pessoas LGBTs, ele não as mataria tão facilmente se não pudesse comprar uma arma praticamente em cada esquina.

Outra coisa que precisa ser pensada é onde começa e como se desenvolve o pensamento homofóbico.

Por mais que muita gente não queira encarar e admitir, a homofobia escancarada do Estado Islâmico (grupo terrorista pelo qual Omar Saddique demostrava simpatia) é a mesma homofobia disfarçada de preservação da “moral e bons costumes” de parte da sociedade brasileira.

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lucas 9, 18-24) - Tomaz Hughes SVD

Proclamamos hoje a versão lucana da profissão de fé de Pedro, que Marcos situa no caminho de Cesaréia de Filipe (Mc 8, 27-35) e coloca como pivô de todo o seu Evangelho. Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os Evangelhos:
- quem é Jesus?
- o que é ser discípulo dele?

São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus, determinará a maneira do meu seguimento a ele.

O trecho inicia-se com Jesus em oração. Essa é uma atitude típica de Jesus em Lucas. Muitas vezes no Terceiro Evangelho, especialmente antes de momentos importantes na sua vida, Jesus se acha em oração. Pois ele nada faz por vontade própria, mas escutando a vontade do Pai.

O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua:

“Quem dizem as multidões que eu sou?”

É inócua, pois não compromete - o “diz que” não compromete ninguém, pois expressa a opinião dos outros. Por isso, chove respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, um dos antigos profetas que ressuscitou!”. Mas Jesus não quer parar aqui, - esta pergunta foi só uma introdução. Depois vem a facada!:

Estupro geral - Frei Betto

Estupra-se uma moça de 16 anos, em uma favela do Rio, vítima de 33 tarados que, com certeza, tiveram castrada sua escolaridade e qualificação profissional devido ao descaso com que os nossos políticos tratam a educação.

Estupra-se a cidadania com unidades de polícia pacificadora que adentram comunidades carentes disparando a esmo balas que ceifam vidas e são computadas como "perdidas”.

Estupra-se o futuro de milhares de crianças e jovens que, na periferia, veem chegar a polícia e o narcotráfico, mas não escolas, teatros, cinemas, salas de dança, praças de esportes, oficinas musicais e literárias.

Estupra-se a nação quando se lhe impõe uma meta fiscal que amputa o orçamento da saúde e da educação, da cultura e dos programas sociais.

Estupra-se a democracia quando políticos se locupletam em negociatas, estufam os bolsos de propinas, conspiram para sabotar a Lava Jato e ainda promovem um golpe parlamentar para tentar desviar o rumo das investigações.

Estupra-se o contribuinte honesto quando o ajuste fiscal não cria o imposto progressivo e são mantidas desonerações tributárias e juros baixos para empresas e latifúndios que se gabam de sonegar.

A importância da mulher na sociedade - Romi Bencke

Será que mulheres são consideradas relevantes para a sociedade? Será que desejamos, de fato, que mulheres participem ativamente nos espaços políticos de decisão? Ou será que a importância da mulher é pura retórica?

Muitas vezes, observando as dinâmicas sociais, quase chego à conclusão de que nós, mulheres, não temos real importância para a sociedade e nem para a política formal. Nós somos parte daquele grupo social sobre o qual é bom falar quando se deseja mostrar inclusividade, mas, na hora de mostrar na prática que a transformação nas relações sociais é possível, ai...bem...a conversa muda! Somos o tema que se pode deixar para depois.

Por que nosso desejo de participação, protagonismo, liberdade, autonomia acaba sendo sempre colocado em segundo plano? Uma das respostas possíveis é que somos um desses temas que provoca a pergunta sobre atéonde estamos dispostos a ir quando falamos em participação das mulheres na sociedade e na política?

A plena inserção das mulheres nas diferentes esferas da vida traz à tona a incômoda, indesejável e provocativa discussão sobre relações de poder. Sem uma disposição profunda de transformação nos paradigmas que orientam as relações de poder, não haverá mudanças para nós mulheres.

Religião e Profecia - Milton Schwantes

(reflexão de publicada no jornalzinho Uirá 
da Juventude Militante Protestante no ano de 1989)

A religião não é propriamente o berço da profecia. Ainda que falemos de igreja profética e, derivando, de teologia profética, tais fenômenos não são autônomos, não tem sua explicação em si mesmos.

Se bem que as igrejas não sejam a sede da profecia, podem estar vinculadas a ela. Sob condições específicas, podem refleti-la. Podem vir a ser canais de profecia. Os sonhos proféticos não “moram” nas igrejas, mas nelas podem estar “acampados”.

Na medida em que a igreja se autodefine a partir de si mesma, à luz de seus próprios critérios, dificilmente assumirá ares proféticos. Isto significa que, enquanto prevalecer a “lógica sacerdotal”, aquela que experimenta religião a partir das palavras e dos gestos especificamente religiosos, dificilmente poderá vigorar a “lógica profética”.

Acontece que a profecia não é uma extensão das igrejas. Na mesma medida em que nossas igrejas forem mais romanas, mais luteranas, mais metodistas, etc... muito provavelmente serão menos proféticas. No caminho de uma suposta redução ao essencial, não se encontra aquilo pelo qual vale sonhar e lutar.

Em Jesus renasceu a profecia, justamente porque a lei e templo pediram concordata!

Para que o profético apareça no horizonte, nas palavras e nas práticas das igrejas, torna-se necessário que estas leiam a realidade. Não é, pois, a “leitura” do sagrado que faz aflorar o profético, pelo contrário, é a “leitura” do mundo que torna transparente as potencialidades dos sonhos proféticos. Neste sentido, o berço da profecia está “do lado de fora”, isto é, do lado de fora do sagrado. Encontra-se assim no chamado profano. Sem um acesso a este profano, ao que as pessoas vivem, à realidade, aos sinais dos tempos, não aflora nem a palavra, nem a prática profética.

“A quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor” (Lucas 7,36 - 8,3) - Tomaz Hughes SVD

O trecho de Lucas de hoje - por sinal riquíssimo - trata de três temas característicos deste Evangelho:

- a misericórdia de Deus
- o relacionamento de Jesus com as mulheres
- o perigo que todos nós corremos de nos considerarmos “justos”, desprezando os outros.

Lucas é um verdadeiro artista de palavras. Torna-se quase impossível ler ou ouvir este trecho sem imaginar a cena. Jesus e os convidados, não sentados à mesa, mas reclinados sobre almofadas; a chegada da mulher, desprezada na vila por todos, com certeza sentindo-se humilhada, mas movida por uma força maior, que a faz enfrentar corajosamente o desprezo dos outros e entrar sem convite na casa de um fariseu - coisa inédita! Mas quem é impulsionado pelo amor e pela experiência de Deus não mede esforços. Depois, as lágrimas - não de tristeza, mas de gratidão, de alívio, de uma profunda alegria do ser - o enxugar dos pés, o perfume.

A reação de Simão, o fariseu, é de se esperar! Ele, que se julga “justo” e não “pecador”, - e com razão, segundo os critérios da sociedade e da religião oficial do tempo - se dá o direito de julgar tanto a mulher como a Jesus. Para ele - como para muitos de nós - ser justo é cumprir as leis, e assim deixar de ser pecador. Cumprir as leis, Simão faz minuciosamente! Assim ele se justifica (se torna justo), dispensando, na realidade, a graça e o perdão de Deus. Quem considera que não esteja necessitado de perdão, jamais será capaz de entender a sua força transformadora, que nos capacita para o amor.

A moça do perfume (Lucas 7,36-8,3) - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

O texto de hoje deixa transparecer outro aspecto do Novo que Jesus trouxe. Na sociedade e na religião do tempo de Jesus, as mulheres eram excluídas e discriminadas. Ao redor de Jesus, porém, homens e mulheres se reuniam em igualdade de condições. Durante a leitura do texto somos convidados a prestar atenção na seguinte questão: Qual atitude de Jesus para com as mulheres que aparecem no texto?

SITUANDO

No capítulo 7 do Evangelho de Lucas, Jesus continua abrindo o caminho, revelando o Novo. A transformação vai acontecendo. Jesus acolhe o pedido de um estrangeiro não judeu (Lucas 7,1-10) e ressuscita o filho de uma viúva (Lucas 7,11-17). A maneira de Jesus conceber o Reino surpreende cada vez mais aos irmãos judeus que não estavam acostumados com a abertura de Jesus. Até João Batista fica meio perdido e manda perguntar: "É o senhor ou devemos esperar por outro?" (Lucas 7,18-30). Jesus chega a denunciar a incoerência dos seus patrícios: "Vocês parecem crianças que não sabem o que querem!" (Lucas 7,31-35). E agora, aqui no nosso texto, outro aspecto do Novo começa a aparecer. É a atitude de Jesus para com as mulheres.

Na época do Novo Testamento, a mulher vivia marginalizada. Na sinagoga ela não participava, na vida pública não podia ser testemunha. Muitas mulheres, porém, resistiam contra a exclusão. Desde os tempos de Esdras, a resistência da mulher vinha crescendo, como transparece nas histórias de Judite, Ester, Rute, Noemi, Suzana, da Sulamita e de tantas outras. Esta resistência encontrou eco e acolhida em Jesus. No episódio da moça do perfume transparecem o inconformismo e a resistência das mulheres no dia a dia e o acolhimento que Jesus lhes dava.

COMENTANDO

Mulheres nas universidades: por que precisamos aprender a contar?

Há algumas semanas, um post de Cristiane Brasileiro ganhou grande atenção nas redes sociais. Ela mostrava, de forma clara, como as mulheres começam como maioria na graduação e terminam como minoria chocante nos mais altos círculos de poder.

A pergunta que não quer calar é: o que faz com que as mulheres parem no meio do caminho? Ainda há muito a percorrer para apontarmos todas as fontes de desigualdade no mundo acadêmico, mas fica aqui o convite de Cristiane Brasileiro à reflexão.

MULHERES QUE CONTAM

A Folha de S. Paulo publicou no dia 9 de abril uma enquete junto a um grupo de intelectuais a respeito de um eventual impeachment da presidenta Dilma Rousseff. No mesmo dia, a professora Giovanna Dealtry, do curso de Letras da UERJ, resolveu fazer uma conta simples e publicar o resultado nas redes sociais: dos 30 entrevistados, só três mulheres.

A partir dessa provocação, muita gente se pronunciou repudiando o viés visivelmente sexista que estava presente nas escolhas do jornal. No entanto, lamento dizer: só houve a repetição de um padrão de desequilíbrio na representação dos gêneros que tem sido largamente assumido dentro da própria comunidade acadêmica.

Brasil é primeiro lugar em exploração sexual na América Latina

O Estatuto da Criança e Adolescência (ECA) completou 25 anos de existência em julho. O ECA foi fruto de inúmeros debates e mobilizações na sociedade para garantir direitos e leis que protejam a infância e adolescência de qualquer forma de violência. Contudo, sua aplicação não impediu que o Brasil ocupasse o primeiro lugar em exploração sexual infanto-juvenil na América Latina.

Os dados são alarmantes: a Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que o tráfico de seres humanos para exploração sexual movimenta cerca de U$ 9 bilhões no mundo e só perde em rentabilidade para a indústria das armas e do narcotráfico. A cada hora, 228 crianças, em especial meninas, são exploradas sexualmente em países da América Latina e do Caribe.

Dos 5.561 municípios brasileiros, em 937 ocorre exploração sexual de crianças e adolescentes. O número representa quase 17% dos municípios de todo país. A Região Nordeste é a que mais cresce em número de visitantes estrangeiros (cerca de 62% são da União Europeia), segundo o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Cruzam o país ao menos 110 rotas internas e 131 rotas internacionais relacionadas ao tráfico de mulheres e adolescentes com menos de 18 anos para fins de exploração sexual.

Comércio Sexual

O filho da viúva de Naim (Lucas 7,11-17) - Katia Rejane Sassi

O texto da ressurreição do filho da viúva de Naim (Lucas 7,11-17) só se encontra no evangelho de Lucas. Em seu ministério pela Galileia, Jesus se aproxima de uma pequena aldeia chamada Naim, próxima de Nazaré, onde se depara com uma cena comovente.

Vida x morte: dois cortejos se encontram

O evangelista Lucas relata dois cortejos, duas procissões que se encontram na entrada da aldeia de Naim.

De um lado, o cortejo de morte, dos sem esperança, que sai da cidade: uma grande multidão acompanha a mãe viúva que leva seu filho único para ser sepultado. Naquele tempo, os cadáveres eram considerados impuros e, por isso, eram enterrados fora dos muros das cidades judaicas.

Do outro lado, o cortejo da vida que entra na cidade: Jesus é acompanhado de seus discípulos e também de uma grande multidão. Lucas emprega pela primeira vez o título de "Senhor", indicando que ele é o Cristo, o Senhor da Vida. 

As lágrimas de uma mãe viúva

Lançado o Livro Cosmovisão Africana e o Povo de Israel

Foi lançado o livro de nossa companheira de caminhada Maria de Fátima Castelan, mais conhecida como Fatinha. 

Segundo a autora, todos os povos expressam, em forma de mitos, suas origens. São histórias do começo do mundo, das pessoas, com ação direta das divindades. As buscas por respostas às questões fundamentais da existência humana marcam as diferentes culturas e tradições. Seguindo as reflexões de Croatto (1996), compreende-se que os acontecimentos são narrados de forma mitológica buscando o "sucesso primordial" para expressar elementos da realidade que pode ser transformada.

O livro tem o objetivo de aproximar a mitologia do povo de Israel e Judá e a mitologia africana, identificando os pontos comuns, destacando os pontos convergentes entre essas práticas culturais e religiosas.

Em breve teremos no CEBI-ES exemplares para a venda.

Parabéns Fatinha pelo Trabalho.

“Uma brecha no armário” para entender a diversidade - Entrevista com André Musskopf

André S. Musskopf é autor do livro “Uma brecha no armário”, publicado pelo CEBI em 2015. O livro aborda questões relacionadas a sexualidade, homossexualidade e teologia da libertação. Em entrevista ao CEBI, André contou sobre o processo de pesquisa e as perspectivas da “teologia gay” ou “teologia e diversidade sexual”, como ele se refere ao termo mais atual para a temática.

Para o pesquisador a teologia em tensão com a diversidade sexual tem potencial de se tornar um local de fala importante para a comunidade LGBTI. Ele propõe a ocupação dos espaços religiosos por diferentes pessoas, com diferentes opções sexuais e identificações de gênero. “Talvez a questão chave seja inverter a pergunta que geralmente é feita – ‘o que a Bíblia diz sobre homossexualidade’ – e assumir como ponto de partida a realidade vivida de pessoas homossexuais – ‘o que homossexuais têm a dizer sobre a Bíblia’.”

A realidade a que André se refere, é uma realidade de preconceito e violência. No Brasil a cada hora, um gay sofre violência. Os dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República são de 2014, hoje, dois anos depois, a Secretaria não existe mais. Outro dado do relatório sobre violência homofóbica e transfóbica no Brasil apontou quase 10 mil denúncias de violações de direitos humanos relacionadas à população LGBTI. Nos últimos quatro anos as denúncias ligadas a homofobia aumentaram 460%.

Os espaços de convivência religiosa, neste contexto, deveriam cooperar para inserção dessas pessoas que ainda sofrem tanto preconceito na sociedade. Para André quando a religião se fecha para essas pessoas, elas acabam entrando em contradição. “Para muitas pessoas LGBT a vivência de sua sexualidade e a experiência de fé” surgem como ideias contraditórias, o que “causa grande sofrimento e angústia”.