O testamento de Jesus; Comunidade, espelho da Trindade (Jo 17,11-26) [Mesters, Lopes e Orofino]

1. Situando

1.1. O capítulo 17 traz uma oração de Jesus que, às vezes, é chamada de “Oração Sacerdotal”. Talvez seja melhor chamá-la de “Testamento de Jesus”. Ela é o final de uma longa e profunda reflexão de Jesus, iniciada no capítulo 15, sobre a sua missão no mundo. As comunidades conservaram estas reflexões para poderem entender melhor o momento difícil por que elas mesmas passavam: tribulação, abandono dúvidas, perseguição. A reflexão termina com uma oração de Jesus pelas comunidades (Jo 17,1-26). Nela transparecem os sentimentos e as preocupações que, conforme o evangelista, estavam em Jesus no momento de sair deste mundo. É com esta preocupação que Jesus está agora diante do Pai, intercedendo por nós. Por isso é o testamento de Jesus.

1.2. O capítulo 17 é um texto diferente. É mais de amizade do que de raciocínio. Antes de ser analisado pela cabeça, deve ser meditado e acolhido no coração. Aqui vale o que dissemos anteriormente a respeito do discurso do Pão da Vida: “É um texto não tanto para ser discutido, e sim para ser meditado e ruminado. Não se preocupe, se não entender tudo. É um texto que exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-
lo. Um texto assim devemos ler, meditar, reler, repetir, ruminar, como se faz com uma bala gostosa na boca. Vai virando e virando, até se gastar.”

2. Comentando

2.1. João 17,1-3: Chegou a hora!

“Pai, chegou a hora!” É a hora longamente esperada (Jo 2,4; 7,30; 8,20; 12,23.27; 13,1; 16,32). É o momento da glorificação que se fará através da morte e ressurreição. Chegando ao fim da sua missão, Jesus olha para trás e faz uma revisão. Nesta prece, ele expressa o sentimento mais íntimo do seu coração e a sua descoberta mais profunda: a presença do Pai em sua vida.

Na praça – um encontro e reencontro com Deus - Antonio Marcos Lacerda Dos Santos

E lá estava eu, perdido na praça, sem rumo, sem família e sem esperança.
A morte era minha companheira e o meu teto era o céu estrelado.
Não podia confiar em ninguém, pois o inimigo estava ao meu lado, 
dividindo a morte comigo e me ajudando a ir mais fundo.
Em um lamaçal de pecados, de dor e gritos no escuro,
não tinha com quem falar ou me abrir
e quando tentei me expressar,
chorar é o que consegui.
As noites que eu menos comia eram as noites de domingo.
Eu via crentes voltando dos cultos, mas eles não me viam.
Devem estar muito ocupados em voltar para casa e certamente desconfiados
afinal eu não sou gente,
sou um maltrapilho e desgraçado
O que Jesus faria aos domingos?
Sentaria ele comigo na praça, pois veria que estou morrendo,
ou sairia de um culto "avivado" como se nada estivesse acontecendo?
Pai, se o que eles mostram nas igrejas atuais é a tua face,
eu não, eu não quero te conhecer,
pois eles investem em templos e paredes, enquanto me veem morrer
Fique longe de mim, por favor, mantenha distancia,
pois se essa é a tua face, confesso perder esperanças.
Deus onde tu estás? Deus onde tu te escondes?
Na praça Te reencontrei!

*Por Antonio Marcos Lacerda Dos Santos – Estudante de Teologia na Faculdade unida. Ele atua numa pastoral junto às pessoas em situação de rua. Escreveu esta poesia depois de um encontro e conversa com Rafael, jovem em situação de rua, de apenas 28 anos, usuário de craque. O encontro e o reencontro com Deus abscôndito no praça, espaço público dos pobres. Enviado por Claudete Beise Ulrich – professora de teologia – Faculdade Unida de Vitória-ES.

Fonte: CEBI Nacional

Agrotóxicos, terra e dinheiro: a discussão que vem antes da prateleira

A geógrafa Larissa Mies Bombardi fala sobre a legislação que regula estes produtos no Brasil e defende uma agricultura sem agrotóxicos

O Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de países que mais consomem agrotóxicos. O uso massivo desses produtos é explicado por uma economia que exporta commodities em grande escala, em especial a soja, e um modelo de agronegócio baseado em grandes extensões de terra produzindo poucas culturas.

Nos últimos cinco anos, a geógrafa Larissa Mies Bombardi tem se dedicado a estudar o impacto do uso dos agrotóxicos no país, em especial a partir do mapeamento dos casos de intoxicação – segundo a professora, de 2007 a 2014 foram notificados 1186 casos de morte por intoxicação com agrotóxicos.

Coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Larissa comenta o Projeto de Lei em tramitação na Câmara que concentra no Ministério da Agricultura o controle do registro dos agrotóxicos, responsabilidade que hoje é compartilhada com órgãos dos Ministério da Saúde e do Meio Ambiente. A pesquisadora fala também sobre como os recentes casos de microcefalia associados ao vírus zika podem acabar contribuindo para a aprovação de medidas que autorizam a pulverização de áreas urbanas com agrotóxicos para o combate ao mosquito.Larissa Mies Bombardi | Foto: Cecília Bastos

Qual o foco da sua pesquisa sobre o uso de agrotóxicos no Brasil?

Estudo em Cariacica

Foi numa quarta-feira, dia 06 de abril de 2016 ainda em clima pascal que nos reunimos, Ivonete, Suely e Vania com mais vinte pessoas da Comunidade Nossa Senhora da Penha de Morada de Santa Fé - Paróquia do Bom Pastor de Campo Grande - Cariacica. Era um grupo de pessoas ligadas aos Círculos Bíblicos ou Evangelho no Lar como eles dizem aqui que se reuniu para aprofundar a metodologia da Leitura Popular da Bíblia.

Desenvolvemos o trabalho a partir do Bibliodrama com o texto de Lc 24, 13-35: @s discípul@s de Emaús. No final do encontro partilhamos o pão e pedimos "Fica conosco Senhor, é tarde e a noite já vem, fica conosco Senhor somos teus seguidores também".

Clique aqui e veja as fotos.

10º Encontro Nacional de Fé e Política

Foi realizado, nos dias 22, 23 e 24 de abril, o 10º Encontro Nacional de Fé e Política. O evento reuniu cerca de 500 pessoas, entre lideranças, religiosos de diferentes igrejas, sociólogos, professores, militantes e estudantes vindos de todas as regiões do Brasil, na Universidade Federal de Campina Grande (PB).

A ação foi uma realização do Movimento Nacional de Fé e Política, em parceria com a Diocese local e a Cáritas. Houve momentos de plenárias e de grupos temáticos, além de palestras e painéis, com temas como “Entendendo as Crises”, “Águas da Solidariedade, Convivência com o Semiárido”, “Espiritualidade do Cuidado com a Vida” e “Sementes de Esperança”. Nos grupos temáticos, o participante pôde escolher uma das 22 opções, que traziam temáticas diversificadas, como Crise Climática, Juventude e Transformação Social, Protagonismo Popular, Democratização da Mídia, Crise do Modelo Partido Político, entre outros.

Clique aqui  e veja as fotos.

Dia da Terra é comemorado com encontro internacional na ONU

O Dia Internacional da Terra, data comemorada todos os anos em 22 de abril, começou com um momento histórico. Nesta sexta-feira (22), mandatários e representantes de 171 países estão reunidos na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, para assinar o Acordo de Paris sobre a Mudança do Clima. 

Começando com um discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o encontro entre nações tem como objetivo a ratificação do documento que foi criado com base na reunião internacional sobre o clima que aconteceu na capital francesa em dezembro do ano passado. 

No acordo, a principal meta apresentada é a de limitar o aumento da temperatura global em pelo menos de 2°C. 

"É uma corrida contra o tempo, a janela para manter o aumento da temperatura global abaixo 2 °C e, ainda mais importante, abaixo de 1,5 °C, está se fechando rapidamente", afirmou o secretário em seu discurso de abertura da cerimônia. 

"São 171 os países que estão aqui para ratificar. Estamos alcançando um recorde nesta sala, mas também fora, sobre as temperaturas globais, sobre o derretimento das geleiras e sobre o nível de gás carbônico na atmosfera. Por isso, peço a todas as nações que assinem rapidamente o Acordo de Paris, de modo que este possa entrar em vigor o mais rápido possível", concluiu Ban Ki-Moon. 

O encontro já representa um recorde já que ao menos 160 países já afirmaram que que assinarão o acordo, volume que supera o recorde anterior de 119 assinaturas conseguidas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que ocorreu na Jamaica em 1982. 

Semana dos Povos Indígenas 2016 Povos indígenas: sementes de solução e fontes de esperança

Na luta pelo Cuidado da Casa Comum, todos os povos filhos da Mãe Terra são chamados a somar. Os povos indígenas são mestres e sábios nesta reciprocidade e solidariedade cuidadosa com a Casa Comum, Mãe Terra, e com todos os seres que nela habitam. Os povos indígenas são sementes de solução e fontes de esperança para a humanidade e o planeta.

Na Encíclica Laudato Si (LS) — Louvado Sejas: Sobre o Cuidado da Casa Comum, divulgada em junho de 2015, o Papa Francisco faz questionamentos profundos para todos nós, para a humanidade, e convida-nos a ter coragem. “O que está acontecendo na nossa casa?” (LS, Cap. I); “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” e “Com que finalidade passamos por este mundo? Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?” (LS, 160), são alguns desses questionamentos.

O Papa insiste e menciona “a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida” (LS, 16).

Estas perguntas, questionamentos e denúncias são profundamente indígenas. Os povos indígenas vêm questionando há 500 anos toda a depredação e violência contra a Mãe Terra, imposta pelo Ocidente com seu modelo econômico e de desenvolvimento severamente destruidor.

Na luta pelo Cuidado da Casa Comum, todos os povos filhos da Mãe Terra são chamados a somar. Os povos indígenas são mestres e sábios nesta reciprocidade e solidariedade cuidadosa com a Casa Comum, Mãe Terra, e com todos os seres que nela habitam. Os povos indígenas são sementes de solução e fontes de esperança para a humanidade e o planeta.

Jovens luteranos: Manifestação em defesa de um Estado laico de fato

No último domingo, 17 de abril, vivemos um verdadeiro ataque ao Estado laico. É lastimável que mais de uma centena de deputados e deputadas tenham feito uso do nome de Deus ou justificar com os votos que recebeu de alguma Igreja, para votar SIM ou NÃO pela abertura do processo de Impeachment.

Neste contexto, nós, pessoas jovens luteranas, reafirmamos: “A IECLB faz parte da tradição protestante que se empenha pela separação de religião e Estado. Preconiza a defesa do Estado laico. A IECLB incentiva sempre a participação em partidos políticos como canais institucionais que expressam valores e ideologias presentes na sociedade brasileira. Condena vícios nefastos presentes na cultura política brasileira. Dentre eles, destaca-se o clientelismo, o coronelismo e a defesa de interesses meramente corporativos e pessoais. Por isso, para a IECLB, o assédio às pessoas identificadas com a fé evangélica por parte de candidatos/as e a tentativa de transformá-las em um curral eleitoral representam um grande desserviço à democracia. […] Com base nessa visão, torna-se CONDENÁVEL o uso e abuso de símbolos religiosos ou mesmo o nome de Deus como forma de sensibilização para ganhar o voto das pessoas” (Carta Pastoral – Eleições 2014).

Entre nessa campanha pelo Estado laico e poste uma foto com as hashtags e reafirme seu compromisso com a laicidade do Brasil.

#NãoEmMeuNome
#NãoEmNomeDeDeus

Fonte: CONIC

Amem-se uns aos outros como eu vos amei (João 13,31-35) - Tomaz Hughes e Carlos Mesters

O texto situa-se no contexto do último Discurso de Jesus, durante a Ceia Pascal. O Discurso começa logo após a saída de Judas a caminho da traição, depois que Jesus lhe disse "o que você pretende fazer, faça-o logo" (João 13, 27). Com a licença oficial dada ao agente de Satanás para iniciar o processo que iria matá-lo, Jesus começa o processo da sua glorificação.

A sua fidelidade ao projeto do Pai vai levá-lo à Cruz, que, no Quarto Evangelho, não é um sinal de derrota, mas da vitória última e permanente de Deus. Por isso, a morte de Jesus, aparente vitória do mal, será a glorificação de Jesus e, nele, do Pai. O anúncio da sua partida, para os judeus uma ameaça (v. 33), é para a comunidade dos seus discípulos um momento de emoção e carinho. A sua última dádiva a eles é um novo mandamento: "eu dou a vocês um novo mandamento: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem amar-se uns aos outros" (v. 34).

O que há de novo neste mandamento?
O que diferencia a proposta de amor de Jesus e dos seus seguidores de outras propostas já conhecidas?

O mundo do tempo de Jesus, tanto na sociedade pagã como judaica, conhecia propostas de amor mútuo. O mandamento de Jesus é novo, em primeiro lugar, porque ele se impõe como exigência essencial para entrar na comunidade "escatológica". Essa é a comunidade que já experimenta a presença do Reino de Deus, mesmo que ainda espere a sua plena realização. Ou seja, é uma comunidade que experimenta a salvação já realizada em Jesus, enquanto ainda experimenta a sua situação permanente de fraqueza.

Inconfidência latino-americana - Marcelo Barros

A cada 21 de abril, o Brasil para em memória dos homens e mulheres que, no século XVIII, fizeram a Inconfidência Mineira para libertar o país do império português. Nós aceitamos a advertência da História no sentido de superar certo idealismo na forma de interpretar os inconfidentes e a sua luta. No entanto, mesmo hoje, continuamos a ter de vencer as novas formas de colonialismo que tentam dominar o Brasil e toda a América Latina. Mais do que nunca, é preciso lutar por uma verdadeira “liberdade ainda que tardia”. Atualmente, o império é outro e as condições sociais e políticas do continente são diferentes das que vivíamos no século XVIII. Entretanto, a cada momento, a independência social e política nossa, assim como a de todos os países irmãos da América Latina, conquistada depois de tantas lutas e tanto sangue está em questão. Mesmo autores que não fazem romance de espionagem nem estimulam “teorias da conspiração” concordam que, na América Latina, o governo dos Estados Unidos tem como prioridade retomar uma hegemonia na região. Seu interesse é o controle do comércio, perdido no início dos anos 2000. Quer também, a partir do comércio, exercer novamente uma liderança política que tem muito do velho colonialismo. Mesmo se as ações são clandestinas e disfarçadas, qualquer pessoa minimamente informada sabe que, em pleno século XXI, através da sua embaixada em nossos países, o governo dos Estados Unidos continuam a suscitar e financiar constantemente golpes de Estado e desestabilização social e política em nossos países. A História já comprova o financiamento norte-americano no golpe militar em Honduras, (2009) e no Paraguai (2012). Sinais evidentes apontam para financiamento norte-americano da campanha do atual presidente da Argentina. E, como diz Jesus, “até as pedras vão gritar” que a embaixada dos Estados Unidos financia a oposição, na Venezuela, ao governo bolivariano e na Bolívia e Equador tenta tudo para destruir o novo caminho iniciado com governos mais populares.

O sociólogo Paulo Canabrava Filho escreve: “Junto com Chile, Colômbia, México, Costa Rica e Panamá, o Peru assinou a “Aliança do Pacífico”, acordo de cooperação política, militar e de inteligência, assim como de livre comércio com os Estados Unidos. E o governo norte-americano já instalou 12 bases miliares em território peruano, com o pretexto de combate ao narcotráfico. O número de marines desembarcados (ou invasores?) pode chegar a dez o doze mil” (Revista Diálogos do Sul, março 2016). No Equador, o presidente Rafael Correia declarou que o seu país está totalmente aberto a que os Estados Unidos instalem bases militares no Equador desde que também o Equador possa instalar bases militares suas em território norte-americano.

Povos Indígenas no Brasil: 516 anos sofrendo golpes

“Nós resistimos a mais de 516 anos de golpes. Querem nos calar. Vamos gritar mais forte. Estamos dando continuidade à luta dos povos originários desse país. Estou indignado, mas não irado. Estamos prontos para a guerra. Se me matam vou renascer”. Essas são algumas das manifestações da delegação dos índios Xakriabá, de Minas Gerais.

Um novo amanhecer

Mal os primeiros clarões de mais um belo dia de outono se projetam sobre o Centro de Formação Vicente Cañas, e os Xakriabá iniciam seus rituais: pinturas corporais, afastamento de maus espíritos, agradecimentos e pedido de forças a Tupã e aos encantados. Terão pela frente uma missão nada fácil. Lutar pelos direitos dos povos indígenas num contexto extremamente polarizado entre os que pleiteiam o impedimento da presidente Dilma e os que avaliam essa postura como um golpe.

De uma coisa eles têm certeza: deverão estar unidos, articulados e mobilizados pelos seus direitos, seja lá qual for o desfecho da atual crise. Havendo impeachment ou não. É com essa convicção que partiram resolutos para o espaço do acampamento da Frente Brasil Popular, integrada pelos movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos, povos e comunidades tradicionais, trabalhadores sem terra, movimento dos pequenos agricultores, atingidos por barragens, movimento das mulheres camponesas, dentre outros. Não alimentam ilusões diante da malograda política indigenista do atual governo, mas confiam no poder de transformação social a partir da luta e aliança de todas as vítimas históricas desses momentos de profundas crises econômica, política, social e ambiental. Continuarão exigindo seus direitos, independente dos desfechos conjunturais. A demarcação dos seus territórios será exigida, pois se trata de direitos constitucionais originários, portanto anteriores à criação do Estado brasileiro. Igualmente denunciarão, em fóruns nacionais e internacionais, as violências, a criminalização, as omissões e a falta de políticas públicas eficazes para a garantia de seus direitos. Estarão combatendo a PEC 215 e todas as iniciativas no Congresso, que visam tirar os direitos indígenas. Denunciarão a criminalização de lideranças indígenas, funcionários da Funai e aliados.

Um golpe parlamentar e a volta reacionária da religião, da família, de Deus e contra a corrupção - Leonardo Boff

Observando o comportamento dos parlamentares nos três dias em que discutiram a admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff parecia-nos ver criançolas se divertindo num jardim da infância. Gritarias por todo canto. Coros recitando seus mantras contra ou a favor do impedimento. Alguns vinham fantasiados com os símbolos de suas causas. Pessoas vestidas com a bandeira nacional como se estivessem num dia de carnaval. Placas com seus slogans repetitivos. Enfim, um espetáculo indigno de pessoas decentes de quem se esperaria um mínimo de seriedade. Chegou-se a fazer até um bolão de apostas como se fora um jogo do bicho ou de futebol.

Mas o que mais causou estranheza foi a figura do presidente da Câmara que presidiu a sessão, o deputado Eduardo Cunha. Ele vem acusado de muitos crimes e é réu pelo Supremo Tribunal Federal: um gangster julgando uma mulher decente contra a qual ninguém ousou lhe atribuir qualquer crime.

Precisamos questionar a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal por ter permitido esse ato que nos envergonhou nacional e internacionalmente a ponto de o New York Times de 15 de abril escrever: “Ela não roubou nada, mas está sendo julgada por uma quadrilha de ladrões”. Que interesse secreto alimenta a Suprema Corte face a tão escandalosa omissão? Recusamos a idéia de que esteja participando de alguma conspiração.

Número de mortes no campo no país é o maior desde 2003, aponta relatório

O número de camponeses assassinados por conta de conflitos no campo em 2015 foi o maior em 12 anos. Segundo relatório divulgado na tarde desta sexta-feira (15) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, foram 50 mortes violentas --39% a mais que em 2014, quando foram 36 vítimas.

Em 2003, foram 71 mortes, o maior número registrado no século. Desde 1995, são 759 mortes registradas no país por conta de conflitos.

Segundo o relatório, 80% dos assassinatos ocorreram na região Norte. Apenas dois Estados registraram quase todas as mortes da região: Rondônia, com 20 casos, e o Pará, com 19. O Amazonas completa a lista, com uma morte.

Na região da Amazônia Legal, a CPT ainda computou outras sete mortes: seis no Maranhão e uma no Mato Grosso.

Para a CPT, a concentração de crimes na região amazônica se deve ao agronegócio.

"A expansão da soja e da pecuária para a região, aliado à mineração e à extração madeireira, exige do poder público a infraestrutura necessária para garantir seus vultosos lucros. Constroem-se hidrelétricas e seus linhões, portos e aeroportos, planejam-se hidrovias e se abrem e asfaltam estradas. Tudo leva à valorização das terras. Está pronto o caldo para o aumento e o acirramento dos conflitos", afirma a CPT.

Outro ponto apontado como responsável é a falta de regularização fundiária das terras.

Declaração da CNBB sobre o momento nacional

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, na tarde desta quinta-feira, 14 de abril, Declaração sobre o momento nacional, dentro das atividades da 54ª Assembleia Geral da CNBB, que acontece em Aparecida (SP), de 6 a 15 de abril. Na ocasião, participaram o arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha; o arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente, dom Murilo Krieger; o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner. 

Frente à crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país, o episcopado brasileiro conclama "o povo brasileiro a preservar os altos valores da convivência democrática, do respeito ao próximo, da tolerância e do sadio pluralismo, promovendo o debate político com serenidade. Manifestações populares pacíficas contribuem para o fortalecimento da democracia. Os meios de comunicação social têm o importante papel de informar e formar a opinião pública com fidelidade aos fatos e respeito à verdade".

Confira a íntegra do texto:

DECLARAÇÃO DA CNBB SOBRE O MOMENTO NACIONAL

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz” (Jo 3,21).

Nós, bispos católicos do Brasil, reunidos em Aparecida, na 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frente à profunda crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país, trazemos, em nossas reflexões, orações e preocupações de pastores, todo o povo brasileiro, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes, 1).

Semana de Oração 2016 e o diálogo da diversidade

Com o lema bíblico “Chamados e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor”, a Semana de Oração (SOUC) de 2016 convoca o povo de Deus para refletir sobre a diversidade religiosa. Abordando também as “ondas migratórias” que ocorrem hoje em todo o mundo, em que diferentes povos “sofrem as consequências das ocupações violentas em seus territórios”. “Muitas pessoas são obrigadas a deixar seus países por causa da intolerância religiosa e de explorações econômicas”.

Os movimentos migratórios expressivos durante o ano de 2015, e que seguem em 2016, “revelam uma face cruel da humanidade: as guerras e os fundamentalismos religiosos e econômicos que desrespeitam os direitos humanos”. O acolhimento e o diálogo são os pontos que unem os povos em torno da oração.

Trazendo a discussão para o Brasil, podemos contribuir muito para o debate visto que nossa sociedade é diversa e miscigenada, mas ainda assim enfrenta graves problemas como o racismo e a desigualdade social. Como podemos conviver com a diversidade de ideias e o respeito? É por isso que o tema da Semana da Oração pela Unidade Cristã convoca os “chamados e as chamadas” a “proclamar os altos feitos do Senhor“, ou seja, significa a “superação de toda e qualquer prática de intolerância e preconceito”.

Sobre a SOUC

“O Pai e eu somos um” (Jo 10,27-30) [Pe. Tomaz Hughes SVD]

O texto de hoje situa-se no contexto de uma polêmica nos arredores do Templo, entre Jesus a as autoridades judaicas, na ocasião da Festa da Dedicação do Templo. Nos versículos anteriores, as autoridades desafiaram Jesus para que se declarasse abertamente o Messias. Ele respondeu que já tinha mostrado isso muitas vezes, através das suas obras, mas que eles não queriam acreditar, pois não eram as suas ovelhas.

Assim, fica claro que as ovelhas são os discípulos, pois o verdadeiro discípulo ouve a palavra do Senhor e o segue. São conhecidos por Ele - e aqui cumpre lembrar que na linguagem bíblica, a palavra “conhecer” tem conotações mais profundas do que no nosso uso comum. Significa não tanto um saber intelectual, mas uma intimidade profunda do amor. Assim, a bíblia muitas vezes até usa o verbo “conhecer” para significar relação sexual. Assim, Maria questiona o anjo, pois Ela “não conhece” homem (Lc 1, 34). O verdadeiro discípulo é aquele ou aquela que realmente tem um relacionamento de intimidade com Deus e que põe em prática a sua palavra. E quem conhece Jesus, conhece o Pai, pois “o Pai e eu somos um”, como diz Jesus no nosso texto.

O versículo 28 afirma que Jesus dá a vida eterna aos seus seguidores. Esse é um tema típico de João; e, outros textos do evangelho podem nos ajudar a aprofundá-lo. No Último Discurso, Jesus explica em quê consiste a vida eterna: “A vida eterna é esta: que eles conhecem a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17, 3). Mais uma vez, liga o conceito da vida eterna com O de “conhecer”.

Ninguém as arrebatará da minha mão (Jo 10,27-30) - Sônia Mota e Nelson Kilpp

OLHANDO O CONTEXTO

O texto sobre o qual vamos refletir hoje faz parte do conhecido complexo que trata da relação entre o pastor e o seu rebanho (Jo 10). Busca-se, nesse capítulo, responder à questão: quais são os fundamentos da relação entre Jesus e sua comunidade? O trecho em foco, João 10,27-30, nasce, como tantos outros, do confronto entre Jesus e um grupo de judeus. Discute-se, aqui, como se pode estabelecer uma relação autêntica e duradoura com Deus. Para alguns judeus, o templo é a base desse relacionamento.

O confronto se deu quando Jesus estava no templo por ocasião da Festa da Dedicação ou da Purificação. Essa festa lembrava a purificação do Templo de Jerusalém, na época dos macabeus, três anos após o altar do templo ter sido profanado, ou seja, ter sido usado para oferecer sacrifícios ao Deus maior dos gregos, Zeus. A festa representava, portanto, a expulsão dos elementos estrangeiros do centro religioso da comunidade e a recuperação da identidade judaica baseada na pureza ritual e no exclusivismo étnico e religioso.

O templo era, sem dúvida, um dos mais importantes elementos de agregação da comunidade judaica e, por isso, da preservação da sua identidade. Mas essa identidade estava sendo ameaçada com as afirmações que Jesus fazia sobre si, sobre Deus e sobre a natureza da relação com Deus. Jesus propunha uma relação com Deus, na qual a fé e a confiança são determinantes. Fé e confiança como base de uma relação de amizade sustentável com Deus e entre as pessoas costumam dispensar normas de pureza e ritos estipulados pela Lei. As pessoas que aderiam a essa proposta de Jesus passaram a desconsiderar as tradicionais normas de vida estabelecidas pela centralidade do templo. Isso podia ser entendido como ameaça à identidade de diversos grupos no judaísmo.

5ª Etapa do Curso Bíblia Caminho de Libertação

Nos reunimos no dia 08 e 09 de abril de 2016 para mais uma etapa do Curso Bíblia Caminho de Libertação.

Fomos com o povo da Bíblia para o Exílio. Conhecemos suas angústias, suas dores, seus prantos... 50 anos lá estivemos, éramos muitos, éramos os mais pobres dos pobres numa terra estrangeira...

Juntos com o profeta Ezequiel lançamos um olhar sobre essas realidades de exclusão e opressão, e fortalecemos nossa caminhada hoje na defesa dos que estão na mesma situação que vivia o povo da Bíblia na Babilônia.

Clique aqui e veja as fotos.

Abraço e até o próximo encontro!


A esperança da Terra - Marcelo Barros

É estranho que, em um mundo cada vez mais urbano e no qual as representações diplomáticas estão nas mãos da classe média alta, a ONU tenha proclamado o dia 17 de abril como “dia internacional da luta camponesa”. Nessa data, em 1996, ocorreu o grande massacre de lavradores sem-terra, em Eldorado de Carajás no Pará. A chacina chocou mesmo um Brasil pouco sensível à morte de lavradores e a um mundo habituado a conviver com genocídios.

Hoje, no Brasil, vinte anos depois, movimentos populares e especialmente de lavradores pobres continuam sendo discriminados e até criminalizados por muitos órgãos de imprensa. No entanto, a ONU e organismos internacionais idôneos têm reconhecido os benefícios que a caminhada dos lavradores sem terra e dos pequenos proprietários tem significado. A revalorização das sementes crioulas, a promoção da agroecologia e a instauração de eficientes cooperativas camponesas têm respondido à esperança das pessoas que trabalham por um mundo mais justo e em comunhão com a natureza.

Nesse ano, a Campanha Ecumênica da Fraternidade, coordenada por seis Igrejas cristãs e por vários organismos de solidariedade, propõe o cuidado com a Terra, nossa casa comum e com a Água, especialmente no desafio de estender a todo o povo o Saneamento Básico. Em todo o Brasil, esse cuidado com a Terra e a Água tem se desenvolvido mais nas cooperativas e assentamentos de lavradores.

“A Rede Não Arrebentou” (Jo 21, 1-19) - Pe. Tomaz Hughes SVD

Quase todas as traduções da Bíblia intitulam o capítulo 21 de João como “Apêndice” ou “Epílogo”. Realmente, em uma primeira edição, o evangelho terminava no capítulo 20. Mas, devido a uma situação nova nas comunidades, se tornou necessária a adição do último capítulo. Essa situação era a fusão de dois tipos de comunidades cristãs - as da tradição sinótica ou apostólica, e as da tradição da comunidade do Discípulo Amado. Essa fusão aconteceu pelo fim do primeiro século e é simbolizada nos versículos 15-18, onde Pedro recebe a primazia e a missão de pastor dos discípulos. Mas somente depois de ter afirmado três vezes que amava Jesus. A comunidade do Discípulo Amado aceita a função apostólica de Pedro, mas insiste que antes de ser apóstolo é mais fundamental ser discípulo - ou seja, amar Jesus.

A primeira parte do texto (vv. 1-14) tem grandes semelhanças com a história da “pesca milagrosa” de Lucas (Lc 5,1-11). Mas o contexto, pós-ressurrecional, é diferente. Como sempre no Quarto Evangelho devemos prestar atenção aos símbolos - sejam eles pessoas, eventos, ou números. Chama a atenção que - embora seja a terceira aparição de Jesus - os discípulos não o reconhecem. Isso demonstra que a presença de Jesus depois da Ressurreição, embora real, não é igual à sua presença durante a sua vida terrestre. Quem O reconhece primeiro é o Discípulo Amado - pois só quem vê com olhos de amor reconhece e vê além das aparências. Como foi o amor que o levou a correr mais depressa ao túmulo do que Pedro em Cap. 20, é o amor que faz com que ele seja o primeiro a reconhecer a presença de Jesus ressuscitado. Ele é o Discípulo Amado e que ama. Pedro o será somente depois da sua profissão de amor (vv. 15-17).

Pronunciamento da Diaconia sobre o Atual Contexto Brasileiro

A Diaconia, organização não-governamental de inspiração cristã, plenamente comprometida com a defesa de direitos e o empoderamento das populações mais pobres do Brasil, particularmente no Nordeste, diante do atual cenário político, econômico e social em que vivemos, declara sua confiança na prevalência do Estado democrático de direito com todas as repercussões necessárias ao exercício da cidadania e da justiça pessoal e coletiva.

Cabe-nos declarar que a vontade soberana popular deve ser respeitada dentro dos balizadores do ordenamento jurídico brasileiro, sem que por quaisquer justificativas, sejam atropeladas a Constituição e as instâncias decisórias que regem o país. Interesses partidários, particulares, empresariais e/ou ideológicos não devem pautar a condução de processos tão amplos e complexos como estes que nos cercam. O personalismo surge, neste contexto, como uma das maiores armadilhas para implementação da justiça, salvaguardados todos os prazos e direitos à defesa dos acusados.

Ressaltamos especial preocupação com a participação midiática neste cenário, pois ao nosso ver, diferentes atores têm utilizado técnicas e estratégias que pouco auxiliam no processo de elaboração de uma consciência coletiva saudável. Informações seletivas, reportagens tendenciosas e opiniões de "especialistas", em geral, têm conduzido nossa população à desinformação, ao acirramento de posições, quando não ao surgimento de expressões de intolerância, radicalizações e violências, marcas características de conflitos sociais.

O amor em primeiro lugar (João 21,1-19) - Mesters, Lopes e Orofino

OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA

No texto do evangelho deste final de semana, vamos meditar o último diálogo de Jesus com os discípulos. Foi um reencontro celebrativo, marcado pela ternura e pelo carinho. No fim, Jesus chamou Pedro e perguntou três vezes: "Você me ama?" Só depois de ter recebido, por três vezes a mesma resposta afirmativa é que Jesus deu a Pedro a missão de tomar conta das ovelhas. Para poder trabalhar na comunidade, Jesus não pergunta se sabemos muito. O que ele pede é que tenhamos muito amor! Vamos conversar sobre isto. 

SITUANDO

O capítulo 21 é um apêndice. A conclusão do capítulo anterior encerra tudo. O livro estava pronto. Mas havia muitos outros fatos sobre Jesus. Se fossem escritos, um por um, "o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam". Por isso, por ocasião da edição definitiva, alguns destes "muitos outros fatos" sobre Jesus foram selecionados e acrescentados, muito provavelmente, para clarear os novos problemas do fim do século I. 

Eis a lista dos fatos acrescentados no apêndice:
1. João 21,1-3: A volta à pescaria: o difícil trabalho da evangelização;
2. João 21,4-8: A pesca abundante: a palavra de Jesus faz crescer a comunidade;
3. João 21,9-14: A celebração da ceia, presidida por Jesus que une a todos;
4. João 21,15-17: O primado do amor no centro da missão;
5. João 21,18-23: A discussão em torno da morte de Pedro e do Discípulo Amado;
6. João 21,24-25: A nova conclusão do Quarto Evangelho.

Os outros evangelhos contêm episódios semelhantes a estes e foram conservados no apêndice do Evangelho de João. Mas eles os colocaram em outros momentos da vida de Jesus. Por exemplo, Lucas situa a pesca abundante bem no começo (Lucas 5,1-11). Mateus coloca a missão de Pedro no fim da permanência na Galileia (Mateus 16,17-18).

Campanha da Fraternidade 2016 e sustentabilidade - Frei Marcos Sassatelli

Vimos que o sistema capitalista neoliberal é insustentável e sua insustentabilidade é estrutural. A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 (CFE 2016) - cujo tema é “Casa comum, nossa responsabilidade” - faz-nos acreditar que uma “outra sustentabilidade” ou um “outro desenvolvimento sustentável” é possível e necessário. Esse outro desenvolvimento sustentável é construído por todos aqueles e aquelas que lutam para mudar o sistema capitalista neoliberal, abrindo caminhos alternativos e fazendo acontecer um projeto estruturalmente novo de sociedade e de mundo, ou seja, um projeto baseado em relações de igualdade, de justiça, de solidariedade e de irmandade. Como já disse outras vezes, é o projeto da sociedade do “bem viver”, que - à luz da Fé - é o projeto de Jesus de Nazaré: o Reino de Deus acontecendo na história do ser humano e do mundo.

A respeito do sistema dominante - que é o sistema capitalista neoliberal - o Papa Francisco afirma: “esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a colocar a dignidade humana no centro, e que, sobre esse alicerce, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos” (1º Encontro Mundial dos Movimentos Populares - EMPP. Roma, 27-29/10/14).

Esse sistema é o “estado de mal-estar social” ou a causa última de todos os males sociais e ambientais. Em linguagem teológico-moral, é hoje a concretização histórica do pecado social e ambiental ou pecado estrutural. Não podemos esquecer essa realidade.

Caravana Territorial da Bacia do Rio Doce

Da nascente à foz, a Bacia do Rio Doce receberá, entre os dias 11 e 16 de abril de 2016, a Caravana Territorial da Bacia do Rio Doce. Cerca de 150 pessoas vão percorrer as margens, as histórias e as resistências e na bagagem dessa Caravana as injustiças e os impactos causados pelo maior crime-tragédia da mineração brasileira: o rompimento da barragem de rejeito de mineração da Samarco (BhP/Vale), em Mariana (MG), em novembro de 2015. Ao final, em Governador Valadares, município onde as quatro rotas do evento se encontrarão, atividades serão realizadas contra a invisibilidade e impunidade do crime que, dia 5 de abril, completa 5 meses. 

A caravana é organizada por mais de 40 organizações da sociedade civil, dentre elas a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Articulação Mineira de Agroecologia (AMA), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), a Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB), os Movimentos Sociais (MAB, MST, MPA, MAM), as universidades (como a UFV, UFJF, UFES), entre outras organizações locais.

Seu objetivo é construir convergências; agregar e mobilizar forças da sociedade civil organizada, assim como; reunir e articular leituras populares e críticas sobre as causas e consequências da tragédia/crime. Busca discutir alternativas com a sociedade para que novas tragédias não se repitam; que os direitos das populações possam ser respeitados; que o Estado cumpra seu papel de defesa do meio ambiente e da saúde, e, que os responsáveis sejam punidos. 

A paz esteja com vocês (Jo 20,19-31) - Mesters, Lopes e Orofino

OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA

Vamos meditar sobre a aparição de Jesus aos discípulos e a missão que eles receberam. Eles estavam reunidos com as portas fechadas porque tinham medo dos judeus. De repente, Jesus se coloca no meio deles e diz: "A paz esteja com vocês!" Depois de mostrar as mãos e o lado, ele disse novamente: "A paz esteja com vocês! Como o Pai me enviou, eu envio vocês!" Em seguida, lhes dá o Espírito para que possam perdoar e reconciliar. A paz! Reconciliar e construir a paz! Esta é a missão que recebem. Hoje, o que mais faz falta é a paz: refazer os pedaços da vida, reconstruir as relações quebradas entre as pessoas. Relações quebradas por causa da injustiça e por tantos outros motivos. Jesus insiste na paz. Repete várias vezes! As pessoas que lutam pela paz são declaradas felizes e são chamadas filhos e filhas de Deus (Mt 5,9).

SITUANDO

Na conclusão do capítulo 20 (Jo 20,30-31), o autor diz que Jesus fez "muitos outros sinais que não estão neste livro. Estes, porém, foram escritos (a saber os sete sinais relatados nos capítulos 2 a 11) para que vocês possam crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, acreditando, ter a vida no nome dele" (Jo 20,31). Isto significa que, inicialmente, esta conclusão era o final do Livro dos Sinais. Mais tarde, foi acrescentado o Livro da Glorificação que descreve a hora de Jesus, a sua morte e ressurreição. Assim, o que era o final do Livro dos Sinais passou a ser conclusão também do Livro da Glorificação.