13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil, aponta Atlas da Violência 2016

A estimativa baseia-se em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e abre a seção sobre violência de gênero da Nota Técnica “Atlas da Violência 2016″. Apresentando o o perfil das vítimas de violência no Brasil, com destaque para os homicídios de afrodescendentes, mulheres e jovens, o Atlas é resultado da parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Segundo o levantamento, 4.757 mulheres foram mortas por agressão em 2014, aumento de 11,6% em relação a 2004, quando 3.830 foram assassinadas no país. “Embora esses dados sejam alarmantes, o debate em torno da violência contra a mulher por vezes fica invisibilizado diante dos ainda maiores números da violência letal entre homens, ou mesmo pela resistência em reconhecer este tema como um problema de política pública”, destaca trecho da Nota Técnica.

Diferenças regionais

O estudo ainda chama atenção para a distribuição desigual de mortes de mulheres no país. No estado de São Paulo houve redução de 36,1% nos assassinatos de mulheres no período de 2004 a 2014. Já no Rio Grande do Norte, o índice aumentou 333%, com a taxa de homicídios de mulheres no estado chegando a 6 mortes por grupo de 100 mil mulheres.

Segundo domingo de Páscoa - “A Paz Esteja Com Vocês”(Jo 20, 19-31) - Pe. Tomaz Hughes SVD

No texto anterior ao de hoje, Maria Madalena trouxe a notícia da Ressurreição aos discípulos incrédulos. Agora é o próprio Jesus que aparece a eles. Não há reprovação nem queixa nas suas palavras, apesar da infidelidade de todos eles; mas, somente a alegria e a paz que Ele já tinha prometido no último discurso.

Duas vezes Jesus proclama o seu desejo para a comunidade dos seus discípulos: “A paz esteja com vocês”. O nosso termo “paz” procura traduzir - embora de uma maneira inadequada - o termo hebraico “Shalom!”, que é muito mais do que “paz”, conforme o nosso mundo a compreende. “Shalom”, e palavras derivadas, ocorrem mais de 350 vezes no Antigo Testamento. O “Shalom” é a paz que vem da presença de Deus, da justiça do Reino. É tudo que Deus deseja para todos os seus filhos e filhas. O Shalom inclui tudo o que Deus quer para o seu povo! Jesus não promete a paz do comodismo; mas, pelo contrário, envia os seus discípulos na missão árdua em favor do Reino. Promete o Shalom, pois Ele nunca abandonará quem procura viver na fidelidade ao projeto de Deus. Podemos dizer que o Shalom tem dois aspectos inseparáveis - é dom e desafio para os cristãos. É dom, porque somente Deus pode dá-la; é desafio, pois tem que ser construída dia após dia na vida pessoal, familiar, comunitária e social de cada pessoa.

Jesus soprou sobre os discípulos, como Deus fez (o mesmo termo é usado) sobre Adão quando infundiu nele o espírito de vida (Gn 2, 7); Jesus os recria com o Espírito Santo. Normalmente imaginamos o Espírito Santo descendo sobre os discípulos em Pentecostes; mas, aquilo (relatado por Lucas em Atos) era como a descida oficial e pública do Espírito para dirigir a missão da Igreja no mundo, no plano teológico do autor. Para João, o dom do Espírito, que por sua natureza é invisível, flui da glorificação de Jesus, da sua volta ao Pai. O dom do Espírito neste texto tem a ver com o perdão dos pecados.

O Brasil está mais violento. Especialmente entre negros e em cidades do interior

Um a cada dez assassinatos cometidos no mundo acontece no Brasil. Só em 2014, quase 60 mil pessoas foram assassinadas no país. O número é recorde e coloca o Brasil na 11ª posição em um ranking de 157 países.

Os índices foram divulgados nesta terça-feira (22) no Atlas da Violência, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Eles mostram que, entre 2004 e 2014, a piora é geral. Mas há uma grande diferença na maneira como a violência atinge a população negra e a branca. Entre pretos e pardos, categorizados como negros, a taxa de homicídios cresceu 14,5%; entre os brancos, indígenas e orientais, houve queda de 18,2%. Para cada pessoa de outra etnia assassinada, 2,4 negros foram mortos.

Além disso, a violência tem se concentrado em cidades menores no interior: grandes capitais ficam de fora da lista de municípios com maior aumento de homicídios.

E políticas públicas na área de segurança têm resultados práticos: os Estados que adotaram programas específicos para a área são os que tiveram os melhores resultados na diminuição da taxa de homicídios.

Por que a taxa de homicídios continua crescendo

Por que as religiões de matriz africana são o principal alvo de intolerância no Brasil?

Dados compilados pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR) mostram que mais de 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados no Estado entre 2012 e 2015 são contra praticantes de religiões de matrizes africanas.

A reportagem é de Jefferson Puff, publicada por BBC Brasil, 21-01-2016.

Divulgado nesta quinta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o documento reacende o debate: por que os adeptos da umbanda e do candomblé, e suas variações, ainda são os mais atacados por conta de sua religião?

O tema ganhou as páginas dos jornais recentemente, em casos como o da menina Kaylane Campos, atingida por uma pedrada na cabeça em junho do ano passado, aos 11 anos, no bairro da Penha, na Zona Norte do Rio, quando voltava para casa de um culto e trajava vestimentas religiosas candomblecistas.

Também em 2015, no mês de novembro, um terreiro de candomblé foi incendiado em Brasília, sem deixar feridos. Na época, a imprensa local já registrara 12 incêndios semelhantes desde o início daquele ano somente no Distrito Federal.

Chamado Ecumênico para o Cuidado da Casa Comum

“Quero ver o direito brotar como fonte 
e correr a justiça qual riacho que não seca.” (Am5.24)

Queridas irmãs e queridos irmãos de peregrinação ecumênica,

Queremos agradecer por essa Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). Muito nos alegraram as experiências relatadas, as fotografias que foram enviadas. As cartas das crianças, que foram estimuladas a pensar sobre o cuidado com a Casa Comum a partir do material da CFE, foram sinais de esperança. Os relatos dos trabalhos das juventudes foram igualmente animadores. 

A CFE 2016 conseguiu fortalecer a bela experiência do diálogo, da oração conjunta, do abraço entre diferentes expressões cristãs. 

Ao longo dos quarenta dias da Quaresma, conversamos sobre nossa Casa Comum, o lugar em que habitamos. Pensamos nas rupturas cotidianas provocadas pelo pecado.

O pecado se torna visível sempre que a Casa Comum é agredida por causa do nosso consumismo, da nossa ambição, da nossa dificuldade de superar visões de mundo que entendem o ser humano como o centro do universo. Revela-se também quando a política é orientada para o interesse do mercado financeiro e não para o bem comum.

Estudo sobre o Evangelho da Comunidade de Lucas, em Linhares

No dia 12/03/16, estivemos na Paróquia São Paulo Apóstolo, em Bebedouro, Linhares. Lá o livro escolhido para estudo foi o Evangelho da Comunidade de Lucas.

Com um grupo de 66 pessoas, composto por membros das comunidades urbanas e rurais, tendo um número expressivo de jovens e adolescentes, o estudo foi muito animado e participativo.

Nesse encontro foi estudado desde o anúncio do nascimento de Jesus até a sua ressurreição. Destacando o papel das mulheres na produção dos textos do Evangelho.

Os integrantes do grupo estão ansiosos para que haja novos encontros, já que para eles o estudo muito bom e despertou a vontade e a necessidade de se estudar outros livros da bíblia, inclusive, a maioria do grupo, já reivindicaram o Evangelho da Comunidade de João como tema. 

Nos encontros de estudos do CEBI, a leitura dos textos bíblicos é feita de forma a contribuir para a compreensão da realidade atual.

Clique aqui e veja as fotos.

SOUC 2016: Carta das Igrejas-Membro do CONIC


Queridas irmãs e irmãos das comunidades cristãs brasileiras!

“Chamados e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pe2.9). Este é o lema bíblico que inspira a Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016.

A Semana de Oração foi preparada pelas Igrejas da Letônia. Participaram diretamente do processo de elaboração do material as Igrejas: Católica Apostólica Romana, Luterana, Ortodoxa e Batista. 

O povo letão, no final do século XIX e primeira metade do século XX, foi obrigado a migrar por ocasião da ocupação russa. Parte dessa migração ocorreu por causa da perseguição religiosa. A Letônia foi submissa aos czares, que tentaram impor a religião oficial como expressão de fé. As pessoas de outras expressões religiosas, entre elas Judaísmo, Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e o Islã, foram perseguidas.

Essa realidade mudou com o passar do tempo. Hoje, a Letônia é bem diferente. É possível o convívio entre diferentes expressões de fé. A realização e preparação da Semana de Oração pela Unidade é o exemplo concreto disso. 

Nossos irmãos e nossas irmãs da Letônia escolheram o texto do apóstolo Pedro, que lembra que nós, pessoas batizadas, somos “chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor”. Proclamar os altos feitos de Deus significa não esquecermos a perspectiva de que através do Batismo que somos declarados filhos e filhas de Deus. O Batismo jamais deve ser banalizado. Ele é um sacramento que nos apresenta o desafio permanente de praticarmos e proclamarmos o amor gratuito de Deus pela humanidade. Uma das formas de proclamar esse amor é assumindo posturas de diálogo e de acolhida, em especial, com as pessoas que são diferentes de nós: de outras igrejas, religiões e culturas.

I Seminário de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres: reflexões sobre gênero e raça

A Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos da Prefeitura de Vitória-ES, realizará o “I Seminário de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres: Reflexões sobre as questões de Gênero e Raça” no dia 30 de março de 2016, quarta-feira, das 8h às 17h no Auditório “Alexandre Martins de Castro Filho”, Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos - Casa do Cidadão, Avenida Maruípe, nº 2.544,Vitória/ES.

O debate e as proposições das ações transcorrerão no âmbito das reflexões de gênero e das questões raciais. Os números constam no estudo "Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil", realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), a pedido da ONU Mulheres, que nas estatísticas sobre a violência contra a mulher apontam a questão racial, que para construção do enfrentamento efetivo da problemática precisa ser evidenciado e pautado nas ações de incentivo à emancipação feminina, sua dignidade e autonomia.

Participem e estendam o convite!


Gerência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - GPPIR/ 
Gerência de Políticas de Promoção de Gênero - GPPG
Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos - SEMCID 
Prefeitura Municipal de Vitória-ES 
TEL.: 3382-6697

Morte e Ressurreição: Só ressuscita quem morre primeiro (Lucas 23,44-24,12) - Mesters e Lopes

Neste relato, Lucas conta como foram a morte, o enterro e a ressurreição de Jesus. Mas ele conta os fatos de tal maneira, que a gente consiga perceber a semente de esperança e de vida nova que pode nascer da crise, da dor e da morte. Na hora em que a luz bate nos olhos, tudo escurece. Na hora do parto, as dores se anunciam. Na hora da crise, o futuro se abre. Na hora da morte, a vida renasce. 

O texto descreve o que se passou desde a morte e o enterro de Jesus até a experiência da sua ressurreição. Durante a leitura vamos prestar atenção no seguinte: “Quais são, um depois do outro, os acontecimentos descritos neste texto?”

SITUANDO

Os inimigos conseguem realizar o seu projeto. Matam Jesus. Vencem, usando o poder da força bruta. Vencem, mas não convencem! Não conseguem destruir nem abafar a bondade e o amor em Jesus. Pelo contrário! Lucas mostra como Jesus, exatamente enquanto está sendo vítima do ódio e da crueldade dos homens, revela a ternura de Deus e nos dá a “suprema prova do amor!” (Jo 13,1). Eis algumas frases de Jesus que só Lucas nos conservou e nas quais transparece a vitória da vida que a morte não conseguiu matar: “Desejei ardentemente comer esta páscoa com vocês” (22,15). “Façam isto em memória de mim!” (22,19). “Simão, rezei por você, para que não desfaleça a sua fé!” (22,32). Na hora da negação de Pedro, Jesus fixa nele o olhar, provocando o choro de arrependimento (22,61). No caminho do calvário, Jesus acolhe as mulheres: “Filhas de Jerusalém, não chorem por mim!” (23,28). Na hora de ser pregado na cruz, ele reza: “Pai, perdoa, porque não sabem o que fazem” (23,34). Ao ladrão pendurado na cruz a seu lado ele diz: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso!” (23,43). Estas frases nos dão os olhos certos para ler e saborear a descrição da morte, do enterro e da ressurreição de Jesus.

COMENTANDO

O que a Cruz nos ensina - Marcelo Barros

Muitas pessoas pensam na cruz, apenas como símbolo religioso presente nas Igrejas cristãs e que nos recorda a morte de Jesus. Seria bom se fosse assim. Infelizmente, ainda hoje, a cruz é usada como instrumento de tortura e de infligir aos condenados uma morte cruel. Fotografias espalhadas pela internet mostram que o ISIS, grupo que se intitula como Estado Islâmico, tem crucificado inimigos que aprisionam como forma de mostrar ao Ocidente que a guerra santa contra o Império do Mal continua. Do outro lado, em Guatánamo, campo de concentração mantido pelo governo dos Estados Unidos, em um enclave de Cuba, soldados norte-americanos usaram a crucifixão como forma de tortura em prisioneiros árabes para obter confissões. Há décadas, teólogos como Jon Sobriño falam em “povos crucificados” para denunciar a injustiça vigente no mundo atual e, ao mesmo tempo, lembrar que a alma dos impérios é sempre a mesma. Hoje, o Império é dirigido pelas grandes empresas multinacionais às quais se associam governos da maioria dos países do mundo ocidental. Talvez esse império atual seja ainda mais cruel e mais cínico, em se fingir de civilizado e até democrático. Entretanto, quando é para defender seus interesses, não tem nenhum escrúpulo em matar e trucidar pessoas, grupos ou populações inteiras como tem ocorrido na história recente.

Ao celebrar nessa semana a páscoa de Jesus, muitas comunidades cristãs associam uma coisa a outra. Celebram a memória da morte de Jesus e associam a essa celebração o sofrimento de tantas pessoas vítimas da ambição humana e do desamor. Nessa Quaresma, as comunidades pensam também na cruz imposta à Terra, à Água e a toda a natureza.

Páscoa Peregrina - Luiz Carlos Ramos

Prólogo

Meu nome é Simão, que significa “aquele que ouve”, assim como Simone, Simon, Ximenes, Simeão, Saymon. Sou natural de Cirene, que fica no norte da África. Já faz um século que estamos sob o domínio romano. Aprendemos a adorar ao Deus único com nossa rainha ancestral, que ficou conhecida como a Rainha de Sabá, que por sua vez o aprendeu do sábio Rei Salomão.

Cresci ouvindo que todos deveríamos nos esforçar para, ao menos uma vez na vida, peregrinar até Yerushalem, a Cidade da Paz, e participar das solenidades da Páscoa. Pois, finalmente, aqui estou. Depois de uma longa jornada de mais de 1500 quilômetros, quase seis meses de viagem, durante a qual enfrentei, com meus companheiros de viagem, o calor causticante dos dias e o frio congelante das noites no deserto. Venci terríveis tormentas e tempestades de areia, cruzei montanhas e vales, escapei das ameaças de malfeitores e salteadores, tive fome e sede, e não desfaleci graças à hospitalidade e solidariedade de outros peregrinos como eu… Aqui cheguei, finalmente, com a graça do Eterno.

E como reza a tradição, já vesti meu traje de linho branco sem mácula para poder participar da cerimônia da aspersão do sangue do cordeiro e obter o perdão dos meus pecados. Pretendo levar esta mesma roupa, com as marcas do sangue do cordeiro, para mostrar a todos da minha família e do meu povo, como prova de que estive aqui e de que recebi o perdão do Eterno.

Prisão de Jesus (Lc 22,39-53) - Ildo Bohn Gass

Enquanto estava em Jerusalém, Jesus passava o dia ensinando no templo e pernoitava no monte chamado das Oliveiras (Lc 21,37). Depois de celebrar a ceia com os doze, nosso texto começa dizendo que, como de costume, foi para o monte das Oliveiras (Lc 22,39). Só que agora, Judas Iscariotes conhecia o lugar onde Jesus passava a noite com seu grupo. E Jesus sabia que Judas deixara se subornar pelos sumos sacerdotes e que estava fazendo o jogo deles para o entregar. Nesta, que é a sua noite derradeira, ele está diante de duas opções, uma vez que está iminente a possibilidade de ser capturado pela cúpula do templo, sumos sacerdotes e anciãos, amparada pelos comandantes da guarda do templo (Lc 22,52). João lembra que também um batalhão romano reforçava o aparato repressivo (Jo 18,3). Jesus ainda tinha tempo de desistir do projeto do Pai e tentar salvar a sua própria pele. E esta foi sua última tentação: Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice (Lc 22,42a). No entanto, ele decidiu ser fiel até o fim: contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua (Lc 22,42b), mesmo que essa opção lhe custasse a vida.

Na primeira parte da narrativa (Lc 22,39-46), encontramos Jesus resistindo contra sua última tentação. E resistiu sozinho, pois nem recebeu o apoio de seus discípulos, que dormiram em vez de orar com ele, apesar de sua insistência (Lc 22,40.46). E era preciso muita força para vencer a tentação de não ser fiel à missão para a qual o Espírito do Senhor o havia ungido (Cf. Lc 4,18-19). Então, solitário e com profunda angústia humana, Jesus busca na comunhão com o Pai, na oração, as forças para perseverar até o fim e, apesar de uma situação tão extrema, revelar em suas atitudes o agir do próprio Pai (Lc 22,41.44.45).

Desejei muito comer esta Páscoa com vocês! (Lc 22,14–23) - Mesters e Lopes

O ambiente estava tenso. Era a última ceia de Jesus com seus discípulos. Judas já tinha decidido trair Jesus. Os outros estavam com medo, sem entender os acontecimentos. Mas estas contradições tão dolorosas não impediram a Jesus de renovar a Aliança. O seu amor era maior que as falhas e as fraquezas dos amigos.

SITUANDO

Lucas descreve a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Inicia-se a etapa final do "êxodo" de Jesus, anunciado por Moisés e Elias no Monte da Transfiguração. A maneira de Lucas descrever os acontecimentos é semelhante àqueles filmes que, primeiro, mostram a cena de longe. Em seguida, pouco a pouco, eles ajustam a câmera e a cena vai chegando mais perto, até que se possam ver todos os detalhes. Assim faz Lucas. Desde o capítulo 9, ele vem dizendo que Jesus está indo para Jerusalém. E agora, uma vez em Jerusalém, ele vai ajustando a câmera no ponto em que os leitores e as leitoras devem prestar mais atenção: Primeiro, ele diz: "Aproxima-se a festa dos ázimos, chamada Páscoa" (Lc 22,1). Em seguida, informa: "Chegou o dia dos ázimos" (Lc 22,7). E finalmente, constata: "Quando chegou a hora, ele sentou à mesa" (Lc 22,14). Este é o ponto onde Lucas quer que a gente preste toda a atenção, pois é o momento em que começa a Páscoa, o êxodo de todos.

COMENTANDO

1. Lucas 22,14-18: Início da Ceia Pascal
"Desejei ardentemente comer esta Páscoa com vocês!" É como se dissesse: "Até que enfim! Chegou o momento que tanto desejei!" Jesus tem o desejo ardente de levar a bom termo o projeto do Pai. É a última vez que ele está reunido com seus amigos. É a Páscoa definitiva, em que ele celebra a Nova Aliança e realiza a passagem da opressão da antiga lei para a revelação da lei do amor. Jesus enche um cálice de vinho e o distribui aos amigos. Beber o cálice significa cumprir a missão recebida do Pai (Mc 10,38-39; Jo 18,11). Jesus bebe o cálice que o Pai lhe deu e pede que seus amigos participem.

Julgamento histórico: Superior Tribunal proíbe publicidade dirigida às crianças

A 2ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu proibir a publicidade de alimentos dirigida às crianças. Em foco no julgamento estava a campanha da indústria de alimentos Bauducco "É Hora de Shrek”. Com ela, os relógios de pulso com a imagem do ogro Shrek e de outros personagens do desenho poderiam ser adquiridos. No entanto, para comprá-los, era preciso apresentar cinco embalagens dos produtos "Gulosos”, além de pagar R$ 5.

A ação civil pública, de autoria do Ministério Público de São Paulo (MP/SP) teve origem em uma atuação do Instituto Alana, que alegou a abusividade da campanha e o fato de se tratar de nítida venda casada. Em sustentação oral, a advogada Daniela Teixeira (do escritório Podval, Teixeira, Ferreira, Serrano, Cavalcante Advogados), representando o Alana, argumentou: "A propaganda, que se dirige a uma criança de cinco anos, que condiciona a venda do relógio à compra de biscoitos, não é abusiva? O mundo caminha para frente. (...) O Tribunal da Cidadania deve mandar um recado em alto e bom som, que as crianças serão, sim, protegidas”.

Proteção à criança

O ministro Humberto Martins, relator do recurso, deixou claro no voto que "o consumidor não pode ser obrigado a adquirir um produto que não deseja”. Segundo ele, trata-se no caso de uma "simulação de um presente, quando, na realidade, se está condicionando uma coisa à outra”. Concluindo como perfeitamente configurada a venda casada, Martins afirmou ser "irretocável” o acórdão do TJ/SP, que julgou procedente a ACP.

Cepal: América Latina passou a ter mais 7 milhões de pobres em 2015

O número de pobres na América Latina e no Caribe aumentou em sete milhões em 2015, passando de 168 milhões a 175 milhões de pessoas, como consequência da contração econômica que a região enfrenta, segundo projeções da Cepal divulgadas nesta terça-feira.

“Segundo as projeções do organismo, em 2015 a taxa regional de pobreza aumentou a 29,2% dos habitantes da região (175 milhões de pessoas) e a taxa de indigência a 12,4% (75 milhões de pessoas)”, informou a Comissão Econômica para a América e o Caribe, em Santiago.

O número se compara desfavoravelmente com os resultados de 2014, quando foram registradas 168 milhões de pessoas pobres, um aumento de dois milhões em relação ao ano anterior, de acordo com os novos dados fornecidos pelo organismo técnico das Nações Unidas com sede em Santiago.

Mulheres ou incubadoras? Os deficientes serviços de saúde sexual e reprodutiva nas Américas põem milhares de vidas em perigo

Uma jovem chega inconsciente ao hospital após ter sofrido um aborto e desperta algemada à cama. Outra mulher, que vive com HIV, comparece ao hospital público para dar a luz e volta para casa esterilizada contra sua vontade. Uma jovem de 16 anos morre sem haver recebido tratamento contra a leucemia que poderia ter salvado sua vida, porque estava grávida e o tratamento teria prejudicado o feto. Em outro rincão das Américas, uma mulher ainda sofre as consequências de uma esterilização forçada praticada pelo Estado como uma forma de “combater à pobreza”.

Os serviços de saúde sexual e reprodutiva nas Américas se parecem cada vez mais a centros de tortura.

A vida de milhões de mulheres e meninas de toda a região está à mercê de sistemas de assistência à saúde que antepõem os estereótipos de gênero e as opiniões pessoais dos profissionais da saúde ou dos funcionários de turno a vida e o bem-estar das pacientes.

DOMINGO DE RAMOS: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” (Lucas 19,29-40) - Pe. Tomaz Hughes

Quase não há comunidade cristã no Brasil que não comemore hoje, com muita alegria, a entrada de Jesus em Jerusalém. São organizadas procissões, o povo abana ramos, se celebram encenações do evento. Pessoas que dificilmente pisam em uma igreja nos domingos comuns, hoje fazem questão de não perder a procissão. Porém, para não reduzirmos a comemoração a mero folclore, é importante estudar o que significava este evento para Jesus, e para o evangelista.

Dificulta o entendimento da passagem a nossa pouca familiaridade com o Antigo Testamento. Cumpre relembrar um trecho do profeta Zacarias: “Dance de alegria, cidade de Sião; grite de alegria, cidade de Jerusalém, pois agora o seu rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento, num jumentinho, filho duma jumenta... Anunciará a paz a todas as nações, e o seu domínio irá de mar a mar, do rio Eufrates até os confins da terra” (Zc 9, 9-10). Esse era um trecho muito importante na espiritualidade dos “pobres de Javé”, que esperavam a chegada do Messias libertador. Nessa esperança situam-se Maria e José e os discípulos de Jesus.

Foi dentro desta espiritualidade que Jesus foi criado. Zacarias traçava as características do messias - seria um rei, “justo e pobre”, não de guerra, mas de paz! Viria estabelecer uma sociedade diferente da sociedade opressora do tempo de Zacarias (e de Jesus, e de nós) - onde os poderosos e violentos oprimiam os pobres e pacíficos! Seria uma sociedade onde, entre outros elementos, a economia estaria a serviço da vida, onde todos cuidariam da “casa comum”, o planeta! Um rei jamais entraria em uma cidade montado em um jumento - o animal do pobre camponês, mas num cavalo branco de raça! Jesus, fazendo a sua entrada assim, faz uma releitura de Zacarias, e se identificou com o rei pobre, da paz, da esperança dos pobres e oprimidos!

Severinas: as novas mulheres do sertão

“Cada um tem que saber o seu lugar: a mulher tem qualidade inferior, o homem tem qualidade superior.” É bem assim que fala, sem rodeios, um dos homens mais respeitados do município de Guaribas, no sertão do Piauí, pai de sete filhos (seis mulheres e um homem). “O homem é o gigante da mulher”, completa “Chefe”, como é conhecido Horacio Alves da Rocha na comunidade.

Para chegar a Guaribas são dez horas desde a capital, Teresina, até a cidadezinha de Caracol. Dali, 40 minutos de estrada de terra cercada de caatinga até o jovem município, fundado em 1997. Em 2003, Guaribas foi escolhida como piloto do programa Fome Zero. Tinha então o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, 0,214 – para efeito de comparação, o país com pior IDH do mundo é Burundi, na África com índice 0,355. Hoje, Guaribas tem 4.401 habitantes, 87% deles recebendo o Bolsa Família. São 933 famílias beneficiadas, com renda média mensal de R$ 182. O IDH saltou para 0,508.

Em todo o Brasil, o Bolsa Família atende a 13,7 milhões de famílias – sendo que 93,2% dos cartões estão em nome de mulheres. São elas que recebem e distribuem a renda familiar.

“Eu vivi a escravidão”, diz Luzia Alves Rocha, 31 anos, uma das seis filhas de Chefe. Aos três meses, muito doente, ela foi dada pelo pai para os avós criarem. Quando eles morreram, uma tia assumiu a menina. “Achei que ela não ia aguentar aquela vida de roça: era vida aquilo?”, pergunta a tia Delci. Luzia trabalhou na roça, passou fome, perdeu madrugadas subindo a serra para talvez voltar com água na cabaça. “Quando tinha comida a gente comia, se não, dormia igual passarinho”, diz. Trabalhava sem salário, sem nenhum direito trabalhista, sem saber como seria a vida se a seca não passasse e a chuva não regasse o feijão e a mandioca. Era “a escravidão”.

Saneamento já: assine a petição pelo fim dos “rios mortos”

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) deste ano, 2016, tem como tema é “Casa Comum, nossa responsabilidade” e, este ano, também conta com a participação de um importante parceiro de lutas ambientais: a Fundação SOS Mata Atlântica. Somando esforços com a CFE, a SOS Mata Atlântica criou uma petição pelo fim dos “rios mortos”, que busca, em plena sintonia com a Campanha, a universalização do saneamento e a busca por água limpa nos rios e praias do Brasil.

COMO PARTICIPAR

1. Assinando a petição online. A petição está disponível para assinaturas NESTE LINK.

2. Imprimindo a petição para coletar assinaturas. Organizações também podem aderir formalmente à campanha, e imprimir a petição para coletar assinaturas em lugares públicos, eventos, mobilizações, etc.:

- Baixe a petição para imprimir e coletar assinaturas: pdf | word

As assinaturas coletadas serão reunidas pela Fundação SOS Mata Atlântica (A/C Malu Ribeiro). O endereço de envio é: Av Paulista, 2073, cj.1318, Torre Horsa 1, 13° andar – São Paulo/SP – CEP 01311-300. Em caso de dúvidas, encaminhe um e-mail para malu@rededasaguas.org.br.

POR QUE PARTICIPAR?

1) apenas 40% dos esgotos gerados no Brasil são tratados (Fontes: Diagnóstico Ministério das Cidades/SNIS 2014; e Instituto Trata Brasil).

SOUC 2016 já tem cartaz oficial

É com satisfação que o CONIC apresenta o cartaz da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) de 2016. A peça foi elaborada por Aurélio Fred Macena dos Santos, que compartilha a inspiração para seu processo criativo. Diz Aurélio:

“Para a confecção do cartaz usamos como base a imagem da cruz, sinal da salvação e representação da nossa fé, dentro dela, os traços foram desenhados e coloridos.

O batismo está presente em várias partes do cartaz, pois acreditamos que é através dele que nos tornamos povo chamado a proclamar os altos feitos do Senhor.

No topo da cruz temos a pomba, que representa o Espírito Santo que desce sobre a comunidade cristã no Pentecostes. Os raios amarelos são seus dons.

Utilizamos também as bandeiras do Brasil e da Letônia para demonstrar a parceria entre os dois países.

Ao centro temos um batistério, que nos remete ao batistério que se encontro no centro da Catedral Luterana de Riga, na Letônia. Em volta dele vemos Jesus Cristo, além de membros das igrejas católica romana, luterana, ortodoxa e batista, que integraram a comissão letã que preparou o material da Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016. Eles seguem os símbolos: bíblia, sal, luz e pão, destacados para a SOUC 2016.
Na base da cruz há uma imagem que lembra o favo de uma colméia. Cada alvéolo representa um povo. Nossa intenção é mostrar a base da SOUC como uma unidade orante que integra diferentes confissões, culturas e povos”.

“Proclamai os altos feitos do Senhor” (1Pe 2,9) é o tema da Semana de Oração deste ano. A proposta foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC).

E-mail específico para a SOUC 2016

Para assuntos relativos à SOUC, o CONIC criou um e-mail específico (inclusive para pedidos de materiais): souc2016@gmail.com.


A Páscoa dos descartáveis - Marcelo Barros

Assim como os seres vivos precisam de água para viver e o organismo depende de alimento para se reabastecer, as Igrejas e o mundo precisam de profetas. O termo é religioso, mas a função é a de pessoas críticas que ajudem a sociedade a pensar, a se rever e a mudar de itinerário. Assim, nos tempos bíblicos, para mostrar como o povo se situava diante de Deus, o profeta Isaías saiu nu pelas ruas. Jeremias que era de família sacerdotal assumiu uma canga e se vestiu de escravo.

No mundo atual, o fenômeno das migrações revela o fracasso da política que os Estados Unidos e países da Europa impõem aos povos do Oriente Médio e da África.

Essa política continua o colonialismo que vem de 500 anos e tem, hoje, como consequência a imensa onda de populações inteiras que não podem viver em seus países praticamente destruídos pelas potências ocidentais. Há alguns dias, a polícia da França e a Inglaterra interveio e derrubou as tendas dos migrantes no acampamento de Calais, no norte da França. Ali estão acampados mais de 3500 migrantes, vindos de diversos países do Oriente Médio e proibidos de entrar na Inglaterra. Famílias inteiras com crianças passam o inverno europeu em um terreno pantanoso, sem água e sem alimentos. Nas fronteiras entre a Macedônia e a Grécia, assim como entre a Alemanha e a Áustria, milhares tentam abrigo e são rejeitados por governos que se dizem democráticos e alguns deles cristãos.

CONIC: Declaração em favor da Democracia e do Estado de Direito

DECLARAÇÃO EM FAVOR DA DEMOCRACIA E DO ESTADO DE DIREITO

Nas últimas duas semanas, temos acompanhado acontecimentos políticos que provocam a necessidade de profundas reflexões sobre o atual momento do Brasil. É positivo que as pessoas acompanhem e se posicionem sobre os diferentes fatos e possibilidades que envolvem a política e a economia do país. Igualmente importantes são a inconformidade e a não aceitação da corrupção. Defendemos que todas as ações de corrupção, independentemente de quem as pratica, sejam investigadas e seus autores responsabilizados.

No entanto, surpreende-nos o viés presente nos processos que investigam casos de corrupção. Observamos com grande preocupação o processo de judicialização da política e o risco claro que este processo apresenta à democracia brasileira. Percebe-se que, para determinados julgamentos, não se têm observado o amplo direito à defesa, ao contraditório e à imparcialidade do julgamento, garantidos pela Constituição. É necessário que sejam respeitados os princípios da inocência e afastados os riscos de julgamentos sumários. Em vez disso, o que temos visto são ordens judiciais com ações repressivas absolutamente à revelia da nossa Constituição.

As polarizações, coerções e uso abusivo de poder não são condizentes com a prática da justiça. Um país democrático como o Brasil precisa garantir espaços seguros de diálogo, debate de ideias e projetos sem que os adversários políticos sejam considerados inimigos a serem aniquilados a qualquer custo. 

Em nota, igreja luterana (IECLB) conclama para o diálogo

Do confronto ao diálogo
Uma palavra da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB

As comunidades da IECLB anunciam e vivenciam em 2016 que, Pela graça de Deus, [somos] livres para cuidar. E queremos exercitar esse cuidado, tendo como critério a orientação do profeta Amós: Buscai o bem e não o mal (Amós 5.14a). Acreditamos que o convite feito às comunidades da IECLB pode ser um convite também para o povo brasileiro em geral diante do que se passa em nosso país hoje, cujos desdobramentos são imprevisíveis e perigosos.

O Brasil conquistou a democracia a duras penas. Um dos componentes imprescindíveis para que a democracia cresça e floresça chama-se diálogo. Diá logos: por meio da palavra; através da palavra. Diálogo é a interação entre pessoas através da palavra. Porém, acompanhando as notícias em nosso país hoje, fica-se com a nítida impressão de que estamos desaprendendo a dialogar. Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo?

Do ponto de vista cristão, há o que aprender quando o diálogo é substituído pelo confronto e até pela negação da outra pessoa. Do conflito à comunhão, um documento que avalia numa postura autocrítica a Reforma (1517), contém um parágrafo que pode jogar uma luz sobre o atual momento brasileiro:

ONU diz que polícia brasileira mata 5 por dia; maioria é afrodescendente

A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa a polícia brasileira de ser a responsável por cinco mortes a cada dia no país, totalizando apenas em 2015 cerca de 2.000 casos. O alerta foi feito nesta quinta-feira (10) pelo Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Bin Hussein.

Essa é a segunda denúncia que as Nações Unidas apresentam sobre a violência policial no Brasil em apenas uma semana.

Nesta quinta-feira, Zeid fez seu balanço anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo. Entre os cerca de 30 países citados pelo alto comissário, a situação brasileira teve seu destaque ao tratar do racismo contra pessoas afrodescendentes.

“No Brasil, o governo tomou ações para lidar com os direitos sociais de pessoas afrodescendentes, especialmente no campo da educação”, reconheceu Zeid.

“Apesar disso, foi amplamente informado sobre a insegurança que muitos jovens afro-brasileiros sentem diante da violência policial e da impunidade”, disse.

“Quem não tiver pecado, atire nela a primeira pedra” (Jo 8, 1-11) [Pe. Tomaz Hughes SVD]

Essa história parece muito mais semelhante às narrativas do Evangelho de Lucas do que do Evangelho do Discípulo Amado. De fato, não aparece nos manuscritos mais antigos de João e só aparece pela primeira vez em versões do século terceiro. Por isso, a maioria dos estudiosos acha que originalmente esta história circulava nas comunidades como uma tradição independente. O copista que a inseriu talvez fizesse por achar que ilustrasse duas frases do Quarto Evangelho: “Eu julgo a ninguém” (Jo 8, 15) e “Quem de vocês pode me acusar de pecado?” (Jo 8, 46). O tema do perdão de uma mulher pecadora é tipicamente lucano. Alguns manuscritos situam esse texto no Evangelho de Lucas durante as controvérsias da Semana Santa - o que parece ser um contexto mais adequado.

O problema apresentado a Jesus pelos fariseus é semelhante àquele do imposto em Lc 21, 27-38. A Lei judaica prescreveu a pena de morte para uma mulher casada, pega em adultério (Dt 22, 23-24). Mas, segundo João 18, 31, os romanos tinham retirado dos judeus o direito de condenar alguém à morte. Portanto, se Jesus dissesse que ela deveria ser apedrejada, ele contrariaria a lei civil dos romanos; se ele negasse esta pena, estaria contra a lei religiosa mosaica. É uma cilada semelhante ao dilema sobre o imposto a César em Mc 12 13-17, ou a questão sobre o divórcio em Mt 19, 3-9. Que os seus interlocutores não se interessam pela Lei se manifesta pelo fato de só acusarem a mulher e não o seu parceiro! Uma atitude machista tão comum ainda na nossa sociedade.

João 12.1-8: A realidade do amor - Ernesto Th. Schlieper

Nós ouvimos anteriormente que o único sinal pelo qual se conhece a comunidade cristã, é o amor que emana da ordem de Cristo: Um novo mandamento eu vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos tenho amado. Nisso conhecerão todos que sois discípulos meus, em que tiverdes amor uns para com os outros. (João 13, 34 s.)

E hoje ouvimos, como uma explicação a esse mandamento de Jesus, a história de Betânia, da ação de Maria, que em todos os seus traços nos mostra o que é o amor que Jesus quer que seja realidade na sua comunidade. O mandamento do amor não pode ser cumprido como qualquer lei, que só exige a nossa obediência, sem perguntar pelos nossos pensamentos, pelo nosso ser. Amor só pode existir onde ele nasce do centro de toda nossa existência. Não devemos pensar em atos de caridade ou auxílio — esses, qualquer pessoa pode realizá-los, sem que o seu coração deles participe.

O mandamento de Jesus não nos ordena em primeiro lugar que nós façamos alguma coisa; amor não é o que nós fazemos, mas o que somos. E de nada nos vale conhecermos e ouvirmos esse mandamento de Jesus, se não estamos prontos a sermos aqueles, a quem Jesus se dirige: seus discípulos; discípulos que o seguem, que nele reconhecem o seu mestre, que ouvem a sua palavra e deixam-se por ela inspirar e guiar, assim que o seu próprio modo de pensar tenha origem na palavra de Jesus. Discípulos de Jesus não querem servir a si mesmos, não procuram o seu próprio interesse, porque eles ouviram e levam consigo a palavra do Senhor: Um é vosso mestre, vós, porém, sois todos irmãos. (Mt. 23,8) Ser discípulo de Jesus significa estar pronto a desistir de seus próprios planos e pensamentos e deixar-se preencher pelas palavras e pensamentos do mestre.

CNBB divulga nota sobre o momento atual do Brasil

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quinta-feira, 10, durante coletiva de imprensa, nota sobre o momento atual do Brasil aprovada pelo Conselho Permanente, reunido de 8 a 10 deste mês, na sede da Conferência, em Brasília. 

Na nota, a CNBB manifestou preocupações diante do momento atual vivido pelo país. "Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade".

Ainda no texto, a Conferência recordou a necessidade de buscar, sempre, o exercício do diálogo e do respeito. "Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno", declara em nota.

Confira a íntegra do texto:

NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO ATUAL DO BRASIL

“O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,18)

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 8 a 10 de março de 2016, manifestamos preocupações diante do grave momento pelo qual passa o país e, por isso, queremos dizer uma palavra de discernimento. Como afirma o Papa Francisco, “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

A cada hora, cinco mulheres morrem no mundo vítimas de violência doméstica, diz ONG

De acordo com a ActionAid, mais de 500 mil mulheres serão mortas por seus parceiros ou familiares até 2030; apesar de avanço, violência ainda é realidade

A violência doméstica é responsável pela morte de cinco mulheres por hora no mundo, mostra a ONG (organização não governamental) Action Aid. A informação é resultado de análise do estudo global de crimes das Nações Unidas e indica um número estimado de 119 mulheres assassinadas diariamente por um parceiro ou parente.

A ActionAid prevê que mais de 500 mil mulheres serão mortas por seus parceiros ou familiares até 2030. O documento faz um apelo a governos, doadores e à comunidade internacional para que se unam a fim de dar prioridade a ações que preservem os diretos das mulheres. O estudo considera dados levantados em 70 países e revela que, apesar de diversas campanhas pelo mundo, a violência ou a ameaça dela ainda é uma realidade diária para milhões de mulheres.

“A intenção do relatório é fazer um levantamento sobre as diversas formas de violência que a mulher sofre no mundo. Na África, por exemplo, temos países que até hoje têm práticas de mutilação genital. Aqui, na América Latina, o Brasil é o quinto país em violência contra as mulheres. Segundo dados do Instituto Avon, três em cada cinco mulheres já sofreram violência nos relacionamentos em nosso país”, informa a assistente do programa de direitos das mulheres da Action Aid Brasil, Jéssica Barbosa.

Pesquisa: 51% dizem que TV incentiva desrespeito e assédio à mulher

Cerca de 51% dos brasileiros dizem que filmes e programas televisivos incentivam o desrespeito e o assédio a mulheres em ambientes de trabalho. Quase metade deles acredita que os programas de entretenimento têm impacto negativo nas práticas de assédio a mulheres nos locais de trabalho. Cerca de 73% acreditam que as mulheres são mostradas de maneira exageradamente sexualizadas no cinema e na TV, “reduzidas a seios e bundas”, com poucas roupas e pouco inteligentes.

Os dados fazem parte da pesquisa Investigação sobre o impacto da representação de gênero no cinema e na televisão brasileira, divulgada hoje (7) pelo Instituto Geena Davis, que há mais de dez anos se dedica a estudar e ampliar a presença da mulher no audiovisual no mundo.

A apresentação do trabalho foi feita na sede do Sistema Firjan, no centro do Rio de Janeiro, e contou com um painel de discussão sobre gênero na mídia e maior participação da mulher na cadeia produtiva do setor audiovisual. Concluído no ano passado, o estudo ouviu cerca de 2 mil pessoas, e foi dividido em dois momentos. Na primeira etapa, foram feitos grupos para elaboração das perguntas e, depois, uma pesquisa quantitativa por todo o Brasil.

Ajude-nos a fazermos a memória dos 30 anos do CEBI-ES

Olá amig@s! 

Estamos completando 30 anos em 2016! Que alegria para nós!

Ajude-nos a fazer a memória desses 30 anos nos enviando fotos, seu depoimento, escrevendo memórias e poesias...

Não importa se sua história ou experiência com o CEBI-ES é recente ou antiga. Queremos saber e guardá-la com muito carinho. Queremos fazer um livro com a memória de todos e todas!

Precisamos refazer o nosso caminho até aqui!

Envie para nós:

E-mail: cebies_sala@yahoo.com.br

Telefones da secretaria (funcionamento de segunda a sexta: 13:30 às 19:30): 
(27) 3223-0823 ou (27) 99945-2068

Você pode também usar o Facebook para enviar. Clique no link abaixo:


Estudo do II Testamento em Guarapari

Nos dias 05 e 06.03.16 estivemos reunidos em Guarapari para inciarmos o estudo sobre uma visão Geral do II Testamento. 

Foi muito bom estudarmos sobre a pessoa de Jesus, onde ele viveu, como era sua família, seus amigos, em que trabalhava e como a sociedade estava organizada politicamente. Vimos que as pessoas no primeiro século da era cristã escreveram muitas coisas interessantes sobre Jesus e seus ensinamentos! Pena que não coube tudo na nossa Bíblia...

Tivemos ótimas companhias de pessoas animadas!!! Agradecemos a todos e todas pela presença. Até o próximo!

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Celebração de Abertura das Atividades do CEBI-ES 2016

No dia 04/03/2016 nos encontramos para marcarmos o início de nossa caminhada em 2016 e lembrar um pouco de nossa caminhada nesses 30 anos.

Foi um bonito encontro de gente animada e comprometida com a Palavra e com a Vida. 
Obrigada a você que se fez presente e a você que esteve em sintonia.
Muito bom relembrarmos esses 30 anos de caminhada juntos. 

"Passo a passo, pouco a pouco, o caminho se faz."

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As mulheres cuidam dos filhos, trabalham mais e ganham menos

As mulheres do mundo passam mais tempo do que os homens em atividades domésticas não remuneradas, principalmente no cuidado com os filhos. Até dez anos mais de sua vida, como revela a pesquisa Trabalho de Mulher: Mães, Crianças e a Crise na Assistência à Infância, realizada pela think-tank britânica Overseas Development Institute (ODI). Mas as mães também atuam no mercado de trabalho formal para sustentar suas famílias, o que se traduz em uma falta de tempo que afeta sua qualidade de vida e bem-estar, e também suas crianças. Pelo menos 35,5 milhões de menores de cinco anos passam mais de uma hora por dia sozinhos ou sob a supervisão de outra criança com menos de 10 anos, segundo o estudo. “Isso não reflete uma falta de amor pela parte de seus pais, mas sim uma crise mundial de assistência à infância que atinge em cheio os mais pobres”, ressaltam os autores.

A história de Elizabeth López resume todas essas (e mais) desigualdades: de gênero, econômica, de tempo e de oportunidades. Ela cuidava de seus cinco filhos na Bolívia quando, em 2004, decidiu emigrar em busca de um trabalho melhor remunerado que o de costureira, que tinha em seu país, e assim poder sustentar a família. “O pai deles era muito machista. Ficava bêbado e nos expulsava de casa”, conta essa mulher de 43 anos. Em julho chegou a Madri, depois de uma primeira tentativa na França, na qual acabou em um centro de detenção e depois deportada. “Vim para poder mandar dinheiro para eles. Vivíamos em uma rua de terra, junto de um barranco, e quando chovia, tudo ficava alagado”, recorda. Na época, sua filha mais nova tinha seis anos.

Mulher, Toma teu cântaro e vai .... Ir. Helena Rech

Mulher, toma teu cântaro e vai...
Anuncia que é mulher,
mulher como tantas deste mundo,
mas não deixes de dizer que

Tu és mulher apaixonada,
mulher fecundidade gerando o novo,
mulher que ama porque é livre,
mulher capaz de quebrar o frasco
e derramar o bálsamo sobre os irmãos
de inundar a sala de perfume.

Tu és mulher ungida-consagrada,
encarnada na história,
sem medo de amara, de lutar,
e sem ódio brigar pela justiça.

Tu és intercessora para que a água se torne vinho
e pão seja partilhado,
para que o pequeno seja olhado,
a mulher seja acolhida,
o homem ajudado
e o rosto materno de Deus revelado.

Sim, toma teu cântaro e vai,
derrama flores de seu jeito feminino
e enfeita esse mundo tão quebrado,
abre teu útero e gera o novo
porque tudo está tão velho e machucado.
Rasga o espaço que é só teu,
abraça, acolhe, gera, partilha, reza,
ama, chora, vibra, mas não esqueça:
TUDO É DOM. TU ÉS DOM!

O protagonismo das mulheres nos movimentos sociais - Marcelo Barros

As comemorações do dia internacional da mulher nos fazem ver o papel fundamental das mulheres nos movimentos sociais. O Patriarcalismo está na base de muitos males da sociedade. Por isso, a luta pela igualdade na relação de gêneros e pelos direitos da mulher une a todos, homens e mulheres. No entanto, na maioria dos grupos de base e iniciativas, a liderança é das mulheres. Em todo o Brasil, existe uma centena de organizações e movimentos de mulheres que lutam pela justiça e igualdade.

A maioria de mulheres pobres. A Organização das Quebradeiras de Coco e o Movimento de Seringueiras na região amazônica, assim como o Coletivo das Mulheres Negras em defesa da Vida no Sul do Brasil se unem na mesma caminhada. No Movimento de Trabalhadores sem Terra, MST e nas lutas de periferia urbana tem se fortalecido o protagonismo das mulheres. Camila Moraes, 28 anos, gaúcha e jornalista, criadora da revista eletrônica Acho digno retrata lutas como o projeto “Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar”, ação direcionada para as mães dos jovens assassinados pela polícia e pelo tráfico nas periferias urbanas. Mulheres jovens, muitas das quais negras de periferia, formam a Frente Nacional das Mulheres do Hip-hop. Na Bahia, se destaca o Instituto Odara, organização cultural de mulheres negras. No Rio e São Paulo, a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).

Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional das Mulheres

“Ao longo da maior parte da História, Anônimo foi uma mulher”.
– VIRGINIA WOOLF

“Vocês, que vão emergir das ondas
Em que nós perecemos, pensem,
Quando falarem das nossas fraquezas,
Nos tempos sombrios
De que vocês tiveram a sorte de escapar”
– BERTOLT BRECHT

Era perto do fim do expediente da tarde de sábado, 25 de março de 1911, quando uma nuvem de fumaça se espalhou pelos três andares superiores do Asch Building, em Nova York. Ouviu-se o som de estilhaço de vidro seguido de um forte estampido. As trabalhadoras da Triangle Shirtwaist Company, que ocupava o espaço, acreditavam que fossem fardos de tecido ou pedaços da fachada que se desprendiam do prédio consumido pelo fogo. Logo perceberam o horror absoluto: aquele estranho estampido vinha dos corpos de mulheres e meninas que se jogavam das janelas tentando escapar das chamas. Bombeiros tentavam inutilmente amparar a queda com redes de proteção que se rompiam pelo peso dos corpos.

A fumaça e os gritos se alastravam por quarteirões, bombeiros desorientados direcionavam as mangueiras para os últimos andares do prédio tomado pelas chamas, mas a água só tinha pressão para atingir o sétimo andar do Asch Building. Em apenas 18 minutos, o incêndio transformou o oitavo, o nono e o décimo andar em escombros. Dentro do prédio, trabalhadoras se espremiam contra duas saídas de emergência – uma delas estava trancada.

Comunidades Eclesiais de Base se preparam para crescerem no mundo urbano

Entrevista com Celso Pinto Carias - exclusiva à Adital

"Agora, o olhar das CEBs está voltado, de modo mais cuidadoso, para o mundo urbano. O tema do próximo intereclesial, inclusive, é "CEBs e desafios no mundo urbano”. (...). Nos grandes centros urbanos, temos uma imensa população de seres humanos invisibilizados, que as próprias igrejas, muitas vezes, abandonam”, observa o assessor.

Celso Pinto Carias vive em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro. É doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde trabalha. Assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB (Comissão do Laicato, Setor CEBs), vem acompanhando a vida dessas Comunidades desde 1989, quando ajudou a coordenar os serviços do 7º Encontro Intereclesial, em Duque de Caxias. Participa do grupo de assessores e assessoras da Ampliada Nacional das CEBs, juntamente com as irmãs Mercedes e Tea, e o padre Vileci.

Nesta entrevista exclusiva à Adital, o teólogo analisa o impulso que a Igreja Católica de base vem experimentando a partir do papado de Francisco. Nesse contexto, destaca-se a atitude do Papa argentino ao enviar uma carta aos participantes do 13º Intereclesial, ocorrido na Diocese do Crato (Ceará), em 2014, momento em que "as CEBs se sentiram, mais uma vez, confirmadas pelo magistério”.

"Antes do Papa Francisco, os setores que deram continuidade ao [Concílio] Vaticano II praticamente não eram lembrados. Mas eles não desistiram (...) Certamente, ainda estamos em uma situação muito frágil, pois o Papa Francisco está falando praticamente sozinho (...) Haverá muitos que darão graças a Deus quando este Papa passar, mas o papado nunca mais será o mesmo”, declara Carias.

Reabilitar a Política - Marcelo Barros

Para as comunidades eclesiais e movimentos sociais de todo o mundo, março nos recorda o martírio de Monsenhor Oscar Romero que, em março de 1980, deu a sua vida pelo povo pobre de El Salvador. No momento atual que vivemos no Brasil, mais do que nunca, é preciso retomar uma palavra que esse bispo profeta retomava sempre: “É preciso reabilitar a dignidade da Política”. Pesquisas revelam: a maioria dos brasileiros não acredita na dignidade da Política. É verdade que, salvo raras exceções, os atuais políticos não ajudam o povo a ter uma visão positiva da Política. E a maioria dos meios de comunicação tenta mostrar que todo político é corrupto e o Brasil nunca teve uma situação política tão ruim quanto a atual.

Debates partidários são normais em uma democracia, mas existe uma campanha de descrédito da própria atividade política. Já na antiguidade, em Atenas, Aristóteles definia o ser humano como “animal político”. Com isso, ele queria afirmar que o homem e a mulher só se tornam plenamente humanos no convívio social. A vocação do ser humano é se tornar capaz de sair de si mesmo para cuidar do que é comum a todos. A vocação da Política é cuidar do bem comum. Tantos séculos depois, a sociedade ainda tem dificuldade de compreender isso. Apesar de ter sido esboçada na antiga Atenas, só em séculos recentes, a Democracia se efetivou na maioria das nações. Mesmo assim, no inconsciente coletivo, o/a presidente da República ainda é visto/a por muitos como se fosse um/uma monarca. A noção de cidadania é pouco desenvolvida. As leis decretam igualdade de direitos para todos, mas não pode existir democracia social, sem democracia econômica.

Lucas 15,1-3.11-3: Parábola do Pai Misericordioso - Paulo Ueti

Quaresma: tempo de transformar e ser transformado 

Logo estaremos celebrando mais um domingo da Quaresma. A Quaresma é um tempo marcado de paixão, insistência, possibilidades e revisão. É tempo de "crise", tempo de avaliar, ser avaliado, perceber que os óculos estão sujos ou embaçados precisando de limpeza ou que já chegamos num "tempo" (cronológico, mas também “kairótico”) em que precisamos forçar mais a vista para enxergar melhor, ou usar óculos, quem sabe.

É tempo de mudanças e conversões, como toda paixão provoca. Somos convidadas/os a mudar. E mudamos porque nos damos conta da paixão e compaixão que nos invade e nos impulsiona. Na Festa da Encarnação, celebramos a decisão da divindade de fazer-se corpo, tornar-se limitada e comunicar-se em nossa linguagem. Rebaixando-se, elevou-se (Filipenses 2,5-11). Exemplo de movimento espiritual e prático que devemos seguir. Por amor, naturalmente fazemos isso. Por isso, a tarefa fundamental desse tempo é o de ajudar a perceber (revelar) o amor e a paixão que movimentam a vida e impulsionam excentricamente o que é "de dentro" para fora, indo longe, onde não enxergamos nem seremos capazes de controlar. 

É tempo de deixar-se abraçar e afetar pela "vulnerabilidade nossa de cada dia". Tempo de ajudar e de reconhecer, sem medo nem vergonha, de que precisamos de ajuda. E tempo de oferecer, sem receber recompensas ou elogios, o nosso “eu mesmo” para o mundo em necessidade e que “grita e geme de dores”.

Lucas 15,11-32: Ternura e misericórdia de Deus - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

A PARÁBOLA DO PAI COM SEUS DOIS FILHOS
TERNURA E MISERICÓRDIA DE DEUS (Lucas 15,11-32)

No texto de hoje, vamos refletir sobre uma parábola que Jesus contou para ajudar as pessoas a terem uma ideia de Deus como Pai cheio de ternura. No tempo de Jesus, a ideia que o povo fazia de Deus era de alguém muito distante, severo, como um juiz que ameaçava com castigo. Jesus revela uma nova imagem de Deus.

SITUANDO

O capítulo 15 do Evangelho de Lucas é um ponto central na longa caminhada de Jesus para Jerusalém. É como o alto da serra, de onde se vê o caminho percorrido e se enxerga o caminho que ainda falta. É o capítulo da ternura e da misericórdia acolhedora de Deus, que está no centro das preocupações de Lucas. As comunidades devem ser a revelação do rosto deste Deus para a humanidade.

Todo o capítulo 15 está pendurado na seguinte informação inicial de Lucas: “Todos os publicanos e pecadores se aproximavam para ouvir Jesus. Os fariseus e os escribas, porém, murmuravam: Esse homem recebe os pecadores e come com eles!” (Lucas 15,1-2). Era isto que estava acontecendo na época de Lucas. Os pagãos se aproximavam das comunidades, querendo entrar e participar. Muitos irmãos judeus murmuravam, achando que acolhê-los era contra o ensinamento de Jesus. Em seguida, Lucas traz três parábolas ligadas entre si pelo assunto: a ovelha perdida (Lucas 15,4-7), a moeda perdida (Lucas 15,8-10), o filho perdido (Lucas 15,11-32).

“Seu irmão estava morto e tornou a viver” (Lucas 15, 1-3; 11-32) [Pe. Tomaz Hughes SVD]

O Evangelho de Lucas prima pela sua ênfase sobre a misericórdia de Deus. Se fosse para classificar em uma só palavra o rosto de Deus em Lucas, poderíamos sem hesitação assinalar “misericórdia”. Talvez nenhum capítulo saliente esta convicção tanto como o capítulo 15. A parábola aqui relatada está entre as mais conhecidas da Bíblia - geralmente chamada “O Filho Pródigo”. Devemos ter um pouco de cuidado com esse título - pois já sugere que a figura central da parábola é o Filho Pródigo - não necessariamente a interpretação mais adequada!

Para sermos fiéis ao evangelho, devemos interpretá-lo dentro do seu esquema teológico e literário. Para isso temos que dar muita atenção aos primeiros três versículos. Pois nos dão o motivo pelo qual Jesus contou as três parábolas do capítulo, uma chave valiosa de interpretação. São como um gancho sobre qual se pendura o resto do capítulo: “Todos os cobradores de impostos e pecadores se aproximavam de Jesus para o escutar. Mas, os fariseus e os doutores da Lei criticavam a Jesus, dizendo: “Esse homem acolhe pecadores, e come com eles!” (vv. 1-2). E depois vem a chave de interpretação: “Então Jesus contou lhes esta parábola” ( v. 3).

Ou seja, Jesus contou as parábolas deste capítulo porque os chefes religiosos o criticavam por associar-se com gente de má fama! Então a chave de interpretação é a atitude dos fariseus e doutores, contestada pelo ensinamento de Jesus. É bom lembrar que os fariseus e doutores da Lei não eram pessoas má – eram pessoas dedicadas a Deus e à religião. Só que a visão deles era distorcida – para eles, Deus é totalmente Santo, e por isso, rejeita pecadores. Para Jesus, Deus é totalmente Santo, mas por isso corre atrás dos pecadores e os acolhe. O problema de fundo é a visão de Deus, e Jesus dirige as três parábolas do capítulo 15 aos chefes religiosos, para contestar e corrigir a visão de Deus deles.

O Papa Francisco resgata o bom-senso de Jesus

O eixo estruturador dos discursos do Papa Francisco não são as doutrinas e os dogmas da Igreja Católica. Não que as preze menos. Sabe que elas são criações teológicas criadas historicamente. Elas provocaram guerras de religião, cismas, excomunhões, teólogos e mulheres (como Joana D’Arc e as tidas por “bruxas”) queimados na fogueira da inquisição. Isso durou por séculos e o autor destas linhas fez uma amarga experiência no cubículo onde se interrogavam os acusados no edifício severo da ex-Inquisição, à esquerda da basílica de São Pedro.

O Papa Francisco revoluciona o pensamento da Igreja remetendo-se à prática do Jesus histórico. Ela resgata o que hodiernamente se chama “a Tradição de Jesus” que é anterior aos atuais evangelhos, escritos 30-40 anos após a sua execução na cruz. A Tradição de Jesus ou também, como nos Atos dos Apóstolos se chama “o caminho de Jesus” se funda mais em valores e ideais que em doutrinas. Essenciais são o amor incondicional, a misericórdia, o perdão, a justiça e a preferência pelos pobres e marginalizados e a total abertura a Deus Pai. Ele, na verdade, não pretendeu fundar una nova religião. Ele quis nos ensinar a viver. Viver com fraternidade, solidariedade e cuidado de uns para com os outros.

O Rio Doce azedou - Frei Betto

Há 377 mil nascentes na Bacia do Rio Doce, que é do tamanho de Portugal. O rio tem 850 km de extensão e dele dependem 3,5 milhões de pessoas. Agora, com o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, resta um imenso curso de lama que destrói quase toda forma de vida que encontra pela frente. E a lama continua descendo todos os dias, sem que as autoridades tomem providencias.

As 735 barragens de Minas Gerais são verdadeiras bombas-relógio prestes a detonar a qualquer momento.

O maior desastre ambiental da história do Brasil causou 19 mortes. As casas de 254 famílias foram soterradas por 55 milhões de metros cúbicos de lama (o equivalente a 20 mil piscinas olímpicas cheias de lama). Em torno do rio Doce há 300 mil habitantes sem água limpa para beber, 11 toneladas de peixes mortos, 120 nascentes e mangues soterrados.

Já dizia Hugo Werneck, de quem fui vizinho em Belo Horizonte: “A natureza não precisa de nós. Nós é que precisamos da natureza.”

No capitalismo, empresa existe para dar lucros. Mais lucros e menos segurança! Proteção ambiental, investimento em pesquisas e qualidade de vida da população são questões secundárias...

Saneamento e a escassez qualitativa da água - Roberto Malvezzi (Gogó)

Quando Pero Vaz de Caminha chegou ao litoral brasileiro, além da admiração pelos índios e índias, pela exuberância da floresta litorânea, ele fica deslumbrado com a quantidade de águas. Vai escrever ao rei: “águas são muitas; infinitas. Em tal maneira graciosa (a terra) que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das aguas que tem! ”. Frase que depois, falsificada, fica reduzida a “nesse país em se plantando tudo dá”.

Quando o Brasil elaborou seu Primeiro Plano Nacional de Recursos Hídricos, participei com poucas pessoas do Nordeste para inserir no Plano a captação da água de chuva. Juntando várias fontes o Plano concluía que temos aproximadamente 13,8% das águas doces mundiais em território brasileiro.

Temos a maior malha de bacias hidrográficas do planeta, além do que somos o único país do mundo de dimensões continentais que tem chuva em todo território nacional. Outros países como China, Estados Unidos e Austrália tem imensos desertos em seus territórios.

Os dois maiores aquíferos do mundo estão em grande parte em território brasileiro, como o Alter do Chão na Amazônia e Aquífero Guarani que abrange regiões do sul e sudeste, além de outros países do cone sul.

Convite


CEBI – ES 30 Anos

Caminhando e Celebrando Nossa História
“Caminheiro/a, você sabe, não existe caminho;
Passo a passo, pouco a pouco, e o caminho se faz”

Irmãs e irmãos, companheiras e companheiros,

Neste ano de 2016 o CEBI-ES, Centro de Estudos Bíblicos celebra 30 anos de caminhada trilhada aqui em nosso Estado do Espírito Santo, e a caminhada é feita ao lado de gente de tantos lugares deste chão Capixaba e na sintonia e companhia de gente que vem de longe! 

O CEBI é um grupo de estudos bíblicos que busca, através da leitura popular da Bíblia, sintonizar-se com temas urgentes de nossa sociedade: questões étnico-raciais, gênero, juventudes, mulher, respeito à vida, às questões ambientais. 

Celebrar 30 anos nos leva a fazer memória da estrada trilhada, refletir e sonhar para seguir em frente. 

Durante todo o ano de 2016 estaremos na energia desses 30 anos de trabalho, de estudo e de animação através da Leitura Popular da Bíblia.

Assim, com alegria e na comunhão com o Dia Mundial de Oração, convidamos aqueles/as que percorrem conosco esse chão-história e que estão na sintonia da Vida!

Celebração de Abertura das atividades do CEBI
04 de março de 2016 (sexta-feira), às 19h
Local: Sala do CEBI –ES (Rua Duque de Caxias 121. Ed. Juel, Sala 206 – Centro 
Vitória/ ES. Telefone: (27) 3223-0823/ 999452068
(Às 18h30 haverá um lanche de acolhida.)

Aguardamos por sua querida presença nesse dia de celebração!

Cordialmente, 

CEBI-ES.