Nota de apoio

O CEBI-ES – Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo – vem a público manifestar seu apoio ao MST – Movimento dos Trabalhadores sem Terra – em sua luta pela defesa da educação no campo.

Entre as reivindicações dos Sem Terra está a continuidade do projeto de educação das escolas de assentamentos do estado; o reconhecimento imediato da pedagogia da alternância em tempo integral nas escolas do campo; a aprovação das diretrizes operacionais das escolas dos assentamentos; a nucleação de turmas das escolas do campo.

Apoiamos essas reivindicações por entendermos a importância dessa proposta educacional, existente há mais de 30 anos. A pedagogia da alternância intercala um período de convivência na sala de aula e a atividade no campo. Essa é uma prática pedagógica responsável por manter os jovens no meio rural.

Sem avanços nas reivindicações, trabalhadores e trabalhadoras ocuparam a Secretaria Estadual de Educação, em Vitória onde permanecerão por tempo indeterminado.

Reiteramos apoio a essas reivindicações e esperamos a imediata abertura das negociações por parte do governo estadual. A Educação Pública, laica e de qualidade é Direito Constitucional.

“Fechar Escola é Crime!”

Dez direitos do coração - Leonardo Boff

Atualmente se constata fecunda discussão filosófica sobre a necessidade do resgate da razão cordial, como limitação da excessiva racionalização da sociedade e como enriquecimento da razão instrumental-analítica, que deixada em livre curso, pode prejudicar a correta a relação para com a natureza que é de pertença e de respeito a seus ciclos e ritmos. Elenquemos aqui alguns direitos da dimensão do coração.

Proteja o coração que é o centro biológico do corpo humano. Com suas pulsações irriga com sangue todo o organismo fazendo que viva. Não sobrecarregue-o com demasiados alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas.

Cuide do coração. Ele é o nosso centro psíquico. Dele sai, como advertiu Jesus, todas as coisas boas e ruins. Comporte-se de tal maneira que ele não precise se sobressaltar face aos riscos e perigos. Mantenha-o apaziguado com uma vida serena e saudável.

Vele por seu coração. Ele representa a nossa dimensão do profundo. Nele se manifesta a consciência que sempre nos acompanha, aconselha, adverte e também nos acusa. No coração brilha a centelha sagrada que produz em nós entusiasmo. Esse entusiasmo filologicamante significa ter um “Deus interior” que nos aquece e ilumina. O sentimento profundo do coração nos convence de que o absurdo nunca terá a última palavra no livro da vida.

Antes que seja tarde - José Pagola

Tinha passado já bastante tempo desde que Jesus se apresentara na sua terra de Nazaré como Profeta, enviado pelo Espírito de Deus para anunciar aos pobres a Boa Nova. Continua a repetir incansavelmente a Sua mensagem: Deus está já próximo, abrindo-se caminho para fazer um mundo mais humano para todos.

Mas Jesus é realista. Sabe bem que Deus não pode mudar o mundo sem que nós mudemos. Por isso se esforça em despertar nas pessoas a conversão: "Convertei-vos e acreditai nesta Boa Nova". Esse empenho de Deus em fazer um mundo mais humano será possível se respondemos acolhendo o seu projeto.

Vai passando o tempo e Jesus vê que as pessoas não reagem à chamada como seria o seu desejo. São muitos os que vêm escutá-Lo, mas não chegam a abrir-se ao "Reino de Deus". Jesus vai insistir. É urgente mudar antes que seja tarde. 

Em certa ocasião, Jesus conta uma pequena parábola. Um proprietário de um terreno tem plantado uma figueira no meio da sua vinha. Ano após ano, vem à procura de fruto e nela não o encontra. A sua decisão parece a mais sensata: a figueira não dá fruto e está a ocupar inutilmente um terreno, o mais razoável é cortá-la.

CFE 2016: Sua cidade ainda tem esgoto a céu aberto?

Você sabia que muitas famílias ainda convivem com esgoto a céu aberto, falta de coleta regular de lixo e de água potável? Essa cena não fica restrita a lugares menores, de interior, que possuem menos visibilidade. Também fazem parte da realidade de periferias dos grandes centros urbanos.

No estado do Maranhão, por exemplo, cidades de diferentes tamanhos possuem este cenário que mescla falta de informação, de atuação das autoridades e de recursos melhor aplicados. “Praticamente nenhuma cidade do Maranhão tem saneamento básico”, afirma a coordenadora estadual da Pastoral da Criança, Adriana Aleixo. Nos últimos anos, ela tem conversado com os demais coordenadores e líderes do estado e percebido o quanto essa situação afeta as famílias, gerando riscos para a saúde e o bem estar, especialmente para as crianças.

Impossibilidades ou descaso?

No município de Itinga, que possui uma população de aproximadamente 25 mil habitantes (IBGE), já foi observada a relação da falta de condições adequadas de saneamento e a ocorrência de casos de diarreia. “Não há visita dos órgãos da saúde no Vale do Itinga e no assentamento Santa Maria. Algumas comunidades, por mais que a Pastoral visite e oriente, não é o suficiente. Com esgoto a céu aberto e água de poço não tratada, até os adultos adoecem”, informa a coordenadora, a partir dos relatos locais e visitas à Paróquia Bom Jesus da Lapa.

Lançamento do Relatório Anual “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo 2015/2016″


A Anistia Internacional lança nesta quarta-feira (24), seu relatório anual ‘O Estado dos Direitos Humanos no Mundo’, apresentando um balanço dos direitos humanos em mais de 160 países, dentre ele, o Brasil.

“Milhões de pessoas estão sofrendo imensamente nas mãos de Estados e grupos armados, enquanto governos tratam a proteção aos direitos humanos como uma ameaça à segurança, ordem pública ou ‘valores’ nacionais”, declara Salil Shetty, Secretário-Geral da Anistia Internacional.

O relatório apresenta o estado dos direitos humanos em mais de 160 países, e um deles é o Brasil. Ainda teremos transmissão ao vivo pelo site da Anistia para aqueles que não puderem estar presentes no evento.

O ano de 2015 foi cruel para aqueles que se mobilizam em defesa dos direitos humanos e, ainda mais, para aqueles que tiveram seus direitos violados das mais diversas formas. Dentre tudo que vimos acontecer, estão os deslocamentos em massa de refugiados fugindo dos conflitos armados, a violência policial excessiva e desnecessária, cerceamento da liberdade de expressão e manifestação, torturas, prisões arbitrárias, a negação do direito à terra de populações tradicionais e legislações que impedem as mulheres de exercerem seus direitos reprodutivos e sexuais.

No entanto, nenhum dos casos foi aceito de forma passiva. Muito pelo contrário, em nossa última mobilização internacional, a Maratona Escreva por Direitos 2015, nos mais de 150 países e territórios onde a Anistia está presente, foram mais de 2,7 milhões de ações em defesa dos direitos humanos.

Acompanhe o lançamento mundial do nosso relatório nas redes sociais pela hashtag #AIR16 e nos canais da Anistia:


Lc 13,1-9: Mudai de vida e produzi frutos! - Ildo Bohn Gass

Estamos nos aproximando do terceiro domingo da Quaresma. Este é um tempo de graça (kairos), um tempo oportuno para a conversão, a mudança de vida. E a liturgia nos propõe, como luz no caminho, o texto de Lucas 13,1-9. Encontramos esta narrativa somente no evangelho segundo Lucas.

Vamos refletir sobre este relato em dois momentos. Primeiro, a partir do diálogo de Jesus com algumas pessoas que o procuraram. Depois, a partir da parábola que ele lhes contou.

Mudai de vida! (Lucas 13,1-5)

Esta narrativa situa-se na caminhada de Jesus com seu grupo desde a Galileia (Lucas 9,51) até Jerusalém (Lucas 19,28), onde autoridades do sinédrio e da ocupação romana o condenarão à morte na cruz. Porém, a vida vencerá a morte. Nesse sentido, o evangelho deste final de semana é um convite para a conversão, a mudança de direção em nossas vidas, de modo a andar no mesmo caminho de justiça proposto por Jesus. Porém, ontem e hoje, rejeitado pelos poderosos deste mundo. É o caminho em que Jesus vai formando seus discípulos e suas discípulas.

O texto não informa quem são as pessoas que procuraram Jesus para falar do massacre que Pilatos promovera no pátio do templo junto ao altar, onde galileus estavam oferecendo sacrifícios. Provavelmente, é uma referência à chacina de galileus executada pelo interventor romano, quando estes resistiram contra o saque do tesouro do templo que Pilatos havia feito, a fim de construir um aqueduto. 

Os três caminhos da mudança e da conversão - Carlos Mesters

O caminho da justiça

Justiça existe quando tudo está no lugar onde Deus o quer; quando tudo é como deve ser. Os profetas lutam para que tudo e todos ocupem novamente o seu lugar conforme o projeto da Aliança. Não são pregadores teóricos, mas denunciam bem claramente as injustiças e apontam as causas. Não tem medo de dizer o que está errado na organização do país, tanto por parte das pessoas responsáveis como por parte das instituições.

A denúncia dos profetas, feita a partir da retomada da aliança, levou a criação de novas leis a fim de, por meio delas, instituir uma ordem que favorecesse a vida do povo e o levasse á observância plena da aliança. Uma destas leis, por exemplo, é a Lei do Ano Jubilar ou do Ano Sabático (Lv 25; Dt 15) que visa criar uma estrutura agrária mais justa no país.

O caminho da solidariedade

Nem toda a pobreza é fruto da injustiça, mas todos os pobres merecem ser acolhidos. A comunidade do povo de Deus deve ser uma amostra daquilo que Deus quer para todos. Ela deve ser aliança de Deus com os seres humanos contra tudo aquilo que estraga a vida e marginaliza as pessoas. Ela deve saber acolher as vítimas do empobrecimento, causando tanto pela injustiça como por outras coisas.

“Ó CEUS! Ó TEMPOS! Direito e Justiça”, por Selvino Heck

“É preciso agir. Os céus clamam por ação comunitária, governamental e solidariedade. Como ver a lama matando gente, inundando povoados, contaminando o Rio Doce por causa da desmedida ganância de quem está se lixando para a vida e o planeta? Como assistir à quase destruição da cidade do verde, a Porto Alegre dos túneis verdes, suas árvores e parques, depois de um temporal ou tufão nunca antes visto? Como deixar um mosquito instalar-se nos corpos, picar e invadir mulheres, ver nascer meninas e meninos de cérebro diminuído, quase sem movimentos, só choros de dor, enquanto bacias, pneus, recipientes, lixo na rua criam o ‘aedes’ por falta de saneamento, consciência e cuidados? A denúncia das ações ou das não ações de governos e sociedade clama aos céus e exige piedade, meu Deus, exige, em pleno século XXI, que seres humanos, vilas, árvores, rios não sejam destruídos, não morram porque os direitos não foram respeitados, a justiça não foi feita, a Casa Comum foi violada!”

Seriam essas as palavras do profeta Amós hoje, passando por cidades e povoados, invadindo os meios de comunicação, falando em templos e palácios? Denunciaria governos, reis, impérios? Chamaria à consciência comunidades, igrejas, pessoas, a humanidade?

Amós, o profeta da justiça social, que nos revela um Deus que defende o direito dos pobres, anunciou/denunciou nove séculos antes de Cristo: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).

CFE 2016: Yemanjá e o cuidado com a Casa Comum

No dia 2 de fevereiro, popularmente comemora-se em diversos estados do Brasil o dia de Yemọja (Yemanjá/Iemanjá). Esta data deriva do sincretismo religioso desta divindade negra africana, principalmente com a santa católica, Nossa Senhora dos Navegantes.

Venerada como “Rainha do Mar”, Yemanjá, da contração da expressão yorùbána Yèyé omo ejá "Mãe cujos filhos são peixes", segundo a mitologia dos Òrìṣàs (Orixás) [1] é filha de Olóòkun associada ao controle dos mares, do poder e sexualidade feminina, do matriarcado e junto com Ọ̀ṣun (Oxum), possuí o título de Grande ìyába (Mãe Rainha).

Segundo D. M. Zenicola [2], "representa o poder progenitor feminino; é ela que nos faz nascer, divindade que é maternidade universal, a Mãe do Mundo".

Ela exerce um papel muito importante na vida dos pescadores: "Iemanja desempenha duplo papel. De um lado ela é a mãe que propicia a pesca abundante - que controla o movimento das águas - da qual depende a vida do pescador" [3]. Além disso, é comparada com diversas lendas folclóricas brasileiras, como da Mãe d'Água Iara e diversas histórias de sereias marítimas.

Jo 13,31-35: Amem-se uns aos outros - Tomaz Hughes e Carlos Mesters

O texto situa-se no contexto do último Discurso de Jesus, na Ceia Pascal. Começa logo após a saída de Judas para trair Jesus, depois que Jesus lhe disse "o que você pretende fazer, faça-o logo" (Jo 13, 27). Com a licença oficial dada ao agente de Satanás para iniciar o processo que iria matá-lo, Jesus começa o processo da sua glorificação.

A sua fidelidade ao projeto do Pai vai levá-lo à Cruz, que, no Quarto Evangelho, não é um sinal de derrota, mas da vitória última e permanente de Deus. Por isso, a morte de Jesus, aparente vitória do mal, será a glorificação de Jesus, e nele, do Pai. O anúncio da sua partida, para os judeus uma ameaça (v 33), é para a comunidade dos seus discípulos um momento de emoção e carinho. A sua última dádiva a eles é um novo mandamento: "eu dou a vocês um novo mandamento: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros."(v 34).

O que há de novo neste mandamento?

O que diferencia a proposta de amor de Jesus e dos seus seguidores de outras propostas já conhecidas? O mundo do tempo de Jesus, tanto na sociedade pagã como judaica, conhecia propostas de amor mútuo. O mandamento de Jesus é novo em primeiro lugar porque ele se impõe como exigência essencial para entrar na comunidade "escatológica".

O protagonismo dos excluídos - Frei Betto

Todo esse fluxo migratório que o papa Francisco chama de Terceira Guerra Mundial é fruto do que Europa e EUA plantaram na Ásia, África e Oriente Médio. Foram séculos de colonialismo brutal. E quem garante que, hoje, os drones que atiram bombas no Afeganistão e na Síria como chuva abundante não ceifam a vida de inúmeros civis inocentes?

Devemos esperar que o camponês, ao ver a propriedade agrícola da sua família ser destruída por um drone, e matar seu avô, pai e irmão, e o bebê de sua irmã, se refugie agradecido no Ocidente?

“A paz só virá como fruto da justiça”, dizia o profeta Isaías, sete séculos antes de Cristo. Ou seja, jamais virá como mero equilíbrio de forças.

Por que razão os donos do Ocidente (a Europa Ocidental e os EUA) estenderam, durante décadas, tapete vermelho para as famílias (Bashar) al-Assad, da Síria; Hussein, do Iraque; Kadafi, da Líbia; e, de repente, todas foram jogadas no lixo da história? A resposta está na evolução do comércio de petróleo.

Saneamento básico: Se a terra é nossa casa comum, a obrigação de não sujá-la também é

“Para o direito brotar como fonte e a justiça como riacho que não seca, como Amós inspira a Campanha da Fraternidade deste ano, ao saneamento básico de respeito à terra, à agua, à flora e à fauna, à toda a natureza e seu meio-ambiente, enfim, um outro saneamento, esse ético-político, talvez se constitua até em condição prévia”, escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG ACesso, Cidadania e Direitos Humanos.

Eis o artigo.

O saneamento básico é daquelas condições de vida digna por si só comprobatório da indivisibilidade e da interdependência dos direitos humanos sociais, especialmente o da saúde e o da moradia. Condição de vida e bem-estar de qualquer ser humano, a universalidade da sua extensão e reconhecimento garantido a toda a terra e a toda a gente não pode sofrer limitação ditada, por exemplo, pelo grau do poder econômico de quem quer que seja.

A oportunidade dessa lembrança foi valorizada em nota do jornal Estado de São Paulo, deste 15 de fevereiro. Sob o título “A urgência do saneamento”, ele chama a atenção para a iniciativa da CNBB em “lembrar, na sua Campanha da Fraternidade deste ano, que não é possível alcançar a almejada justiça social se o país não resolver urgentemente suas graves deficiências na área de saneamento básico. A mensagem, transmitida pelo papa Francisco, é que "o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da fome".

Quem matou Dorothy Stang, continua matando

A repercussão desse assassinato deu a impressão que a violência de crimes praticados por motivos idênticos, se não fosse eliminada, pelo menos diminuiria. Os fatos posteriores vêm provando o contrário.

Camponesas e camponeses de Anapu, no sul do Pará, certamente vão se reunir neste 12 de fevereiro, para lembrar a morte da freira Dorothy Stang, uma fiel e dedicada companheira delas/es, religiosa conhecida por sua coragem e disposição, assassinada em razão de sua luta em favor do povo pobre daquela região, da reforma agrária, e contra o desmatamento crescente que lá se verificava, promovido por latifundiários interessados, como em outros lugares do país, na expansão do plantio de soja, na conquista de espaço para o gado, em mineração e em vender madeira.

A repercussão nacional e internacional desse assassinato deu a impressão, como já ocorrera com o massacre de Eldorado do Carajás, sintomaticamente acontecido no mesmo Estado do Pará, que a violência de crimes praticados por motivos idênticos ao que matou Dorothy, se não fosse eliminada, pelo menos diminuiria.

Os fatos posteriores vêm provando o contrário, chamando a atenção até de órgãos da imprensa estrangeira como é o caso do Financial Times. Na sua edição de 10 de dezembro passado, abriu matéria sob a seguinte manchete: “Terras sem lei ameaçam compromisso climático brasileiro”.

Abertura da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

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O CONIC-ES (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do ES) abriu neste domingo (14/02/16) a Campanha da Fraternidade Ecumênica no Espírito Santo com uma caminhada e a presença das Igrejas Luterana, Católica, Presbiteriana, Anglicana e Batista, além dos membros fraternos, a exemplo do CEBI-ES. O tema escolhido para a Campanha é “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o lema, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24).

A concentração foi às 15:00 na Primeira Igreja Presbiteriana Unida, no Centro de Vitória, com a reflexão Deus Criador da Casa Comum. Em seguida iniciamos a caminhada e paramos na Praça Costa Pereira, onde a Igreja Luterana fez a reflexão Jesus Cristo, redentor da humanidade e sua Casa Comum. Em seguida nos dirigimos a escadaria do Palacio de Governo e o Fórum de Defesa do Rio Doce fez uma reflexão sobre a situação atual do maior crime ambiental da história do país. Por último, paramos em frente à Catedral de Vitória para uma reflexão com ênfase no Espírito Santo, Renovador da Casa Comum.

Foi um momento de alegria, espiritualidade e de dizermos: "PRESENTE!!!"

Lc 4,1-13: O Filho de Deus é posto à prova

Temptation of Christ on the Mount by Duccio di BuoninsegnaLeitura Orante

Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão e, no Espírito, era conduzido pelo deserto. Ali foi posto à prova pelo diabo, durante quarenta dias. Naqueles dias, ele não comeu nada e, no final, teve fome. O diabo, então, disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão". Jesus respondeu: "Está escrito: 'Não se vive somente de pão'". O diabo o levou para o alto; mostrou-lhe, num relance, todos os reinos da terra, e lhe disse: "Eu te darei todo este poder e a riqueza destes reinos, pois a mim é que foram dados, e eu os posso dar a quem eu quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu". Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: 'Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto'". Depois, o diabo levou Jesus a Jerusalém e, colocando-o no ponto mais alto do templo, disse-lhe: "Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Pois está escrito: 'Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito para que te guardem', e ainda: 'Eles te carregarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra'". Jesus, porém, respondeu: "Também foi dito: 'Não porás à prova o Senhor, teu Deus'". Terminadas todas as tentações, o diabo afastou-se dele até o tempo oportuno. 

Leitura Orante 

Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo. 
Trindade Santíssima 
- Pai, Filho, Espírito Santo - 
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser. 
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

O filho de Deus obediente à vontade do Pai - Carlos Alberto Contieri

A cena das tentações está intimamente vinculada à cena do batismo e à genealogia de Jesus: é como Filho de Deus que Jesus é tentado (cf. Lc 4,3.9). Israel, depois de ter sido escolhido pelo Senhor como seu filho (Ex 4,22), foi conduzido pelo deserto, através de uma coluna de fogo (cf. Is 63,11.14), para ser tentado durante quarenta anos. A tipologia subjacente ao relato das tentações de Jesus é a do Êxodo. 

As três cenas das tentações descrevem Jesus como Filho de Deus, obediente à vontade do Pai. Por essa razão, ele não cede à sedução de usar seus poderes ou sua autoridade de Filho para uma finalidade distinta da que é a sua missão. A tentação é a de utilizar a sua condição de Filho de Deus em benefício próprio.

As três cenas fazem alusão às tentações do povo de Israel ao longo da travessia pelo deserto. O relato não visa nos fazer compreender que as tentações aconteceram num único momento da vida de Jesus; ele só pode ser lido e compreendido no conjunto do evangelho, pois as tentações acompanharam Jesus ao longo de toda a sua vida terrena. 

Como Moisés, que antes de escrever as palavras da aliança jejua, assim também Jesus, antes de começar o seu ministério público. Depois de dias de jejum, a fome não aparece como uma tentação surpreendente. Ainda que o pão seja necessário para a vida, a vida do ser humano não se reduz aos seus bens, nem se resolve com um passe de mágica.

CFE 2016 alerta para necessidade de saneamento básico no Brasil

“O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis e para a sustentabilidade ambiental”. Com essa mensagem, o papa Francisco convida as pessoas a se mobilizarem, a partir de suas comunidades, para promoção da Justiça e do direito ao saneamento básico, na Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

Lançada hoje (10) pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e pela pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha vai alertar sobre o direito de todas as pessoas ao saneamento básico e debater políticas públicas e ações que garantam a integridade e o futuro do meio ambiente. Com o tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, a Campanha também vai tratar do desenvolvimento, da saúde integral e da qualidade de vida dos cidadãos.

O presidente do CONIC, dom Flávio Irala, disse que tratar do tema é fundamental porque nem sempre tem visibilidade nas propostas públicas e nos movimentos sociais. “Nos preocupamos com o fato de que mais da metade da população permaneçam sem acesso à rede de coleta de esgoto e que apenas 40% dos esgotos sejam tratados. Nenhuma pessoa deve ser privada do acesso aos benefícios do saneamento básico em função da sua condição socioeconômica. O acesso ao saneamento promove a inclusão social e a garantia dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos e dos inibidores de doenças, como cólera, febre amarela, chikungunya, dengue, diarreia, bem como para evitar a proliferação do vírus Zika”, disse.

“Casa comum, nossa responsabilidade” - Marcelo Barros

Esse é o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica que, em todo o Brasil, será aberta pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) nessa quarta feira, 10 de fevereiro ou, no próximo domingo, o 1o da Quaresma. De fato, desde o ano 2000, essa será a 4a Campanha da Fraternidade Ecumênica. Reúne cinco Igrejas cristãs e diversas organizações interconfessionais. Dessa vez, além das Igrejas, essa Campanha da Fraternidade envolve também a Misereor, organização dos bispos católicos da Alemanha. O tema geral é o cuidado com a Terra, especialmente no que diz respeito ao saneamento básico que inclui o abastecimento de água urbano e rural; a coleta e tratamento de esgoto; o manejo adequado dos resíduos sólidos (lixo) e a drenagem das águas de chuva. Certamente, na realidade que, nesses dias, enfrentamos no Brasil, não podemos esquecer o combate a mosquitos que transmitem doenças que assolam a nossa população e provocam tantos males. 

As estatísticas mostram que, no Brasil, apesar dos esforços do governo nos últimos dez anos, ainda temos um longo caminho a percorrer no cuidado com a terra e com os nossos rios. É difícil compreender como um país que produz até aviões comerciais de grande porte não consegue solucionar os problemas de saneamento nem em cidades centrais como São Paulo e Rio de Janeiro. Os centros metropolitanos de médio e de grande porte enfrentam cada vez mais problemas relacionados à poluição da água.

CFE 2016: mensagem do Conselho Mundial de Igrejas

Mensagem do Rev. Dr Olav Fykse Tveit, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

Queridas irmãs, queridos irmãos do Brasil,
Saudações de Genebra, da comunhão do Conselho Mundial de Igrejas!

Hoje, compartilhamos do seu entusiasmo com o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano.

Seu tema, “Casa Comum”, nos lembra que a comunidade humana está inserida numa comunidade mais ampla na Terra, que, por sua vez, é parte da morada da vida de Deus.

O cuidado com a paz, a justiça e o bem comum da família humana, assim como o cuidado com o bem estar de todas as formas de vida em amor e solidariedade, são preocupações de todas as pessoas.

Confrontados com uma crise múltipla da vida, começamos a ver a profunda necessidade de mudança e transformação.

Sabemos que ações unilaterais isoladas de países não são suficiente para confrontar os problemas mais profundos.

“Sem igualdade de oportunidade não há meritocracia”, diz economista e professor do Insper

Para Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper, discutir meritocracia em um país tão desigual em oportunidades como o Brasil não faz sentido. “Sem resolver a desigualdade de oportunidades, ficar falando em meritocracia é piada. Como discutir o mérito de quem chegou em primeiro lugar em uma corrida onde as pessoas saíram em tempos diferentes e a distâncias diferentes?”, questiona Paes de Barros, um dos principais especialistas em desigualdade social. “Não faz nenhum sentido discutir o mérito em uma regata na qual os barcos não são iguais, ou em uma corrida de Fórmula 1 em que não se está sujeito ao mesmo regulamento.” Para ele, o país já avançou ao reduzir a discriminação, que ocorria até nas escolas, contra alunos menos favorecidos.

“No passado haviam ações, tradições e procedimentos que reforçavam a desigualdade que vinha da família. Porque uma coisa é eu pegar uma criança de família desestruturada e não conseguir ensinar. Outra coisa é dizer: não vou nem ensinar esse aí, porque não aprende mesmo”. O professor ia para escola em um bairro pobre e nem se esforçava muito em ensinar. Era discriminação”, afirma Paes de Barros, que acredita que o que falta agora é discriminar os alunos positivamente, dedicando a eles toda a atenção extra necessária.

Não Grite Eugenia: Ouça as Mulheres

Eu queria que você me escutasse: por favor, não grite “eugenia!” Essa é uma palavra maldita, carrega um passado de pânico e anuncia um futuro no qual nenhuma de nós quer viver. É verdade, os nazistas foram eugênicos. Eles foram até mais do que isso: houve práticas de exceção e de extermínio, uma força totalitária contra a qual os indivíduos não tinham vontade ou voz. Nem eu nem você jamais esqueceremos o horror da eugenia que obrigou mulheres a abortarem, que fez experimentos em crianças com deficiência, que exterminou os velhos. Essa história de abuso deve ficar para sempre em nossa lembrança.

Não tem nada de eugênico no que vivemos agora com a epidemia do zika no Brasil e o início da conversa sobre o aborto em caso de a mulher ser infectada pelo vírus. Não há Estado totalitário, não há máquinas de extermínio ou solução final; ao contrário, há clamores de mulheres desamparadas para que se reconheça, em cada uma de nós, a soberania da vontade sobre como planejar a família. Se há excessos de autoritarismo, é no atual regime político em que somos proibidas de decidir sobre como, quando e em que condições queremos ter filhos — hoje, o útero é propriedade de quem nos governa com a força da lei penal.

“O crime contra o menino Vitor Kaingang não é um caso isolado”

No dia 25 de janeiro, 26 dias depois do brutal assassinato do indígena Vítor Pinto Kaingang, de apenas dois anos, morto no colo de sua mãe na rodoviária de Imbituba (SC), o inquérito que investiga o crime foi concluído. O principal suspeito, que está preso temporariamente desde o início do ano e confessou o crime, foi indiciado por homicídio doloso duplamente qualificado, por ter sido praticado por motivo fútil e sem chance de defesa.

Em entrevista coletiva concedida na semana passada, o delegado Raphael Giordani, responsável pelo caso, afirmou aos meios de comunicação que o suspeito detido há quase um mês confessou ter cometido o crime, sob a justificativa de que “espíritos disseram que ele deveria matar uma criança”.

O inquérito não considerou o caso um crime de ódio motivado por preconceito contra indígenas. Segundo as declarações do delegado, o suspeito detido afirmou que teria escolhido sua vítima por ser uma criança, e não por ser um indígena.

Para um grupo de profissionais ligados à questão indígena e missionários do Cimi Sul de Santa Catarina, o caso de Vítor Kaingang “não é apenas um caso individual, isolado do contexto no qual vivem os povos indígenas no Brasil e em Santa Catarina”, conforme explicam em nota divulgada neste final de semana, quando o crime ocorrido em 30 de dezembro no litoral sul de Santa Catarina completou um mês.

Lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 será lançada, oficialmente, no dia 10 de fevereiro. O tema da Campanha é “Casa Comum, nossa responsabilidade”. O lema bíblico é “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. (Am 5.24)

O objetivo chamar atenção para a questão do direito ao saneamento básico para todas as pessoas, buscando fortalecer o empenho, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da Casa Comum, ou seja, do planeta Terra.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica é realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e assumida pelas igrejas-membro: Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil e Sírian Ortodoxa de Antioquia. Além dessas igrejas, estão integradas à Campanha a Aliança de Batistas do Brasil, Visão Mundial e Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP).

Este ano, a CFE terá dimensão internacional, pois será realizada em parceria com a Misereor - entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

SERVIÇO

Coletiva de Imprensa: CNBB
- Endereço: SES 801, conjunto B – sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Horário: 10h45

Celebração Ecumênica: Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Brasília 
- Endereço: EQS 405/406, Asa Sul.
Horário: 20h00

Mais informações pelo 61-3321-4034.

CONTEXTUALIZAÇÃO

O Brasil é um dos países com o índice mais alto de pessoas que não possuem banheiro com quase 7,2 milhões de habitantes, de acordo com o Progress on Sanitation and Drinking-Water, 2014. Cerca de 35 milhões de pessoas não contam com água tratada em casa e quase 100 milhões estão excluídas do serviço de coleta de esgotos, como aponta publicação, de 2015, do Instituto Trata Brasil.

Ainda de acordo com o Trata Brasil, a cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Contudo, 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, resultando no prejuízo de R$ 8 bilhões. A soma do volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas Cantareira. Eis o porquê de se falar desse assunto, uma vez que afeta a saúde pública, a dignidade humana, a sustentabilidade do planeta e, também, a economia.

SPOTS PARA TV E RÁDIO

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Fonte: CONIC

Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

Cerca de 200 milhões de crianças e mulheres foram vítimas de mutilações genitais no mundo, segundo um relatório divulgado nesta sexta-feira (5) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Em países como Somália, Guiné e Djibuti, na África, até 98% das mulheres sofreram excisão, como é chamada a extirpação do clitóris.

Um dado preocupante do relatório é que o índice de mutilações está subindo na Libéria, em Burkina Faso e no Quênia. O objetivo da entidade da ONU é acabar com essa prática até 2030. O tema foi incluído nos objetivos de desenvolvimento das Nações Unidas para os próximos 15 anos, adotado por 193 países em setembro de 2015.

Entre as vítimas, 44 milhões são meninas com 14 anos ou menos. Na maioria dos 30 países que realizam excisão infantil, a mutilação aconteceu antes dos cinco anos da criança.

“Em lugares como Somália, Guiné e Djibuti, essa prática atinge quase todas as mulheres”, destacou Claudia Cappa, diretora do estudo. O índice de mutilação das mulheres nestes países é de 98%, 97% e 93%, respectivamente.

Avanços lentos contra a mutilação feminina

“Nós precisamos apoiar os esforços locais para acabar com essa prática”, frisou Cappa. Desde 2008, mais de 15 mil comunidades abandonaram as mutilações genitais femininas, das quais 2 mil só no ano passado. Cinco países adotaram leis que criminalizam o ato: Quênia, Uganda, Guiné Bissau e, mais recentemente, Nigéria e Gâmbia.

A festa do encontro - Marcelo Barros

Em todo o Brasil, já se respira o clima do Carnaval. Em algumas capitais do Nordeste e do litoral, a festa começou há vários dias e se prolonga por outros. Muita gente espera o ano inteiro por esses dias. Outros aproveitam para descansar ou viver alguma experiência alternativa. Grupos contrários à folia fazem encontros paralelos. Grupos de tradição católica fazem o que chamam de “Cristoval”, ou “carnaval de jovens cristãos”.

Evangélicos e pentecostais fazem acampamentos de juventude. Essa diversidade é positiva. Só devemos tomar cuidado para não dar a impressão de que Deus está conosco e não com os outros. 

Em 1975, em uma crônica de rádio, assim se expressava Dom Helder Camara, então arcebispo de Olinda e Recife: "Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu....Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu... Brinque meu povo querido! É verdade que quarta-feira a luta recomeça. Mas, ao menos, se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!" (crônica de 01/ 02/1975 no programa “Um olhar sobre a cidade”- Rádio Olinda - AM). 

Lc 5,1-11: O chamado dos primeiros discípulos - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

Neste texto, Lucas conta como Pedro foi chamado por Jesus e como ele entrou na caminhada. Primeiro, escutou as palavras de Jesus ao povo. Em seguida, presenciou a pesca milagrosa. Foi só depois desta dupla experiência surpreendente que veio o chamado de Jesus. Pedro atendeu, largou tudo e se tornou "pescador de gente". 

SITUANDO

No capítulo 4, Jesus iniciou sua missão e, até agora, era só ele que anunciava a Boa Nova do Reino. Agora, neste terceiro bloco, outras pessoas vão sendo chamadas e envolvidas na missão junto com Jesus. Esse jeito de Jesus trabalhar em equipe é também uma Boa Nova para o povo. Assim, pela força do Espírito, o Novo vai abrindo caminho e a transformação vai acontecendo.

O Evangelho de Marcos situa o chamado dos primeiros discípulos logo no início do ministério público de Jesus (Mc 1,16-20). Lucas o situa depois que a fama de Jesus já se havia espalhado por toda a regi"ao (Lc 4,24). Jesus já havia curado muita gente e pregado nas sinagogas de todo o país. O povo já o procurava em massa e a multidão o apertava por todos os lados para ouvir a Palavra de Deus. Lucas torna o chamado mais compreensível.

COMENTANDO

Transfiguração: celebração antecipada da vitória sobre a cruz - Ildo Bohn Gass

Segundo os evangelistas, a cena da transfiguração está em meio aos anúncios da paixão. A intenção é mostrar como a cruz faz parte da vida de quem assume o projeto do Pai até as últimas consequências. A fidelidade a Deus e ao resgate da vida dos pobres contraria interesses religiosos, econômicos e políticos. Nesse sentido, a perseguição pelos poderes que governam este mundo é inevitável na vida de quem assume a causa do Reino e de sua justiça.

Este relato é uma leitura pós-pascal e pretende narrar antecipadamente a vitória de Jesus sobre a morte na cruz, apresentando-o como o messias glorioso. É o que indicam seu rosto transfigurado e suas vestes resplandecentes de brancura (Lc 9,29). A ressurreição, a vitória sobre os poderosos, é a vida em toda a sua plenitude que vence os poderes de morte deste mundo.

Lucas é o único evangelista a informar que Jesus subiu o monte com o propósito de orar (Lc 9,28), buscando estar em sintonia constante com o Pai, de modo que o Espírito dele fosse a força a conduzir a sua missão (Lc 4,14-19).

Jovens conectados: Brasil e Alemanha unidos na CFE 2016

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2016 será, pela primeira vez, realizada com alcance internacional, ou seja, ultrapassará as fronteiras nacionais. Isso se deve à parceria construída com a Misereor, entidade episcopal da Igreja Católica na Alemanha que trabalha, diuturnamente, na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

Também somam esforços na CFE a Igreja Católica (CNBB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil.

Juventudes em ação!

Com o objetivo de mobilizar as juventudes brasileira e alemã, os organizadores da Campanha estão propondo a realização de duas ações.

Meu Deus me dá segurança [Salmos Latino-Americanos]

O Deus que liberta é meu Deus
e nada temo nem de dia nem de noite
porque ele orienta minha vida.

Não temo porque seu poder é mais forte
do que a violência das enchentes.
E com um só olhar pode destruir
a soberba dos prepotentes desta terra.

Só os que tem o coração humilde
serão plenamente felizes,
porque não colocam sua esperança 
no dinheiro ou no poder,
e sim no seu Senhor,
que está tão próximo de nós 
como a mãe da criança que amamenta.

No Senhor confio e nada temo,
e vou pelo mundo com o coração aberto,
porque aonde vou o Senhor já está;
e no lugar que deixo, ele fica.

“Não esqueçam dos pobres”, alerta Papa Francisco ao Fórum Econômico Mundial

"Mais uma vez faço apelo a todos vós: Não esqueçais os pobres! Este é o principal desafio que, como líderes no mundo dos negócios, tendes diante de vós. Quem tem os meios para levar uma vida decente, em vez de estar preocupado com os privilégios, deve procurar ajudar os mais pobres a terem, também eles, acesso a condições de vida respeitosas da dignidade humana, nomeadamente através do desenvolvimento do seu potencial humano, cultural, económico e social", alerta o papa Francisco, na mensagem enviada a Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Económico Mundial, por ocasião da reunião anual realizada em Davos, Suíça, em janeiro. O texto foi publicado pela Sala de Imprensa do Vaticano em várias línguas, inclusive o português.

Eis o texto.

Antes de mais nada, quero agradecer-lhe pelo gentil convite a dirigir uma palavra à reunião anual do Fórum Económico Mundial, que terá lugar em Davos-Klosters, no final de Janeiro, sobre o tema Mastering the Fourth Industrial Revolution – Dominar a quarta revolução industrial. Formulo votos cordiais pelo bom sucesso do encontro, que visa incentivar uma contínua responsabilidade social e ambiental através dum diálogo construtivo com responsáveis de governo, da actividade empresarial e da sociedade civil, e também com representantes ilustres dos sectores político, financeiro e cultural.

Lc 9,28-36: Nova maneira de realizar as profecias - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

A TRANSFIGURAÇÃO:NOVA MANEIRA DE REALIZAR AS PROFECIAS

No texto de hoje, Lucas descreve a Transfiguração. Têm momentos na vida em que o sofrimento é tanto, que a gente chega a pensar: "Deus me abandonou! Não está mais comigo!" E de repente a gente descobre que Ele nunca tinha ido embora, mas que a gente mesma estava com os olhos vendados, sem enxergar a presença dele. Aí, tudo muda e fica transfigurado. É a Transfiguração!

SITUANDO

O novo vai abrindo caminho, a transformação vai acontecendo. As tensões entre o Novo e o Antigo foram crescendo. No fim, Jesus fez um levantamento e percebeu que ninguém tinha entendido a sua proposta. O povo o imaginava como João Batista, Elias ou algum dos antigos profetas (Lc 9,18-19). Os discípulos o aceitavam como Messias, mas como Messias glorioso, bem de acordo com a propaganda do Governo e da religião oficial do Templo (Lc 9,20-21). Jesus tentou explicar aos discípulos que o caminho previsto pelos profetas era o caminho do sofrimento, como consequência do compromisso assumido com os excluídos, e que o discípulo só poderia ser discípulo se carregasse a cruz atrás dele (Lc 9,22-26). Mas não teve muito êxito. É neste contexto de crise que acontece a Transfiguração.

COMENTANDO

SOUC 2016 será de 8 a 15 de maio: participe com sua igreja

Em 2016, a Semana de Oração pela Unidade Cristã será realizada entre os dias 8 e 15 de maio. Com o tema “Chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor”, em conformidade com a passagem de 1 Pedro 2:9, que diz: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

O material da SOUC 2016 foi preparado pela Letônia em uma Comissão composta, majoritariamente, por católicos, luteranos, ortodoxos e batistas. Posteriormente foi adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba.

Promovida mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios. No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é de 18 a 25 de janeiro.

No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem, em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana em diversos estados. 

Em 2015, a Semana mobilizou igrejas em todos os estados do Brasil. Milhares de pessoas se mobilizaram para atender a um chamado do próprio Jesus: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam umem nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). E para que a festividade desse ano seja ainda mais completa, é preciso que tod@s participem, a começar pelo Cartaz, que foi escolhido por meio de um Concurso. A seleção da arte vencedora será feita no dia 15 de fevereiro, na sede do CONIC.

Novas informações sobre a SOUC serão passadas oportunamente.

Fonte: CONIC

Opressão do povo negro ainda não ocupa espaço importante na agenda teológica

Com o protagonismo negado em narrativas importantes na história do Brasil e do mundo, a população negra vive um preconceito latente nas mais variadas formas de relações da sociedade. Buscam, diariamente, ultrapassar uma estrutura de pensamento e lugar de poder ainda predominantemente brancos.

Para debater o assunto, a Adital entrevistou Ronilso Pacheco, interlocutor social na Organização Não Governamental Viva Rio, entidade que auxilia na formulação de políticas públicas para a inclusão social no Rio de Janeiro. Graduando em Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Pacheco é membro do Coletivo Nuvem Negra - coletivo de negros e negras estudantes da PUC-Rio, e também presta assessoria para movimentos sociais e organizações de direitos humanos. O teólogo fala sobre as origens da chamada Teologia Negra, sobre assassinatos de jovens negros, exploração da mulher negra, além da intolerância contra as religiões de matriz africana.

Adital: Como surgiu a Teologia Negra e em que consiste essa corrente?

Ronilso Pacheco: "Porque os teólogos brancos vivem numa sociedade que é racista, a opressão do povo negro não ocupa um importante item na agenda teológica deles”. Esta é uma frase referencial do pastor metodista James Cone, considerado o pai da chamada "Teologia Negra”. Cone repensa toda a leitura teológica compromissada com uma hermenêutica hegemônica, branca, europeia, que ele também não chega a jogar fora, mas considera limitada para dialogar com a realidade dos negros americanos e sua história peculiar de exploração, escravidão e racismo, corroborados pela segregação.