Natal: a celebração da Esperança

“Minha alma exalta a Deus e meu espírito se encheu de júbilo por causa de Deus, meu Salvador, porque ele pôs os olhos sobre a sua humilde serva. Sim, doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Todo-Poderoso fez por mim grandes coisas: santo é o seu Nome. A sua bondade se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele interveio com toda a força do seu braço, dispersou as pessoas de pensamento orgulhoso, precipitou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes, os famintos, cobrindo-os de bens e os ricos, despediu-os de mãos vazias” (Lc 1. 47-53).

Dos muitos textos bíblicos que anunciam o nascimento de Jesus, o texto conhecido como Magnificat talvez seja um dos mais belos e fortes. A beleza e a força do texto residem no anúncio do sentido do nascimento do Messias esperado. O Magnificat é repleto de conteúdo humanizador que expressa a esperança de transformação.

Para a tradição cristã, o nascimento de Jesus representa exatamente essa esperança por transformação. Mais do que uma data festiva, o Natal é a reafirmação desse sonho de transformação.

Ao longo do ano, muitos fatos e acontecimentos revelaram a urgência de repensar o processo de humanização da sociedade. Foi um ano de deslocamentos humanos provocados por profundos conflitos territoriais, cuja consequência foi o aumento do número de pessoas refugiadas no mundo. Foi também um ano de extremismos religiosos, que trouxeram à tona as muitas intolerâncias.

Todas essas experiências exigem a necessidade do resgate do sentido e do conteúdo do nascimento de Jesus. O nascimento dessa criança, em um lugar esvaziado de riquezas e poder, mais do que uma história extraordinária, representa a irrupção de um projeto de humanidade. Nesse projeto, alicerçado na certeza de que o amor de Deus é princípio, meio e fim, não cabe a negação da igualdade entre todas as pessoas e nem as arrogâncias exclusivistas que negam os direitos humanos universais. É um projeto de inversão da ordem em que as diversidades terão sua dignidade reconhecida e em que o poder não significará sujeição, mas colocar-se a serviço do outro.

Assumir o conteúdo do nascimento de Jesus, para cristãos e cristãs, é urgente, pois isso abre a possibilidade de ensaiar uma nova humanidade, cuja premissa é o amor, evidenciado na boa vontade e nas boas obras. Do sucesso desse ensaio depende a sobrevivência da humanidade.

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC