CONIC organiza visita a terreiro e diz NÃO à intolerância religiosa

Nesta terça-feira, 15 de dezembro, o CONIC organizou uma ida ao terreiro Ylê Axé Oyá Bagan, também conhecido como Casa da Mãe Baiana, localizado no Distrito Federal. O local foi incendiado no dia 27 de novembro. As suspeitas são de que o ataque foi em decorrência da intolerância religiosa. Dossiê da Subsecretaria de Igualdade Racial de Brasília soma, este ano, 13 denúncias de ataques a templos de religiões de matriz africana, sendo 11 em municípios do Entorno. Além disso, há registro de depredações na Praça dos Orixás, no Lago Paranoá.

O objetivo dessa visita foi expressar solidariedade a todos os adeptos e adeptas de religiões de matriz africana e dizer um uníssono NÃO à intolerância religiosa. Como gesto concreto, foi plantada uma muda de Pau Brasil no quintal do templo, uma vez que as árvores são símbolos de unidade, mas também de resistência e renovação, sendo consideradas sagradas em vários cultos. Vale lembrar que o regional do CONIC no Rio de Janeiro está atuando na reconstrução de outro terreiro em Duque de Caxias (RJ), que também foi alvo ataques (saiba mais aqui: http://bit.ly/1MdWVRd).

Entre os presentes estava toda a diretoria do CONIC, liderada pelo presidente Flávio Irala – bispo anglicano; lideranças ligadas a coletivos como a Pastoral da Juventude (PJ), a Rede Ecumênica da Juventude (Reju), o Monitoramento Jovem de Políticas Públicas (MJPOP) e a Iniciativa das Religiões Unidas (URI); representantes da CNBB, Arquidiocese de Brasília, Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Presbiteriana Unida e Visão Mundial, além de militantes de direitos humanos e do diálogo inter-religioso. A Arquidiocese, sensível ao tema, fez chegar uma carta em que defende o direito à manifestação religiosa, seja ela qual for, conforme prevê a Constituição. O texto foi lido, na íntegra, por Mãe Baiana.

Dom Flávio Irala aproveitou o momento para entregar o cartaz da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 aos filhos do terreiro, convidando-os a refletirem sobre a temática “Casa comum, nossa responsabilidade”. O presidente do CONIC destacou que os grupos cristãos ali representados condenam todo tipo de ação de intolerante, como os sucessivos ataques praticados contra religiões de matriz africana. Marga Stroher, militante do diálogo inter-religioso, explicou a importância do terreiro e desatacou o engajamento de Mãe Baiana na luta pela superação do racismo da intolerância religiosa.

Mãe Baiana agradeceu a visita e classificou o gesto como sendo muito importante. “Com o incêndio, perdemos boa parte de nossas imagens e demais objetos típicos. Muitos projetos que o terreiro realiza na comunidade também tiveram que ser suspensos, sem data pra serem retomados”, afirmou. A religiosa ainda disse que não sabe quanto tempo será necessário para recuperar tudo, tamanhas foram as perdas.





Fonte: CONIC