Mulheres recebem em média 74,5% do rendimento de trabalho dos homens

Em 2014, as mulheres ainda recebiam, em média, 74,5% do salário dos homens no Brasil. De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2014, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos dos homens de 15 anos ou mais de idade com rendimento de trabalho foi de R$ 1.987, e o das mulheres, R$ 1.480Reprodução/Forbes

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2014, divulgada nesta sexta-feira (13), mostra que, em 2014, considerando a população de 15 anos ou mais, as mulheres recebiam, em média, 74,5% do rendimento obtido pelos homens no trabalho. Em relação a 2013, a redução do quadro de desigualdade entre os sexos avançou um ponto percentual, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística).

No ano passado, os homens com 15 anos ou mais recebiam, em média, R$ 1.987 por mês, e as mulheres, no mesmo período, ganhavam R$ 1.480. O dado inclui todas pessoas que estavam ocupadas e recebiam algum tipo de salário, excluindo-se as que não tinham remuneração ou eram pagas apenas com benefícios. Somado este subgrupo, em 2014, o rendimento médio mensal dos homens era de R$ 1.885, e o das mulheres, R$ 1.332. Ou seja, as mulheres recebiam pouco mais de 70% dos vencimentos obtidos pela população masculina.

A curitibana Flávia Albuquerque, que mora e trabalha no Rio de Janeiro, atribuiu à disparidade salarial entre gêneros o fato de ter saído de uma empresa tradicional para trabalhar com produção de eventos acadêmicos. "Na área de marketing, onde eu trabalhava, isso é muito comum. Já no processo seletivo de qualquer empresa você fica sabendo que os salários são diferentes para homens e para mulheres. Eu sentia isso desde a época do estágio", declarou.

Flávia contou que, quando ainda era universitária, em Curitiba, recebia R$ 600 para estagiar em um jornal paranaense. Um colega de trabalho, que desempenhava a mesma função, recebia R$ 900 apenas por ser homem, na versão dela. "Todo mundo sabia que ele ganhava mais, isso era uma coisa muito clara dentro da empresa. Não havia constrangimento algum nisso", relatou.

"É muito difícil ser mulher e trabalhar nessa área de marketing. Não só pela questão salarial, mas também pelo assédio, que é muito comum. Já tive uma colega que pediu desculpa para o chefe porque tinha engravidado. Isso é completamente absurdo, e os diretores não gostavam que uma funcionária engravidasse por causa da licença maternidade. Muitas mulheres desistem ou mudam de área porque são assediadas ou recebem salários muito inferiores."

Thomaz Castilho afirmou ter sido testemunha de um caso de desigualdade salarial entre homens e mulheres. Segundo ele, isso ocorreu em um site de e-commerce, onde atuava como redator, em 2010, em São Paulo. Uma colega, em paridade no quadro hierárquico da empresa, revelou que ganhava cerca de 40% menos para desempenhar a mesma função. "Um dia, durante o almoço, ela quebrou aquela espécie de acordo tácito entre colegas de trabalho e disse abertamente o quanto ganhava. Aquilo me pegou de surpresa, porque realmente não havia motivo para ela ganhar menos."

Meses depois, Castilho teve a oportunidade de perguntar a um chefe porque a funcionária --que pediu demissão após sete meses de trabalho por falta de perspectiva profissional-- recebia um salário menor, já que as funções eram as mesmas. Segundo ele, o gestor respondeu que "algumas pessoas estavam em processo de desenvolvimento", e outras já se encontravam "em caráter mais sênior". Para Castilho, o feedback foi "evasivo". "Não se justificava na prática. Fazíamos exatamente a mesma coisa."

Números regionais

No Estado do Mato Grosso do Sul, os pesquisadores do IBGE observaram o maior quadro de desigualdade no país: as mulheres (R$ 1.474) recebiam, no ano passado, 65,1% do rendimento de trabalho dos homens (R$ 2.265). Já Roraima, com quase 90%, tinha a proporção mais igualitária: as mulheres recebiam R$ 1.504, e os homens, R$ 1.69.

Fonte: UOL