As mulheres na Reforma Protestante - Múria Carrijo Viana

Que mulheres lutaram por justiça e equidade de gênero? Que outras histórias de mulheres podemos contar? O que nos ensinam as mulheres da Reforma Protestante? O que fizeram?

Estas foram as questões que orientaram o Grupo de Vivência Ecumênica de Goiânia, o qual refletiu sobre As Mulheres na Reforma Protestante, com a colaboração da Pastora Patrícia Bauer, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Patrícia destaca que mulheres e homens exerceram papéis importantes no contexto da Reforma Protestante, porém o movimento da Reforma é mais conhecido pelos homens que o lideraram (Martinho Lutero, João Calvino, João Knox, Ulrico Zwinglio, Felipe Melanchton e outros).

Mulheres Reformistas

Fala-se pouco da participação das mulheres nesse acontecimento. Catarina Von Bora, Catarina Schutz Zell, Claudine Levet, Marie Dentèrem, Argula Von Stauff e Rachel Specht são nomes esquecidos ou desconhecidos para a maioria. Aliás, tal como as mulheres na Bíblia, as mulheres reformistas sempre estiveram em segundo plano. Importante dizer que, apesar de algumas mulheres reformistas terem sido esposas dos reformadores, elas foram muito além da função de ser esposa e mãe, ideal feminino da época. Eram mulheres de conhecimento bíblico profundo, teólogas, administradoras, conhecedoras dos segredos da medicina caseira, poetisas, questionadoras, pregadoras, escritoras e tiveram que se defender dos próprios reformadores homens, uma vez que lutavam pela igualdade entre homens e mulheres.

Mulheres em defesa da vida

Entre as várias ações partilhadas sobre o que essas mulheres fizeram, destacamos duas: Catarina Schutz Zell, de Estrasburgo, era uma mulher culta, leitora de Lutero; casou-se com um sacerdote vítima da excomunhão. Para defender o esposo, escreveu ao bispo cartas de protesto em defesa do casamento clerical, nas quais se expressava mais ou menos assim: “Você me diz que o apóstolo Paulo falou que as mulheres devem ficar caladas na Igreja. Eu também quero lembrar-lhe as palavras do mesmo apóstolo, de que em Cristo não há mais macho nem fêmea”. Lembro-lhe também a profecia de Joel: “Derramarei meu Espírito sobre todos os viventes, e os filhos e filhas de vocês se tornarão profetas”. E concluiu: “Não pretendo ser João Batista repreendendo os fariseus. Não alego ser Natan censurando Davi. Só aspiro ser a besta de Balaão castigando o seu senhor”. Raquel Specht, inglesa, calvinista, recorreu à parábola dos talentos para defender o direito das mulheres, no ano de 1621. Ela argumentava: “Se Deus concedeu corpo, alma e espírito às mulheres, por que Ele daria todos esses talentos senão para serem usados?”. E concluiu: “Não usá-los seria uma irresponsabilidade”. Para finalizar, Patrícia lembrou-nos que, apesar de toda a caminhada e participação das mulheres nesse movimento, as igrejas da reforma demoraram algum tempo para ordenar as mulheres e, ainda hoje, essa não é prática de todas as denominações protestantes.

Fonte: CEBI Nacional