Encerramento do Estudo do Livro do Apocalipse de João

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Esta é a revelação de Jesus Cristo: Deus a concedeu a Jesus, para ele mostrar aos seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve. Deus enviou ao seu servo João o Anjo, que lhe mostrou estas coisas através de sinais. (Ap 1,1)

Assim começa o livro do Apocalipse de João. Esse livro foi objeto de estudo no período de 06 de agosto a 26 de novembro de 2015 na sala do CEBI-ES. O estudo contou com a participação média de 17 a 25 pessoas e foi facilitado pela equipe composta por Irmã Luiza, Eliete e Bimbo. Além dessa equipe, também tiverem uma participação expressiva no início do estudo os companheiros Claudio Vereza e Perly Cipriano, que ajudaram a esclarecer pontos importantes sobre a ditadura militar no Brasil, fazendo um paralelo com a dominação do império romano no final do primeiro século da Era Comum.

O estudo transcorreu de forma bem dinâmica e seguindo um modelo de estudo dirigido. Cada capítulo estudado, cada símbolo que foi esclarecido, era um passo gigantesco para um maior entendimento da literatura apocalíptica. Os trabalhos em grupos, as leituras e discussões partilhadas ajudou no envolvimento e interação dos participantes, possibilitando um estudo tranquilo, agradável e nada cansativo, apesar das pessoas virem diretas do seu trabalho.

Estudo na Pastoral Operária

Com objetivo de refletir sua caminhada e fortalecer ideias e ações para direcionar os próximos passos, a Pastoral Operária se reuniu no dia 22/11/2015, em Cariacica, na casa das irmãs Agostinianas. O CEBI-ES se fez presente nessa vivência nas pessoas de Izalete, Aguinaldo e Adriano.

Partilhamos com vocês, um recorte dessa grande colcha de retalhos que foi fiada, um poema que brotou nas conversas dos trabalhos em grupo: 

“Do campo o trabalho sofrido,
Povo oprimido, povo que chora, gritos, gemidos...
Povo que clama por um socorro, uma vez que canta a liberdade.

O povo sofrido ainda continua perseguido, 
Corrupção, desvalorização, o culto ao dinheiro
E como fica o povo nesse meio desordeiro?

Eis que surge um novo tempo,
Um despertar para liberdade,
Uma nova terra, de direitos, sem preconceitos.

A igreja ouve o grupo do oprimido 
E vem para proclamar um tempo de esperança com o Papa Francisco.

Celebrar a fé e vida faz parte deste retiro
Alimentando o espírito para viver o dia a dia.

Nessa luta de P.O só tem povo vivido.”

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Neste Natal, livre uma criança indígena da fome!

É impossível visitar uma comunidade indígena em Mato Grosso do Sul e não se sensibilizar. A fome e a miséria estão escancaradas, ainda que contrastando com a esperança e a resistência. O sorriso das crianças, mesmo se alimentando de migalhas, é um permanente à solidariedade e à partilha. 

Apesar dos direitos garantidos na Constituição Federal, o povo Guarani Kaiowá não tem acesso à terra e a direitos mínimos, como alimentação, moradia digna e saúde. As crianças são as quem mais sofrem. Por isso, aceite o convite do CEBI e da CESE:Neste Natal, livre uma criança indígena da fome!

Você pode colaborar de qualquer parte do Brasil. Faça a doação de qualquer valor por meio da conta corrente 25200-X, agência 2904-1 Banco do Brasil, em nome do Centro de Estudos Bíblicos. Envie a confirmação para articulacao@cebi.org.br.

Divulgue e colabore! 

Desnutridas, crianças muitas vezes presenciam o assassinato de suas lideranças

A fome e a miséria entre as crianças indígenas não são acidentais. Trata-se de um processo de genocídio. Nos últimos 12 anos, 390 Guarani Kaiowá foram assassinados Em uma década e meia foram registrados 707 casos de suicídios. Pistoleiros contratados por latifundiários torturam e espancam mulheres e jovens, às vezes na frente das crianças. Por isso as igrejas e os movimentos populares se esforçam para estar nestas áreas: além de partilhar os alimentos, a presença é também uma forma de intimidar ataques e reduzir a violência.

Manifesto de criação do Fórum Capixaba de Entidades em Defesa do Rio Doce

CONSTERNADAS com a dimensão da tragédia socioambiental que se abateu sobre a Bacia do 
Rio Doce a partir do rompimento das barragens com 60 milhões de m³ de resíduos de mineração da Empresa SAMARCO (Vale e BHP Billiton) no município de Mariana‐MG;

SOLIDÁRIAS com as famílias dos mortos e desaparecidos; com as 651 pessoas desabrigadas; com as populações ribeirinhas ao Rio Doce; ao Povo Indígena Krenak; e todas as cerca de 800 mil pessoas atingidas direta ou indiretamente pela lama despejada;

INDIGNADAS com as informações divulgadas pela Procuradoria Geral da República segundo as quais a barragem estava sobrecarregada, tendo havido, possivelmente, negligência e omissão da empresa SAMARCO (Vale e BHP Billiton) e dos órgãos públicos competentes;

APREENSIVAS com os impactos socioambientais que já são sentidos pela desertificação do solo, pela destruição da biodiversidade fluvial e da mata ciliar, pela possível extinção de espécies, pela toxidade da água utilizada por milhares de seres humanos, pela chegada da lama até à Foz no Oceano Atlântico e pelo risco real de rompimento da barragem de Germano e Santarém, ainda maior do que a de Fundão;

A alegria pela IV Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE)

1. As Igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) assumem como missão expressar em gestos e ações o mandato evangélico da unidade, que diz: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

2. O testemunho ecumênico coloca-se na contramão de todo tipo de competição e de proselitismo, tão frequentes no nosso contexto religioso. É uma clara manifestação de que a paz é possível. É um apelo dirigido a todas as pessoas religiosas e de boa vontade para que contribuam com as suas capacidades para a promoção do diálogo, da justiça, da paz e do cuidado com a criação. É, também, uma comprovação de que Igrejas irmãs são capazes de repartir dons e recursos na sua missão.

3. A caminhada ecumênica realizada pelo CONIC tem mais de três décadas. É uma trajetória marcada por fraternidade, confiança, parceria e protagonismo. Dessa trajetória, podem ser destacados como expressões concretas de comunhão fraterna as três Campanhas da Fraternidade Ecumênicas, realizadas nos anos 2000, 2005 e 2010. Todas elas marcaram profundamente a vida das Igrejas que nelas se envolveram.

4. A motivação para essas Campanhas fundamentou-se na compreensão de que, no centro da vivência ecumênica está a fé em Jesus Cristo. Isso se deu porque o movimento ecumênico está marcado pela ação e pelo desafio de construir uma Casa Comum (oikoumene) justa, sustentável e habitável para todos os seres vivos. Essa luta é profética, pois questiona as estruturas que causam e legitimam vários tipos de exclusão: econômica, ambiental, social, racial, étnica. São discriminações que fragilizam a dignidade de mulheres e homens.

Unicef destaca proteção de crianças da exploração sexual online

Brasil é um dos 17 países no programa global da agência para proteger menores deste problema; pesquisa do Fundo mostra que o número de páginas na internet que contém material de abuso sexual infantil cresceu 147% de 2012 a 2014.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou que empresas de tecnologia de informação, governos e organizações internacionais prometeram proteger milhões de crianças de exploração sexual na internet.

O compromisso foi feito durante encontro global sobre o tema, terça-feira, chamado #WeProtect Children Online, ou nós protegemos crianças online, em tradução livre. O evento foi promovido pelos Emirados Árabes Unidos e o Reino Unido em Abu Dhabi.

Prioridade Urgente

Em nota, a vice-diretora-executiva do Unicef , Fatoumata Ndiaye, afirmou que as “crianças representam um terço de todos os usuários da internet” em todo mundo e protegê-las neste ambiente é “uma prioridade global urgente”.

De acordo com a agência da ONU, governos em cada região do mundo concordaram em criar respostas nacionais coordenadas entre os sistemas de justiça criminal, agências de aplicação da lei e setores de serviços sociais e educação para melhor proteger as crianças online.

Consciência negra e feminista - Gisele Brito

Cerca de 20 mil pessoas participaram da primeira Marcha das Mulheres Negras no último dia 18 em Brasília. Poderia ser apenas mais um ato da chamada Primavera Feminista, nome dado à série de protestos protagonizados por mulheres em repúdio a Eduardo Cunha e seu Projeto de Lei N° 5.069, que dificulta o acesso ao aborto mesmo em casos já previstos em lei. Mas era mais que isso. Realizada às vésperas do Dia da Consciência Negra, a marcha foi organizada ao longo de um ano e reuniu diferentes movimentos e correntes de pensamento, em uma demonstração de articulação e força que faz questão de apontar que, se está ruim para as mulheres de modo geral, está pior para as mulheres negras.

O relatório do Mapa da Violência, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e divulgado este mês, apontou que o Brasil é um dos cinco países do mundo onde mais ocorrem feminicídios – assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero. Mas enquanto entre as mulheres brancas o índice teve uma redução de 9,8%, entre as negras a matança avançou 54% entre 2003 e 2013.

Enquanto 35,6% da mortalidade materna atinge mulheres brancas, 62,8% atinge as negras, que também têm menos acesso a consultas pré-natal, segundo dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher de 2014.

Dia Internacional para Eliminação da Violência contra Mulheres

Mensagem do Secretário-Geral – Dia Internacional para Eliminação da Violência contra Mulheres

Dez anos após a Assembleia Geral ter declarado 25 de Novembro Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, são cada vez mais numerosos os grupos e indivíduos, que se comprometem com esta causa e participam nos esforços para prevenir e combater as violações odiosas dos direitos humanos das mulheres. Registram-se também avanços significativos a nível nacional, com a promulgação de leis e a adoção de planos de ação ambiciosos em muitos países.

Contudo, ainda há muito por fazer. Em todos os países, as mulheres continuam sendo vítimas de uma violência que lhes causa grande sofrimento. Essa violência compromete o desenvolvimento, gera instabilidade e torna muito mais difícil alcançar a paz. Devemos exigir que os responsáveis por estas violações respondam pelos seus atos e tomar medidas concretas para pôr fim à impunidade. Devemos ouvir e ajudar as vítimas que sobrevivem.

O nosso objetivo é claro: pôr fim a estes crimes imperdoáveis, quer se trate do uso da violação sexual como arma de guerra, da violência doméstica, do tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, dos chamados “crimes de honra” ou de mutilações genitais femininas. Devemos combater as causas desta violência, eliminando a discriminação e alterando as mentalidades que a perpetuam.

Lucas 21,25-28.34-36: Está próxima a vossa libertação - Ildo Bohn Gass

Faz uma semana, no último domingo do ano litúrgico, que celebramos a festa de Cristo rei. Jesus é o nosso rei. Ele conduz nossas vidas pelo caminho do Reino de Deus. Como seus discípulos e suas discípulas, buscamos testemunhar as relações desse Reino. Relações que são de amor e de verdade. Com a força de Jesus ressuscitado, lutamos contra outro reinado, isto é, as forças do ídolo riqueza, que nos seduz cotidianamente. 

Neste final de semana, com o primeiro domingo do Advento, iniciamos um novo ano litúrgico. E, mais uma vez, em todas as comunidades, anunciamos a chegada de Jesus. No domingo passado, celebramos Jesus como rei cuja montaria humilde é um jumento (João 12,12-19), cujo cinto é a toalha do serviço (João 113,1-17), cujo trono é a fidelidade até a cruz (João 19,19) e cuja injusta coroa é de espinhos (João 19,2.5). 

Hoje, celebramos a presença de Jesus como nosso rei na fragilidade e na ternura de uma criança. Definitivamente, as relações com base na ternura, na humildade e no serviço, na fidelidade e na justiça são próprias do Reino de Deus. Não, porém, dos reinos deste mundo. Estes alimentam o ódio, a ganância, o individualismo, a posse sobre bens e pessoas como sentido de vida.

Islam um código de vida, amor e paz - por Francirosy Campos Barbosa

“Nós te enviamos como uma misericórdia para os povos” (Alcorão 21:107)

A pluralidade, diversidade da nossa sociedade atual não impede que sejamos completamente aversos ao diferente. O brasileiro forja a ideia de “homem cordial”, mas o que temos visto em todos lugares, no cotidiano das ruas e das redes sociais é uma onda de preconceito avassalador depois do último atentado em Paris. Os muçulmanos viraram alvos de ofensas, que vão de xingamentos a dizer para uma criança na escola que ela que explodiu a bomba em Paris. Mulheres muçulmanas foram acometidas pelo medo de andar nas ruas, de usar transporte público. Só nesta semana quase 100% delas me disseram ter medo de sair às ruas e me narraram episódios que me faz refletir que falta conhecimento ao povo brasileiro da religião muçulmana. Ainda vemos o Islam como uma religião étnica, árabe e contida no Oriente Médio e mesmo que fosse uma religião tal qual as pessoas imaginam ser, também não justificaria tanta islamofobia, xenofobia. O Brasil é também um país que deve muito aos árabes, é um país de imigrantes, misturado.

O que os brasileiros ainda não sabem é que a maioria dos muçulmanos está no continente asiático e africano. No último sermão do Profeta Muhammad ele diz como ensinamento aos muçulmanos: “Um árabe não é superior a um não-árabe, nem um não-árabe tem qualquer superioridade sobre um árabe; o branco não tem superioridade sobre o negro, nem o negro é superior ao branco; ninguém é superior, exceto pela piedade e boas ações...”.

Encontro de Jon Sobrino com o papa reflete resgate da ‘Igreja dos pobres’

Em celebração aos 50 anos do Pacto das Catacumbas, o Vaticano realizou, no último sábado, 14 de novembro, um seminário, em Roma, para tratar da atualidade da proposta firmada por 42 padres conciliares, nas Catacumbas de Domitila, em 1965. Na ocasião, o teólogo espanhol Jon Sobrino palestrou sobre o impacto desse acordo na Igreja de hoje e sobre a urgência de se voltar à "Igreja dos pobres”. Na segunda-feira, 16, foi celebrada uma Eucaristia nas Catacumbas, com a presença do Papa Francisco, quando então o renomado teólogo da libertação, já censurado anteriormente pelo Vaticano, encontrou-se com o Papa, que recomendou a ele: "continue escrevendo”.

Em sua homilia durante o seminário, Sobrino ressaltou que o Pacto das Catacumbas se converteu no legado "secreto” do Concílio Vaticano II. E citou os aspectos que mais ajudaram a criar uma corrente episcopal, como o fato do Pacto ter sido reconhecido na Conferência de Medellín [1968], onde os bispos levaram a sério o clamor dos pobres. Sobrino se referiu ao monsenhor salvadorenho Oscar Romero como "fiel aos pobres até o martírio”, e lembrou os mártires da Universidade Centro-Americana (UCA), que, por sua vida e morte, ainda geram esperança. "Que sua paz nos transmita aos vivos a esperança, e que sua lembrança nos deixe descansar em paz.”, destacou.

Mesa redonda sobre Reforma Política


Contra o terrorismo e a guerra, a necessidade de uma cultura da paz - Leonardo Boff

Os fatos recentes de terrorismo e a declaração de guerra dos países ocidentais ao Estado Islâmico suscita de forma tenebrosa o fantasma da guerra moderna com grande capacidade de destruição. Nestas guerras apenas 2% dos mortos são soldados. Os demais são civis, especialmente mulheres e crianças inocentes. o que mostra o nível de barbárie a que chegamos. Os aviões militares atuais parecem figuras apocalípticas, carregadas de bombas que matam pessoas, destroem construções e danificam a natureza.

Precisamos ter presente que a cultura dominante, hoje mundializada, se estrutura ao redor da vontade de poder que se traduz por vontade de dominação da natureza, do outro, dos povos e dos mercados. Essa é a lógica dos dinossauros que criou a cultura do terrorismo, da guerra, da insegurança e do medo. Por causa do terrorismo, atualmente, os EUA e a Europa são reféns do medo. A persistirem as atuais tensões, nunca mais terão paz. Todos necessitam sentar juntos, dialogar, chegar a convergências, por mínimas que sejam, convergências nas diferenças, caso quisermos desfazer os mecanismos que geram permamentemente espírito de vindita e de atos de terror ou de guerra.

Praticamente em todos os países as festas nacionais e seus heróis são ligados a feitos de guerra e de violência. Os meios de comunicação levam ao paroxismo a magnificação de todo tipo de violência, bem simbolizado nos filmes de Schwazenegger como o “Exterminador do Futuro”. Grande parte das películas atuais abordam temas de violência a mais absurda; até o contos infantis são contaminados pela ideia de destruição e de guerra.

A mais terrível de nossas heranças – Darcy Ribeiro

Este texto é para quem não percebe a importância das cotas, das políticas de ação afirmativa, para reparar uma injustiça histórica. Às vezes penso que muitas pessoas não têm noção do que significa para um ser humano ser escravizado. As marcas que isso deixou, os traumas, e inclusive a absurda desvantagem em termos de ocupar um lugar digno na sociedade. Darcy Ribeiro explica.

***

Apressado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia todos os dias do ano. No domingo, podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão.

A outra história de negras e negros na Bíblia - Edmilson Schinelo

Vivemos um momento em que o povo negro, vítima histórica e secular de massacres, preconceitos e discriminação, busca assegurar os direitos conquistados na Constituição de 1998. Com muita dificuldade, pequenos passos são dados para que tais direitos não fiquem no papel.

Na contramão, as elites se esforçam para deslegitimar nossas lutas e rasgar artigo por artigo das conquistas da chamada Constituição Cidadã.

Episódio mais recente e negativamente simbólico é a nomeação do pastor Marco Feliciano (PSC) para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM). Toda a sociedade é conhecedora de sua postura assumidamente racista e intolerante (leia aqui a nota do CONIC).

O que a Bíblia nos diz a respeito do povo negro?

Os evangelhos sinóticos são unânimes em afirmar que certo Simão de Cirene ajudou Jesus a carregar a cruz, a caminho do Calvário (Mt 27,32; Mc 15,21; Lc 23,26). Ora, Cirene fica no norte da África. Mas alguma vez você ouviu em prédica ou sermão, na catequese, na escola dominical ou no ensino confirmatório, que um africano ajudou Jesus a carregar a cruz? Estudiosos dirão que se trata de um judeu da diáspora, visto que no norte da África havia várias colônias judaicas. Mas com que argumentos ou intenções fazem esta escolha na interpretação?

Duas faces de preconceito em uma só

Imagine o preconceito como uma moldura, como se cada face desse tipo de discriminação gerasse uma moldura pesada e dura. Assim, se você é mulher tem de aprender a viver com o peso da desigualdade de gênero e mostrar que você tem os mesmos direitos e capacidades que os homens. Se você é negro, tem de provar que não tem menos valor do que qualquer outro. Agora, imagine ser mulher e negra numa sociedade que se diz pós-moderna, mas que nutre o racismo e o machismo. Essa realidade é vivida por milhares de brasileiras, como Simone Vieira da Cruz, psicóloga e ativista das questões raciais e de gênero. “São as mulheres negras que ampliam a agenda do movimento negro quando apontam a desigualdade de gênero produzida no âmbito deste movimento e a necessidade de fazer essa discussão e mudar as relações”, completa.

Na entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, reconstitui os desafios e lutas pelos quais ela e muitas outras mulheres passam diariamente. Lutas que não significam apagar sua negritude ou feminilidade. “Nossas lutas são importantes para que possamos mostrar para a sociedade que não somos todas iguais, temos especificidades que nos diferenciam, diferenciam nossas lutas e isso demanda políticas públicas que deem conta de todas nós”, destaca. Para ela, apesar dos desafios, a luta contra essas duas formas de preconceito as deixa fortalecidas. “Nossa luta sempre foi por sobrevivência, para poder viver com dignidade. Neste aspecto incorporar o recorte de gênero na luta do movimento negro é fortalecer essa luta que sempre foi legítima”.

Simone Vieira da Cruz é mestre em Saúde Coletiva pela Unisinos, é ex-bolsista da Fundação Ford - International Fellowships Program (2008). Durante seu mestrado, também realizou estágio no Departamento de Psicologia Social da Universidade Autônoma de Barcelona. Ainda é especialista em Psico-Oncologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e graduada em Psicologia pela Universidade Luterana do Brasil. Atualmente, é secretária Executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras - AMNB, Integrante da Associação Cultural de Mulheres Negras e pesquisadora na área de Saúde da População Negra e HIV/Aids, movimento negro e de mulheres negras.

Confira a entrevista.

Negritude e libertação - Marcelo Barros

Cada vez mais no Brasil, novembro se torna o mês da consciência negra. As comemorações do aniversário do martírio de Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro, provocam manifestações culturais e religiosas afrodescendentes, entre as quais, algumas duram todo o mês.

Na primeira segunda feira de novembro, em cidades como Recife e o Rio de Janeiro, o centro urbano é tomado por caminhadas do povo de terreiros. Ali se juntam membros de várias nações de Candomblé, de Umbanda e outras tradições locais como a Jurema no Nordeste e a Macumba no Rio. Um dos principais objetivos dessas manifestações pacíficas é denunciar agressões que continuam ocorrendo por parte de grupos religiosos fanáticos contra comunidades religiosas afrodescendentes. Outra reivindicação é que se revejam os programas do ensino religioso ecumênico, para que nele haja também lugar para o conhecimento cultural das religiões de tradição afro. Essas são pautas mais especificamente religiosas. No entanto, o que essas manifestações revelam de mais profundo é a vitalidade das comunidades de matriz afrodescendentes e como elas foram importantes na luta contra o racismo e no caminho da promoção e da libertação das pessoas empobrecidas no Brasil e em todo o mundo.

As homenagens a Zumbi se fazem por sua vida consagrada a acabar com a escravidão no Brasil. Infelizmente, o Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir oficialmente a escravidão, já no final do século XIX (1888). Quando isso ocorreu e de forma extremamente ambígua, (os negros foram mandados à rua sem nenhuma indenização nem ajuda para sobreviver), a luta contra a escravidão já tinha mais de cem anos.

Com coragem e luta, Marcha das Mulheres Negras enfrenta o racismo

As mulheres negras encheram as ruas de Brasília-DF, nesta terça-feira (18), com cor, música e discursos contra a violência e o racismo. Até chegar em frente ao prédio do Congresso Nacional, a marcha, que saiu do Ginásio Nilson Nelson, percorreu o Eixo Monumental e a Esplanada dos Ministérios com faixas, cartazes e palavras de ordem “contra o racismo, contra a violência, pelo bem estar”. E receberam de parlamentares, ao longo da marcha, palavras de apoio.

Com um disparo de arma de fogo e vários rojões, um manifestante do acampamento que pede o impeachment da presidenta Dilma e a volta do regime militar tentou provocar tumulto na Marcha das Mulheres Negras. A correria das mulheres, inclusive idosas, não foi o suficiente para dispersar a marcha.

As palavras de apoio foram novamente ouvidas durante a sessão do Congresso Nacional, que acontecia no mesmo momento em que houve o tumulto provocando pelos manifestantes golpistas. Foi a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), quem pediu ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que presidia a sessão, que fosse feita uma revista no acampamento dos manifestantes golpistas. Na semana passada, a polícia prendeu um sargento reformado da polícia que participava do acampamento com uma pistola e várias armas brancas.

Por que minha fraternidade é tão seletiva?

Imagine que, numa madrugada de quinta-feira, quatro radicais muçulmanos invadissem uma universidade dos Estados Unidos, da Alemanha ou da Inglaterra. Imagine que carregassem explosivos e armas automáticas. Imagine que seguissem para os dormitórios estudantis e perguntassem a religião de cada rapaz ou moça que encontrassem por lá.

Imagine que, se o jovem respondesse “sou cristão”, os atiradores o matassem. Imagine que os insurgentes permanecessem no campus durante 16 horas e mantivessem centenas de reféns, entre alunos e professores. Imagine que, depois de a polícia e o Exército tomarem conta da situação, a horrorosa jornada terminasse com um saldo de 148 mortos.

Como o Ocidente — incluindo o Brasil, claro — enxergaria a carnificina? De que maneira nossos jornais, revistas, televisões, rádios e sites noticiosos relatariam o fato? Cobririam a tragédia em tempo real? Enviariam correspondentes para a cidade onde se deu a tenebrosa investida? Continuariam destacando o assunto por quanto tempo: dias, semanas, meses? O que os internautas comentariam nas redes sociais e com que frequência? O Facebook estimularia campanhas de apoio às vítimas? Os chefes de Estado se pronunciariam imediatamente? Em que tom? Falariam que o atentado maculou não apenas o campus, mas todas as sociedades que se proclamam civilizadas? O infortúnio viraria um marco, sempre mencionado por gerações futuras?

50 anos do ''Pacto das Catacumbas'' para uma Igreja serva e pobre

No dia 16 de novembro de 1965, há 50 anos, poucos dias antes do encerramento do Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas Catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus. Depois dessa celebração, assinaram o "Pacto das Catacumbas" (ver íntegra do documento no final da matéria).

Para celebrar o cinquentenário do Pacto, estão sendo promovidos vários eventos. Conforme noticiado pela Agência Adital, em Roma será realizado um seminário, na Universidade Urbaniana de Roma, neste sábado, 14 de novembro, das 9h às 17h, organizado pelo setor de JPIC, USG/UISG (União dos Superiores e Superioras Gerais), pelos missionários do Verbo Divino e pelo Sedos (Centro de Documentação e Investigação sobre a Missão Global). O evento irá discutir o contexto histórico do Pacto das Catacumbas e suas influências para a Igreja de hoje. Estará presente dom Luigi Bettazzi, bispo emérito de Ivrea (Itália), padre conciliar e um dos signatários do Pacto.

No domingo, 15, às 12h, haverá uma concentração na Praça de São Pedro, no Vaticano, para rezar o Angelus junto ao papa Francisco. Na segunda-feira, 16, data de assinatura do Pacto, às 10h30, será celebrada uma Eucaristia nas Catacumbas de Domitilla, organizada pelo Instituto de Teologia e Política (ITP), de Münster, Alemanha.

As catacumbas de Santa Domitila estão entre as mais extensas que foram encontradas em Roma, com 17 quilômetros de galerias, em quatro andares e mais de 150.000 sepulturas. A área foi doada aos cristãos por Flávia Domitilla, neta do imperador Vespasiano. Desde janeiro de 2009, encontra-se sob a responsabilidade da Congregação dos Missionários do Verbo Divino.

João 18.33-37: Pilatos interroga a Jesus - Odair Airton Braun

Auxílio Homilético

Predica: João 18,33-37
Leituras: Daniel 7 (1-12) 13-14 e Apocalipse 1.4b-8
Dados Liturgica: Último Domingo do Ano Eclesiástico
Proclamar Libertação - Volume: XXXI

1. Contexto fazer domingo

Chegamos Ao Último domingo do ano eclesiástico, also denominado de Cristo Rei. A Característica Maior Desse domingo E recordar e celebrar a vitória de Jesus Cristo Sobre as Forças fazer mal. Essa è uma marca Maior do reinado de Jesus Cristo. Dessa forma, o ano eclesiástico Chega ao Fim anunciando-SOE e visando renovar a Certeza de Que Jesus Cristo è verdadeiramente Rei. Contudo, Seu Reinado, em hipótese nenhuma, DEVE Ser comparado AOS "reinados" Deste Mundo.

Anunciar Jesus Cristo Como Rei NÃO DEVE Levar-nsa Ao triunfalismo. Pelo contrario, o desen Levar-nsa uma crer não Resgate da Verdade e da Dignidade, na Renovação da vida e da sociedade a Partir da Boa-nova trazida e Anunciada POR Jesus Cristo.

2. O Reinado de Jesus Cristo

O reino de Deus é o Aspecto central de todo o ensino de Jesus. De Todos os demais Aspectos de Seu Ministério Público tinham Como finalidade acentuar o Reinado de Deus, OU SEJA, a soberania de Deus Sobre o universo. Nesse SENTIDO, Convém Cuidar Para Que o reino de DEUS NÃO SEJA confundido com hum Espaço físico em Meio a este mundo governado POR Deus. Contudo, tambem nao DEVE Ser Tido Como hum Reinado abstraído Deste Mundo.

João 18.33-38: Sim à verdade

Um diálogo entre Pilatos, o governador da Judéia, e Jesus Cristo, o Filho de Deus. É a oposição entre as trevas e a luz, entre o reino deste mundo, passageiro, imperfeito e injusto e o Reino de Deus, eterno, perfeito, justo e verdadeiro. Pilatos ocupa um alto cargo, mas não tem autoridade, pois não assume responsabilidade pelos seus atos.

Durante o julgamento de Jesus, ele vacila, fraqueja, submete-se, sempre medroso, procurando agradar a Roma e não desagradar aos judeus. Não concebe um reino que não seja deste mundo. Não consegue aceitar um rei que nasceu na humildade de um estábulo, viveu entre os pobres, preocupou-se com os doentes, os fracos e pecadores; um rei que entrou em Jerusalém pobremente vestido, montado num burrinho; que contestou as autoridades civis e religiosas, clamando contra a dureza de seus corações. Jesus revela a Pilatos a verdade, mas ele é incapaz de compreendê-la. Por isso, sua pergunta “o que é a verdade?” (v. 38) fica no ar.

Ela já havia sido respondida por Jesus, quando disse: “Foi para falar da verdade que eu nasci e vim para o mundo”. Pilatos não aceitou esta resposta. Ele não queria saber da verdade, queria apenas livrar-se de uma situação difícil. Por isso não ouviu a voz do Salvador. E nós, estamos dispostos a aceitar a verdade e a seguir o caminho que leva à salvação e à vida eterna? Que nossa resposta seja um sonoro SIM à verdade; que estejamos sempre prontos a ouvir a voz do Rei dos reis. “Quem crê na verdade ouve a minha voz” (v. 37).

Jo 18, 33b-37: Festa do Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo - Tomaz Hughes

“Todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz”

A Igreja Católica, hoje, no último domingo do Ano Litúrgico, celebra a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. A festa foi estabelecida na época dos governos totalitários nazistas, fascistas e comunistas, nos anos antes da Segunda Guerra, para enfatizar que o único poder absoluto é de Deus. Nos dias de hoje, em que milhões padecem as consequências de um novo tipo de totalitarismo disfarçado, o do poder econômico inescrupuloso, torna-se atual a inspiração original da festa – que Deus é o único Absoluto.

Em um mundo que não ateu, mas idolátrico, pois presta culto ao lucro, a festa de hoje nos desafia para que revejamos as nossas atitudes e ações concretas – para descobrir o que é para nós, na verdade, o valor absoluto das nossas vidas.

O texto é tirado da paixão segundo João – o diálogo entre Jesus e Pilatos sobre a verdadeira identidade de Jesus. Com a ironia que lhe é típica, João faz com que Pilatos – o representante do poder absoluto da época, o Império Romano - apresente Jesus como Rei, o que ele é na verdade, mas não de modo que Pilatos pudesse entender. O Reino de Jesus é o oposto do Reino do Império Romano – não é opressor, nem injusto, nem idolátrico, mas o Reino da justiça, fraternidade, solidariedade e partilha, o Reino do Deus da Vida.

Em carta a Regionais, CONIC lamenta tragédia em Mariana (MG)

Aos Regionais do CONIC em Minas Gerais e Espírito Santo

Caros irmãos e caras irmãs,

Recebam nossa saudação por meio da palavra do profeta Isaías 66.18,
prevista para o dia de hoje, que diz:
“Eu venho para ajuntar todas as nações e línguas,
elas virão e contemplarão a minha glória”.

Como todo o Brasil, temos acompanhado as notícias relacionadas à tragédia ocorrida nos seus Estados em consequência do rompimento das barragens Santarém e Fundão. Já faz tempo que os movimentos sociais, em especial, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão denunciando os impactos provocados pelas ações das mineradoras e hidroelétricas. No entanto, pouco ou nenhuma atenção é dada aos indicadores de impacto ambiental e social apontados por esses movimentos. As histórias de vida das pessoas atingidas por essas propostas de desenvolvimento, agressoras do meio ambiente, também não são levadas em consideração, nem por parte das empresas envolvidas e nem por parte do Estado. A defesa dos interesses de grupos financeiros e empresariais é sempre colocada acima dos interesses das comunidades locais afetadas. O cuidado com o meio ambiente é relativizado sempre que confrontado com os interesses dos grupos financeiros. O Código da Mineração é um exemplo concreto disso.

É lamentável que, em momento algum, tenham sido ouvidas as organizações que diariamente têm denunciado as consequências provocadas por esses projetos. O silêncio das autoridades empresariais, governamentais diante das denunciais realizadas, ao longo de muitos anos, é cúmplice dessa tragédia, que como bem dizem os afetados, não foi acidente.

Formação da CFE 2016


Confraternização do Núcleo do CEBI-ES em Guarapari

Dia 15/11/15 o núcleo do CEBI Guarapari se reuniu na casa de Claudeci e Marcieni para um gostoso e animado almoço. 

Gente bacana, bom papo, boa comida e ainda teve algumas rodadas de bingo!

Clique aqui e veja as demais fotos!

Desastre em MG alerta para urgência do debate sobre modelo de desenvolvimento

O rompimento de duas barragens de rejeitos de minério de ferro da empresa Samarco, em Minas Gerais, é um exemplo de como o atual modelo de desenvolvimento brasileiro é um risco para o meio ambiente e a própria vida das pessoas. O desastre criou uma enxurrada de lama que cobriu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e contaminou 500 km do rio Doce – cujo vale deu nome à gigante da mineração, uma das proprietárias da Samarco. O número de desabrigados chega a 660, e ao menos seis mortes e 19 desaparecimentos já foram confirmados – números que podem estar subestimados.

“Se desenvolvimento é crescimento econômico – como diz a lógica do produtivismo-consumismo –, há que extrair cada vez mais minérios, mesmo sabendo que isto poderá ter consequências nefastas para os seres humanos, como acaba de provar, mais uma vez, o grave acidente ocorrido em Minas Gerais. Com esta forma de desenvolvimento, além da perda de vidas, estamos atacando a nossa água doce, uma das maiores riquezas que temos, com produtos químicos, tóxicos”, afirma Ivo Lesbaupin, diretor executivo da Abong e secretário executivo do Iser Assessoria.

Ele é o idealizador do seminário “Desenvolvimento em Disputa: Por uma economia a serviço da vida”, que acontece em Brasília, nos dias 17 e 18 de novembro. Organizado pela Abong e o Iser Assessoria (ONG do Rio de Janeiro), em parceria com a Frente Parlamentar Ambientalista e a Frente Parlamentar em Defesa das Organizações da Sociedade Civil, o evento é aberto a participação de todos.

Refletindo sobre a Unidade: E se, de fato, formos todos um?

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia. João 17:21

As palavras de Jesus encontradas no Evangelho de João, capítulo 17, verso 21, é um dos versículos bíblicos que mais nos inspira a falar do tema da unidade. É muito nítida essa vontade do mestre em aconselhar-nos à jornada da Unicidade. “Para que todos sejam um” antecipa um conceito elementar da ciência moderna, sobretudo as pesquisas relacionadas à física quântica, que diz: “somos todos um”.

Como assim? Se no mundo físico nós encontramos divisões, por exemplo: homem e animal; animal e vegetal; vegetal e mineral, ou mesmo as divisões de ordem social, como negros e brancos, homens e mulheres, adultos e crianças, abastados e necessitados, na esfera quântica essa divisão não existe. Nem mesmo a divisão entre energia e matéria. Não há matéria, tudo é energia que circula o tempo todo e para todos os lugares. Falando para acadêmicos da Universidade de Stanford, em 1912, `Abdu'l-Bahá, primogênito e sucessor de Bahá'u'lláh - fundador da Fé Bahá'í, disse:

“Digamos, por exemplo, que os elementos celulares que entraram na composição de um organismo humano foram, num certo tempo, partes componentes do reino animal; em outro tempo entraram na composição do vegetal e, antes disso, existiram no reino mineral. Eles estiveram sujeitos a transferência de uma condição de vida a outra, passando por diversas formas e aspectos, exercendo funções especiais em cada existência. Sua jornada através de fenômenos materiais é contínua.”

Tratar o planeta da mesma forma como nos relacionamos com Deus

"Mas nós, ao menos, queremos ficar curados? Diante do terrorismo mundial e da instabilidade política, estamos nós comprometidos a buscar um denominador comum que una os cristãos, muçulmanos e judeus, bem como as pessoas de todas as cores e culturas? Trabalhamos para criar pontes onde quer que encontremos divisão e dissenção? Favorecemos o diálogo onde quer que nos confrontemos com o preconceito e a intolerância? Podemos discernir o rosto do nosso irmão e irmã – em última análise, a imagem e semelhança de Deus – em nosso inimigo na forma de um extremista, no fundamentalista que se apresenta como um fanático?", questiona o Patriarca Bartolomeu I, arcebispo de Constantinopla-Nova Roma e o líder espiritual das igrejas ortodoxas em todo o mundo, em artigo publicado pela revista Time, 31-10-2015.

A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

“Você quer ficar curado?” – João 5,6

Quando nas escrituras cristãs lemos sobre Cristo como médico e curador, a maioria de nós imagina um fazedor de milagres ou um mágico, alguém que pode ser invocado para intervir no intuito de resolver problemas. Visualizamos um “deus ex machina” – uma figura mecânica ou metafísica que estende suas mãos lá do céu para aliviar tragédias e dissipar polêmicas.

Uma tal percepção, no entanto, contradiz a imagem representada nos Evangelhos. Em quase todos os milagres de cura, Jesus primeiro busca conhecer as circunstâncias que exigem mudança ou que pedem remédio. Apesar da sua missão expressa em “anunciar a Boa Notícia aos pobres; (...) proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; (…) libertar os oprimidos” (Lucas 4,18), ele sublinha, com persistência, o pré-requisito de “ansiar” e “desejar” para o dom de “modificar para o bem” ou “curar”.

Lei sobre direito de resposta é sancionada pela presidenta

O projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que regulamenta o direito de resposta a quem se sentir ofendido por algum veículo de imprensa foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (12).

O direito de resposta será garantido quando uma reportagem atentar “ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação”, aponta o texto.

Ao ofendido, caso se conceda o direito de resposta, vai ser garantido o direito de publicação da resposta com os mesmos “destaque, publicidade, periodicidade e dimensão” da reportagem, tanto no veículo que originalmente divulgou a matéria quanto em outros que a tenham replicado.

O reclamante terá 60 dias a partir da veiculação da reportagem para solicitar o direito de resposta diretamente ao órgão de imprensa ou à pessoa jurídica responsável. Caso a resposta não seja publicada sete dias após o pedido, o reclamante poderá recorrer à Justiça.

Mulheres recebem em média 74,5% do rendimento de trabalho dos homens

Em 2014, as mulheres ainda recebiam, em média, 74,5% do salário dos homens no Brasil. De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2014, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos dos homens de 15 anos ou mais de idade com rendimento de trabalho foi de R$ 1.987, e o das mulheres, R$ 1.480Reprodução/Forbes

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2014, divulgada nesta sexta-feira (13), mostra que, em 2014, considerando a população de 15 anos ou mais, as mulheres recebiam, em média, 74,5% do rendimento obtido pelos homens no trabalho. Em relação a 2013, a redução do quadro de desigualdade entre os sexos avançou um ponto percentual, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística).

No ano passado, os homens com 15 anos ou mais recebiam, em média, R$ 1.987 por mês, e as mulheres, no mesmo período, ganhavam R$ 1.480. O dado inclui todas pessoas que estavam ocupadas e recebiam algum tipo de salário, excluindo-se as que não tinham remuneração ou eram pagas apenas com benefícios. Somado este subgrupo, em 2014, o rendimento médio mensal dos homens era de R$ 1.885, e o das mulheres, R$ 1.332. Ou seja, as mulheres recebiam pouco mais de 70% dos vencimentos obtidos pela população masculina.

Mercado da fé , por Frei Betto

Como os supermercados, as Igrejas disputam clientela. A diferença é que eles oferecem produtos mais baratos e, elas, prometem alívio ao sofrimento, paz espiritual, prosperidade e salvação.

Por enquanto, não há confronto nessa competição. Há, sim, preconceitos explícitos em relação a outras tradições religiosas, em especial às de raízes africanas, como o candomblé e a macumba, e ao espiritismo.

Se não cuidarmos agora, essa demonização de expressões religiosas distintas da nossa pode resultar, no futuro, em atitudes fundamentalistas, como a "síndrome de cruzada", a convicção de que, em nome de Deus, o outro precisa ser desmoralizado e destruído.

Quem mais se sente incomodada com a nova geografia da fé é a Igreja Católica. Quem foi rainha nunca perde a majestade... Nos últimos anos, o número de católicos no Brasil decresceu 20% (IBGE, 2003). Hoje, somos 73.8% da população. E nada indica que haveremos de recuperar terreno em futuro próximo.

Paquiderme numa avenida de trânsito acelerado, a Igreja Católica não consegue se modernizar. Sua estrutura piramidal faz com que tudo gire em torno das figuras de bispos e padres. O resto são coadjuvantes. Aos leigos não é dada formação, exceto a do catecismo infantil. Compare-se o catecismo católico à escola dominical das Igrejas protestantes históricas e se verá a diferença de qualidade.

Confira o manifesto sobre a tragédia em Mariana

Manifesto do Fórum das Pastorais Sociais do Regional Leste II

“A terra é dom do Criador” (Dt 8,7)

As Pastorais Sociais do Regional Leste II da CNBB, compreendendo os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, reunidas nos dias 6 a 8 de novembro, na casa de retiros Nossa Senhora da Alegria, no centro do complexo de barragens das mineradoras, dos municípios de Ouro Preto e Mariana, diante da catástrofe causada pelo rompimento das barragens Santarém e Fundão no dia 5 de novembro, denunciam o crime contra a vida, o meio ambiente e a biodiversidade provocado pela companhia Vale e Bhp Billiton (Samarco).

A exploração mineral no Brasil vem crescendo de forma desordenada e irresponsável, como resultado de uma política de apropriação extensa de territórios, de bens naturais, culturais e recursos hídricos por grandes grupos econômicos, provocando impactos violentos a povos, comunidades e territórios, gerando conflitos em toda sua cadeia: remoções forçadas de famílias e comunidades, poluição das nascentes, dos rios, do ar, poluição sonora, desmatamento, acidentes de trabalho, de trânsito, falsas promessas de prosperidade, concentração privada da riqueza e distribuição pública dos impactos, criminalização dos movimentos sociais, descaracterização e desagregação sociocultural.

Esta política excludente foi denunciada pelo Fórum Social da Arquidiocese de Mariana em 2012, em sintonia com o testemunho de Dom Luciano Mendes de Almeida: “Toda atividade mineradora e industrial deve ter como parâmetro o bem estar da pessoa humana, buscando a superação dos impactos negativos sobre a vida em todas as suas formas e a preservação do planeta, com respeito ao meio ambiente, à biodiversidade e ao uso responsável das riquezas naturais”.

Mc 13, 24-32: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”

Este texto nos apresenta diversas dificuldades de interpretação, pois está saturado com conceitos apocalípticos, referências veladas a possíveis eventos históricos, e referências tiradas de escritos do tempo do Antigo Testamento, muitas das quais desconhecidas para nós. Porém a sua mensagem central fica clara – o triunfo final do Filho do Homem, mandando por Deus para estabelecer o seu Reino. A linguagem vetero-testamentária de sinais cósmicos, a figura do Filho do Homem e a reunião dos eleitos de Deus são unidas em um contexto novo, em que a vinda escatológica de Jesus como Filho do Homem se torna o evento central. A sua vinda gloriosa no fim dos tempos servirá como prova da vitória de Deus – e a expectativa desta chegada serve como base da vigilância paciente que é recomendada aos discípulos ao longo de todo o Discurso Escatológico de Marcos.

Os sinais cósmicos que antecederão o fim fazem referência a textos do Antigo Testamento: Is 13, 10, Ez 32,7; Am 8,9; Jl 2,10.31; 3,1.5; Is 34,4; Ag 2,6.21; Mas nenhum texto do Antigo Testamento se refere à vinda do Filho do Homem – esta é uma novidade do Evangelho. A lista desses sinais é uma maneira de dizer que toda a citação assinalará a sua vinda final. A descrição da chegada do Filho do Homem, rodeado das nuvens, é tirada do livro de Daniel 7,13, mas aqui se refere claramente a Jesus e não à figura angélica “em forma humana” do livro apocalíptico de Daniel. A ação de Jesus em reunir os eleitos é o oposto de Zc 2,10. Este reunir-se dos eleitos do seu povo por parte de Deus se encontra em Dt 30,4; Is 11,11.16; 27,12. Ez 39,7 etc. – mas nunca é o Filho do Homem que faz esse trabalho no Antigo Testamento.

Cultura do silenciamento prevalece nos casos de violência contra crianças e adolescentes

Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o crime de negligência foi a principal forma de violência contra crianças e adolescentes até o momento em 2015, concentrando 76,35% de todas as denúncias realizadas pelo Disque 100, serviço de denúncias anônimas. No total, foram 42.114 ligações realizadas para denunciarem crimes contra essa população, até junho de 2015. O montante é 14% menor do que os registros do mesmo período, em 2014, mas essa não é necessariamente uma notícia boa.

O assistente social Júlio Cezar de Andrade, diretor do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (Cress-SP), avalia que a redução nas denúncias pode não ter relação com a diminuição da violência, mas com o agravamento da cultura de silenciamento. Para ele, esse número pode ser muito maior, já que nem todos os casos são efetivamente denunciados porque, muitas vezes, o autor ou autora da violência faz parte da família da vítima.

"A naturalização da violência e o silêncio que, por vezes, permeiam as relações familiares fazem com que seja difícil que ocorra uma denúncia nos primeiros episódios. Sempre há a esperança de que seja um caso isolado, que não vá se repetir. Vários são os componentes que atuam no fenômeno da violência e todo o cenário contribui para essa questão do silenciamento.”, explica Andrade.

Por causa disso, ressalta o diretor do Cress, é de extrema importância a criação de uma cultura de proteção, que envolva vários atores da sociedade: "É preciso que todos sejam sensibilizados sobre sua obrigação de protegerem as crianças e adolescentes, utilizando as ferramentas de denúncia disponíveis, como o Disque 100, e não naturalizando a violência cotidiana”, ressalta o assistente social.

Tipos de violência

FLACSO, ONU Mulheres, OPAS/OM e a SPM divulgam novo Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil.

Clique aqui e veja o documento.

Homicídio contra negras aumenta 54% em 10 anos, aponta Mapa da Violência 2015. Estudo revela ainda que 50,3% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros. 

Entre 1980 e 2013 foram vítimas de assassinato 106.093 mulheres, 4.762 só em 2013. O Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), aponta um aumento de 54% em dez anos no número de homicídios de mulheres negras, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, a quantidade anual de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013. 

O lançamento da pesquisa conta com o apoio do escritório no Brasil da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Nesta edição, o estudo foca a violência de gênero e revela que, no Brasil, 55,3% desses crimes foram cometidos no ambiente doméstico e 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas, com base em dados de 2013 do Ministério da Saúde. O país tem uma taxa de 4,8 homicídios por cada 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo, conforme dados da OMS que avaliaram um grupo de 83 países. 

A divulgação da pesquisa em novembro tem especial significação: início dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, ações da campanha do Secretário-Geral da ONU UNASE Pelo Fim da Violência contra as Mulheres, o Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres e também o Dia Nacional da Consciência Negra. Segundo a Diretora da Flacso Brasil, Salete Valesan Camba, “O Mapa da Violência é um trabalho desenvolvido pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz desde 1998 e já foram divulgados 27 estudos que têm contribuído de forma decisiva na reflexão da sociedade brasileira sobre as múltiplas formas de violência que se abatem sobre seus cidadãos e cidadãs, ceifando vidas, destruindo famílias, impedindo a realização dos futuros possíveis que essas vidas poderiam propiciar a toda à sociedade", Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, o estudo inova ao revelar a combinação cruel e extremamente violenta entre racismo e sexismo no Brasil. “As mulheres negras estão expostas à violência direta, que lhes vitima fatalmente nas relações afetivas, e indireta, àquela que atinge seus filhos e pessoas próximas. É uma realidade diária, marcada por trajetórias e situações muito duras e que elas enfrentam, na maioria das vezes, sozinhas. 

Entre 2003 e 2013, taxa de homicídios de mulheres aumenta 8,8%, diz estudo

A taxa de homicídios contra mulheres no país aumentou 8,8% entre 2003 e 2013, segundo o estudo Mapa da Violência 2015 - Homicídios de Mulheres, produzido pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) e divulgado nesta segunda-feira (9). De acordo com o relatório, o Brasil é o quinto país mais violento para mulheres em um ranking de 83 nações que usa dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). No período, em média, 11 mulheres foram assassinadas no Brasil todos os dias. Mais da metade delas, 55%, eram negras

A pesquisa indica que, em 2003, a taxa de homicídios de mulheres era de 4,4 para cada 100 mil habitantes. Em 2013, ano com os dados mais recentes disponíveis, esse índice chegou a 4,8/100 mil habitantes, mesmo patamar de 2012 e o mais elevado da série histórica registrada. Entre 2003 e 2013, a taxa chegou a registrar queda entre 2006 e 2007, quando o índice passou de 4,2/100 mil habitantes para 3,9/100 mil habitantes.

A queda aconteceu no período após a entrada em em vigor da Lei Maria da Penha, que prevê punições mais rigorosas a agressores de mulheres. Depois da implementação da lei, porém, a taxa voltou a subir no ano seguinte, saindo de 3,9/100 mil habitantes em 2007 para 4,2/100 mil habitantes no ano seguinte.


Para o coordenador do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, o aumento nas taxas de homicídios contra mulheres acompanha a tendência de aumento da violência no Brasil já revelada por outros relatórios, mas o machismo ainda é responsável pela maioria dos assassinatos cometidos contra mulheres no país.

Organizações denunciam manifestações preconceituosas contra indígenas

O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) divulgaram manifesto, denunciando as frequentes manifestações preconceituosas e discriminatórias às comunidades e povos indígenas no país. “Tais manifestações fomentam uma postura de segregação e desrespeito à diversidade étnica e cultural dos povos originários deste território, no qual se forjou o Brasil”.

O documento também denuncia que “manifestações proferidas por parlamentares afetam diretamente as comunidades indígenas da região sul do Brasil, ao desqualificarem pejorativamente e com conceitos arcaicos e descontextualizados.” Tais comentários vão contra a dignidade individual e coletiva, do trato dos direitos humanos e do reconhecimento sociocultural dinâmico e dialogal entre sociedades étnicas ou grupos sociais.

Abaixo, o texto na íntegra:

“São constantes e recorrentes as denúncias de manifestações preconceituosas e discriminatórias às comunidades e povos indígenas no Brasil. Tais manifestações fomentam uma postura de segregação e desrespeito à diversidade étnica e cultural dos povos originários deste território, no qual se forjou o Brasil. A manifestação preconceituosa e discriminatória contraria a proposição conquistada pelas comunidades e povos indígenas na elaboração da atual Constituição Federal e no direito internacional, ao qual o Brasil é signatário, que cooperou na elaboração e solidificação dos direitos humanos e de respeito à diversidade étnica.

Minha Fé por Ivone Gebara

Parece tão simples discorrer sobre a fé se apenas repetirmos o Catecismo que nos foi ensinado. A gente decorava as verdades da fé e discorria sobre elas como aula bem aprendida. A lembrança da fé como virtude teologal, como força dada por Deus para sustentar nossa vida diária na linha do bem e da justiça fez parte da formação religiosa de muitas pessoas. A fé tinha apenas caráter construtivo positivo, estava só na direção do bem a todas as pessoas.

Entretanto, quando a pergunta vem depois de muitos anos vividos as respostas do Catecismo, embora conservem sua pertinência, já não fazem eco de nossa verdade, ou melhor, da verdade de minha fé nos limites de meu hoje.

O que é mesmo fé para mim? Já não tenho uma resposta ou uma definição precisa. Já não falo dela como algo seguro, coerente e claro. Já não sei determinar seus limites nem sua profundidade ou sua clara expressão. Constato apenas que esse algo que chamo ou que chamamos fé habita no claro escuro de minha vida, na mistura e na contradição que sou e que vivo. Habita o meu cotidiano, colada à minha pele e misturada às minhas entranhas.

A fé ou a adesão que faço a valores e pessoas não se expressa apenas nas coisas positivas e bonitas que desejo que habitem nosso mundo. Não vem de um Cristianismo aprendido, aquele que tinha respostas a todas as perguntas, embora as respostas fossem incompletas e parciais. Mas, a fé hoje para mim é parecida com a constatação da miséria e da grandeza humana, fé como acolhida da desproporção que nos habita, que nos faz ser sempre maiores e menores do que pensamos ser. Fé expressa de diferentes maneiras em tradições milenares de sabedoria humana que nos ajudam a acolher a inconstância e a constância variada e criativa de nossa história.

Quando 10 centavos valem mais que 1.000 reais - (Mc 12,38-44) - Mesters e Lopes

ABRIR OS OLHOS PARA VER

No texto de hoje, Jesus elogia uma viúva pobre porque ela soube partilhar mais do que todos os ricos. Muitos pobres de hoje fazem o mesmo. O povo diz: "Pobre não deixa morrer de fome". Mas às vezes, nem isso é possível. Dona Cícera, que veio do interior da Paraíba para morar na periferia de João Pessoa, dizia: "No interior, a gente era pobre, mas tinha sempre uma coisinha para dividir com o pobre na porta. Agora que estou aqui na cidade, quando vejo um pobre que vem bater na porta, eu me escondo de vergonha, porque não tenho nada em casa para dividir com ele!" De um lado: gente rica que tem tudo, mas não quer partilhar. Do outro lado: gente pobre que não tem quase nada, mas quer partilhar o pouco que tem. Vamos conversar sobre isso.

COMENTANDO

Marcos 12, 38-40: Jesus critica os doutores da Lei

Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento ganancioso e hipócrita de alguns doutores da Lei. Estes tinham gosto em circular pelas praças com longas túnicas, receber as saudações do povo, ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes. Eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! E Jesus termina: "Essa gente vai receber um julgamento mais severo!"

Nações Unidas divulga relatório e confirme que 60% das mulheres vítimas de violência não buscam ajuda

Nações Unidas divulgam relatório Mulheres do Mundo 2015; número de casamento infantil diminuiu apenas 5% em 15 anos; somente 19 países têm mulheres como chefes de Estado ou de governo, incluindo o Brasil.

Segundo o relatório Mulheres do Mundo 2015, a vida das mulheres melhorou em vários setores nos últimos 20 anos, mas muitas continuam sendo vítimas de violência e de outras injustiças.

O documento lançado esta terça-feira pelas Nações Unidas traz exemplos de avanços e de desigualdades. A taxa de mortalidade materna caiu 45% entre 1990 e 2013.

Educação

O total de meninas matriculadas no ensino primário é praticamente universal. Mas entre 58 milhões de crianças fora da escola, mais da metade são meninas e a maioria vive na África Subsaariana e no sul da Ásia.

Segundo o relatório, mais de um terço da mulheres do mundo já sofreram violência física ou sexual em algum momento da vida. Mas cerca de 60% das mulheres vítimas de violência não reportam o caso nem buscam ajuda.

Mercado de Trabalho

O total de casamentos infantis diminuiu apenas 5% entre 1995 e 2010, sendo uma prática comum em países do sul da Ásia e da África Subsaariana. Sobre carreiras, o relatório informa que apenas 50% das mulheres com idade apropriada estão trabalhando, e no caso dos homens, o índice é de 77%.

CONIC lança, oficialmente, o vídeo institucional da CFE 2016

É com muita alegria que o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) apresenta ao grande público o vídeo oficial da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2016. Este ano, a Campanha tem por objetivo o debate de questões relativas ao saneamento básico, desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida aos cidadãos. O tema escolhido para a Campanha é “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o lema, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24).

A reflexão da CEF será a partir de um problema que afeta o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos, que é a fragilidade e, em alguns lugares, a ausência dos serviços de saneamento básico em nosso país. O texto-base está organizado em cinco partes, a partir do método “ver, julgar e agir”. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha de 2016.



Além das fronteiras nacionais:

Uma das novidades da CFE é a parceria com a Misereor – entidade episcopal da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. Também integram a Comissão da Campanha de 2016: Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil.

Taís Araújo: canto triste de lamentação - Leonardo Boff

A Igreja Católica, na liturgia da Sexta-feira Santa, que celebra a crucificação de Jesus, coloca em sua boca estas palavras pungentes:

”Que te fiz, meu povo eleito? Dize em que te contristei! Que mais podia ter feito, em que foi que te faltei? Eu te fiz sair do Egito e com maná de alimentei. Preparei-te bela terrra, e tu, a cruz para o teu rei”.

A paixão de Cristo continua na paixão do povo afrodescendente, na discriminação como foi sofrida pela atriz Taís Araújo. Falta a segunda abolição, da miséria, da fome do desemprego e da discriminação.

Em solidariedade à atriz Taís Araújo publico este pequeno poema-reflexão, imitando a liturgia da sexta-feira santa, como solidariedade contra a discriminação de que foi vítima. Penso que ela foi discriminada não só por sua negritude, mas por ser uma excelente artista e de singular beleza. Há nisso tudo também inveja e sentimentos menores em muitas pessoas. Aqui vai meu texto no qual se faz ouvir o lamento triste dos afrodescendentes, como forma de solidariedade à Taís Araújo.

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“Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!

Eu te inspirei a música carregada de banzo e o ritmo contagiante. Eu te ensinei como usar o bumbo, a cuíca e o atabaque. Fui eu que te dei o rock e a ginga do samba. E tu tomaste do que era meu, fizeste nome e renome, acumulaste dinheiro com tuas composições e nada me devolveste.

Marcos 12.38-44: A oferta de uma viúva pobre: Mudança de Paradigma - Claudete Beise Ulrich

Reflexões iniciais – considerações pastorais

Escrevo este texto, num momento de grandes escândalos no Brasil, devido à corrupção e lavagem de dinheiro. Igrejas têm sido usadas e, inclusive, se utilizado dessas benesses corruptas. Um político, inclusive, tem uma empresa com o nome de Jesus.com, providenciada por ele como expediente para a lavagem de dinheiro público. A fé cristã está sendo disposta como mercadoria para desvios financeiros e em vista disto, medito sobre o texto de Marcos 12.38-44. O que significa, neste contexto, a viúva dar tudo o que tinha? De que forma, este texto ajuda na reflexão sobre a doação financeira? A personagem protagonista da narrativa é uma viúva pobre, isto é, uma pessoa excluída da sociedade. Vivemos também, no momento, uma grande xenofobia aos pobres no Brasil, às pessoas estrangeiras, aos negros e negras, às mulheres, aos povos indígenas... Portanto, o texto nos faz também refletir sobre os grupos de pessoas excluídas de nossa sociedade.

O chão brasileiro religioso: a questão do dízimo

Muito ouvimos falar de dízimo, doações e ofertas. Existe muita discussão em torno deste assunto. Exageros em relação à temática são proclamados e também praticados na realidade religiosa pluralista e sincretista brasileira. Escutamos, inclusive, histórias tristes de pessoas que entregam o dízimo a determinadas igrejas, mas passam necessidade de comida, de saúde e até de educação. Outras pessoas testemunham que desde que estão doando o dízimo receberam muitas bênçãos em sua vida. As histórias de vida e de fé são, muitas vezes, contraditórias em relação à prática do dízimo, que se tornou uma lei de troca, principalmente em determinadas igrejas evangélicas. O discurso religioso do dízimo está relacionado, na maioria das vezes, com o recebimento de bênçãos e prosperidade, baseado numa teologia retributiva, isto é, procura-se negociar com Deus.

As mulheres na Reforma Protestante - Múria Carrijo Viana

Que mulheres lutaram por justiça e equidade de gênero? Que outras histórias de mulheres podemos contar? O que nos ensinam as mulheres da Reforma Protestante? O que fizeram?

Estas foram as questões que orientaram o Grupo de Vivência Ecumênica de Goiânia, o qual refletiu sobre As Mulheres na Reforma Protestante, com a colaboração da Pastora Patrícia Bauer, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Patrícia destaca que mulheres e homens exerceram papéis importantes no contexto da Reforma Protestante, porém o movimento da Reforma é mais conhecido pelos homens que o lideraram (Martinho Lutero, João Calvino, João Knox, Ulrico Zwinglio, Felipe Melanchton e outros).

Mulheres Reformistas

Fala-se pouco da participação das mulheres nesse acontecimento. Catarina Von Bora, Catarina Schutz Zell, Claudine Levet, Marie Dentèrem, Argula Von Stauff e Rachel Specht são nomes esquecidos ou desconhecidos para a maioria. Aliás, tal como as mulheres na Bíblia, as mulheres reformistas sempre estiveram em segundo plano. Importante dizer que, apesar de algumas mulheres reformistas terem sido esposas dos reformadores, elas foram muito além da função de ser esposa e mãe, ideal feminino da época. Eram mulheres de conhecimento bíblico profundo, teólogas, administradoras, conhecedoras dos segredos da medicina caseira, poetisas, questionadoras, pregadoras, escritoras e tiveram que se defender dos próprios reformadores homens, uma vez que lutavam pela igualdade entre homens e mulheres.

A beleza de sermos diferentes: por Rosa Meneghetti

Um dos grandes desafios de quem trabalha com o Ensino Religioso no ensino fundamental, sem dúvida, tem sido o de conviver com os diferentes credos e práticas religiosas representados pelos alunos e alunas e, mais do que isso, o desafio de ser capaz de, a partir de situações de conflito que se estabelecem, apontar alternativas de diálogo e processos compreensivos de convivência.

Os tempos atuais, com os novos cenários que se descortinam, trazem consigo os avanços tecnológicos e comunicacionais, facilitadores da vida em sociedade e, ao mesmo tempo, exigentes em termos de novas posições valorativas e éticas de todos, especialmente dos(as) que trabalham com a formação das gerações. Os novos tempos são tempos de novos paradigmas que, para não serem mal interpretados, precisam ser muito discutidos.

A modernidade, tanto em termos sociais, como culturais ou religiosos, não é um tempo de fechamento extremo, nem de lasseamento de padrões de conduta. Ao contrário, a modernidade é, apenas, um novo tempo portador da dádiva da abertura para o ser humano exercitar as potencialidades com que a natureza o agraciou: inteligência, sensibilidade, dúvidas, percursos diferenciados à procura da verdade da existência, buscas de sentidos e significados, curiosidades, criatividades, afetos, enfim, possibilidades que tornam as pessoas humanizadas.

A pluralidade religiosa, então, não é outra coisa senão a conversa que a humanidade faz entre si, dialogando sobre as inúmeras formas como vivencia sua relação com o Transcendente, sobre o significado dos símbolos que representam sua noção a respeito do Sagrado e seus exercícios místicos de vivência da fé.

O pluralismo religioso é próprio da natureza humana

Reza na Casa de Luiza, Rafael e suas 3 Rosas

Muito bom reencontrar os amigos para sentirmos nossos cheiros! Os cheiros de esperança, de alegria, do querer bem estão em nós e nas nossas ações. Na Oração de São Francisco nos perfumamos para que sejamos instrumentos do bem no mundo. 

Um cheiro para Altenyr e heitor que fizeram aniversário! 

Agradecemos a essa florida família pela acolhida. Clique aqui e veja as demais fotos.

CNBB divulga nota sobre a realidade sociopolítica brasileira

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quinta-feira (27), durante coletiva de imprensa, nota sobre “A realidade sociopolítica brasileira: dificuldades e oportunidades”. O texto foi aprovado pelo Conselho Permanente da instituição, que esteve reunido em Brasília, de 27 a 29 deste mês. 

Na nota, a CNBB manifesta-se a respeito do momento de crise na atual conjuntura. “A permanência e o agravamento da crise política e econômica, que toma conta do Brasil, parecem indicar incapacidade das instituições republicanas que não encontram um modo de superar o conflito de interesses que sufoca a vida nacional, e que faz parecer que todas as atividades do país estão paralisadas e sem rumo”, declaram os bispos. 

Confira a íntegra do texto:

A realidade sociopolítica brasileira: dificuldade e oportunidades

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido em Brasília de 27 a 29 de outubro de 2015, comprometido com a vivência democrática e com os valores humanos, consciente de que é dever da Igreja cooperar com a sociedade para a construção do bem comum, manifesta-se acerca do momento de crise na atual conjuntura social e política brasileira.

A permanência e o agravamento da crise política e econômica, que toma conta do Brasil, parecem indicar a incapacidade das instituições republicanas que não encontram um modo de superar o conflito de interesses que sufoca a vida nacional, e que faz parecer que todas as atividades do país estão paralisadas e sem rumo. A frustração presente e a incerteza no futuro somam-se à desconfiança nas autoridades e à propaganda derrotista, gerando um pessimismo contaminador, porém, equivocado, de que o Brasil está num beco sem saída. Não nos deixaremos tomar pela “sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre” (Papa Francisco – Alegria do Evangelho, 85).