Diálogo inter-religioso: o alcorão e a unidade das religiões - Por Hoeck Miranda

À medida em que as atividades humanas alcançam dimensões mundiais e o desenvolvimento dos meios de comunicação nos coloca diante de manifestações religiosas diversas, cresce em importância o diálogo inter-religioso como canal capaz de pavimentar o caminho para a paz mundial. Este fenômeno é irreversível e tende a se ampliar e acelerar.

As suas implicações são de largo alcance e atinge a todos. Precisamos fazer algumas perguntas para avaliar o quanto estamos preparados para enfrentar essa nova realidade. Assim, algumas questões precisam ser respondidas, com toda a sinceridade, como: estamos preparados para atuar de forma inteligente e produtiva diante dessa ampliação mundial dos horizontes das atividades humanas? Estamos preparados para dialogar com as mais diferentes culturas e povos? Estamos preparados para entender e respeitar as manifestações religiosas diferentes daquelas nas quais fomos criados?

Os inúmeros episódios de conflitos sociais relatados pela imprensa, alguns explosivos e outros incendiários, envolvendo as mais diferentes comunidades religiosas ao redor do mundo, demonstram que ainda não estamos preparados para essa nova realidade.

O diálogo inter-religioso assume um papel crucial nesse processo, pois a solidariedade religiosa dos povos é muito mais forte do que todas as demais solidariedades, seja a de família, seja a de nação.

Para dialogar é necessário entender o pensamento e as afirmações do interlocutor, o que permitirá o estabelecimento de uma conversa significativa e de um diálogo verdadeiro e não de um monólogo entre as partes.

Para alcançar esse entendimento é necessário conhecer as bases e os princípios que regem o pensamento de nosso interlocutor.

Esta situação é crucial em relação ao Islã. O desconhecimento dos povos ocidentais sobre os ensinamentos do Alcorão, o Livro Sagrado da religião islâmica, tem gerado os mais diversos desentendimentos e preconceitos em relação aos povos e segmentos sociais que professam o Islã. Esse desconhecimento cria os espaços para a manipulação de opiniões a favor da manutenção de um estado permanente de conflito.

Os textos do Alcorão têm origem divina e foram revelados pela Vontade Suprema de Deus a Seu Apóstolo, Muhammad. Este aspecto foi testemunhado ao longo de todo o Alcorão, assim como Jesus testemunhou a origem divina de Sua missão.

Sendo de origem divina, o Alcorão é primoroso em fortalecer os vínculos que unem as Revelações de Deus à humanidade, que antecederam àquela de Deus a Muhammad.

Este Livro Sagrado também é primoroso em descrever o processo pelo qual Deus se revela aos seres humanos e estabelece os vínculos que unam o Islã às revelações que se seguirão no futuro.

O Alcorão apresenta, com grande maestria, os Manifestantes de Deus como alvissareiros das boas novas reveladas por Deus e como admoestadores sobre as consequências advindas da desobediência à Vontade de Deus.

O Alcorão foi revelado durante a vida de Muhammad, num período de 23 anos, o qual foi repleto de perseguições, traições e ataques. A primeira revelação ocorreu no ano 610 de nossa Era e terminou no ano 633.

O Alcorão Sagrado traz uma didática exemplar, ao apresentar a sequência dos Mensageiros que Deus enviou para a humanidade, com o propósito de guiá-la e educá-la. Embora fosse um iletrado, no que se refere aos conhecimentos humanos, Muhammad revelou um conhecimento divino ao apresentar os relatos sobre os Mensageiros de Deus, validando aqueles contidos nos Livros Sagrados que antecederam o Alcorão.

Tais relatos descortinam a forma cuidadosa e esmerada com a qual Deus vem educando a humanidade, através de Seus Mensageiros, que revelam a Vontade Sublime do Criador e reafirmam os princípios fundamentais de todas as religiões reveladas por Deus.

Como exemplo, vamos considerar o versículo 136 da 2ª Surah (Epístola) do Alcorão Sagrado:

2:136 – “Dizei: nós cremos em Deus e naquilo que nos tem sido enviado e enviado a Abraão, Ismael, Isaque, Jacó e às tribos e no que foi concedido a Moisés, a Jesus e aos Profetas por parte de Seu Senhor; nós não fazemos distinção entre nenhum deles e a Ele nós nos submetemos”.

Testemunhamos, apenas nesse versículo, que o Alcorão apresenta a sequência correta em que os Mensageiros de Deus foram enviados, validando os relatos dos Livros Sagrados anteriores e ao mesmo tempo demonstrando que essa sequência testemunha a unidade da revelação de Deus ao homem. Isto implica que todas as revelações de Deus formam uma sequência única que, por esta razão, não pode ser feita distinção entre os Manifestantes da Vontade Divina.

O Alcorão é rico em citações como a do versículo 136 da 2ª Surah, demonstrando de forma inequívoca a grandeza da revelação de Deus à humanidade.

A unidade das religiões é apenas um entre uma centena de temas interessantíssimos abordados no Alcorão. As leis sociais reveladas por Deus a Seu Apóstolo, Muhammad, permitiram aos seus seguidores construírem a maior nação que já existiu na face da terra.

Sem o conhecimento do Alcorão é muito difícil a uma pessoa responder, com sinceridade, às perguntas que foram apresentadas no 2º parágrafo deste texto.

Estimulamos todos a pesquisarem o Alcorão Sagrado.

Para maiores informações sobre a relação entre o Alcorão e as religiões, recomendamos a leitura do livro intitulado “O Alcorão e a Unidade das Religiões” que está disponível em www.pensandoaunidademundial.com.

Por Hoeck Miranda, membro da comunidade Bahá'í de Brasília.

Fonte: CONIC