Roda de Conversa: Feminicídio

Dia 29.09.15, na sala do CEBI-ES, nos reunimos para mais uma Roda de Conversa, desta vez com o tema Feminicídio. Ana Rita e todos os presentes nos ajudaram a entender os avanços e as inúmeras dificuldades brasileiras encontradas nessa luta em defesa da vida das mulheres.

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Missão Ecumênica em apoio aos Guarani-Kaiowá

Caras amigas, caros amigos,

A atual conjuntura nacional tem revelado, entre outros retrocessos, a ofensiva direta contra os direitos e contra a existência dos povos indígenas. Com perplexidade e muita preocupação, acompanhamos o massacre que se instalou em Mato Grosso do Sul, promovido por latifundiários locais, defensores do agronegócio devastador. A omissão do Estado tem permitido que o conflito se agravasse, negando a indígenas e a pequenos proprietários não indígenas o direito à vida e à dignidade.

Conforme dados do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, só em Mato Grosso do Sul, nos últimos 12 anos, ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e outros 390 foram assassinados. A violência instalada demonstra que se trata de uma política de genocídio. De modo especial, tem sido vítima a nação Guarani Kaiowá. Diversos Tekohá tem sido atacados (por exemplo, Ñanderu Marangatu, Guyra Kamby’i, Pyelito Kue e Potreiro Guassu). Nas últimas semanas, desde o assassinato do líder Guarani Kaiowá, Semião Vilhalva, três indígenas foram baleados por armas por arma de fogo, vários foram feridos por balas de borracha e dezenas foram espancados. Em uma única ação, pistoleiros e jagunços contratados por latifundiários amarraram 26 indígenas, incluindo pessoas idosas, e os deixaram, depois de espancados, à margem da rodovia.

A terra do Mato Grosso do Sul, tomada pelo agronegócio, está sendo regada pelo sangue indígena que reclama a demarcação das suas terras.

Por outro lado, igrejas e movimentos sociais, que levantam sua voz em solidariedade aos povos indígenas, têm sido vítimas de processos de criminalização. O CIMI tem seu histórico desconsiderado e está sendo vítima de uma CPI, aprovada pela Assembleia Estadual do Mato Grosso do Sul, da qual fazem parte inúmeros deputados latifundiários.

Íntegra do discurso do Papa Francisco ao Congresso Americano

Na quinta-feira, 24 de setembro, o Papa Francisco proferiu seu discurso ao Congresso Americano, em Washington.

Eis o discurso.

Senhor Vice-Presidente,
Senhor Presidente da Câmara dos Representantes,
Distintos Membros do Congresso,
Queridos Amigos!

Sinto-me muito grato pelo convite para falar a esta Assembleia Plenária do Congresso «na terra dos livres e casa dos valorosos». Apraz-me pensar que o motivo para isso tenha sido o facto de também eu ser um filho deste grande continente, do qual muito recebemos todos nós e relativamente ao qual partilhamos uma responsabilidade comum.

Cada filho ou filha duma determinada nação tem uma missão, uma responsabilidade pessoal e social. A vossa responsabilidade própria de membros do Congresso é fazer com que este país, através da vossa actividade legislativa, cresça como nação. Vós sois o rosto deste povo, os seus representantes. Sois chamados a salvaguardar e garantir a dignidade dos vossos concidadãos na busca incansável e exigente do bem comum, que é o fim de toda a política.

Uma sociedade política dura no tempo quando, como uma vocação, se esforça por satisfazer as carências comuns, estimulando o crescimento de todos os seus membros, especialmente aqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade ou risco. A atividade legislativa baseia-se sempre no cuidado das pessoas. Para isso fostes convidados, chamados e convocados por aqueles que vos elegeram.

Papa na ONU: "Chega de abusos contra os pobres: trabalho, casa e terra são um direito de todos"

Defender "com força" os direitos dos excluídos, junto com os do ambiente. Desmantelar as armas que nos tornam "Nações Unidas pelo medo". Evitar os conflitos através da negociação. Reformar aONU, ampliando as presenças no Conselho de Segurança.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 26-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pela quinta vez, um pontífice discursa nasNações Unidas, demostrando como a Santa Sé acredita na importância dessa instituição, que completa 70 anos e deve ser fortalecida.

O dia de Francisco em Nova York começa cedo. Com alguns minutos de antecipação, o papa se apresenta no Palácio de Vidro, acolhido pelo secretário-geral Ban Ki-moon. Antes dos "grandes" da Terra, ele se encontra com os "pequenos": intérpretes, cozinheiros, faxineiros, agradecendo-lhes pelo seu valioso trabalho. Um grande aplauso o acolheu na Assembleia, outros 27 iriam interromper o seu longo discurso, pronunciado em espanhol.

Todos devem participar

As Nações Unidas, diz ele, devem ser reformadas com o ''objetivo último de conceder a todos os países, sem exceção, uma participação e uma incidência real e equitativa nas decisões" no Conselho de Segurança e nos órgãos financeiros. Isso, observa, vai ajudar "a limitar todo tipo de abuso ou de usura" contra os países em vias de desenvolvimento, evitando a sua "submissão asfixiantes aos sistemas de crédito" que empobrecem as populações.

Estudo na Paróquia São Pedro - Guarapari

Olá! Nosso 4º encontro de formação Bíblica na Paróquia São Pedro - Guarapari aconteceu nos dias 19/09, em na Comunidade Sta Luzia, em Amarelos, e 20/0915, na comunidade Nsra Conceição. O tema deste encontro foi o período de dominação persa. Aprofundamos a literatura bíblica do pós-exílio para percebermos os desafios que o povo da Bília enfrentava e o início da formação do Judaísmo.

Foi muito importante notarmos que sempre há esperança. A fé no Deus que caminha conosco alimenta essa caminhada de esperança! Esperança contida em pequenos gestos, mas que ao juntarmos esses pequenos gestos ajudamos a construir o Reino de Deus.

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Voltaremos a nos dias 17 e 18 de novembro!




Reza e Confraternização na casa de Sidinéia e Gildo

A primavera sempre nos trás esperança. As flores são sempre sinal de que um mundo mais bonito, mais alegre, mais colorido é possível... Nessa alegria nos reunimos dia 26/09/2015, em nossa confraternização anual na casa de Gildo e Sidinéia, em Viana. 


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Mc 9, 38-43.45.47-48: “Quem não está contra nós está a nosso favor” - Thomas Hughes

Esta reflexão nos coloca mais uma vez no contexto do ensinamento de Jesus aos seus discípulos, enquanto caminhavam para Jerusalém. Já vimos que a partir da “crise galilaica”, Jesus mudou a sua estratégia, afastou-se das multidões e dedicou-se à formação mais intensa dos seus discípulos, pois estes se mostravam incapazes de acolher a novidade do Evangelho, com a mudança radical de atitudes que ele implicava.

A primeira atitude a ser corrigida, nesta reflexão, é a de querer reservar o Espírito de Jesus como propriedade da comunidade. João se queixa que um homem que não os seguia estava expulsando demônios em nome de Jesus. Atitude mesquinha, de querer dominar o Espírito de Deus, sequestrar o poder divino! Mas, infelizmente, uma atitude bastante prevalecente em certos setores mais retrógrados das Igrejas ainda hoje, que acham que toda a riqueza do mistério de Deus possa caber dentro das margens estreitas das suas definições dogmáticas! Hoje, Jesus nos ensina a verdadeira atitude de um discípulo: “Não lhe proíbam, pois... quem não está contra nós, está a nosso favor” (v. 40). Temos que aprender a acolher as manifestações verdadeiras do Espírito de Deus em todas as religiões e culturas, e estar alertas para que nós mesmos não O escondamos ou deturpemos! Discernimento deve ser uma atitude permanente de vida!

Jesus não é exclusivo de ninguém - José Pagola

A cena é surpreendente. Os discípulos se aproximaram de Jesus com um problema. Neste caso, o porta-voz do grupo não é Pedro, mas João, uns dos irmãos que andavam buscando os primeiros lugares no grupo. Agora o grupo de discípulos procura ter exclusividade de Jesus, buscam seu monopólio. Pretender ter exclusividade de sua ação libertadora.

Eles estão preocupados. Um exorcista que não faz parte do grupo está expulsando demônios em nome de Jesus. Os discípulos não gostam de que as pessoas fiquem curadas e que possam iniciar uma vida mais digna. Eles pensam somente no prestígio de seu próprio grupo. Por isso tentaram cortar pela raiz sua atuação. Este é o único motivo: "ele não nos segue".

Os discípulos pensam que, para atuar em nome de Jesus e com sua força curativa, é preciso ser membro de seu grupo. Pensam que ninguém pode invocar a Jesus e trabalhar por um mundo mais humano sem fazer parte da Igreja. É realmente assim? Que pensa Jesus a respeito?

Suas primeiras palavras são claras: "não lhes proíbam". O nome de Jesus e a sua força humanizadora são mais importantes do que o pequeno grupo de seus discípulos. É bom que a salvação que traz Jesus se estenda além da Igreja estabelecida e ajude as pessoas a viver de forma mais humana. Ninguém deve vê-la como uma competência desleal.

Voluntários ajudam refugiados a sobreviver enquanto líderes europeus ainda buscam por soluções

Da Grécia à Alemanha, voluntários estão unindo forças para ajudar refugiados recém-chegados e imigrantes a conseguir comida, roupas e cuidados médicos – preenchendo as lacunas do sistema de asilo falho da União Europeia enquanto os líderes europeus ainda batalham por uma solução comum para a crise crescente.

Mais de 318 mil, em sua maioria, refugiados e alguns imigrantes arriscaram suas vidas para chegar às ilhas gregas até agora em 2015. Eles enfrentam condições infernais à medida que as autoridades locais não estão dispostas ou não são capazes de prover o básico, como comida, água, banheiro ou moradia.

Turistas e locais se dispuseram a preencher a lacuna: “É simplesmente uma tarefa avassaladora”, diz Giorgos, um professor que ajuda a preparar e distribuir mais de mil porções de refeições diariamente.

“Não é apenas alimentar pessoas”, diz Dionysia, outra ativista e diretora de teatro local. “É tratá-las como pessoas.”

Biljiana, 36 anos e originalmente de Belgrado, Sérvia, trabalha como voluntária com seu parceiro. “Também vivenciamos a fome e bombardeios lá em casa” explica ela. “Não podemos simplesmente ficar sentados sem fazer nada enquanto isso está acontecendo à nossa frente.”

16 mil crianças morrem por dia no mundo, segundo relatório do Unicef

No Brasil, a Pastoral da Criança, através de seus líderes, colaborou para a queda da mortalidade infantil nos últimos trinta anos

A mortalidade infantil no mundo diminuiu mais de 50% nos últimos 25 anos. Entretanto, isso não impediu que, diariamente, 16 mil crianças morram sem completar 5 anos. Essa é a realidade divulgada nesta quarta-feira (9/9) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Organização Mundial da Saúde (OMS), Banco Mundial e Divisão de População do Departamento da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), no Relatório 2015 - Níveis e Tendências em Mortalidade Infantil. Apesar dos avanços – o número de mortes caiu de 12,7 milhões por ano em 1990 para 5,9 milhões em 2015 –, o relatório lembrou que dificilmente o mundo alcancará o número proposto pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) até o fim de 2015, de 17,9 mortes a cada mil nascidos vivos. Metade delas estão relacionadas à desnutrição.

O relatório destaca ainda que as doenças infecciosas, como a pneumonia e diarreia e complicações neonatais são responsáveis pela maior parte dos óbitos de crianças com menos de cinco anos no mundo. As principais causas de morte apontadas para este público em 2015 incluem pneumonia (17%), complicações no parto pré-termo (16%), complicações neonatais intra-relacionados ao parto (11%), diarréia (8%), sepse neonatal (7%) e malária (5%). Segundo o relatório, “a maioria das mortes infantis são causadas por doenças que são facilmente preveníveis ou tratáveis com intervenções comprovadas e de baixo custo”.

Brasil

O Brasil foi um dos países que teve destaque na queda dos números. Desde a década de 1990 até 2015, o país apresentou uma queda de 73% na mortalidade infantil. A atuação da Pastoral da Criança, desde 1983, contribuiu para este número: em Florestópolis, primeiro município a desenvolver as ações da entidade, a mortalidade infantil passou de 127 para 28 por mil a cada mil nascidos vivos de 1983 a 1984. Atualmente, o índice de mortalidade infantil no município é de zero entre as crianças acompanhadas pela Pastoral da Criança.

Entretanto, o avanço não impediu que o país ainda possua 32 municípios com índices de 80 mortes a cada mil nascidos vivos, e que as crianças indígenas tenham o dobro de chance de morrer, se comparadas a outras crianças, antes de completar o primeiro ano de vida.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Com a chegada de 2015, e o encerramento dos Objetivos do Milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) assumem outras séries de metas para erradicar a pobreza extrema, combater a desigualdade e corrigir as mudanças climáticas. A Agenda 2030 envolve principalmente os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que se dividem em 169 metas mundiais. Uma cerimônia está marcada para o dia 25 de setembro, em Nova York, onde os 193 Estados-membros da ONU deverão assumir formalmente a busca pelos ODS pelos próximos 15 anos.

Para divulgar a ação, uma campanha de divulgação dos Objetivos Globais– como estão sendo chamados os objetivos da ONU – começaram a ser divulgados, através de uma plataforma online, onde iniciativas que irão colaborar para alcançar os objetivos podem ser inscritas. Estas iniciativas serão levadas à empresas, organizações e indivíduos para mostrar como e onde as ações estão sendo implementadas como resultado das parcerias globais e compromissos realizados para o alcance dos ODS.

Veja o primeiro vídeo divulgando a continuidade dos objetivos:

Reforma do sistema político: onde estamos?

Os diferentes movimentos e campanhas da sociedade civil brasileira que interagem nos debates sobre a reforma do sistema político identificaram três questões centrais a serem enfrentadas inicialmente: a influência do poder econômico nos processos decisórios (processos eleitorais, partidos, políticas publicas, decisões de Estado etc), a sub-representação de vários segmentos nos espaços de poder (mulheres, população negra, povos indígenas, juventude, camponeses/as, homoafetivos, trabalhadores/as em geral) e ausência de povo nos processos decisórios (democracia sem povo).

O Congresso Nacional por anos se recusou a votar qualquer alteração substancial sobre o tema. Este ano, resolveu votar. Analisamos que essa mudança de postura do Congresso tem relação direta com a pressão exercita pela campanha do plebiscito constituinte do sistema político e pela iniciativa popular pela reforma política democrática; fragilidade do executivo (retira do processo um ator importante, com poder de articulação) faz com que o Congresso vote uma reforma política com a “sua cara”; ação no STF (Supremo Tribunal Federal) de inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanhas e dos partidos; composição ultraconservadora do Congresso Nacional (garantindo uma maioria significativa pra votar uma contrarreforma). Todos esses fatores, associados ao temor “vamos fazer antes que eles façam” - neste caso ‘eles’ é o povo -, fez com que o Congresso Nacional, principalmente a Câmara dos Deputados, votasse este ano uma contrarreforma política.

Para entendermos melhor esse processo, precisamos dividi-lo em dois: uma parte diz respeito a emendas constitucionais e outra, à votação de leis.

Subsídios da Campanha Missionária são apresentados à imprensa

As Pontifícias Obras Missionárias (POM) apresentou, nesta quinta-feira, 17, durante coletiva à imprensa, os subsídios da Campanha Missionária 2015. Promovida anualmente em outubro, a Campanha tem como objetivo despertar os cristãos para seu compromisso com a missão da Igreja no mundo.

Participaram da coletiva na sede das POM, em Brasília (DF), o bispo auxiliar de São Luís (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, dom Esmeraldo Barreto de Farias; o diretor nacional das POM, padre Camilo Pauletti; a assessora executiva do Setor Missão da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), irmã Maria de Fátima Kapp.

O tema desta edição, “Missão é servir”, está em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2015. O lema aborda: “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 10,44).

Subsídios

Responsável por organizar, todos os anos, a Campanha Missionária, as POM já enviaram os subsídios às 276 dioceses e prelazias do Brasil para serem distribuídos entre as paróquias e comunidades. Os materiais também podem ser baixados e multiplicados livremente por meio do site www.pom.org.br.

A casta contra o povo

O Brasil deve ser o único país do mundo no qual até viadutos e calçadas são batizados com nomes de figuras pretensamente notáveis. Difícil achar 1 metro de concreto que não tenha a alcunha de algum grande brasileiro a ornar sua existência. Se você começa a se perguntar, porém, sobre quem são esses que os brasileiros celebram em suas construções, ficará claro não se tratar, em sua esmagadora maioria, de escritores, músicos, professores, cidadãos de grande bravura. São em geral políticos. Antigos deputados, prefeitos, vice-prefeitos, secretários, presidentes, ministros, mulher de ministro, correligionário, governador, filho de governador, mãe de prefeito (esta é uma contribuição da cidade de São Paulo). Bem, a lista não termina. 

Pode-se ter a impressão, com toda essa profusão de homenagens, que os brasileiros amam seus políticos com todo o coração. Ou se pode perceber claramente como a classe política vive para celebrar a si mesma, em um comportamento de casta que mistura vínculos de sangue, tradição e pilhagem do espaço público. 

A Casa Redonda e a essencialidade do Brincar - André A. Pereira

Hoje conheci a Casa Redonda, uma escola para crianças de 3 a 6 anos de idade, localizada em Carapicuíba, município vizinho à capital paulista. Fiquei tão tocado com a prática dessa escola que meu deu vontade de dizer a todos os meus ex-alunos, a todos os estudantes de pedagogia, a todos os aspirantes a educadores de crianças o seguinte: "vai lá, pode deixar de lado essa faculdade, ela é praticamente inútil, ela não te ensina praticamente nada para lidar com crianças, mas vai lá nessa escola, faz uma visita, pede um estágio lá, tenta fazer uma formação lá, escute o que aquela senhora fundadora dessa escola tem a dizer sobre a infância, sobre o brincar, sobre o Brasil, sobre a vida... lá você vai encontrar uma verdadeira formação!

O lugar é belíssimo! Uma casa com árvores e muitos passarinhos, uma boa área gramada, brinquedos ao ar livre. Tudo pensado e organizado para as crianças serem crianças. Brinquedos ao alcance dos pequeninos, tudo feito com material simples que eles montam, desmontam e criam à luz da imaginação. Há muito material e muitos espaços à disposição. Tudo simples: a mesa, por exemplo, é feita com um compensado que se coloca em cima de caixas de feira. Tudo pintadinho de verde. Bem bonito, bem bonito. A arquitetura das construções são inspiradoras, redondas, criativas, divertidas. Brinquedos antigos, muitos de madeira, materiais diversos, instrumentos musicais e... o mais importante: a natureza à disposição para andar, correr, interagir com os amigos e explorar o mundo do jeito sensorial e corporal como todas as pedagogias inteligentes falam que deve ser mas que raros educadores tem a coragem de fazer acontecer. Aqui na Casa Redonda brincadeira é coisa séria. E, pelo que pude sentir, o trabalho dos adultos é o de proteger esse espaço para que a criança tenha a liberdade de expressar sua vitalidade na interação social e se desenvolver a partir de si mesmas.

O novo êxodo - Atila Roque (Diretor executivo da Anistia Internacional Brasil)

Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Mais do que um pacto para a dignidade humana, o documento era o reflexo da experiência de horror nas guerras mundiais: fome, violência, migrações forçadas. Os representantes dos países ali presentes se comprometeram para que tudo aquilo nunca voltasse a acontecer, mas falharam.

Nas últimas décadas, a política internacional dos países desenvolvidos para o Oriente Médio e Norte da África acentuou conflitos internos, promoveu a guerra e o enfraquecimento das lideranças locais. O resultado tem sido o avanço de grupos como o Estado Islâmico, guerra civil, autoritarismo. Pessoas são obrigadas a deixar tudo o que têm para trás para lutar pela própria vida. A situação de vulnerabilidade se reflete em famílias fugindo da guerra, sobreviventes de tortura, crianças e adolescentes sozinhos, mulheres e crianças em risco e pessoas perseguidas por sua sexualidade ou gênero.

Em 2014, observamos um forte agravamento da violência. Enquanto o povo sofria uma escalada de ataques bárbaros e repressão, a comunidade internacional estava ausente. Em 2015, a crise não pode ser ignorada. Refugiados somalis, paquistaneses, afegãos, iraquianos, libaneses, mas principalmente sírios, deixaram suas vidas para trás. Estima-se que somente na Síria mais de 4 milhões de pessoas deixaram suas casas para fugir da guerra civil e do ditador Bashar Assad.

Sete coisas que você provavelmente não sabe sobre migrantes

1. Qual é a diferença entre uma pessoa migrante e uma pessoa refugiada ou solicitante de asilo?

A pessoa refugiada teve concedida a permissão para viver em outro país porque o governo de seu país não pode ou não está disposto a protegê-la contra abusos contra os direitos humanos. Solicitante de asilo é alguém que pediu para permanecer em outro país pelos mesmos motivos, mas que não foi reconhecido como refugiado.

Muitas pessoas – incluindo a maioria das que tentam hoje em dia para chegar à Europa em frágeis embarcações – não são migrantes, mas refugiados que se viram obrigados a abandonar suas casas por bombas e perseguições, e que têm direito de obter proteção em outros países conforme o direito internacional. No entanto, como ficou demonstrado recentemente em vários trágicos acontecimentos, pode ser quase impossível cruzar as fronteiras de forma segura e legal para alcançar um local onde possam solicitar asilo.

2 . Qual a diferença entre ‘imigrante’ e ‘migrante’?

Todos os imigrantes são migrantes, mas nem todos os migrantes são imigrantes. E para complicar as coisas há também o ‘emigrante’. Funciona assim: Um migrante se move dentro de seu próprio país, ou de um país para o outro, frequentemente em busca de trabalho ou para se reunir com familiares devido à pobreza e a crise. Se uma pessoa da Itália fosse viver na Espanha, seria emigrante na Itália e imigrante na Espanha. Pode receber o nome de “migrante internacional” se tem nacionalidade estrangeira ou nasceu em outro país. As palavras “imigrantes” e “migrantes” são frequentemente empregadas de forma intercambiável e tendem a confundir-se com o termo “solicitante de asilo” 

Marcos 9,30-37: “Se alguém quer ser o primeiro deve ser o último, aquele que serve a todos” - Pe. Thomas Hughes

Na estrutura do Marcos, depois da chamada “Crise Galilaica”, manifestada no episódio da Estada em Cesareia de Felipe, Jesus muda totalmente de tática e estratégia. Ele não anda mais com as multidões, quase não faz mais milagres - dos 19 milagres em Marcos, somente dois são realizados após o acontecimento em Cesareia. Em lugar disso, Ele se dedica à formação dos seus discípulos, tentando inculcar neles as atitudes de verdadeiros discípulos, ensinando-os que o caminho d’Ele é o caminho da Cruz, da entrega, da doação, e não da busca do poder, da glória ou da fama. Marcos demonstra isso de uma maneira bem organizada. Em três ocasiões, Jesus anuncia a sua futura paixão (8, 81; 9, 31; 10, 33-34). Em cada ocasião os discípulos não compreendem (8, 32; 8, 34; 10, 35-37), e a partir dessas incompreensões Jesus dá um ensinamento, aprofundando vários aspectos do verdadeiro seguimento d’Ele (8, 34-38; 9, 35-37; 10, 38-45).

O trecho em questão trata do segundo desses três acontecimentos. A coragem da dificuldade é a tentação do poder. Embora Jesus tenha deixado bem claro, pela segunda vez, que o seguimento d’Ele é uma vida de entrega, até à morte, em favor dos outros, os Doze discutem entre si qual deles seria o maior! O poder é tentação permanente em todas as comunidades, não isentando as Igrejas! Podemos até dizer, com certa dose de humor, que a busca de poder está no DNA das pessoas humanas! Talvez mais do que qualquer outro motivo, a sede do poder tem sido o que mais tem corrompido nas Igrejas - mais ainda do que a imoralidade ou a ganância financeira. No século dezenove o estadista e historiador católico inglês Lord Acton falou que “todo poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente” - e não há poder mais perigoso do que o religioso, exercido em nome de Deus!

Marcos 9,30-37: Ecumenismo: Ninguém é dono de Jesus (Mc 9,30-37) - Mesters e Lopes

Abrir os olhos para ver

O texto de Evangelho que meditaremos no próximo domingo traz uma grande incoerência da parte dos discípulos de Jesus. Enquanto Jesus anunciava a sua paixão e morte, os discípulos discutiam entre si quem deles era o maior. Jesus queria servir, eles só pensavam em mandar! A ambição os levava a querer subir às custas de Jesus. Vamos conversar sobre isto.

Situando

Esta reflexão traz o segundo anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Como no primeiro anúncio - Mc 8, 27-38 -, os discípulos ficam espantados e com medo. Não entendem a palavra sobre a cruz, porque não são capazes de entender nem de aceitar um Messias que se faz empregado e servidor dos irmãos. Eles continuam sonhando com um messias glorioso. O texto ajuda a perceber algo da pedagogia de Jesus. Mostra como ele formava os discípulos, como os ajudava a perceber e a superar o "fermento dos fariseus e de Herodes".

Tanto na época de Jesus como na época de Marcos, havia o fermento da ideologia dominante. Também hoje, a ideologia da propagandas do comércio, do consumismo, das novelas influi profundamente no modo de pensar e de agir do povo. Na época de Marcos, nem sempre as comunidades eram capazes de manter uma atitude crítica frente à invasão da ideologia do império. A atitude de Jesus com relação aos apóstolos, descrita no evangelho, as ajudava e continua ajudando a nós hoje.

Comentando

Carta Aberta: Pela promoção da paz e respeito às comunidades indígenas

O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin), o Conselho de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) e a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) reiteram a sua disposição e compromisso de solidariedade aos povos e comunidades indígenas, no convívio de justiça, paz e respeito entre as diferentes culturas e etnias. Repudiam a situação de violência e conflito que envolve as comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, bem como no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia, em decorrência do direito territorial indígena. 

As situações de violência e de conflitos incidentes em relação às comunidades indígenas no Brasil se intensificaram no último período histórico. Recentemente, o conflito entre comunidades Guarani-Kaiowá e produtores agrícolas no estado do Mato Grosso do Sul se destacou no noticiário e mídias. Tal situação decorre do processo histórico de esbulho territorial e invisibilização social a que estas comunidades estão submetidas. O mesmo ocorre em outras regiões e localidades brasileiras.

O estímulo à política econômica desenvolvimentista, sobretudo no setor agropecuário, pelas recentes ações governamentais, proporcionou o interesse mercantilista e predatório, que resultou no ressurgimento da percepção de que as comunidades e povos indígenas devem ser suplantados ou restringidos em seus direitos territoriais, concepção e modo de vida e ocupação territorial. De modo geral, cresce a opinião de que tais percepções de viver e o direito consuetudinário indígena sejam incompatíveis com o desenvolvimento econômico e organização sócio-política brasileira.

Teologia da Libertação e as perspectivas para uma teoria ainda incompreendida

Desde que surgiu, na América Latina, na década de 1960, a Teologia da Libertação (TdL) tem promovido o debate sobre os pobres e oprimidos e sua importância principalmente para a Igreja Católica. Para os críticos, a corrente significa uma politização indevida da fé, para os defensores o modelo, representa, além de uma revolução espiritual e cultural, a reapropriação da Palavra de Deus pelos pobres.

Apesar das reflexões consideradas "revolucionárias” e "comunistas”, a TdL sempre provocou a oposição da ala mais conservadora da Igreja, desde a sua origem, com o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. Um dos expoentes da TdL no Brasil, Leonardo Boff, por exemplo, já foi condenado pelo Vaticano a um ano de "silencio obsequioso”.

Com mais de 50 anos de existência, a corrente já passou por algumas gerações de teólogos e teólogas, que seguem renovando a "opção pelos pobres”. Após os anos de 1990, no entanto, a TdL atravessou um período de declínio e o envelhecimento de suas lideranças. Porém, com o Papa Francisco redirecionando o foco cristão para os pobres e oprimidos, a corrente retorna aos debates envolvendo a Igreja.

Sob a perspectiva da TdL, os pobres já não são vistos como meros objetos de caridade, mas como sujeitos de sua história e de sua emancipação.

Os jornais, o ódio fabricado e a terceirização do ridículo

Houve época no Brasil em que a oferta diária de jornais passava de uma dezena. Embora a maioria­ estivesse alinhada com interesses conservadores, existiam alternativas. Basta lembrar o Última Hora, de Samuel Wainer, comprometido com a defesa de causas populares.

Hoje os jornais são poucos e quase sempre iguais. É comum vermos em determinados dias fotos e manchetes idênticas estampando suas capas. Mesmice que acompanha os conteúdos, unificados em linhas editoriais voltadas para fustigar diariamente o governo federal.

Mas evitam ultrapassar certa linha de ataques que os levaria ao ridículo. Afinal, têm uma aura de seriedade que precisa ser preservada. Para escapar dessa encruzilhada, abrem espaço para que terceiros digam o que eles gostariam de dizer.

Nos editoriais, em que se expressa a “voz do dono”, surgem por vezes argumentos ponderados em defesa das instituições democráticas e de respeito aos resultados eleitorais. É a seriedade oferecida como álibi para dar a leitores radicalizados e personagens opacos os espaços necessários para as suas diatribes contra o governo, os movimentos populares e mesmo as instituições republicanas.

Perguntas e respostas: crise imigratória na Europa

O mundo vive a maior crise de migatória de refugiados, por motivos de guerra ou perseguição política e étnica, desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo a ONU, em 2014, 59,5 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar seus países devido à violência. Neste ano, a expectativa é de um que número ainda maior. Países com histórico recente de guerras lideram a lista dos que mais exportam refugiados. Em primeiro lugar vêm o Afeganistão, seguido pela Síria, Somália e Sudão, com o Iraque em sexto lugar. Nas últimas semanas, os refugiados têm se deslocado para a Europa, continente que apoiou intervenções militares no Afeganistão, Iraque e Síria. Leia, abaixo, algumas perguntas e respostas sobre o tema.

Por que muitos sírios estão deixando a Síria? 

A imensa maioria dos sírios que se dirige à Europa para escapar da guerra civil em seu país, iniciada em 2011, com a repressão imposta pelo ditador Bashar al-Assad às manifestações da chamada Primavera Árabe. Atualmente, diversas cidades sírias estão destruídas e o país se encontra dividido entre grupos pró-Assad, rebeldes anti-governo, forças curdas, o Estado Islâmico e outras facções jihadistas, entre elas a Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda. 

A família do menino Aylan Kurdi, encontrado morto em uma praia turca, vinha de onde?

Desde 2011, mais de 4 milhões de pessoas deixaram a Síria, cerca de um quarto da população. Aylan Kurdi, o menino cuja fotografia comoveu o mundo, havia fugido com sua família de Kobane, cidade síria palco de violentos confrontos entre militantes do Estado Islâmico e forças curdas no início do ano.

Convite Seminário do Conic


Retrocesso: Câmara volta a aprovar doação empresarial a campanhas

A Câmara dos Deputados derrubou, na última semana, dia 9 de setembro, a proposta do Senado que proibia o financiamento empresarial de campanhas políticas. Os deputados decidiram alterar o texto do Senado, que tinha modificado o entendimento anterior dos deputados, aprovado por meio de manobras do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Na avaliação do líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), o resultado da votação consistiu em mais uma manobra dos grupos econômicos que imperam entre os representantes do parlamento brasileiro. “São as doações de empresas que perpetuam as oligarquias na política.”

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que a autorização ao financiamentoprivado deixa claro que as empresas é que vão continuar distorcendo a democracia brasileira. “Temos de ter coragem e dar um passo para combater o poder econômico que controla hoje as campanhas eleitorais”, afirmou, um pouco antes da votação.

Alessandro Molon (PT-RJ) ponderou que a mudança no Senado tinha sido motivada pela pressão da sociedade, que não aceita mais o financiamento privado de campanhas. “Tivemos a oportunidade de mostrar que queremos fazer o que o povo quer de nós, de limitar o poder do dinheiro nas eleições”, destacou. Da mesma forma se posicionou o deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA), para quem “a medida mudou tudo para não mudar nada”.

O clamor dos indígenas no Dia de Oração pelo Cuidado da Criação

No dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, já apelidado por muitos por “Dia da Criação”, uma celebração ecumênica levou até a Catedral metropolitana de Brasília, indígenas, camponesas, padres, pastoras, bispos, religiosas, leigos e leigas das Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC).

Durante a celebração, os indígenas Guarani-Kaiowá, Daniel e Anastácio Xirukarai dirigiram a palavra aos participantes com um lamento pela morte do jovem indígena guarani- kaiowá, Simeão Vilhalva, 24, assassinado com um tiro na cabeça, no dia 29 de agosto, no município de Antônio João, no Mato Grosso do Sul.

“Estamos sofrendo, chorando, implorando e pedindo socorro para que a justiça aconteça neste país. Somos povo humilde, que apenas queremos viver em paz. Nós, guaranis-Kaiowá queremos dar dignidade de vida para as nossas mulheres, nossos filhos, nossos avós e irmãos”, disse o Kaiowá, Anastácio Xirukarai. “Graças a Deus, acrescentou, não matamos nenhum fazendeiro, nenhum produtor rural, enquanto eles já mataram mais de 300 de nossas lideranças”.

Monoteísmo masculino reforça a submissão histórica da mulher, aponta Ivone Gebara

Os conflitos de gênero e a submissão feminina que persistem no mundo atual devem muito de sua origem ao princípio masculino absoluto representado pelo Deus das religiões monoteístas. “É um Deus homem ao qual as próprias mulheres prestam culto e cuja autoridade vertical faz persistir essa herança ancestral de que homens e mulheres são diferentes, cabendo aos primeiros o domínio”, protesta a professora de Filosofia e Teologia Ivone Gebara, segundo quem é preciso fazer uma revisão de erros históricos que reduziram a mulher à tarefa de reprodutora humana. Somos todos frágeis e limitados, acrescentou a professora, chamando homens e mulheres simplesmente de “seres viventes”.

“Precisamos combater a ideia de que homens são a única fonte de sabedoria e fadados aos pensamentos superiores, enquanto mulheres são mera matéria, sem rosto e talhadas apenas a tarefas cotidianas”, provocou Ivone Gebara, doutora em Filosofia pela PUC-São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica), palestrante na noite de 12 de agosto da 18ª Semana de Filosofia da Universidade Metodista de São Paulo.

Objeto de riso

Professora Ivone falou sobre “Filosofia e Feminismo” e lamentou que em geral os eixos da Filosofia foram mantidos por figuras masculinas. Não existiu ao longo da história e nem atualmente nas grandes universidades nenhuma cátedra para pensar a filosofia feminista, definida por ela como movimento sociocultural de mulheres e também de homens que buscam a afirmação de direitos igualitários.

Inscrições abertas para a 4ª Conferência Municipal das Mulheres - Vitória ES

Estão abertas as inscrições para as interessadas em participar da IV Conferência Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, que será realizada nos dias 18 (das 18 às 21 horas) e 19 de setembro (das 8 às 18 horas), no auditório Alexandre Martins de Castro Filho, na Casa do Cidadão, em Itararé, Vitória - ES

Para participar do evento, que tem como objetivo fortalecer as políticas públicas que visam à promoção da igualdade de gênero e à prevenção e ao enfrentamento das diversas formas de violência contra as mulheres, as representantes da sociedade civil devem preencher a ficha de inscrição e encaminhar para o e-mail genero@correio1.vitoria.es.gov.br.

Coordenada pela Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid), a conferência vai reunir representantes de diversas regiões da cidade, além das militantes do movimento feminino e sociedade civil organizada. Na ocasião, também serão eleitas as delegadas para a 4ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres.

Eixos temáticos

Serão formados grupos de trabalho para discutir quatro eixos temáticos. Um dos eixos será "Contribuição dos conselhos dos direitos da mulher e dos movimentos feministas e de mulheres para a efetivação da igualdade de direitos e oportunidades para as mulheres em suas diversas especificidades: avanços e desafios".

Como seguir Jesus (Mc 8,27-35) - Mesters e Lopes

Esta reflexão descreve a cegueira de Pedro que não entende a proposta de Jesus quando este fala do sofrimento e da cruz. Pedro aceita Jesus como messias, mas não como messias sofredor. Ele está influenciado pela propaganda do governo da época que só falava do messias como rei glorioso. Pedro parecia cego. Não enxergava nada e ainda queria que Jesus fosse como ele, Pedro, o queria. Vamos conversar sobre isto!


SITUANDO


No início deste quarto bloco estão a cura de um cego - Mc 8,22-26 -, o anúncio da cruz e a explicação do seu significado para a vida dos discípulos - Mc 8, 27 a 9,1. A cura do cego foi difícil. Jesus teve que realizá-la em duas etapas. Igualmente difícil foi a cura da cegueira dos discípulos. Jesus teve que fazer uma longa explicação a respeito do significado da cruz para ajudá-los a enxergar, pois era a cruz que estava provocando neles a cegueira.

Nos anos 70, quando Marcos escreveu, a situação das comunidades não era fácil. Havia muito sofrimento, muitas cruzes. Seis anos antes, em 64, o imperador Nero tinha decretado a primeira grande perseguição, matando muitos cristãos. Em 70, na Palestina, Jerusalém estava sendo destruída pelos romanos. Nos outros países, estava começando uma tensão forte entre judeus convertidos e judeus não-convertidos. A dificuldade maior era a cruz de Jesus. Os judeus achavam que um crucificado não podia ser o messias tão esperado pelo povo, pois a lei afirmava que todo crucificado devia ser considerado como um maldito de Deus (Dt 21,22-23).

Mc 8, 27-35: “Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz, renuncie a si mesmo e me siga” - Pe. Thomas Hughes

Nesta reflexão temos a história do caminho de Cesareia de Felipe. Embora de grande importância também em Mateus e Lucas, o relato mais original está no evangelho de Marcos, Cap. 8, o qual se torna o pivô de todo o Evangelho.

"Quem diz o povo que eu sou?"

A pedagogia do relato é interessante. Primeiro, Jesus faz uma pergunta bastante inócua: “quem dizem os homens que eu sou?” Assim, chovem respostas, pois esta pergunta não compromete - é o “diz que...” Mas a segunda pergunta traz a “facada”: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Agora não vêm muitas respostas, pois quem responde em nome pessoal, e não dos outros, se compromete! Somente Pedro se arrisca e proclama a verdade sobre Jesus: “Tu és o Messias”. Aparentemente, Pedro acertou, e realmente, na versão mateana, Jesus confirma a verdade do que proclamou! Afirmou que foi através de uma revelação do Pai que Pedro fez a sua profissão de fé. Mas, para que entendamos bem o trecho, é importante que continuemos a leitura pelo menos até o v. 35, porque o assunto é mais complicado do que possa parecer.

"Filho do Homem"

Jesus logo explica o que quer dizer ser o Messias. Não era ser glorioso, triunfante e poderoso, conforme os critérios deste mundo e as expectativas do povo do seu tempo, inclusive os discípulos. Muito pelo contrário, era ser fiel à sua vocação como Servo de Javé, que teria como consequência ser preso, torturado e assassinado, e dar a vida em favor de muitos. Usando o título messiânico “Filho de Homem” - que vem de Daniel 7, 13ss - Jesus confirmou que era o Messias, mas não do jeito que Pedro esperava. Este, conforme as expectativas correntes no seu tempo, esperava um Messias forte e dominador, não um que pudesse ir, e levar os seus seguidores com ele, até a Cruz. Por isso, Pedro contesta Jesus, pedindo que nada disso acontecesse. E como recompensa ganha uma das frases mais duras da Bíblia: “Afasta-se de mim, satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (v. 33). Pedro, cuja proclamação de fé parecia ser tão acertada, é agora chamado de Satanás - o Tentador por excelência! Pedro tinha os títulos certos para Jesus, mas a prática errada! Usando os nossos termos de hoje, de uma forma um tanto anacrônica, podemos dizer que ele tinha ortodoxia mas não ortopraxis!

Marcos 7,31-37: Jesus faz bem todas as coisas - Pe. Thomas Hughes

Os eventos relatados no texto de hoje situam-se no território pagão de Tiro e Sidônia (hoje, Líbano). Marcos faz questão de sublinhar o contexto geográfico - talvez para enfatizar a missão aos gentios (pagãos) que marcava a sua Igreja. Mais uma vez estamos diante de um milagre de Jesus que manifesta o poder de Deus que age n’Ele, que causa espanto e alegria entre as testemunhas, e que leva Jesus a proibir que a notícia se espalhe no território.

Em si, o relato segue o roteiro de tantos outros - uma pessoa sofrida (neste caso sofrendo de surdez e incapaz de falar corretamente), a compaixão da parte de Jesus que o leva a atender o pedido de uma cura, a cura em si, a proibição de espalhar a notícia (o chamado “Segredo Messiânico”) e a incapacidade das testemunhas de guardar o segredo.

A violação da proibição por parte da multidão traz à tona a questão da verdadeira identidade de Jesus, dando a impressão de que Ele é muito mais do que um simples curador! As palavras que expressam o entusiasmo da multidão diante d’Ele (7, 37) são tiradas de uma seção apocalíptica de Isaías, sugerindo que, nas atividades de Jesus, o Reino de Deus se faz presente.

Estes não são seres humanos, nossos irmãos e irmãs? - Leonardo Boff

O grau de civilização e de espírito humanitário de uma sociedade se mede pela forma como ela acolhe e convive com os diferentes. Sob este aspecto a Europa nos oferece um exemplo lastimável que beira à barbárie. O menino sírio de 3-4 anos afogado na praia da Turquia simboliza o naufrágio da própria Europa. Ela sempre teve dificuldades de aceitar e de conviover com os “outros”.

Geralmente a estratégia era e continua sendo esta: ou marginaliza o outro, ou o submete ou o incorpora ou o destrói. Assim ocorreu no processo de expansão colonial na Africa, na Asia e principalmnete na América Latina. Chegou a destruir etnias inteiras como aquela do Haiti e no México.

O limite maior da cultura européia ocidental é sua arrogância que se revela na pretensão de ser a mais elevada do mundo, de ter a melhor forma de governo (a democracia), a melhor consciência dos direitos, a criadora da filosofia e da tecnociência e, como se isso não bastasse, ser a portadora da única religião verdadeira: o cristianismo. Resquícios desta soberba aparece ainda no Preâmbulo da Constituição da União Européia. Aí se afirma singelamente:

“O continente europeu é portador de civilização, que seus habitantes a habitaram desde o início da humanidade em suecessivas etapas e que no decorrer dos séculos desenvolveram valores, base para o humanismo: igualdade dos seres humanos, liberdade e o valor da razão…”

Grito dos Excluídos aborda manipulação midiática

Com o lema “Que país é este que mata gente, que a mídia mente e nos consome?” e o tema “A vida em primeiro lugar”, o Grito dos Excluídos e Excluídas Nacional chega a sua vigésima primeira edição, na próxima segunda-feira (7).

Há 21 anos, o Grito dos Excluídos e Excluídas acontece todo dia 7 de setembro, data oficial em que se comemora o Dia da Independência do Brasil. A atividade que ganhou dimensões nacionais, ocorre em todas as regiões brasileiras, entre as populações ribeirinhas, povos do sertão, população urbana e rural, povos indígenas, setores dos movimentos e pastorais sociais. Propõe uma reflexão sobre qual é a independência que temos hoje, diante de tanta corrupção, pobreza, desemprego e exclusão social. Que independência estamos comemorando? Há o que se comemorar?

O lema deste 21º Grito dos Excluídos e Excluídas traz seis eixos principais: “Unir os generosos e generosas”, “Direitos Básicos”, “Desmentir a Mídia”; “As diferentes formas de violência”; “Função do Estado”; “Participação Política e “A rua é o lugar”. Os textos estão circulando em vários veículos de comunicação e entre as coordenações locais.

Um adeus às armas que abastecem as atrocidades que estão ao nosso alcance

Dispositivos explosivos abandonados pelo Estado Islâmico no Iraque. 

As explosões recentes que aparentemente destruíram um templo de 2.000 anos de idade na antiga cidade de Palmyra, na Síria, são mais um triste exemplo de como o grupo armado autodenominado Estado Islâmico (IS) usa armas para promover sua agenda.

Mas o que tem alimentado o crescente poder de fogo do IS? A resposta está na história recente – armas que chegam no Oriente Médio que datam da década de 1970 têm desempenhado um papel.

Após assumir o controle de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, em junho de 2014, guerreiros do IS desfilaram com uma série de armas, fabricadas principalmente nos EUA, e veículos militares que haviam sido vendidos ou dados às forças armadas iraquianas.

No final do ano passado, a organização Conflict Armament Research publicou uma análise da munição usada pelo IS no norte do Iraque e da Síria. Os 1.730 cartuchos pesquisados ​​tinham sido fabricados em 21 países diferentes, com mais de 80 por cento da China, na antiga União Soviética, nos EUA, na Rússia e na Sérvia.

Uma pesquisa mais recente encomendada pela Anistia Internacional também se descobriu que enquanto o IS possui alguma munição produzida recentemente, em 2014, uma grande porcentagem das armas que estva sendo usada é da era soviética/Pacto de Varsóvia, de armas pequenas e armamentos leves, veículos blindados e artilharia que remonta a os anos 1970 e 80.

O Imperativo do Evangelho e nossa contribuição para o movimento ecumênico hoje - Quatro meditações bíblicas ( Wesley Ariarajah )

Desafiada pela missão, a igreja apostólica se reconfigurou. Estamos abertos à renovação a serviço do evangelho? O nosso chamado, como o de Moisés e de Jesus, tem a ver com “solidariedade com o(a)s que são oprimido(a)s no mundo”? Estamos prontos para “correr a corrida” mesmo tendo nossas tradições como base e sendo cercados por uma “nuvem de testemunhas”? O pastor metodista e reconhecido teólogo da Sri Lanka, Wesley Ariarajah foi durante muitos anos Diretor de Diálogo, uma sub-comissão do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Ele ensina teologia ecumênica na Drew Universidade em Madison (USA). Estas quatro meditações foram dadas durante a Consulta sobre Ecumenismo no século 21, em 2004.

1. Missão e a reconfiguração da Igreja Apostólica ( Atos 15:1-21 )

Jesus e seus discípulos eram da comunidade judaica. Ao encontrarem pessoas de outras tradições, geralmente/comumente seu ministério se limitava à sua própria comunidade. Mas os problemas começaram com Pedro quando ele foi chamado à casa de Cornélio. Enquanto ele pregava, o Espírito Santo veio sobre ele, e Pedro batizou Cornélio e toda sua família. Quando Pedro retornou a Jerusalém, foi criticado por ter batizado gentios sem consultar previamente a igreja, mas foi considerado um fato isolado.

Chacinas em série. Até quando? - Frei Betto

De 17 a 19 de julho, 37 pessoas foram assassinadas em Manaus. As execuções tiveram início após a morte de um sargento da PM ao sair de uma agência bancária. Curiosamente, chamada aos locais onde ocorrem os crimes, a polícia demorou a chegar... Até hoje nenhum criminoso foi preso.

A 13 de agosto – data considerada fatídica pela superstição – 18 pessoas foram assassinadas e sete feridas em Barueri e Osasco, na Grande São Paulo.

Quando a TV exibe execuções feitas pelo Estado Islâmico, ficamos indignados e torcemos para que o “mocinho” (as tropas do Tio Sam) derrotem o quanto antes o bandido terrorista.

Não olhamos, porém, o próprio umbigo. No Brasil, as mortes não são seletivas, são generalizadas. É a lei do talião levada ao extremo: um policial morto, dez ou mais inocentes baleados aleatoriamente como vingança. Exatamente como procediam os nazistas. A cada prisioneiro foragido do campo de concentração, dez outros eram sorteados para morrer.

Marcos 7, 24-37: Acolhendo as/os excluídas/os - A mulher Cananeia ajuda Jesus a descobrir a vontade do Pai - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

Na reflexão do evangelho a ser proferido no próximo domingo, 06/09/15, veremos como Jesus atende a uma mulher estrangeira de outra raça e de outra religião, o que era proibido pela lei religiosa daquela época. Inicialmente, Jesus não queria atendê-la, mas a mulher insistiu e conseguiu o que queria: a cura da filha. Vamos conversar sobre isto.

1. No bairro onde você vive tem gente de outras religiões? Quais? Você conversa normalmente com pessoas de outra religião?

2. Como você faz, concretamente, para conviver em paz com pessoas de outras igrejas cristãs ou com espíritas?

Situando

1. Jesus vai tentando abrir a mentalidade dos discípulos e do povo para além da visão tradicional. Na multiplicação dos pães, ele tinha insistido na partilha (Mc 6,30-44). Na discussão sobre o puro e o impuro, tinha declarado puros todos os alimentos (Mc 7,1-23). Agora, neste episódio da mulher Cananeia, ele ultrapassa as fronteiras do território nacional e acolhe uma mulher estrangeira que não era do povo e com a qual era proibido conversar. Estas iniciativas de Jesus, nascidas da sua experiência de Deus como Pai, eram estranhas para a mentalidade do povo da época. Cresce para eles o mistério, aparece o não-entender.