Marcha das Margaridas chega à Esplanada dos Ministérios

A Marcha das Margaridas iniciou por volta das 8h30 desta quarta-feira, 12, a caminhada em direção à Esplanada dos Ministérios. A mobilização das trabalhadoras rurais saiu do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (DF), e seguiu até o Congresso Nacional, em um percurso de cerca de 5 quilômetros. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que é a entidade organizadora do evento, 70 mil pessoas participaram da marcha.

Neste ano, a 5ª edição da Marcha das Margaridas teve como tema Margaridas seguem em marcha pelo desenvolvimento sustentável com democracia, justiça autonomia, liberdade e igualdade. Além de reivindicações históricas, como agilidade na reforma agrária e igualdade de direitos, as manifestantes também pediram reforma política e até a saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao entoarem nos carros de som: "Marcha mulherada! Sua bandeira na mão empunha. Viemos de todo canto, botar pra fora Eduardo Cunha".

Além das trabalhadoras rurais, a marcha também tem participação de centrais sindicais e outros movimentos sociais. Às 11 horas, as margaridas serão homenageadas em sessão solene no Senado e às 15h encontrarão a presidenta Dilma Rousseff, que deve dar uma resposta ao movimento sobre a pauta de reivindicações entregue ao governo no início de julho.

Saiba mais sobre a Marcha das Margaridas

Garantia permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais; acesso à terra e valorização da agroecologia, uma educação que não discrimine as mulheres, o fim da violência sexista, o acesso à saúde, a ser ou não ser mãe com segurança e respeito; autonomia econômica, trabalho, renda, democracia e participação política. Estas reivindicações são fruto de muita discussão, que começa cerca de um ano antes.

O Caderno de Pauta de Reivindicações da Marcha das Margaridas, que já foi entregue ao Governo Federal e ao Congresso Nacional, é resultado de rodadas de discussões coletivas promovidas pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais (Contag), em parceria com diversas entidades como a Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (Mama), Movimento Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, União Brasileira de Mulheres, entre tantas outras parceiras.

A escolha do nome Marcha das Margaridas e da data é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários da região. Por mais de dez anos à frente do sindicato, Margarida lutou pelo fim da violência no campo, por direitos trabalhistas como respeito aos horários de trabalho, carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas. Margarida dizia que “É melhor morrer na luta do que morrer de fome.”

fonte: CONIC