IEAB fala sobre a Semana de Combate ao Tráfico de Pessoas - Arcebispo Justin Welby

Irmãos e Irmãs,

Nenhum corpo humano pode ser, em qualquer circunstância, objeto de escravidão.

Nesta semana é celebrado internacionalmente a Campanha Contra o Tráfico de Pessoas. Esta é uma tragédia humana que somente nos últimos anos tem sido percebida por governos e entidades não governamentais. Em nosso país, constantes denúncias tem se avolumado à partir de organismos de direitos humanos e entre diversas categorias que caracterizam o tráfico de seres humanos, se encontram o trabalho escravo, o tráfico de órgãos e a exploração sexual de meninas e meninos, bem como a adoção ilegal de crianças. O tráfico não tem fronteiras e é cometido tanto dentro do Brasil como para o exterior. Segundo estatísticas levantadas por diversos organismos internacionais, o Brasil está em décimo lugar no mundo em termos de ocorrências constatadas, isso sem falar nos casos que permanecem não identificados.

A consciência da sociedade brasileira precisa aumentar sobre este silencioso e obscuro problema, que movimenta pelo menos 30 bilhões de dólares no mundo, enriquecendo verdadeiras máfias internacionais e nacionais. São pessoas, no caso de adultos e de crianças, que são atraídas para um mundo de sonhos que se transformam em pesadelos. A exploração econômica e social as submete a condições de vida indigna e muitas vezes fatal.

João 6,22-40: Quem vem a mim nunca mais terá fome! - Carlos Mesters, Francisco Orofino e Mercedes Lopes

I. Situando

1. Neste discurso do Pão da Vida (Jo 6,22-71), por meio de um conjunto de sete diálogos, o evangelista explica para os leitores e as leitoras o significado profundo da multiplicação dos pães como símbolo da Ceia Eucarística. É um diálogo bonito, mas exigente. O povo fica chocado com as palavras de Jesus. Mas Jesus não cede nem muda as exigências. O discurso parece um funil. Na medida em que avança, é cada vez menos gente que sobra para ficar com Jesus. No fim, só sobram os doze, e nem assim pode confiar em todos eles.

2. Quem lê o Quarto Evangelho superficialmente pode ficar com a impressão de que João repete sempre a mesma coisa. Lendo com mais atenção, perceberá que não se trata de repetição. O Quarto Evangelho tem um jeito próprio de repetir o mesmo assunto, mas é num nível cada vez mais alto ou mais profundo. Parece uma escada em caracol. Girando você volta ao mesmo lugar, mas num nível mais alto. Assim é o discurso sobre o Pão da Vida. É um texto que exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-lo. Por isso, não se preocupe se não entender logo tudo. Um texto assim devemos ler, meditar, ler de novo, repetir, ruminar, como se faz com uma bala gostosa. Vai virando e virando na boca, até se gastar.

II. Comentando

1. João 6,22-27: 1º Diálogo: O povo procura Jesus porque quer mais pão 
O povo viu o milagre, mas não o entendeu como um sinal de algo mais alto ou mais profundo. Parou na superfície: na fartura de comida. Buscou pão e vida, mas só para o corpo. Para o povo, Jesus fez o que Moisés tinha feito no passado: deu alimento farto para todos. Indo atrás de Jesus, queria que o passado se repetisse. Mas Jesus pediu que o povo desse um passo. Além do trabalho pelo pão perecível, deveria trabalhar também pelo alimento não perecível. Este novo alimento é que traz a vida que dura para sempre.

Mulheres sobre o 25 de julho: "a luta contra a invisibilidade é constante"

O protagonismo da mulher negra na luta por direitos e igualdade de gênero ganha cada vez mais espaço. Criado em 1992, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha tem fortalecido esta luta contra a invisibilidade, mas o enfrentamento a estes problemas faz parte do cotidiano diário de cada uma delas.

Há particularidades na realidade da mulher negra na sociedade hoje, que são resquícios dos anos de desigualdades do período colonial, escravocrata e patriarcal. Além dos problemas de gênero enfrentados no continente latino por todas as mulheres, como o machismo e desigualdades no mercado de trabalho, a mulher negra também precisa lidar com os conflitos raciais, como o racismo e a estereotipação do corpo negro, muitas vezes ligado à satisfação sexual.

No Brasil, segundo o “Dossiê mulheres negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil”, publicado em 2013 pela ONU Mulheres em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), existe uma impacto do racismo e do sexismo na vida das mulheres negras na educação, mercado de trabalho, economia do cuidado, pobreza e desigualdade de renda, vitimização e acesso à justiça.

A situação diferenciada dessas mulheres em relação ao "sujeito universal do feminismo" possibilitou que elas percebessem que precisavam e deveriam, juntas, falar de suas especificidades, avalia Djamila Ribeiro, feminista negra e mestranda em Filosofia Política na Unifesp.

El Salvador, povo salvadorenho e Oscar Romero: bom pastor e profeta no meio do povo. Por Gilvander Moreira.

"Se denuncio e condeno a injustiça é porque é minha obrigação como pastor de um povo oprimido e humilhado... O Evangelho me impulsiona a defender meu povo e em seu nome estou disposto a ir aos tribunais, ao cárcere e à morte... Nenhum soldado está obrigado a obedecer uma ordem contrária à lei de Deus que diz: “Não Matar.” Uma lei imoral não deve ser cumprida por ninguém. Soldados, em nome de Deus e no nome deste povo sofrido, cujos clamores sobem até ao céu cada dia mais tumultuosos, lhes suplico, lhes rogo, lhes ordeno em nome de Deus: cessem a repressão.” (Dom Oscar Romero)

1. Primeiras impressões.

Estive em El Salvador, de 13 a 17 de abril de 2009, para participar de um Encontro de Justiça de Paz (e integridade de toda a Criação) da Ordem dos Carmelitas. Tive o sentimento que ao pisar em solo salvadorenho, o Deus da vida cochichava nos meus ouvidos: “Tire as sandálias, pois estás pisando em um lugar sagrado!” Assim foram os cinco dias que lá estive. Voltei ao Brasil profundamente marcado. Nunca vi uma terra tão banhada pelo sangue dos mártires. De 24 a 30 de novembro de 2003, ao participar do VII Congresso missionário latino-americano, na Guatemala, eu tinha ficado estarrecido ao ouvir que lá em 40 anos de ditadura militar, 40 mil pessoas foram assassinadas, martirizadas.

Logo na chegada em El Salvador, fiquei sabendo que em 12 anos de Guerra Civil (1980 a 1992) mais de 75 mil pessoas foram assassinadas ou estão desaparecidas. Para lembrar Eduardo Galeano podemos dizer: “Essas são as veias abertas da América Latina.”

O censo de 2007 mostrou que a população de El Salvador era de 5.744.113. Hoje, deve estar acima de 6 milhões de pessoas. Dentro do próprio território vivem 86% de mestiços, 12% brancos, e 2% indígena. É o país mais densamente povoado de toda a América Afrolatíndia.[ Todavia, há mais de 2,5 milhões de salvadorenhos sobrevivendo fora do país, só nos Estados Unidos são mais de 2 milhões. Em quase todas as famílias salvadorenhas há parentes que estão nos Estados Unidos e tiveram parentes assassinados e/ou desaparecidos durante a Guerra Civil.

Desmatar o Cerrado é "fechar a torneira da água", diz especialista

Mercedes Bustamante: "Se se quiser conservar o rio São Francisco, tem que se conservar os 48% de vegetação do Cerrado que ainda estão lá". Confira a entrevista com a estudiosa de Cerrado:

O Cerrado é fundamental para 8 das 12 bacias hidrográficas brasileiras, e desmatá-lo pode significar "fechar a torneira da água", diz Mercedes Bustamante, uma das maiores especialistas no segundo maior bioma brasileiro, que já perdeu mais da metade da cobertura original e hoje produz emissões de gases-estufa equivalentes às da Amazônia. "É uma floresta de cabeça para baixo", diz a professora de ecologia de ecossistemas e mudanças ambientais globais da Universidade de Brasília.

A bióloga estuda o Cerrado há 23 anos e diz que "toda decisão sobre o uso da terra é uma decisão sobre o uso de água". O produtor rural, em sua visão, não é apenas produtor de alimentos, mas deveria também ser gestor de florestas, de água e de solo. Por isso, o melhor seria dar ao Cerrado uma ocupação de solo diferenciada, com estratégias de conservação de "toda a paisagem". Mais que isso: os 80% de vegetação que a lei permite que sejam desmatados deveriam ser revistos. "Esse percentual foi definido em determinado contexto, há décadas, mas será que esse contexto se aplica hoje? Deixar só 20% de vegetação será suficiente com o clima em mutação?", questiona.

"Se se quiser conservar o rio São Francisco, tem que se conservar os 48% de vegetação do Cerrado que ainda estão lá", ilustra. "Nessa discussão sobre crise hídrica ouvimos falar em grandes obras, em trazer água de lá pra cá, em reúso, mas a variável de uso da terra não entra no debate", surpreende-se.

Mercedes diz que o Cerrado é a "caixa d' água" do Brasil e que a melhor estratégia de longo prazo para a crise hídrica seria reflorestar todas as margens de rios que abastecem as cidades. "Estamos com uma gestão de risco temerária", diz. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Por que o Cerrado é importante?

ONU e Brasil lançam Década Internacional de Afrodescendentes

A Organização das Nações Unidas (ONU) e o governo brasileiro lançaram na quarta-feira (22) oficialmente no Brasil a Década Internacional de Afrodescendentes, que se estende até 2024. O ato ocorreu na abertura do Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha (Latinidades), em Brasília.

A década consta na Resolução 68/237 da Assembleia Geral da ONU. De acordo com a organização, o objetivo é promover o respeito, a proteção, os direitos humanos e liberdades fundamentais dos povos afrodescendentes, como reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O lançamento será feito pela ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Nilma Lino Gomes, e pelo e coordenador residente do Sistema das Nações Unidas do Brasil, Jorge Chediek.

O festival é o maior de mulheres negras da América Latina. Foi criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. Neste ano, o tema é Cinema Negro.

O protagonismo da criança presente (João 6,1-15) - Rejene Lamb

Convido a olhar o texto de João 6,1-15 na perspectiva do protagonismo da criança presente. Tomo como ponto de partida a interação entre tempo, lugar epersonagens.

a) As referências ao tempo: O v.1 inicia mencionando o tempo no qual o fato descrito se passa. É um tempo “depois” que vem marcado e definido por aquilo que aconteceu anteriormente, ou seja, pelos sinais que Jesus realizava com os doentes: Jo 4.46-54 - a cura do filho de um funcionário real, um menino (v.49) cujo pai intercede por ele; e Jo 5.1-15 - a cura de um homem que estivera doente por trinta e oito anos e está sozinho, sem ninguém que o ajude (v.7).

O v. 4 traz outra referência ao tempo de Festa da Páscoa. Uma informação solta, que precisa ser analisada no contexto maior do Evangelho de João. A Páscoa é a festa comemorada para lembrar o Êxodo, a saída da terra da escravidão, o acontecimento mais importante da história do povo que narra suas experiências nos textos bíblicos. Também a observação do v.10: “pois havia naquele lugar muita grama”, é um indicativo para a estação do ano, a primavera, quando a grama é perceptível. Porém, além do aspecto temporal, consideramos esta informação importante do ponto de vista do cenário, do lugar onde os acontecimentos são vivenciados. Também o v.12 inicia com uma conjunção temporal: “quando ficaram satisfeitos” dando destaque para o tempo transcorrido entre a partilha e a saciedade das pessoas participantes. Não foi preciso comer com pressa e ninguém saiu com fome.

b) O lugar: Jesus atravessou o mar da Galileia, que é o de Tiberíades (v.1b). Jesus passara por Jerusalém (capítulo 5) e agora está de volta ao lugar onde a realidade de doença e carência mobiliza a multidão, pois esta o segue. Jesus retira-se para o monte e senta-se com seus discípulos (v.3). O monte aponta sempre para a busca de um distanciamento, mas aqui não se torna possível porque a multidão segue Jesus e não recua diante do monte. Naquele lugar havia muita grama (v.10) que é indicada como possibilidade para que o povo pudesse "tomar lugar". Na linguagem dos Evangelhos, o verbo “tomar lugar” ocorre em Mt 15.35; Mc 6.40; Mc 8.6; (narrativas paralelas a João 6.1-5) e em Lc 11.37; 17.7; 22.14; Jo 6.10; 13.12. Refere-se sempre ao ocupar lugar em uma mesa, reclinar-se à mesa; em Lc 14.10 se refere ao lugar ocupado por alguém em uma festa e em Jo 13.25 e 21.20 ao reclinar-se sobre o peito de Jesus. Predominam os usos deste verbo para indicar mais do que um simples sentar, pois indica explicitamente o ato de tomar um lugar para participar de uma refeição.

A caminho de uma Terra sem água? - Elianne Ros

Crise hídrica brasileira é parte de fenômeno global. Consumo abusivo de recurso renovável, porém limitado, pode gerar, em trinta anos, inferno de desabastecimento e guerras

Em 2030, a população mundial deverá ser de uns 8,5 bilhões de pessoas e, se a humanidade continuar a viver do mesmo modo, o déficit de água doce do planeta chegará a 40%, diz informe das Nações Unidas sobre os recursos hídricos divulgado em março em Nova Deli. Todo o nosso sistema vital e econômico gira em torno de um recurso natural limitado. Maximizá-lo e geri-lo de forma eficaz constitui o grande desafio do século XXI.

Cada vez que abrimos a torneira, acontece um pequeno milagre. Por trás deste gesto tão cotidiano há muito mais que um jorro de H2O (elemento composto de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio) em estado líquido. A água é o sistema sanguíneo deste planeta; um ciclo natural sobre o qual a atividade humana exerce enorme pressão.

“A quantidade de água doce na Terra hoje é praticamente a mesma que na época em que César conduzia o império romano. Mas nos últimos 2000 anos, a população pulou de 200 milhões para cerca de 7,2 bilhões, e a economia mundial cresceu ainda mais rapidamente (desde 1960, o PIB aumentou a média de 3,5% anual). A conjunção da demanda de alimentos, energia, bens de consumo e água para este grande empreendimento humano requereu um grande controle sobre a água”, resume Sandra Postel, diretora da organização norte-americana Global Water Policy Project.

“Há muito pouca água no planeta azul”, constata Elias Fereres, catedrático da Universidade de Córdoba que exerceu numerosos cargos relacionados com a agricultura e a ecologia. Fereres refere-se a que, embora 70% da superfície da Terra esteja coberta de água, somente cerca de 1% é água doce, além daquela presa como gelo nas calotas polares e geleiras. Sobre esse 1% não apenas repousa nossa principal fonte de vida, mas também o motor do mundo desenvolvido. “A água tem tanto valor que não tem preço, e a chave do seu uso está em obter o máximo aproveitamento sem aumentar as desigualdades econômicas, sociais e ambientais”, sustenta o catedrático.

“Privatizar a redução da pobreza” coloca direitos humanos em risco

Lobistas corporativos são convidados inusitados em reuniões de desenvolvimento. Mas quando as Nações Unidas organizaram a Conferência de Financiamento para Desenvolvimento em Addis Abeba, nesta semana, para decidir quem pagará por suas novas “metas sustentáveis de desenvolvimento,” alguns governos desenrolaram o tapete vermelho para o setor privado.

Infelizmente, a conferência não trouxe consenso com relação a um mecanismo que garanta que o papel de empresas no desenvolvimento seja transparente e responsável.

Alguns veem um papel maior para empresas no setor de desenvolvimento como um benefício mútuo. Governos têm acesso a financiamentos pra aliviar a pressão de orçamentos de assistência e arrecadam parte dos 2.5 trilhões de dólares necessários para reduzir a pobreza, abordar o aquecimento global e atingir as metas de moradia, saúde, educação e infraestrutura do plano pós-2015.

Por outro lado, empresas ganham o direito de expressar opiniões com relação à decisões políticas, e acesso a contratos públicos suculentos.

Mas antes que governos permitam que empresas tenham uma responsabilidade significativa na redução da pobreza, aquecimento global e outros desafios internacionais, eles terão de convencer críticos que acreditam que isso é colocar a raposa para tomar conta das galinhas.

Curso sobre o Livro do Apocalipse


Estudo Bíblico na AMUS

Encerrou neste sábado dia 18/07/2015 na Associação de Mulheres da Serra - AMUS uma série de encontros de aprofundamento de Mulheres na Bíblia. 

Neste ano a mulher escolhida para estudar foi "MARIA MADALENA a discípula amada". O encontro iniciou de forma descontraída com a música: “Olê mulher rendeira” onde os versos foram criados pelas mulheres em forma de repente. 

Com o canto “Elas estão chegando” teve início a mística onde foi contemplada a colcha de retalhos costurada de forma artística e delicada por uma membro do grupo. Cada mulher falou do seu sentimento e trouxe as recordações que a colcha de retalhos evoca. 

Depois de ler o "Evangelho Apócrifo de Maria Madalena" e assistir ao vídeo "Maria Madalena" de Frei Jacir foi feita uma conversa sobre as descobertas. O encontro finalizou depois da avaliação com a declamação do poema de Fernanda Priscila Alves, onde a vela foi passada de mão em mão e cada mulher foi completando “Que também eu vi o Senhor, também eu senti o seu amor....” foi cantada a bênção de envio.

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Diocese Anglicana do Recife (PE) diz SIM à diversidade religiosa

A diocese Anglicana do Recife, igreja-membro do CONIC-PE e vinculada à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) participou, no dia 17 de julho, de uma atividade chamada: “Diálogos – Fórum de Diversidade Religiosa em Pernambuco”. O evento foi uma oportunidade para se debater a questão da intolerância religiosa e se configurou, também, numa oportunidade de manifestação de solidariedade aos “povos de terreiro” – uma alusão aos membros de religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.

Durante o encontro, o bispo diocesano João Câncio Peixoto Filho leu uma carta que, entre outras coisas, reconhece que somente pelo caminho do diálogo será possível “construir um mundo melhor”.

Leia a íntegra:

CHAMADO AO TESTEMUNHO AMOROSO DA PRESENÇA DE DEUS NO MUNDO

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” (João 8:32).

A Diocese Anglicana do Recife, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Província da Comunhão Anglicana, se reconhece como uma pequena parte da Igreja de Cristo que tem consciência de que não é proprietária de Deus.

Somos uma Igreja ecumênica, membro de todas as instâncias nacionais e internacionais ecumênicas, que reconhecem o mundo como um lugar comum a todas as pessoas e que o respeito à unidade cristã na diversidade é uma ação de promoção de cultura de paz.

Mais de 2 mil jovens são assassinados por ano em oito capitais, mostra Unicef

A cada ano, 2,1 mil jovens entre 10 e 19 anos são assassinados em oito capitais brasileiras: Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. O dado faz parte de estudo divulgado hoje (14) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Segundo o levantamento, a taxa de homicídios de jovens nos bairros mais pobres das metrópoles brasileiras chega a 136 mortes por 100 mil habitantes. Nas áreas mais ricas, a taxa tende a zero. “O Brasil é o segundo país que mais mata seus adolescentes, perdendo apenas para a Nigéria. Isso tem que mudar. Reduzir as desigualdades é reduzir os assassinatos dos jovens e adolescentes brasileiros”, enfatizou a coordenadora da plataforma Centros Urbanos do Unicef, Luciana Phebo.

O representante do Unicef no Brasil, Gary Stahl, destacou que a maioria dos assassinados é homem, de cor negra, tem de 16 a 18 anos e vive nas periferias das grandes cidades. Outros indicadores mostram, segundo ele, que esses jovens passam por uma trajetória de violações que termina com as mortes trágicas. “Eu acho que não é coincidência que o perfil típico da criança fora da escola no Brasil é homem, negro, de 13 anos, na zona rural, com pais analfabetos e família pobre.”

Estudo Bíblico em Guarapari

 Mais uma vez estivemos em Guarapari para o 3º encontro do estudo "Uma visão Geral do 1º Testamento" e para perceber o quanto a Bíblia lança luzes para o nosso caminhar. No sábado, dia 11/07/15, estivemos com as Comunidades do Setor Amarelos, no domingo, com as do Setor Muquiçaba. Refletimos sobre o período do Exílio, a partir do gênero literário mito. 

Percebemos que todos os Povos, e não somente o Povo da Bíblia, contou sobre a criação do mundo. A partir da situação de exclusão, que o parte do povo da terra de Canaã vivia na Babilônia, foi necessário escrever para guardar a tradição oral que era passada dos mais velhos para os mais novos, mas também também para dar esperança às pessoas de que seu Deus não os abandonou e que um dia sairiam daquela situação e retornaria para sua terra natal. Assim, os mitos (gênero literário) que estão no livro de Gêneses tem essa característica e esse objetivo.

Foi muito bom nosso encontro. Nos vemos no próximo para o estudo do Período de dominação Persa sobre o a Região e sobre o povo.

Clique aqui e veja as fotos desse encontro.

Marcos 6.30-35,53-56: As figuras da ovelha e do pastor - P. Germanio Bender

As figuras da ovelha e do pastor de ovelhas são símbolos muito conhecidos do povo de Deus. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento elas aparecem várias vezes. No Antigo Testamento Deus mesmo é o pastor que busca, apascenta, protege e cuida do seu rebanho, seu povo. Assim o lemos em Jeremias 23. Foi nesta mesma confiança que o autor do Salmo 23 confessou: O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. No Novo Testamento Jesus se torna o bom pastor, que conhece as suas ovelhas e as ama tanto que dá a vida por elas. O rebanho é formado pelos seus discípulos, seus seguidores, os que creem em Cristo, na igreja, o povo que foi reconciliado com Deus e passa a fazer parte de uma nova família. Assim o afirma o texto de Efésios 2.

É esta também a imagem, ou seja, a ilustração que aparece em nosso texto. Jesus se relaciona com os discípulos e com o povo como um bom pastor. Trata uns e outros como parte de um rebanho de ovelhas. Sobre como acontece este relacionamento entre o pastor e as ovelhas é o que queremos meditar.

1. Jesus, como pastor, com os discípulos!

Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado. E ele lhes disse: venham repousar um pouco à parte; num lugar deserto (v.30s). É importante notar que os discípulos aqui são chamados de apóstolos. Esta troca de termos é ilustrativa. Discípulo é aquele que foi chamado para seguir a Jesus. Apóstolo é aquele que foi enviado por Jesus para testemunhar e ensinar as verdades do Reino de Deus. Isso mostra que o discipulado cristão e a vivência da nossa fé acontecem nesta dupla relação entre a comunhão com o Senhor e o serviço no mundo! Os discípulos, que haviam sido enviados para anunciar a mensagem do Reino de Deus, agora voltam e relatam tudo o que fizeram, ensinaram e experimentaram. E Jesus ouve atentamente o que eles têm a dizer. Jesus ouve e se interessa pelos seus discípulos.

Muçulmanos lançam campanha para reconstruir igrejas nos EUA

Uma coalizão de grupos muçulmanos lançou uma campanha online para arrecadar fundos com o objetivo de ajudar na reconstrução de igrejas frequentadas predominantemente por negros que foram queimadas e destruídas após o massacre em Charleston, no mês passado, reportou a Al Jazeera America na última quarta-feira (08/07).

Em meados de junho, nove pessoas foram mortas a tiros por Dylann Roof, um jovem branco que dizia que os negros estavam “se apoderando” dos EUA, em uma igreja metodista historicamente frequentada pela comunidade negra da cidade de Charleston. Desde então, estima-se que ao menos outros seis locais de culto do gênero tenham sido alvos de ataques racistas na região sul dos Estados Unidos.

Em resposta a esses crimes de ódio, a coalizão — formada pelo Coletivo Muçulmano Anti-Racista, a Associação Árabe-Americana de Nova York e a startup Ummah Wide — conseguiu, até agora, arrecadar cerca de US$ 32.000 em cinco dias e já conta com 785 colaboradores. Quando a campanha terminar, em 18 de julho, o dinheiro será encaminhado a pastores das igrejas queimadas.

“A comunidade muçulmana norte-americana não pode afirmar ter experimentado nada próximo ao sistemático e institucionalizado racismo e violência racista que atingem afro-americanos”, diz o imã Zaid Shakir, um dos organizadores, no site da campanha.

Para Shakir, contudo, os muçulmanos podem entender “o clima de ódio racial e de intolerância que reacendeu” nos EUA e, portanto, devem expressar solidariedade aos afro-americanos.

“É Ramadã e nós estamos experimentando a beleza e a santidade de nossas mesquitas durante este mês sagrado. Todas as casas de culto são santuários, um local onde todos devem se sentir seguros”, acrescenta.

Fonte: CONIC

Mônica Cunha: “Hoje os meninos não estão tendo nem tempo de chegar no sistema prisional aos 18. Eles estão morrendo antes”

Mônica Cunha é uma lutadora e basta olhar e escutar para ter certeza. Mulher, negra, do subúrbio do Rio de Janeiro, criou três filhos.

Há 14 anos, sua vida virou de ponta-cabeça. Um de seus filhos, Rafael, de 15 anos, foi apreendido pela polícia depois de participar de um roubo. A dor como mãe a conduziu por caminhos de aprendizado e de mobilização. Hoje, ela se orgulha de ser uma das fundadoras do Movimento Moleque, que promove direitos de adolescentes que estão no sistema socioeducativo e seus familiares.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) se transformou em seu livro de cabeceira. Depois de mais de 10 anos de dedicação, ela sabe como poucos onde estão os problemas e como poderiam ser algumas soluções. Nesta entrevista exclusiva à Anistia Internacional, ela fala sobre sua história de vida, suas motivações, maioridade penal e os 25 anos do ECA.

Anistia Internacional – Como nasceu o Movimento Moleque?

Porque tive um filho, o filho do meio, o Rafael que veio a cometer o primeiro ato infracional aos 15 anos, em 2001.

Eu morava em São Cristóvão [Rio de Janeiro], trabalhava numa pensão onde vendia quentinhas. Certo dia, me ligaram da delegacia dizendo que o meu filho estava preso. Eu não acreditei e bati o telefone. Em seguida, uma detetive ligou com todos os meus dados pedindo que eu comparecesse à DPCA – Delegacia de Proteção à Infância e ao Adolescente.

Encontro Mundial de Movimentos Populares lança documento final

Após três dias de discussões, o Encontro Mundial dos Movimentos Populares elaborou seu documento final. Participaram do evento cerca de 1500 pessoas de organizações de 40 países. Os eixos dos debates, que ocorreram entre os dias 7 e 9 de julhos, se deram em torno dos "3Ts": Terra, Teto e Trabalho, mote que tem sido utilizado pelo Papa Francisco como síntese dos direitos básicos pelos quais os movimentos sociais devem lutar.

Francisco participou do encontro na quinta-feira (9). Ao falar aos participantes, pediu perseverança em seu compromisso com a luta por mudanças estruturais e afirmou ser urgente transformações profundas. Foi a segunda vez que o papa se encontrou com movimentos populares, a primeira tendo sido no Vaticano.

As resoluções finais do Encontro, batizadas de Carta de Santa Cruz, defendem, na mesma linha de Francisco, a superação de um "modelo social, político, econômico e cultural onde mercado e o dinheiro se converteram nos reguladores das relações humanas em todos os níveis". Além disso, a Carta também aborda a preocupação com a degradação ambiental.

Confira abaixo a íntegra:

Carta de Santa Cruz

As organizações sociais reunidas no Segundo Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, durante os dias 7, 8 e 9 de julho de 2015, concordamos com o papa Francisco em que as problemáticas social e ambiental emergem como duas faces da mesma moeda. Um sistema incapaz de garantir terra, teto e trabalho para todos, que mina a paz entre as pessoas e ameaça a própria subsistência da Mãe Terra, não pode seguir regendo o destino do planeta.

Discurso do Papa aos Movimentos Populares (texto integral)

Versão integral do discurso do Papa Francisco aos Movimentos Populares reunidos na Bolívia:

(Bolívia, Santa Cruz – Expo Feira, 9 de Julho de 2015)

Boa tarde a todos!

Há alguns meses, reunimo-nos em Roma e não esqueço aquele nosso primeiro encontro. Durante este tempo, trouxe-vos no meu coração e nas minhas orações. Alegra-me vê-vos de novo aqui, debatendo os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo. Obrigado Senhor Presidente Evo Morales, por sustentar tão decididamente este Encontro.

Então, em Roma, senti algo muito belo: fraternidade, paixão, entrega, sede de justiça. Hoje, em Santa Cruz de la Sierra, volto a sentir o mesmo. Obrigado! Soube também, pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz» presidido pelo Cardeal Turkson, que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos movimentos populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vós, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada diocese, em cada comissão «Justiça e Paz», uma colaboração real, permanente e comprometida com os movimentos populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais a aprofundar este encontro.

Deus permitiu que nos voltássemos a ver hoje. A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: terra, teto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.

Deus e o Diabo na terra Brasil. Por Magali Cunha

O Diabo é, na tradição cristã, a significativa encarnação do mal. O termo diz muito: diabolos, do grego “aquele que divide”. Enquanto Deus age para unir, harmonizar, trazer paz, o Diabo trabalha na oposição: divide, confunde, traz violência. Há variadas interpretações, religiosas e científicas, antigas ou modernas, de como se dá a existência deste mal encarnado. O que importa é como o significado do diabolos nos ajuda a refletir sobre divisões e violências que afligem o tempo presente. Entre elas está a intolerância, a aversão ao diferente, muito evocada para explicar o fenômeno social que temos vivido no Brasil.

Ataques verbais e com imagens em mídias sociais e nas ruas têm marcado campanhas eleitorais e debates de temas sociais. Políticos são hostilizados em espaços públicos. A presidente da República é atacada e ofendida na sua condição de mulher. Isto remete aos intensos casos de sexismo e de homofobia que demandam urgente atenção às questões de gênero, outra aversão para muitos.

São frequentes as manifestações de racismo: além de povoarem mídias sociais, há casos em estádios e quadras de esporte, e o mais recente, com a jornalista Maria Júlia Coutinho. Este “racismo nosso de cada dia” é vivido intensamente por negros no seu cotidiano, na escola, no trabalho, na internet, nas abordagens policiais seletivas. Estas, não poucas vezes, resultam em mortes, insanamente aplaudidas. Soma-se aqui a celebração da possibilidade de lotar ainda mais os presídios com adolescentes.

Nossa Reza na casa de Eliete

O tema da nossa reza de junho de 2015 foi "Festa, Alegria!". Partilhamos sobre as festas populares enfocando a Festa Junina ou Festa de São João, uma vez que na ante véspera foi o dia de São João. No centro do círculo, o altar no chão, que trazia um pano tipo chitão no qual estavam símbolos juninos e a Bíblia.

Após a apresentação dos participantes, cantamos "Oi que prazer que alegria o nosso encontro de irmãos ..." em seguida foi feita a introdução do tema e lido um texto sobre Festa Junina no Brasil, cantamos então a música Asa branca de Luiz Gonzaga. 

Saudando à leitura bíblica, cantamos "Chegou a hora da alegria, vamos ouvir esta Palavra que nos guia", de Zé Vicente e ouvimos o Salmo 149, 1-5 e o Salmo 150. Partilhamos a palavra, onde pudemos relembrar as festas das comunidades, bairros, associações com suas barracas de comidas típicas, pau de sebo, correio do amor, pescarias, quentão, quadrilha, etc. até descobrimos que havia entre nós um marcador de quadrilha - Claudio Vereza. Após a partilha, foi feito um agradecimento a Deus por aquele momento, pelas pessoas presentes e também por aquelas que não puderam estar ali. Encerramos rezando o Pai Nosso Ecumênico e nos abraçamos cantando "É bonita demais a mão de quem conduz a bandeira da paz", de Zé Vicente. 

Após isso, não faltaram também as comidas típicas de Festa Junina, como: Canjica, papa de milho, bolo de aipim, bolo de milho, biscoito de fubá, caldo verde, bobó de camarão, pé de moleque, paçoca, quentão, tudo ao som do forró nordestino.

Ficamos muito felizes por recebê-los!

Marcos 6,14-29: O compromisso com o anúncio da Palavra de Deus e com a profecia - Robson Luís Neu

O Evangelho de Marcos relata com muitos detalhes a morte de João Batista e sua relação com a vida pública de Jesus. Além disto, denuncia a vida luxuosa dos governantes, em detrimento da vida sofrida das pessoas subjugadas pelo poder dominante. Neste sentido, Marcos 6,14-29 faz memória da vida familiar do rei Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande; e também faz memória do martírio de João, aquele que abriu caminho para Jesus.

Herodes Antipas foi rei na região da Galiléia. Ele havia casado com Herodias, a mulher de seu irmão Filipe, ou seja, sua própria cunhada. Pela lei judaica, este casamento era proibido. O casal sabia disto, mas mesmo assim o fez. João, o Batista, era conhecido como bom, honesto e temente a Deus. Seu altar era o deserto, lugar de dificuldades e perigos, mas também espaço para arrependimento. A pregação de João não colocava panos quentes sobre uma situação errada. O erro era denunciado. “A ferida tinha de ser limpa, mesmo que implicasse dor.” Tratar do pecado não é coisa simples e fácil. Por sua denúncia das injustiças e por sua coerência ao Evangelho, João foi preso e executado.

O relato bíblico nos fala sobre esta execução. O rei Herodes Antipas estava de aniversário. Para festejar esta data, convidou várias pessoas e preparou um banquete. Tudo para demonstrar seu poder. A filha de Herodias, para alegrar o esposo da mãe, fez uma dança especial diante do rei e dos convidados. O rei, para mostrar sua gratidão, disse que daria de presente o que a garota quisesse. Herodias, a mãe, pede então, a cabeça de João Batista. Deixar de atender ao pedido da dançarina poderia parecer fraqueza. O poder dominante nunca se preocupa com a vida, mas apenas com o status. Isso é assim ainda hoje! Como resultado da situação criada, João é executado. Sua cabeça é servida numa bandeja. O orgulho do rei está preservado.

Reduzir a maioridade é manter a exclusão social da juventude - Plínio Gentil

É claro que existe violência praticada por menores de 18 anos e que deve ser de alguma forma enfrentada. A questão é "a partir de que idade" esse enfrentamento deve ser regulado pelo direito penal. Toda repressão, antes ou depois da maioridade, deve ser acompanhada de um processo de reeducação. Esse processo é um para adolescentes e outro para adultos – imaginando como adulto o maior de 18 anos.

Os países em que a chamada maioridade penal é anterior a essa idade aplicam, na verdade, medidas parecidas com as nossas para os adolescentes, só que chamam isto de pena. Nós as chamamos de medidas sócio-educativas, que também incluem a prisão, chamada de internação. Há, portanto, uma diferença de nomes mais que de conteúdos.

Sobre a questão dos 18 anos: as legislações que adotam este número para início da maioridade penal atendem recomendações de fóruns mundiais multidisciplinares, cujas conclusões apontam que o pleno desenvolvimento mental de uma pessoa, na média, somente é alcançado aos 18 anos de idade. Assim, ao adotarmos esse padrão, nos alinhamos com o que há de mais desenvolvido, do ponto de vista da psiquiatria, psicologia, sociologia, direito e outras ciências, no que diz respeito à fixação da maioridade penal.

Deus e a diversidade de gêneros - Frei Betto

Diego Neria Lejárraga, 48, é espanhol. Nasceu mulher. Mas desde criança se sentia homem. Aos 40 anos se submeteu a cirurgias para redesignar sua sexualidade. Virou homem. O padre de sua cidade, Plasencia, acusou-o de "filha do diabo”.

Diego escreveu ao papa Francisco antes do Natal de 2014. Indagou qual o seu lugar na "casa de Deus”. Francisco telefonou duas vezes para ele. Convidou-o a Roma, a 24 de janeiro. Diego, em companhia de sua noiva, foi recebido na casa Santa Marta, onde reside o papa. Francisco demonstrou que a Igreja Católica está aberta à diversidade sexual. Ao sair do encontro, Diego disse sentir uma imensa paz.

O papa abraça a ousadia de Jesus, que defendeu a mulher adúltera do ataque dos fariseus; acolheu Madalena, que portava "sete demônios”, como discípula e primeira testemunha de sua ressurreição; e elogiou a veracidade de samaritana, que estava no sexto marido, e fez dela a primeira apóstola.

O amor e, com ele, a compaixão e a misericórdia, deve soterrar preconceitos e discriminações.

"Quem sou eu para julgar os gays?”, expressou Francisco em julho de 2013, ao deixar a Jornada Mundial da Juventude, no Rio. "Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”

Unir os generosos e generosas para a construção do reino

Este texto integra um conjunto de seis eixos trabalhados em coletivo como base para o Grito dos Excluídos/as deste ano de 2015. Até o dia 7 de Setembro outros eixos serão amplamente divulgados.

O Grito dos Excluídos/as, que acontece anualmente no dia 7 de Setembro em todo o Brasil, chega a sua 21ª edição. Em 2015, o lema chama a atenção para a situação de violência que vitimiza, sobretudo as juventudes das periferias, bem como alerta para o poder que os meios de comunicação exercem na manipulação da sociedade. E questiona:“Que país é este que mata gente, que a mídia mente e nos consome?”. E mais uma vez o tema do Grito aponta para a perspectiva da “Vida em primeiro lugar”, uma exigência do Reino de Deus.

A proposta do Grito surgiu da esperança e do espírito profético dos cristãos que, aliados aos movimentos sociais, buscaram continuar pautando a reflexão proposta pela Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema era “Fraternidade e Exclusão”. Assim, nestes 21 anos de história, o Grito vem se desenvolvendo como um processo e compromisso coletivos. 

Contudo, a missão profética sempre se renova porque, infelizmente, ainda temos situações que clamam o pronunciar-se das forças sociais sustentadas pelo compromisso com a dignidade da vida e da construção de um projeto popular para o Brasil. O apelo profético tem o viés da denúncia, pois não é possível calar-se diante da vida maltratada, do drama dos outros, como se não fosse nossa responsabilidade, segundo o alerta do Papa Francisco (Cf. EG 54).

Convite Encontro de Amigos


Armas e (in)segurança - Marcelo Barros

Dizem que depois da aprovação da diminuição da idade penal de 18 para 16 anos, a próxima luta do Presidente da Câmara e seus aliados será por uma revisão do Código Penal afim de ampliar o acesso dos cidadãos a armas de fogo. Um dos argumentos é que os bandidos estão armados e as pessoas honestas não têm armas para se defender. Querem armar todo mundo. Como se facilitar a posse e o uso de arma de fogo desse mais segurança à população e automaticamente diminuísse a incidência de crimes. Estudos revelam o contrário: onde se usam mais armas de fogo, há aumento de crimes de morte e mais violência.

O uso generalizado de armas de fogo tem consequências trágicas para quem usa, para quem não usa e até para quem lhe é contrário. Em geral, as pessoas que são favoráveis às armas consideram como o ideal a sociedade dos Estados Unidos da América do Norte: basta olhar as estatísticas sobre crimes com armas de fogo nesse país para compreender. Facilitar o uso de armas pela população, ao invés de diminuir, aumentou muito a violência. Atualmente, nos Estados Unidos e em outros países muitos tentam voltar atrás e ter uma legislação mais rígida.

Conforme reportagem do Courrier International, nos Estados Unidos, país no qual o acesso a armas de fogo é mais fácil, de 2004 a 2014, as estatísticas contaram 750 mil pessoas gravemente feridas por armas de fogo. Foram mais de 320 mil pessoas mortas por balas. A cada ano, 11 mil norte-americanos/as são assassinados com armas de fogo e 20 mil se suicidam do mesmo modo. Centenas de crianças morrem vítimas de acidentes com armas de fogo. A cada ano têm aumentado casos nos quais alguém entra em um cinema ou escola atirando em todo mundo.

III Conferência da Juventude


Bolívia recebe Encontro Mundial dos Movimentos Sociais

Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, sediará, de 7 a 9 de julho, o Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Organizado em colaboração com o Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz e com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais, o evento abordará temas como: Mãe Terra, Terra e Território, Trabalho e Moradia e Integração dos Povos.

O papa Francisco, que está em visita a países da América Latina (clique aqui e saiba mais), participará do encerramento do Encontro. Três homens e três mulheres participantes entregarão ao santo padre o documento conclusivo após ouvirem o discurso de Francisco.

Ao todo, a ação contará com a presença de mais de 900 delegados internacionais. Dentre os participantes, estarão trabalhadores precários e informais, sem-terra, indígenas, migrantes e militantes de movimentos sociais.

Fonte: CONIC

Questões de gênero? Presente!

Perseguidoras e perseguidores de uma sociedade de justiça e paz e da preservação de um Estado Laico de fato, nós, RELIGIOSAS E RELIGIOSOS das mais diversas religiões, espiritualidades e comunidades de fé, por meio deste Manifesto, lançamos nosso apoio a uma escola para todas e para todos, princípio que deveria orientar o Plano Nacional de Educação (PNE) e que deve guiar os Planos Municipais de Educação (PMEs). Defendemos como essencial a abordagem das questões relacionadas a gênero para o combate à violência e à exclusão escolar. Acreditamos ser importante que educadores e educadoras sejam preparados/as para abordar esses temas de forma consciente, responsável e inclusiva.

Compreendemos ser um equívoco a chamada “ideologia de gênero”, uma vez que a palavra “gênero” não é uma ideologia, mas sim um conceito utilizado para definir as construções sociais sobre o feminino e o masculino. Ou seja, os debates sobre as relações de gênero visam à compreensão da naturalização histórica da relação hierárquica e opressora de homens sobre as mulheres e a imposição de estereótipos para o feminino e o masculino. Assim, o debate sobre gênero se faz essencial para a desconstrução de uma ideologia patriarcal, misógina e heteronormativa ainda dominante em nossa sociedade.

A violência no Brasil é um dado alarmante, que tem feito milhares de vítimas diariamente, e um número significativo desses casos tem motivação sexista. Esse é o caso da violência contra a mulher e contra a população LGBTT. Para que possamos mudar esses índices, é necessária uma transformação cultural, e nisso a educação possui um papel fundamental. Para que tenhamos uma sociedade que compreenda e viva de fato a igualdade entre os gêneros, o respeito com as diferentes identidades e orientações sexuais, precisamos falar abertamente sobre esses temas, nas escolas e em diferentes espaços, substituindo uma concepção de mundo patriarcal por uma visão de mundo plural. 

Marcos 6.1-13: A prática libertadora de Jesus revela o rosto de Deus - Mercedes Lopes

No tempo de Jesus, vários movimentos de renovação buscavam uma nova maneira de viver em comunidade. Esses movimentos tinham também seus missionários (cf. Mt 23,15). Contudo, estes não confiavam na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isso, levavam comida na sacola. Mas os discípulos e as discípulas de Jesus recebem recomendações diferentes, que ajudam a entender aspectos importantes da missão de anunciar a boa-nova:

– Deviam ir sem nada. Não podiam levar bolsa, nem ouro, nem prata, nem dinheiro, nem bastão, nem sandálias, nem sequer duas túnicas. Jesus pede para eles e elas confiarem na hospitalidade do povo e acreditarem que serão bem recebidos. Com esta atitude, os discípulos e as discípulas criticavam as leis de exclusão ensinadas pela religião oficial e mostravam, pela nova prática, que tinham outros critérios de vida em comunidade.

– Deviam comer o que o povo lhes desse e não ir comer separado. Comendo junto com os pobres, os discípulos e as discípulas de Jesus estavam realizando um aspecto fundamental da missão de Jesus: criar comunhão de mesa. Para a religião do templo, comer junto com estrangeiros, pecadores, mulheres, deficientes físicos, etc. era um perigo. Ao comer juntos, eles se contagiariam com a impureza dessas pessoas. Jesus os ensina a não ter medo de perder a pureza, tal como era ensinada na época. Eles tinham outro acesso à intimidade com Deus.

– Deviam ficar hospeda dos na primeira casa que aceitasse a paz para conviver de maneira estável e não andar de casa em casa. Ao permanecer na mesma casa, deviam participar da vida e do trabalho das pessoas que os acolhessem, recebendo em troca casa e comida.

Essa postura dos discípulos e das discípulas tem dois objetivos:

Marcos 6.1-13: Onde não há fé, Jesus não pode fazer milagre! A missão de todos: recriar a Comunidade - Carlos Mesters e Mercedes Lopes]

I. SITUANDO

1. Nos sete Círculos deste bloco (Mc 3,13-6,13), cresceu o conflito e apareceu o mistério de Deus que envolvia a pessoa de Jesus. Agora, chegando no fim, a narração entra numa curva. Começa a aparecer uma nova paisagem. O texto que meditamos neste encontro é um resumo do segundo bloco e faz a ligação com o terceiro bloco (Mc 6,14 a 8,21). Ele tem duas partes bem distintas, como os dois pratos da balança. A primeira descreve como o povo de Nazaré se fecha frente a Jesus (Mc 6,1-6). A segunda descreve como Jesus se abre para o povo da Galileia enviando os discípulos em missão (Mc 6,7-13).

2. No tempo em que Marcos escreveu o seu evangelho, as comunidades cristãs viviam uma situação difícil, sem horizonte. Humanamente falando, não havia futuro para elas. A descrição do conflito que Jesus viveu em Nazaré e do envio dos discípulos, que alargava a missão, despertava nelas a criatividade. Pois para quem crê em Jesus não pode haver uma situação sem horizonte.

II. COMENTANDO

1. Marcos 6,1-3: Reação do povo de Nazaré frente a Jesus
É sempre bom voltar para a terra da gente. Após longa ausência, Jesus também voltou e, como de costume, no dia de sábado, foi para a reunião da comunidade. Jesus não era coordenador, mesmo assim ele tomou a palavra. Sinal de que as pessoas podiam participar e expressar sua opinião. Mas o povo não gostou das palavras dele e ficou escandalizado. Jesus, um moço que eles conheciam desde criança, como é que ele agora ficou tão diferente? O povo de Cafarnaum tinha aceitado o ensinamento de Jesus (Mc 1,22), mas o povo de Nazaré se escandalizou e não aceitou. Motivo? “Esse não é o carpinteiro, filho de Maria?” Eles não aceitaram o mistério de Deus presente num homem comum como eles! Para poder falar de Deus ele teria que ser diferente deles!

Era um adolescente negro, um celular... e a redução da maioridade penal - Edmilson Schinelo

Meu filho Marcos, de 14 anos, saiu hoje de bicicleta para a escola de teatro e arte. Menos de vinte minutos depois, toca o celular. Vendo que era seu número, atendi como de costume: “Oi, filho!”.

O susto foi grande ao ser surpreendido com uma voz que não era a dele: “Você conhece o dono desse celular? O que você é dele?” Para o coração de um pai, um súbito e rápido silêncio parece durar muito mais tempo. O pensamento vai longe: “Caiu da bicicleta? Foi atropelado? Se tivéssemos ciclovia... Ou será mesmo um sequestro?”.

Não sei com que tom de voz respondi. Mas da outra ponta a resposta, portadora de alívio, parecia vindo dos céus: “Não é nada não, moço, é que eu achei esse celular caído aqui na rua e queria devolver. Liguei então para o último número discado. Você sabe de quem é?”.

Combinamos o local, fui até lá. Deparei-me com um adolescente negro e fico feliz que não preciso aqui apenas colocar as iniciais. Seu nome é Nelson. Sentado na calçada, me aguardava para devolver o aparelho... Olhei fundo nos seus olhos... Talvez ele não tenha entendido por que as lágrimas vieram nos meus...

ONU publica artigo técnico sobre maioridade penal no Brasil

O Sistema ONU no Brasil publicou neste mês de junho seu posicionamento oficial sobre a redução da maioridade penal. Intitulado “Adolescência, juventude e redução da maioridade penal”, o artigo técnico tem 12 páginas que exploram o tema, articulando áreas como direitos humanos, desenvolvimento sustentável e segurança pública.

A redução da maioridade penal é tema de debate no Parlamento brasileiro a partir do Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 171/93, que visa a alterar o artigo 228 da Constituição Federal brasileira de forma a estabelecer a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

O artigo do Sistema ONU afirma que a redução da maioridade penal opera em sentido contrário à normativa internacional e às medidas necessárias para o fortalecimento das trajetórias de adolescentes e jovens, “representando um retrocesso aos direitos humanos, à justiça social e ao desenvolvimento socioeconômico do país”.

A ONU no Brasil destaca que, “se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, o problema da violência no Brasil poderá ser agravado, com graves consequências no presente e futuro”.

Encerramento do Curso Maria Madalena

No primeiro semestre de 2015 estudamos Maria Madalena na sala do CEBI-ES. Dia 05/03 foi nosso primeiro encontro. Todas às quintas-feiras, 19:00, nos encontramos. Dia 24/06 foi nosso encerramento.

Clique aqui e veja as fotos.

Veja abaixo um dos textos usados nessa reflexão.

Maria Madalena e as outras Marias - Mercedes Lopes
(CEBI – Boletim Por Trás da Palavra n. 143, 2004, p. 17-21)

(Maria Madalena e Jesus se encontram - Jo 20,11-18)

Maria Madalena prostitua. 

Foi o Papa Gregório Magno (540-604) que propagou a opinião de que Madalena era prostitua. Foi interpretando Lc 7,36-50, que menciona uma pecadora que unge os pés de Jesus, que Gregório Magno, chamando-a de Madalena, ensinou aos seus, na catedral de Milão, nos idos anos de 596, que o exemplo dessa mulher impura e prostituta, mas santa convertida, deveria ser seguida pelos seus fiéis. 

Depois de Pedro Abelardo (1079–1142; filósofo escolástico francês), Maria de Magdala não foi mais chamada de Apóstola dos Apóstolos.