Estudo Bíblico na AMUS

Aconteceu no dia 20/06/15, o terceiro encontro deste ano na AMUS (Associação de Mulheres de Serra): Mulheres na Bíblia - Maria Madalena a Discípula Amada. Desta vez o encontro foi ainda mais participativo, contou com a presença também da Igreja Luterana. 

Para início de conversa cada uma foi colocando no altar seu retalho e fazendo memória do que evoca aquele pedaço de pano. Contemplamos a colcha que será costurada até o próximo encontro com a música de Amelinha "Foi Deus quem fez você". Os textos de João 20,1-18 e de Cântico dos cânticos 4,1-4, foram estudados e encenados, em seguida foi compartilhada as semelhanças encontradas nos dois textos. Com enfoque na relação homem e mulher, foi introduzido os escritos do Evangelho Apócrifo de Maria Madalena. Animação e alegria marcaram o encontro.

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Formação das equipes de Rádio

Nos reunimos na sala do CEBI-ES, com a assessoria de Vanda Simas, para partilharmos sobre a importância da comunicação. O objetivo foi de aperfeiçoar o trabalho das equipes que atuam no Programa a Palavra na Vida, que vai ao ar pela Rádio América AM, todos os domingos, de 09h às 10h.

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A encíclica Lodato si' e os pobres do mundo - Marcelo Barros

Finalmente saiu a encíclica do papa sobre ecologia. Nos Estados Unidos, congressistas republicanos e seus candidatos à presidência tinham feito pressão para que o papa não a publicasse. Há alguns meses, grandes empresários e donos de mineradoras, espalhadas por todos os continentes, fizeram um retiro espiritual no Vaticano para mostrar ao papa que as mineradoras são ecológicas e só extraem minérios da terra. Não a destroem. Mesmo alguns cardeais norte-americanos, mais ligados aos senhores do mundo do que aos pobres, expressaram seus receios. Tentaram impedir que, ao falar de Ecologia Ambiental, o papa pusesse o dedo na chaga e tocasse na Ecologia Social. No entanto, toda pressão, de dentro da própria Igreja e de fora, foi inútil. A encíclica saiu, poética e profética. Começa por retomar o Cântico das Criaturas de São Francisco para confirmar: “a nossa casa comum é como uma irmã, com a qual compartilhamos a existência e é como uma mãe que nos acolhe nos braços” (n. 1). A partir daí, formula o convite insistente a todos para renovar o diálogo sobre o modo como estamos construindo o futuro do planeta” (n. 14).

No método latino-americano do “ver, julgar e agir”, o papa tratou da Ecologia a partir da realidade social do mundo, da injustiça do sistema econômico excludente dos pobres e da cultura da indiferença que infesta a humanidade. Isso mostra que é importante ler a encíclica Lodato Sii a partir da realidade do mundo dos pobres, maiores vítimas da injustiça eco-social provocada pelo sistema que domina o mundo e que também oprime a Terra e a natureza.

CONIC emite nota sobre os Planos Municipais de Educação

NOTA PASTORAL SOBRE O DEBATE EM TORNO DOS PLANOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO

“Que a graça de Jesus Cristo, o amor de Deus e
a comunhão do Espírito Santo estejam com cada um de nós”.

Queridos irmãos e irmãs na fé em Jesus Cristo,

Ao longo dessa semana recebemos ligações e mensagens pedindo que nos pronunciássemos em torno da polêmica e das tensões envolvidas nos debates sobre os planos municipais de educação.

As histórias contadas tinham um ponto em comum: as agressões verbais entre irmãos e irmãs da mesma fé em Jesus Cristo, mas com posições diferentes sobre o conteúdo dos Planos.

Os relatos nos deixaram preocupados, pois posições fechadas demais ferem a unidade tão sonhada e desejada por Deus e celebrada por nós no contexto da Semana de Oração pela Unidade Cristã.

As histórias do Evangelho mostram Jesus Cristo aberto para a escuta e para o diálogo. Foi assim no encontro com a mulher samaritana (Jo 4), no encontro com a mulher siro-fenícia (Mc 7.24-30). Os evangelhos também mostram um Jesus solidário com a dor e o sofrimento dos outros (Jo 11.1-44; Mc 5.21-22). O que Jesus criticou foi o desejo humano de colocar-se no lugar de Deus para julgar os outros (Jo 8.1-11).

Marcos 5.21-43: Vencer o poder da morte - Abrir um novo caminho até Deus

I SITUANDO

1. Ao longo das páginas do seu Evangelho, Marcos vai aumentando as informações sobre quem é Jesus. Ele mostra como o mistério do Reino transparece no poder que Jesus exerce em favor dos discípulos e do povo e, sobretudo, em favor dos excluídos e marginalizados. Ao mesmo tempo, na medida em que este poder se manifesta, cresce a incompreensão dos discípulos e vai ficando cada vez mais claro que eles devem mudar as ideias que têm sobre o Messias. Do contrário, vão perder o trem da história.

2. Nos anos 70, época em que Marcos escreveu o seu evangelho, como já vimos, havia uma tensão muito grande nas comunidades cristãs entre judeus convertidos e pagãos convertidos. Alguns judeus, sobretudo os que tinham sido do grupo dos fariseus, continuavam fiéis à observância das normas de pureza da sua cultura milenar e, por isso, tinham dificuldade em conviver com os pagãos convertidos, pois achavam que eles viviam na impureza. Por isso, a narração dos milagres de Jesus em favor das duas mulheres era uma grande ajuda para superar os tabus antigos.

II. COMENTANDO

1. Marcos 5,21-24: O ponto de partida
Jesus chega de barco. O povo se junta. Jairo, o chefe da sinagoga, pede pela filha que está morrendo. Jesus vai com ele e o povo todo o acompanha, apertando-o de todos os lados. Este é o ponto de partida para os dois episódios que seguem: a cura da mulher com 12 anos de hemorragia e a ressurreição da menina de 12 anos.

Educar pela Paz - Fábio Py

Causa indignação receber notícias ainda hoje sobre o uso da violência direta contra outras pessoas por conta da religião de cada qual. Pior é a percepção de que a violência religiosa cada vez aumenta. Pelos dados das pesquisas, se percebe diariamente a espiral de violência engrossando. O caso mais recente foi da menina que saindo do espaço de sua celebração religiosa foi agredida por homens, inicialmente verbalmente, que passavam do outro lado da rua. Um deles sacou uma pedra e atirou na jovem – que vinha junto a outros religiosos na saída de sua celebração. A parte superior da sua cabeça foi ferida. A menina de 11 anos devidamente paramentada de branco sangrou e manchou de vermelho seu tecido. Contudo, não acho que apenas manchou seu tecido. Muito pelo contrário. A mancha chegou a nós que democraticamente acreditamos na convivência (mais) pacífica das religiões. Assim, como se percebe, cada vez mais os setores evangélicos/protestantes vêm mostrando suas doses de ódio aos diferentes. Eu como protestante/evangélico entendo que a visão de certos setores se afunila quando assumem que o “diabo é o outro”. Entram e saem aos domingos com a cabeça feita: devem lutar pela semana contra os inimigos de seu particular “Cristo”. São cegos. Não conseguem diferenciar a vida religiosa da convivência saudável na vida comum.

Animam-se por uma leitura de mundo que mais parece voltar ao espírito da guerra santa teletransportada diretamente do ânimo das Cruzadas da Idade Média. Levando a trocar as espadas pelas pedras, e quase sempre o catolicismo pelo evangelicalismo. Promulgam no hoje o clima da peleja religiosa assumido na centralidade do catolicismo médio, mas atualizado no linguajar moderno evangélico. Mas, será que não vivemos já uma centralidade midiática evangélica? A resposta à pergunta é que sim. Porque, historicamente os evangélicos sabem manipular os meios de comunicação com muita habilidade técnica. Ao se ligar a TV, o tempo todo se pode assistir suas pregações e nas rádios por 24 horas. Existem também mídias inteiras compradas para atualizações de mensagens evangélicas, além da oferta do culto das igrejas abertos dia e noite. Compreendo que esse processo monolítico é complicado socialmente. Porque a busca pela “santidade” religiosa cristã torna-se plataforma da frequência das celebrações religiosas e vem reverberando no grau de engajamento virulento. Uma saída para isso seria que houvesse uma discussão sobre essas utilizações públicas de rádio e TV, onde se incentivasse uma maior pluralidade de abordagens, temas e assuntos para que os espaços não fossem apenas privativos das igrejas.

Crise de Refugiados: O problema são os governos, não os contrabandistas - Anna Shea

Vista aérea do campo de refugiados na cidade de Mafaq, próxima a Jordânia.

Em abril, um soldado grego chegou às manchetes mundiais quando salvou as vidas de diversos refugiados na costa de uma ilha grega. Antonis Deligiorgis foi apelidado do “Herói Grego da Praia”, mas ele foi modesto: “Sem pensar duas vezes, eu fiz o que eu deveria ter feito”.

Ele não é o único. Em ilhas gregas como Leros e Lesvos, redes de residentes locais trabalham contra o relógio para prover comida, roupas secas e abrigo para refugiados recém-chegados.

A humilde compaixão de Antonis e dos residentes das ilhas nem sequer se compara à postura da maioria dos governos – cujo objetivo principal parece ser manter os refugiados e migrantes fora de suas fronteiras.

Os países desenvolvidos estão fechando a porta na cara da maior crise de refugiados há décadas, com 19,5 milhões de refugiados, empurrando-os para os braços de grupos criminosos que lucram com o seu desespero. Não são os contrabandistas os causadores do problema – são os governos que falharam em agir com uma decência humana básica que tantas pessoas, como Antonis Deligiorgis demonstraram.

Mensagem da CNBB sobre a Redução da Maioridade Penal

Temos acompanhado, nos últimos dias, os intensos debates sobre a redução da maioridade penal, provocados pela votação desta matéria no Congresso Nacional. Trata-se de um tema de extrema importância porque diz respeito, de um lado, à segurança da população e, de outro, à promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. É natural que a complexidade do tema deixe dividida a população que aspira por segurança. Afinal, ninguém pode compactuar com a violência, venha de onde vier.

É preciso, no entanto, desfazer alguns equívocos que têm embasado a argumentação dos que defendem a redução da maioridade penal como, por exemplo, a afirmação de que há impunidade quando o adolescente comete um delito e que, com a redução da idade penal, se diminuirá a violência. No Brasil, a responsabilização penal do adolescente começa aos 12 anos. Dados do Mapa da Violência de 2014 mostram que os adolescentes são mais vítimas que responsáveis pela violência que apavora a população. Se há impunidade, a culpa não é da lei, mas dos responsáveis por sua aplicação.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), saudado há 25 anos como uma das melhores leis do mundo em relação à criança e ao adolescente, é exigente com o adolescente em conflito com a lei e não compactua com a impunidade. As medidas socioeducativas nele previstas foram adotadas a partir do princípio de que todo adolescente infrator é recuperável, por mais grave que seja o delito que tenha cometido. Esse princípio está de pleno acordo com a fé cristã, que nos ensina a fazer a diferença entre o pecador e o pecado, amando o primeiro e condenando o segundo.

Que atire a primeira pedra ou separando joio e trigo - Rafael Soares de Oliveira

Esta semana, um crime de ódio contra uma menina de apenas 11 anos deixou perplexos todos aqueles que têm a esperança de experimentar a liberdade plena de culto no Brasil. “Tenho medo de morrer”, disse a vítima, que, acompanhada da avó, continuou a ser hostilizada a caminho do IML, onde faria o exame de corpo de delito.

O que pode fazer com que alguém se sinta autorizado a discriminar, ofender e agredir o outro publicamente? Que espécie de respaldo imaginário leva criminosos a investirem até mesmo contra uma criança, certos de que feri-la - ou quem sabe acabar com sua vida - é a coisa certa a fazer?

A convicção dos agressores se fia em uma lei diferente daquela que rege a nós brasileiros, vivendo num Estado laico. É a partir de uma leitura distorcida do sagrado que conseguem enxergar uma estranha pertinência no desejo de acabar com o diferente. Certos de que são o povo eleito e de que o adversário imaginário é o mal absoluto, atiram, infelizmente, não a primeira, mas uma das muitas pedras – essa, por acaso, chegou ao conhecimento público, contrariando a regra quando o assunto é ódio religioso.

Povos Indígenas no Brasil: gritos da violência

Há mais de duas décadas se repete um ritual que ecoa como um grito ensurdecedor pelo país e mundo afora. É o lançamento do Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, organizado pelo Cimi, com informações recolhidas na imprensa, com as comunidades indígenas, os missionários do Cimi e instituições públicas e privadas, relacionadas com a questão indígena. É um recolher criterioso do grito de mais de 300 povos indígenas e em torno de 100 comunidades/grupos de povos isolados, em situação de isolamento voluntário na Amazônia brasileira. Apesar de não conseguir ser revelador da totalidade do sofrimento, dor, crueldades e violências contra os povos indígenas, é sem dúvida uma denúncia inequívoca de que continuamos sendo um país contra os seus povos originários.

O desejo seria de que esse relatório fosse diminuindo a cada ano, com o crescimento da consciência do povo brasileiro em relação ao respeito aos direitos, vida e dignidade desses povos junto com a ação enérgica do Estado na defesa constitucional dos direitos indígenas e punição dos infratores. Lamentavelmente está ocorrendo o contrário. A cada ano vemos e sentimos que as violências vêm aumentando. De choque surge, como uma flecha no coração do sistema e do poder, a interrogação fatal: até quando? Ao ultrapassar o umbral dessa vergonha nacional nos sentimos todos, de alguma forma, cúmplices dessa secular e atual violência, etnocídio e genocídio.

Estudo Bíblico na Paróquia São Pedro - Guarapari

"Vidas pela Vida, Vidas pelo Reino..." Assim iniciamos o estudo bíblico que aconteceu no dia 13 de junho, em Amarelos, e no dia 14/06/15, no steor Muquiçaba. O tema partilhado foi Monarquia e Profecia. 
Buscamos inspiração nos profetas e profetisas de nossa América Latina, renovando o compromisso com a vida, em nossa realidade. "Se calarem a voz dos profetas as pedras falarão..."

Clique aqui e veja as fotos desse momento de reflexão sobre o nosso papel profético hoje!

Relembramos um pouco da vida e lutas de Dom Romero, assinado em El Salvador em 1980. Clique aqui e assista o filme que retrata um pouco desse grande profeta de nosso tempo.

A beatificação: aspirina litúrgica-teológica ou força revolucionária? - Nancy Cardoso

El Salvador tem uma história triste, de um povo forte e de uma luta sem fim por paz e dignidade... uma história parecida com a de todos os povos latino-americanos. Nos anos 70 nós estávamos mais próximos de El Salvador e sua luta de libertação contra os oligarcas agroexportadores que faziam do país o pátio traseiro dos EUA. Num tempo sem as facilidades de comunicação as notícias de lá chegavam ao Brasil – também em tempos de ditadura! – através da teologia e da poesia.

De Roque Dalton – poeta, jornalista e revolucionário – recebíamos o poema:

ElSalvador vai ser um bonito país
e (sem exagero)um país sério
quando a classe operária e o campesinato
o fertilizem, passem o pente e um pouco de talco
vão arrancar a cola grudada na histórica
e, assim, o tornarão decente
e, reconstituído, o colocarão para andar.

O problema é que hoje El Salvador
tem mil farpas e cem mil desigualdades
milhares de calos e outros tantos abscessos
câncer caspa cascas sujeiras
feridas fraturas tremedeiras e manchas

Não sou branco, sou lusodescendente - Frei Betto

A 14 de maio deste ano vi, na GloboNews, a entrevista concedida por Alberto da Costa e Silva, nosso maior especialista em África, a Míriam Leitão. Notei esta disparidade: o entrevistado utilizava sempre a palavra "negros”, enquanto a jornalista dizia "afrodescendentes” ao se referir à parcela da população brasileira derivada de africanos, como é o meu caso (embora não aparenta).

Sempre impliquei com a expressão "afrodescendente” ou "afrobrasileiro”. Simples: nunca ninguém me chamou de "eurodescendente” ou "iberodescendente” ou "lusodescendente”.

Eufemismos servem, em geral, para tentar encobrir preconceitos. Lembro da tia que se referia à cozinheira como "aquela moça escurinha”...

Reprodução.

Caso similar é o vocábulo "velhos”, para se referir a idosos. Sou um deles. E abomino essa mentira eufemística de "melhor idade” ou "terceira idade”. A usar eufemismo, prefiro ser chamado de "seminovo”, como os carros velhos expostos em revendedoras de veículos. E me sinto na turma da "eterna idade”, já que cronologicamente estou mais próximo dela...

Intolerâncias cotidianas: em nota, CONIC faz apelo ao bom senso

Todo tipo de intolerância é desumana. Mais que isso, afronta a Legislação Brasileira que garante a laicidade do Estado e, portanto, a liberdade de crença e a livre filiação religiosa. Nos últimos dias, o Brasil assistiu a vários episódios de violência retórica, desde as reações midiáticas contra a população LGBT por conta da passeata em SP, até a agressão física perpetrada contra a jovem Kailane, de 11 anos, adepta do Candomblé.

Em função disso, o CONIC emite nota em que apela para o bom senso. "Que possamos fazer o exercício da autocrítica", afirma um trecho do documento. "Que nas celebrações desse domingo, 21 de junho, possamos fazer o exercício da penitência e reconhecer os abusos", acrescenta.


UM APELO AO BOM SENSO

“Esses tais, porém, injuriam o que desconhecem e,
por outro lado, corrompem-se naquilo que conhecem” (Judas 1:10)


O CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil apela para que lideranças religiosa cristãs recuperem o bom senso e parem de incitar o ódio contra religiões de matriz africana, espírita e demais minorias, entre elas, a população LGBT.

Essa incitação está fazendo vítimas. A menina Kailane Campos, de 11 anos, praticante do Candomblé, é a mais recente atingida por essa onda de ódio. Antes de Kailane foi Mãe Dedé, 90 anos (clique aqui e saiba mais). No dia de hoje, Gilberto Arruda parece ter sido mais uma das vítimas. Todo tipo de intolerância é uma agressão ao próprio Evangelho.

Papa com o Patriarca Aphrem II: fixar olhar na unidade

Na manhã desta sexta-feira, 19 de junho, foi realizado um importante encontro do Papa Francisco com Sua Santidade Mor Ignatius Aphrem II, Patriarca Sírio-Ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente. Eles estiveram reunidos, primeiramente, em encontro privado e, depois, o Francisco teve um encontro com toda a delegação ortodoxa.

Nas palavras que lhes dirigiu, o Papa Francisco recordou a antiga amizade entre a Sé de Roma e a Sé de Antioquia – amizade que remonta ao Pontificado de Paulo VI e que foi reforçada pelos Pontífices sucessivos.

O Papa destacou também a vocação ao martírio da Igreja Ortodoxa desde as suas origens e mesmo no presente. O Santo Padre pediu orações conjuntas pelas vítimas desta violência e de todas as situações de guerra presentes no mundo.

De modo especial, citou os dois bispos, o Metropolita Mor Gregorios Ibrahim e o Metropolita da Igreja Greco-Ortodoxa Paul Yazigi, sequestrados há mais de dois anos, e todos os sacerdotes e fiéis que se encontram na mesma situação. “Peçamos ao Senhor a graça de estarmos sempre prontos ao perdão e sermos agentes de reconciliação e de paz. Isso é o que anima o testemunho dos mártires. O Seu sangue é semente de unidade da Igreja e instrumento de edificação do reino de Deus”, frisou o Santo Padre.

Trabalho infantil: um mal a ser enfrentado ainda hoje



O Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, em 12 de junho, contou com diversas atividades pelo país promovidas pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI). Para as pessoas que debatem o problema do trabalho infantil, essa questão é clara: trabalho, somente a partir dos 16 anos, ou como aprendizes desde os 14 anos. É o que fala a Constituição Federal. Entretanto, sabe-se que, na realidade, esse cenário é bem diferente. O casal de Belém é apenas um exemplo da prática que continua em todo o país.

Entre abril de 2014 e abril de 2015 foram retirados do trabalho infantil 5.688 crianças e adolescentes, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Mas esse número não chega nem perto dos mais de 3,2 milhões de meninos e meninas de 5 a 17 anos que trabalham de forma irregular no país, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD 2013), do IBGE. Segundo os dados do PNAD, entre 2012 e 2013, houve uma pequena redução de 10,6%. Se a queda continuar nesse ritmo, dificilmente o Brasil conseguirá alcançar a meta de erradicar o trabalho infantil até 2020.

Riscos

Para falar com Jesus - André A. Pereira

Estou querendo falar com Jesus.
O senhor marcou hora?
Não, tem que marcar?
Aquela fila ali é de quem não marcou hora.
Achei que fosse mais simples.
Tempos modernos, meu caro.
Tem um lanchinho pra esperar?
Você não trouxe de casa?
Casa? Era sobre esse assunto mesmo que eu queria falar com Ele.
Hum, milagres hoje não tá saindo muito não.
Não?
Povo anda sem fé.
Mas Ele...
E com essa política toda aí... fica difícil até pra Ele.
Só aqui que Ele atende?
Onde mais?
Não sei... é que achei que Ele estivesse pelas ruas...

Marcos 4,35-41: Quem é este homem? - Tomaz Hughes

Este texto está situado na primeira parte do Evangelho, onde Marcos procura demonstrar que as autoridades religiosas da época, os próprios parentes de Jesus e os discípulos d’Ele não o compreenderam, apesar de verem as suas obras e milagres (1, 19-8, 21). Toda esta primeira parte do Evangelho prepara o chão para a pergunta fundamental do Evangelho: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Por isso a história hoje relatada leva os discípulos a se perguntarem: “Quem é este homem?”

A história do evento no mar de Galileia retrata simbolicamente a situação da comunidade marcana, pelo ano 70, quando o Evangelho foi escrito. A comunidade está vacilando na sua fé, assolada por dúvidas e até perseguições. Diante do cansaço da caminhada, muitos se refugiaram na busca de uma religião de milagres, sem o esforço de seguir Jesus até a Cruz. Por isso, Marcos insiste que os milagres não são suficientes para conhecer Jesus, pois as autoridades, os familiares e os discípulos os presenciaram e não chegaram a entender nem a pessoa nem a proposta de Jesus.

O barco no lago, assolado pelos ventos e ondas, representa a comunidade dos discípulos, prestes a afundar-se por causa das dificuldades da caminhada. Jesus dorme no barco e parece não se preocupar com o perigo. Assim, para a comunidade marcana, parecia que Jesus não estava ligado aos seus sofrimentos e, como consequência, vacilavam na sua fé. Mas, Jesus acalmou o mar e ainda questionava a pouca fé dos Doze: “por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (v. 3). Assim, Marcos quis mostrar aos leitores do seu tempo que Jesus estava com eles nas dificuldades e que a sua falta de fé estava causando grande parte das dificuldades que estavam enfrentando.

A Carta Magna da ecologia integral: grito da Terra-grito dos pobres - Leonardo Boff

Antes de qualquer comentário vale enfatizar algumas singularidades da encíclica Laudato sí do Papa Francisco.

É a primeira vez que um Papa aborda o tema da ecologia no sentido de uma ecologia integral (portanto que vai além da ambiental) de forma tão completa. Grande surpresa: elabora o tema dentro do novo paradigma ecológico, coisa que nenhum documento oficial da ONU até hoje fez. Fundamental é seu discurso com os dados mais seguros das ciências da vida e da Terra. Lê os dados afetivamente (com a inteligência sensível ou cordial), pois discerne que por detrás deles se escondem dramas humanos e muito sofrimento também por parte da mãe Terra. A situação atual é grave mas o Papa Francisco sempre encontra razões para a esperança e para a confiança de que o ser humano pode encontrar soluções viáveis. Honra os Papas que o antecederam, João Paulo II e Bento XVI, citando-os com frequência. E algo absolutamente novo: seu texto se inscreve dentro da colegialidade, pois valoriza as contribuições de dezenas de conferências episcopais do mundo inteiro que vão dos USA, da Alemanha, do Brasil, da Patagonia-Camauhe até do Paraguai. Acolhe as contribuições de outros pensadores como os católicos Pierre Teilhard de Chardin, Romano Guardini, Dante Alighieri, de seu mestre argentino Juan Carlos Scannone, do protestante, Paul Ricoeur e do muçulmano sufi Ali Al-Khawwas. Por fim, os destinatários são todos os seres humanos, pois todos são habitantes da mesma casa comum (palavra muito usada pelo Papa) e padecem das mesmas ameaças.

O abandono dos refugiados pelas lideranças mundiais condena milhões de pessoas

Foto: Mãos de um menino curdo em um acampamentos de refugiados em Şanlıurfa.

Os líderes do mundo estão condenando milhões de refugiados a uma existência insuportável e milhares de pessoas à morte ao não lhes proporcionar proteção humanitária, declarou hoje a Anistia Internacional na apresentação de um novo documento em Beirute, por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, em 20 de junho.

A crise mundial de refugiados: Uma conspiração para o abandono explora o enorme sofrimento de milhões de refugiados, do Líbano ao Quênia, do mar de Andaman ao Mediterrâneo, e apela por uma mudança radical na forma em que o mundo aborda o problema dos refugiados.

“Estamos presenciando a pior crise de refugiados de nossa era (a maior desde a 2a Guerra Mundial), na qual milhões de mulheres, homens e crianças lutam para sobreviver em meio a guerras brutais, redes de traficantes de seres humanos e governos que perseguem interesses políticos egoístas em vez de mostrar uma compaixão humana básica”, afirmou Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional.

“A crise dos refugiados é um dos desafios que definem o século XXI, mas a resposta da comunidade internacional é um vergonhoso fracasso. Precisamos de uma reforma radical da política e da prática para criar uma estratégia global coerente e integral. ”

Declaração de organizações internacionais pedindo ao Estado brasileiro que não adote a proposta de emenda constitucional que visa reduzir a maioridade penal

Nós, organizações da sociedade civil abaixo assinadas, convocamos o Brasil a se abster de adotar reformas que reduzam a idade de responsabilização penal (“maioridade penal”) de 18 para 16 anos. A reforma violaria as obrigações do Brasil nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CDC) e seria um meio ineficaz de resolver delitos cometidos por adolescentes.

Sob a CDC, os Estados têm obrigações específicas em relação aos adolescentes envolvidos no sistema de responsabilização: a privação da liberdade deve ser o último recurso e pelo menor período de tempo apropriado (artigo 37), e deve se concentrar em reabilitação e reintegração, ao invés de simples punição ou retribuição (artigo 40). Diminuir a idade penal envia um sinal negativo para a sociedade e para os adolescentes afetados pela redução, desconsiderando as necessidades específicas de pessoas que ainda estão em fase de desenvolvimento.

Esta proposta de reforma responde a uma questão de segurança pública e repercussão negativa da mídia sobre certos crimes cometidos por adolescentes.

Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) emite nota contra a REDUÇÃO da maioridade penal

O Que Deus exige de nós? (Mq 6. 6-8)

Quando o assunto é a REDUÇÃO da maioridade penal os argumentos utilizados são vários. O mais difundido justifica a redução da maioridade penal afirmando que, em função da proteção garantida pela Constituição Federal, pelo Código Penal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente aos menores, adultos se aproveitariam de jovens adolescentes para cometer crime. Outro argumento é que o Brasil estaria se diferenciando de outros países que consideram a idade de responsabilidade penal abaixo dos 18 anos. Por fim, somam-se a estes argumentos a ampla campanha midiática que reserva espaço considerável nos telejornais para consolidar, de forma sensacionalista, a imagem que o número de crimes hediondos praticados por menores teria crescido.

Projetos de Leis que atingem os direitos conquistados pela sociedade civil, nestes curtos anos de experiência democrática, têm sido frequentes. Chamamos a atenção para um viés autoritário presente em algumas destas propostas que, coincidentemente ou não, têm recebido uma atenção e tentativas de aceleração.

Lamentamos que esta questão esteja em discussão. A Maioridade Penal, na forma como hoje se apresenta na Constituição, é uma conquista da sociedade civil organizada, que têm realizado a duras penas, trabalhos em defesa dos direitos das crianças e adolescentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA é a expressão máxima deste trabalho.

Em nome de todos os brasileiros: primaz da IEAB pede perdão a Kailane

Intolerância religiosa: menina de apenas 11 anos é apedrejada na cabeça por evangélicos e diz que está com medo de morrer: “Continuo na religião, nunca vou deixá-la. É a minha fé. Mas não saio mais de branco”.

A menina, iniciada no Candomblé há quatro meses, seguia com parentes e irmãos de santo para um centro espiritualista na Vila da Penha, no Rio, quando foi atingida na cabeça por uma pedra, atirada, segundo testemunhas, por um grupo de evangélicos. Ainda segundo os relatos, momentos antes, eles xingaram os adeptos da religião de matriz africana.

“Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o inferno’. Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus”, contou a avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53 anos, conhecida na religião como Vó Kathi.

Passado o susto e em nome de todos os brasileiros de bem, o primaz da IEAB - Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Francisco de Assis da Silva, pede perdão a Kailane. “Não impute esta responsabilidade ao Cristo, pois Ele nunca mandou ninguém agir assim”, afirma.

Leia a íntegra:

Debate sobre reforma política mobiliza Assembleia da CESE

A discussão sobre reforma política abriu os trabalhos na última quinta-feira (11) da edição 2015 da Assembleia Geral da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), evento que discute anualmente as diretrizes e perspectivas da Coordenadoria Ecumênica de Serviço.

Estiveram presentes representantes de organizações como a Cáritas, Koinonia, CEBI (Centro de Estudos Bíblicos), CLAI (Conselho Latino Americano de Igrejas), CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e as Igrejas IEAB (Episcopal Anglicana do Brasil), IPU (Presbiteriana Unida do Brasil), ABB (Aliança de Batistas do Brasil), ICAR (Católica Apostólica Romana), IECLB (Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) e IPI (Presbiteriana Independente do Brasil).

Representando o CFemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), Guacira César de Oliveira conduziu a roda de diálogo e começou apontando como o Congresso Nacional está conduzindo a reforma política: “exclusivamente eleitoral, voltada para blindar seus interesses, não para democratizar o sistema político”, resume.

A socióloga ressalta que estratégias para incidência política (como as quase 800 mil assinaturas coletadas em todo o Brasil no Projeto de Iniciativa Popular da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e as 10 milhões de assinaturas colhidas pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político) estão sendo desconsideradas nesse debate, impossibilitando o diálogo possível com o Congresso.

STF debate ensino religioso em escolas públicas

O Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu hoje (15) audiência pública para discutir o ensino religioso em escolas públicas. A audiência começou às 9h e 31 entidades foram habilitadas para participar das exposições. Cada uma teve 15 minutos para defender seus argumentos. O CONIC estava representado pela secretária-geral Romi Bencke.

A audiência foi convocada pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede que a Corte reconheça que o ensino religioso é de natureza não confessional, com a proibição de admissão de professores que atuem como “representantes de confissões religiosas”.

Ao encerrar a audiência, Barroso afirmou que o debate proporcionou grande enriquecimento intelectual para todos que dele participaram. “Pessoalmente saio daqui muito mais capaz de equacionar as questões tratadas no processo do que antes da audiência”, afirmou.

O Papa e a vida do Planeta Terra

As pessoas que lutam contra o que coloca em risco a vida em nosso pequeno Planeta, e mais ainda as que cuidam da vida nele, receberão, nesta semana, no dia 18, um apoio importante: a Encíclica do Papa Francisco sobre o meio ambiente da vida.

Para pessoas com visão conservadora, o Papa não deveria falar desse assunto. Elas acham que ele deveria cuidar da salvação das almas, deixando a economia para quem entende dela. Os mais radicais acham até que seria ato de orgulho querer meter-se nas leis do mercado, porque elas funcionariam de forma natural, comandadas pela mão invisível que age por meio da livre iniciativa dos empresários capitalistas concorrendo uns com os outros.

O Papa Francisco, seguidor de Jesus de Nazaré, não concorda com essa visão do chamado neoliberalismo. Ele parte do que acontece com as pessoas humanas e com a Criação, isto é, com o ambiente que gera e mantém todas as formas de vida. Para o Papa Francisco, assim como para Jesus em seu tempo, os frutos dessa economia de mercado não são bons; pelo contrário, ela produz aumento da concentração da riqueza em poucas mãos e aumento da pobreza, da miséria e até da morte por fome para a maioria da humanidade; e junto com esta injustiça, também o ambiente da vida é explorado sem dó nem piedade, gerando desequilíbrios que se manifestam nas mudanças climáticas.

A injustiça e a exploração da Terra não podem ser aceitas por quem segue a Jesus de Nazaré. Ele deixou claro que não se pode servir a Deus e ao dinheiro. E o Papa Francisco assumiu a mesma coragem profética ao declarar: esta economia que domina o mundo atual mata. Sua encíclica sobre o ambiente da vida e as mudanças climáticas será, com certeza, mais um convite para que a humanidade se livre dos ídolos riqueza e poder, colocando em seu lugar o cuidado amoroso da vida e da Criação.

Pastora defende a abordagem de questões de gênero na educação

Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, CONIC, a pastora Romi Bencke destaca importância da abordagem de questões de gênero na educação e analisa ações de grupos religiosos conservadores: "não podemos mais dizer o que é um modelo de família aceitável ou não aceitável. Se em uma determinada família há amor, respeito, carinho e diálogo, pode-se dizer que ali existe uma família".

Por Gabriel Maia Salgado*

Grupos religiosos conservadores têm pressionado para que os Planos de Educação de estados e municípios de todo o país não contenham qualquer meta ou estratégia que promova a igualdade de gênero em seus textos. Ao analisar a ação destes setores e a importância de atividades relacionadas a esta temática, a secretária Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a pastora Romi Bencke classifica como essencial a abordagem destas questões para o combate à violência e contra a exclusão escolar.

Documentos que devem ser construídos de maneira participativa e democrática, os Planos Municipais e Estaduais de Educação devem ser elaborados até junho deste ano, contendo metas e estratégias para garantir o direito à educação para a população de uma determinada cidade ou estado nos próximos dez anos.

CNPI publica nota contra conjuntura indigenista que nega direitos e retrocede conquistas

Sentindo a garantia de seus direitos abalada pelos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), a bancada indígena da Comissão Nacional de Política Indigenista elaborou um documento apresentando a o posicionamento dos povos indígenas em relação a atual conjuntura. Decisões da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e omissão do Executivo no que diz respeito às demarcações de terra e portarias declaratórias estão entre os principais fatores de preocupação. Confira a nota abaixo:

POSICIONAMENTO DA BANCADA INDÍGENA DA COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA INDIGENISTA POR OCASIÃO DA REALIZAÇÃO DA 28ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA CNPI

Nós, representantes indígenas na Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) vimos tornar pública nossa compreensão sobre a atual conjuntura indigenista e manifestar nosso posicionamento político diante da realidade por nós identificada. 

Ao analisarmos as ações que vêm sendo desenvolvidas no âmbito dos três poderes da República, no que diz respeito aos interesses dos povos indígenas, percebemos uma ação conjunta entre eles no sentido de negar nossos direitos e fazer retroceder as conquistas por nós alcançadas como resultado de muitas lutas.

“Tudo bem encenar a ‘Paixão de Cristo’, mas quando é uma travesti não pode, não é?”

A atriz Viviany Beleboni, de 26 anos, é a mulher transexual que terça (dia 9), durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, apareceu pregada a uma cruz, representando o sofrimento de Jesus. A cena causou a fúria de alguns religiosos – entre eles, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) –, que a acusaram nas redes de desrespeitar a fé cristã.

Viviany explicou quais eram os objetivos de sua intervenção. “Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era, mesmo, protestar contra a homofobia”, disse, em entrevista ao portal G1.“Eu vejo a Parada como um protesto, não como uma festa”, continuou. “Usei as marcas de Jesus, que foi humilhado, agredido e morto. Justamente o que tem acontecido com muita gente no meio GLS, mas com isso ninguém se choca”.

Um bispo não deve estar a serviço do poder, mas a serviço da vida - Inácio Lemke

"Óscar Romero é, portanto, não somente para o Papa Francisco um alguém cuja morte corajosa precisa ser homenageada. É um sacerdote cuja vida exemplifica o testemunho do tipo de catolicismo preferido por um papa que declarou, nos primeiros dias após a sua eleição, que queria uma 'Igreja pobre para os pobres", afirmou Paul Vallely, professor de ética pública na University of Chester, na Inglaterra, pesquisador pós-doutor no Brooks World Poverty Institute, da University of Manchester.

Bispo da coragem, dom Romero foi brutalmente assassinado durante uma missa celebrada na capela de um hospital de San Salvador, em 24 de março 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho. Após três décadas, não sem muita luta, o mártir que denunciava a opressão contra seu povo foi beatificado pelo Vaticano. Para falar do assunto, o CONIC foi ouvir o que alguns teólogos de ecumênicos pensam a respeito.

Neste terceiro artigo, veja o que diz o pastor luterano Inácio Lemke.

“Um Bispo não deve estar a serviço do poder, mas a serviço da vida”

Quem tem fé, comprova que Deus age nas entrelinhas da história de uma maneira maravilhosa. Não foi diferente na história de El Salvador, essa terra tão castigada por catástrofes naturais e humanas. Um bispo nomeado para ser conservador, vive uma nova conversão: o povo sofrido e maltratado por um regime ditatorial financiado pelos EUA passa a ser o objetivo maior do serviço da diocese onde Romero irá trabalhar. Havia uma guerra civil. O governo defendia os interesses dos poderosos e os EUA lhes enchiam os porões com armamentos que sacrificariam milhares de pessoas no altar da ganância, não apenas em El Salvador, mas em toda a América-Latina. Eis que uma voz se levanta e, apenas com dois mandamentos, torna-se um tormento nos ouvidos dos carrascos, tanto os de outrora como os de hoje. A partir do seu engajamento e de sua voz profética, “los campesinos” que lutavam por um país mais justo, reivindicando um pedaço de terra da criação de Deus que é de todos, tiveram mais alento, pois sabiam que sua atitude de buscar mais justiça tinha um defensor. A voz do profeta ecoou tanto no campo como na cidade, pois Deus quer vida e vida digna, não apenas para alguns, na construção de uma sociedade onde todos e todas possam ter seu lugar.

Cristo hoje é uma travesti, pregada numa cruz e um negrinho pelado, algemado num poste - Victor Farinelli

As imagens chocam, e muito, aqueles que foram educados pelo e para o ódio – ironicamente, através da religião que se distinguiu, ao longo dos séculos, por um profeta que pregava o amor.

Tive aulas de catecismo que me ensinaram sobre a figura de Jesus na cruz como a representação de sua luta pelos perseguidos da época. “Por isso ele é o salvador da humanidade”, dizia a professora.
Jesus Cristo foi crucificado porque defendeu os trabalhadores explorados, os miseráveis, as prostitutas, os leprosos e até mesmo os que não acreditavam em sua palavra.

Tudo isso está nas escrituras. Pode ser somente uma metáfora. Não sou um religioso, tampouco ateu – tenho uma maneira estranha de acreditar, por exemplo, no Cristo histórico e outras coisas que fazem sentido pra mim –, mas sempre vi sua história como algo muito presente no mundo ao meu redor, e por isso acho o cristianismo uma ideia com muito sentido.

Acredite nele ou não, a história de Jesus é a da vítima do ódio mais conhecida pela humanidade.

Não à redução da maioridade penal – CEBI envia carta à Câmara de Deputados

Nesta data, 10/06/15, a Comissão Especial se reúne para analisar e votar o relatório a ser apresentado pelo deputado Laerte Bessa (PR-DF) sobre a redução da Maioridade Penal (Proposta de Emenda Parlamentar 171/93). Ela reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos e prevê a realização de um referendo nas próximas eleições, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso.

No início do mês de junho, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, avisou que pretende votar a proposta no Plenário assim que a comissão especial concluir a análise do texto, o que deve ocorrer ainda neste mês. “Vou levar ao Plenário imediatamente”, disse.

O CEBI encaminhou carta à Câmara de Deputados pedindo a não aprovação da redução da maioridade Penal. Na carta o CEBI denuncia uso fundamentalista da religião e de textos bíblicos por parte de grupos que, em nome Deus, desrespeitam o Estado Laico e tentam impor medidas que negam a dignidade humana a setores já socialmente marginalizados.

Confira abaixo o conteúdo da carta:

Marcos 4.26-34: Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus?

O texto de hoje traz à tona dois elementos muito importantes para o estudo dos Evangelhos - “o Reino de Deus” e “as parábolas”. Antes de olhar o texto mais de perto, convêm comentar algo sobre esses dois termos ou conceitos.

Existe um consenso entre os estudiosos modernos, sejam católicos ou protestantes, que existem duas palavras nos textos evangélicos que provém do próprio Jesus e que não dependem da reflexão posterior das comunidades: “Reino” e “Pai” “Abbá” em aramaico. Estamos tão acostumados de ter Jesus como “objeto” da nossa pregação que esquecemos que Ele não pregou a si mesmo, mas o “Reino de Deus” (geralmente citado em Mateus como o Reino dos Céus, para evitar o uso do nome de Deus, em uma comunidade predominantemente judeu-cristã). A vida inteira de Jesus foi dedicada ao serviço desse Reino, que Ele nunca define, pois é uma realidade dinâmica, mas que Ele descreve por comparações, usando parábolas. “Parábola” é um tipo de comparação, usando símbolos e imagens conhecidos na vida dos ouvintes, e que os leva a tirar as suas próprias conclusões (de fato, várias vezes temos a explicação de uma parábola nos evangelhos, mas essa nasceu da catequese da comunidade e não teria feito parte da parábola original). O Capítulo 13 de 
Mateus talvez seja o melhor exemplo do uso de parábolas para clarificar a natureza do Reino - ou Reinado - de Deus.

Estado laico é tema de debate no Cebi-ES

O Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo (Cebi-ES) terminou o mês de abril com a realização da mesa redonda “Até onde o Estado é laico?”. A atividade, que ocorreu na terça-feira, 28, no Cebi, localizado no Centro de Vitória, foi uma iniciativa da equipe de juventude do Centro de Estudos. Os debatedores foram o professor de filosofia Alex Sandro Zorzal, o cientista das religiões Fabiano Costa Leite e a mestra em Ciência Política, historiadora, filósofa e professora da Faculdade Salesiana Célia Maria Vilela Tavares.

Alex Sandro Zorzal citou exemplos de casos que aconteceram no ambiente escolar para mostrar a interferência religiosa nas instituições de ensino, inclusive as públicas. “Em um colégio onde trabalhei tinha uma rádio escola. Todos os dias ela dedicava um espaço para alguns estilos musicais. Tinha, inclusive, o dia do Gospel. Contudo, a ideia de um grupo de alunos de tocar músicas de Clara Nunes na rádio provocou uma manifestação negativa por parte de algumas pessoas da comunidade escolar, o que acarretou numa discussão sobre o porquê de poder tocar música gospel e não colocar músicas de Clara Nunes, que fazem referência à cultura das religiões de matriz africana”, relata Alex. 

O professor acredita que, muitas vezes, as pessoas se contradizem ao afirmar que defendem o Estado laico. “No fundo, elas são favoráveis a um Estado teocrático desde que sua religião esteja no comando, sustendo a ideia de um Estado religioso”, afirma. O cientista das religiões Fabiano Costa Leite defende que isso é um dos reflexos da disputa por hegemonia, feita pelas religiões. “Essa disputa provoca a fragilidade do laicismo, uma vez que as crenças hegemônicas querem permanecer assim, e as que não são querem se tornar hegemônicas, nem que para isso tenham que ferir o princípio do Estado laico”, diz Fábio, que cita como exemplo a tentativa de deputados da bancada evangélica de fazer com que seus pensamentos religiosos sejam amparados por lei. 

É pau, é pedra, é o fim de um caminho: um projeto Brasil - Leonardo Boff

Este é o título de um artigo do editor Cesar Benjamin na revista Piaui de abril de 2015. Talvez seja uma das mais instigantes interpretações da mega-crise brasileira, fora do arco teórico do repetitivo e enganoso discurso a partir do PIB.

Afirmam-se aí, no meu entender, dois pontos básicos: o esgotamento da forma de fazer política do PT (lulismo) e a urgência de se pensar um projeto de Brasil, a partir de novos fins e de novos valores. Esse seria o grande legado da atual crise que Benjamin reputa como “a mais grave de nossa história”.

Isso me remete ao que ouvi de J. Stiglitz, Nobel em economia, numa conferência em 2009 nos espaços da ONU, na qual estava presente:”o legado da crise econômico-financeira de 2008 será um grande debate de idéias sobre que mundo nós queremos”. Pelo mundo afora e no Brasil esse parece ser realmente o grande debate. Outros chegam a formulá-lo de forma dramática: ou mudamos ou morremos. A percepção generalizada é que assim como as coisas estão, não podem continuar, pois, lá na frente um abismo nos espreita.

Face à crise atual ganham força as palavras severas de Celso Furtado num livro que vale apenas ser revistado:”Brasil: a construção interrompida”(1993): “Falta-nos a experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada. E nos falta também um verdadeiro conhecimento de nossas possibilidades e, principalmente, de nossas debilidades. Mas não ignoramos que o tempo histórico se acelera e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se teremos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação”(p.35). E conclui pesaroso: “tudo aponta para a inviabilização do país como projeto nacional”(p. 35).

A herança teológica de Óscar Romero - Marcelo Barros

Bispo da coragem, dom Óscar Romero foi brutalmente assassinado durante uma missa celebrada na capela de um hospital de San Salvador, em 24 de março 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho. Após três décadas, não sem muita luta, o mártir que denunciava a opressão contra seu povo foi beatificado pelo Vaticano. Para falar do assunto e aprofundar o aspecto teológico de dom Romero, o CONIC foi ouvir o que alguns teólogos de ecumênicos pensam a respeito. Neste primeiro artigo falamos com o monge beneditino Marcelo Barros: assessor das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares, atualmente coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT).

Abaixo, leia a integra do texto encaminhado por Macelo.

Óscar Romero (beatificado no dia 23 de maio último) foi assassinado em março de 1980, na época em que a Teologia da Libertação começava a ser perseguida e condenada pelas instâncias mais oficiais da hierarquia católica e ignorada ou rejeitada pela maioria das cúpulas de Igrejas evangélicas e pentecostais. Romero era um pastor e não um teólogo profissional. No entanto, suas homilias e principalmente seu exemplo marcaram profundamente os ambientes de Igreja na América Latina e no mundo. Romero foi uma testemunha primeira e privilegiada de que, como ensinavam os primeiros teólogos da libertação, “a teologia deve se fazer a partir da prática”. Foi a realidade de El Salvador e o martírio de muita gente do povo e de seus irmãos na Igreja que levou Romero a se transformar de um bispo eclesiástico tradicional em um defensor dos oprimidos e intransigente defensor da justiça em nome de Deus.

Formação Bíblica - Venda Nova do Imigrante

“A palavra de Deus é viva, eficaz e penetrante. Ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos. Não existe criatura que possa esconder-se de Deus; tudo fica nu e descoberto aos olhos Dele; e a Ele devemos prestar contas”. Hebreus 4, 12-13

Com o objetivo de fazer ecoar a Palavra de Deus na vida das pessoas e na caminhada de Fé das Comunidades de nossa Paróquia, 230 pessoas, das 24 Comunidades Eclesiais, participaram do 1º Encontro de Formação Bíblica, sob a assessoria do Centro de Estudos Bíblicos – Vitória - ES.

O Encontro aconteceu no dia 26 de abril, de 08 horas às 15 horas, no Centro Pastoral Paroquial. Teremos mais 02 encontros como este, durante este ano.

Participaram os representantes de três grupos: 1) As pessoas que estão se preparando para o Ministério da Proclamação da Palavra de Deus; 2) Os coordenadores dos Círculos Bíblicos; 3) As catequistas.

Os Ministros da Proclamação da Palavra de Deus foram indicados pelos Conselhos Pastorais Comunitários e, depois, eleitos pelo Pároco. Agora, iniciaram a sua formação, como condição para serem investidas pelo Bispo, no final deste ano.

Parabéns a todos os que se deixam tocar pela Palavra de Deus, pois como diz a canção: “é como a chuva que lava, é como o fogo que abrasa. Tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal”.

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Reza de Maio na casa de Madalena e Virgílio

Nosso reza de maio foi na casa de Madalena e Vírgílio, dia 29, no Centro de Vitória. Fomos provocad@s a refletir sobre a importância da gentileza: 

Gentileza
Marisa Monte
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de gentileza

Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
"Amor: palavra que liberta"

Celebração Ecumênica em Vila Velha

No dia 21/05/2015 aconteceu na Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), no bairro Alvorada , Vila Velha - ES, um Culto Ecumênico com a presença de Luteranos, Católicos, Presbiterianos e do CEBI-ES. Esse encontro de irmãos ocorreu dentro da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC 2015), promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Espírito Santo (CONIC-ES)

A Celebração foi marcada pela alegria e partilha. Agradecemos a acolhida carinhosa da Pastora Rosane e do Pastor Antônio.

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Novo Horário do Programa "A Palavra na Vida"


Marcos 3.20-35: Voz de Deus e vozes demoníacas - Léo Zeno Konzen

Distinguir a voz de Deus das vozes diabólicas nem sempre é tão simples! Muitas violências e injustiças já foram cometidas “em nome de Deus”, desde os “tempos de Adão e Eva”... E, ao que tudo indica, esse “filme” está longe do seu fim! E certamente esse não é um problema apenas de facções radicais do Islamismo...

Confundir as vozes demoníacas ou diabólicas com a voz de Deus pode acontecer com inocentes ou ingênuos. Talvez esse tenha sido o caso daquele homem “possuído por um espírito impuro” que viu em Jesus uma ameaça aos sagrados costumes do povo dominado pelas autoridades da sinagoga (Mc 1,21-28). Pode ter sido o caso também dos familiares de Jesus que aparecem no Evangelho deste domingo.

Mas pessoas que pretendem ser as mais religiosas e santas não estão imunes a essa teologia ao avesso, que vê como divino aquilo que é diabólico e como demoníaco aquilo que é divino. Pode ocorrer com pessoas que se agarram à bíblia, pessoas muito piedosas, ou gente que não aceita as crenças dos outros. Tais pessoas acham que o diabo está agindo sempre nos outros, isto é, naqueles que pensam de maneira diferente ou que questionam as incoerências da sociedade, de sua Igreja ou religião.

Ordenação de mulheres na IEAB: entrevista com Carmen Etel

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) comemorou, em maio deste ano, 30 anos de ministério ordenado das mulheres: diaconato, presbiterado e episcopado. A primeira mulher ordenada na Igreja foi a reverenda Carmen Etel Gomes. A partir dessa transposição de barreira da exclusão de gênero para a ordenação feminina, outras irmãs foram reconhecidas em seus dons e em no valioso serviço para toda a Igreja. Hoje, as mulheres já são uma grande força dentro da denominação.


Para aprofundar um pouco mais sobre essa bonita experiência, o CONIC foi falar com a reverenda Carmen em uma entrevista pra lá de interessante. Leia e opine, em nossa caixa de comentários bem abaixo do texto, o que você pensa acerca deste tema. Boa leitura!

Reverenda Carmen, como foi, naquela época, a reação dos seus pares, já que 30 anos atrás a resistência a este tipo de iniciativa ainda era muito forte?