Relatório de ONG avalia a situação de direitos humanos em países

O Brasil ainda convive com “abusos crônicos” como tortura, execuções extrajudiciais, impunidade de crimes cometidos durante a ditadura e má condições de seus presídios, segundo um relatório da ONG Human Rights Watch divulgado nesta quinta-feira.

O capítulo brasileiro do documento – que avalia a situação dos direitos humanos em mais de 90 países do mundo em 2014 – reconhece que as polícias de São Paulo e Rio de Janeiro adotaram recentemente medidas para combater o uso indevido da força, mas aponta que essas duas corporações foram responsáveis, juntas, por 941 mortes nos primeiros nove meses do ano passado.

“O número de pessoas mortas em decorrência de intervenções policiais nesses Estados aumentou drasticamente em 2014 (40% no RJ e mais de 90% em SP)”, diz o levantamento. “Enquanto algumas mortes resultam do uso legítimo da força, outras não.”

Além disso, o sistema prisional abriga 37% de presos a mais do que sua capacidade, sendo que muitos são presos provisórios (ainda à espera de uma decisão judicial).

Taxa de homicídios de adolescentes é a mais alta desde 2005

Três em cada mil brasileiros entre 12 e 18 anos não chegarão ao 19º aniversário. A taxa de homicídios de adolescentes é a pior desde 2005, e é mais alarmante no Nordeste, onde chega a 5,97 em cada mil. Os números são do Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens, que estima que o volume de assassinatos entre 2013 e 2019 nesta faixa etária supere 42 mil.

Divulgados nessa quarta-feira (28), os dados têm como base os registros do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em cidades com mais de 100 mil habitantes. Os mais recentes são de 2012, por causa da demora na divulgação das estatísticas do Ministério da Saúde. A tendência é de alta, sugerem os gráficos: de 2005 a 2011, o patamar oscilou pouco; de 2011 para 2012, cresceu 17%, de 2,84 mortes em cada mil para 3,32. O desejado é que seja inferior a 1.

Os estados que encabeçam o ranking do Índice de Homicídios de Adolescentes (IHA) são Alagoas (8,82), Bahia (8,59) e Ceará (7 74). Os mais bem posicionados são Santa Catarina (1,14), Acre (1 22) e São Paulo (1,29). “Se antes o problema estava no Sudeste, agora é no Nordeste. Não temos uma explicação fechada, mas são cidades que tiveram crescimento demográfico rápido, associado a novas dinâmicas econômicas, inclusive a do crime”, disse o sociólogo Ignácio Cano.

SOUC 2015: igrejas do Brasil promovem unidade com diversidade

Cartaz vencedor de um concurso organizado para promover a SOUC: CLIQUE AQUI e baixe o cartaz em maior resolução.

Uma visão de unidade cristã acompanhada por respeito pela diversidade inspirou o processo de elaboração dos materiais deste ano da Semana Nacional de Oração pela Unidade dos Cristãos e Cristãs (SOUC). O grupo responsável pelo material, formado de representantes de igrejas e organismos ecumênicos, ressaltou o valor da unidade cristã numa época em que a intolerância religiosa cresce ao redor do mundo. O material é publicado em parceria pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e pelo Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos.

Tradicionalmente celebrada entre 18 e 25 de janeiro (no hemisfério Norte) ou em Pentecostes (no hemisfério Sul), a edição deste ano, que será comemorada entre 17 e 24 de maio, enfoca um tema inspirado no evangelho de João: “Dá-nos um pouco da tua água”.

Enviado em 2012 pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), o convite para preparar o material foi, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio para o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Liderado pelo presidente, dom Manoel João Francisco, e pela secretária-geral, pastora Romi Bencke, o CONIC reuniu um grupo de representantes de suas igrejas-membro e membros fraternos, como o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) e o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).

Documento católico-evangélico recorda 70 anos de Auschwitz

Texto destaca papel do campo de extermínio como personificação da maldade humana 

Por ocasião do 70º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, nesta terça-feira, 27 de janeiro, o Presidente da Conferência episcopal alemã, Cardeal Reinhard Marx, e o Presidente do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha (Ekd), o Bispo Heinrich Bedford-Strohm, publicaram uma declaração em conjunto.

No documento destaca-se o papel simbólico que teve e ainda tem Auschwitz como personificação da maldade humana e a reflexão sobre a situação da sociedade.

“Auschwitz é o lugar onde os nazistas mataram os intelectuais poloneses, líderes ciganos e sintas, prisioneiros de guerra soviéticos e membros de vários países. Sobretudo, é o lugar onde os alemães criaram um fábrica para gerenciar de maneira sistemática e industrial a destruição dos hebreus europeus. Auschwitz é sinônimo em todo o mundo da Shoah”.

Espírito Santo tem três cidades entre as 10 com mais mortes de jovens no país

O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) estima o risco de adolescentes de 12 anos a 19 anos serem assassinados antes de completarem seu 19º aniversário

Cariacica, Serra e Vila Velha, no Espírito Santo, estão entre os 10 municípios brasileiros com o maior índice de assassinato de adolescentes, segundo a 5ª edição do IHA, divulgado nesta quarta-feira (28). De acordo com o levantamento, Cariacica ocupa o 2° lugar, seguido da Serra em 3°. O município de Vila Velha ocupa a décima posição no ranking. Entre os estados, o Espírito Santo aparece em quarto lugar. Os números são relativos a 2012.

O IHA estima o risco de adolescentes de 12 anos a 19 anos serem assassinados antes de completarem seu 19º aniversário nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Entre as capitais, o ranking é liderado por Fortaleza, com 9,92, seguida por Maceió (9,37), Salvador (8,32) e João Pessoa (6,49). A capital capixaba, Vitória, ocupa o 7° lugar, com 5,20.

E se fosse Deusa e não Deus - por Sandra Regina Pereira

O filme de Ridley Scott, Êxodo: Deuses e Reis, deixou-me intrigada com a figura de Deus. O autor ousou interpretar Deus como um menino e, aliás, um menino firme em seu propósito de salvar o povo da escravidão no Egito e que é muito duro com Moisés.

Fiquei pensando como seria Javé, pois é claro que o meu imaginário, que foi construído ao longo da vida, teve muitas influências: primeiro dos pais, segundo dos catequistas, que no meu caso foi um frei, terceiro das homilias, e de tantos outros eventos em que participei.

E, então, como seria Javé? No livro do Êxodo, a interpretação do nome já é uma problemática na apresentação de Deus a Moisés: “Moisés disse a Deus: quando eu for aos israelitas e disser ‘O Deus de vossos pais me enviou até vós’ e me perguntarem: ‘Qual o seu nome?’ que direi? Disse Deus a Moisés: ‘Eu sou aquele que é’. Disse mais: Assim dirás aos israelitas: ‘EU SOU me enviou a vós’” (Êxodo 3,13-14). Existem várias explicações sobre o nome do Deus do êxodo e vou ficar com “Eu sou o existente”. Eu existo, eu vejo, eu ouço o clamor do meu povo e desci para libertá-lo. Quer alguém mais presente que Ele? Se o dilema é “ser ou não ser”, a questão é que o Deus do êxodo “é”, faz-se presente ao ouvir o clamor e, através de uma pessoa, executa sua ação, demonstra sua existência ao revelar-se em vários sinais e prodígios contra os egípcios e permanece caminhando com o povo no deserto.

Pela universalização do direito de propriedade

Por Gustavo Noronha*

O recente debate público entre os novos ministros da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário trouxe de volta ao cenário nacional a discussão sobre a questão agrária. Se por um lado a ministra Kátia Abreu procurou desconstruir o imaginário do latifúndio afirmando sua inexistência, por outro, o ministro Patrus Ananias recolocou na ordem do dia a discussão da função social da propriedade da terra.

A realidade dos latifúndios foi demonstrada rapidamente em duas reportagens da imprensa brasileira. A revista CartaCapital trouxe a matéria, de Marcelo Pellegrini, O Brasil tem latifúndios: 70 mil deles,no último dia 06 de janeiro. E no dia 09 seguinte, o jornal O Globo apresentou em sua página 3 a reportagem de Tatiana Farah Concentração de terra cresce no país.

Se olharmos o índice de Gini para a concentração da terra no Brasil, não há grandes alterações nos últimos 50 anos. Não custa recordar que o medo de uma reforma agrária radical fez parte do caldo de cultura que levou ao golpe que derrubou o presidente João Goulart também há 50 anos.

Marcos 1, 21-28: O primeiro impacto da Boa Nova de Jesus no povo - Mesters e Lopes

1. SITUANDO

O texto de hoje descreve várias atividades de Jesus: a admiração do povo diante do ensinamento de Jesus (Mt 1,21-22), o primeiro milagre da expulsão de um demônio (Mt 1,23-28), a cura da sogra de Pedro (Mc 1,29-31), a cura de muitos doentes (Mc 1,32-34). Marcos recolheu estes episódios, que eram transmitidos oralmente nas comunidades, e os uniu entre si como tijolos numa parede.

Nos anos 70, época em que Marcos escreveu, as comunidades necessitavam de orientação. Descrevendo como foi o início da atividade de Jesus, Marcos indicava como elas deviam fazer para anunciar a Boa Nova aos que viviam oprimidos pelo medo dos demônios, pela imposição arbitrária de normas ultrapassadas, pela perseguição por parte do Império Romano. Marcos fez catequese contando para as comunidades os fatos e acontecimentos da vida de Jesus.

2. COMENTANDO

1. Marcos 1,21-22: Admirado com o ensino de Jesus, o povo cria consciência crítica

A primeira coisa que Jesus faz é chamar gente para formar comunidade (Mc 1,16-20). A primeira coisa que o povo percebe é o jeito diferente de Jesus ensinar. Não é tanto o conteúdo, mas sim o jeito de ensinar, que impressiona. Por este seu jeito diferente, Jesus cria consciência crítica no povo com relação às autoridades religiosas da época. O povo percebe, compara e diz: Ele ensina com autoridade, diferentemente dos escribas. Os escribas da época ensinam citando autoridades. Jesus não cita autoridade nenhuma, mas fala a partir da sua experiência de Deus e da vida.

Irmã Dorothy, martirizada há 10 anos

Geovane Saraiva *

"Os mártires são exemplos máximos do perder a vida por Cristo. Em dois mil anos há uma série imensa de homens e mulheres que sacrificaram a vida para permanecerem fiéis a Jesus Cristo e ao seu Evangelho" (Papa Francisco). Quando enterramos o corpo da Irmã Dorothy, em fevereiro de 2005, repetimos muitas vezes que não estamos enterrando a Irmã Dorothy, mas sim, estamos plantando-a. Ela é uma semente que vai dar muitos frutos. Queremos celebrar estes frutos e as novas sementes que estes frutos estão produzindo, disseram as irmãs de sua congregação. Irmã Dorothy afirmou no momento no qual foi imolada: "Eis a minha alma" e mostrou o Livro Sagrado. Leu ainda alguns trechos das Sagradas Escrituras para aquele que logo em seguida iria assassiná-la, a mando do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida. Morta com seis tiros, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no Estado do Pará, Brasil. É a partir de uma grande e enorme simbologia, bem no meio da floresta amazônica, que seu sangue derramado quer expressar para o mundo inteiro que a vida é mais forte do que a morte!

Na América Latina, 30,8% das mulheres não têm renda própria, aponta ONU

A agenda de desenvolvimento pós-2015 deve incluir a igualdade de gênero, não só como um objetivo específico, mas com uma perspectiva transversal que aumente a capacitação econômica das mulheres, destacaram os participantes de um encontro realizado na sede da Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe (CEPAL) da ONU, em Santiago, no Chile, nesta segunda-feira (12).

O diálogo “Desafios para a igualdade. O empoderamento econômico das mulheres na agenda de desenvolvimento pós-2015: a construção de novas respostas para a América Latina e a Europa” reuniu representantes dos governos do Chile e Noruega e da CEPAL para compartilhar ideias e experiências, bem como discutir propostas para a nova agenda que entra em vigor este ano.

A força ritual dos povos originários

Egon Heck e Laila Menezes *

Vou começar 2015 com o final de 2014. Por uma ração muito singela e justa. Os povos indígenas do Brasil terminaram o ano com uma vitória quase impossível. Infringiram aos todos poderosos senhores do agronegócio, do latifúndio e da agroindústria uma derrota que eles não admitiam de jeito nenhum. Terminar o ano sem aprovar o relatório da comissão especial da PEC 215, era um cenário descartado. A realidade com que tiveram que se confrontar teve um amargo gosto de derrota de uma vitória certa.

Como seria possível que algumas dúzias de indígenas com apoio de alguns aliados pudessem impedir a aprovação desse projeto de emenda constitucional, genocida? Isso numa comissão e num Congresso em que os interesses anti-indígenas tem ampla maioria.

Nailton, Pataxó Hã-Hã-Hai, aguerrida liderança na luta pelos direitos de seu povo, na recuperação do território e na conquista dos direitos indígenas na Constituição de 1988, Exclama: Em nossas vidas devemos ter firmeza dos rituais e a eles dedicar 50 por cento de nosso tempo e os outros 50 por cento dividir com as outras atividades.

MISSÃO EM PAUINI: PRIMEIROS OLHARES

Fátima Castelan e Edigar Barraqui

“Eu vi o sofrimento do meu povo, ouvi seu clamor diante de seus opressores e desci para libertá-lo”. (Cf. Ex. 3)

Nossa jornada missionária teve início no dia 11 de janeiro, quando embarcamos em Vitória rumo a Rio Branco, no Estado do Acre, de onde partiríamos para Pauini, nosso local de missão.

Depois de duas escalas, passando pelo Rio de Janeiro e por Brasília, chegamos ao Aeroporto de Rio Branco, de onde partimos de táxi até à casa da Irmã Inês, religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, onde fomos carinhosamente acolhidos.

Após uma boa noite de descanso, tomamos o café junto com a Irmã, que nos alegrou o coração com a partilha de suas intensas experiências missionárias pelos interiores do Acre. Logo depois, retornamos ao Aeroporto para, enfim, tomarmos o voo para Pauini.

Para nossa surpresa e temor, nos deparamos com o pequeno avião que nos levaria até nosso destino. Tomamos coragem e partimos no “teco-teco” (como é conhecido na região), que comporta apenas 4 pessoas (incluindo o piloto), até a cidade de Boca do Acre, que fica distante 30 minutos de Rio Branco. De lá, mudamos para um avião em melhores condições, que nos levou até Pauini.

Já em terra, fomos acolhidos pelo Frei Antônio, que nos levou até a casa paroquial, que fica bem próxima do local onde chegam as embarcações, vindas das cidades vizinhas e das proximidades.

A intolerância no Brasil atual e no mundo - Leonardo Boff

O assassinato dos chargistas franceses do Charlie Hebdo recentemente e a última eleição presidencial no Brasil trouxeram à luz um preconceito latente no mundo e na cultura brasileira: a intolerância. Restrinjo-me a esta pois a outra, a do Charlie Hebdo foi abordada num artigo anterior. A intolerância no Brasil é parte daquilo que Sergio Buarque de Holanda chama de “cordial” no sentido de ódio e preconceito, que vem do coração como a hospitalidade e simpatia. Em vez de cordial eu prefereria dizer que o povo brasileiro é passional.

O que se mostrou na última campanha eleitoral foi o “cordial-passional” tanto como ódio de classe (desprezo do pobre) como o de discriminação racial (nordestino e negro). Ser pobre, negro e nordestino implicava uma pecha negativa e aí o desejo absurdo de alguns de dividir o Brasil entre o Sul “rico” e o Nordeste “pobre”. Esse ódio de classe se deriva do arquétipo da Casa Grande e da Senzala introjetada em altos setores sociais, bem expresso por uma madame rica de Salvador:”os pobres não contentes com receber a bolsa família, querem ainda ter direitos”. Isso supõe a idéia de que se um dia foram escravos, deveriam continuar a fazer tudo de graça, como se não tivesse havido a abolição da escravatura. Os homoafetivos e outros da LGBT são hostilizados até nos debates oficiais entre os candidatos, revelando uma intolerância “intolerável”.

Papa envia carta para jovens participantes do Encontro Nacional da PJ

O Papa Francisco enviou, nesta quarta-feira (21), dia de Santa Inês, uma carta aos jovens participantes do 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, que está sendo realizado em Manaus (AM).

O encontro teve início no último domingo (18) e reuniu mais de 4 mil pessoas. O evento conta com jovens de todo o Brasil, em uma mistura de cores, cheiros e sotaques.

Leia a carta na íntegra:

Mestre onde moras?
Vinde e vede! (Cf. Jo 1,38-39)

Estimada Aline e meu querido Alberto, que a graça do Jovem de Nazaré permaneça sempre com vocês, e nessa saudação quero abraçar a todos os jovens e adultos que estão participando do XI Encontro Nacional da Pastoral da Juventude nas benditas terras amazônicas.

É com grande alegria que me dirijo a vocês por meio desta singela mensagem, obrigado por deixar-me participar deste grande e bendito encontro.

Gostaria de começar dizendo que fiquei muito feliz ao rezar e meditar a iluminação bíblica e o lema do encontro.

Marcos: um relato da prática de Jesus

Chegar em Marcos de que lado? Geralmente a gente começa pelo autor, data e lugar em que o livro foi escrito, e as pessoas para quem o autor escreveu. Só depois é que se vai ao texto. 

Vamos percorrer outro caminho. Não é atalho não. Talvez seja até mesmo dar volta. Mas deve valer a pena. Vamos começar pelo texto. Depois que compreendermos o texto e a maneira como foi criado, vamos compreender o resto. É uma proposta.

1. Narrando uma prática

De entrada uma coisa chama a nossa atenção em Marcos. Ainda no início do evangelho, Mc 1,21-22, diz o texto: “Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, foram à sinagoga. E ali ele ensinava. Ficaram encantados com o seu ensino, porque lhes ensinava com autoridade e não como os escribas - (os doutores da Lei)”.

Logo no v. 23 o texto passa a contar uma ação de Jesus. E o que é que ele ensinava? O texto não diz. Casos como esses vão se repetir por todo o evangelho (Marcos só indica o conteúdo deste ensinamento ou pregação quando trata da paixão (8,31; 9,31) e de ensinamentos particulares (capítulos 11-12). O que significa isto?

Marcos 1,14-20: Jesus anuncia a Boa Nova de Deus e chama pessoas para segui-lo - Mesters e Lopes

1. SITUANDO

A Boa Nova de Deus foi preparada ao longo da história (Mc 1,1-8), foi proclamada solenemente pelo pai na hora do batismo de Jesus (Mc 1,9-11), foi testada e aprovada no deserto (Mc 1,12-13). Agora aparece o resultado da longa preparação: Jesus anuncia a Boa Nova publicamente ao povo (Mc 1,14-15) e convoca outras pessoas a participar do anúncio (Mc 1,16-20).

Nos anos 70, época em que Marcos escreveu, os cristãos, lendo essa descrição do início da Boa Nova, olhavam no espelho e viam retratado nele o início da sua própria comunidade. Aquela fonte que brotou na vida daqueles quatro primeiros discípulos podia, a qualquer momento, brotar também na vida deles.

2. COMENTANDO

1. Marcos 1,14: Jesus inicia o anúncio da Boa Nova de Deus
Marcos dá a entender que, enquanto Jesus se preparava no deserto, João Batista tinha sido preso pelo rei Herodes. Diz o texto: Depois que João foi presto, Jesus voltou para a Galiléia proclamando a Boa Nova de Deus. A prisão de João Batista não assustou a Jesus! Pelo contrário! Ele viu nela um sinal da chegada do Reino. Hoje, os fatos da política e da polícia também influem no anúncio que nós fazemos da Boa Nova ao povo. Marcos diz que Jesus proclamava a Boa Nova de Deus. Pois Deus é a maior Boa Notícia para a vida humana. Ele responde à aspiração mais profunda do nosso coração.

Eu visto branco pelo fim da intolerância religiosa

A intolerância religiosa…

O dia 21 de janeiro é marcado como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi instituída em 2007 pelo presidente Lula (Lei Nª 11.635) e faz referência à morte de Mãe Gilda, Yalorixá do IIé Axé Abassá de Ogum, que faleceu em Salvador (BA), nos anos 2000, após sofrer atos de intolerância. O “caso Mãe Gilda” não é um fato isolado e mostra que essas práticas acontecem, principalmente, com religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, estando relacionadas também com o racismo. Na França e na Alemanha, como está em evidência nos últimos dias, muitas são as práticas de intolerância religiosa contra o Islamismo que guardam consigo – assim como no Brasil – raízes coloniais e projetos hegemônicos de civilização.

No contexto brasileiro, há dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República que apresentam outras “Mães Gildas”. As ligações para o “Disque 100” mostram um aumento de 626% nas denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2012. Junto a isto, um relatório da PUC-Rio (2011) revela que em um grupo de 847 terreiros no Rio de Janeiro, 430 foram alvos de intolerância, com 57% dos casos em locais públicos. Essa realidade evidenciada nas estatísticas pode estar longe de representar a quantidade de violações de direito à liberdade religiosa vivenciada no Brasil, mas já anuncia que não se vive em um espaço de profundo respeito à pluralidade e à diferença. A oikoumene está marcada pelas desigualdades e injustiças.

Jovens católicos de todo o Brasil se reúnem em Manaus

Mais de 500 jovens de todo o Brasil estão em Manaus (AM) para o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, iniciado neste domingo, 18, com previsão de término no próximo dia 25. O evento é no Colégio La Salle. O objetivo é celebrar a caminhada da Pastoral da Juventude/PJ, re-visitando o Mestre, a partir do olhar dos jovens e da Igreja Amazônica, tendo como lema “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia”.

Além dos delegados dos 18 regionais da CNBB, aproximadamente 600 voluntários jovens, assessores e amigos da PJ da Arquidiocese de Manaus e do Regional Norte I estão trabalhando nas equipes locais de acolhida, ambientação, alimentação, bem-estar/saúde, comunicação, cultura, finanças, hospedagem, infraestrutura, lojinha, limpeza, liturgia/mística, missão, passeio, secretaria e transporte.

A abertura do Encontro contou com uma Missa Campal no Anfiteatro da Ponta Negra. Os jovens delegados dos regionais ficarão durante toda a semana hospedados nas casas de famílias dos paroquianos de Manaus. São 270 famílias em 34 paróquias e áreas missionárias que abriram suas casas para hospedar os participantes do 11º ENPJ. Na Paróquia Menino Jesus de Praga, na Chapada, estão hospedados 54 delegados.

Instrumentalização entre religião e política: opressores x oprimidos

O ano de 2015 inicia com traços marcantes do fortalecimento dos fundamentalismos políticos e religiosos em diferentes países. Os recentes acontecimentos da França trazem à tona outros massacres que ocorrem há bastante tempo, mas que têm pouco destaque na imprensa.

São altos os números de refugiados em consequência dos conflitos que ocorrem da Nigéria, Síria, Palestina e outros países. A insensatez humana e uma geopolítica que tem como objetivo central atender aos interesses capitalistas têm desalojado grupos minoritários como os yazidis. Neste sentido, a religião tem sido um instrumento eficaz para legitimar o poder de uns sobre outros.

A história dos yazidis

Os yazidis formam uma minoria religiosa de cerca de 800 mil pessoas. Seguidores de uma religião sincretista, muitos foram obrigados a abandonar suas casas, em agosto de 2014, quando houve um massacre na cadeia de montanhas do Sinjar, região que fica entre a fronteira do Iraque com a Síria.

Arcebispo reclama de falta de atenção do Ocidente a massacres na Nigéria

Em meio à comoção gerada pelos atentados terroristas em Paris, na França, um arcebispo nigeriano acusou países ocidentais de ignorarem a ameaça representada pelo grupo extremista Boko Haram.

O arcebispo da cidade de Jos, Ignatius Kaigama, ainda pediu que a mesma atenção dada aos atentados na França seja dada aos militantes que atuam com cada vez mais violência no nordeste do país africano.

Segundo ele, o mundo precisa agir de forma mais determinada para conter o avanço do Boko Haram na Nigéria.

No último fim de semana, 23 pessoas foram mortas por três mulheres-bomba, uma das quais tinha apenas 10 anos de idade.

João 1.43-51 - Céu aberto para você - Lindolfo Weingärtner

Vamos começar pelo fim de nosso trecho bíblico. Jesus diz a Filipe e Natanael: «Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.» Somos obrigados a confessar: É uma estranha promessa que Jesus faz àqueles dois discípulos. Vereis o céu aberto? Que será isso -- o céu aberto? -- Entendemos que Jesus não fala do céu estrelado, do espaço, no qual se movem a terra, o sol, as estrelas. Ele fala do céu invisível, do Reino de Deus, da realidade dos anjos e dos exércitos celestiais, que obedecem ao Criador sem restrição alguma. 

Vereis o céu aberto. Que promessa! Entendemos que ela vale também para nós. E não é este o nosso problema número um, de não conseguirmos ver tal céu aberto, de não crermos naquela bendita abertura de que Jesus fala? O céu aberto -- isto é, que é possível ter a experiência do poder e da presença graciosa de Deus! Mas se ao menos houvesse uma prova! Um sinal! Nem precisava ser milagre, visão de anjos que sobem e descem, ou coisa parecida. Apenas uma prova clara de que Deus existe e de que ele se interessa por nós, por suas criaturas todas, pela igreja, pelo mundo. Mas este céu, se existe, parece ser uma realidade tão distante. Às vezes, uma voz dentro de mim diz que tudo não passa de um sonho, de um belo ideal...

O milagre da multiplicação dos pães

Todos comeram e ficaram saciados: O milagre da multiplicação dos pães.Vida Pastoral, São Paulo, n. 120, p. 2-8, 1985.

O leitor sabe que para se arrear um burro manhoso é preciso ser muito prudente. Só chegando do lado certo e com bons modos é que se consegue evitar o coice.

Comecei falando de burro, porque o milagre da multiplicação dos pães, de Mc 6,30-44, tem-lhe certa semelhança. Se errarmos o lado de chegar ao texto, jamais conseguiremos dominá-lo. O melhor é dar umas voltas ao seu redor, com paciência, observando o jeito certo para começar a entendê-lo.

Se o leitor me permite, gostaria de lhe dar uma mão no caso deste “burro”. Creio que devemos fazer seis coisas:

“Cura e unidade, e não mais conflitos nem divisões”, diz papa em encontro ecumênico

O Papa Francisco participou num encontro inter-religioso no Centro de Congressos de Colombo, no final da tarde de ontem (13), em Colombo, capital do Sri Lanka. Participaram também neste encontro representantes das religiões budista, hindu, muçulmana e também um bispo anglicano.

O Santo Padre no seu discurso fez um apelo à condenação do fundamentalismo. “A bem da paz, não se deve permitir que se abuse das crenças para a causa da violência ou da guerra. Devemos ser claros e inequívocos ao desafiar as nossas comunidades a viverem plenamente os princípios da paz e da coexistência, que se encontram em cada religião, e denunciar atos de violência sempre que são cometidos”.

O Papa Francisco recordou os anos da guerra civil no Sri Lanka para afirmar que o país precisa agora de “cura e unidade, e não mais conflitos nem divisões”.

Estudo Bíblico sobre a CF 2015


Bons propósitos para o ano novo

Todo começo de ano é ocasião de se fazer bons propósitos. São desafios que nos colocamos a nós mesmos para que a vida não seja sempre repetitiva mas criativa e, quem sabe, surpreendente. Alinho aqui alguns propósitos para alimentar a fantasia criadora de cada um.

1.Desenvolva em você a inteligência cordial, emocional e sensível. Inflacionamos a inteligência intelectual, sempre necessária, mas insuficiente. Deixada por si mesma, produziu a solução final dos judeus (Shoah) e a Casa da Morte em Petrópolis sob o regime militar. A inteligência cordial amalgamada com a intelectual produz afeto, amor e cuidado, nos humanizamos e salvaremos então a vida.

2.Deus sempre vem misturado em todas as coisas. Onde houver algum gesto de amor, de solidariedade e de reconciliação saiba que Ele está lá infalivelmente. Sem esses valores Deus é apenas um nome.

PJ se prepara para Encontro Nacional

Acontece em Manaus de 18 a 25 de janeiro o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude. Um ano de preparação em que a PJ Nacional, PJ Regional Norte I a da PJ Arquidiocese de Manaus, vivenciaram o lema: No Encontro das Águas, Partilhamos a Vida, o Pão e a Utopia e, se deixaram iluminar pela passagem bíblica Jo 1, 38-39: “Mestre, onde moras? Vinde e Vede”.

Um tempo de “ajudar a colocar em nível nacional as formas como se faz Pastoral da Juventude na Amazônia dentro de todos os desafios locais na evangelização da juventude”, ressaltou Lidiane Cristo, representante do Regional Norte I na Coordenação Nacional da PJ.

É na alegria de proporcionar um espaço para encontrar o Mestre Jesus na realidade Amazônica que serão acolhidos mais de 600 jovens e assessores da Pastoral da Juventude de todos os 18 regionais da Igreja do Brasil. Aproximadamente 600 voluntários jovens, assessores e amigos da PJ da Arquidiocese de Manaus e do Regional Norte I, estarão servindo nas equipes locais de: acolhida, ambientação, alimentação, bem-estar/saúde, comunicação, cultura, finanças, hospedagem, infraestrutura, lojinha, limpeza, liturgia/mística, missão, passeio, secretaria e transporte.

Marcos 1.4-11: Batismo coloca-nos na missão solidária com as pessoas que lutam - Teobaldo Witter

1. Introdução

Epifania é uma fase importante do calendário cristão. Advento e Natal enchem a vida das pessoas de esperança, de promessas humanas e de compromissos para organizar encontros e fazer visitas mútuas. Depois de tanto agitação, o que sobra? Advento, Natal e fim de ano são como um terremoto na vida das pessoas. Muitos afazeres para deixar as coisas em paz com as convenções sociais. Mas passou. Agora parece que vem um vazio. Em muitos locais, reduzem-se, inclusive, as atividades da igreja. Os grupos entram em recesso. Os cultos são somente os estritamente necessários. Mas vejam como é lindo o tempo da Epifania!

Epifania é revelação de Deus. É graça revelada. É a luz que surge na escuridão. Jesus, a luz do mundo, é revelada em meio aos povos e nações. Deus quebra o silêncio e fala no batismo de Jesus. Isso é maravilhoso e comprometedor. Livres de mil e uma preocupações, nós podemos ouvi-lo com cuidado e atenção. Temos a oportunidade de permitir que a Epifania e o batismo de Jesus nos encantem, envolvam em seu mundo de paz, da fala de Deus, do cuidado de Jesus e nosso cuidado com a vida e a salvação.
As leituras bíblicas entrelaçam-se no falar de Deus e na reação diante da quebra do silêncio. Gênesis 1.1-5 escreve a respeito do vazio, da ausência da forma, das trevas, enquanto o espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus quebra o silêncio. Falou e houve luz. A luz era boa. Deus separou trevas e luz. A fala de Deus, a palavra de Deus, é criadora. Atos 19.1-7 fala do encontro de Paulo com a comunidade de Éfeso. A conversa é sobre o batismo de João Batista e o batismo de Jesus. Os membros foram batizados em nome de Jesus. E o Espírito Santo de Deus veio sobre eles. Marcos 1.4-11 escreve sobre João Batista, homem que vem do deserto, do vazio e prega arrependimento e perdão dos pecados. Ele anuncia Jesus, que, ao contrário dele, batiza com o Espírito Santo. Jesus pede a João que o batize no rio Jordão. Durante o batismo de Jesus, o céu se rasga. Deus quebra o silêncio e diz: “Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo”.

‘Escravidão moderna’ afeta milhões de pessoas no mundo

No dia 02/01/15, Dia Internacional pela Abolição da Escravidão, especialistas das Nações Unidas denunciaram a “escravidão moderna”, que afeta milhões de pessoas no mundo todo, entre elas muitas crianças.

“Milhões de pessoas no mundo, entre elas muitas crianças, estão sujeitas à escravidão moderna, mas falta vontade política para enfrentar a situação”, disseram os especialistas da ONU. “Pelo menos 20,9 milhões de pessoas estão sujeitas a formas modernas de escravidão, que atinge principalmente mulheres e crianças”, afirmou a sul-africana Urmila Bhoola, relatora especial das Nações Unidas sobre as formas contemporâneas de escravidão.

“Mais de 168 milhões de crianças trabalham, mais da metade em empregos precários e que colocam sua saúde em risco. É o caso do trabalho em minas e pedreiras”, acrescentou. Segundo a holandesa Maud de Boer-Buquicchio, relatora da ONU sobre a venda de crianças, “roubam a infância de milhões de crianças no mundo porque são vítimas de trabalhos forçados e exploração sexual”.

Campanha Contra a Intolerância Religiosa (Janeiro de 2015)

Apoie a Campanha Contra a Intolerância Religiosa do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária! Diga #nãoàintolerânciareligiosa!!

O mês de janeiro é um momento propício para esta campanha. O dia 7 de janeiro é o Dia da Liberdade de Cultos. E o dia 21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Apoiamos todas as manifestações pela paz e pela liberdade religiosa que serão realizadas por todo o Brasil por conta do dia 21 de janeiro. Promova e/ou apoie algum ato contra a intolerância religiosa na sua cidade.

Mt 2,1-12: Jesus é luz para todos: os Magos do Oriente - Ildo Bohn Gass

Dimanche de l’Épiphanie, 4 janvier - Les Rois Mages - Mt 2, 1-12O relato da visita dos Magos do Oriente faz parte do Evangelho da Infância de Jesus segundo Mateus (Mt 1-2). Mais do que informar dados biográficos, essas narrativas querem fazer uma profunda reflexão teológica para compreender a vida de Jesus e servir de luz na caminhada das comunidades daquele tempo e ainda hoje. Aproximemo-nos ao texto em três momentos.

1. Jesus atualiza a memória profética

Numa perspectiva, percebemos como a comunidade de Mateus quer mostrar como em Jesus se cumpre a esperança de seu povo. Por isso, já situara sua origem humana (Mt 1,1-17) e divina (Mt 1,18-25), conforme tinha dito o profeta Isaías (Mt 1,22-23; Is 7,14). Em nosso relato, mais elementos vêm confirmar essa perspectiva da esperança profética.

A estrela esperada, que sairia da linhagem do pai Jacó (Nm 24,17), é Jesus de Nazaré, descendente de Davi, outra estrela da estirpe de Jacó. Essa estrela é a verdadeira luz para todos os povos, é o “sol da justiça”, anunciado pelo profeta Malaquias (Ml 3,20). Davi é da tribo de Judá e Belém é sua aldeia de origem. Por isso, os autores deste relato fazem memória da esperança do profeta Miquéias (Mq 5,1-3), que não acreditava mais nas autoridades de Jerusalém, a capital, mas em um governante que viria desde a periferia, como Davi, quando era um pobre pastor de ovelhas antes de se tornar rei em Hebron e, depois, também em Jerusalém.