Primaz da IEAB: 16 dias de ativismo contra violência às mulheres

MENSAGEM DO BISPO PRIMAZ E DA COMISSÃO DE INCIDÊNCIA PÚBLICA

CAMPANHA DOS 16 DIAS DE ATIVISMO PELA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Estamos vivendo mais uma Campanha que tem tido alcance mundial. Trata-se da Campanha de ativismo contra a violência de Gênero que tem mobilizado Igrejas - nossa Igreja Anglicana tem assumido esta Campanha - ONGs, Movimentos Sociais e Organismos Ecumênicos.

Precisamos continuar erguendo nossas vozes contra a violência institucionalizada contra as mulheres no mundo inteiro. Aqui no Brasil, mesmo com avanços nas políticas afirmativas, ainda somos um país que ocupa vergonhoso posto de país onde a violência contra as mulheres alcança níveis insuportáveis.

Dia a dia, em nossa sociedade construída sobre padrões de comportamento machista, vemos a continuidade do feminicídio, da exclusão das mulheres ao acesso ao mercado de trabalho, da desigualdade salarial, da exclusão de políticas públicas de saúde, entre tantos outros desafios que parecem crescer a uma velocidade exponencial e cujas soluções e enfrentamento se dão ainda de forma lenta e com raríssimos sucessos.

A IEAB tem afirmado seu compromisso claro de enfrentar o problema da violência contra as mulheres. O SADD tem sido um uma importante âncora no processo de conscientização e educação da Igreja sobre este tema. No entanto, reconhecemos que sozinho(a)s não temos logrado os avanços concretos que desejamos. É necessário juntar forças com a sociedade civil e com outros atores políticos e sociais para que esta mancha que envergonha nossa sociedade possa ser eliminada.

É oportuno que em nossas comunidades se realize rodas de conversa sobre o problema da violência de gênero. É importante que nossas lideranças clericais e leigas se levantem para refletir sobre as violências que tem sido cometida contra nossas irmãs, muitas vezes bem próximas de nós e inclusive dentro de nossas comunidades eclesiais. Precisamos assumir o projeto de Jesus que nos deixou exemplos de acolhimento, respeito, escuta e afirmação da dignidade humana. E neste contexto, as mulheres receberam dele uma atenção muito especial. Diante de Jesus, as mulheres tiveram sua fala respeitada, seus direitos reconhecidos, sua dignidade assegurada.

Mesmo distante historicamente de nossos tempos, percebemos que as categorias opressoras da mulher - conforme se vê nos relatos do ministério de Jesus - apenas mudaram de aparência, mas na essência continuam as mesmas. Vergonha, dor, desesperança, silêncio continuam povoando a alma de muitas de nossas irmãs contemporâneas. Não importa a classe social nem o nível cultural e econômico das vítimas de violência física e emocional em nossos dias. A violência institucionalizada continua vitimando muitos milhões de mulheres no mundo. Este não é um problema para ser ignorado. Precisa ser enfrentado com coragem! Que nestes dias de ativismo e não apenas neles, possamos assumir dentro e fora da Igreja o compromisso com a superação da violência contra as mulheres.

Santa Maria, 24 de novembro de 2014

++ Francisco
Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB

Fonte: CONIC