Dom Helder Câmara e Dom Luciano Mendes: Santos Padres da Igreja na América Latina

“Mais que comum dos dias, olhei o mais que pude os rostos dos pobres, gastos pela fome, esmagados pelas humilhações, e neles descobri teu rosto, Cristo Ressuscitado!”(Dom Helder Câmara).

O dia 27 de agosto é o dia de fazer a memória de dois grandes pastores da Igreja católica: dom Helder Câmara e dom Luciano Mendes. O primeiro morreu no dia 27 de agosto de 1999, e o segundo, no mesmo dia e mês do ano de 2006. Ambos foram bispos. Dom Luciano, nascido no Rio de Janeiro, foi jesuíta. Dom Helder, nascido no Ceará, diocesano. Ambos exerceram funções importantes em seus ministérios e morreram com fama de santidade. Foram incompreendidos e perseguidos, inclusive pela própria Igreja. 

O presente artigo não quer oferecer detalhes de ambas as personalidades. Há excelentes obras biográficas que podem ser consultadas. A partir das características que eram comuns a estes bispos, queremos discorrer não somente a respeito da importância deles para a Igreja, como também acentuar a necessidade de continuarmos sonhando com uma Igreja mais humana e fraterna.

O encontro com Cristo no outro, preferencialmente nos pobres

Unidade na diversidade evidencia testemunho cristão

Uma celebração ecumênica com destaque para a unidade na diversidade, concluiu na manhã deste domingo, 24, as atividades do Simpósio Ecumenismo e Missão - Testemunho cristão em um mundo plural. Promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), com apoio das Comissões para o Ecumenismo, Laicato e Ação Missionária da CNBB e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), o evento reuniu cerca de 100 representantes de diversas igrejas cristãs, em Vargem Grande Paulista (SP).

Cânticos, orações, reflexões e símbolos reforçaram a necessidade de continuar a caminhada histórica do ecumenismo no Brasil com ações comuns. Ao comentar o mandato de Jesus aos seus discípulos, “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”, dom Francisco de Assis da Silva, bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil observou que o envio não é apenas ir e anunciar. “Trata-se de um ir ao encontro do mundo de forma desarmada, de braços abertos com o coração cheio de amor que vem de Deus. Significa correr riscos e enfrentar os desafios da pluralidade, do diferente, das cosmovisões, cultura, ciência, entre outros”. Segundo o bispo é preciso “encarnar-se nessa realidade e anunciar. E anúncio, mais do que discurso é envolvimento”. Dom Francisco lembrou ainda, as palavras de São Francisco de Assis que diz: “primeiro vivo e depois se necessário prego”. E finalizou: “Anunciar significa envolver-se, correr o doce risco de encontrar a diferença e a beleza da pluralidade”.

Mateus 16, 21-28: Existem discípulos e discípulas? Um olhar diante do espelho da fé a partir das palavras de Jesus - P. Robson Luís Neu

O Evangelho de Mateus surgiu possivelmente por volta dos anos 80-95 d.C., depois de mais de 50 anos de tradição oral sobre o movimento de Jesus de Nazaré, que se mantinha viva nas comunidades cristãs da Galileia, Síria e Antioquia.

Com o decorrer dos anos, a tradição eclesial deu ênfase a uma sentença de Jesus a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.” (Mt 16,18) Esta sentença surge depois de uma bela confissão de fé de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16,16) Essa é uma das mais precisas definições e confissões teológicas a respeito de Jesus, conservada na memória das comunidades através do Evangelho. A partir da sentença de Jesus, parece-nos que a proposta para o discipulado passa pela hierarquia. Contudo, outros textos mostram que não. Os versículos 21 a 28 justamente mostram uma comunidade igualitária, em que discípulos e discípulas estão no mesmo nível, inclusive Pedro. Assim são chamados a servir, sem uma estrutura hierárquica, sem opressores e oprimidos.

Terra entra no ”vermelho” de seus recursos naturais até o final do ano

Desde a ECO-92 no Rio, a ONG Global Footprint Network vem calculando todos os anos o dia em que a pegada ecológica da humanidade ultrapassa a “biocapacidade” do planeta, ou seja, sua capacidade de reconstituir seus recursos e absorver os resíduos, inclusive o CO2.

Em 2014, esse “dia de sobrecarga” foi terça-feira (19). A partir de 20 de agosto até o final do ano, a humanidade estará vivendo em uma espécie de “crédito”: para continuar a beber, comer, se aquecer, se locomover, produzir, vamos superexplorar o meio natural, comprometendo sua capacidade de regeneração, tirando dos estoques derecursos naturais, como os de peixes que já são sobre-explorados, e poluindo ainda mais, sobretudo ao acumular CO2 na atmosfera, um dos principais gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento climático.

Dívida ecológica

Essa “dívida ecológica” não para de aumentar. O “dia da sobrecarga” tem chegado cada vez mais cedo. Em meados dos anos 1990, ele caía em novembro. Em 2000, foi em 1º de outubro.

Plebiscito Constituinte - Participe!!

Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito. Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos. O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.

COMO VOTAR?


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Leituras bíblicas - Roberta Soares

Quinta-feira última (21 de agosto de 2014) estive no CEBI-ES (Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo), no Centro de Vitória. Um ou dois anos atrás minha amiga Tereza Cogo havia me contado, com entusiasmo, sobre o estudo do livro de Rute. Guardei aqueles relatos orais na memória e no início dessa semana perguntei a ela se ainda fazia algum curso lá. A resposta foi sim. Estavam estudando o evangelho de João. Então me convidei, o que a deixou feliz, e a mim também. Gosto da leitura da Bíblia, de imaginar como eram os espaços narrados. De refletir sobre a humildade de personagens como José (invejado e humilhado pelos irmãos, mas continuou sua vida: esperou o tempo passar, trabalhou, interpretou sonhos, construiu sua família). Procuro às vezes pensar o que posso aprender com isso.

Chegando ao CEBI-ES cumprimentei as pessoas que lá estavam e recebi um folheto que diz objetivamente a que ele se propõe: “é formado por pessoas comprometidas com a leitura popular e libertadora da Bíblia. Esse jeito de ler e interpretar os textos bíblicos busca unir o contexto dos livros da Bíblia com a realidade social, econômica, política, cultural e religiosa do nosso tempo, alimentando e fortalecendo a utopia de uma nova sociedade. Sua prática abrange as dimensões ecumênica, ecológica, de gênero, da espiritualidade e das relações étnico-raciais. O objetivo central do CEBI é fazer ecoar a palavra de Deus na vida das pessoas e na caminhada de fé das comunidades”. 

"O amor será nosso maior testemunho”, afirma pastora luterana

O Simpósio Ecumenismo e Missão - Testemunho Cristão em um Mundo Plural, além de criar um ambiente de convivência e diálogo é um momento forte de reflexão e partilha à luz da Palavra de Deus. Promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o evento reúne nos dias 21 a 24, cerca de 100 pessoas entre leigos(as), consagradas e ordenadas nas diversas Igrejas cristãs, em Vargem Grande Paulista (SP).

Na manhã deste sábado, 23, a pastora luterana Dr. Wanda Deifelt, professora de teologia no Luther College em Decorah (IA) – EUA, fez uma leitura sobre metodologias missionárias a partir dos Atos dos Apóstolos. Acredita-se que o livro foi escrito entre os anos 80-90 pelo mesmo autor do Evangelho de Lucas e narra o nascimento, crescimento e desenvolvimento da igreja. Segundo a professora, o texto apresenta desafios e possibilidades para a missão.

Celebração da diversidade abre Simpósio Ecumenismo e Missão

Teve início na noite desta quinta, 21, no Centro Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista (SP), o Simpósio Ecumenismo e Missão – Testemunho Cristão em um Mundo Plural. “Estamos aqui para descobrir a unidade na pluralidade e refletir os desafios da fé cristã”, disse dom Francisco de Assis da Silva, bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, na celebração da diversidade que abriu o encontro.

“Esperamos sair daqui animados e fortalecidos na unidade, prontos para dizer ao mundo plural que nós compreendemos e amamos a pluralidade”, almejou o bispo ao acolher os participantes.

Promovido do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), em parceria com a PUC-PR e as comissões de Ecumenismo, Laicato e Missão da CNBB, o evento reúne cerca de 100 pessoas entre leigos(as), consagradas e ordenadas nas diversas Igrejas cristãs, estudantes de teologia e convidados.

Estudo do Tema do Mês da Bíblia

olá!

fizemos dia 16 de agosto de 2014, de 08:30 às 17:00, na nossa sala, um estudo sobre o tema do Mês da Bíblia. Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Mateus. "Ide fazer discípulos e ensinai! (Mateus 28, 19-20). 

Agradecemos a todos e todas por esse momento de partilha e aprendizado.

Clique aqui e veja as fotos desse encontro.

Mt 16.13-20: Converter-se é “buscar o rosto do Senhor” diante de nossos irmãos - João Artur Müller da Silva

1. Primeiros pensamentos

A perícope de Mt 16.13-20 é sugerida como texto-base para a elaboração da prédica para o 11º Domingo após Pentecostes. Esse domingo será o dia 24 de agosto de 2014, um domingo como outro qualquer, sem uma distinção especial. Nesse aspecto reside a oportunidade para eleger dentre os temas que esta perícope oferece aquele que mais ouvidos e mentes abertas encontrará em sua comunidade.

Os textos que acompanham Mt 16.13-20 servem como fonte para a reflexão do/da pregador/pregadora. Como um aperitivo para estimular essa reflexão, compartilho o seguinte:

O Salmo 138 destaca a misericórdia e a verdade nas atitudes de Deus. O salmista confessa, a partir de sua experiência, que Deus é fiel e ouve suas súplicas. Ao final, o salmista sente-se parceiro de Deus em sua obra, mas reconhece que sem Deus não conseguirá levar “a bom termo” a obra de Deus. Já aqui podemos afirmar que a Igreja é essa obra de Deus. No entanto, ele necessita de nossa ação para realizar sua missão de vida no mundo. Também hoje, sem a força de Deus, a Igreja não realiza sua tarefa.

"Deixa meu povo ir!" Semana Mundial pela Paz na Palestina/Israel - 21-27 setembro 2014

O Fórum Ecumênico Palestina Israel (PIEF) do Conselho Mundial de Igrejas convida as igrejas membros, comunidades religiosas e organizações da sociedade civil de todo o mundo para que se unam em 2014 para uma semana de advocacia e ação em prol do fim da ocupação ilegal da Palestina e uma paz justa para todos na Palestina e em Israel. Congregações e indivíduos em todo o mundo que compartilham a esperança de justiça devem se unir durante a semana para desenvolver atividades e medidas pacíficas, em conjunto, para criar um testemunho público internacional comum. 

O tema da semana de 21-27 setembro de 2014, é: "Deixe meu povo ir!" com especial atenção para o dramático problema de crianças, homens e mulheres da Palestina que são prisioneiros políticos em Israel sem garantia de direitos e diversos mecanismos de violência. 

Como participar:

Mateus 16,13-23: A Comunidade de fé: Pedra de apoio ou pedra de tropeço? - Lopes, Mesters e Orofino

Na reflexão que preparamos para o próximo domingo, aparecem muitas opiniões sobre Jesus e várias maneiras de se expressar a fé. Pedro, por exemplo, tem opiniões e atitudes tão opostas entre si que parecem não poder caber na vida de uma mesma pessoa. Hoje, também existem muitas opiniões diferentes sobre Jesus e várias maneiras de se viver a fé, tanto dentro da gente como na comunidade.

1 Situando

1. Estamos na parte narrativa entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o Sermão da Comunidade (Mt 18). Geralmente, nestas partes narrativas que ligam entre si os cinco Sermões, Mateus costuma seguir a sequência do Evangelho de Marcos. De vez em quando, cita outras informações, também conhecidas por Lucas. E aqui e acolá, traz textos que só aparecem no Evangelho de Mateus, como é o caso da conversa entre Jesus e Pedro do texto de hoje. Este texto recebe interpretações diversas e até opostas nas várias igrejas cristãs.

80 anos de Irmã Luiza




69/70 anos da bomba atômica sobre o Japão: a arma da autodestruição da espécie? - Leonardo Boff

Passaram-se 69/70 anos do maior ato terrorista da história que foi o lançamento de duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Não eram armas contra exércitos, mas armas de destruição em massa, de civis, mulheres, crianças, animais, vegetação, de tudo o que vive. O copiloto Robert Lewis vendo a devastação, assustado exclamu: ”Meu Deus, o que fizemos”? O impacto foi tão demolidor que o imperador Hiroíto logo se rendeu também por este argumento:”para evitar a total extinção da civilização humana”(P. Johnson,Tempos modernos 1990,357). Ele captou sabiamente: a partir de agora não precisamos mais que Deus intervenha para pôr fim à nossa história. Nós nos demos os instrumentos que nos podem autodestruir. Como disse Sartre:” nós nos assenhoreamos de nossa própria morte”.

No final de sua vida, o grande historiador inglês Arnold Toynbee (+1975), depois de escrever muitos tomos sobre as grandes civilizações, deixou consignada esta opinião sombria em seu ensaio autobiográfico Experiências de 1969: “Vivi para ver o fim da história humana tornar-se uma possibilidade intra-histórica capaz de ser traduzida em fato não por um ato de Deus mas do homem”.

Bióloga: ''Queridos filhos, adeus, vou curar o ebola''

No fim de maio, a bióloga Concetta Castilletti abraçou os dois filhos adolescentes, cumprimentou os colegas do hospital romano Spallanzani e partir para ir ao encontro do ebola. Dois aviões de linha e um Piper instável a levaram até Guéckédougou, na Guiné, o primeiro e mais letal foco da epidemia, o coração das trevas: naquele dia, já havia 241 mortos contabilizados.

A reportagem é de Michele Concina, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 11-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Guéckédougou é uma cidade muito pobre, cercada pelas florestas, a um passo da fronteira com a Libéria e Serra Leoa. Foi a sua posição que fez dela o terreno de cultivo e de difusão ideal para todo tipo de bacilo e vírus. As guerras civis nos dois países adjacentes, além de deixar ao menos 500 mil mortos, puseram em fuga 2,5 milhões de refugiados.

Cartilha Eleições 2014 está disponível para consulta e impressão

A Cartilha Eleições 2014, com o tema Seu Voto tem Consequências: um novo mundo, uma nova sociedade, está agora disponível para todos para consulta e impressão. Assim, toda a sociedade poderá utilizar o material, de grande importância para preparar o cidadão para as eleições deste ano. Clique aqui para acessar a Cartilha

A peça foi produzida pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da Arquidiocese de Belo Horizonte e PUC Minas e pelo Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, o Iser Assessoria e a Comissão Brasileira Justiça e Paz.

Apresentada durante a 52ª Assembleia Geral da CNBB, ocorrida de 30 de abril a 9 de maio, em Aparecida (SP), e entregue aos bispos de todo o Brasil, a cartilha impressa pode ser adquirida pelo site www.cpp.com.br ou pelo telefone 0800.703.8353. Além da cartilha, o Nesp está produzindo uma série de seis vídeos, intitulada Eleições 2014: voto no Brasil. 

Mateus 15,21-28: Escutar Deus onde a vida clama

No domingo passado vimos como Jesus dominava as forças do mar. Porém, nas suas andanças pela sua terra natal, ele também fez uma coisa ainda mais difícil. Ele ultrapassou fronteiras humanas, fronteiras de raça, religião e preconceito.

A história de Cananéia, narrada no evangelho de hoje está cheia de detalhes que podemos refletir.

A região de Tiro

Tiro é uma cidade com ambição de domínio e com grande poder. Desde sua origem até o período romano, havia uma luta do povo fenício sobre as terras da Galileia. Tiro pode ser considerada uma cidade rica e economicamente estável. Mas, ao lado desta realidade, também há pobreza. O diálogo acontece entre os pagãos e os judeus.

Jesus anda em território pagão, perto de Tiro e Sidom. Nesse lugar é normal encontrar-se uma mulher "cananeia". Ela mora numa região de pagãos. Eles não são semitas, não são israelita nem seguem a religião judaica. Mas ela chama Jesus de "Filho de Davi", que é o título messiânico israelita por excelência. Podemos pensar que ela está tão profundamente angustiada que se humilha até invocar o Messias dos israelitas. "E partindo dali foi para a Região de Tiro..." (7,24a).

Mateus 15,21-28: O encontro de Jesus com a mulher siro-fenícia - Odja Barros

A situação retratada no texto de Mt 15,21-28 parece ser uma realidade de conflito nas comunidades daquele tempo, provocada por atitudes discriminatórias de judeus para com estrangeiros e para com mulheres. O relato fala do encontro de Jesus com uma mulher estrangeira. 

Naquela época, os estrangeiros significavam algo detestável no pensamento dominante em Israel. Apesar de as tradições ancestrais mostrarem a necessidade de oferecer proteção aos estrangeiros, o judaísmo hegemônico no pós-exílio os considerava impuros, bem como uma ameaça por serem desconhecedores da lei e perturbadores da tranquilidade de Israel. Reprovava seus costumes, suas tradições e seus ritos. Em Mt 15,21-28, Jesus rompe fronteiras e se aproxima do território de Tiro. A situação era muito tensa, pois Jesus se encontra junto a terras estranhas e, ali, o seu primeiro encontro é com uma cananéia, considerada duplamente impura por ser mulher e por ser estrangeira.

Energia a que preço? - Frei Betto

O Plano Decenal de Energia prevê, como prioridade, até 2022, a construção de hidrelétricas. Hoje, o Brasil dispõe de 125 mil MW (megawatts). O Plano estabelece a incorporação de mais 60 mil MW, sendo 35 mil oriundas de 35 hidrelétricas de grande porte a serem construídas, e dezenas de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas).

Tais empreendimentos atingirão, segundo o Governo Federal, 62 mil pessoas. Tudo indica tratar-se de um número subestimado. Duas hidrelétricas, a de Marabá e a de Belo Monte, causarão transtornos para uma população numericamente maior. Hoje, em todo o Brasil, os atingidos por construções de barragens são calculados pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) em 1 milhão de pessoas. E mais 250 mil serão afetadas pelas obras previstas no Plano Decenal, que prevê investimento de R$ 100 bilhões e o alagamento de 650 mil hectares. Cerca de 80% do potencial hídrico planejado será em rios da Amazônia: Tocantins, Xingu, Tapajós e Madeira.

Casa Comum: “buscai o bem da cidade” - Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

Está em processo de preparação Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2016. Focada nos problemas do saneamento básico, a campanha terá como tema a Casa Comum (no sentido do oikos) como responsabilidade de todas as pessoas. A iluminação bíblica será extraída da carta de Jeremias ao grupo que se encontrava em experiência de exílio: “buscai o bem da cidade” (Jr 29,17).

Estas e outras definições foram tiradas na Oficina Ampliada sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, coordenada pelo CONIC e realizada em Brasília nos dias 06, 07 e 08 de agosto.

O CEBI, membro fraterno do CONIC e a serviço das igrejas por meio da Leitura Popular da Bíblia, é parceiro na Campanha da Fraternidade Ecumênica. Gervásio Toffoli (foto ao lado), membro do Conselho Fiscal, foi indicado pelo Conselho Nacional para representar o CEBI no processo de preparação. A seguir o seu relato sobre a oficina.

O Templo, a Igreja e a política - Marcelo Barros

Nesses dias, a Igreja Universal do Reino de Deus inaugurou em São Paulo uma réplica do “Templo de Salomão”. Os jornais chamam a atenção para a suntuosidade da obra. Afirmam que a construção tem pedras trazidas de Israel e o altar e a arca da aliança são cobertos de ouro. O templo custou 685 milhões e pode receber 10 mil fiéis. Os comentários tocam nesses pontos, mas não se perguntam sobre o sentido disso tudo. Para que construir, hoje, um templo, concebido a partir de um modelo de mil anos antes de Cristo e a esse preço?

Não compete a ninguém julgar a fé de um crente, menos ainda de uma Igreja. Não é esse o objetivo dessas linhas. No entanto, podemos, sim, tirar de cada fato da vida uma lição para as nossas vidas e para nossas comunidades.

“A Igreja sempre fez política, porém, uma política de direita”. Entrevista com Leonardo Boff

O movimento católico da Teologia da Libertação, que defende uma Igreja para os pobres e ideais de justiça social, nunca foi bem visto pela Santa Sede. Vários sacerdotes foram inabilitados por seguir essa doutrina de dimensão sociopolítica, principalmente na América Latina durante os anos 70. O papa Francisco, para tentar desfazer este mal-estar histórico, deu o primeiro passo. Nesta semana, retirou a punição e solicitou a reintegração do sacerdote nicaraguense Miguel d’Escoto, de 81 anos, suspenso em 1985 por seu envolvimento com a Frente Sandinista, movimento político de seu país, de viés socialista.

A reportagem e a entrevista é de Beatriz Borges, publicada pelo jornal El País, 08-08-2014.

No Brasil, o teólogo Leonardo Boff, de 75 anos, foi outra vítima do conservadorismo da Igreja nos anos 70. Tudo porque ele apoiava a ideia de que a instituição precisava resgatar a origem e a vida de Jesus, que nasceu pobre e morreu por pregar seus ideais libertários.

Boff foi renegado pela Santa Sé de suas funções sacerdotais em 1984. Na época, a decisão foi do então cardealJoseph Ratzinger, responsável pela Congregação da Doutrina da Fé, um órgão criado para fiscalizar e punir os padres que não seguiam os preceitos mais tradicionais da Igreja.

Fundamentalismo: CMI pede ações urgentes no Iraque

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) emitiu um apelo urgente às Nações Unidas pedindo uma resposta imediata ao assassinato de cristãos e outros grupos por parte de militantes do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS).

O pedido, enviado ao secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, vem reforçar e ampliar o apelo urgente feito pelo Patriarca Caldeu da Babilônia, Louis Raphael Sako, que pediu ajuda aos cristãos da planície de Nínive, no Iraque, que estão fugindo de suas casas e comunidades depois de dois dias de ataques de morteiros feitos por militantes do ISIS.

O CMI também enviou uma carta às suas 345 igrejas-membro ao redor do mundo informando acerca da situação em Nínive e pedindo-lhes não apenas para orar e dar apoio humanitário ao povo do Iraque e Nínive, mas para pressionarem seus governos para que peçam o fim das agressões brutais do ISIS.

Mateus 14,22-33: Segura na mão de Deus! - Mesters, Lopes e Orofino

O texto da reflexão de hoje descreve a travessia no barco e a tempestade no lago. De vez em quando, há momentos na vida em que tudo parece dar o contrário. O medo nos assalta. Nada dá certo. Boa vontade não falta, mas já não adianta. Parecemos com um barco que vai afundando no mar.

1 Situando

1. Entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o da Comunidade (Mt 18), está novamente uma longa parte narrativa (Mt 14 até 17). O Sermão das Parábolas chamava a atenção para a presença do Reino nas coisas da vida. A parte narrativa mostra como este Reino está presente nas contradições da vida, provocando reações a favor ou contra. Um dos episódios narrados é a travessia no lago. Depois de ter reunido o povo no deserto (Mt 14,13-14) e ter instituído a mesa comum, por meio da partilha que multiplicou o pão, Jesus sente a necessidade de ficar a sós com o Pai. Ele manda os discípulos fazerem a travessia para o outro lado do mar, despede a multidão e sobe a montanha para rezar.

Eleições e os rumos da sociedade


Fonte: Informativo do Sindbancários do ES, nº 927.

A pulsão de vida do capitalismo é sua pulsão de morte: a acumulação

A pulsão de vida do capitalismo é sua pulsão de morte: a acumulação. É nesse sentido que o professor doutor Luiz Gonzaga Belluzzo, sustenta que Thomas Piketty, em O Capital no Século XXI – Le capital au XXIe Siécle (Paris: Seul, 2013), apresenta um argumento claro sobre a ineficiência do capitalismo para combater a desigualdade. “As alterações no desenvolvimento do capitalismo levaram a uma série de relações, dentre estas variáveis, que na verdade não dão dinamismo ao capitalismo. Ele demonstrou uma coisa muito importante, que a acumulação de riqueza no capitalismo não se faz ao largo dos critérios meritocráticos que muitos alegam ao justificar as diferenças de renda e riqueza. Ao contrário, uma boa parte da riqueza acumulada é gerada na herança. Isso é muito importante, pois pouca gente tinha formulado”, sustenta. “Em geral, os ideólogos do capitalismo dizem que ‘quem acumulou riqueza é porque mereceu’. Não, nada disso. Boa parte de quem acumulou renda o fez porque herdou. Isso permite que eles poupem mais e, desse modo, acumulem mais riqueza financeira ou material”, complementa.

Luteranos: intercessão pela paz entre Palestina e Israel

Para sentirmos a violência que fere, que deixa sequelas e até mesmo destrói vidas, não precisamos ir para o exterior. Em qualquer recanto do Brasil é essa a realidade. Infelizmente essa é a realidade. Chegamos ao ponto em que o noticiário coloca lado a lado os resultados dos últimos jogos de futebol e o número de pessoas assassinadas no final de semana. E a gente corre o risco de preocupar-se com o time que perdeu!

Acompanhamos com um grande aperto no coração o confronto entre Palestina e Israel. Diante disso, entendemos ser momento oportuno para, como Igreja, marcarmos presença sempre maior onde são desenvolvidas ações em favor da paz, buscando a superação da violência. Além disso, podemos orar, intercedendo pela paz.

Nossa cantoria na 3ª etapa do Curso Bíblia Caminho de Libertação

Plebiscito à vista! - Por Frei Betto

A maioria da população brasileira (89%) é favorável à reforma política, constatou pesquisa da Fundação Perseu Abramo. Como atingir esse objetivo?

A CNBB convocou uma centena de entidades da sociedade civil para propor o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política.

O projeto inclui a proibição do financiamento de campanha eleitoral por empresas. Hoje, nós votamos e o poder econômico elege! O financiamento deveria ser com recursos públicos e contribuição de pessoa física no limite de R$ 700.

No sistema atual, qualquer candidato pode ser financiado por empresas. Uma vez eleito, passa a defender interesses corporativos, e não da população.

Exemplos de aprovações que favorecem o lucro de empresas são a liberação dos agrotóxicos, a isenção fiscal ao agronegócio, os contratos de empreiteiras em obras públicas e a política de juros altos.

Simpósio Ecumenismo e Missão – Entrevista com Roberto E. Zwetsch

O Conselho Nacional de Igrejas cristãs (CONIC), juntamente com a PUC-PR e as comissões de Ecumenismo, Laicato e Missão da CNBB organizam, entre os dias 21 e 24 de agosto, o Simpósio Ecumenismo e Missão – Testemunho Cristão em um Mundo Plural. O evento será realizado no Centro Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista (SP), e reunirá 150 participantes. 

O objetivo da Conferência é refletir e identificar alternativas para a missão em um contexto de pluralismo religioso e de multiplicidade de sujeitos.

Pensando em aprofundar a discussão do tema, antes mesmo da realização do Simpósio, o CONIC fez algumas entrevistas com lideranças que estarão presentes no evento. Confira as respostas do professor Roberto E. Zwetsch – Faculdades EST.

Quais os principais desafios para a compreensão de Missão em um contexto plural?

A Coalisão Anglicana lança a Campanha Oceanos de Justiça para chamar a atenção sobre mudanças climáticas durante o encontro do G20

A Aliança Anglicana está junto com uma coalisão de igrejas e agencias anglicanas para fazer um chamado ao G20 para por em primeiro plano da agenda o tema das mudanças climáticas, quando se reúnam em Brisbane/Austrália em Novembro desse ano.

A Campanha Oceanos de Justiça reunirá vozes anglicanas desde o Pacífico junto com muitas outras das 85 milhões pertencentes a Comunhão Anglicana para ressaltar as mudanças climáticas e a segurança alimentar como temas prioritários para ação.

TagolynKabekabe, facilitadora da Aliança Anglicana para o Pacífico, lançou a campanha citando Amós 5:24, dizendo: “Sabem o que queremos? Queremos justiça, oceanos dela. Queremos justiça, rios dela. Isso é o que queremos. É tudo o que queremos.”

Neoliberalismoe fundos abutre - Emir Sader

Quando se esgotava o ciclo longo expansivo do capitalismo, se impôs o debate sobre as razões desse esgotamento e as formas de retomada do desenvolvimento econômico. Triunfou a renascida versão do liberalismo, vocalizada, em particular, por Ronald Reagan, que disse que haveria que suspender os limites à livre circulação do capital, haveria que desregulamentar a economia. O capital voltaria a circular haveria investimentos, as economias voltariam a crescer e todos ganhariam.

Promoveu-se a livre circulação do capital em escala global, mediante a abertura dos mercados nacionais, a privatização de patrimônios públicos, a mercantilização do que antes eram direitos, a precarização das relações de trabalho, a retração do Estado, a centralidade do mercado. Mas o que aconteceu foi diferente do previsto.

Curso Bíblia Caminho de Libertação

Olá!

O curso Bíblia Caminho de Libertação começou em 2013. Esse curso é composto de 10 etapas (encontros). São dois encontros por ano: dois finais de semana por ano. 

A terceira etapa do curso aconteceu nos dias 01, 02 e 03 de agosto. O tema desse encontro foi Exegese bíblica.

A exegese possui 3 tarefas: a primeira nos convida a entender o passado de um povo ou povos muito diferentes de nós, e a descobrirmos a sua experiência de fé. Só assim poderemos entender algumas coisas que achamos tão estranhas na bíblia; a segunda é nos dar elementos para percebermos qual a intenção de determinado texto quando foi escrito, ou seja, para os povos da bíblia, qual era o verdadeiro motivo que os levou a escrever aquele texto?; por último, ajuda as pessoas e grupos de fé de hoje a olharem suas opções a partir das descobertas nas duas tarefas.

No dia 15/11/14 nos reuniremos para continuarmos o trabalho de exegese iniciado nesse encontro. Nos vemos lá!

Clique aqui e veja as demais fotos desse 3º encontro.