Comissão de Direitos Humanos do Senado adere a movimento encabeçado por homens pelo fim da violência contra as mulheres

''É preciso combater todo tipo de violência contra a mulher'', frisou a senadora Ana Rita, que preside a Comissão

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado aderiu nesta quinta-feira (13) a um movimento nacional encampado por parlamentares do Rio Grande do Sul pelo fim da violência contra as mulheres. 

Deputados gaúchos que integram o grupo apresentaram, durante audiência pública, ações adotadas para combater atos de violência doméstica e familiar e sensibilizar homens para o problema, entre elas a campanha “Cartão Vermelho para a Violência contra as Mulheres”.

Para reforçar essa bandeira, o Congresso Nacional pode ganhar uma frente parlamentar nos mesmos moldes do grupo instalado no Rio Grande do Sul. As assinaturas já começaram a ser coletadas pela presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT) e os senadores Cristovam Buarque e Paulo Paim (PT-RS). Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Marcon (PT-RS) também apoiaram a criação do grupo.

Cultura da violência

O Brasil ocupar o 7° lugar entre os países que possuem o maior número de mulheres mortas, num universo de 84 países. A cada 5 minutos uma mulher é agredida, e em quase 70% das ocorrências o autor das agressões é o namorado, o marido ou o ex-marido. A representante da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Aparecida Gonçalves, lamentou os dados.

“Em 93% dos casos, as mulheres são assassinadas por maridos e companheiros. Desse total, 54% sofrem violência todos os dias. Isso é tortura”, criticou Aparecida Gonçalves, que apresentou informações coletadas pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do governo federal.

A presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-RS) observou que a cultura machista está impregnada não apenas em muitos lares como também no ambiente escolar. Ela reforçou que é preciso acabar desde cedo com uma noção de superioridade do homem em relação à mulher.

“Precisamos trabalhar uma mentalidade a partir da educação que construa uma relação de igualdade e assim possamos enfrentar e combater todo tipo de violência, não apenas a física, a psicológica e sexual, mas também a violência de impedir que as meninas possam cumprir determinadas atribuições”, disse Ana Rita.

Ana Rita conhece bem o problema, pois além ter presidido, em 2013, a CPI Mista da Violência Contra a Mulher, é senadora pelo Espírito Santo, Estado que lidera o ranking nacional de feminicídios. 

O último estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de setembro de 2013 - “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil”, mostrou que os homicídio de mulheres ocorrem em decorrência de conflitos de gênero, geralmente cometidos por um homem, parceiro ou ex-parceiro da vítima. Esse tipo de crime costuma implicar situações de abuso, ameaças, intimidação e violência sexual. 

Segundo o estudo, o Espírito Santo, figura como líder em taxa de homicídios de mulheres. O estudo, coordenado pela técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Leila Posenato Garcia, compreendeu os anos entre 2009 e 2011 e apontou que, nesse período, a taxa de feminicídios no Estado ficou em 11,24 mortes por grupo de 100 mil mulheres. A taxa do País no período ficou em 5,82 por 100 mil, quase a metade do Espírito Santo.



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