CEBI-AL: No Sertão, juntos e misturados

Resistência, palavra de ordem do Apocalipse, foi uma das marcas da viagem missionária realizada por 90 pessoas das diversas congregações da Igreja Batista do Pinheiro e por integrantes do CEBI. A atividade se realizou entre os dias 15 a 19 de janeiro.

“Batistas, assembleianos, católicos e agnósticos. Classes sociais das mais diversas, níveis intelectuais de extremos consideráveis, misturados num afã comum: levar o melhor de nós, de tudo de bom que Deus tem nos dado, para compartilhar com aquela gente tão amada.” O depoimento é de Bete, de Maceió-AL. Confira.

“Ser tão” corajoso/a, “ser tão criativo/a”, “ser tão resistente”

Toda a emoção vivida nessa viagem missionária para o sertão alagoano, eu resumi nessa frase, adaptação que a Pastora Odja fez com a palavra SERTÃO, trocando pela expressão SER TÃO: ser tão corajoso/a, ser tão criativo/a, ser tão resistente...

Lembrando que resistência é a palavra de ordem do Apocalipse, livro que estudaremos na escola bíblica esse semestre, a pastora fazendo uma analogia com o sertanejo, cuja palavra que o impulsiona para a frente, é a resistência.
"Pau de Arara", poeira, desafio e festa!
Começamos por Jacaré dos Homens, e já nos deparamos com alguns imprevistos. Eu particularmente fui logo abençoada, e creio que quem foi acolhida pela Socorro, vizinha do Pastor Ezaquiel, também se sentiu assim. A segunda parada foi em Palestina, depois Alto da Madeira, Paus Pretos, Machado de Cima e outros lugarejos que não lembro o nome.

Nos momentos de devocional, que aconteceram pela manhã, podemos expressar nosso sentimento, e em especial, os que vieram de outros estados, e pela primeira vez conheceram o sertão, não de ouvir falar, mas de sentir na pele a luta dessa gente tão sofrida. O calor insuportável, a falta de estrutura (pois ficamos em um colégio), o deslocamento em caminhões "Pau de Arara", transporte típico dessa região, os banhos de "cuia", nada foi capaz de tirar a alegria e o entusiasmo do grupo. E, pasmem, ninguém teve sequer uma dor de barriga, exceto alguns espirros e coriza da galera alérgica à poeira.

Nas águas do Velho Chico e como Agar, flor do deserto...

Entrando nas águas do Velho Chico
O passeio de barco, pelas águas do Rio São Francisco, até a Ilha do Ferro, foi magnífico. Parecíamos crianças embasbacadas com a paisagem de tanta beleza. Ouvimos histórias dos moradores locais, sentimos que a vida palpita naqueles rincões, tão esquecidos pelos nossos governantes. Cada culto realizado era uma confirmação de que Deus estava à frente desse projeto, de levar o evangelho de Jesus, a boa nova de esperança e salvação para os nossos irmãos e irmãs nordestinos.

Estava no grupo uma figura muito especial e amada por todos nós, Marcelino, um poeta apaixonado por literatura de cordel, que abrilhantava nossos momentos, com versos criados ali mesmo, inspirado naquele clima de comunhão e amor.

Oficina realizada na cidade de Palestina, espaço improvisado na Escola Estadual
As oficinas realizadas pela Pastora Odja e o grupo Flor de Manacá, com as mulheres, nos envolveram num clima de muita emoção. Foi comovente ouvir o testemunho de mulheres que se identificaram com a história de Agar, escrava de Sara, expulsa por ela e Abraão, carregando no colo o filho Ismael, para morrerem no deserto. Mas Deus, em sua imensa misericórdia, manda um anjo em socorro de Agar, impedindo sua morte e do seu filho. Agradecida por ter sido ajudada por Deus, lhe dá um nome: "O Deus que me vê". Agar foi chamada de flor do deserto. Nas mãos de Deus, nós podemos nos transformar em flores e habitar no seu coração. Essa foi a ideia que Vânia elaborou, na oficina de arte, onde as mulheres fizeram rosas de papel, que foram colocadas em um coração, também de papel, simbolizando o coração de Deus.

Entrar sem arrombar a porta: o livro do Apocalipse

No domingo de manhã, nos derramamos diante do que Deus havia reservado para nós, a partir da palavra do Edmilson Schinelo, católico, biblista do CEBI, que junto com sua esposa e filhos, aceitou o desafio de se misturar conosco, nessa aventura santa e desafiadora.

Apocalipse: Resistência como o Sertão
Num tempo recorde, Edmilson resumiu para nós a mensagem do Apocalipse, de forma tão especial que nos deixou desejosos/as de estudar esse livro, tão temido, por mim e creio, por muita gente. Ele nos dizia que precisamos "entrar sem arrombar a porta". Para isso, apresentou três chaves de leitura. A 1ª chave mostra que o Apocalipse é o livro do conforto e da esperança (ver Ap 1.17: 21.4); na 2ª chave, vimos que a terra é reflexo do céu, portanto, se a força do mal foi vencido no céu (Ap 12), será vencida na terra; 3ª chave: só existe um Senhor da História que é Deus”. Não dá para registrar aqui tudo que dele ouvimos mas creio que quem estiver lendo, será desafiado a ler o livro do Apocalipse com um novo olhar.

Juntos e misturados

Mulheres lavando roupa no São Francisco, na Ilha do Ferro
Está é a explicação para a expressão “juntos e misturados”. Juntos num mesmo lugar, mas misturados na forma de viver a fé e a espiritualidade. Ali éramos batistas, assembleianos, católicos e agnósticos; classes sociais das mais diversas, níveis intelectuais de extremos consideráveis, mas misturados num afã comum: levar o melhor de nós, de tudo de bom que Deus tem nos dado, para compartilhar com aquela gente tão amada.

Como posso reclamar da vida se Deus tem colocado diante de mim oportunidades como essa de viver a plenitude de tudo de bom que tem para nós? Eu teria todos os motivos do mundo para ficar em casa, remoendo meus "problemas", mas escolhi viver mais essa aventura maravilhosa. Momentos assim são eternos, serão sempre lembrados com muita saudade e nos trazem uma paz enorme.

Que Deus nos abençoe!

Bete, Igreja Batista do Pinheiro, Maceió/AL

Fonte: CEBI Nacional