“PARA CONSTRUIR UM ESTADO MAIS JUSTO”


Protesto pega Casagrande de surpresa na Conferência de Promoção à Igualdade Racial

''A manifestação era um pedido para construir um Estado mais justo, mas o senhor não percebeu isso. Mandou o BME pra cima da gente'', disse Feijão se referindo ao ato do dia 19 de julho.

José Rabelo, 26/08/2013 22:13 - Atualizado em 27/08/2013 11:31

O primeiro dos três dias (23, 24 e 25) da III Conferência Estadual de Promoção de Igualdade Racial, no Sesc Aracruz, norte do Estado, saiu da monotonia que quase sempre domina a cerimônia de abertura de um evento oficial. Uma manifestação inusitada surpreendeu as mais de 400 pessoas presentes à conferência e, sobretudo, o alvo do protesto: o governador Renato Casagrande (PSB). 

Na noite de sexta (23), uma dúzia de manifestantes vestidos ao estilo “black blocs”  (foto) – com camisetas amarradas no rosto – acompanhava a abertura da conferência disposta a abordar a “Democracia e Desenvolvimento Sem Racismo: Por um Espírito Santo Afirmativo”. A conferência é preparativo para o evento nacional, que acontece em novembro, em Brasília. 

Os manifestantes, mesmo imóveis e calados, criavam um clima de apreensão no auditório do Sesc Aracruz. “Acho que as pessoas imaginavam que iríamos sair quebrando tudo”, palpitou um manifestante. 

Apesar do protesto, o evento seguia os protocolos de praxe. A mesa de abertura estava composta pelo governador Renato Casagrande, a deputada federal Iriny Lopes, o deputado Roberto Carlos (ambos do PT), a subsecretária de Movimentos Sociais Leonora Araújo, uma representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR-PR), entre outras autoridades. A cadeira reservada ao representante dos movimentos populares, no entanto, estava vaga. 

O interlocutor da sociedade civil tivera um contratempo e a solução foi convocar um substituto de última hora. A partir daquele momento, as agruras do destino preparavam uma peça memorável para o governador. 

Luiz Inácio, do Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), foi anunciado para compor a mesa. No caminho ao palco ele ainda tentou explicar aos colegas que não havia preparado uma fala para conferência. Alguém sugeriu: “Improvisa”. 

Mal tomou assento, o representante do Fejunes foi convocado a falar. Ele pensou um pouco e iniciou sua fala dizendo que queria aproveitar o momento para fazer uma homenagem a um companheiro negro preso pelo governador Renato Casagrande, durante o protesto do dia 19 de julho, em Vitória. Disse olhando de soslaio para o governador, que imediatamente enrijeceu na cadeira. 

Os cerca de 250 delegados estaduais dos movimentos sociais que estavam na plateia não economizaram nas palmas de apoio à justa homenagem do representante do Fejunes, que se referia a Rafael Miranda, o popular Feijão. 

Luiz Inácio levantou a cabeça e mirou o olhar para um dos “black blocs” que estavam na turma do fundão. “Foi tudo de improviso. Sai andando em direção à mesa. À medida que andava fui tirando da carteira o alvará de soltura que carrego comigo para todos os lugares. Quando estava frente a frente com o governador, tirei a camiseta que envolvia meu rosto, olhei bem nos fundos dos olhos dele e disse: ‘A gente estava usando isto [a camiseta no rosto] para evitar isto’”, disse exibindo o alvará de soltura. 

“Mostrei o alvará para todos os integrantes da mesa e para a plateia. Disse ao governador que as prisões foram arbitrárias”. Feijão explicou que nunca foi de sair quebrando as coisas, mas também admitiu que não teve coragem de recriminar os manifestantes que optaram por essa forma de protesto. 

“Sempre que há conflito, os movimentos sociais são logo criminalizados. Quando o MST entra em luta por terras é criminalizado; quando os quilombolas põem fogo nos eucaliptos, em protesto pela ocupação de suas terras, são criminalizados. Esses conflitos que são recentes no meio urbano, e que também estão sendo criminalizados pelo Estado, são recorrentes no campo”, disse com o olhar fixo no governador, que permanecia calado. 

O representante do Fejunes tentou quebrar o semblante impassível do governador: “Peço que o senhor faça uma retratação, um pedido de desculpas ao nosso companheiro”, suplicou. 

O silêncio de Casagrande encorajou Feijão a continuar o desabafo. Sempre olhando para o governador, o ativista relembrou dos maus momentos em que passou na prisão. Disse que nenhum manifestante imaginava que passaria por tal situação. “Estávamos sendo tratados como presos políticos, pensei que isso não fosse mais possível nos dias de hoje. Achei que isso só acontecia na ditadura”. 

Feijão compartilhou com o público presente ao Sesc sua revolta com o sistema. “Percebi que mais de 90% das pessoas que estavam presas eram gente do meu povo [se referindo aos negros]. Essas pessoas, que também são criminalizadas, estão ali, na sua maioria, por que o Estado não promove políticas públicas para esse segmento da população: os pobres e negros”, protestou. 

Feijão ainda disse a Casagrande que o governo não conseguiu entender os protestos. “A manifestação era um pedido para construir um Estado mais democrático e justo. O senhor não conseguiu perceber isso. O senhor simplesmente mandou a BME pra cima da gente”. 

O militante do CDDH disse que tinha muito mais coisas para falar ao governador, "mas na hora é tanta emoção... Gostaria de ter falado, por exemplo, que num pude comemorar o aniversário de três anos do meu filho (21 de julho), porque estava preso", lamentou o jovem de 33 anos, que é casado e tem três filhos.

Antes de encerrar sua manifestação, o militante fez um pedido ao governador: “Gostaria que quando o senhor colocar a cabeça no travesseiro, pense no que quer para o nosso Estado”. 

As críticas do militante do Centro de Defesa de Direitos Humanos da Serra duraram mais dez minutos. Para o governador Renato Casagrande deve ter sido uma eternidade. 

“Foi tudo de improviso. Ninguém tinha combinado nada. Só mesmo o protesto de se vestir como ‘black blocs’. Confesso que quando estava na prisão pensei que um dia ainda teria a oportunidade de dizer algumas verdades para o governador. Só não esperava que esse dia chegaria tão rápido”. 

Quando Feijão caminhava de volta para o seu lugar, o grito das ruas tomou conta do auditório e deixou muita gente arrepiada: algumas por emoção, outras por medo: “Poder para o povo e o poder do povo, vai fazer um mundo novo. Poder, poder, poder!”

“Quando me aproximei do grupo, a galera foi descobrindo o rosto. Naquele momento, todo mundo queria mostrar a cara”.


Casagrande reage


Depois da constrangedora fala do representante do CDDH, muita gente pensou que o governador fosse sair à francesa. Mas Casagrande decidiu falar. 

O governador admitiu que sua assessoria recomendou que ele evitasse participar de atos públicos. Segundo Feijão, o governador fez uma fala confusa. “Acho que ele estava meio desnorteado. Perdido mesmo. Ele chegou a dizer: ‘Sabia que poderia sofrer protestos sobre as injustiças que fiz’. Eu entendi isso”, garantiu Feijão. 

Segundo o militante, o governador em seguida afirmou que era um homem corajoso para enfrentar aquela situação. “Depois ele começou a destacar as realizações do governo na área social. Mas, embora o Luiz Inácio tenha sugerido, o governador não teve humildade para pedir desculpas para mim e para todos os outros manifestantes que foram presos naquele fatídico 19 de julho”. 

CEBI-ES na Paróquia Santíssima Trindade





A partir do Evangelho da Comunidade de Lucas se descobrir como discípulo-missionário aprendendo no caminho com Jesus!

Boa notícia para as Comunidades de Vila Capixaba: no dia 03 de agosto de 2013, aconteceu o terceiro encontro de formação do Evangelho da Comunidade de Lucas com as Comunidades da Paróquia Santíssima Trindade em Vila Capixaba.  Foi um momento de aprofundar a Palavra de Deus iluminando nossa realidade.

A partir da encenação do texto bíblico de Lc 15, 11-32: os dois filhos e o Pai misericordioso, iniciamos fazendo memória do caminho percorrido por Jesus da Galileia à Jerusalém o ensinamento a seus discípulos e a nós hoje.  O Ministério de Jesus em Jerusalém foi o assunto principal desta tarde: o enfrentamento ideológico e o confronto com as autoridades, fazendo um paralelo com imagens dos confrontos dos nossos dias hoje: “com que autoridade o povo vai pras ruas?” A conversa gerou em torno dos conflitos do tempo de Jesus e os conflitos de hoje. “A nossa autoridade vem de Deus e vem também do povo” disse Sr. Antônio Batista da comunidade de Santa Cecília.

Encerramos o estudo com um momento orante formando uma corrente com tarjas de cartolina colorida, a exemplo do acolhimento da diversidade como nos mostra a Comunidade de Lucas.

Alguns depoimentos escritos nas tarjas que formaram os elos da corrente: “no meu ponto de vista, agora estou muito mais a par do caminho de Jesus, desde o seu nascimento, os seus ensinamentos com os discípulos, a sua simplicidade com o povo, o carinho com os pecadores”, “tive um maior conhecimento do caminho que Jesus percorreu para nos mostrar a fé, o amor, esperança e libertação”, “é um grande aprendizado”.


A data do próximo encontro é 09.11 onde encerraremos o estudo com o relato da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus e cada pessoa é convidada a trazer símbolos de morte e vida.

Ir. Ivonete (IMC)
 

APRESENTAÇÃO MUSICAL

Geografia Bíblica

 
Na noite de sexta feira, 23-08-2013, o CEBI-E.S. promoveu uma noite aberta  para conversar e conhecer um pouco mais sobre o  CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE” -  Israel  e Palestina.
Com assessoria de Ildo Bohn Gass (CEBI-R.S.) e com a presença de pessoas vindas de: Castelo, Linhares, Vila Velha, Cariacica, Vitória, Guarapari, Serra, São Leopoldo-RS.  
Nos dias 24 e 25-08-2013, os assessores e assessoras do CEBI-E.S. juntos com seus convidados e convidadas, seguiram fazendo o estudo da: “GEOGRAFIA BÍBLICA”, sempre com a assessoria de Ildo Bohn Gass. Momentos de muito aprendizado e novidades.
Agradecemos a participação de todas e todos nestes encontro e com data marcada para nos encontrarmos mais uma vez.




Por Uma Cultura do Bem Viver


Por Uma Cultura do Bem Viver

8º Encontro Estadual de Fé e Política/ ES


18 de agosto de 2013 - São Pedro - região tão querida da nossa cidade de Vitória do ES recebe o 8º Encontro Estadual de Fé e Política, que reflete a Cultura do Bem Viver – Partilha e Poder!

Aqui estivemos em mais de 300 pessoas, vindas de tantas cidades e vilarejos das nossas terras capixabas! 

Gente de São Mateus – quantos/as jovens com os corações ainda queimando pelo encontro com “Francisco”!

Gente de Cachoeiro do Itapemirim, irmãos/ãs de lutas, de utopias que sonhamos ver realizadas, na sintonia com nosso companheiro Carlão! Carlão: Presente, sempre! 

Ah, e veio também gente de Santa Leopoldina com a presença da companheira Assunta, que assunta sonhos, que é artista, mulher forte, trabalhadora do chão, da terra, habitante das matas lindas de nossa região serrana! Bem vinda, Assunta! Bem vindo povo Serrano! Assuntemos pela amizade, pela fé, pela esperança!

Colatina, Sooretama, Guarapari, Rio das Ostras... gente tão querida!

Contamos com as presenças de alguns/as representes políticos e também com as presenças de igrejas, no ecumenismo do encontro: anglicana, metodista e católica. Quem sabe possamos sonhar com mais presenças: do candomblé, do espiritismo, dos povos nativos. E que também estejamos a caminho de seus encontros. 

Também conosco o nosso povão de Vitória, da Grande Vitória! Que bom! Bem vindos/as!


E como não poderia deixar de ser, fomos acolhidos por São Pedro(s)!


Ah, era café da manhã! Que delícia!

O almoço: uma festa! Hora de por as nossas conversas e saudades em dia!


Ah, e também veio participar conosco ela, nossa irmã linda: a chuva! “Gotas de água da chuva: alegre arco-íris sobre a plantação!... Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão, e sempre voltam humildes pro fundo da terra... pro fundo da terra...

Terra... Planeta água!” (Guilherme Arantes)


Era água, era vento, era terra, fogo, barro, belezas, bolas de sabão no encanto de nossos/as crianças lindos/as!

Ah, era barco/ canoa, eram flores, era verde dentro e fora de nossa casa!


E veio Daniel Seidel, que emocionou a si e a todos/as nós... que nos ajudou a observar que precisamos calar para ouvir os tantos sons ao nosso redor, fora e dentro de nós... Que é preciso parar para refazer, para fazer...

E veio a Tânia, mulher, que colaborou com observações políticas desse momento que vivemos em solo capixaba. Valeu!


E celebramos a Fé e a Política, os sonhos e o chão que pisamos.

E cantamos!

E, emocionados/as, com a chama que reacendida, seguimos mais fortalecidos/as, alimentados/as, sabendo que a caminhada tem suas alegrias e seus desafios...

E foi o esforço coletivo que fez valer esse momento!


No giro da bela Roda d’água as tantas recordações...

Na integração viva e energética com mãe natureza... a saudade da Pacha Mama!

Na fila do povo, as denúncias, os desejos, as dúvidas, ...

Se faltaram bandeiras? Então levemos as nossas por onde formos e estejamos prontos/as a hasteá-las firmemente nos tempos necessários.


E celebremos a Vida!

O chão sagrado! Nosso chão sagrado!

O Bem viver sagrado!

O Bem viver é sagrado!



Raquel Passos

Cantora e Educadora Musical

Cariacica, Terça-feira, 20 de agosto de 2013.



Reflexão sobre "Os conflitos atuais na Terra de Jesus"