DOCUMENTÁRIO: CRUZANDO O DESERTO VERDE


http://blip.tv/armazm-memria-videoteca-da-luta-pela-terra-2/cruzando-o-deserto-verde-2347571

Documentário "Cruzando o Deserto Verde" é um documentário de lançado pela Fase, que teve repercussão nacional e internacional, tendo sido exibido em vários países da Europa, como Bélgica e Inglaterra. Nele, é narrada a vida das pequenas populações que habitam as regiões onde a cultura ribeirinha foi substituída pela monocultura do eucalipto. Ao todo foram 17 horas de material gravado e mais 100 horas de arquivos pesquisados pela equipe de filmagem, que percorreu as regiões localizadas entre o município de Aracruz e Eunápolis, na Bahia. Através de uma série de depoimentos de líderes religiosos, sindicais e comunitários, e de índios e quilombolas, o documentário mostra os crimes sócio-ambientais cometidos pela Aracruz Celulose durante os trinta anos de atuação no Estado, conforme ressaltou Ricardo Sá. Além de criar um banco de dados para futuras pesquisas sobre o assunto, o filme pretende sensibilizar a sociedade, mostrando o sentimento dessas pessoas, e atentar para os problemas ocasionados pelos extensos plantio de eucalipto. Os plantios dessa espécie exigem intensas aplicações de agrotóxicos, que contaminam o meio ambiente e colocam em risco a saúde humana...

João 16,12-15: Quando vier o Espírito da Verdade - Tea Frigerio

"A verdade vos libertará, libertará!" (cf. João 8,32). Palavras de um canto de alguns anos atrás. Palavras que cantávamos com paixão. Palavras que vieram à lembrança ao ler esta memória das comunidades dos discípulos e das discípulas amadas.

Com o canto, vieram umas interrogações:
•· O que Jesus ainda havia de dizer que não podiam suportar?
•· O que o Espírito da Verdade haveria de revelar?
•· Em que caminhos haveria de guiar os discípulos e as discípulas amadas?

Senti-me convidada e retomar o caminho desde o início do Evangelho desta comunidade.

De noite, Nicodemos, perplexo, havia perguntado a Jesus: Como um homem pode nascer de novo? Da água e do Espírito, que como vento sopra onde quer, ouves o ruído e não sabes de onde vem nem aonde vai... (cf. João 3,4-11). Parece que Nicodemos não compreendeu! 

Junto ao poço, a Samaritana desafiou Jesus: Onde adorar? Esta é a hora de adorar em Espírito e em Verdade... (cf. João 4,19-24). A Samaritana compreendeu, pois havia experimentado a hora em sua vida.

Espírito, Verdade, Hora são anéis da mesma corrente, a corrente do discipulado.

A hora de Jesus é a hora em está para deixar quem o segue pelo caminho. É sua presença que revela o Deus libertador, o Deus presente na Vida, na História. Esta hora tornara-se insuportável ao "mundo" e aos donos da "religião" que ele havia denunciado e que já o tinham condenado à morte (João 11,49-52).

A hora é agora em que Jesus, o Mestre, está para subir a uma morte violenta. Porém, eles e elas ainda não penetraram a realidade profunda do homem Jesus de Nazaré, aquele que revela o Pai.

Hora que se torna hora da consolação e da promessa da presença fiel e permanente do Espírito da Verdade. Espírito da Verdade que fala através da metáfora: "Quando a mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, dá a luz à criança ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um ser humano" (João 16,20-22).

O caminho do discipulado é o caminho de conhecer a hora, como a mulher conhece em seu corpo o mistério da "hora". A hora para a qual ela se preparou a vida inteira. A hora da espera, a hora da gravidez, a hora de dar à luz. A hora da dor e da alegria. A hora de ter nos braços a criança para acalentá-la, alimentá-la, amá-la. Hora de reter e de deixar ir. Hora de a comunidade adulta ser testemunha daquilo que experimentou, caminhando com seu Mestre, Belo Pastor (João 10,11).

O Espírito da Verdade, a Divina Ruah que conduziu o homem Jesus de Nazaré, será presença constante e fiel que fará brilhar sua experiência com Jesus de nova luz, que o levará a compreender e viver em plenitude a sua "hora".

A hora para Jesus:

•· Ele antecipa a hora por causa da necessidade da comunidade (João 2,4).
•· Anuncia a nova hora ao se encontrar com o diferente (João 4,21).
•· Identifica sua hora com a hora da mulher (João 16,21).
•· Vive sua hora como o grão de trigo que gera vida (João 12,23-26).

A hora de Jesus é a hora da cruz. A hora em que do seu coração vai jorrar sangue e água. A hora do brotar das águas para dar à luz o novo homem e a nova mulher, para dar à luz a nova comunidade.

A hora de Jesus se torna a hora da comunidade: "dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa... tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (João 19, 27.30).

A hora da comunidade, lá onde mulher e homem vivem o discipulado de iguais na diaconia:

•· No serviço da hora que transforma a água em vinho tornando a festa mais festa.
•· No serviço dos sinais que restauram a vida.
•· No serviço da universalidade do crer e do amar que bebe no poço da água viva.
•· No serviço da intrepidez, da ousadia que faz suas as palavras da confissão: Tu és o Cristo.
•· No serviço do bálsamo derramado, boa notícia de mulher até hoje.
•· No serviço da solidariedade aos pés da cruz que se torna amor de oblação que oferece e acolhe.
•· No serviço que busca, e no jardim encontra, reconhece, anuncia o homem e a mulher renascidas.

O Espírito da Verdade manifestará a sua glória que é a glória da hora. A hora do amor ágape que recorda - acorda - testemunha o seu mistério que é seu ministério:

Ministério da antecipação
Ministério da parceria
Ministério da dignidade
Ministério da diaconia
Ministério da profecia
Ministério do anúncio
Ministério da vida.

CEBI-ES em Muquiçaba




Iniciamos a caminhada 2013 do CEBI-ES em Guarapari nos dias 11 e 12 de maio. No sábado, dia 11, das 12 às 16h, nos encontramos na Comunidade Santa Luzia, em Amarelos, com os cursistas das comunidades católicas do interior da Paróquia São Pedro. Já no domingo, de 8 às 12h, foi a vez de partilharmos o início do Evangelho das Comunidades de Lucas com as Comunidades Católicas da cidade (Setor Muquiçaba), na Comunidade N. Sra. da Conceição.

Começamos nossa caminhada tentando rememorar, dois a dois, os desafios do nosso caminhar: na vida comunitária, social e familiar. Formamos um “varal” de principais desafios, para a partir dele e com ele, nos demais encontros, percebermos as semelhanças e diferenças dos desafios que as Comunidades de Lucas também enfrentavam.

Realizou-se uma introdução ao ambiente social, econômico, político, cultural em que as Comunidades de Lucas estavam inseridas. Percebeu-se que o local das Comunidades era a Ásia Menor, uma região muito diferente da Palestina, terra de Jesus. As Comunidades eram formadas de muitos pobres e alguns ricos. O Evangelho foi escrito nesse contexto, aproximadamente, na década de 80 EC, para comunidades um tanto desanimadas e medrosas. Isso foi percebido, nesse primeiro momento, pelo anúncio aos pastores (trabalhadores excluídos da época) do nascimento de Jesus, assim como no anúncio do nascimento de João Batista e de Jesus. Em todos eles o Anjo do Senhor diz: “não temais”.

Apesar da cultura machista ser dominante, pode-se perceber as mulheres buscando seu espaço na Comunidade, através do destaque dado a Maria e Isabel. Isso foi percebido pelos grupos de leitura que partilharam textos do capítulo 1, que só encontramos no evangelho das Comunidades de Lucas. 

Foi uma alegria rever os amigos de caminhada. O estudo terá continuidade ao longo do ano com mais três encontros sobre o Evangelho das Comunidades de Lucas, com a colaboração Bernadete, Fatinha e Claudeci.

Bons estudos!

Claudeci  Pereira  Neto

SOUC 2013

Aconteceram  ontem, 17-05-2013 as Celebrações pela Semana da Unidade dos Cristãos em Guarapari ,  Santa Maria, Domingo Martins e no Bairro Primavera, Viana.






Em Guarapari a Celebração aconteceu na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB, Pa. Rosane Pletsch,  com   participação da Igreja Católica Apostólica Romana  - ICAR,  presentes várias Comunidades da Paróquia São Pedro, o Diácono Oliveira e a Equipe de Canto da Comunidade Santa Rosa. A Igreja estava repleta de Cristãos e Cristãs de Boa Vontade que ao término da Celebração fizeram uma enorme, alegre e gostosa  partilha.

 
 
 
 
 

SOUC 2013


 Culto Ecumênico na Serra
 
 Aconteceu hoje pela noite, 15-05-2013, na Sede da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) em Laranjeiras, município da Serra, a segunda Celebração Ecumênica pela Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na Grande Vitória.
 Participarão do Culto a Igreja Católica Romana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida, Igreja Metodista e Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
 A IPU foi a responsável por acolher todos para este momento de oração. Por sua parte a Pregação esteve a cargo do Reverendo Ariel da IEAB (texto escrito a seguir). Um destaque especial cabe ao Coral da Igreja Luterana de Laranjeiras.
 Veja a Celebração em imagens no link.
 PREGAÇÃO – CULTO ECUMÊNICO DA SOUC 2013 NA SERRA
 Por Rev. Ariel Montero
Introdução.
 Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! (Salmo 133,1). Habitualmente cada um de nós celebra a fé na sua Igreja, que “milagre” maravilhoso que pessoas diferentes orem e reflitam juntas. Que sinal significativo do que um dia viveremos plenamente no Reino.
 A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano de 2013 foi preparada, para todo o mundo, em um lugar bem distante do nosso, na Índia, pelo Movimento de Estudantes Cristãos. Temos aqui o cartaz e o lema bíblico que nos convida a oração e reflexão: O que Deus exige de nós? (Miqueias 6, 6-8)
 Na preparação da SOUC ficou decidido que, num contexto de grande injustiça em relação aos dalits (párias) na Índia e na Igreja, a busca pela unidade visível não pode estar dissociada do desmantelamento do sistema de castas e do apelo às contribuições para a unidade dos mais pobres entre os pobres. Os dalits (párias), no contexto indiano, são as comunidades que são consideradas “sem casta”. São as pessoas mais afetadas pelo sistema de castas, que é uma forma rígida de estratificação social baseada em noções de pureza e impureza rituais; quase 80% dos cristãos indianos têm origem nessas comunidades. Esta reflexão feita na Ìndia pode ajudar a nós aqui na Serra e na Grande Vitória?
Ver nossa realidade.

Caso tivéssemos a coragem de nos perguntar aqui, no nosso contexto, se a busca da unidade entre os cristãos deveria ter alguma realidade de nosso povo que nos uma, o que poderíamos dizer? Desafio a cada um a fazer esta reflexão. Eu irei indicar três elementos que considero importantes. Também digo isto como morador deste município da Serra.
1)   Situação da juventude. Um dos maiores desafios que temos todos, cristãos e membros de outras tradições religiosas, é enfrentarmos a situação da juventude. Jovens que dia a dia são exterminados pela violência, pelas drogas, pela falta de possibilidades de um futuro digno.
2)      Situação da mulher. Moramos num Estado que tem um dos maiores índices de violência contra a mulher. Especialmente a violência doméstica tem índices assustadores entre nós. Não por acaso no mês passado ouve o lançamento do Botão do pânico!
3)      Situação do negro. Sim! Moramos em um município onde mais de 60% da população é negra (IBGE 2010). Porém, não temos nem instrumentos nem formação para eliminar a descriminação racial tanto social como institucional.
Vocês não acham que nossa reflexão, que nossa oração e sonho de um dia sermos um conforme o desejo de Jesus tem a ver com estas realidades de nosso cotidiano?
Julgar segundo a Palavra de Deus
 
Escolhi para esta celebração um conhecido texto do Evangelho de Mateus. Conhecemos ele como a profissão de fé de Pedro, Tu és o Messias, o Filho de Deus Vivo. Mas tem um detalhe a mais: no texto não só Pedro diz ou fala da identidade de Jesus. Jesus também diz a ele a sua identidade mais profunda, Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja. A dinâmica é dupla. Quando eu confesso a Jesus quem ele é, ele também me diz quem sou eu.
Onde confessamos nossa fé? Obviamente que temos instrumentos formais em nossas Igrejas para dizer no que cremos. Porém, nenhum de nós pode esquecer que, segundo a Palavra de Deus, há um lugar especial onde professarmos nossa fé: no nosso irmão, no outro que está ao nosso lado. Basta ler o capítulo 25 deste mesmo evangelho de Mateus para termos esta certeza: Tive fome e me destes de comer...
Portanto, também quando professamos no nosso irmão que está Cristo presente, Cristo nos diz nossa identidade mais profunda. Se para mim um outro é um Zé Ninguém, Cristo nos diz uma palavra, também nos diz o que somos. Quando pelo contrário, vivemos o compromisso pela construção da justiça com os outros, Jesus também nos diz quem somos e qual é a nossa identidade. A dinâmica de relacionamento com os outros é profundamente espiritual. Nela se define nossa crença em Deus.
 Atuar em consequência
A partir do partilhado até aqui penso em três elementos que podem nos ajudar em nossa prática cotidiana.
a)      Não nos acostumarmos com o extermínio dos jovens, com a violência, com a descriminação como se estes fossem meios normais de se viver. Temos o direito de dizer que estes elementos nos tornam menos pessoas!
 
b)      Fomentar entre nós a construção da cidadania. Só somos escutados pela autoridade pública quando organizados. Vamos nos comprometer com a participação nas instâncias que estejam ao nosso alcance para dizer o que pensamos e, assim, entre todos, construirmos uma cidade melhor.
c)      Afirmar e reclamar quando necessário a ação do poder público na defesa do jovem, da mulher e do negro. Não podemos permitir que os governantes cumpram seu período e nada mude! Nossa vida de fé também passa pelos políticos que escolhemos.
 Finalmente que neste momento de oração em comum proclamemos a vitória uma vez mais de Cristo sobre todos os poderes das trevas! Amém
Rev. Ariel Montero, IEAB, Vitória - ES

SOUC 2013

Celebração Ecumênica em Vitória




No marco da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, aconteceu em Vitória-ES, no dia de hoje, 14 de maio de 2013, às 19h30, a Celebração de Abertura da SOUC na Grande Vitória organizado pelo CONIC-ES. A Celebração contou com representantes da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Católica Romana (ICAR) e Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).




O Culto Ecumênico teve lugar na Sala do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI-ES). A IEAB foi a Igreja acolhedora, a pregação esteve a cargo da Diác. Ángela Lenke da IECLB. O Culto teve como destaque a participação do Coral da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (IPU).

Veja a Celebração em imagens no link.

Rev. Ariel Montero, IEAB, Vitória - ES
 



 

LUCAS 24, 46-53: Ascensão: tarefa nossa de levar adiante o Reino de Deus - Claudete Beise Ulrich

E tarefa nossa levar adiante o Reino de Deus que se mostra no Amor praticado.

Neste tempo especial da Ascensão e Dia das Mães, é o final do Evangelho de Lucas (Lucas 24.46-53) que nos inspira e nos convida à reflexão. A primeira parte do texto (Lucas 24.46-49) é uma breve interpretação da vida de Jesus numa perspectiva de continuidade da história. Os versículos 50 a 53 apresentam o evento da Ascensão propriamente dito, isto é, narram os acontecimentos que fazem a transição entre o fim da presença física de Jesus em meio aos discípulos e às discípulas e o começo da história da Igreja.

Assim está escrito 

O texto que conclui o Evangelho de Lucas convida para uma visão de conjunto de todo o evangelho, ressaltando que o testemunho da boa-nova é movido pela experiência de encontro com o Cristo vivo e ressurreto, celebrado em torno do partilhar do pão, da leitura das Escrituras e da missão que permanece para os discípulos e as discípulas: "pregar em seu nome (Cristo Jesus) o arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém".

Portanto, ser testemunha de Jesus é estar comprometido com a construção da paz, de uma profunda conversão diária, não só pessoal, mas também estrutural. Por isso, a importância de começar por Jerusalém. Jesus ressurreto anuncia: "Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder". A cidade de Jerusalém não é mero registro geográfico, mas é o lugar messiânico onde o evangelho inicia e desde onde as nações o receberão. Portanto, o medo será vencido pelo poder que virá do alto. Aqui o autor do Evangelho de Lucas já aponta para o acontecimento de Pentecostes, o qual podemos ler no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos.

Jesus abençoa e se despede

Jesus leva os discípulos e as discípulas até Betânia. Jesus se retira da presença de seus amigos e amigas em Betânia. Ali, acontecem momentos muito significativos e importantes na vida de Jesus. Em Betânia, ele tem duas amigas, Marta e Maria (Lucas 10.38-42), e o amigo Lázaro (João 11.1). Em Betânia, Jesus é ungido (Marcos 14.3-9). Dali, ele parte para a sua entrada triunfal em Jerusalém (Lucas 19.29-37). O momento da Ascensão de Jesus é reservado aos que testemunharam e acompanharam a sua tarefa e que deverão, de agora em diante, levar a sua mensagem de amor ao mundo todo. Jesus despede-se carinhosamente com a bênção. A bênção de Jesus, desta forma, é única. Jesus abençoa porque se cumpriu o tempo de servir, chegou o tempo de ser glorificado (Lucas 24.50): "Jesus erguendo as mãos os abençoou". O gesto de erguer as mãos lembra o servir. E a bênção transmitida por Jesus é a força presente para a caminhada e a ação daqueles e daquelas que vão levar adiante a sua tarefa. 

Jesus abençoa e se despede. A despedida de Jesus pode ser comparada com a visita de uma pessoa muito amiga e especial. Fica-se acenando até que se perca de vista a pessoa amada. Assim, penso que foi com a despedida de Jesus. Enquanto abençoava, afastava-se dos e das suas queridas. O tempo de Jesus na terra está encerrado, mas temos uma promessa: ele voltará. Porém, não estamos sós, pois nos enviou o poder do alto (realização de Pentecostes). O céu significa a participação plena de Jesus na vida de Deus. A Ascensão de Jesus, portanto, é descrita como um momento de enlevo também para os/as discípulos/as. Não há nada que descreva espanto, desorientação ou medo. A reação deles/as é de alegria e de louvor a Deus. Pareciam compreender perfeitamente o que estava acontecendo. 

Ascensão: leva ao louvor a Deus e encaminha para um novo viver

Nos versículos 52 e 53 lemos: "Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus". Não somente Deus merece adoração, mas também Jesus Cristo é adorado, glorificado. Depois do momento de bênção e despedida de Jesus, e como resposta dos/as discípulos/as o momento de adoração a Jesus, eles voltam a Jerusalém, cheios de alegria e júbilo. A alegria dos/as discípulos/as não é uma alegria qualquer, cotidiana. É uma alegria profética, intimamente ligada à confirmação de que Jesus é o Messias. Tudo aquilo que ele viveu, fez e anunciou é verdade. A superação de todos os males da condição humana e planetária é possível. Outro mundo é possível! A alegria é a alegria pela libertação: Jesus, o Cristo, venceu a morte, ressuscitou e agora está junto de Deus. Conclui-se o que o evangelista já tinha anunciado em Lucas 1.14: o anúncio do nascimento de Jesus foi motivo de alegria para todo o povo. De agora em diante, Jesus não está mais conosco como ser humano, mas vive-se da fé naquele que viveu e anunciou o Reino de Deus e que, erguendo-se da terra, confirma o seu poder alicerçado no amor. O louvor a Deus é consequência da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, que encaminha para um novo viver em comunhão na espera do cumprimento da promessa do envio do Espírito Santo (Atos 2.42,47).

Ascensão e Dia das Mães

Duas datas importantes e queridas em nossas comunidades no Brasil e em todo o mundo. Aqui na Alemanha, Ascensão é feriado nacional e acontecem muitas celebrações e cultos. No Brasil, a celebração da Ascensão muitas vezes é um tanto esquecida. Como não é uma data comercial, não se pode vender muita coisa. Então, trata-se de esquecer esta data tão importante para nós que cremos em Jesus Cristo. A despedida de Jesus, a sua glorificação diante dos discípulos e das discípulas, fortalece a esperança e a luta pela superação dos mecanismos de opressão, marginalização e morte. Jesus dá esta tarefa a nós seus seguidores e seguidoras. A Ascensão é o sinal definitivo de que Deus pode mudar a realidade, vencendo as limitações humanas e os poderes deste mundo. 

Essa esperança leva a celebrar. A celebração dá-se pelo ouvir a Palavra, partir do pão, louvor, agradecimento, reconhecimento, adoração, bênção, despedida. Assim, podemos também nós celebrar a Ascensão daquele que amamos e seguimos, Jesus Cristo. As comunidades que seguem a Cristo são também comunidades radicalmente acolhedoras e inclusivas, ecumênicas e comprometidas, pois, assim como os discípulos e as discípulas após a ressurreição, também entenderam que Deus põe-se do lado da Vida. 

Quando celebramos Ascensão, lembramos também que, no segundo domingo de maio, celebramos o Dia das Mães. Assim, lembramo-nos de todas as mães de nosso Brasil, do continente latino-americano e do mundo. A celebração é um momento central na vida e na luta contra todas as violências e sofrimentos que também muitas mães enfrentam em seu cotidiano. Jesus sempre esteve acompanhado de sua mãe em todos os momentos importantes do seu ministério, da sua vida, morte e ressurreição. Portanto, as mães acompanham com fé e amor a vida de seus filhos e filhas, sofrem com suas dores e sonham esperançosas com um futuro bonito para eles e elas. A memória da Ascensão lembra-nos da vida toda de Jesus e acende em nós a chama do compromisso de construir um mundo de paz, justiça e amor, em harmonia com toda a natureza e todos os povos. Agradecemos às nossas mães na fé que nos transmitiram estes ensinamentos e pedimos ao Trino Deus: Ajuda-nos, como mães, a transmitir adiante às futuras gerações: nossos filhos e filhas e aos filhos e filhas de nossos filhos e filhas, a alegria da Ascensão de Jesus: ele ressuscitou, venceu a morte, foi elevado aos céus e está junto com Deus. E nós não estamos sós, porque em 10 dias, será Pentecostes!

Claudete Beise Ulrich é pastora luterana, coautora do livro Maria de todas nós

Atualmente resido em Hamburgo, Alemanha, e lembro que iniciou no dia 01 de maio, dia do trabalhador e da trabalhadora, mais um Dia da Igreja Evangélica na Alemanha, com o tema "quanto você precisa para viver", baseado no texto de Êxodo 16.18 ("cada um recolhia quanto necessitava"). O dia da Igreja Evangélica na Alemanha realiza-se de dois em dois anos e reúne muitas pessoas (mais de 100.000), num colorido e numa diversidade impressionantes. Serão oferecidos mais de 2500 programas com temas de uma Igreja a Caminho, ecumênica, comprometida e solidária com a promessa de Vida abundante e justa para todas as pessoas e para nossa Terra. 

Lembro este importante evento, pois o Dia da Igreja Evangélica aqui na Alemanha realiza-se num período muito importante no calendário cristão, entre as celebrações da Ascensão e de Pentecostes. Um tempo especial na vida de cristãos e cristãs, onde somos lembrados de que Jesus ressuscitado, glorificado, ausenta-se e deixa para nós a tarefa de levar adiante em palavras e ações a tarefa do Reino de Deus.

AGRADECIMENTOS


A todas e todos que fizeram acontecer o ENCONTRO DE AMIGOS DO CEBI-ES 2013
Com  apresentação musical de Zé Vicente e Raquel Passos,  no  dia 04 de maio, iniciado as  20.30h, No Society Covre, em  Alvorada, V.V.
Aos PATROCINADORES, APOIADORES,  PONTOS DE VENDA,  EQUIPES DE SERVIÇO das Comunidades do bairro  Alvorada e do CEBI-ES, aos que venderam os ingressos e principalmente AOS QUE ESTIVERAM PRESENTES,  permitindo assim   a realização deste maravilhoso encontro.
Obrigado pela presença e colaboração.

CURSO DE VIOLÃO


Novos/as integrantes



Com a presença de novos/as estudantes, o curso de violão em parceria com o  Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo - CEBI-ES, segue bem animado! As aulas são realizadas sempre às quartas-feiras, às 18h30 na sala do CEBI-E.S. - São adolescentes, jovens e adultos que dão os primeiros passos no estudo desse instrumento musical tão apreciado pelo povo brasileiro: o violão! Esperamos que esse estudo gere bons frutos, com novos/as músicos/as que poderão contribuir nos espaços musicais das comunidades, movimentos sociais e atividades diversas.
O curso básico tem duração de 04 meses.

João 14, 23-29: Jesus faz morada conosco - Maria Soave Buscemi

O texto é a parte final do discurso de despedida de Jesus antes da sua paixão. É interessante que acabamos lendo e meditando este discurso no tempo no qual celebramos a Páscoa, a ressurreição de Jesus, sua vitória definitiva contra a morte. Este discurso de despedida começa no capítulo 13, depois da prática do lava-pés e continua nos capítulos 15-17.

Jesus se despede de seus discípulos e suas discípulas, mas, ao mesmo tempo, diz para a comunidade do seguimento o que devem fazer na espera de seu retorno. Nós também somos a comunidade do seguimento de Jesus que escuta esta palavra hoje. 

Na primeira parte do discurso de despedida Jesus nos indica o caminho que conduz a Deus que é Pai e Mãe. Na segunda parte do discurso Jesus fala da comunhão dele com sua comunidade. Na terceira parte deste capítulo 14 do Quarto Evangelho Jesus fala de sua partida e do dom da paz.

No discurso de adeus para os discípulos e as discípulas Jesus assegura que um dia estaria voltando. Agora percebemos que Jesus não fala mais para aquele grupo de discípulos e discípulas presentes na ceia, mas fala para a comunidade do Quarto Evangelho e para cada um e cada uma de nós hoje, partilhando de que forma podemos nos alegrar com a presença de Jesus neste tempo de separação. 

Somos pessoas chamadas ao discipulado do Filho que é Jesus para entrar em comunhão com Ele. Existe uma relação de amor que une a discípula e o discípulo ao Filho Jesus, e o Pai e o Filho aos discípulos. Se estamos na caminhada do discipulado de Jesus na construção do seu Reino, Jesus faz morada conosco e com Ele o Pai porque são uma só pessoa.

Morada é uma palavra repleta de sentido. No primeiro testamento morada por excelência era o Templo de Jerusalém (Sal 121,1; 131,3-14; Is 6; 60). Jesus, o Verbo de Deus pela sua Encarnação, cumpriu a promessa da Presença de Deus no meio da humanidade. Para o Quarto Evangelho a morada definitiva do Pai é a comunidade do seguimento do Filho. 

Judas Tadeu pediu para Jesus: "Senhor, porque te manifestarás a nós e não ao mundo?" Jesus responde agora a esta pergunta: o mundo são aquelas pessoas que recusam a proposta de Jesus e, com esta recusam a pessoa de Deus Pai. A presença do Filho e do Pai está estritamente ligada à escuta e à prática da Palavra de Jesus que é a palavra do Pai. Jesus diz para a comunidade do seu discipulado que virá o Espírito Santo Consolador que o Pai enviará em nome de Jesus. 

O Pai, o Filho e o Espírito são a mesma Pessoa no Amor. O Espírito Santo será quem ensinará e fará recordar. Ensinar, na Bíblia este verbo significa muitas vezes interpretar autenticamente as Escrituras e atualizá-las no tempo presente. Porém, no Evangelho de João existe uma novidade: o Espírito Santo Consolador ensinará, não só as Escrituras, mas a Verdade, tudo o que Jesus comunicou ao Pai, a mesma Pessoa de Jesus e do Pai! O Espírito Santo não só ensina, a Divina Ruah, faz recordar, faz voltar ao coração o profundo sentido de cada acontecimento à luz da vitória da Ressurreição sobre todo forma de morte. 

Esta experiência de conseguir interpretar não só o tempo passado mas o presente não é dom para uma pessoa, mas para uma comunidade. O Espírito Santo, a Divina Ruah, faz da comunidade o lugar privilegiado da revelação da pessoa do Pai em Jesus.

Ao término de seu discurso, Jesus volta a falar ao tempo presente para a comunidade dos discípulos e das discípulas que irão vivenciar sua paixão e morte. Para esta comunidade é a Paz de Jesus. O texto do Evangelho não está falando aqui do dom da paz, da tranquilidade ou da ausência de conflitos. Jesus não deseja a paz, ele doa a sua Paz. 

A Paz de Jesus é a presença do Pai no Filho! Sabemos que também de "pax" de paz falava o império romano. Esta "pax" era fruto de opressão, de violência e de impostos que tiravam toda a vida do povo, sobretudo dos mais empobrecidos. A comunidade do evangelho de João insiste em dizer que a paz na pessoa de Jesus e no seu projeto que é o Reino nunca vai ser a paz do mundo dos opressores! Mas a certeza de estar no Filho e no Pai no ensino e na recordação do Espírito Santo Consolador faz com que a comunidade não tema nenhum tipo de violência e perseguição. 

A comunidade do Quarto Evangelho nos diz que a partida e a nova vinda de Jesus na ressurreição são duas facetas do mesmo acontecimento. Para a comunidade do Quarto Evangelho é importante fazer esta memória de Jesus para que a comunidade pudesse compreender a paixão de Jesus no seu sentido pleno e não como uma derrota, como uma traição por parte de Deus. 

Maria Soave Buscemi é biblista do CEBI. 

SOUC 2013


Celebração de abertura