João 13, 31-35: Amem-se uns aos outros - Tomaz Hughes e Carlos Mesters

O texto situa-se no contexto do último Discurso de Jesus, na Ceia Pascal. Começa logo após a saída de Judas para trair Jesus, depois que Jesus lhe disse "o que você pretende fazer, faça-o logo" (Jo 13, 27). Com a licença oficial dada ao agente de Satanás para iniciar o processo que iria matá-lo, Jesus começa o processo da sua glorificação.

A sua fidelidade ao projeto do Pai vai levá-lo à Cruz, que, no Quarto Evangelho, não é um sinal de derrota, mas da vitória última e permanente de Deus. Por isso, a morte de Jesus, aparente vitória do mal, será a glorificação de Jesus, e nele, do Pai. O anúncio da sua partida, para os judeus uma ameaça (v 33), é para a comunidade dos seus discípulos um momento de emoção e carinho. A sua última dádiva a eles é um novo mandamento: "eu dou a vocês um novo mandamento: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros."(v 34).

O que há de novo neste mandamento?

O que diferencia a proposta de amor de Jesus e dos seus seguidores de outras propostas já conhecidas? O mundo do tempo de Jesus, tanto na sociedade pagã como judaica, conhecia propostas de amor mútuo. O mandamento de Jesus é novo em primeiro lugar porque ele se impõe como exigência essencial para entrar na comunidade "escatológica".

Essa é a comunidade que já experimenta a presença do Reino de Deus, mesmo que ainda espere a sua plena realização, ou seja, uma comunidade que experimenta a salvação já realizada em Jesus, enquanto ainda experimenta a sua situação permanente de fraqueza. Também é novo, porque não se fundamenta nas leis sobre o amor, da tradição judaica (p. ex. Lv 19, 18, ou os documentos do Qumrã), mas na entrega de si, de Jesus.

O modelo deste amor é o exemplo do próprio Jesus "assim como eu vos amei!". E como ele nos amou? Entregando-se até a morte, para que todos pudessem "ter a vida e a vida plenamente" (Jo 10,10). Este amor não é sinônimo de simpatia ou sentimento de atração. Exige humildade e a disposição para o serviço que leva a morrer pelos outros.

Este "morrer" normalmente não se expressa através duma morte literal, mas morrendo diariamente ao egoísmo e à busca do poder dominador, para que sejamos servidores, especialmente dos mais humildes, ao exemplo do Mestre que "não veio para ser servido, mas para servir" (cf. Mc 10,45).

Este amor e tão fundamental para a comunidade dos discípulos de Jesus que deve ser tornar o seu sinal característico: "assim todos reconhecerão que vocês são meus discípulos" (v. 35). Mais do que uma lista de doutrinas, mais do que práticas litúrgicas ou rituais, embora essas tenham o seu lugar e a sua importância, é o amor mútuo e concreto que deve distinguir os discípulos de Jesus.

Atos dos Apóstolos nos lembra que "foi em Antioquia que os discípulos receberam, pela primeira vez, o nome de "cristãos". (At 11,26). Receberam uma nova designação, da parte dos outros, porque a sua maneira de viver era marcadamente diferente das outras comunidades religiosas da cidade - era marcada pelo amor mútuo.

O Evangelho de hoje nos convida para que honestamente nos examinemos a nós mesmos, para verificar se este amor-serviço ainda é a marca característica de nós, discípulos/as de Jesus, na nossa vida individual e comunitária!

O Livro da Glorificação e a hora de Jesus*

O Livro da Glorificação e a hora de Jesus (Jo 13,1 a 20,31) é chamado assim porque mostra a realização plena de tudo que Jesus vinha prometendo enquanto fazia os sete sinais nos capítulos anteriores. O Livro da Glorificação começa com esta frase: "Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13,1). Finalmente. checou a hora de Jesus ser glorificado pelo Pai (Jo 12,23.27-28; 13.31; 17,1) e de de nos revelar o verdadeiro rosto do Pai, que é o Amor (Jo 4,8.16). A frase mostra que Jesus está disposto a levar até o fim sua obra de revelar o amor do Pai. A hora de Jesus é a hora do seu retorno para o Pai.

Como esta hora foi fixada pelo próprio Pai, ninguém sabe o momento exato em que ela acontecerá. Por isso, no Evangelho de João, na medida em que vamos acompanhando a caminhada de Jesus cresce o suspense com relação à chegada da hora de Jesus. Este suspense atinge seu ponto máximo em Jo 7,1: "Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho para que teu Filho te glorifique!"

A dinâmica do texto do Quarto Evangelho vai preparando o leitor para que ele mesmo possa descobrir o momento certo da chegada desta hora. O suspense começa nas bodas de Cana. Diante do pedido de sua mãe. Jesus diz que sua hora ainda não chegou (Jo 2,4). Mas a atuação de Maria mostra que a caminhada em direção à hora já foi iniciada e os sinais começam a surgir. Diante da samaritana Jesus diz que "virá a hora - e é agora - em que surgirão os verdadeiros adoradores do Pai" (Jo 4,23). Os sinais de Jesus aumentam o suspense. Por duas vezes, os inimigos querem prendê-lo, mas ainda não tinha "chegado a sua hora", e a prisão não acontece (Jo 7,30 e 8,20). Para o evangelista não são os inimigos, mas sim o Pai quem determina a hora de Jesus. Quando chegar a hora da eles ação do Filho do Homem, acontecerá, ao mesmo tempo. a glorificação de Jesus e a derrota de seus adversários (Jo 12,31-32).

Os sinais feitos por Jesus levam seus inimigos a planejar sua morte (Jo 11.45-54). Jesus sabe então que sua hora está chegando (Jo 12, 23.27; 13,1:16,32). A tensão entre ele e seus adversários culmina na sexta hora, no momento em que se sacrificavam os cordeiros para a Páscoa (Jo 19,14). Nesta hora Jesus, o novo Cordeiro de Deus, inaugura a nova Páscoa. Este exato momento entre a hora de Jesus como o novo Cordeiro e sua gloriosa subida para o mundo do alto é descrito com belas imagens em Ap 5.5-14.

Para as comunidades do Discípulo Amado também chegará a hora, Para cada discípulo ou discípula o encontro com Jesus acontece numa hora marcante e inesquecível (Jo 1.39). Mas o suspense que existiu entre Jesus e o mundo também continuará a existir entre a comunidade e o inundo. Para a comunidade chegará uma hora semelhante à de Jesus (Jo 16.2). Esta hora significa perseguições e morte (Jo 16,4). Diante do exemplo deixado por Jesus. As comunidades chegarão. Através desta hora, à alegria que vem de Deus (Jo 16.21-22).

Tomaz Hughes é assessor do CEBI-PR; Carlos Mesters é assessor do Conselho Nacional do CEBI

*Texto extraído do livro RIO-X DA VIDA - Círculos Bíblicos do Evangelho de João. Coleção A Palavra na Vida 147/148. Autoria de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. CEBI Publicações. 

CÍRCULO BÍBLICO


Aconteceu no dia 13 de abril, de 08h às 17h, na Área Pastoral Cariacica-Viana o estudo sobre o Evangelho da Comunidade de Lucas, para coordenadores e membros de Círculo Bíblico desta área; com assessoria do Centro de Estudos Bíblicos do E.S. – CEBI-ES e tendo como objetivo colocar em evidência o que é próprio do Evangelho da Comunidade de Lucas (EL): a Casa e sua importância; o Partir o Pão, a Mesa, entre outros elementos;

 
 
 







 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
fazer memória do tempo em que Jesus viveu (ambiente rural) e trazer presente para a Comunidade que escreveu (ambiente urbano, grandes cidades, com várias culturas e religiões); a memória  também este presente no momento de espiritualidade que iniciou o encontro como podemos ver nas fotos, bem como no fazer e partilhar o pão, trabalho que envolveu todos os presentes durante todo o dia.


 

João 10, 27- 30: Ninguém as arrebatará da minha mão - Sônia Mota e Nelson Kilpp

Olhando o Contexto

O texto sobre o qual vamos refletir hoje faz parte do conhecido complexo que trata da relação entre o pastor e o seu rebanho (Jo 10). Busca-se, nesse capítulo, responder à questão: quais são os fundamentos da relação entre Jesus e sua comunidade. O trecho em foco, João 10,27-30, nasce, como tantos outros, do confronto entre Jesus e um grupo de judeus. Discute-se, aqui, como se pode estabelecer uma relação autêntica e duradoura com Deus. Para alguns judeus, o templo é a base desse relacionamento.

O confronto se deu quando Jesus estava no templo por ocasião da Festa da Dedicação ou da Purificação. Essa festa lembrava a purificação do Templo de Jerusalém, na época dos macabeus, três anos após o altar do templo ter sido profanado, ou seja, ter sido usado para oferecer sacrifícios ao Deus maior dos gregos, Zeus. A festa representava, portanto, a expulsão dos elementos estrangeiros do centro religioso da comunidade e a recuperação da identidade judaica baseada na pureza ritual e no exclusivismo étnico e religioso. 

O templo era, sem dúvida, um dos mais importantes elementos de agregação da comunidade judaica e, por isso, da preservação da sua identidade. Mas essa identidade estava sendo ameaçada com as afirmações que Jesus fazia sobre si, sobre Deus e sobre a natureza da relação com Deus. Jesus propunha uma relação com Deus, na qual a fé e a confiança são determinantes. Fé e confiança como base de uma relação de amizade sustentável com Deus e entre as pessoas costumam dispensar normas de pureza e ritos estipulados pela Lei. As pessoas que aderiam a essa proposta de Jesus passaram a desconsiderar as tradicionais normas de vida estabelecidas pela centralidade do templo. Isso podia ser entendido como ameaça à identidade de diversos grupos no judaísmo.

Nessa controvérsia acerca dessas duas propostas de viver a fé, o evangelho de João vai insistir que identidade e coesão da comunidade somente são possíveis em torno do projeto e da pessoa de Jesus. A pessoa de Jesus representa, no evangelho, essa nova maneira de construir a relação com Deus baseada na confiança e na amizade e, assim, de criar uma nova identidade que não mais depende das exigências de pureza do templo nem de restrições étnicas e religiosas do judaísmo. 

Degustando o Texto

V.27 As minhas ovelhas conhecem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem. Conhecer e seguir: esses dois verbos indicam a profundidade da relação entre Jesus e as pessoas que em torno dele se congregam. Conhecer não é apenas algo racional e teórico, mas expressa uma relação existencial, profunda, quase íntima. Conhecer Jesus significa ter experimentado a presença do Deus que liberta e dá vida plena. Conhecimento baseado na experiência: é isso que dá segurança às pessoas e as impulsiona ao seguimento. Seguir a Jesus significa aderir a seus ensinamentos e suas propostas e ser cúmplice de seu projeto. Aderir a essa proposta de relação de confiança com Deus implica vivê-la. É, portanto, uma decisão pelo discipulado. 

V. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão. Em meio a um ambiente hostil, onde diversas vozes se levantavam para destruir a comunidade que começa a se formar, a pessoa de Jesus oferece segurança. As “ovelhas” ameaçadas pelos que querem dispersá-las podem ter a certeza de que não irão ao “matadouro”, pois Jesus já as conquistou com a sua vida para a eternidade. Sua promessa para quem ouvir sua voz e seguir sua proposta é de vida eterna. Num ambiente hostil, a confiança e a fé tornam-se os elementos aglutinadores para os seguidores de Jesus. Fé, confiança e vida solidária dão as forças necessárias para a comunidade continuar resistindo. 

V. 29 Meu Pai, que me deu tudo, é maior que todos; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Todas as pessoas que estão coesas e comprometidas em torno de Jesus podem ficar tranquilas e seguras, pois é Ele quem nos protege contra a ameaça de cair em mãos inescrupulosas e escravizadoras. A verdadeira comunidade que segue os princípios de Cristo não poderá ser arrebatada ou destruída, porque Deus é mais forte do que tudo e todos. Outra versão também é possível: Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo. Nesse caso, pensa-se normalmente na autoridade concedida pelo Pai ao filho. Mas talvez seja possível pensar também na comunidade como o maior bem que Jesus recebeu de Deus. Esse bem precioso ficará bem guardado sob a proteção de Deus.

V. 30 Eu e o Pai somos um. Esta é a afirmação que causa grande escândalo entre os judeus e que faz do cristianismo uma fé singular: é na humanidade de Jesus de Nazaré que encontramos Deus em sua concretude e humildade. É na vida, nos ensinamentos, nas ações, no comportamento, na paixão, na morte e na ressurreição de Jesus que Deus se revela aos seres humanos. Em e através de Jesus, Deus se fez presente e se revelou a toda humanidade. Na comunhão dos que buscam uma vida que se assenta na confiança em Deus e na solidariedade entre as pessoas, ele continua a manifestar-se ainda hoje.

Ampliando a mensagem

Ouvir, conhecer, confiar e seguir são atitudes fundamentais para o discipulado. Jesus não é um senhor de escravos, que domina, coloca o cabresto ou prende suas “ovelhas” dentro do curral. Em sua vida mostrou-se como quem está a serviço dos que o seguem, que se interessa pelo bem estar de suas ovelhas, que caminha junto com elas e as conduz em e para a liberdade. A sua relação com as pessoas está baseada na confiança e não na troca de favores ou na manipulação de pessoas em benefício próprio. Em Jesus, o Deus da vida, da misericórdia e da justiça se manifesta e nos convida a segui-lo. 

A metáfora das ovelhas representa a vivência coletiva, já que elas não andam sozinhas, mas em grupo. A imagem nos desperta para olharmos para o outro e para a outra. Ela nos convida a romper com o individualismo que nos escraviza. Ela nos chama para a atuação em comunidade, estabelecendo relações de familiaridade, solidariedade e serviço.

Crer é aderir à proposta de Cristo. Isso implica seguimento e compromisso. Talvez a nossa decisão pelo projeto de Jesus possa redundar em conflitos com mentes prontas e tradições estruturadas. Mas para essas pessoas existe a promessa de que não serão afastadas da comunhão com Deus porque estão guardadas em suas mãos.

Sônia Mota é pastora presbiteriana (IPU) e Nelson Kilpp é pastor luterano (IECLB). Ambos são colaboradores do CEBI. 

Comunidades da Paróquia Santíssima Trindade de Vila Capixaba iniciam estudo bíblico sobre a Comunidade de Lucas





Na tarde do sábado do dia 16 de março de 2013, na Comunidade São Jorge - Paróquia Santíssima Trindade em Vila Capixaba - reuniram-se cerca de 7pessoas das várias comunidades desta paróquia para estudar o Evangelho da Comunidade de Lucas. 


A partir de elementos antigos e da narrativa de fatos que marcaram a vida da comunidade foi preparado o "chão" onde os textos das infâncias foram estudados. 


O estudo terá continuidade ao longo do ano, contando com a colaboração da equipe de assessoria bíblica do CEBI-ES: Ivanilda, Araceli, Ir. Ivonete e Madalena.


CURSO DE VIOLÃO

No dia 03 de abril de 2013, teve início o curso de violão popular na sala do CEBI-ES. Após apresentação dos/as presentes, em comentários sobre a presença e influência da música em suas vidas, os/as alunos/as fizeram o primeiro exercício de mecânica dos dedos/ mãos/ postura. Todos/as conseguiram executar bem a atividade proposta.
O curso de violão popular espera dar bons frutos musicais, capacitando novos músicos que, além da oportunidade  em conhecer os caminhos para aprofundar estudos musicais, poderão dar os primeiros passos na contribuição musical em atividades sociais diversas: movimentos sociais, religião, família, e tantos outros espaços de vivência.
Os/as interessados/as em ingressar no curso de violão precisarão inscrever-se até o dia 17 de abril. Após essa data será preciso aguardar a possibilidade de abertura de nova turma, sem data prevista.
Horários das aulas: 18h30 às 19h30 ou 20h às 21h. Sempre às quartas-feiras.
Investimento: R$ 50,00/ mês
Informações: com Eugenia, na sala do CEBI-E.S.
3223-0823 (13h às 19h)

João 21, 1-19: O amor em primeiro lugar - Mesters, Lopes e Orofino

Olhar de perto as coisas da nossa vida

No texto de hoje, vamos meditar o último diálogo de Jesus com os discípulos. Foi um reencontro celebrativo, marcado pela ternura e pelo carinho. No fim, Jesus chamou Pedro e perguntou três vezes: "Você me ama?" Só depois de ter recebido, por três vezes a mesma resposta afirmativa é que Jesus deu a Pedro a missão de tomar conta das ovelhas. Para poder trabalhar na comunidade Jesus não pergunta se sabemos muito. O que ele pede é que tenhamos muito amor! Vamos conversar sobre isto. 

Situando

O capítulo 21 é um apêndice. A conclusão do capítulo anterior encerra tudo. O livro estava pronto. Mas havia muitos outros fatos sobre Jesus. Se fossem escritos, um por um, "o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam". Por isso, por ocasião da edição definitiva, alguns destes "muitos outros fatos" sobre Jesus foram selecionados e acrescentados, muito provavelmente, para clarear os novos problemas do fim do século I. 

Eis a lista dos fatos acrescentados no apêndice:

1. Jo 21,1-3: A volta à pescaria: o difícil trabalho da evangelização

2. Jo 21,4-8: A pesca abundante: a palavra de Jesus faz crescer a comunidade

3. Jo 21,9-14: A celebração da ceia, presidida por Jesus que une a todos

4. Jo 21,15-17: O primado do amor no centro da missão

5. Jo 21,18-23: A discussão em torno da morte de Pedro e do Discípulo Amado

6. Jo 21,24-25: A nova conclusão do Quarto Evangelho.

Os outros evangelhos contêm episódios semelhantes a estes e foram conservados no apêndice do Evangelho de João. Mas eles os colocaram em outros momentos da vida de Jesus. Por exemplo, Lucas situa a pesca abundante bem no começo. Mateus coloca a missão de Pedro no fim da permanência na Galileia.

Comentando

João 21,1-3: "Vamos pescar!" - retrato de um início difícil

Duas coisas chamam a atenção. A primeira é que os discípulos passaram a noite toda pescando e não apanharam nada. Isto significa que o começo do anúncio da Boa Nova, logo depois da morte e ressurreição de Jesus, não foi fácil. Muito trabalho e pouco resultado! Pouco peixe na rede. Mas eles continuaram tentando. Não desanimam. Têm perseverança. A segunda é que eles ainda não se dispersaram e continuam unidos, apesar das dificuldades. Então quase todos aí. Pedro, na frente, que toma a iniciativa. Junto dele Tomé, Natanael, Tiago e João, mais dois outros, cujos nomes não são revelados, e o discípulo a quem Jesus amava. 

João 21,4-6: Nova ordem de lançar a rede

De manhã cedo, quando vêm voltando da pescaria frustrada, Jesus está na praia, mas eles não o reconhecem. Depois de ter constatado que não tinham pescado nada, Jesus manda lançar novamente a rede. Lançaram, e ela ficou tão cheia de peixes, que não deram conta de puxá-la. É a palavra de Jesus que faz crescer a comunidade! É a mesma abundância que já notamos quando Jesus mudou água em vinho e quando multiplicou os pães no deserto.

João 21,7-8: O amor é capaz de reconhecer Jesus

Vendo o resultado da pesca, o Discípulo Amado disse a Pedro: "É o Senhor!" O amor é capaz de reconhecer a presença de Jesus nas coisas que acontecem na vida. Ouvindo isso, Pedro, que estava nu, colocou uma roupa no corpo e pulou na água. É o Discípulo Amado que abriu os olhos de Pedro. Quando Pedro descobre a presença de Jesus, descobre também que ele mesmo está nu. Como diz a Carta aos Hebreus: diante de Jesus, a Palavra de Deus, "não há criatura oculta à sua presença, mas tudo está nu e descoberto" (Hb 4,13). Descobrindo Jesus, Pedro se reencontra consigo mesmo. Ele se refaz (coloca a roupa) e se torna capaz de enfrentar o mar. Estavam perto da margem. Os outros vêm atrás do barco, arrastando a rede cheia de peixes. 

João 21,9-14: A celebração da ceia, presidida por Jesus que une a todos

Chegando à praia, descobrem que Jesus já tinha preparado uma refeição com pão e peixe assado nas brasas. Jesus manda trazer mais uns peixes dos que foram apanhados na rede. Pedro sobe no barco e arrasta a rede para a terra. Fazendo as contas, eram 153 peixes grandes, e, "apesar de serem tantos, a rede não se rompeu". Tudo isto tem um valor simbólico muito grande. A rede simboliza a Igreja. É Pedro que arrasta a rede, mas é o Discípulo Amado que reconhece Jesus. Alguns acham que tudo isto se refere a um fato que aconteceu no fim do século I. Diante das perseguições cada vez mais fortes contra os cristãos, as comunidades do Discípulo Amado com seus 153 membros uniram-se às outras comunidades coordenadas pelos outros apóstolos. E aí todos juntos fizeram uma grande celebração da unidade, em cujo centro estava o próprio Senhor Jesus, preparando a Ceia.

João 21,15-19: O amor no centro da missão

Terminada a refeição, Jesus chama Pedro e pergunta 3 vezes: "Você me ama?" Três vezes, porque foi três vezes que Pedro negou Jesus. Depois de três respostas afirmativas, Pedro recebe a ordem de tomar conta das ovelhas. Jesus não perguntou se Pedro tinha estudado exegese, teologia, moral ou direito canônico. Só perguntou: "Você me ama?" Foi nessa hora que Pedro se tornou também "Discípulo Amado". O amor em primeiro lugar. Para as comunidades do Discípulo Amado, o que sustenta o primado e mantém as comunidades unidades não é a doutrina, mas sim o amor. 

Encontro de Amigos do CEBI-ES - Lançamento do CD Zé Vicente da Esperança




INGRESSOS PARA VENDA:

VITÓRIA: 
- Sala do CEBI; Rua Duque de Caxias, 121, sala 206, Ed. Juel, Centro, 3223-0823 – 9945 - 2068
- Livraria Paulus , Rua Duque de Caxias, 121, Ed. Juel, Centro – 3323-0116

VILA VELHA:
- Ótica Glória, Rua Dom Pedro II, Nº 11, Glória, 3340 4565.
- Society Covre, Rua Netuno, s/nº, Alvorada.

CARIACICA:
- Paróquia Santíssima Trindade, Rua Fundão, s/nº, Vila Capixaba. – 3343-1189
- Ótica Glória, Av. Expedito Garcia, 15, Campo Grande, 3343 7200
- Livraria Kairós - R. Dom Luiz Scortegagna, 15, Campo Grande - Cariacica – ES – fone: (27) 3336-0023 próximo à Igreja do Bom Pastor
- Livraria E Papelaria Bom Pastor R. Dom Luiz Scortegagna, 6 Campo Grande - Cariacica – ES – fone: (27) 3226-8731 – próximo à Igreja Bom Pastor

João 20, 19 - 23


A missão da comunidade
Mesters, Lopes e Orofino
A PAZ ESTEJA COM VOCÊS!
1. OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA 
Somos convidados a meditar sobre a aparição de Jesus aos discípulos e a missão que eles receberam. Eles estavam reunidos com as portas fechadas porque tinham medo dos judeus. De repente, Jesus se coloca no meio deles e diz: "A paz esteja com vocês!" Depois de mostrar as mãos e o lado, ele diz novamente: "A paz esteja com vocês! Como o pai me enviou, eu envio vocês!" Em seguida, lhes dá o Espírito Santo para que possam perdoar e reconciliar. A Paz! Reconciliar e construir a paz! Esta é a missão quer recebem.
2. COMENTANDO
João 20,19-21: A experiência da ressurreição
Jesus se faz presente na comunidade. As portas fechadas não podem impedir que ele esteja no meio dos que nele acreditam. Até  hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo com todas as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus é e será sempre: "A paz esteja com vocês!" Ele mostrou os sinais da paixão nas mãos e no lado. O ressuscitado é o crucificado! O Jesus que está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso que não tem mais nada em comum com a vida da gente. Mas é o mesmo Jesus que viveu nesta terra, e traz as marcas da sua paixão. As marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo, na fome, nas marcas de tortura, de injustiça. É nas pessoas que reagem, lutam pela vida e não se deixam abater que Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós.
João 20,21: O envio - "Como o Pai me enviou, eu envio vocês!"
É deste Jesus, ao mesmo tempo crucificado e ressuscitado, que recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai. E ele repete: "A paz esteja com vocês!" Esta dupla repetição acentua a importância da paz. Construir a paz faz parte da  missão. Paz significa muito mais do que só ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo todas o necessário para viver, conviver felizes e em paz. Esta foi a missão de Jesus, e é também a nossa missão. Numa palavra, é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
João 20,22: Jesus comunica o dom do Espírito
Jesus soprou e disse: "Recebei o Espírito Santo". É só com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos dá. Para as comunidades do Discípulo Amado, Páscoa (ressurreição) e Pentecostes (efusão do Espírito) são a mesma coisa. Tudo acontece no mesmo momento.
João 20,23: Jesus comunica o poder de perdoar os pecados
O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados e aqueles a quem retiverdes serão retidos!" Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23; Mt 18,18). No Evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19).  Aqui se percebe a enorme responsabilidade da comunidade. O texto deixa claro que uma comunidade sem perdão nem reconciliação já não é a comunidade cristã.
 Texto extraído do livro "Raio-X da Vida -  Círculos Bíblicos do Evangelho de João". Coleção A Palavra na Vida 147/148. Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino.
Mais informações pelo endereço vendas@cebi.org.br