BIG BROTHER BRASIL: QUEM GANHA É A BAIXARIA




O suposto estupro cometido por um integrante do BBB 12, fato amplamente divulgado pela imprensa nestes últimos dias, é um enésimo capítulo das baixarias que acontecem naquele programa. Só que desta vez, além de representar uma afronta aos valores morais, o comportamento de um dos participantes assumiu uma conotação criminosa e virou caso de polícia. Se a suspeita for confirmada, trata-se de um caso de estupro de vulnerável, pois a vítima não tinha condições de consentir por causa do estado de embriaguez em que se encontrava. O Código Penal brasileiro prevê punições rigorosas para este tipo de crime. Não basta a expulsão do suposto agressor. O fato aconteceu na “casa da Globo”, durante uma  atividade patrocinada por ela. Inclusive, mesmo a cena sendo gravada ao vivo, nada foi feito para impedir que a suposta violência ocorresse. É imprescindível avaliar a negligência da produção e outras corresponsabilidades. 


Espero que esse lamentável acontecimento ajude os telespectadores a abrir os olhos. O BBB, como qualquer outro “Reality Show”, é um programa imoral e inconsequente, onde um grupo de pessoas, confinadas numa casa cenográfica, totalmente descompromissadas com a vida, sem nenhum contato com o mundo externo, com as relações afetivas suspensas, abrem mão de sua privacidade e passam um longo período trancafiadas  num mundo de ilusões,  de simulações, de  disputas, de mentiras, de traições, onde vale tudo para satisfazer o voyeurismo dos telespectadores, conseguir derrubar o outro, alcançar a fama e ganhar o prêmio milionário.

Por meses, graças às emissoras televisivas que veiculam esse tipo de programa e ao dinheiro dos patrocinadores dessa baixaria, os nossos adolescentes e jovens e, infelizmente, muitas crianças que ainda ficam acordadas nesse horário, verão passar diante de seus olhos um mundo fictício imposto pela cultura dos consumos, feito de seios siliconados, de bumbuns malhados, de corpos sarados, de ofensas ao bom senso e à inteligência humana, de conversas fiadas, de sucateamento do sexo, de festas e de consumo exagerado de droga (porque é assim que a Organização Mundial da Saúde define o álcool, sobretudo quando é consumido daquela forma), inculcando no público a falaciosa ideia de que o sucesso na vida está somente ao alcance daqueles que dobram os joelhos diante do culto da aparência e da futilidade.

Não convencem os argumentos daqueles que consideram o programa uma boa oportunidade para conhecer e avaliar os comportamentos humanos. Na realidade o Reality Show é um devorador de cérebros, uma edição moderna da metodologia dos imperadores romanos que mantinham seus súditos alienados com grandes doses de “pão e circo”, um péssimo serviço à educação das jovens gerações. Só serve para manipular os comportamentos e para adequá-los aos padrões impostos pela mídia e seus financiadores. Ainda uma vez a prioridade não é o ser humano, mas a lógica de mercado. No seu altar sacrificam-se os valores, compromete-se a formação ética dos nossos filhos e se banaliza a própria vida como um todo.

Está na hora de dar uma basta a tudo isso. 

A solução está nas mãos dos telespectadores. É só desligar a televisão ou mudar de canal e boicotar os produtos daqueles que patrocinam essa baixaria.  A TV se sustenta com os contratos de propaganda que adquirem valor graças à sua audiência medida pelo IBOPE. Se você parar de assistir e de comprar seus produtos, o programa sai do ar.
Sugiro que no horário do BBB 12 você assista  outro programa, leia um livro ou aproveite do tempo para manter em dia a conversa com sua família. Cuide de sua casa no lugar de perder tempo em espionar a vida dos Brothers pelo buraco da sua televisão.

Padre Saverio Paolillo (Pe. Xavier)
Missionário Comboniano
Pastoral do Menor e Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Vitória do E.S.
REDE AICA – Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente

Estupro de mulheres e meninas atinge níveis alarmantes na Somália



Mogadíscio, Somália _ A voz da menina silenciou enquanto ela se lembrava da tarde ensolarada em que saiu de sua cabana e viu sua melhor amiga enterrada na areia até o pescoço.
A amiga tinha cometido o erro de se recusar a se casar com um comandante do al-Shabab. Agora, ela seria agredida com pedras.
“Você é a próxima”, um membro do al-Shabab alertou a menina, uma frágil jovem de 17 anos que morava com o irmão num acampamento de refugiados.
Vários meses depois, os homens voltaram. Cinco militantes invadiram sua cabana, imobilizaram-na e a estupraram, ela afirmou. Eles alegavam estar numa jihad, ou guerra santa, e qualquer resistência era considerada um crime contra o Islã, punível com a morte.
“Tive pesadelos muito ruins com esses homens”, afirmou a garota, que recentemente escapou da área que eles controlam. “Não sei de que religião eles são.”
A Somália vem sendo destruída por décadas de conflitos e caos, com suas cidades em ruínas e seu povo passando fome. Em 2011, dezenas de milhares de pessoas morreram de inanição, e inúmeras outras foram mortas em combates incessantes. Agora, os somalis enfrentam mais um terror disseminado: um crescimento alarmante nos casos de estupro e abuso sexual de mulheres e meninas.
O grupo militante al-Shabab, que se apresenta como uma força rebelde moralmente justificada e defensora do Islã puro, está capturando mulheres e meninas como espólios de guerra, estuprando-as e abusando delas como parte de seu reino de terror no sul da Somália, de acordo com vítimas, agentes humanitários e funcionários da ONU. Sem dinheiro e perdendo terreno, os militantes também estão obrigando famílias a entregar meninas para casamentos arranjados que muitas vezes não duram mais do que algumas semanas e são basicamente uma escravidão sexual, uma forma barata de elevar o moral debilitado dos seus homens.
Mas o al-Shabab não é o único culpado. Segundo agentes humanitários e vítimas, nos últimos meses tem havido ataques generalizados de homens armados contra mulheres e meninas desalojadas pela fome no país, que muitas vezes percorrem centenas de quilômetros em busca de comida e acabam em acampamentos de refugiados lotados e sem lei, onde militantes islamitas, milicianos perigosos e até soldados do governo estupram, roubam e matam sem qualquer punição.
“A situação está se intensificando”, afirmou Radhika Coomaraswamy, representante especial da ONU para crianças e conflitos armados.
Os combates recentes criaram um pico nos estupros oportunistas, ela disse, e “para os Shabab, o casamento forçado é outro aspecto que eles usam para controlar a população”.
Nos últimos meses, apenas em Mogadíscio, a ONU firma ter recebido mais de 2.500 relatos de violência contra mulheres, um número bastante alto. Mas, como a Somália é uma zona restrita para a maior parte das operações, funcionários da ONU afirmam não ser capazes de confirmar os relatos, deixando o trabalho para incipientes organizações de ajuda da Somália, que sofrem constantes ameaças.
A Somália é um lugar profundamente tradicional, onde 98 por cento das meninas passam pela mutilação genital, de acordo com dados da ONU. A maioria das garotas é analfabeta e fica restrita ao lar. Quando saem, geralmente é para trabalhar, caminhando penosamente pelos becos cheios de entulhos e cobertas por um pano preto grosso da cabeça aos pés, muitas vezes carregando algo nas costas, no calor do sol equatorial.
A fome e o consequente deslocamento em massa, iniciados no verão, deixaram as mulheres e meninas mais vulneráveis. Muitas comunidades somalis foram dispersas. Com grupos armados obrigando homens e garotos a se unirem a suas milícias, muitas vezes são as mulheres sozinhas, levando os filhos, que partem para a perigosa odisseia até os acampamentos de refugiados.
Ao mesmo tempo, agentes humanitários e funcionários da ONU afirmam que o grupo al-Shabab, que está combatendo o governo de transição da Somália e impondo uma versão bastante rígida do Islã nas áreas que controla, já não consegue mais pagar seus milhares de combatentes da mesma forma que antes. Apesar de confiscar plantações e gado, dar aos milicianos “esposas temporárias” é a forma pela qual o al-Shabab mantém muitos jovens em seu grupo.
Mas isso não chega nem perto de um casamento, afirmou Sheik Mohamed Farah Ali, ex-comandante do al-Shabab que passou para o lado do exército do governo.
“Não há cerimônia religiosa, nada”, ele disse, acrescentando que os combatentes do al-Shabab já chegaram a se casar com meninas de até 12 anos, que ficam incontinentes pela agressão sexual. Se uma menina se recusa, disse, “ela é morta com pedras ou a bala”.
Uma jovem acabou de ter um bebê, de origem somali e árabe. Ela afirmou ter sido escolhida por um combatente somali do al-Shabab que ela conhecia, trazida para uma casa cheia de armas e entregue a um imponente comandante árabe, um dos muitos estrangeiros que lutam no al-Shabab.
“Ele fiz o que quis comigo”, ela disse. “Noite e dia”. A jovem contou ter escapado enquanto ele dormia.
O Elman Peace and Human Rights Center é uma das poucas organizações somalis que ajudam vítimas de estupro. A organização é administrada por Fartuun Adan, uma mulher alta e extrovertida cujo marido, Elman, foi assassinado por guerrilheiros há alguns anos. Adan afirma que desde o começo da fome ela encontrou centenas de mulheres que foram estupradas e outras centenas que fugiram de casamentos forçados.
“Você não tem ideia do quanto é difícil para elas pedir ajuda”, afirmou. “Não há justiça aqui, não há proteção. As pessoas dizem: ‘Se você foi estuprada, você é um lixo’”.
Muitas vezes as mulheres ficam feridas ou engravidam, sendo obrigadas a buscar ajuda. Adan quer expandir seus serviços médicos e atendimento psicológico para vítimas de estupro e possivelmente criar um abrigo, mas é difícil fazer isso com um orçamento de US$ 5 mil por mês, fornecido por uma pequena organização de ajuda chamada Sister Somalia. Dura, mas não impenetrável, Adan chorou enquanto ouvia o relato da menina de 17 anos sobre ter visto sua amiga ser apedrejada até a morte e então ser estuprada por vários homens.
“Essas meninas me perguntam: ‘Como vou me casar? Como vai ser meu futuro? O que vai acontecer comigo?’”, ela disse. “Não podemos dar essa resposta.”
Algumas das mulheres do escritório de Adan parecem ter vindo de outra época. Elas chegaram até aqui, com a ajuda da rede de Elman, vindas dos lugares mais longínquos da Somália rural, onde as mulheres ainda são tratadas como propriedade.
Uma jovem de 18 anos que pediu para ser chamada de Srta. Nur se casou aos dez anos de idade. Ela era nômade e afirma nunca ter usado um telefone ou visto um televisor.
Ela contou ter sido estuprada por dois combatentes do al-Shabab num acampamento de desalojados em outubro. A jovem afirmou que os homens nem se incomodaram em falar muito quando invadiram sua cabana. Eles apenas apontaram armas contra o seu peito e murmuraram essas palavras: “Fique em silêncio”.
The New York Times News Service/Syndicate