Dia Internacional da Mulher

Meu nome é MULHER!
Eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.

Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.

Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!

Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!

(O Autor é Desconhecido, mas um verdadeiro sábio....)

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA (2ª parte)

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA (2ª parte)
ECONOMIA E VIDA

Pr Norberto Berger

Busquemos, pois, caminhos viáveis, sensatos que incentivam avançar na libertação de todas aquelas pessoas que não conseguem organizar uma vida digna, justa e fraterna em nosso cotidiano. O grande obstáculo é o modelo econômico em vigor em nossos dias. A economia tem uma função essencial: providenciar tudo que o ser humano precisa para a sua vida, seu bem-estar integral. A economia é, portanto, um meio a serviço das pessoas e não o contrário. A economia tem a função de administrar os bens produzidos. Para administrar esses bens devem existir organizações sociais que promovem a justa distribuição dos bens, fruto do trabalho de todos.
O lema da CFE desafia-nos a trabalhar e refletir sobre as posses, os bens, o patrimônio, as propriedades, a riqueza e o dinheiro.
Para falar de bens e posses materiais, o Evangelho de Mateus e de Lucas adota uma expressão cujo significado é muito amplo e carregado de práticas religiosas de outras culturas. É a palavra “mammon” , geralmente traduzido por ‘dinheiro’ ou “riqueza”. Chama atenção o destaque que os evangelistas dão à oposição radical que há entre Deus e o “mammon”.
Conforme o texto bíblico (Mt 6,24), Jesus denomina o mammon como “injusto”. Para facilitar a compreensão do significado de mammon, podemos pensar naquilo que entendemos por “capital” em nossa realidade capitalista. A comunidade de Mateus compreendeu que todo o acúmulo de bens e riquezas está impregnado de injustiça. As pessoas, ao serem donas de bens materiais e posses adotam uma maneira de possuir que denuncia a injustiça diante de Deus e, por conseqüência, do próximo. Precisamos reconhecer que em nossa sociedade neoliberal e globalizada os bens não promovem a comunhão, porém o isolamento, o individualismo. Encontramo-nos diante de um enorme desafio: A CFE nos encoraja a fomentar uma profunda reflexão sobre a nossa caminhada de fé no que tange às nossas posses, aos nossos bens materiais e às nossas riquezas. Como colocá-los a serviço do Reino de Deus? Como o ter bens materiais deixa vislumbrar e alimentar expectativas de um crescimento da prática da economia solidária em nossa sociedade? Em Mateus o mammon tem forma personificada. É um poder concorrente aos desafios de Deus junto às pessoas e às suas comunidades. Jesus questiona a obsessão de adquirir bens materiais e propriedades, acumular capital, com o objetivo de assegurar o status e privilégios sociais. Essa opção é uma falsa submissão sob um senhor falso. A personificação transmite e admite o exercício de um poder absoluto sobre a pessoa humana. A criadora fantasia do ser humano impulsiona-o a transformar propriedade e bens, o capital, em seu deus. É a prática da adoração ao mammon (capital)!
“Não podeis servir a Deus e à riqueza!” Um grande desafio nos acompanha: aprender a discernir entre o Deus de Jesus Cristo e o dos seguidores de Jesus Cristo e o “deus” do mercado. Somos homens, mulheres, jovens e crianças que se deixam impulsionar pelo Deus solidário e misericordioso. Reconhecemos que os bens que possuímos se tornam, facilmente, possuidoras de nós mesmos. Esta não é a opção da comunidade de Jesus Cristo, pois a proposta de Jesus é a partilha dos bens materiais. O deus da ganância e da avareza, o mammon, impede a organização e instalação de uma vida fraterna e justa. A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 convida-nos, portanto, a organizar um mutirão comunitário, que promoverá a multiplicação das experiências da economia solidária.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O8 de MARÇO
"MULHERES ONTEM E HOJE: TERNURA E GARRA"

Percorrendo a Bíblia, no primeiro e no segundo testamento, do Gênesis ao Apocalipse, encontramos muitas mulheres. Estas figuras femininas rompem com a força da sociedade patriarcal, que prevalece no período de escrita da Bíblia, e se mostram. Elas são citadas em diferentes situações vividas pelo povo.

Existe também uma outra forma de refletir sobre a mulher na Bíblia: pela ausência. É isso mesmo. Nas ausências, naqueles momentos em que não se fala da mulher, pode-se perguntar o porquê. Onde estaria a mulher, por exemplo, durante o exílio da Babilônia? Qual a sua atuação numa situação de tanto sofrimento?

Não é difícil entender que a história do Povo de Deus, é também uma história de Mulheres. Um olhar atento e sem preconceito, percebe nas linhas e entrelinhas ações de mulheres. Elas estão presentes todo o tempo: são as mães, companheiras, filhas, irmãs, escravas... Como não considera-las?

Podemos fazer memória de algumas dessas mulheres:

HAGAR é uma escrava de Sara e Abraão que recebe de Deus promessa de vida e descendência (Gn 21).

DINA é filha de Lia e Jacó, mulher que foi violentada e quase esquecida pela história (Gn 34).

TAMAR é uma mulher viúva que luta pelo seu direito numa sociedade patriarcal (Gn 38).

SEFRA E FUA são parteiras que desobedecem ao faraó e salvam a vida de meninos marcados para morrer (Ex 1).

RAAB é uma prostituta que participa da luta na conquista da terra e formação das tribos. (Js 2).

DÉBORA é uma juíza que defende as tribos, junto com o exército popular, com a parceria de outras mulheres (Jz 4).

RUTE, JUDITE, ESTER são personagens das memórias populares, representando grupos de mulheres na luta por seus direitos e na defesa da vida.

A lista poderia continuar: MARIA, ISABEL, MARIA MADALENA, A MULHER SEM NOME QUE TOCA EM JESUS, A SAMARITANA, A ESTRANGEIRA QUE DESAFIA AS ESTRUTURAS DA EXCLUSÃO E PEDE A CURA PARA SUA FILHA, FEBE, JUNIA, TRIFENA, TRIFOSA, PÉRSIDE, PRISCILA, LÍDIA, NINFA, CLOÉ (citadas no NT).

São tantas! De ontem e de hoje, sempre na luta pela vida, com seu jeito próprio de SER MULHER.

Os desafios também são muitos. Mas a arte de ser mulher permite afastar obstáculos, romper barreiras e ousar, sonhar.

Por tudo isso, o dia 08 de março, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, marca um dia de manifestação, de memória das muitas companheiras que fazem a história. Esse dia é uma oportunidade de encontro, de unir ternura e garra, reabastecer o sonho e seguir lutando e acreditando e tecendo a história, com fios de esperança.

Maria de Fátima Castelan

Bíblia e Economia – III

Bíblia e Economia – III

Acompanhamos até agora dois modelos de economia no mundo bíblico: um modelo de economia solidária presente na vivência tribal e um modelo de economia tributária praticado pelo sistema monárquico tributarista. Esses dois modelos econômicos estão presentes nos textos do Primeiro Testamento.
Mas, e no tempo de Jesus, qual era o modelo econômico vigente? E qual a proposta econômica apresentada por Jesus e pelas comunidades seguidoras de seu projeto?
A situação da Palestina no tempo de Jesus era de submissão ao domínio imperial romano. E o modo de produção vigente no império romano era o escravagismo. As relações senhor X escravo definia a forma de organizar a casa (oikos). Além dessa relação entre senhor e escravo, havia uma outra forma de hierarquia econômico-social que atingia todas as pessoas, mesmo aquelas consideradas livres. Toda a sociedade organizava-se sob a forma de patrono e cliente. Havia uma relação de lealdade e fidelidade entre as partes, o que mascarava a situação de desigualdade e a injustiça.
Havia também a cobrança de tributos, controlada pelos representantes do império. Esses tributos eram pagos em moeda romana exigindo dos trabalhadores a troca dos produtos em moeda. Essa era uma estratégia de exploração econômica, pois os produtos sempre eram avaliados com valor baixo, garantindo o lucro dos cambistas. Essa prática gerava muita pobreza e exigia muitas horas de trabalho para suprir a exigência do império.
A prática de Jesus é com a vida camponesa (Mc 4,3-9). Ele traz em sua memória a experiência igualitária vivida pelas tribos e sempre sonhada pelos pobres e anunciada pelos profetas (Lc 4,16-21). Jesus sofreu a exploração do sistema de sua época, mas viveu e anunciou profeticamente uma economia para a vida: “Vocês não podem servir a Deus e às riquezas.”(Mt,6,24)
Após a Ressurreição de Jesus, as comunidades que o seguiam passaram a experimentar uma economia solidária (At 2, 42-47). Não era possível viver os ensinamentos de Jesus e continuar servindo ao sistema explorador do império romano. Por isso as Comunidades cristãs se reuniam nas casas, partilhavam tudo o que tinham. Essa era a condição para sua sobrevivência, já que tinham que fazer uma escolha com consequências em sua vida prática: se submeter ao império ou viver o Evangelho de Jesus. As comunidades antecipavam assim o grande Sonho do Reinado de Deus.

“Eis a tenda de Deus com os homens. Ele habitará com eles;
eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus.
Ele enxugará toda lágrima de seus olhos.
Pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor,
e nem dor haverá mais.
Sim, as coisas antigas passaram!
Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21,3b-4.5b)
Maria de Fátima Castelan - CEBI-ES