BÍBLIA E ECONOMIA (1ª parte)

Bíblia e economia: um tema desafiador. E esse desafio nos foi apresentado pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) por meio da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE 2010) que tem como tema: Economia e Vida.
O nosso compromisso neste espaço de reflexão é buscar estabelecer uma relação entre a temática da economia com a história do Povo do Primeiro e do Segundo Testamento. E a primeira ideia que surge é se há alguma relação, ou seja, se é possível falar de economia e Bíblia.
Prá início de conversa vamos nos aproximar do significado da palavra economia. A origem da palavra vem da língua grega e está relacionada à administração da casa. Poderíamos entender como um conjunto de ações organizadas para a preservação da vida. Tomando como referência esse significado, podemos ter presente a seguinte questão: como a preservação da vida está presente na Bíblia?
É claro que no tempo em que os textos bíblicos foram escritos não existia um sistema econômico como o que vivemos hoje, que é o sistema de mercado ou sistema capitalista. No tempo da Bíblia a economia era pré-capitalista. Mesmo nas regiões que apresentavam uma estrutura de governo monárquico, a sociedade era agrária, com 90% da população vivendo no campo, produzindo de forma artesanal os produtos necessários a sua subsistência. Apenas 10% das pessoas viviam em cidades fortificadas, que abrigavam a corte, os militares e lideranças religiosas ligadas ao poder.
O Povo de Israel se formou a partir de uma experiência de partilha e solidariedade. Enquanto, em algumas regiões, já havia uma organização de governo centralizado os grupos que participaram da formação de Israel escolheram viver longe das cidades, com liberdade e autonomia. Portanto, no período tribal ainda não havia rei, nem cidade fortificada.
Nas memórias das origens do povo de Israel, encontramos relatos de sagas familiares, mitos e etiologias que revelam essa forma de organizar a vida chamada de modo de produção comunitário. Nesta forma de vida as pessoas trabalhavam na agricultura e na pecuária de rebanho pequeno, partilhavam o que possuiam, cuidando da vida do grupo.
Pensando em nossa realidade: vocês conhecem alguma experiência parecida com a vivência tribal, igualitária, que seja uma alternativa ao modo de produção capitalista? Converse com outras pessoas sobre esse assunto.

Maria de Fátima Castelan – CEBI-ES

MUTIRÃO DE COMUNICAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

O QUE É O MUTIRÃO
É um espaço aberto, democrático e propositivo, com profissionais da comunicação, estudantes, movimentos sociais, comunicadores populares e todos os interessados no tema debatendo Processos de Comunicação e Cultura Solidária.
É um novo jeito de fazer comunicação comprometida com a construção de uma sociedade mais justa, promotora da liberdade e sedimentada na paz, construindo uma nova relação entre mídia sociedade.
O Mutirão quer contribuir na construção de uma nova sociedade, que vença os preconceitos, partilhe saberes e práticas, recolha experiências. Pessoas, entidades e instituições a serviço da vida e da formação política têm espaços no Mutirão, colaborando para a democratização da comunicação, geradora da cultura solidária.
A abertura será na noite de 3 de fevereiro, em clima de festa e confraternização, com a presença de autoridades e painelistas, dando as dimensões e os desafios da comunicação no Continente.

O QUE VAI TER NO MUTIRÃO

1. Apresentações artísticas e culturais – 30 grupos apresentarão danças, encenações, corais, música folclórica e erudita, mostrando a cultura do Continente, resgatando sonhos e construindo a solidariedade.
2. Exposições – Arte Sacra, com mais de 30 peças e 21 painéis fotográficos, e de Arte Sacra Contemporânea, mostrando um pouco da história e raízes culturais e religiosas.
3. Mostra de filmes - Mais de 40 filmes do Brasil e da América Latina, premiados e consagrados, com temática enfocando a cultura solidária e promoção da dignidade humana.
4. Shows – À noite, apresentações de grandes shows de música popular, erudita e folclórica, com a diversidade cultural do Brasil, da América Latina e do Caribe.
5. Tendas – Durante todo o dia, os participantes poderão visitar as tendas com artesanatos, livrarias, projetos, experiências, todas ligadas ao tema da comunicação.
6. Oficinas – Cerca de 50 oficinas vão oferecer oportunidade para dialogar sobre práticas e experiências. Ecologia, justiça social, como ver rádio e TV, rádios comunitárias, os jovens e a mídia, a mídia e a vida das comunidades, são alguns dos temas abordados.

7. Conferências - Especialistas do Continente irão conversar sobre os desafios e perspectivas da comunicação solidária a partir de quatro eixos: Novos cenários políticos e sociais e processos de comunicação; Economia e comunicação na era digital; Comunicação no diálogo das culturas; e Processos de comunicação na construção da cultura solidária.
8. Seminários – Em 15 seminários serão debatidos com os participantes os temas centrais do Mutirão. As conferências e estes debates contribuirão para a construção da Carta de Porto Alegre.
9. Atividade acadêmica educativa - Concretiza os objetivos do Mutirão através da produção de trabalhos realizados por professores e estudantes de universidades, escolas de comunicação e outras instituições.
10. Mesa-redonda com TVs de inspiração católica - As televisões de inspiração católica promovem um diálogo para ouvir sugestões, críticas e avaliar a qualidade e o alcance dos seus programas.
11. Premiações - Na noite de 5 de fevereiro acontecerá a entrega dos prêmios da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aos melhores trabalhos realizados em Cinema, Rádio, Televisão e Mídia Impressa, promotores do bem comum e da democratização da mídia a serviço da cultura e da paz. Também será entregue o prêmio de “Comunicador da Paz”, oferecido pela Organização Católica Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (OCLACC).
12. Carta de Porto Alegre – Elaborada durante o Mutirão, será entregue aos participantes, garantindo a continuidade dos processos de comunicação e cultura solidária.
13. Encontro Continental de Jovens - Nos dias 2 e 3 de fevereiro, os jovens terão um momento específico para debater a situação e os desafios da juventude na América Latina e no Caribe, na perspectiva da comunicação geradora da vida e da organização popular.
COMO PARTICIPAR DO MUTIRÃO
A participação no Mutirão é gratuita. Para quem quiser receber Certificado Acadêmico e todo o material relacionado com o evento, é necessário fazer inscrição antecipada pelo site e pagar a taxa estabelecida - http://www.muticom.org-inscrições/.
VAMOS CONSTRUIR UMA COMUNICAÇÃO SOLIDÁRIA

O Mutirão é o encontro dos que não se acomodaram, mas permanecem nas praças e nas estradas, caminhando rumo a um novo tempo e convidando todos a participarem. São pessoas que continuam sonhando com uma comunicação capaz de fazer a diferença, uma sociedade mais fraterna, uma política a serviço do bem comum, uma economia solidária com a vida e uma cidade mais humana e baseada na justiça social. Participe você também

Os pecados do Haiti

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. O artigo é de Eduardo Galeano.


A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.
O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.
Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.
O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:
– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.
E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.
Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.
A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".
O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".
Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".
A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.
O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade. A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.
Os pecados do Haiti, por Eduardo Galeano19/01/2010 Fonte: Carta Maior

Morre Vera Lopes, sobrevivente da Ditadura Militar e integrante do CEBI


"Mulher cristã, sentiu na pele os horrores dos anos de chumbo. Ao partir, Vera nos deixa um legado legado humano-espiritual-profético significativo."
Vera foi uma grande batalhadora, lembra Frei Gilvander: "Como Integrante do GRAAL, enfrentou a ditadura militar. Os militares entendiam o GRAAL como sendo o Grupo Revolucionário da América Latina. O GRAAL é sim revolucionário, mas no acompanhamento das mulheres marginalizadas."....para ler mais, clique aqui
: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=1272

Irmãs e irmãos,

Comunicamos o falecimento da Vera Lopes, companheira do Eliseu. Ela será sepultada amanhã à tarde, em Belo Horizonte.
Em nome do CEBI, conversamos com sua filha Isabel, pedindo que transmitisse o abraço a João e a Marcos, os outros dois filhos.
Frei Gilvander nos informou que o velório será no Cemitério Kolina, em Belo Horizonte , amanhã (sábado, dia 23/01/2010), a partir das 7:00hs. Às 15:00hs acontecerá uma celebração religiosa. O sepultamento será às 16:00h.
Caso alguém queira enviar alguma mensagem de solidariedade, seguem os e-mails:
Isabel: bel.lopes@gmail.com
João: jaolopes@uol.com.br

Na página do CEBI, há mais informações sobre a vida de Vera.
Abraços,
Edmilson

21 de janeiro – Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa


“Pois vá e faça a mesma coisa” Lc 10,37
Caros Irmãos e Irmãs, mais uma vez estamos celebrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro. Trata-se de uma iniciativa do Governo Federal, e esta data deve ser celebrada anualmente em todo o território nacional, fazendo parte do Calendário Cívico da União. Como Igrejas Cristãs somos também chamados a refletir internamente como andam as nossas ações em relação ao próximo, principalmente em relação àqueles que não professam as mesmas crenças que nós, seja dentro do âmbito do Cristianismo, no exercício do diálogo ecumênico, assim como na relação com os nossos irmãos e irmãos de outras religiões, no diálogo inter-religioso.
O exercício da caridade, da tolerância, do respeito ao diferente não é fácil, principalmente quando envolve elementos do sagrado. Muitas vezes a razão humana é ofuscada por uma névoa de intolerância fundamentada em princípios religiosos capazes de levar às maiores atrocidades contra o próximo. Como Cristãos somos chamados a estar sempre alertas, olhando sempre com o olhar misericordioso de Jesus, que na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37) nos ensina na prática a lição da tolerância e do amor fraterno.
A Virtude da Tolerância deve ser vista dentro do contexto da aceitação e compreensão das diferenças, sempre dentro de um ambiente de respeito e diálogo. Usar o nome de Deus para perseguir, humilhar, agredir ou mesmo matar o próximo é algo inconcebível, e com certeza condenado, por qualquer religião. Na palavra Tolerância encontra-se contido o sentido pleno de humanidade, igualdade de oportunidades e condições e livre pensar e crer. Voltaire, grande iluminista, já foi sábio ao afirmar em sua obra: “Tratado sobre a Tolerância” de que “Não é preciso uma grande arte, uma eloqüência menos rebuscada, para provar que os cristãos devem tolerar-se uns aos outros. Vou mais longe: afirmo que é preciso considerar todos os homens como nossos irmãos. O quê? O turco, meu irmão? O chinês? O judeu? O siamês? Sim, certamente; porventura não somos filhos do mesmo Pai, criaturas do mesmo Deus?” (Tratado, p. 125).
Tolerar, todavia, não significa compactuar com tudo, ou seja, com comportamentos que infrinjam a ordem jurídica, ética ou moral de uma sociedade. O conceito de liberdade religiosa, neste contexto, estará sempre cerceado pelos direitos e deveres individuais e coletivos impostos pelo ordenamento legal de um País, que deve proteger a liberdade religiosa, e ao mesmo tempo vigiar para que nenhum cidadão seja vitima de intolerância ou discriminação no exercício de suas crenças. Como perspicazmente coloca André Comte-Sponville, filósofo francês, nascido em 1952: “a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos, assim a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles que – todos nós – não são nem uma coisa nem outra. Pequena virtude, mas necessária. Pequena sabedoria, mas acessível”.
Essa pequena sabedoria foi exercida com grandeza pelo Samaritano da parábola contada por Jesus. Judeus e Samaritanos não se toleravam, tinham rivalidades, tensões, divergências na prática e no pensar religioso. Todavia, é um samaritano que, ao ver um judeu caído à margem da estrada necessitando de ajuda, consegue passar por cima de todas as diferenças religiosas e culturais, e presta ajuda solidária, exercitando assim a grande virtude da tolerância, do respeito e do amor fraterno. O exemplo do Samaritano se torna um mandamento de Cristo para todos nós: “Pois vá e faça a mesma coisa” Lc 10,37.
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa serve para nos mostrar que ainda estamos muito distantes do cumprimento deste mandamento de Cristo. A próxima Campanha da Fraternidade Ecumênica, que se inicia no dia 17 de fevereiro, é mais um momento em que, como Igrejas, podemos dar o testemunho de que conseguimos trabalhar em conjunto, no exercício prático da tolerância fraterna, na busca de um mundo melhor e solidário para todos.
Rev. Luiz Alberto Barbosa
Secretário Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)

A maldição branca

Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo

19/01/2009
Eduardo Galeano
No primeiro dia deste ano a liberdade completou dois séculos de vida no mundo. Ninguém se inteirou disso, ou quase ninguém. Poucos dias depois, o país do aniversário, Haiti, passou a ocupar algum espaço nos meios de comunicação; não pelo aniversário da liberdade universal, mas porque ali se desatou um banho de sangue que acabou derrubando o presidente Aristide.
O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.
Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria “confinar a peste nessa ilha”. Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações. Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.
O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem. Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.
Da maldição branca não se falou.
A Revolução Francesa havia eliminado a escravidão, mas Napoleão a ressuscitara:
- Qual foi o regime mais próspero para as colônias?
- O anterior.
- Pois, que seja restabelecido.
E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.
Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram “a dívida francesa”. A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro. O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final.
Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.
Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda. O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.
Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.
Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York. O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas.
E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte, pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.
A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.
E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.
Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.
Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.
Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.
Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo.
Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes…
Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.
O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente. (IPS/Envolverde)
Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de "As Veias Abertas da América Latina" e "Memórias do Fogo"*

Diálogo ecumênico: decisão irreversível da Igreja

Papa Bento XVI recebe uma delegação ecumênica da Finlândia na Abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na Europa


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- O Concílio Vaticano II comprometeu a Igreja Católica “de forma irreversível a percorrer o caminho do ecumenismo”, recordou Bento XVI hoje, ao receber em audiência uma delegação ecumênica procedente da Finlândia.
O encontro já se converteu em uma tradição anual, por ocasião da festa de Santo Henrique mártir, padroeiro da Finlândia. Este ano, a visita da delegação a Roma festeja seu 25º aniversário.
Os encontros com a delegação ecumênica finlandesa, reconheceu o Papa no discurso que dirigiu aos seus hóspedes, “contribuíram de maneira significativa para a consolidação das relações entre os cristãos do vosso país”.
O ecumenismo, explicou, é o caminho que a Igreja Católica escolheu “sem reservas” desde o Vaticano II.
As igrejas do Leste e do Oeste, ambas presentes na Finlândia, “compartilham uma comunhão autêntica, ainda que imperfeita por enquanto”.
Apesar de que isso suponha “um motivo para lamentar-se dos problemas do passado – admitiu o pontífice –, é certamente também um motivo que nos conduz a maiores esforços de compreensão e de reconciliação, para que nossa amizade e nosso diálogo fraternos possam levar a uma unidade visível e perfeita em Cristo Jesus”.
Recordando o 10º aniversário da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, “sinal concreto da fraternidade redescoberta entre luteranos e católicos”, o Papa expressou seu próprio apreço pela “obra recente do diálogo entre católicos e luteranos nórdicos na Finlândia e na Suécia sobre questões derivadas” da declaração.
“Tomara que o texto resultante do diálogo contribua positivamente no caminho que conduz à recomposição da nossa unidade perdida”, afirmou.
Também mostrou seu agradecimento pela perseverança da delegação finlandesa “nestes 25 anos de peregrinação conjunta”, que “demonstram vosso respeito pelo Sucessor de Pedro, além da vossa boa fé e o desejo de unidade através do diálogo fraterno”.
No começo da audiência, o arcebispo finlandês Jukka Paarma dirigiu uma saudação ao Papa em nome dos membros da delegação. O objetivo da visita, segundo explicou, é também a celebração conjunta de comemoração de Santo Henrique, em 19 de janeiro, na basílica de Santa Maria sopra Minerva.
“Para nós, os três bispos finlandeses, é uma alegria e uma honra encontrar o Papa durante nossa peregrinação neste ano jubilar”, afirmou, em declaração recolhidas pelo L'Osservatore Romano.
“Nós, finlandeses, valorizamos os encontros regulares entre os responsáveis das nossas igrejas e o Bispo de Roma”, acrescentou, sublinhando a feliz coincidência da audiência com o dia inicial da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que terminará no dia 25 de janeiro.

IGREJAS MEMBROS DO CONIC

Atualmente, as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC - são:

Igreja Presbiteriana Unida - IPU
Moderador: Rev. Enoc Teixeira Wenceslau
Av. Prof. Princesa Isabel, 692
Ed. Vitória Center Salas 1210/1211
29010360 - Vitória - ES
www.ipu.org.br
Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia - ISO
Delegado Patriarcal Mons. Antonio Nakkoud
Rua 14 de Julho, 1.060 - Centro
79004-393 - Campo Grande - MS
Fone: (67) 3324 7937 (67) 3324 7937
Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR
Dom Geraldo Lyrio Rocha
SE / Sul Quadra 801 Conj.B
70259-970 - Brasília - DF

Igreja Cristã Reformada - ICR
Sr. Antônio Bonzoi
Rua Domingos Rodrigues, 306/Lapa
05075-000 - São Paulo - SP (11) 3260.7514
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB
Bispo Primaz Dom Mauricio de Andrade
Av. Prof. Eng º Ludolfo Boehl, 278 - Teresópolis
91720-130 - Porto Alegre - RS
Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB
Pastor Dr. Walter AltmannRua Senhor dos Passos, 202 - 5 º andar
90020-180 - Porto Alegre - RS (51) 3221.3433

SOLIDARIEDADE AO POVO DO HAITI


Esperando contra toda esperança” (Rm 4,18)

Em meio às desalentadoras notícias que chegam a cada momento, dando conta das trágicas consequências do terremoto que afligiu o Haiti, ceifando tantas vidas e colocando abaixo trabalhos e sonhos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se une à multidão de homens e mulheres que, nestas circunstâncias, têm “a ousadia de quem se atreve a esperar contra toda esperança”, para apresentar à Igreja e a todo povo do Haiti a solidariedade em orações, palavras e gestos.
Neste momento, são necessárias iniciativas que demonstrem solidariedade internacional, como, por exemplo, o perdão imediato de toda a dívida externa do Haiti, que corresponde a 30% do seu pobre orçamento, e ações humanitárias que amenizem a dor e reanimem a esperança do povo haitiano.
Movida por este sentimento de solidariedade, a CNBB e a Cáritas Brasileira lançam a Campanha SOS HAITI, em socorro à população atingida pelo terremoto.
Conclamamos todas as comunidades eclesiais, paróquias e dioceses a promoverem, no próximo domingo, dia 17, ou no dia 24 de janeiro, ou em outra data conveniente, orações e coletas em dinheiro para as vítimas do terremoto no Haiti. Assim, nos unimos à campanha mundial promovida pela Caritas Internationalis em resposta ao apelo do papa Bento XVI.
As doações poderão ser depositadas nas contas: Banco do Brasil - Agência: 3475-4 - Conta Corrente: 23.969-0; Caixa Econômica Federal - OP: 003 - Agência: 1041 - Conta Corrente: 1132-1; Banco Bradesco - Agência: 0606 - Conta Corrente: 70.000-2.
Que a graça de Deus fortaleça nosso compromisso de caridade fraterna, inspire nossa generosidade e anime quem está a serviço das vítimas no Haiti.

Brasília, 15 de janeiro de 2010

D. Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana - Presidente da CNBB

D. Demétrio Valentim - Bispo de Jales - Presidente da Cáritas Brasileira

CEBI-ES e PAULUS

CONVIDAM


Encontro com Pastora Luterana (IECLB), professora do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás e da Universidade Católica de Goiás
Dra. Ivoni Richter Reimer
Tema:
“Economia no mundo Bíblico e Campanha da Fraternidade 2010”
Data: sábado - 27 de fevereiro de 08:30 às 17hs
e domingo - 28 de fevereiro de 08:30 às 12hs
Local: Colégio Agostiniano – Rua Thieres Veloso, 125, próximo ao Parque Moscoso –Vitória – ES
Inscrições com antecedência e vagas limitadas: R$30,00 o curso.
As refeições ficam por conta dos participantes
Local de Inscrição: Livraria Paulus (janeiro até 15 de fevereiro) Sala do CEBI-ES (1º a 15 fevereiro)

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2010 ECUMÊNICA


Tema: ECONOMIA E VIDA
Lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24)

Objetivos desta Campanha da Fraternidade Ecumênica

Objetivo geral: Unir Igrejas Cristãs e pessoas de boa vontade na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusões, construindo uma cultura de solidariedade e paz.

Objetivos específicos:
- denunciar a perversidade de um modelo econômico que visa em primeiro lugar o lucro, aumenta a desigualdade e gera miséria, fome, morte
- educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como bem mais precioso
- conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para a implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todos.

Esses objetivos devem ser trabalhados em quatro níveis: - social – eclesial – comunitário - pessoal

Por que foi escolhido esse tema?
Um olhar, mesmo rápido, sobre o mundo em que vivemos nos mostra sinais preocupantes, em relação ao sistema econômico e cultural em que estamos vivendo. Alguns são fatos bem comuns do cotidiano. À nossa volta estão coisas assim: Diz o anúncio de automóvel: É carro silencioso, mas fala muito sobre você. - Bill Gates anuncia que o objetivo de seu negócio é “tornar nossos produtos obsoletos, antes que os concorrentes o façam”. - Tantas vezes se diz: Não vale a pena consertar... é melhor jogar fora. - O anúncio de cartão de crédito promete: “As melhores coisas da vida passam por aqui.”: O jornal narra o dia de uma coletora de lixo. Ela não tem o mínimo necessário, mas o filho quis e ela arranjou para ele um videogame e um celular. Mas vemos à nossa volta também outra vida e outro mundo Gente sofre nas filas dos hospitais... e o dinheiro que deveria ir para a saúde tem outros destinos. Crianças estão na escola, mas não aprendem a ler... Idoso aposentado sustenta a família desempregada.
Pense no que está por trás de tudo isso, condicionando os desejos da população e/ou criando situações desumanas. As necessidades básicas são atendidas? Como o desejo do supérfluo acaba se tornando mais dominante? Há pessoas enriquecendo a cada dia e pessoas pedindo esmola. Há corrupção e aplicação de dinheiro público para favorecer os que já têm demais e falta de recursos para saúde, educação, alimentação. Há pessoas egoístas e há pessoas generosas e solidárias.

Que sistema é esse? Que política é essa?
Enquanto isso, continuamos vendo gente vivendo na rua, migrantes que deixam sua terra com tristeza, enganados por falsas promessas ou expulsos pelo avanço de uma indústria que consegue tudo o que quer, serviços públicos funcionando mal enquanto o dinheiro dos impostos acaba servindo para proteger os mais poderosos.
Multidões não têm o necessário. Mas uma minoria não consegue nem usufruir o que têm, por excesso de riqueza. E, no meio, gente de todas as classes está sendo pressionada a se avaliar pelos padrões do consumo e não por seu valor pessoal.
Criticando com ironia esse sistema que faz das pessoas meras vitrines do que o mercado exibe, que faz cada um se auto afirmar pelos objetos que usa, Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “Eu, etiqueta”, que termina assim:

Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de não ser eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

O poeta não queria gente se comportando como coisa, escrava do mercado. Deus também não quer. O ser humano tem um valor que precisa estar acima de tudo que é “coisa”, lucro, pressão de mercado.

O planeta, uma grande vítima da idolatria do mercado
Deus criou a vida. O planeta tem o necessário para sustentá-la e para nos maravilhar com a variedade, a sabedoria e a beleza da Criação. As montanhas, rios, florestas bonitas que Deus nos deu não podem ser sepultadas sob as conseqüências das sobras dos sistemas de produção que servem ao lucro. Nossa casa planetária precisa ser bem cuidada, é a única que temos e pertence a todos.

Uma forte motivação bíblica
A Bíblia é um livro sagrado muito ligado ao que acontece aqui neste mundo. Nela fica claro que a maneira fundamental de agradar a Deus é cuidar bem daquilo que ele criou com sabedoria e amor. É isso que Deus quer: gente feliz, em segurança e fraternidade, numa terra bem cuidada que pertence a todos. É por isso que a missão que o ser humano recebe ao ser criado é “cultivar e guardar” o jardim do Éden (Gn 2,15), símbolo da vida em harmonia, paz e justiça. Não é difícil imaginar como é impossível haver “paraíso” para todos numa sociedade de tão profundas e injustas desigualdades econômicas. É por isso também que, na descrição do final feliz da Humanidade, o Apocalipse nos mostra uma cidade em que as portas não precisam ser fechadas (Ap 21,25) e onde a “árvore da vida” dá fruto todos os meses (Ap 22,2). É a segurança que vem de uma vida sem medo, sem injustiças, com fraternidade e partilha.
Um grande fato, centro da memória do registro do Antigo Testamento, é a libertação da escravidão do Egito. Deus não quer seu povo – como não quer nenhum povo – explorado nos seus direitos e no seu trabalho. Mas não basta libertar, é preciso educar para a liberdade, a partilha, a igualdade. Os judeus até hoje dizem: “Foi preciso um dia para o povo sair do Egito e quarenta anos para o Egito sair do povo.” Ou seja: o povo precisou um tempo maior para aprender como deveria viver, para não repetir o esquema de injustiça do qual havia sido libertado. As leis de Deus são parte importante dessa “educação” para a vida livre, fraterna e solidária.
Nisso podemos destacar alguns exemplos:
- Até hoje os judeus se destacam pela estrita observância do sábado. É dia de honrar a Deus de modo especial. Mas, que interessante! Deus se sente honrado se nesse dia ninguém pensar em lucro (não se trabalha), se o escravo e o trabalhador tiverem direito ao descanso, se até os animais puderem repousar. Esse ritmo de vida ligado ao número sete tem outros desdobramentos. No sétimo ano, o escravo é libertado e não pode ser jogado na sociedade sem recursos, para virar escravo de novo: deve ser dispensado com uma indenização, meio de recomeçar a viver com liberdade. ( Dt 15,12-15). De sete em sete anos se proclama o perdão das dívidas (Dt 15,1-2). A terra também descansa no ano sabático (Ex 23,10-11). Depois de 7x7 anos, vem o ano do jubileu, em que cada um retoma a propriedade que havia vendido em momento de aperto (Lv 25, 8-13).
- Na caminhada pelo deserto, a distribuição do maná é um símbolo importante da partilha que Deus deseja para seu povo (Ex 16,4-21). O maná, como toda a obra de Deus na natureza, é dado de graça para todos. Cada um tem o direito de recolher o que precisa, mas se pegar demais, o excesso apodrece. É um retrato simbólico da podridão que acompanha, ainda hoje, o acúmulo indevido de bens, que lesa o direito de outros.
- Os profetas clamam por justiça econômica: o órfão, o estrangeiro e viúva (símbolo dos mais carentes) não podem ficar desamparados sem que isso configure uma ofensa a Deus. Eles cobram dos governantes, a honestidade e o compromisso com os direitos dos mais fracos. Isaías, por exemplo, denuncia:
“Ai daqueles que promulgam leis injustas, que redigem medidas maliciosas, para tapear o fraco na justiça, roubar o direito de meu povo explorado, para fazer viúvas suas vítimas e roubar dos órfãos”. (Is 10,1-2)
Deus não aceita nem culto, homenagem, sem a prática da justiça e da fraternidade que se reflete no uso dons bens materiais. O mesmo Isaías nos mostra Deus advertindo:
“Quando estendeis para mim as mãos, desvio meu olhar. Ainda que multipliqueis as orações, de forma alguma atenderei. É que vossas mãos estão sujas de morte. Limpai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Depois podemos discutir, diz o Senhor”. (Is 1, 15-18)
Em outras palavras: sem a justiça da economia que não desampara os pequenos, Deus não quer conversa conosco. Muitos outros textos proféticos teriam indicações semelhantes, muitas leis do Pentateuco visam proteger trabalhadores e pobres, para que um filho ou filha de Deus não seja sacrificado no altar idolátrico da economia.

Jesus age também colocando o ser humano acima da pressão econômica
Ele adverte: “Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu...” (Mt 6,19)
Reconhecendo que nossas escolhas no uso do dinheiro revelam quem somos de fato, ele observa: Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. (Mt 6,21) E se, em vez dos tesouros do céu, nosso coração estiver com os tesouros da terra, não sobra lugar para o Deus verdadeiro e instala-se a idolatria de servir a outro tipo de “deus”. Então Jesus faz a advertência que serve de lema para a nossa Campanha:
“Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro ou vai aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro!” (Mt 6,24)
E Jesus não ficou só no discurso. Toda a sua vida foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, de solidariedade com os pobres, de distribuição gratuita dos dons de Deus, sem nenhuma ambição de bens ou glórias mundanas.

Um texto básico, escolhido para iluminar nossa Campanha
A equipe que trabalhou na Campanha pensou em destacar uma passagem bíblica para ancorar a reflexão a ser feita. O grupo escolheu o encontro de Jesus com Zaqueu (Lc 19,1-10):
Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessou a cidade. Apareceu um homem chamado Zaqueu, chefe dos coletores de impostos, muito rico. “Zaqueu todo alegre acolheu Jesus em sua casa. Vendo isso, todos murmuravam; diziam: “É na casa de um pecador que ele foi se hospedar”. Mas Zaqueu, adiantando-se, disse ao Senhor: “Pois bem, Senhor, eu reparto aos pobres a metade dos meus bens e, se prejudiquei alguém, restituo-lhe o quádruplo”. Então Jesus disse a seu respeito: Hoje veio a salvação a esta casa.
fonte: www.conic.org.br

ABERTURA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010 EM VITÓRIA -ES



A Campanha da Fraternidade de 2010 na Grande Vitória será marcada por procissão e via-sacra na Cidade Alta, na Capital capixaba. A abertura está marcada para o dia 21 de fevereiro, às 15h30, no Centro de Vitória. Haverá dois pontos de concentração. Os homens, juntamente com um figurante que lembra Jesus Cristo, vão partir da Avenida República, próximo ao Parque Moscoso. Já as mulheres - com a figurante de Maria, ficarão próximas à antiga Capitania dos Portos, na Avenida Jerônimo Monteiro. O encontro entre os dois grupos acontecerá na Praça Costa Pereira. No local, haverá um sermão ecumênico e a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2010. Em seguida, terá início uma via-sacra pelas ruas da Cidade Alta, no Centro de Vitória. Para encerrar, uma partilha será realizada na Praça João Clímaco, ao lado do Palácio Anchieta. Dinheiro X Bem Estar Organizada pela Conferência Nacional do Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), a campanha, este ano tem como tema "Fraternidade e Economia" e vai tratar de um tema polêmico: o uso do dinheiro e do lucro. Em entrevista ao programa CBN Vitória, padre Kelder Brandão, da Arquidiocese de Vitória, salientou que a ideia é levar à população a refletir sobre a forma como o dinheiro é usado. "A campanha foi pensada para que a sociedade pense e reflita um pouco sobre como o dinheiro deve servir para a valorização do ser humano, e também de setores como o meio ambiente. E não somente a destruição para obtenção de lucro", disse. Esta é a terceira Campanha da Fraternidade Ecumênica. As outras foram realizadas em 2000 e em 2005. O objetivo é unir as Igrejas e, principalmente, a sociedade na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusões, criando uma cultura de solidariedade e paz. "Nos últimos anos conseguimos uma adesão muito grande da população para a celebração de abertura da Campanha da Fraternidade e vamos repetir em 2010", disse padre Kelder.

Por Fábio Botacin

13/01/2010 - Nota de pesar pelo ocorrido no Haiti


CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL - CONIC

NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DA DRa. ZILDA ARNS E DEMAIS VITIMAS MILITARES E CIVIS DO TERREMOTO NO HAITI
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC, vem, por meio desta, se solidarizar com todas as vitimas do terremoto ocorrido no dia 12 de janeiro de 2010 no Haiti. Queremos nos unir a todo o povo haitiano neste momento de extrema tristeza e sofrimento que se abateu sobre aquele pais, e que se estende por todo o mundo, uma vez que entre as vitimas fatais encontram-se cidadãos de vários países, que ali se encontravam a trabalho, missão de paz e solidariedade. Queremos transmitir, com especial carinho, o nosso apoio ás famílias brasileiras que perderam seus entes queridos nesta tragédia. Lamentamos a morte dos soldados brasileiros que ali estavam em missão de Paz, servindo à Pátria no serviço ao próximo. O CONIC lamenta a perda irreparável de tantos haitianos e brasileiros neste terremoto.
Queremos transmitir em particular os nossos pêsames à família Arns, pelo falecimento da Dra. Zilda Arns. Dona Zilda ofereceu a sua vida aos mais vulneráveis, em especial às crianças, no trabalho e coordenação da Pastoral da Criança e mais recentemente com a Pastoral do Idoso. O trabalho de Dona Zilda Arns espalhou-se por vários países, especialmente nas regiões mais carentes do mundo. Dona Zilda foi um exemplo de brasileira que dedicou-se por viver plenamente a missão evangélica da solidariedade e da caridade para com o próximo. O Brasil hoje está órfão e de luto pela perda de tão brilhante mulher. A Pastoral da Criança é chamada neste momento a continuar o trabalho e exemplo de Zilda Arns.
Que Deus nos console a todos e nos alimente com sua graça na certeza de que nossos irmãos e irmãs vitimas desta tragédia encontram-se na comunhão dos santos e santas! No amor do Cristo ressurreto,


Brasília, 13 de janeiro de 2010.
Rev. Luiz Alberto Barbosa
Secretário Geral do CONIC

P. Sin. Carlos Augusto Möller
Presidente do CONIC

fonte da notícia: CONIC
inserido por: Leila Gomes

CURSO MINI INTENSIVO DE BÍBLIA



Teve início dia 03/01, mais uma etapa do Curso Mini Intensivo de Bíblia promovido pelo CEBI – Centro de Estudos Bíblicos – Pólo Sudeste – composto por MG, RJ, SP e ES. O curso está acontecendo no Centro de Treinamento no Bairro São José, em Guarapari com participantes destes estados e termina no dia 16/01.
O início aconteceu com uma Análise de Conjuntura tratando dos seguintes assuntos: meio-ambiente, segurança publica e política nacional.
De 04 a 10 de janeiro o assessor será Rafael Rodrigues da Silva que irá trabalhar o PENTATEUCO. Rafael é professor de Teologia, com ênfase em Análise Literária dos Textos Antigos, atuando principalmente nos seguintes temas: contexto cultural e histórico, exegese e hermenêutica, sabedoria, hermenêutica e bíblia hebraica.
De 11 a 16 de janeiro a assessoria ficará a cargo de Pedro Lima Vasconcellos que irá trabalhar os EVANGELHOS.