Fraternidade e Amazônia

A Amazônia será tema em 2007 da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica Romana, com o lema: “vida e missão neste chão”.
Em 2002, a CNBB - Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (Igreja Católica Romana) constituiu a Comissão Episcopal de Bispos Católicos Romanos para a Amazônia com o objetivo de ajudar toda a Igreja Católica Romana no Brasil a voltar os olhos para a Amazônia e a tomar consciência dos grandes desafios da evangelização naquela região. A escolha do tema “Fraternidade e Amazônia” é expressão da mesma preocupação pastoral do episcopado; a Campanha da Fraternidade de 2007 poderá ser uma ocasião privilegiada para que também todo o Brasil tome consciência mais aprofundada sobre a complexa problemática da Amazônia e se volte para lá com políticas e iniciativas eficazes.

Ao falar em Amazônia, vem imediatamente à memória a preocupante questão ambiental: grandes rios e florestas imensas, devastação do verde e ameaça à riquíssima biodiversidade. Acompanhamos com apreensão a ocupação, muitas vezes predatória, das terras amazônicas, sem que seu complexo e delicado eco-sistema seja respeitado. O egoísmo e a ganância na exploração das riquezas, o descuido e a imprudência ameaçam seriamente esse patrimônio natural, que não é somente dos brasileiros; a devastação da Amazônia configura-se como uma perda e uma ameaça para toda a humanidade.

Amazônia também faz pensar em questões sociais e antropológicas: indígenas perturbados e agredidos em suas culturas; esvaziamento do território, já tão pouco povoado, crescimento caótico dos centros urbanos; ocupação de vastas áreas com projetos agropecuários, conflitos pela ocupação e posse das terras. O impacto da urbanização, da economia e da cultura globalizadas sobre as populações locais gera migrações, desenraizamento social, cultural e religioso; no coração da Amazônia, e não apenas na área de Manaus, apresentam-se os problemas sociais típicos de áreas metropolitanas e industriais do centro-sul do País: falta de infra-estrutura e de serviços públicos nas novas áreas de povoamento e nas explosivas realidades urbanas, desemprego, violência e degradação dos costumes.

A Amazônia, além disso, representa para a Igreja um conjunto de desafios novos postos à sua ação evangelizadora. As migrações levaram para a Amazônia centenas de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil; sugiram novas áreas de povoamento, que necessitam de assistência religiosa às populações e de estruturas de vida eclesial. As dioceses e prelazias católicas daquela região, no passado, eram geralmente socorridas por missionários estrangeiros, que as serviam com recursos humanos e materiais vindos de fora do País; hoje essas forças ficaram drasticamente reduzidas e as Igrejas da Amazônia ainda não estão em condições de enfrentar sozinhas a sua imensa tarefa evangelizadora. Como atender adequadamente as comunidades católicas esparsas pelo vasto território? A ação intensa de grupos religiosos não-católicos está questionando seriamente a capacidade e a agilidade de nossa Igreja católica em atender devidamente às necessidades religiosas dos seus próprios fiéis. Chegou a hora de uma grande ação solidária de toda a Igreja no Brasil para a evangelização da região amazônica. O apoio e o revigoramento daquela Igreja local tornou-se urgente e requer a ajuda de voluntários e missionários das outras regiões do País, além de recursos econômicos e logísticos.

“Vida e missão nesse chão”. A Igreja católica romana esteve presente no meio dos povos amazônicos desde o início da evangelização do Brasil e quer agora aprofundar sua presença e ação no meio deles. O lema aponta para os objetivos e a dupla preocupação da Campanha da Fraternidade de 2007. De um lado, fraternidade efetiva e corresponsabilidade na defesa e promoção da vida, que se manifesta de maneiras tão exuberantes e de tantos modos na Amazônia; por outro lado, fraternidade em relação à Igreja local, com todas as suas organizações e expressões, para que ela esteja em condições de assumir sua missão de anunciar o Evangelho da vida e da esperança aos povos amazônicos.

A Campanha da Fraternidade de 2007 poderá ser um grande momento para trazer a Amazônia para dentro do coração da Igreja no Brasil e de todos os brasileiros; será ocasião também para suscitar iniciativas e ações eficazes de valorização e defesa daquela vasta e ameaçada região brasileira. Antes que seja tarde demais.

O lançamento nacional da Campanha da Fraternidade (CF) O evento acontece em Belém (PA), dia 21 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, de 12h às 13h (horário de Brasília), com a presença do secretário-geral da CNBB, Dom Odilo Pedro Scherer, e o arcebispo de Belém, Dom Orani João Tempesta. Durante o lançamento serão apresentadas as diversas realidades amazônicas.

Fonte: CNBB - Conferência dos Bispos Católicos Romanos do Brasil

O Compromisso com a Restauração da natureza

O primeiro passo é ter uma visão crítica. Avaliar as causas e as conseqüências do que vemos e fazer um juízo. Com isso, percebemos que não podemos ficar indiferentes como se a realidade nada tivesse a ver conosco. Temos uma dose de responsabilidade pelo que acontece em volta de nós. A consciência dessa responsabilidade nos leva a agir.

Estamos diante de uma dramática destruição da natureza. Os movimentos ecológicos são um alerta, um clamor. Um clamor que sobe aos céus na certeza de que "Deus ouve o clamor do seu povo". Ouve o clamor e nos convoca para libertá-lo. Deus nos está convocando para a restauração da natureza.

Muitas espécies vivas já desapareceram da terra e muitas estão em extinção. É grande o cemitério de povos que existiram e deixaram de existir: como exemplo, as centenas de povos indíge­nas que habitavam nosso território, antes da chegada dos coloni­zadores. As previsões para um futuro não muito longínquo são catastróficas.

Faltará água potável e o ar se tomará irrespirável. A vida na terra está ameaçada. A terra está agonizante. Ora, nós ain­da estamos vivos e precisamos reagir forte e urgentemente para salvar o planeta terra. Nada podemos esperar dos "grandes do mundo", cada vez interessados pelo povo, pois vivem no seu mundo de suas ambi­ções.

Somos um povo resistente, paciente e teimoso podemos alicerçar nossa esperança ancorada na Fé. Daí a necessidade de informarmos, de entrar em contato com grupos ecológicos, de mexer-nos, de organizar-nos.

É urgente revalorizar as culturas naturais, a medicina caseira, a sabedoria dos povos indígenas no trato com a natureza.

A Espiritualidade Ecológica

Deus se revela através da natureza e através da Bíblia. Nela podemos recuperar uma correta visão ecológica e de espiritualidade. São convocados para celebrar, para agradecer tudo o que existe no mundo. A natureza é um grande santuário e tudo nela é sagrado. E Deus nos convida a cuidar-mos de sua obra.

A criação é um poema de Amor e espiritualidade para mundo, um e outro estão a serviço da humanidade. E a humani­dade deve colocar-se a serviço de Deus. Na Bíblia, serviço é culto e culto é serviço. O serviço-culto de Deus exige, antes de tudo, que zelemos pela natureza que Ele nos confiou. Somos responsáveis por todas as maravilhas do universo. Essas maravilhas estão na terra e na água.

Esta espiritualidade esta presente neste chão amazônico onde pessoas são vitimas da violência pelo que se acham donos da terra, e o sangue deles derramado clama a Deus no solo da Amazônia. É um grito ao Deus que compadece do pobre, do excluído, do sem vez e sem voz. Também cria a humanidade para cuidar, guardar, preservar e continuar esta grande obra da criação.

Nosso compromisso há de ser não só de nutrir nossa espiritualidade com as maravilhas de Deus na natureza, mas de revestir nossa atividade com o zelo em preservá-la e restaurá-la. O que podemos e vamos fazer em relação à terra e à água onde estamos e atuamos?

O que fazer para que esta espiritualidade Ecológica faça de nós cristãos mais comprometidos como a Amazônia e o povo de Deus?

Na próxima postagem refletiremos sobre a relação entre Bíblia, Vida e Compromisso com a Natureza.

A criação de Deus em Gn 1

Embora esteja no começo da Bíblia, este relato da criação foi escrito no tempo do Cativeiro. O povo da Bíblia faz a experiência de Exílio nas terras da Babilônia. Sua condição era de prisioneiros de guerra. Guerra esta que arrasou a cidade de Jerusalém e o templo, devastou campos e aldeias do povo da terra. O grupo que foi exilado convive com realidades bem diferentes na Babilônia. O ritmo de vida é diferente.

Na Babilônia, o sol, a lua e os astros eram vistos como deuses, daí a afirmação de que foram criados para marcar o tempo. Na Babilônia, achavam que as águas e os ares eram habitados por seres grandiosos, daí a criação de tudo que está submerso nas águas e que esvoaça nos ares. O sexto dia é muito especial, porque, além de serem criados os animais com que o ser humano vai conviver ou dos quais vai precisar proteger-se, o próprio ser humano é criado "à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, criou-os homem e mulher".

Fomos colocados na natureza não como um rei que abusa do seu poder, mas como representante de Deus que, antes de tudo, deve respeitar os "direitos da natureza", defendê-la, preservá-la, cultivá-la.
Temos de nos comprometer com a "imagem de Deus", profanada em milhões e milhões de excluídos. Eis o desabafo de um menino de rua: "Eu sei que sou filho de Deus. Mas quando digo ninguém acredita".

Na próxima postagem falaremos sobre a espiritualidade que brota da experiência ecológica.

Os crimes e atentados contra a natureza

Tudo aquilo que agride ou destrói a natureza é considerado um crime ambiental. E são muitos os crimes praticados em todo o planeta.

Os países mais desenvolvidos são os que mais destroem a natureza. O presidente dos Estados Unidos se recusou a assumir o protocolo de Kioto que visa à redução do nível de poluição lançada na atmosfera. A amazônia com sua grandiosa riqueza e diversidade de animais e plantas está sendo devastada para dar lugar ao agronegócio, ao plantio de um só tipo de cultura.

Os crimes contra a natureza são crimes contra Deus. A humanidade tem a obrigação de preservar o bem que lhe foi confiado. Ela não é dona, mas protetora da natureza. Temos, portanto, a obrigação de conservar a natureza tal como Deus nos confiou. Em vista disso, qual o compromisso que devemos assumir con­cretamente diante dos atentados que cometemos ou vemos come­ter contra a natureza?

Devemos assumir o compromisso não só de respeitar os "direitos da natureza", mas de protestar e lutar contra os que não os respeitam.

Na próxima postagem refletiremos um pouco sobre a Criação de Deus.

Ecologia e Bíblia

Hoje em dia estamos vivenciando uma grande ameaça à vida devido a agressão feita a nossa casa, o planeta Terra. Seus recursos naturais estão se esgotando, florestas estão sendo devastadas e isso afeta a harmonia do planeta. Mudanças no clima, por exemplo, já são uma realidade.

Mas são muito mais numerosos e terríveis os agres­sores da natureza. Queimadas, desmatamentos, monocultura e agropecuárias dos latifúndios, agrotóxicos, caça e pesca predatória e indiscriminada, grandes barragens, poluição das águas e do ar e por aí a fora.

O texto bíblico do livro de Gênesis no capítulo 1 nos apresenta Deus como criador. Cria a terra com toda a sua força de vida, o mar com todo o seu dinamismo, o céu com todos os seus fenômenos. De forma muito especial, além de criar os animais, cria o ser humano à sua imagem: “à imagem de Deus ele o criou, criou-os homem e mulher". Criou-os para proteger, preservar e continuar a obra da criação.

Não podemos ficar indiferentes diante dos atentados contra a natureza promovidos por um sistema econômico que tem como eixo o lucro a qualquer preço e uma ambição desmedida. Devastar a natureza é, portanto, uma profanação. Nosso compromisso é não só de nutrir nossa espiritualidade com as maravilhas de Deus na natureza, mas de revestir nossa atividade com o zelo em preservá-la e restaurá-la.

Portanto esta semana falaremos sobre a Ecologia e como a Bíblia ilumina esta realidade. Na próxima postagem refletiremos sobre os crimes e atentados contra a natureza. Até lá.

Curso de Grego Bíblico

OBJETIVO: Possibilitar formação no estudo da língua grega para uma melhor compreensão dos textos bíblicos do Novo Testamento.

DIA E HORÁRIO: sempre às quartas-feiras de 19 às 21h

INÍCIO: 07/03/07

TÉRMINO: 28/11/07

OBS.: Com pausa no mês de julho

PERÍODO: 8 meses

CARGA HORÁRIA: 60h (com certificado)

LOCAL: Sala do CEBI-ES localizada na rua Duque de Caxias, 121, Ed. Juel, Sala 206 - Centro -Vitória - ES (atrás da praça oito, em cima da Livraria Paulus )


VAGAS: LIMITADAS (35 pessoas)

ASSESSORIA: Pr. Norberto Berger

VALOR: R$12,00

INSCRIÇÕES:

- na sala do CEBI-ES
- ou pelo telefone 3223-0823 apartir de 01/02 até 27/02/07 de segunda a sexta à tarde;
- por e-mail: cebies@yahoo.com.br a partir de hoje.