Caminhos para se construir uma cultura de Paz

As reflexões que fizemos nos mostraram as dificuldades e os desafios do caminho para a paz. Ela parece quase impossível. Mas a humanidade nunca desistiu da busca pela paz. O coração não descansa enquanto não encontra a paz, bem tão necessário quanto o amor. Nós cremos na paz e na capacidade de construí-la.

Mas para isso precisamos acolher, com tranqüilidade, a nossa condição humana de amor e ódio, bondade e maldade. Mas devemos reforçar nossas dimensões positivas de amor, bondade para que o mal seja controlado e a paz aconteça.

É preciso cuidar da justiça, criando instituições mais justas. O funcionamento delas não deverá ser formal, mas humano, cuidadoso e sensível às realidades das pessoas e situações.

Criar uma cultura de cuidado para com a Terra, para com a natureza e para com as pessoas, principalmente as menos favorecidas.

Esse caminho deve ser vivido a cada momento, fazendo da paz o caminho mais curto e mais certo para se chegar a plenitude. Só os ambientes pacíficos e as mentes e corações pacíficos podem produzir a paz.

O sentido da paz na Bíblia

Paz é conceito básico na Bíblia. A palavra hebraica shalom é saudação que comunica uma paz completa. É resumo de tudo de bom que Deus quer oferecer quando faz aliança com o povo. O termo aparece na Escritura 239 vezes e abrange muitos significados: bem-estar, felicidade, saúde, segurança e relações sociais equilibradas; harmonia consigo mesmo, com o próximo e com Deus. A paz na Bíblia não é só o contrário de violência e ódio, é a vida como ela deve ser. Por isso, com os salmos, o povo ora: "Escuto o que diz Deus, o Senhor: Ele diz: "Paz". "Evita o mal, faze o bem, procura a paz e vai atrás dela!".

O caminho de Deus para a construção do Reino da paz não é o caminho da punição, mas da redenção pela oferta amorosa, pacífica, de um novo modo de viver. Jesus, vítima de uma grande violência, não responde com violência igual. Toda sua vida e missão estão a serviço da paz. Por isso, Paulo diz que Cristo é a nossa paz, que Jesus fez uma unidade daquilo que era dividido, que destruiu a separação e fez uma humanidade nova pelo restabelecimento da paz. Ele derruba fronteiras e limites, recusa a lógica da violência e nos deixa a paz: "Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não vos dou como o mundo a dá". Também não se esquiva do sofrimento que se tornou comum em nosso mundo violento: aceitando padecer, ele se torna solidário com todos os sofredores, com todas as vítimas de todos os tempos e lugares.

Portanto Jesus aponta caminhos de paz. À paz não se chega pela mentira, pela fome, pela guerra, pela imposição da vontade do mais forte, pela construção de muros de defesa. Não se alcança a paz por caminhos violentos. Os caminhos que Jesus aponta vão na contramão da violência: caridade, amor fraterno, perdão, solidariedade, resgate do pecador, inclusão dos excluídos. A paz exige meios pacíficos e pessoas com uma espiritualidade pacificadora.

Na próxima postagem falaremos sobre algumas ações pessoais e coletivas para se construir uma cultura de paz.

A violência provocada pela economia atual

A economia tem o objetivo de criar condições para a vida e sua reprodução. Ao longo da história da humanidade, ela era parte importante da sociedade, mas sempre controlada pela política. Esta é a forma como a sociedade distribui o poder, organizam e constroem um projeto para o bem comum. Mas atualmente a economia se separou da sociedade e obedece a sua própria lógica: aumentar os lucros, diminuir os investimentos e encurtar os prazos. O mundo virou um grande mercado e tudo é colocado a venda: saúde, educação, cultura, órgãos humanos e até a religião.

O resultado mais desastroso desta mudança é reduzir o ser humano a um mero produtor e a um simples consumidor. Este projeto desumano e materialista empobrece a experiência de vida. E como disse um senhor da comunidade “esta pessoa é tão pobre que ela possui apenas dinheiro”. Bondade, generosidade, espírito de cooperação e cuidado para com as coisas estão totalmente ausentes nela.
E o motor desta lógica é a competição de forma feroz. Só o forte vence. O fraco não resiste, desiste, perde.

Mas esta lógica tem um limite: a natureza com seus recursos limitados. Mas esta não é respeitada e tem mostrado sua revolta: superaquecimento, diminuição da camada de ozônio, tufões, secas, inundações avassaladoras e nas relações humanas, a crescente violência nas relações sociais. Não se trata somente da construção da paz, mas também de nossa sobrevivência. O futuro da vida humana corre alto risco de ser destruído ou gravemente prejudicado.

Como é possível que a paz aconteça diante desta ameaça da vida na Terra e da humanidade?

Quando acontecer uma mudança radical dos conceitos e das práticas de produção e distribuição dos bens necessários à vida. Assim o essencial não será a acumulação sem limites dos bens e serviços. Será a produção do suficiente e do decente para todos. E a Terra não será vista como um baú de recursos naturais, mas a Grande Mãe da qual somos seus filhos e filhas.

Situações no dia-a-dia que impedem a paz verdadeira

Para construir cultura de paz é necessário olhar para nós mesmos e superar nossos conflitos vividos na família, no trabalho, na comunidade e nas igrejas, enfim, onde estivermos. E para isto temos que ser realistas e sinceros. Há violência no mundo porque carregamos violência dentro de nós. Quantas vezes sentimos raiva quando no trânsito somos ultrapassados por um outro carro de forma apressada e perigosa.

Ficamos irritados quando nas calçadas lotadas de gente não conseguimos andar com pressa, porque estamos atrasados para algum compromisso. Ou quando estamos no ponto de ônibus, e ao sinalizar para o motorista, este simplesmente não pára. Quantas vezes não ouvimos alguém dizer: “me deu vontade de agarrar o pescoço de fulano” ou “ainda vou matar essa pessoa e cortá-la em mil pedaços”. Tais sentimentos estão dentro de nós.

Segundo alguns estudiosos, estes sentimentos se manifestam porque nos sentimos ameaçados. Na raiz da agressividade está o medo de perder a vida. Outros estudiosos vão dizer que a origem da agressividade é a permanente rivalidade existente entre as pessoas e grupos. Esta situação cria tensões.

Dentro dessa realidade, como construir uma cultura de paz? Só será possível na medida que as pessoas e os grupos estiverem dispostos a dar mais espaço e cultivar a hospitalidade, e convivência, de respeito, de tolerância, de cooperação, de solidariedade e de amor. Se prevalecer a confiança coletiva e o cuidado de todos para com todos. Assim não há por que alguém sentir-se ameaçado. Na cultura da paz estes valores têm que prevalecer. Mas também deve-se manter o cuidado com a dimensão da rivalidade, do egoísmo e da exclusão dos demais.

Na próxima postagem falaremos sobre violência provocada pela economia atual.

Até lá!

Curso sobre o Evangelho segundo João

OBJETIVO: Possibilitar uma formação sobre o Evangelho de João a partir do método de leitura popular da Bíblia (Realidade, Bíblia, Comunidade)

DIA E HORÁRIO: sempre às quintas-feiras de 19 às 21h

INÍCIO: 01/03/07

TÉRMINO: 28/06/07

PERÍODO: 4 meses

CARGA HORÁRIA: 30h (com certificado)

LOCAL: Sala do CEBI-ES localizada na rua Duque de Caxias, 121, Ed. Juel, Sala 206 - Centro – Vitória - ES (atrás da praça oito, em cima da Livraria Paulus )

VAGAS: LIMITADAS (35 pessoas)

ASSESSORIA e ORGANIZAÇÃO DO CURSO: Equipe do CEBI-ES (Fatinha, Rômulo, Izalete, Mácio, Verônica, Ir. Luíza).

VALOR: R$12,00

INSCRIÇÕES:
- na sala do CEBI-ES ou pelo telefone 3223-0823 apartir de 01/02 até 27/02/07;
- por e-mail:
cebies@yahoo.com.br a partir de hoje.

Viver em Paz: um desafio no ano que começa

Todo início de um novo ano todos se saúdam desejando muita paz. E são muitos os votos de Paz. Mas nos últimos anos tem sido um apelo constante não só nesta época, mas ao longo dos anos. O mundo vive e assiste à violência, conflitos, guerras. E as pessoas vivem com medo e muito ameaçadas.

Não só os conflitos mundiais e a violência urbana nos mostram a ausência de paz. As relações entre as pessoas também são marcadas pelos conflitos. Na política, nas empresas, nas igrejas e outros vários grupos de nossa sociedade experimentamos esta situação. Não há entendimento, tolerância, diálogo, mas rivalidades, espírito de competição, disputas pelo poder ou favorecimento de determinado grupo.

A verdadeira paz é muito mais do que ausência de guerra. É algo que envolve justiça social, dignidade, respeito pelos direitos humanos e muito mais.

Mas a paz não nasce por si só. Ela é fruto de valores, comportamentos e relações. É um dos bens mais desejados e necessários da humanidade atual.

Como construir a paz nesta realidade de competição, violência e guerras?

Esta semana estamos postando algumas reflexões sobre situações que provocam a violência, o que a Bíblia fala a respeito da paz e quais as ações concretas para construir uma cultura de paz.