40% das mulheres que sofrem violência doméstica são evangélicas

Resultado de imagem para violência domésticaA violência doméstica é uma triste realidade no Brasil e uma pesquisa descobriu uma informação ainda mais alarmante: 40% das mulheres que se declaram vítimas de agressões físicas e verbais de seus maridos são evangélicas.

A descoberta é resultado de uma pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie a partir de relatos colhidos por organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham no apoio às vítimas desse tipo de violência.

“Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas”, diz um trecho do relatório divulgado, de acordo com informações da Rede Super.

A surpresa não é maior do que a preocupação que existe sobre o contexto das agressões: muitas das vítimas dizem sentirem-se coagidas por seus líderes religiosos a não denunciarem seus maridos.

“A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’, então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”, denuncia o documento.

Após encontro, Reju emite "Carta de Contagem"

Resultado de imagem para rede ecumênica da juventude (reju)Nós, juventudes ecumênicas reunidas no Encontro Nacional “Desafios e possibilidades no cuidado da casa comum” realizado pela Rede Ecumênica da Juventude/REJU e pela Pastoral Popular Luterana/PPL vinculada a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil/IECLB, entre os dias 12 a 16 de novembro de 2016, em Contagem/MG, acreditamos que a oikumene deve expressar os encontros e a convivência entre as diferenças sociais, culturais e religiosas a fim de superar todas as formas de intolerância. Partilhamos, assim, nosso desejo e nossa luta por justiça, igualdade e dignidade a todas as pessoas que habitam essa casa comum tendo em vista a atual conjuntura em nosso país marcada pelo recrudescimento das violações aos mais diversos direitos. Por conta disso, denunciamos:

▪ Os casos de desrespeito às pessoas pertencentes às diversas manifestações religiosas e ataques aos seus lugares de culto que acometem principalmente as religiões de matrizes africanas e indígenas;

▪ Grupos e setores cristãos que utilizam, de forma descontextualizada e sem diálogo com as diversidades humanas, valores religiosos e narrativas bíblicas para promover um fundamentalismo de cunho político que os permitem disputar e garantir seus lugares em espaços de poder em suas igrejas, na sociedade e nos legislativos e executivos; 

▪ Às violências contra a pluralidade de identidades de gêneros e sexuais validadas por uma sociedade patriarcal, machista e misógina;

Arrependimento e conversão (Mateus 3.1-12) - Roberto N. Baptista

Resultado de imagem para missão jesusA doutrina do profeta precursor como um novo Elias estava baseada na expectativa da vinda do Messias. Os doutores da lei ensinavam que antes da chegada do Messias deveria haver um grande arrependimento do povo (Mt 11.10). Em diferentes comentários os rabinos mencionavam as profecias de Ml 3.1; 4.5-6 e Is 40.3 e as utilizavam para enfatizar a necessidade de arrependimento e conversão.

Apesar disso, como já vimos, fariseus e doutores acreditavam que chegariam ao Messias através da observância da tradição. Desde o exílio, as autoridades religiosas preocupavam-se com a restauração da nação. A expectativa sempre foi grande. Manter o moral alto, porém, sempre foi uma grande dificuldade. Sucessivas derrotas políticas e militares criaram uma enorme insatisfação. Diríamos hoje que o povo estava frustrado. É a crise de identidade. Naquela época, essa crise se manifestava com maior intensidade, já que para se chegar ao Messias era necessária a tradição.

Por isso, João afirmava que na radicalização da chegada do Senhor não mais era fator de segurança ser da descendência de Abraão (v. 9). Exigia-se, antes de tudo, metanoia. Podemos imaginar o impacto dessa afirmação! De repente, a segurança de fariseus e doutores ia por água abaixo.

Batismo com água — batismo com o Espírito Santo e com fogo

Já no pós-exílio, o judaísmo adotara o batismo como admissão de prosélitos a uma nova experiência religiosa. Com certeza, essa experiência não era exclusiva da religiosidade judaica. Banhos de purificação eram comuns a diversas culturas, religiosas ou não.

Os frutos do arrependimento - Paulo R. Petrizi

Resultado de imagem para arrependimentoO que é arrependimento? De acordo com Mateus 3.1-12, era sobre o arrependimento que o profeta João Batista costumeiramente pregava. E seu ministério, à margem do rio Jordão, atraía muitas pessoas que em sinal do arrependimento de seus pecados, deixavam-se batizar nas águas do rio. Porém, não eram somente as pessoas que buscavam a Deus que compareciam até onde João ministrava, mas também diversos fariseus e saduceus, a quem o profeta chamou de “raça de víboras”.

Observe as palavras de João no verso 7: Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Ao referir-se àquelas pessoas como serpentes venenosas, o profeta referiu-se ao caráter deles ser semelhante ao do Diabo. Infelizmente, há pessoas que têm características em sua personalidade e conduta que lhes assemelha ao Diabo: desobediência, malignidade, astúcia maligna, infidelidade, falsidade, traição, perversidade, etc. A principal característica destas pessoas é a incapacidade de se arrependerem de seus pecados.

Quem tem caráter de víbora não se arrepende. Quem tem caráter de cordeiro, tem frutos de arrependimento. O Messias, a quem João Batista anunciava, veio para ser Pastor de cordeiros. Tais cordeiros têm como principal característica o arrependimento de seus pecados e os frutos decorrentes (cf. Mt 3.8). Exemplos destes frutos são dados pelo próprio João Batista noutro texto, em Lucas 3.10-14.

Ecumenismo: recomeçar a partir de Trento - Luca Maria Negro

Resultado de imagem para ecumenismoO pastor batista Luca Maria Negro, presidente da Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI), faz uma síntese do recente congresso realizado em Trento, Itália, reunindo católicos e protestantes, intitulado “Católicos e protestantes a 500 anos da Reforma. Um olhar comum sobre o hoje e sobre o amanhã”.

O artigo foi publicado pela agência Notizie Evangeliche (NEV), 23-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“Católicos e protestantes a 500 anos da Reforma. Um olhar comum sobre o hoje e sobre o amanhã”: mais de 300 pessoas, em sua maioria “delegados diocesanos” para o ecumenismo, participaram do congresso promovido em Trento pela Conferência Episcopal Italiana (CEI), em colaboração com a Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI).

Foram três dias muito intensos e muito autênticos. Pessoalmente, estou engajado no movimento ecumênico há mais de 30 anos, e há muito tempo não me acontecia de participar de um encontro tão encorajador. Voltando com a memória, eu diria que vivi a última experiência semelhante há exatamente 15 anos, em Estrasburgo, durante a semana da Páscoa de 2001, no encontro que lançou a “Charta Oecumenica: diretrizes para o crescimento da colaboração entre as Igrejas na Europa”.

Obviamente, tratou-se de dois encontros muito diferentes entre si – o de Estrasburgo era um encontro ecumênico europeu; o de Trento, um congresso nacional promovido pela CEI em colaboração com os evangélicos.

Com os olhos abertos (Mateus 24,37-44) - José Antonio Pagola

Resultado de imagem para ceb'sAs primeiras comunidades cristãs viveram anos muito difíceis. Perdidos no vasto Império de Roma, no meio de conflitos e perseguições, aqueles cristãos procuravam força e alento esperando a pronta vinda de Jesus e recordando as suas palavras: “Vigiai. Vivei despertos. Tende os olhos abertos. Estai alerta.” Significarão, todavia, algo para nós estas chamadas de Jesus para viver despertos?

Que é hoje para os cristãos colocar nossa esperança em Deus vivendo com os olhos abertos?

Deixaremos que se esgote definitivamente no nosso mundo secular a esperança numa última justiça de Deus para essa imensa maioria de vítimas inocentes que sofrem sem culpa alguma?

Precisamente, a forma mais fácil de falsear a esperança cristã é esperar de Deus a nossa própria salvação eterna enquanto viramos as costas ao sofrimento que há agora mesmo no mundo. Um dia teremos que reconhecer nossa cegueira ante Cristo Juiz: quando te vimos faminto ou sedento, estrangeiro ou nu, doente ou na prisão, e não te assistimos? Este será o nosso diálogo final com Ele se vivemos com os olhos fechados.

Temos que despertar e abrir bem os olhos. Viver vigilantes para ver por cima dos nossos pequenos interesses e preocupações. A esperança do Cristão não é una atitude cega, pois não esquece os que sofrem. A espiritualidade cristã não consiste só num olhar para o interior, pois o seu coração está atento a quem vive abandonado à sua sorte.

Nas comunidades cristãs temos que cuidar cada vez mais que nosso modo de viver a esperança não nos leve à indiferença e ao esquecimento dos pobres. Não podemos isolar-nos na religião para não ouvir o clamor dos que morrem diariamente de fome. Não nos está permitido alimentar a nossa ilusão de inocência para defender nossa tranquilidade.

Advento: modo criativo de esperar - Adroaldo Palaoro

Resultado de imagem para teologia da libertação“Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá” (Mt 24,44)

A reflexão bíblica é elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o evangelho do 1º Domingo de Advento (27/11/2016) que corresponde ao texto de Mateus 24,37-44.

Em cada ano, no tempo do Advento, a liturgia da Igreja nos mobiliza a esperar. Nem sempre caímos na conta que tenhamos a Quem esperar. Então, nos dispersamos “esperando algo”, vivendo a lenta e inevitável fila das esperas.

Como seres humanos, fomos feitos para esperar: esperar um filho, esperar um trabalho, esperar o resultado de um exame médico, esperar que as coisas melhorem, esperar que saia o sol… Trata-se de uma sucessão interminável de esperas, algumas vezes infrutíferas, indesejadas e angustiosas, outras vezes surpreendentes, plenificantes… Às vezes esperamos sem saber muito bem o quê ou quem esperamos, como os dois personagens do filme “Esperando Godot”, que nunca souberam a quem esperavam, nem por que esperavam, nem se, efetivamente, chegaria o esperado Godot.

Outras vezes, a espera se vê realizada, mas o resultado da mesma é tão pífio, tão frustrante, que os “esperantes” terminam por pensar se valeu a pena tanta mobilização. Existem também esperas doentias, que provocam ansiedade, medo e nos paralisam; esperas centradas em nós mesmos.

"Portanto, fiquem vigiando!" (Mt 24,37-44) - Thomaz Hughes, SVD

Resultado de imagem para banco jardim paisagemNeste primeiro Domingo do novo Ano Litúrgico, na preparação para o Natal, o texto se situa dentro do chamado "Discurso Apocalíptico" de Mateus, que inicia-se em 24, 1 e termina em 25, 46. Estes versículos (começando em v. 32) respondem a pergunta feita a Jesus pelos discípulos em v. 3 "Dize-nos quando vai ser isso, e qual será o sinal da tua vinda e do fim do mundo?" Jesus não se detém em explicitar datas, mas enfatiza a atitude de vida que deve marcar os seus seguidores sempre, e não somente quando acham que o fim do mundo se aproxima. Neste discurso, ele descarta qualquer marcação da data, afirmando num versículo anterior "quanto a esse dia e hora, ninguém sabe nada, nem os anjos do céu, nem o Filho. Somente o Pai é quem sabe” (v. 36).

Jesus usa imagens da história de Noé. As pessoas daquela época se preocuparam com nada, nada perceberam - em nossos termos hoje, poderíamos dizer que eles não souberam ler "os sinais dos tempos". Por isso, foram pegas de surpresa, perderam a hora da graça, e se perderam.

Sem levar a história a pé da letra, podemos muito bem aplicar a mensagem à nossa situação atual. A Igreja sempre nos conclama para que leiamos "os sinais dos tempos". Um sinal aponta para uma realidade mais profunda! Não basta ficarmos somente com o sinal, temos que descobrir a realidade subjacente a qual ele aponta.

Combate ao tráfico de drogas e o genocídio da juventude negra [Roberto Malvezzi (Gogó)]

Resultado de imagem para juventude negraSe há um consenso na política de combate ao tráfico de drogas é sobre ela ter alto custo e ser absolutamente inócua. Longas matérias conversando com gente do BOPE, especialistas no assunto e mesmo pessoas ligadas ao tráfico têm esse ponto em comum.

Entretanto, dos 30 mil jovens mortos por homicídio a cada ano no Brasil, 77% são negros (https://anistia.org.br/campanhas/jovemnegrovivo/).

Ao celebrarmos o dia da Consciência Negra, os jornais avisam que 7 jovens foram eliminados nas matas da Cidade de Deus, após a queda de um helicóptero da polícia. Pouco depois, a própria mídia dizia que um laudo preliminar constatara que nenhuma bala atingira o helicóptero ou algum policial morto no acidente.

Entretanto, quando a polícia pegou um helicóptero com 500 kg de cocaína em Minas, registrado em nome de senador, ninguém soube dizer até hoje de quem era o helicóptero e muito menos a cocaína.

A atriz Cléo Pires afirmou claramente nos jornais esses dias que usa droga de modo recreativo. Sabe-se que em certas festas das elites, em ambientes fechados, a droga faz parte do bufê. Para que haja esses consumidores é preciso que alguém seja o fornecedor.

Proclamar Libertação (Mateus 24.37-44) - Martin Dreher

Resultado de imagem para liberdadeData Litúrgica: 1º Domingo de Advento
Proclamar Libertação - Volume: XXI

1. O Texto

Nossa perícope faz parte dos últimos discursos de Jesus em Jerusalém, conforme o evangelista Mateus (21.1-25.46). Nos textos anteriores a 24.32, as palavras buscam responder a pergunta pelo sinal da vinda do Filho do homem e pela consumação. Até agora, porém, não foi respondida a pergunta relativa ao quando?. A resposta é dada agora em 24.32-44, seguida de três parábolas (24.45-25.30). O texto, a partir de 24.32, é formado por partes que encontramos na mesma sequência em Marcos (24.32-36 = Mc 13.28-32) e por ditos que também encontramos em Lucas, mas que foram abreviados e retrabalhados por Mateus (24.37-41 = Lc 17.26s.,34s. e 24.43s. = Lc 12.30s.). As tradições reproduzidas são muito antigas; como Mateus as insere no discurso apocalíptico de Jesus, elas necessitam ser reinterpretadas, pois se encontram em certa tensão com o mesmo. Vejamos a perícope.

Vv. 37-39: Mateus assume da fonte de ditos a comparação com os dias de Noé e a emoldura com a dupla referência à vinda do Filho do homem, no início e no fim. A vinda do Filho do homem encontrará uma geração que vive muito segura de si, mas que é por ela surpreendida. Ao contrário dessa geração, a comunidade vê, enquanto o cego não vê, está vigilante, enquanto outros dormem e não vêem o perigo que correm. Enquanto a interpretação rabínica do dilúvio declara que aquela geração teria sido destruída por ser depravada, o texto de Mateus fala de sua vivência diária: está segura de si e, por isso, sua vida se resume em gozar a vida.