Em 2050, serão necessários quase 3 planetas para manter atual estilo de vida da humanidade

Resultado de imagem para planeta poluiçãoSe a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários a fim de manter o atual estilo de vida da humanidade, lembrou o Banco Mundial. A voracidade com que se consomem tais recursos fez as Nações Unidas incluírem o consumo em sua discussão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.

A reportagem foi publicada por ONU Brasil, 23-08-2016.

A meta número 12 dos ODS não poupa os países desenvolvidos nem as nações em desenvolvimento. Insta todos a diminuir o desperdício de alimentos — um terço deles é jogado fora anualmente —, repensar os subsídios aos combustíveis fósseis e reduzir a quantidade de resíduos lançados sem tratamento no meio ambiente, entre outras tarefas urgentes.

A América Latina e o Caribe têm desafios importantes a cumprir em relação a esses e outros quesitos. Atualmente, a região joga fora 15% da comida que produz. Conseguiu diminuir de 1% para 0,68% o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) gasto em subsídios para os combustíveis fósseis entre 2013 e 2015, mas alguns países ainda dedicam cerca de 10% do PIB a eles. Finalmente, cada latino-americano produz até 14kg de lixo por dia, dos quais 90% poderiam ser reciclados ou transformados em combustível caso fossem separados por origem.

Grito dos Excluídos: 7 de setembro

O Grito dos Excluídos 2016 tem como lema "Este sistema é insuportável: exclui, degrada e mata!". Portanto, nos convida a refletir sobre as desigualdades, injustiças sociais e outras mazelas que o atual sistema econômico nos impõe. 
Diante disso, a Arquidiocese de Vitória viu a necessidade de levar às ruas, por meio do ato deste ano, a denúncia contra o crime ambiental cometido pela Vale, Samarco e BHP Billiton com o rompimento da barragem de fundão, em Mariana, Minas Gerais, no dia 5 de novembro de 2015. Então, neste ano de 2016, o Grito dos Excluídos será organizado pelo Fórum Capixaba das Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce, que está construindo a manifestação junto a pastorais, movimentos sociais, sindicatos, associações, além dos atingidos e atingidas de diversos municípios do Espírito Santo.
A escolha da Praia de Camburi se deu pelo fato de uma das empresas criminosas, a Vale, estar situada no local e também por ser essa localidade e adjacências constantemente atingida pelo pó preto da mineradora. 
Todos que se sentem indignados com as vidas ceifadas por causa desse crime ambiental, das destruições ambiental e cultural, confirmem presença, convidem os amigos e amigas e, principalmente, estejam presentes na Praia de Camburi no dia 07 de setembro, às a partir das 8h30, em frente ao Clube dos Oficiais. Vamos gritar: Não foi Acidente! Basta de Impunidade! Queremos justiça!

Confirme presença, compartilhe e convide seus/suas amigos/as no facebook: https://www.facebook.com/ events/518913714986546/

E esse muro de inimizade e separação?! - Nancy Cardoso

Amig@s do Kairós Palestina Brasil mais uma vez convidamos vocês para um momento de reflexão e oração pela paz justa na Palestina e Israel. Vamos nos juntar a grupos e comunidades de 40 países na semana de 18 a 24 de setembro de 2016. Estamos convencid@s de que a paz com justiça para Israel e Palestina é o caminho que passa pelo fim da ocupação militar da Palestina e o fim de todas as barreiras. Organize um momento com seu grupo e comunidade! 

Tema 2016 - Deus derruba o muro de inimizade e separação (Efésios 2, 14b) 

Israel tem erguido barreiras que separam os palestinos de suas terras, famílias, comunidades, meios de subsistência, fazendas, escolas, mesquitas, igrejas, hospitais, parques e outros espaços de vida. Exemplos de barreiras em áreas palestinas incluem: o muro de separação, pontos de verificação militar, cercas, barricadas do exército, patrulhas do exército, grandes obstáculos interrompendo os caminhos e estradas que cortam em aldeias inteiras só para garantir um espaço "seguro" para os colonos israelenses que querem fácil acesso ao seus assentamentos ilegais – porque construídos em território palestino.

Talvez uma das barreiras mais repugnantes é o bloqueio de Gaza. Agora em seu 10 ano, o bloqueio envolve um complexo de terra, ar e mar por Israel e Egito. As restrições sobre bens atingindo Gaza através das passagens terrestres são uma causa significativa da situação humanitária insustentável e inaceitável de Gaza, para além dos três invasões militares de larga escala. O bloqueio constitui uma punição coletiva da população de Gaza e é, portanto, uma violação direta do direito internacional.

Seguidora fiel de Jesus - José Antonio Pagola

Os evangelistas apresentam a Virgem com traços que podem reavivar a nossa devoção a Maria, a Mãe de Jesus. A sua visão ajuda-nos a amá-la, meditá-la, imitá-la, rezá-la e confiar nela com espírito novo e mais evangélico.

Maria é a grande crente. A primeira seguidora de Jesus. A mulher que sabe meditar no seu coração os atos e as palavras do seu Filho. A profetisa que canta a Deus, salvador dos pobres, anunciado por Ele. A mãe fiel que permanece junto ao seu Filho perseguido, condenado e executado na cruz. Testemunha de Cristo ressuscitado, que acolhe junto aos discípulos o Espírito que acompanhará sempre a Igreja de Jesus.

Lucas, por seu lado, convida-nos a fazer nosso o canto de Maria, para nos deixarmos guiar pelo seu espírito até Jesus, pois no «Magnificat» brilha em todo o seu esplendor a fé de Maria e a sua identificação maternal com o seu Filho Jesus.

Maria começa por proclamar a grandeza de Deus: «o meu espírito alegra-se em Deus, meu salvador, porque olhou a humilhação da sua escrava». Maria é feliz porque Deus pôs o seu olhar na sua pequenez. Assim é Deus com os simples. Maria canta-o com o mesmo gozo com que bendiz Jesus ao Pai, porque se oculta a «sábios e a entendidos» e se revela «aos simples». A fé de Maria no Deus dos pequenos faz-nos sintonizar com Jesus.

Quem é o meu próximo? Uma pergunta que não se faz… - Frei Carlos Mesters

O porque da pergunta do doutor

Quem é o meu próximo? Foi o doutor da Lei que fez a pergunta. Ele a fez, foi mais para justificar-se (Lc 10,29). Diante da reação de Jesus à sua pergunta anterior, ele ficou com vergonha. Perguntara: Mestre, o que devo fazer para obter a vida eterna? (Lc 10, 25). E Jesus, em vez de responder diretamente, disse: O que está escrito na lei? O que você lê ali? (Lc 10,26). Foi como se dissesse: Você, então, não sabe uma coisa tão evidente, você que se diz conhecedor da lei! E, querendo ou não, ele mesmo teve que dar a resposta: amar a Deus e amar ao próximo (Lc 10,27). Perguntara uma coisa já sabida de todos. Parecia uma desonestidade da sua parte. Por isso, para justificar-se, tornou a perguntar: E quem é o meu próximo?.

Mas não foi só para justificar-se e para salvar a sua reputação de doutor da Lei. Para ele, doutor da Lei, aquela pergunta era importante mesmo. Já imaginou: se o pagão não fosse próximo, se o romano, o pobre, o operário, a empregada em casa, não caíssem na categoria de próximo, isso faria uma diferença muito grande e tiraria da vida uma grande preocupação. Estaria livre de prestar-Ihes um serviço por amor. A miséria do mundo e a injustiça generalizada já não seriam uma acusação contra ele. Passaria tranquilo ao lado dos pobres e das favelas, sem que a consciência lhe mordesse e lhe fizesse aqueles apelos incômodos. Pois a Lei, isto é, Deus, mandava amar somente os próximos, e aquela gente não era próximo. Já não haveria motivo para preocupar-se tanto. Saber direitinho quem era o próximo daria mais tranquilidade. Realmente, para ele, o doutor, aquilo era uma pergunta muito importante, mas muito importante mesmo.

A resposta de Jesus

Deus uma palavra escorregadia... Por Ivone Gebara

"Há algo muito forte que tem a ver com a política de nossas emoções, com nossos afetos cotidianos que se misturam às muitas decisões também políticas que tomamos. Não se pode obrigar alguém a amar o que rejeitou e, não se pode fazer de conta que se ama quando de fato não se ama", escreve Ivone Gebara, filósofa, religiosa e teóloga.

Eis o artigo.

O cristianismo nos educou que há que “amar a Deus sobre todas as coisas”. Este é o primeiro mandamento da “lei de Deus”, mandamento que entrou de cheio em nossa cultura e se mostra nas muitas afirmações populares como: ‘primeiro Deus’, ‘abaixo de Deus’, ‘se Deus quiser’, ‘com a permissão de Deus’, ‘que Deus te abençoe’, ‘graças a Deus’ e muitas outras no gênero. Não podemos apreender exatamente todas as nuances dessa palavra no uso ordinário e coloquial que fazemos dela. O mais comum é que ela indique que estamos vivendo sob o impulso ou o poder de “algo maior” do qual nossa vida depende. Entretanto, essa palavra embora seja aparentemente ‘maior’ do que nossa vida e as nossas circunstâncias históricas parece condicionada a decisões individuais e a políticas das mais diferentes procedências. Por isso, no atribulado contexto político e social em que vivemos hoje a palavra DEUS está em quase todas as bocas e em cada boca com um significado e um interesse diferente.

Afirmo algo bastante conhecido e que pode ser observado no cotidiano das pessoas assim como nos meios de comunicação os mais variados. Estes manifestam o quanto, muitos políticos usam a ‘palavra mágica Deus’ para legitimarem sua voz, seu voto e suas iniciativas. Nesse mesmo contexto, entretanto, muitos têm também tomado a defesa de Deus afirmando que sua Majestade foi desrespeitada por políticos exploradores do povo e manipuladores da religião. Defendem a Deus como a si mesmos... Dizem que os manipuladores usam DEUS a seu favor e não temem tomar seu nome em vão para justificar suas decisões despejando sobre o povo uma verborréia pretensamente moral e legitimada por seu DEUS. Este então lhes daria a autoridade e legitimidade que não têm.

A desigualdade no Brasil

“As 26,7 mil pessoas que estão no topo da pirâmide detêm 6% de toda a renda e riqueza daqueles que declararam o imposto de renda. Este grupo ganha 6.100% a mais do que a renda média dos que declararam imposto de renda e têm um volume de riqueza (bens e direitos) 6.450% superior à média dos declarantes. Os dados para os 1% ou 5% mais ricos também são revoltantes”, constata Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização.

Eis o artigo.

Tempos difíceis no mundo e no Brasil. Crise econômica profunda, desemprego, arrocho salarial, precarização dos direitos, violência crescente, migrantes em fuga, xenofobia, descontentamento com as instituições e insatisfação com a política compõem uma lista e tanto, mas são apenas parte dos problemas. Em busca de solução, há o desafio de entender o que está acontecendo, identificar causas e consequências. E há um desafio maior ainda que é transformar, pelo conhecimento, os problemas em questões que mobilizem a sociedade para atuar e intervir.

A desigualdade é uma das questões mais complicadas e a causa estrutural da maioria dos problemas que vivemos. Nasce na sociedade com e devido ao modo pelo qual se produz e distribui riqueza e renda. É isso que diz Thomas Piketty no livro O capital no século XXI. Como afirma o autor, não há determinismo econômico na distribuição da renda e da riqueza, pois esta é uma construção histórica, feita em sociedade e, por isso, política. O debate sobre o que é justo e sobre as escolhas coletivas fazem parte do jogo social.

Religiões e democracia - Nancy Cardoso

Vou evitar falar de modo muito geral sobre religião e sobre democracia. Um pouco de história é necessário. Somos herdeiras e herdeiros de um projeto de expansão imperial e colonial do século XVI que reforçou estruturas geradoras de desigualdade que ainda hoje – no século XXI - se mostram ativas: capitalismo, racismo e sexismo. São estruturas persistentes que garantem privilégios e estratificação que os ordenamentos políticos posteriores tocaram de modo insuficiente, parcial e contraditório. Na América Latina em geral e no Brasil em particular a ordenação democrática é um verniz superficial que muitas vezes mais esconde do que revela, mais ornamenta do que viabiliza a circulação de poder.

A “democracia” muitas vezes significa um padrão de equivalência com sistemas ideais norte-atlânticos, mantendo o sujeito ocidental/europeu como o critério para a avaliação de processos políticos em cenários de pós-colonialidade e/ou neo-coloniais. Isto é verdade para todos os processos políticos fora do eixo norte-atlântico. Verdade é também que em nome da “democracia” as potências ocidentais norte-atlânticas interferem e interrompem processos que não se espelham no modelo “original”.

Prefiro falar de radicalização da democracia. Aprofundar a democracia que temos pode significar reforçar os impasses da democracia liberal representativa. Reconhecer que nosso projeto de sociedade sempre foi de subalternidade e, as tentativas e alternativas pós-colonial e de-colonial, sempre encontraram feroz resistência da política real – a da propriedade, patrimônio e exclusão – através de golpes e violência contra os modos de organização e participação popular.

Você é bendita entre as mulheres (Lc 1,39-56) - Tomaz Hughes

Neste final de semana, a Igreja romana celebra a festa da Assunção e propõe o evangelho que trata de duas partes bem distintas: o encontro entre Maria (grávida de Jesus) e Isabel (grávida de João), bem como o Canto do Magnificat.

Para entender o objetivo de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo da sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste e, ao mesmo tempo, a continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos ligados ao nascimento de João e tem os seus representantes em Isabel, Zacarias e João. A segunda está nos relatos do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus. Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada, deu tudo que podia dar - os seus símbolos são Isabel, estéril e idosa, Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo, e o nenê que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus.

Mais adiante, Lucas enfatiza este contraste nas figuras de Ana e Simeão no Templo (Lc 2,25-38), especialmente quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. Porque meus olhos viram a tua salvação” (v. 29).