O Imperativo do Evangelho e nossa contribuição para o movimento ecumênico hoje - Quatro meditações bíblicas ( Wesley Ariarajah )

Desafiada pela missão, a igreja apostólica se reconfigurou. Estamos abertos à renovação a serviço do evangelho? O nosso chamado, como o de Moisés e de Jesus, tem a ver com “solidariedade com o(a)s que são oprimido(a)s no mundo”? Estamos prontos para “correr a corrida” mesmo tendo nossas tradições como base e sendo cercados por uma “nuvem de testemunhas”? O pastor metodista e reconhecido teólogo da Sri Lanka, Wesley Ariarajah foi durante muitos anos Diretor de Diálogo, uma sub-comissão do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Ele ensina teologia ecumênica na Drew Universidade em Madison (USA). Estas quatro meditações foram dadas durante a Consulta sobre Ecumenismo no século 21, em 2004.

1. Missão e a reconfiguração da Igreja Apostólica ( Atos 15:1-21 )

Jesus e seus discípulos eram da comunidade judaica. Ao encontrarem pessoas de outras tradições, geralmente/comumente seu ministério se limitava à sua própria comunidade. Mas os problemas começaram com Pedro quando ele foi chamado à casa de Cornélio. Enquanto ele pregava, o Espírito Santo veio sobre ele, e Pedro batizou Cornélio e toda sua família. Quando Pedro retornou a Jerusalém, foi criticado por ter batizado gentios sem consultar previamente a igreja, mas foi considerado um fato isolado.

Chacinas em série. Até quando? - Frei Betto

De 17 a 19 de julho, 37 pessoas foram assassinadas em Manaus. As execuções tiveram início após a morte de um sargento da PM ao sair de uma agência bancária. Curiosamente, chamada aos locais onde ocorrem os crimes, a polícia demorou a chegar... Até hoje nenhum criminoso foi preso.

A 13 de agosto – data considerada fatídica pela superstição – 18 pessoas foram assassinadas e sete feridas em Barueri e Osasco, na Grande São Paulo.

Quando a TV exibe execuções feitas pelo Estado Islâmico, ficamos indignados e torcemos para que o “mocinho” (as tropas do Tio Sam) derrotem o quanto antes o bandido terrorista.

Não olhamos, porém, o próprio umbigo. No Brasil, as mortes não são seletivas, são generalizadas. É a lei do talião levada ao extremo: um policial morto, dez ou mais inocentes baleados aleatoriamente como vingança. Exatamente como procediam os nazistas. A cada prisioneiro foragido do campo de concentração, dez outros eram sorteados para morrer.

Marcos 7, 24-37: Acolhendo as/os excluídas/os - A mulher Cananeia ajuda Jesus a descobrir a vontade do Pai - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

Na reflexão do evangelho a ser proferido no próximo domingo, 06/09/15, veremos como Jesus atende a uma mulher estrangeira de outra raça e de outra religião, o que era proibido pela lei religiosa daquela época. Inicialmente, Jesus não queria atendê-la, mas a mulher insistiu e conseguiu o que queria: a cura da filha. Vamos conversar sobre isto.

1. No bairro onde você vive tem gente de outras religiões? Quais? Você conversa normalmente com pessoas de outra religião?

2. Como você faz, concretamente, para conviver em paz com pessoas de outras igrejas cristãs ou com espíritas?

Situando

1. Jesus vai tentando abrir a mentalidade dos discípulos e do povo para além da visão tradicional. Na multiplicação dos pães, ele tinha insistido na partilha (Mc 6,30-44). Na discussão sobre o puro e o impuro, tinha declarado puros todos os alimentos (Mc 7,1-23). Agora, neste episódio da mulher Cananeia, ele ultrapassa as fronteiras do território nacional e acolhe uma mulher estrangeira que não era do povo e com a qual era proibido conversar. Estas iniciativas de Jesus, nascidas da sua experiência de Deus como Pai, eram estranhas para a mentalidade do povo da época. Cresce para eles o mistério, aparece o não-entender.

Estão se acabando recursos na dispensa da Casa Comum

A Terra é um planeta pequeno, velho, com a idade de 4,44 bihões de anos, com 6.400 km de raio e 40.000 km de circunferência. Há 3,8 bilhões de anos surgiu nele todo tipo de vida e há cerca 7 milhões, um ser consciente e inteligente, altamente ativo e ameaçador: o ser humano. O preocupante é o fato de que a Terra já não possui reservas suficientes em sua dispensa para fornecer alimentos e água para seus habitantes. Sua biocapacidade está se enfraquecendo dia a dia.

O dia 13 de agosto foi o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshooting Day). É o que nos informou a Rede da Pegada Global (Global Footprint Network) que, junto com outras instituições como a WWF e oLiving Planet acompanham sistematicamente o estado da Terra. A pegada ecológica humana (quanto de bens e serviços precisamos para viver) foi ultrapassada. As reservas da Terra se estão se esgotando e precisamos de 1,6 planeta para atender nossas necessidades sem ainda aquelas da grande comunidade de vida (fauna, flora, micro-organismos). Em palavras de nosso cotidiano: nosso cartão de crédito entrou no vermelho.

Reza de Agosto: casa de Aguinaldo e Juliana

Nossa reza de agosto de 2015 foi dia 28/09, na casa de Aguinaldo e Juliana, em alvorada, vila Velha. 

Partilhamos o que nos incomoda e nos fere diante da realidade. Refletimos a partir da parábola do trigo e do joio o nosso compromisso com a esperança e com a vida. Afinal: " sonho que se sonha só, pode ser pura ilusão sonho que se sonha juntos é sinal de solução...!"

Clique aqui e veja as fotos de nossa Reza.

Mesa redonda: intolerância Religiosa

Aconteceu no dia 25 de agosto de 2015, na sala do CEBI-ES, a mesa redonda com a temática "Intolerância religiosa".

Foi o momento de reforçarmos nossa posição pela luta em defesa a todas as crenças. E também repudiarmos todas as formas de violência por razões de credo e de raça.

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Mc 7,1-23: Sobre o puro e o impuro - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

O evangelho deste final de semana é comprido. Fala dos costumes religiosos da época de Jesus, muitos dos quais já tinham perdido seu sentido e até atrapalhavam a vida do povo, ameaçando as pessoas com castigo e inferno. Enxergavam pecado em tudo! Por exemplo, comer sem lavar as mãos era considerado pecado. Mesmo assim, estes costumes eram conservados e ensinados, ou por medo, ou por superstições. Vamos conversar sobre isso!

SITUANDO

Neste círculo, olhamos de perto a atitude de Jesus frente à questão da pureza. Anteriormente, Marcos já tinha tocado neste assunto da pureza: em Me 1,23-28, Jesus expulsou um espírito impuro. Em Me 1,40-45, ele curou um leproso. Em Mc 5,25-34, curou uma mulher considerada impura. Em vários outros momentos, ele tocou em doentes e deficientes físicos, sem medo de ficar impuro. Agora, aqui no capítulo 7, Jesus ajuda o povo e os discípulos a aprofundar este assunto da pureza e das leis da pureza.

Desde séculos, os judeus, para não contrair impureza, eram proibidos de entrar em contato com os pagãos e de comer com eles. Mas nos anos 70, época de Marcos, alguns judeus convertidos diziam: "Agora que somos cristãos temos que abandonar estes costumes antigos que nos separam dos pagãos convertidos!" Outros, porém, achavam que deviam continuar a observar as leis de pureza. A atitude de Jesus, descrita no evangelho de hoje, ajudava-os a superar o problema.

Mc 7,1-8.14-15.21-23: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim - Pe. Thomaz Hughes

Para que entendamos o alcance do nosso Evangelho de hoje, é necessário entender o contexto religioso do tempo de Jesus. Entre os elementos chaves na prática religiosa do judaísmo daquela época, estavam os conceitos de “puro” e “impuro”. Na nossa teologia, não é possível cometer um pecado inconscientemente, mas, para o povo do tempo de Jesus, o pecado tinha uma existência quase independente das pessoas. Certos atos, certos lugares, certas profissões tornavam as pessoas impuras, isso é, não aptas para participar do culto, sem primeiro passar pelos ritos de purificação. A seita dos Essênios levava a preocupação com a pureza ritual aos extremos. Também os fariseus - cujo nome vem de uma palavra que significa “separados” - davam suma importância à pureza ritual, assim, muitas vezes, impossibilitando o acesso do povo comum ao culto ao Deus da vida.

Diante dessa situação, a prática de Jesus era altamente libertadora. Sem recusar-se a participar nos ritos tradicionais, pois era judeu piedoso e praticante, Ele entendeu que nada que vem de fora da pessoa é capaz de deixá-la impura! Jesus recuperava a visão dos profetas, que tradicionalmente tinham conclamado o povo para que vivesse a justiça e a prática da vontade de Deus, em lugar de se preocupar primariamente com rituais externos. Jesus reintegrava as massas pobres, excluídas da vivência comunitária pelas exigências de pureza, impossíveis de serem seguidas na prática pela maioria. Ele voltava a atenção às disposições internas das pessoas, que realmente podiam deixar as pessoas “impuras” diante de Deus: “as más intenções, a imoralidade, os roubos, crimes, adultérios, ambições sem limite, maldade, malícia, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo” (v. 21-22).

Um dos pressupostos da democracia é a diversidade de vozes - Edison Lanza

A elevada concentração da propriedade dos meios de comunicação na América Latina e no Caribe está na mira da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que recentemente abriu uma consulta pública para conhecer melhor a legislação de cada país e propor mecanismos para evitar ou reverter a formação de monopólios ou oligopólios.

“Um dos pressupostos da democracia é o pluralismo político, a diversidade de vozes”, explica o advogado e jornalista uruguaio Edison Lanza, relator especial para a Liberdade de Expressão da entidade. Em passagem pelo Brasil, Lanza conversou com CartaCapital e criticou a letargia do País em criar medidas concretas para assegurar a diversidade na mídia.

CartaCapital: Por que rediscutir os marcos regulatórios das comunicações?

Edison Lanza: Na América Latina e no Caribe, há um elevado grau de concentração da propriedade dos meios. Poucas mãos controlam a maior parte das frequências, sobretudo dos meios audiovisuais, mas também há monopólios e oligopólios nos escritos. Isso tem implicações no processo democrático, pois um dos pressupostos da democracia é o pluralismo político, a diversidade de vozes. A Declaração de Princípios sobre a Liberdade de Expressão, aprovada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 2000, diz claramente que a formação de monopólios ou oligopólios de comunicação atenta contra a democracia.

Em uma sociedade democrática, devem conviver atores públicos, comunitários e privados. E o Estado tem legitimidade para criar instrumentos para garantir isso. Há uma clara necessidade de incluir mais vozes. O impasse é que os países do continente tentam regular um sistema que existe desde o surgimento do rádio e da televisão, entre os anos 1930 e 1950. Com uma peculiaridade: esse sistema se estruturou de forma desregulada, favorecendo o setor privado.