A intolerância no Brasil atual e no mundo - Leonardo Boff

O assassinato dos chargistas franceses do Charlie Hebdo recentemente e a última eleição presidencial no Brasil trouxeram à luz um preconceito latente no mundo e na cultura brasileira: a intolerância. Restrinjo-me a esta pois a outra, a do Charlie Hebdo foi abordada num artigo anterior. A intolerância no Brasil é parte daquilo que Sergio Buarque de Holanda chama de “cordial” no sentido de ódio e preconceito, que vem do coração como a hospitalidade e simpatia. Em vez de cordial eu prefereria dizer que o povo brasileiro é passional.

O que se mostrou na última campanha eleitoral foi o “cordial-passional” tanto como ódio de classe (desprezo do pobre) como o de discriminação racial (nordestino e negro). Ser pobre, negro e nordestino implicava uma pecha negativa e aí o desejo absurdo de alguns de dividir o Brasil entre o Sul “rico” e o Nordeste “pobre”. Esse ódio de classe se deriva do arquétipo da Casa Grande e da Senzala introjetada em altos setores sociais, bem expresso por uma madame rica de Salvador:”os pobres não contentes com receber a bolsa família, querem ainda ter direitos”. Isso supõe a idéia de que se um dia foram escravos, deveriam continuar a fazer tudo de graça, como se não tivesse havido a abolição da escravatura. Os homoafetivos e outros da LGBT são hostilizados até nos debates oficiais entre os candidatos, revelando uma intolerância “intolerável”.

Papa envia carta para jovens participantes do Encontro Nacional da PJ

O Papa Francisco enviou, nesta quarta-feira (21), dia de Santa Inês, uma carta aos jovens participantes do 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, que está sendo realizado em Manaus (AM).

O encontro teve início no último domingo (18) e reuniu mais de 4 mil pessoas. O evento conta com jovens de todo o Brasil, em uma mistura de cores, cheiros e sotaques.

Leia a carta na íntegra:

Mestre onde moras?
Vinde e vede! (Cf. Jo 1,38-39)

Estimada Aline e meu querido Alberto, que a graça do Jovem de Nazaré permaneça sempre com vocês, e nessa saudação quero abraçar a todos os jovens e adultos que estão participando do XI Encontro Nacional da Pastoral da Juventude nas benditas terras amazônicas.

É com grande alegria que me dirijo a vocês por meio desta singela mensagem, obrigado por deixar-me participar deste grande e bendito encontro.

Gostaria de começar dizendo que fiquei muito feliz ao rezar e meditar a iluminação bíblica e o lema do encontro.

Marcos: um relato da prática de Jesus

Chegar em Marcos de que lado? Geralmente a gente começa pelo autor, data e lugar em que o livro foi escrito, e as pessoas para quem o autor escreveu. Só depois é que se vai ao texto. 

Vamos percorrer outro caminho. Não é atalho não. Talvez seja até mesmo dar volta. Mas deve valer a pena. Vamos começar pelo texto. Depois que compreendermos o texto e a maneira como foi criado, vamos compreender o resto. É uma proposta.

1. Narrando uma prática

De entrada uma coisa chama a nossa atenção em Marcos. Ainda no início do evangelho, Mc 1,21-22, diz o texto: “Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, foram à sinagoga. E ali ele ensinava. Ficaram encantados com o seu ensino, porque lhes ensinava com autoridade e não como os escribas - (os doutores da Lei)”.

Logo no v. 23 o texto passa a contar uma ação de Jesus. E o que é que ele ensinava? O texto não diz. Casos como esses vão se repetir por todo o evangelho (Marcos só indica o conteúdo deste ensinamento ou pregação quando trata da paixão (8,31; 9,31) e de ensinamentos particulares (capítulos 11-12). O que significa isto?

Marcos 1,14-20: Jesus anuncia a Boa Nova de Deus e chama pessoas para segui-lo - Mesters e Lopes

1. SITUANDO

A Boa Nova de Deus foi preparada ao longo da história (Mc 1,1-8), foi proclamada solenemente pelo pai na hora do batismo de Jesus (Mc 1,9-11), foi testada e aprovada no deserto (Mc 1,12-13). Agora aparece o resultado da longa preparação: Jesus anuncia a Boa Nova publicamente ao povo (Mc 1,14-15) e convoca outras pessoas a participar do anúncio (Mc 1,16-20).

Nos anos 70, época em que Marcos escreveu, os cristãos, lendo essa descrição do início da Boa Nova, olhavam no espelho e viam retratado nele o início da sua própria comunidade. Aquela fonte que brotou na vida daqueles quatro primeiros discípulos podia, a qualquer momento, brotar também na vida deles.

2. COMENTANDO

1. Marcos 1,14: Jesus inicia o anúncio da Boa Nova de Deus
Marcos dá a entender que, enquanto Jesus se preparava no deserto, João Batista tinha sido preso pelo rei Herodes. Diz o texto: Depois que João foi presto, Jesus voltou para a Galiléia proclamando a Boa Nova de Deus. A prisão de João Batista não assustou a Jesus! Pelo contrário! Ele viu nela um sinal da chegada do Reino. Hoje, os fatos da política e da polícia também influem no anúncio que nós fazemos da Boa Nova ao povo. Marcos diz que Jesus proclamava a Boa Nova de Deus. Pois Deus é a maior Boa Notícia para a vida humana. Ele responde à aspiração mais profunda do nosso coração.

Eu visto branco pelo fim da intolerância religiosa

A intolerância religiosa…

O dia 21 de janeiro é marcado como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi instituída em 2007 pelo presidente Lula (Lei Nª 11.635) e faz referência à morte de Mãe Gilda, Yalorixá do IIé Axé Abassá de Ogum, que faleceu em Salvador (BA), nos anos 2000, após sofrer atos de intolerância. O “caso Mãe Gilda” não é um fato isolado e mostra que essas práticas acontecem, principalmente, com religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, estando relacionadas também com o racismo. Na França e na Alemanha, como está em evidência nos últimos dias, muitas são as práticas de intolerância religiosa contra o Islamismo que guardam consigo – assim como no Brasil – raízes coloniais e projetos hegemônicos de civilização.

No contexto brasileiro, há dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República que apresentam outras “Mães Gildas”. As ligações para o “Disque 100” mostram um aumento de 626% nas denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2012. Junto a isto, um relatório da PUC-Rio (2011) revela que em um grupo de 847 terreiros no Rio de Janeiro, 430 foram alvos de intolerância, com 57% dos casos em locais públicos. Essa realidade evidenciada nas estatísticas pode estar longe de representar a quantidade de violações de direito à liberdade religiosa vivenciada no Brasil, mas já anuncia que não se vive em um espaço de profundo respeito à pluralidade e à diferença. A oikoumene está marcada pelas desigualdades e injustiças.

Jovens católicos de todo o Brasil se reúnem em Manaus

Mais de 500 jovens de todo o Brasil estão em Manaus (AM) para o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, iniciado neste domingo, 18, com previsão de término no próximo dia 25. O evento é no Colégio La Salle. O objetivo é celebrar a caminhada da Pastoral da Juventude/PJ, re-visitando o Mestre, a partir do olhar dos jovens e da Igreja Amazônica, tendo como lema “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia”.

Além dos delegados dos 18 regionais da CNBB, aproximadamente 600 voluntários jovens, assessores e amigos da PJ da Arquidiocese de Manaus e do Regional Norte I estão trabalhando nas equipes locais de acolhida, ambientação, alimentação, bem-estar/saúde, comunicação, cultura, finanças, hospedagem, infraestrutura, lojinha, limpeza, liturgia/mística, missão, passeio, secretaria e transporte.

A abertura do Encontro contou com uma Missa Campal no Anfiteatro da Ponta Negra. Os jovens delegados dos regionais ficarão durante toda a semana hospedados nas casas de famílias dos paroquianos de Manaus. São 270 famílias em 34 paróquias e áreas missionárias que abriram suas casas para hospedar os participantes do 11º ENPJ. Na Paróquia Menino Jesus de Praga, na Chapada, estão hospedados 54 delegados.

Instrumentalização entre religião e política: opressores x oprimidos

O ano de 2015 inicia com traços marcantes do fortalecimento dos fundamentalismos políticos e religiosos em diferentes países. Os recentes acontecimentos da França trazem à tona outros massacres que ocorrem há bastante tempo, mas que têm pouco destaque na imprensa.

São altos os números de refugiados em consequência dos conflitos que ocorrem da Nigéria, Síria, Palestina e outros países. A insensatez humana e uma geopolítica que tem como objetivo central atender aos interesses capitalistas têm desalojado grupos minoritários como os yazidis. Neste sentido, a religião tem sido um instrumento eficaz para legitimar o poder de uns sobre outros.

A história dos yazidis

Os yazidis formam uma minoria religiosa de cerca de 800 mil pessoas. Seguidores de uma religião sincretista, muitos foram obrigados a abandonar suas casas, em agosto de 2014, quando houve um massacre na cadeia de montanhas do Sinjar, região que fica entre a fronteira do Iraque com a Síria.

Arcebispo reclama de falta de atenção do Ocidente a massacres na Nigéria

Em meio à comoção gerada pelos atentados terroristas em Paris, na França, um arcebispo nigeriano acusou países ocidentais de ignorarem a ameaça representada pelo grupo extremista Boko Haram.

O arcebispo da cidade de Jos, Ignatius Kaigama, ainda pediu que a mesma atenção dada aos atentados na França seja dada aos militantes que atuam com cada vez mais violência no nordeste do país africano.

Segundo ele, o mundo precisa agir de forma mais determinada para conter o avanço do Boko Haram na Nigéria.

No último fim de semana, 23 pessoas foram mortas por três mulheres-bomba, uma das quais tinha apenas 10 anos de idade.

João 1.43-51 - Céu aberto para você - Lindolfo Weingärtner

Vamos começar pelo fim de nosso trecho bíblico. Jesus diz a Filipe e Natanael: «Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.» Somos obrigados a confessar: É uma estranha promessa que Jesus faz àqueles dois discípulos. Vereis o céu aberto? Que será isso -- o céu aberto? -- Entendemos que Jesus não fala do céu estrelado, do espaço, no qual se movem a terra, o sol, as estrelas. Ele fala do céu invisível, do Reino de Deus, da realidade dos anjos e dos exércitos celestiais, que obedecem ao Criador sem restrição alguma. 

Vereis o céu aberto. Que promessa! Entendemos que ela vale também para nós. E não é este o nosso problema número um, de não conseguirmos ver tal céu aberto, de não crermos naquela bendita abertura de que Jesus fala? O céu aberto -- isto é, que é possível ter a experiência do poder e da presença graciosa de Deus! Mas se ao menos houvesse uma prova! Um sinal! Nem precisava ser milagre, visão de anjos que sobem e descem, ou coisa parecida. Apenas uma prova clara de que Deus existe e de que ele se interessa por nós, por suas criaturas todas, pela igreja, pelo mundo. Mas este céu, se existe, parece ser uma realidade tão distante. Às vezes, uma voz dentro de mim diz que tudo não passa de um sonho, de um belo ideal...

O milagre da multiplicação dos pães

Todos comeram e ficaram saciados: O milagre da multiplicação dos pães.Vida Pastoral, São Paulo, n. 120, p. 2-8, 1985.

O leitor sabe que para se arrear um burro manhoso é preciso ser muito prudente. Só chegando do lado certo e com bons modos é que se consegue evitar o coice.

Comecei falando de burro, porque o milagre da multiplicação dos pães, de Mc 6,30-44, tem-lhe certa semelhança. Se errarmos o lado de chegar ao texto, jamais conseguiremos dominá-lo. O melhor é dar umas voltas ao seu redor, com paciência, observando o jeito certo para começar a entendê-lo.

Se o leitor me permite, gostaria de lhe dar uma mão no caso deste “burro”. Creio que devemos fazer seis coisas: