“Sem igualdade de oportunidade não há meritocracia”, diz economista e professor do Insper

Para Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper, discutir meritocracia em um país tão desigual em oportunidades como o Brasil não faz sentido. “Sem resolver a desigualdade de oportunidades, ficar falando em meritocracia é piada. Como discutir o mérito de quem chegou em primeiro lugar em uma corrida onde as pessoas saíram em tempos diferentes e a distâncias diferentes?”, questiona Paes de Barros, um dos principais especialistas em desigualdade social. “Não faz nenhum sentido discutir o mérito em uma regata na qual os barcos não são iguais, ou em uma corrida de Fórmula 1 em que não se está sujeito ao mesmo regulamento.” Para ele, o país já avançou ao reduzir a discriminação, que ocorria até nas escolas, contra alunos menos favorecidos.

“No passado haviam ações, tradições e procedimentos que reforçavam a desigualdade que vinha da família. Porque uma coisa é eu pegar uma criança de família desestruturada e não conseguir ensinar. Outra coisa é dizer: não vou nem ensinar esse aí, porque não aprende mesmo”. O professor ia para escola em um bairro pobre e nem se esforçava muito em ensinar. Era discriminação”, afirma Paes de Barros, que acredita que o que falta agora é discriminar os alunos positivamente, dedicando a eles toda a atenção extra necessária.

Não Grite Eugenia: Ouça as Mulheres

Eu queria que você me escutasse: por favor, não grite “eugenia!” Essa é uma palavra maldita, carrega um passado de pânico e anuncia um futuro no qual nenhuma de nós quer viver. É verdade, os nazistas foram eugênicos. Eles foram até mais do que isso: houve práticas de exceção e de extermínio, uma força totalitária contra a qual os indivíduos não tinham vontade ou voz. Nem eu nem você jamais esqueceremos o horror da eugenia que obrigou mulheres a abortarem, que fez experimentos em crianças com deficiência, que exterminou os velhos. Essa história de abuso deve ficar para sempre em nossa lembrança.

Não tem nada de eugênico no que vivemos agora com a epidemia do zika no Brasil e o início da conversa sobre o aborto em caso de a mulher ser infectada pelo vírus. Não há Estado totalitário, não há máquinas de extermínio ou solução final; ao contrário, há clamores de mulheres desamparadas para que se reconheça, em cada uma de nós, a soberania da vontade sobre como planejar a família. Se há excessos de autoritarismo, é no atual regime político em que somos proibidas de decidir sobre como, quando e em que condições queremos ter filhos — hoje, o útero é propriedade de quem nos governa com a força da lei penal.

“O crime contra o menino Vitor Kaingang não é um caso isolado”

No dia 25 de janeiro, 26 dias depois do brutal assassinato do indígena Vítor Pinto Kaingang, de apenas dois anos, morto no colo de sua mãe na rodoviária de Imbituba (SC), o inquérito que investiga o crime foi concluído. O principal suspeito, que está preso temporariamente desde o início do ano e confessou o crime, foi indiciado por homicídio doloso duplamente qualificado, por ter sido praticado por motivo fútil e sem chance de defesa.

Em entrevista coletiva concedida na semana passada, o delegado Raphael Giordani, responsável pelo caso, afirmou aos meios de comunicação que o suspeito detido há quase um mês confessou ter cometido o crime, sob a justificativa de que “espíritos disseram que ele deveria matar uma criança”.

O inquérito não considerou o caso um crime de ódio motivado por preconceito contra indígenas. Segundo as declarações do delegado, o suspeito detido afirmou que teria escolhido sua vítima por ser uma criança, e não por ser um indígena.

Para um grupo de profissionais ligados à questão indígena e missionários do Cimi Sul de Santa Catarina, o caso de Vítor Kaingang “não é apenas um caso individual, isolado do contexto no qual vivem os povos indígenas no Brasil e em Santa Catarina”, conforme explicam em nota divulgada neste final de semana, quando o crime ocorrido em 30 de dezembro no litoral sul de Santa Catarina completou um mês.

Lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 será lançada, oficialmente, no dia 10 de fevereiro. O tema da Campanha é “Casa Comum, nossa responsabilidade”. O lema bíblico é “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. (Am 5.24)

O objetivo chamar atenção para a questão do direito ao saneamento básico para todas as pessoas, buscando fortalecer o empenho, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da Casa Comum, ou seja, do planeta Terra.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica é realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e assumida pelas igrejas-membro: Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil e Sírian Ortodoxa de Antioquia. Além dessas igrejas, estão integradas à Campanha a Aliança de Batistas do Brasil, Visão Mundial e Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP).

Este ano, a CFE terá dimensão internacional, pois será realizada em parceria com a Misereor - entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

SERVIÇO

Coletiva de Imprensa: CNBB
- Endereço: SES 801, conjunto B – sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Horário: 10h45

Celebração Ecumênica: Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Brasília 
- Endereço: EQS 405/406, Asa Sul.
Horário: 20h00

Mais informações pelo 61-3321-4034.

CONTEXTUALIZAÇÃO

O Brasil é um dos países com o índice mais alto de pessoas que não possuem banheiro com quase 7,2 milhões de habitantes, de acordo com o Progress on Sanitation and Drinking-Water, 2014. Cerca de 35 milhões de pessoas não contam com água tratada em casa e quase 100 milhões estão excluídas do serviço de coleta de esgotos, como aponta publicação, de 2015, do Instituto Trata Brasil.

Ainda de acordo com o Trata Brasil, a cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Contudo, 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, resultando no prejuízo de R$ 8 bilhões. A soma do volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas Cantareira. Eis o porquê de se falar desse assunto, uma vez que afeta a saúde pública, a dignidade humana, a sustentabilidade do planeta e, também, a economia.

SPOTS PARA TV E RÁDIO

Para baixar materiais relacionados à CFE, acesse: www.conic.org.br/portal/cf-ecumenica

Clique aqui para ver o vídeo de lançamento da CFE.

Fonte: CONIC

Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

Cerca de 200 milhões de crianças e mulheres foram vítimas de mutilações genitais no mundo, segundo um relatório divulgado nesta sexta-feira (5) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Em países como Somália, Guiné e Djibuti, na África, até 98% das mulheres sofreram excisão, como é chamada a extirpação do clitóris.

Um dado preocupante do relatório é que o índice de mutilações está subindo na Libéria, em Burkina Faso e no Quênia. O objetivo da entidade da ONU é acabar com essa prática até 2030. O tema foi incluído nos objetivos de desenvolvimento das Nações Unidas para os próximos 15 anos, adotado por 193 países em setembro de 2015.

Entre as vítimas, 44 milhões são meninas com 14 anos ou menos. Na maioria dos 30 países que realizam excisão infantil, a mutilação aconteceu antes dos cinco anos da criança.

“Em lugares como Somália, Guiné e Djibuti, essa prática atinge quase todas as mulheres”, destacou Claudia Cappa, diretora do estudo. O índice de mutilação das mulheres nestes países é de 98%, 97% e 93%, respectivamente.

Avanços lentos contra a mutilação feminina

“Nós precisamos apoiar os esforços locais para acabar com essa prática”, frisou Cappa. Desde 2008, mais de 15 mil comunidades abandonaram as mutilações genitais femininas, das quais 2 mil só no ano passado. Cinco países adotaram leis que criminalizam o ato: Quênia, Uganda, Guiné Bissau e, mais recentemente, Nigéria e Gâmbia.

A festa do encontro - Marcelo Barros

Em todo o Brasil, já se respira o clima do Carnaval. Em algumas capitais do Nordeste e do litoral, a festa começou há vários dias e se prolonga por outros. Muita gente espera o ano inteiro por esses dias. Outros aproveitam para descansar ou viver alguma experiência alternativa. Grupos contrários à folia fazem encontros paralelos. Grupos de tradição católica fazem o que chamam de “Cristoval”, ou “carnaval de jovens cristãos”.

Evangélicos e pentecostais fazem acampamentos de juventude. Essa diversidade é positiva. Só devemos tomar cuidado para não dar a impressão de que Deus está conosco e não com os outros. 

Em 1975, em uma crônica de rádio, assim se expressava Dom Helder Camara, então arcebispo de Olinda e Recife: "Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu....Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu... Brinque meu povo querido! É verdade que quarta-feira a luta recomeça. Mas, ao menos, se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!" (crônica de 01/ 02/1975 no programa “Um olhar sobre a cidade”- Rádio Olinda - AM). 

Lc 5,1-11: O chamado dos primeiros discípulos - Carlos Mesters e Mercedes Lopes

Neste texto, Lucas conta como Pedro foi chamado por Jesus e como ele entrou na caminhada. Primeiro, escutou as palavras de Jesus ao povo. Em seguida, presenciou a pesca milagrosa. Foi só depois desta dupla experiência surpreendente que veio o chamado de Jesus. Pedro atendeu, largou tudo e se tornou "pescador de gente". 

SITUANDO

No capítulo 4, Jesus iniciou sua missão e, até agora, era só ele que anunciava a Boa Nova do Reino. Agora, neste terceiro bloco, outras pessoas vão sendo chamadas e envolvidas na missão junto com Jesus. Esse jeito de Jesus trabalhar em equipe é também uma Boa Nova para o povo. Assim, pela força do Espírito, o Novo vai abrindo caminho e a transformação vai acontecendo.

O Evangelho de Marcos situa o chamado dos primeiros discípulos logo no início do ministério público de Jesus (Mc 1,16-20). Lucas o situa depois que a fama de Jesus já se havia espalhado por toda a regi"ao (Lc 4,24). Jesus já havia curado muita gente e pregado nas sinagogas de todo o país. O povo já o procurava em massa e a multidão o apertava por todos os lados para ouvir a Palavra de Deus. Lucas torna o chamado mais compreensível.

COMENTANDO

Transfiguração: celebração antecipada da vitória sobre a cruz - Ildo Bohn Gass

Segundo os evangelistas, a cena da transfiguração está em meio aos anúncios da paixão. A intenção é mostrar como a cruz faz parte da vida de quem assume o projeto do Pai até as últimas consequências. A fidelidade a Deus e ao resgate da vida dos pobres contraria interesses religiosos, econômicos e políticos. Nesse sentido, a perseguição pelos poderes que governam este mundo é inevitável na vida de quem assume a causa do Reino e de sua justiça.

Este relato é uma leitura pós-pascal e pretende narrar antecipadamente a vitória de Jesus sobre a morte na cruz, apresentando-o como o messias glorioso. É o que indicam seu rosto transfigurado e suas vestes resplandecentes de brancura (Lc 9,29). A ressurreição, a vitória sobre os poderosos, é a vida em toda a sua plenitude que vence os poderes de morte deste mundo.

Lucas é o único evangelista a informar que Jesus subiu o monte com o propósito de orar (Lc 9,28), buscando estar em sintonia constante com o Pai, de modo que o Espírito dele fosse a força a conduzir a sua missão (Lc 4,14-19).

Jovens conectados: Brasil e Alemanha unidos na CFE 2016

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2016 será, pela primeira vez, realizada com alcance internacional, ou seja, ultrapassará as fronteiras nacionais. Isso se deve à parceria construída com a Misereor, entidade episcopal da Igreja Católica na Alemanha que trabalha, diuturnamente, na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

Também somam esforços na CFE a Igreja Católica (CNBB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil.

Juventudes em ação!

Com o objetivo de mobilizar as juventudes brasileira e alemã, os organizadores da Campanha estão propondo a realização de duas ações.

Meu Deus me dá segurança [Salmos Latino-Americanos]

O Deus que liberta é meu Deus
e nada temo nem de dia nem de noite
porque ele orienta minha vida.

Não temo porque seu poder é mais forte
do que a violência das enchentes.
E com um só olhar pode destruir
a soberba dos prepotentes desta terra.

Só os que tem o coração humilde
serão plenamente felizes,
porque não colocam sua esperança 
no dinheiro ou no poder,
e sim no seu Senhor,
que está tão próximo de nós 
como a mãe da criança que amamenta.

No Senhor confio e nada temo,
e vou pelo mundo com o coração aberto,
porque aonde vou o Senhor já está;
e no lugar que deixo, ele fica.