Dossiê Mulher 2016: Porque precisamos de cidades seguras para mulheres

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou na sexta-feira, dia 17 de junho, o Dossiê Mulher 2016, com dados sobre a violência contra a mulher no Estado do Rio no último ano. Os números, mais uma vez, são alarmantes e evidenciam a necessidade de debatermos a cultura do estupro, a violência de gênero e o assédio em espaços públicos. 

Os dados de violência sexual, que incluem estupro e tentativa de estupro, caíram em 2015 na comparação com 2014, mas não há motivos para comemorar: uma mulher foi vítima de violência sexual a cada duas horas no estado. Este é o tipo de violência a que a mulher está mais exposta no estado do Rio de Janeiro. Meninas de zero a 13 anos são 45% das vítimas de violência sexual, o que nos impõe o debate sobre o quanto a violência impacta e marca a vida de meninas e mulheres desde cedo. 

32% dos casos de violência sexual ocorreram no âmbito doméstico e/ou familiar. A violência doméstica é inegavelmente um problema grave em nossa sociedade, mas devemos levar em consideração que 68% dessas vítimas estavam em outros espaços, como escola, trabalho, locais de lazer, rua, transporte público, entre outros. Se é certo que a violência de gênero começa em casa, também é certo que ela acompanha as mulheres por onde elas passam! 

Como uma organização de combate à pobreza, a ActionAid se preocupa especialmente com a vulnerabilidade das mulheres. A exposição a todos os tipos de violência inibe suas possibilidades de desenvolvimento social. Quando se trata do espaço público, ela pode ser um impeditivo de acesso a oportunidades de educação e trabalho, caminhos que podem conduzir essas mulheres para fora da pobreza. 

“Quem põe a mão no arado e olha para trás não serve para o Reino de Deus” (Lc 9, 51 –62) - Tomaz Hughes SVD

No esquema do Evangelho de Lucas, o segundo grande bloco vai de 9, 51 até 19, 28, e consiste em seguir o caminho de Jesus e os seus discípulos, rumo a Jerusalém. Nestes capítulos Jesus educa os seus discípulos sobre o que significa segui-lo, acreditar nele. Logo antes da viagem tem a frase “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga” (9, 23). No trecho de hoje, Jesus vai explicitar de novo as exigências para quem quer assumir os desafios do Reino no seu seguimento.

No início, Lucas enfatiza que Jesus “tomou a firme decisão de partir para Jerusalém”. Aqui não se trata somente de decidir de fazer uma viagem, de participar de uma peregrinação. Muito mais é a decisão de seguir a sua missão até as últimas consequências, pois Jerusalém será o local do conflito final entre as forças do Reino e do anti-Reino, o local da sua morte e ressurreição. Daqui para frente Jesus assume mais ainda o papel de pedagogo divino, mostrando pela sua palavra e ações, pela sua paixão, morte, ressurreição e ascensão, o caminho que leva ao Pai.

Esta tarefa de educação dos discípulos implica todo um trabalho de mudar a mentalidade deles, formada pela religião e ideologia reinantes. Inicia-se com o incidente da aldeia samaritana que não quis recebê-los. Havia séculos existia uma rixa entre judeus e samaritanos. Por causa da mistura de raças desde a ocupação assíria da Samaria depois de 721 a.C., (cf. II Rs 17, 24-41), os samaritanos eram desprezados pelos judeus. Da sua parte, os samaritanos tinham uma grande raiva dos judeus desde que o rei asmoneu João Hircano destruiu duas vezes o seu Templo no Monte Garazim, no fim do segundo século a.C. Os discípulos, representados por João e Tiago, querem demonstrar o seu poder, pedindo que Deus destruísse a aldeia – mostrando que a sua concepção do messianismo de Jesus era de poder política e de dominação. Jesus os repreendeu, pois o Reino de Deus não se constrói como os reinos terrestres, com força de armas e dominação, mas com doação e solidariedade.

Os refugiados e a responsabilidade cidadã - Marcelo Barros

Atualmente, no mundo inteiro, a onda de refugiados triplicou. Somente na África oito conflitos internacionais ou internos geram dez milhões de refugiados. Na Ásia, a guerra civil na Síria faz com que multidões imensas procurem sair do país para escapar com vida aos mísseis norte-americanos e à mortandade que vem de um lado e do outro. Nas portas da Europa, a cada dia, milhares de pessoas veem as fronteiras fechadas e são obrigadas a sobreviver prisioneiras em campos de concentração para não voltarem aos seus países. E a maioria dos refugiados nem procuram os países ricos. Já sabem que serão mal recebidos. Tentam países pobres do mesmo continente. Somente no Quênia, 300 mil somalis foram repatriados de um campo de fronteira. Na América Latina, a guerra civil na Colômbia provocou a fuga de milhares de pessoas para países vizinhos e para a Europa. Mais do que o terremoto, a opressão do império norte-americano sobre o Haiti provoca a fuga de milhares de haitianos que saem do seu país para sobreviver. Nesses últimos três anos, o Brasil recebeu dez milhões de refugiados/as, vindos de 79 países diferentes.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), refugiada é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição, é obrigada a sair do seu país de origem e nacionalidade. Devido à sua raça, religião, nacionalidade, pertença a determinado grupo social ou opinião política, essas pessoas buscam refúgio fora do seu país de origem. E, por se sentirem ameaçadas, não podem regressar ao mesmo. Em muitos casos, as pessoas são obrigadas a deixar seu país devido a grave e generalizada violação de direitos humanos. Nos últimos anos, além de refugiados por motivos políticos, temos também muitos refugiados/as ambientais. Saem de suas terras por causa de catástrofes ambientais e desastres naturais. Atualmente, calculam-se em mais de 65 milhões de pessoas no mundo em condições de refugiados/as.

Seguir Jesus é seguir também a sua opção (Lucas 9.57-62) - P. Jorge Dummer

Oração

Que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos. Amém!

Leitura do texto

Conforme informam os versículos 57 e 58, Jesus está com seus discípulos a caminho de Jerusalém, para a festa da páscoa dos judeus que se aproximava. Nesta caminhada, alguém se dispõe a seguí-lo. Jesus logo adverte que quem lhe segue assume um compromisso no caminho da cruz. Quem caminha com Jesus corre riscos, não é bem aceito, é perseguido, é ameaçado. Quem caminha com Jesus, não só anda com ele, mas assume a missão que ele recebeu do próprio Deus, conforme os textos que foram lidos há pouco. As palavras no evangelho de Lucas são as palavras de Isaías que Jesus retoma e assume para si como sua missão: 

• Anunciar a boa notícia aos pobres
• Dar liberdade aos presos
• Dar vista aos cegos
• Libertar os oprimidos.

Na segunda parte do texto Jesus chama pessoas ao discipulado. Chama pessoas para assumir com ele a missão que realiza. Jesus é um tanto exigente. Ele quer pessoas que realmente tenham vontade de se unir a ele na tarefa que realiza. Chega a dizer que quem quer seguí-lo deve deixar tudo para trás (vers. 62). Estaria alguém disposto a aceitar esse chamado hoje? Para ser discípulo de Jesus há que se desprender de tudo que amarra, prende, escraviza. Essas amarras, como no tempo de Jesus, também hoje são os laços familiares e normas que criamos até dentro das próprias comunidades.

Jesus aponta alguns aspectos importantes e necessários que deve refletir quem quer seguí-lo:

Cinco comportamentos que pais devem adotar para acabar com o machismo

O grotesco caso da moça carioca estuprada por 33 homens popularizou uma expressão até então restrita a círculos feministas: cultura do estupro. Grosso modo, o termo se refere à naturalização da violência contra a mulher no dia-a-dia – naturalização essa que pode ocorrer de forma sutil ou escancarada e que começa ainda na infância.

Se isso parece exagero, vou dar um exemplo. Quando eu estava grávida do meu primeiro filho, conversava com um amigo sobre a filhinha dele, ele preocupado com o “trabalho” que ela daria no futuro. Eu tentava argumentar que entendia os medos de pai, mas que pensar assim era um tanto machista, afinal, dava a entender que ele precisaria manter afastados os potenciais parceiros sexuais da filha. A conversa terminou quando ele soltou esta:

“Para você é fácil falar. Você vai ter um menino. Eu que sou o fornecedor”.

Isso aconteceu há três anos – acho até que esse meu amigo não acredita mais nessa bobagem –, mas ilustra bem como a maioria da sociedade ainda enxerga meninas e mulheres. Em pleno século XXI, continuamos a ensinar às meninas que elas não são donas do próprio corpo. Que elas devem ser delicadas e se comportar como “mocinhas”. Enquanto isso, dos meninos, é cobrado o oposto: virilidade, “macheza”, promiscuidade.

Hoje na História, há 40 anos, no dia 16 de junho de 1976 acontecia o “Levante de Soweto”

Há 40 anos, no dia 16 de junho de 1976, a África do Sul assistiu perplexa a um massacre: centenas de jovens – a maioria negra – foram mortos no episódio conhecido como “Levante de Soweto”, hoje símbolo da luta contra o racismo no mundo.

Na época, vigorava no país o regime de apartheid: uma minora branca governava, segregando a população negra. Essa política racial durou mais de quatro décadas, de 1948 até 1994, quando Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul.

Mas voltemos a 1976. As escolas para os negros estavam superlotadas e os professores eram desqualificados. Além disso, era necessário pagar pelos estudos, o que contrastava com a educação destinada à população branca, gratuita e de qualidade.

Para piorar, o governo sul-africano proibiu os alunos do bairro de Soweto, localizado no subúrbio de Joanesburgo, de estudarem em sua língua “bantu”. Obrigatoriamente, deveria ser ensinado nas escolas o africâner – língua-símbolo do apartheid – e o inglês. Línguas nativas, portanto, estavam vetadas. Isso foi a gota d’água.

Cerca de 20 mil estudantes sul-africanos se reuniram para protestar contra a medida. A manifestação começou calma, porém as tropas de segurança entraram em choque com os manifestantes e um estudante de 13 anos, Hector Petersen, foi assassinado pela polícia.

Os estudantes responderam atirando pedras. A polícia abriu fogo e matou mais 22 estudantes. Nos dias seguintes, muitos sul-africanos ficaram indignados com a truculência do regime e saíram às ruas, protestando contra as mortes. Até o final de 1976, o saldo era catastrófico: 600 manifestantes mortos e milhares de feridos. Em 1991, o 16 de junho passou a ser celebrado como o Dia da Criança Africana.

Orlando é aqui: A sua ‘opinião’ e a sua ‘piada’ matam LGBTs todos os dias

O mundo ainda está em choque com o atentado que matou 50 pessoas, e feriu outras 53, em Orlando, na Flórida. E quando digo “o mundo” me refiro, claro, àquelas pessoas que são verdadeiramente humanas, e não a tantas outras que se aproveitaram de um episódio cruel para destilar seu ódio e indiferença.

O fato já é conhecido: Omar Siddique Mateen, cidadão norte-americano de pais afegãos, entrou na boate Pulse, no centro de Orlando, e abriu fogo contra as pessoas que lá estavam. A boate é conhecida e frequentada pelo público LGBT da cidade. Omar, que tinha 29 anos, foi morto pela polícia. Ele era, segundo o seu próprio pai, um homofóbico.

A análise desse episódio precisa de vários recortes, como o discurso xenófobo que tem sido usado contra os muçulmanos, partindo inclusive do asqueroso presidenciável Donald Trump, e também a questão do controle de armas, que podem ser compradas com muita facilidade nos Estados Unidos. E por mais que Omar Siddique odiasse pessoas LGBTs, ele não as mataria tão facilmente se não pudesse comprar uma arma praticamente em cada esquina.

Outra coisa que precisa ser pensada é onde começa e como se desenvolve o pensamento homofóbico.

Por mais que muita gente não queira encarar e admitir, a homofobia escancarada do Estado Islâmico (grupo terrorista pelo qual Omar Saddique demostrava simpatia) é a mesma homofobia disfarçada de preservação da “moral e bons costumes” de parte da sociedade brasileira.

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lucas 9, 18-24) - Tomaz Hughes SVD

Proclamamos hoje a versão lucana da profissão de fé de Pedro, que Marcos situa no caminho de Cesaréia de Filipe (Mc 8, 27-35) e coloca como pivô de todo o seu Evangelho. Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os Evangelhos:
- quem é Jesus?
- o que é ser discípulo dele?

São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus, determinará a maneira do meu seguimento a ele.

O trecho inicia-se com Jesus em oração. Essa é uma atitude típica de Jesus em Lucas. Muitas vezes no Terceiro Evangelho, especialmente antes de momentos importantes na sua vida, Jesus se acha em oração. Pois ele nada faz por vontade própria, mas escutando a vontade do Pai.

O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua:

“Quem dizem as multidões que eu sou?”

É inócua, pois não compromete - o “diz que” não compromete ninguém, pois expressa a opinião dos outros. Por isso, chove respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, um dos antigos profetas que ressuscitou!”. Mas Jesus não quer parar aqui, - esta pergunta foi só uma introdução. Depois vem a facada!:

Estupro geral - Frei Betto

Estupra-se uma moça de 16 anos, em uma favela do Rio, vítima de 33 tarados que, com certeza, tiveram castrada sua escolaridade e qualificação profissional devido ao descaso com que os nossos políticos tratam a educação.

Estupra-se a cidadania com unidades de polícia pacificadora que adentram comunidades carentes disparando a esmo balas que ceifam vidas e são computadas como "perdidas”.

Estupra-se o futuro de milhares de crianças e jovens que, na periferia, veem chegar a polícia e o narcotráfico, mas não escolas, teatros, cinemas, salas de dança, praças de esportes, oficinas musicais e literárias.

Estupra-se a nação quando se lhe impõe uma meta fiscal que amputa o orçamento da saúde e da educação, da cultura e dos programas sociais.

Estupra-se a democracia quando políticos se locupletam em negociatas, estufam os bolsos de propinas, conspiram para sabotar a Lava Jato e ainda promovem um golpe parlamentar para tentar desviar o rumo das investigações.

Estupra-se o contribuinte honesto quando o ajuste fiscal não cria o imposto progressivo e são mantidas desonerações tributárias e juros baixos para empresas e latifúndios que se gabam de sonegar.

A importância da mulher na sociedade - Romi Bencke

Será que mulheres são consideradas relevantes para a sociedade? Será que desejamos, de fato, que mulheres participem ativamente nos espaços políticos de decisão? Ou será que a importância da mulher é pura retórica?

Muitas vezes, observando as dinâmicas sociais, quase chego à conclusão de que nós, mulheres, não temos real importância para a sociedade e nem para a política formal. Nós somos parte daquele grupo social sobre o qual é bom falar quando se deseja mostrar inclusividade, mas, na hora de mostrar na prática que a transformação nas relações sociais é possível, ai...bem...a conversa muda! Somos o tema que se pode deixar para depois.

Por que nosso desejo de participação, protagonismo, liberdade, autonomia acaba sendo sempre colocado em segundo plano? Uma das respostas possíveis é que somos um desses temas que provoca a pergunta sobre atéonde estamos dispostos a ir quando falamos em participação das mulheres na sociedade e na política?

A plena inserção das mulheres nas diferentes esferas da vida traz à tona a incômoda, indesejável e provocativa discussão sobre relações de poder. Sem uma disposição profunda de transformação nos paradigmas que orientam as relações de poder, não haverá mudanças para nós mulheres.