Reunião do Núcleo Guarapari

Olá!

No dia 29/10/2014 nos reunimos mais uma vez para continuarmos nossa organização e inciarmos nosso planejamento 2015. Fizemos uma proposta de programação de estudo, que será levada para a assembléia anual do CEBI-ES, nos dias 05, 06 e 07 de dezembro de 2014, para avaliação e aprovação. Nossa intenção é iniciarmos a formação a passos curtos, mas de forma contínua.

Nossa próxima reunião ficou agendada para dia 11/12/14, 19:30, na Comunidade Luterana. Abraço e até lá!

Mateus 5,1-12: As bem-aventuranças como caminho de santidade - Ildo Bohn Gass

“Felizes os que são pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).

1 Todas as pessoas são chamadas à santidade

Na boa nova das bem-aventuranças, Jesus propõe um caminho de santidade. No mundo católico romano, o dia escolhido para celebrar a vida de todos os santos é 1º de novembro, ao passo que o dia 2 de novembro é um dia especial para fazer memória das pessoas bem-aventuradas e que já se encontram na glória do Pai. Para nós, que ainda temos uma missão a cumprir neste mundo, Jesus propõe um caminho de santidade e que já começa nesta vida. Conforme a comunidade de Mateus, as oito bem-aventuranças são esse caminho. 

Todas as pessoas são chamadas à santidade, a fim de serem felizes. “Sede santos, porque eu, Javé vosso Deus, sou santo” (Levítico 19,2). Mateus faria uma releitura desse chamado da seguinte forma: “Sede perfeitos, como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Coerente com sua experiência com o Deus compassivo, Lucas formula assim o mesmo convite: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).

Carta Aberta da Comissão Pastoral da Terra à presidenta Dilma Rousseff

O presidente da CPT, Dom Enemésio Lazzaris, assina Carta enviada pela Pastoral da Terra à presidenta Dilma Rousseff, em que destaca que "os conflitos e a violência, inclusive com assassinatos de camponeses e camponesas, 130 no seu governo, conforme os dados registrados pela CPT, acobertados pela impunidade, só tenderão a crescer se se mantiverem a inoperância e a corrupção em muitos órgãos governamentais, ao par do que fazem ou deixam de fazer o Legislativo e o Judiciário". Confira o documento na íntegra:



Para a Sra. Presidenta da República Dilma Rousseff

Excelentíssima Senhora,

A Comissão Pastoral da Terra, CPT, reunida em Conselho Nacional, em Luziânia-GO, entre 27 e 29 de outubro de 2014, dirige-se respeitosamente a V. Excia. para, em primeiro lugar, parabenizá-la pela reeleição e desejar-lhe um novo mandato profícuo e benéfico para toda a nação brasileira, de modo especial para os menos favorecidos, já que foram estes a maioria dos que a reelegeram. Por isso merecem uma atenção toda especial de sua parte.

Papa Francisco: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”

“Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”, declarou, perante trabalhadores precários e da economia informal, migrantes, indígenas, sem-terra e pessoas que perderam a sua habitação.

O encontro é promovido até hoje pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz (Santa Sé), em colaboração com a Academia Pontifícia das Ciências Sociais.

“Não existe pior pobreza material do que aquela que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos laborais não são inevitáveis, são o resultado de opção social prévia, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem”, defendeu o Papa.

Mateus 22.23-33: A vida não acaba na morte - Martin Volkmann

Mt 22.23-33 faz parte do conjunto que relata a presença e atuação de Jesus em Jerusalém, antes de sua execução. Esta presença está marcada pelo confronto direto com as autoridades judaicas. Este confronto é caracterizado pelo evangelista por meio das controvérsias de Jesus com as autoridades, acrescidas de algumas parábolas (21.23-22.46) e das orientações aos seus seguidores com relação à postura e posicionamento dessas autoridades (23).

Enquanto a maior parte das controvérsias e acusações de Jesus se referem aos fariseus e aos escribas de orientação farisaica, esta passagem é a única em que se tematiza a teologia saducéia. Nos versículos precedentes (15-22), na questão do tributo, os fariseus procuram comprometer Jesus com a tendência zelota. Em contrapartida, em nossa passagem, os saduceus visam a colocar Jesus nas trincheiras farisaicas, uma vez que a questão da ressurreição é um dos pontos controversos entre ambos.

A negação da ressurreição é uma das poucas coisas que o NT nos informa sobre os saduceus (At 4.2; 23.6,8; cf. também l Co 15.12). Tal concepção baseia-se em sua compreensão da lei e da Escritura: da lei fazem parte apenas as leis escritas, assim como estão codificadas no Pentateuco. Toda a tradição oral, como interpretação e complementação da lei escrita que passou a ter caráter igualmente normativo para os fariseus, é rejeitada pelos saduceus. Lei é apenas a lei escrita. A tradição oral não pode ter o mesmo valor de Escritura Sagrada como a lei escrita.

Agricultores familiares são os principais agentes para erradicação da fome

Famílias produtoras de alimento são agentes decisivos de mudança na busca por segurança alimentar sustentável e na erradicação da fome mundial no futuro. Segundo informe recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nove em cada 10 dos 570 milhões de cultivos agrícolas são geridos por famílias, figurando estas como o elemento predominante do setor.

A organização aponta que os cultivos agrícolas familiares produzem em torno de 80% dos alimentos do planeta e correspondem a 75% de todos os recursos agrícolas mundiais, figurando como chaves para melhorar a sustentabilidade ecológica e de recursos naturais. De acordo com o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, essa produção predominante é vital para solucionar a fome que aflige mais de 800 milhões de pessoas no Globo.

Os direitos da juventude para além das urnas: Nota da Rede Ecumênica da Juventude sobre o pós-eleição presidencial

Nós, da Rede Ecumênica da Juventude – REJU, saudamos a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff! Seu passado, de luta como jovem guerrilheira no enfrentamento à ditadura civil-militar, se encontra com o nosso presente, de luta por mais direitos e em defesa das juventudes, construindo, no ontem e no hoje, a participação popular e juvenil e o fortalecimento da democracia.

Dilma Rousseff foi reeleita com 51,64% dos votos em todo o país, numa das eleições mais acirradas e disputadas da nossa história. Isso nos faz lembrar que o processo democrático exige de nós profundo respeito com o “espírito da democracia”, ou seja, que se faz imperativo compreender que as diferenças de pensamentos e posições políticas estão naturalmente presentes em um país com tamanha extensão e diversidade cultural como o Brasil. Considerando as particularidades regionais, étnicas e ideológicas, é necessário que percebamos neste pós-eleição que venceu a vontade do povo, expressa em mais de 54 milhões de votos, de eleitorxs de todo país, das suas diferentes regiões e classes sociais.

Há candidatos que prestam? - Mauricio Abdalla

É comum depararmos com a afirmação de que “as eleições definem o destino do país”. Isso é verdade apenas em parte. O processo eleitoral é somente uma parte da política. O verdadeiro destino do país é decidido na capacidade da sociedade civil de se organizar em movimentos e entidades fortes, capazes de apresentar propostas de políticas públicas que beneficiem permanentemente a maioria da população e para os problemas gerais como meio ambiente, direitos humanos, mobilidade urbana, política econômica, etc. Não apenas de apresentá-las, mas de se constituir em força política suficiente para que tais propostas se transformem em leis e ações permanentes de governo. É apenas nessa última questão que o processo eleitoral adquire sua importância.

Não votamos para que os problemas do país sejam resolvidos pelos candidatos “mais bem preparados”. O que se precisa pensar é na capacidade desses candidatos para serem a expressão institucional (nos poderes do Estado) das demandas da sociedade civil. E isso inclui tanto um programa de governo claro e amplo como a integração com as lutas dos movimentos sociais e identificação com os clamores dos mais pobres e das populações que têm seus direitos negados.

Dilma reeleita. Mas nosso voto não é um cheque em branco.

Tendo em vista o resultado das eleições presidenciais realizadas na data de hoje, o CEBI expressa publicamente:
- seu respeito à opinião de cada brasileiro e cada brasileira;
- seu compromisso com a necessidade do fortalecimento da democracia;
- seu compromisso de continuar cobrando as mudanças estruturais de que o Brasil necessita, entre as quais se destacam: a reforma política, a reforma agrária, o respeito aos direitos dos povos indígenas e quilombolas, a auditoria das dívidas externa e interna e o imposto progressivo sobre grandes fortunas.

Transcrevemos a seguir o artigo de Ivo Lesbaupin. 

O dilema que se colocava para o segundo turno não era se devíamos votar em Aécio ou em Dilma. É evidente que não queremos a volta das políticas neoliberais "puras", como as que o PSDB defende: Estado mínimo, privatização de estatais e de serviços públicos, desinvestimento em saúde e educação públicas, priorização dos interesses do capital financeiro. Estamos lutando contra estas políticas desde 1994. Temos de reconhecer que os governos do PT – Lula e Dilma – revalorizaram o Estado, fizeram um pouco mais de investimento em saúde e e educação, aumentaram o salário-mínimo acima da inflação e investiram em programas de transferência de renda para as camadas extremamente pobres. Do que resultou melhoria evidente das condições de vida das classes populares. Então, se compararmos os dois projetos, a balança positiva pende para o lado dos governos do PT.

O clamor dos indígenas que precisamos ainda ouvir - Leonardo Boff

A causa indígena nunca foi resolvida no Brasil. A toda hora se ouvem invasões de terras indígenas para dar lugar ao agronegócio. Homologação de suas terras são proteladas. E há assassinatos e suicídios misteriosos entre os guarani.

Não obstante, deram-se alguns avanços que cabe reconhecer como a demarcação e homologação em área contínua da terra Yanomami contra a pressão de meia dúzia de arrozeiros, apoiados pelo latifúndio pelo agronegócio; a devolução da terra indígena xavante Marãiwatsédé na Prelazia de São Felix do Araguaia, de onde haviam sido arrancados à força há 40 anos atrás. A mesma coisa não ocorreu com a terra dos Guarani Kaiowá, Guyraroka, que o STF com os votos dos ministros Celso Mello e Carmen Lúcia rejeitaram o voto de relator do processo o ministro Ricardo Lewandoski. Em nenhum momento a comunidade indígena foi consultada e o latifundiário que as ocupou, ganhou o direito sobre os 12 mil hecatares das terras tradicionais.