71 mil brasileiros concentram 22% de toda riqueza

Esta elite representa 0,3% dos declarantes do imposto de renda em 2013. Nº refere-se a pessoas com renda mensal superior a 160 salários mínimos.

Que o Brasil é um país desigual estamos cansados de ouvir. Dados das declarações de imposto de renda divulgados neste mês pela Receita Federal ajudam a conhecer melhor a distribuição de renda e riqueza no país e mostram que menos de 1% dos contribuintes concentram cerca de 30% de toda a riqueza declarada em bens e ativos financeiros.

A reportagem é de Darlan Alvarenga e publicada por G1, 01-08-2015.

De 2012 para 2013, o número de brasileiros com renda mensal superior a 160 salários mínimos (maior faixa da pirâmide social pelos critérios da Receita) caiu de 73.743 para 71.440.

Esta pequena elite - que corresponde a 0,3% dos declarantes de IR - concentrou, em 2013, 14% da renda total e 21,7% da riqueza, totalizando rendimentos de R$ 298 bilhões e patrimônio de R$ 1,2 trilhão. Isso equivale a uma renda média individual anual de R$ 4,17 milhões e uma riqueza média de R$ 17 milhões por pessoa. (VEJA TABELA ABAIXO)

Rede Ecumênica quer eliminar água em garrafa no mundo

A Rede Ecumênica pela Água, órgão do Conselho Mundial das Igrejas, onde estão também representantes da Igreja Católica, lança uma proposta desafiadora: eliminar o uso da água em garrafa no mundo pelos danos que provoca ao ambiente e por ser obstáculo ao acesso universal da água.

Durante encontro realizado em Genebra, a Rede evidenciou o efeito altamente poluidor do processo de produção e de descarte das garrafas de plástico. Ao invés de serem recicladas, de fato, mais de 30% terminam em lixões, em cursos de água e nos oceanos, onde nunca poderão se decompor completamente.

Além disso, segundo a entidade ecumênica, normalmente os governos evitam a própria tarefa de construir redes hídricas para fornecer água potável às faixas da população mais necessitadas, graças à distribuição de água em garrafa. Nos países mais desenvolvidos, as indústrias têm progressivamente influenciado os hábitos dos consumidores convencendo-os, através de campanhas de marketing agressivo, que a água engarrafada é mais segura e mais saudável daquela da torneira.

ONU: Brasil atingiu meta do milênio em redução de pobreza e fome

A especialista do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) Renata Rubian afirmou que o Brasil conseguiu atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, em relação à pobreza e à fome. Em Nova York, Rubian disse em entrevista à Rádio ONU que o país buscou metas bem mais ambiciosas do que as determinadas pelas ODMs.

"Por exemplo, a meta de redução da pobreza no Brasil não é de 50%, a meta de redução do Brasil que o governo adotou é de reduzir a 25% a incidência da pobreza extrema. A meta de redução da fome no Brasil também não é de redução de incidência de 50%. É uma meta de erradicação da fome", disse Rubian.

Em relação aos países de língua portuguesa, ela citou resultados mistos. Rubian falou sobre a situação em Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste, que registrou avanços no setor de saúde.

"O Timor-Leste ainda não atingiu a meta de redução de pobreza, mas a gente vê que o Timor é um sucesso, na verdade, na redução da mortalidade infantil e na melhoria da saúde materna. No caso dos países africanos, é uma situação complexa. A gente vê, por exemplo, Angola e Moçambique que têm um crescimento econômico astronômico. Angola, a gente sabe muito bem de todas as riquezas naturais, como diamantes e petróleo. Mas infelizmente, no caso de Angola e Moçambique, esse crescimento econômico não se traduziu numa redução da pobreza."

Um desafio permanente: cuidar de si mesmo - Leonardo Boff

Ao assumir a categoria “cuidado” na relação para com a Mãe Terra e para com todos os seres, o Papa Francisco reforçou não só uma virtude mas um verdadeiro paradigma que representa uma alternativa ao paradigma da modernidade que é a da vontade de poder /dominação que tantos prejuízos trouxe.

Devemos cuidar de tudo, também de nós mesmos, pois somos o mais próximo dos próximos e, ao mesmo tempo, o mais complexo e o mais indecifrável dos seres.

Sabemos quem somos? Para que existimos? Para onde vamos? Refletindo nestas perguntas inadiáves vale lembrar a ponderação de Blaise Pascal (+1662) talvez a mais verdadeira.

Que é o ser humano na natureza? Um nada diante do infinito, e um tudo diante do nada, um elo entre o nada e o tudo, mas incapaz de ver o nada de onde veio e o infinito para onde vai (Pensées § 72).

Na verdade, não sabemos quem somos. Apenas desconfiamos como diria Guimarães Rosa. Na medida em que vamos vivendo e sofrendo, lentamene desvendamos quem somos. Em último termo: expressões daquela Energia de fundo (Deus ?) que tudo sustenta e tudo dirige.

IEAB fala sobre a Semana de Combate ao Tráfico de Pessoas - Arcebispo Justin Welby

Irmãos e Irmãs,

Nenhum corpo humano pode ser, em qualquer circunstância, objeto de escravidão.

Nesta semana é celebrado internacionalmente a Campanha Contra o Tráfico de Pessoas. Esta é uma tragédia humana que somente nos últimos anos tem sido percebida por governos e entidades não governamentais. Em nosso país, constantes denúncias tem se avolumado à partir de organismos de direitos humanos e entre diversas categorias que caracterizam o tráfico de seres humanos, se encontram o trabalho escravo, o tráfico de órgãos e a exploração sexual de meninas e meninos, bem como a adoção ilegal de crianças. O tráfico não tem fronteiras e é cometido tanto dentro do Brasil como para o exterior. Segundo estatísticas levantadas por diversos organismos internacionais, o Brasil está em décimo lugar no mundo em termos de ocorrências constatadas, isso sem falar nos casos que permanecem não identificados.

A consciência da sociedade brasileira precisa aumentar sobre este silencioso e obscuro problema, que movimenta pelo menos 30 bilhões de dólares no mundo, enriquecendo verdadeiras máfias internacionais e nacionais. São pessoas, no caso de adultos e de crianças, que são atraídas para um mundo de sonhos que se transformam em pesadelos. A exploração econômica e social as submete a condições de vida indigna e muitas vezes fatal.

João 6,22-40: Quem vem a mim nunca mais terá fome! - Carlos Mesters, Francisco Orofino e Mercedes Lopes

I. Situando

1. Neste discurso do Pão da Vida (Jo 6,22-71), por meio de um conjunto de sete diálogos, o evangelista explica para os leitores e as leitoras o significado profundo da multiplicação dos pães como símbolo da Ceia Eucarística. É um diálogo bonito, mas exigente. O povo fica chocado com as palavras de Jesus. Mas Jesus não cede nem muda as exigências. O discurso parece um funil. Na medida em que avança, é cada vez menos gente que sobra para ficar com Jesus. No fim, só sobram os doze, e nem assim pode confiar em todos eles.

2. Quem lê o Quarto Evangelho superficialmente pode ficar com a impressão de que João repete sempre a mesma coisa. Lendo com mais atenção, perceberá que não se trata de repetição. O Quarto Evangelho tem um jeito próprio de repetir o mesmo assunto, mas é num nível cada vez mais alto ou mais profundo. Parece uma escada em caracol. Girando você volta ao mesmo lugar, mas num nível mais alto. Assim é o discurso sobre o Pão da Vida. É um texto que exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-lo. Por isso, não se preocupe se não entender logo tudo. Um texto assim devemos ler, meditar, ler de novo, repetir, ruminar, como se faz com uma bala gostosa. Vai virando e virando na boca, até se gastar.

II. Comentando

1. João 6,22-27: 1º Diálogo: O povo procura Jesus porque quer mais pão 
O povo viu o milagre, mas não o entendeu como um sinal de algo mais alto ou mais profundo. Parou na superfície: na fartura de comida. Buscou pão e vida, mas só para o corpo. Para o povo, Jesus fez o que Moisés tinha feito no passado: deu alimento farto para todos. Indo atrás de Jesus, queria que o passado se repetisse. Mas Jesus pediu que o povo desse um passo. Além do trabalho pelo pão perecível, deveria trabalhar também pelo alimento não perecível. Este novo alimento é que traz a vida que dura para sempre.

Mulheres sobre o 25 de julho: "a luta contra a invisibilidade é constante"

O protagonismo da mulher negra na luta por direitos e igualdade de gênero ganha cada vez mais espaço. Criado em 1992, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha tem fortalecido esta luta contra a invisibilidade, mas o enfrentamento a estes problemas faz parte do cotidiano diário de cada uma delas.

Há particularidades na realidade da mulher negra na sociedade hoje, que são resquícios dos anos de desigualdades do período colonial, escravocrata e patriarcal. Além dos problemas de gênero enfrentados no continente latino por todas as mulheres, como o machismo e desigualdades no mercado de trabalho, a mulher negra também precisa lidar com os conflitos raciais, como o racismo e a estereotipação do corpo negro, muitas vezes ligado à satisfação sexual.

No Brasil, segundo o “Dossiê mulheres negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil”, publicado em 2013 pela ONU Mulheres em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), existe uma impacto do racismo e do sexismo na vida das mulheres negras na educação, mercado de trabalho, economia do cuidado, pobreza e desigualdade de renda, vitimização e acesso à justiça.

A situação diferenciada dessas mulheres em relação ao "sujeito universal do feminismo" possibilitou que elas percebessem que precisavam e deveriam, juntas, falar de suas especificidades, avalia Djamila Ribeiro, feminista negra e mestranda em Filosofia Política na Unifesp.

El Salvador, povo salvadorenho e Oscar Romero: bom pastor e profeta no meio do povo. Por Gilvander Moreira.

"Se denuncio e condeno a injustiça é porque é minha obrigação como pastor de um povo oprimido e humilhado... O Evangelho me impulsiona a defender meu povo e em seu nome estou disposto a ir aos tribunais, ao cárcere e à morte... Nenhum soldado está obrigado a obedecer uma ordem contrária à lei de Deus que diz: “Não Matar.” Uma lei imoral não deve ser cumprida por ninguém. Soldados, em nome de Deus e no nome deste povo sofrido, cujos clamores sobem até ao céu cada dia mais tumultuosos, lhes suplico, lhes rogo, lhes ordeno em nome de Deus: cessem a repressão.” (Dom Oscar Romero)

1. Primeiras impressões.

Estive em El Salvador, de 13 a 17 de abril de 2009, para participar de um Encontro de Justiça de Paz (e integridade de toda a Criação) da Ordem dos Carmelitas. Tive o sentimento que ao pisar em solo salvadorenho, o Deus da vida cochichava nos meus ouvidos: “Tire as sandálias, pois estás pisando em um lugar sagrado!” Assim foram os cinco dias que lá estive. Voltei ao Brasil profundamente marcado. Nunca vi uma terra tão banhada pelo sangue dos mártires. De 24 a 30 de novembro de 2003, ao participar do VII Congresso missionário latino-americano, na Guatemala, eu tinha ficado estarrecido ao ouvir que lá em 40 anos de ditadura militar, 40 mil pessoas foram assassinadas, martirizadas.

Logo na chegada em El Salvador, fiquei sabendo que em 12 anos de Guerra Civil (1980 a 1992) mais de 75 mil pessoas foram assassinadas ou estão desaparecidas. Para lembrar Eduardo Galeano podemos dizer: “Essas são as veias abertas da América Latina.”

O censo de 2007 mostrou que a população de El Salvador era de 5.744.113. Hoje, deve estar acima de 6 milhões de pessoas. Dentro do próprio território vivem 86% de mestiços, 12% brancos, e 2% indígena. É o país mais densamente povoado de toda a América Afrolatíndia.[ Todavia, há mais de 2,5 milhões de salvadorenhos sobrevivendo fora do país, só nos Estados Unidos são mais de 2 milhões. Em quase todas as famílias salvadorenhas há parentes que estão nos Estados Unidos e tiveram parentes assassinados e/ou desaparecidos durante a Guerra Civil.

Desmatar o Cerrado é "fechar a torneira da água", diz especialista

Mercedes Bustamante: "Se se quiser conservar o rio São Francisco, tem que se conservar os 48% de vegetação do Cerrado que ainda estão lá". Confira a entrevista com a estudiosa de Cerrado:

O Cerrado é fundamental para 8 das 12 bacias hidrográficas brasileiras, e desmatá-lo pode significar "fechar a torneira da água", diz Mercedes Bustamante, uma das maiores especialistas no segundo maior bioma brasileiro, que já perdeu mais da metade da cobertura original e hoje produz emissões de gases-estufa equivalentes às da Amazônia. "É uma floresta de cabeça para baixo", diz a professora de ecologia de ecossistemas e mudanças ambientais globais da Universidade de Brasília.

A bióloga estuda o Cerrado há 23 anos e diz que "toda decisão sobre o uso da terra é uma decisão sobre o uso de água". O produtor rural, em sua visão, não é apenas produtor de alimentos, mas deveria também ser gestor de florestas, de água e de solo. Por isso, o melhor seria dar ao Cerrado uma ocupação de solo diferenciada, com estratégias de conservação de "toda a paisagem". Mais que isso: os 80% de vegetação que a lei permite que sejam desmatados deveriam ser revistos. "Esse percentual foi definido em determinado contexto, há décadas, mas será que esse contexto se aplica hoje? Deixar só 20% de vegetação será suficiente com o clima em mutação?", questiona.

"Se se quiser conservar o rio São Francisco, tem que se conservar os 48% de vegetação do Cerrado que ainda estão lá", ilustra. "Nessa discussão sobre crise hídrica ouvimos falar em grandes obras, em trazer água de lá pra cá, em reúso, mas a variável de uso da terra não entra no debate", surpreende-se.

Mercedes diz que o Cerrado é a "caixa d' água" do Brasil e que a melhor estratégia de longo prazo para a crise hídrica seria reflorestar todas as margens de rios que abastecem as cidades. "Estamos com uma gestão de risco temerária", diz. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Por que o Cerrado é importante?

ONU e Brasil lançam Década Internacional de Afrodescendentes

A Organização das Nações Unidas (ONU) e o governo brasileiro lançaram na quarta-feira (22) oficialmente no Brasil a Década Internacional de Afrodescendentes, que se estende até 2024. O ato ocorreu na abertura do Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha (Latinidades), em Brasília.

A década consta na Resolução 68/237 da Assembleia Geral da ONU. De acordo com a organização, o objetivo é promover o respeito, a proteção, os direitos humanos e liberdades fundamentais dos povos afrodescendentes, como reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O lançamento será feito pela ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Nilma Lino Gomes, e pelo e coordenador residente do Sistema das Nações Unidas do Brasil, Jorge Chediek.

O festival é o maior de mulheres negras da América Latina. Foi criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. Neste ano, o tema é Cinema Negro.